Mostrando postagens com marcador Polícia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Polícia. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de fevereiro de 2015

A inocência póstuma graças a um vídeo gravado pelo celular

Polícia diz que jovem atirou em PMs, mas vídeo gravado pela vítima desmente essa versão


Chauan Cezário, uma das vítimas dos PMs, em delegacia no Rio. / URBANO ERBISTE  (AG. O GLOBO)
De: El Pais
Atira primeiro. Pergunta depois. Foi assim que um grupo de policiais que fazia uma operação na favela da Palmeirinha, na zona norte do Rio de Janeiro, agiu na noite do último sábado quando matou um jovem de 15 anos e feriu outro, de 19, com um tiro no peito. Até a 
tarde da última quarta-feira, a versão oficial da polícia era de que quatro criminosos atiraram contra um blindado da PM que fazia uma ação de rotina na região. Ou seja, tratava-se de um caso de auto de resistência ou morte em decorrência da atividade policial. A filmagem feita pelo celular do jovem que morreu, porém, contradiz essa tese e mostra que os policiais dispararam ao menos dez vezes contra um grupo de quatro amigos sem nenhuma razão.

Ao fundo, o autônomo Chauan Jambre Cezário, 19 anos, que foi atingido por um tiro no peito ora: “Pai do céu. Me ajuda, Jesus”. Evangélico, ele recorre a Deus o tempo inteiro. Enquanto isso, mulheres xingam os policiais e pedem para as crianças deixarem as ruas. O clima na favela Palmeirinha ficou pesado e alguns moradores promoveram protestos no fim de semana, queimando veículos e interditando vias que passam pela comunidade, como a avenida Brasil.No vídeo de pouco mais de nove minutos, publicado na página daorganização Rio Consciente, há quatro jovens moradores da comunidade sentados em suas bicicletas, conversando e contando piadas. Todos estavam desarmados. Pouco depois do primeiro minuto da gravação, é possível notar que os rapazes começam a correr, na sequência, tiros. De repente o jovem que estava filmando, Alan de Souza Lima, de 15 anos, cai e começa a gemer de dor. Ele fora atingido por dois disparos no abdômen. O vídeo não mostra quem atira nem o rapaz sendo baleado, mas é possível ouvir os policiais perguntando por qual razão os jovens correram. E eles respondem que só estavam brincando. Lima morre no local.


A reviravolta no caso só ocorreu na quinta-feira, quando, após a divulgação do vídeo, o comandante da Polícia Militar do Rio, coronel Alberto Pinheiro Neto, determinou que os nove PMs envolvidos na ocorrência fossem investigados internamente pela corregedoria. A suspeita é que os policiais tenham criado uma falsa cena de crime ao apresentar duas armas que diziam ser das vítimas. A prática é comum na corporação, independentemente do Estado, conforme revelou o EL PAÍS no dia último 8. Nesta sexta-feira, o comandante do 9o batalhão, o tenente-coronel Luiz Garcia Baptista, onde os policiais trabalhavam, foi exonerado da função.
Os nomes dos nove PMs que participaram da desastrada ação na Palmeirinha não foram divulgados. Eles tiveram suas armas apreendidas e estão fazendo trabalhos internos.
Cezário, que é negro, ficou internado por três dias e quando recebeu alta médica, foi preso por porte ilegal de arma. Ele só está em liberdade porque conseguiu reverter a decisão do juiz que o deteve por meio de um habeas corpus. Em entrevista à TV Bandeirantes, ele disse que não portava nenhuma arma e que seu amigo Lima morreu sem ter feito nada.
O Rio de Janeiro foi o Estado brasileiro em que a Polícia Militar mais matou cidadãos em supostos confrontos em 2013. Em 2014, ficou em segundo lugar, atrás só de São Paulo, e em janeiro deste ano foram 64 assassinatos, média superior a uma morte por dia.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

No Brasil, seis pessoas são mortas diariamente por policiais, mostra Anuário



Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil Edição: Denise Griesinger
As polícias brasileiras mataram, durante o serviço, 2.212 pessoas em 2013, apontam dados da oitava edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido pela organização não governamental Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Em média, são 6,11 mortos por dia. O número é menor do que o verificado no ano anterior, quando 2.332 pessoas foram mortas pela polícia no Brasil. A íntegra do documento será apresentada amanhã (11) na capital paulista.
Apesar da queda, o FBSP avalia que a diferença não indica uma melhora ou tendência de mudança. A organização aponta que é preciso rever o padrão de atuação das forças policiais. O fórum foi criado em 2006 com objetivo de construir um ambiente de cooperação técnica na área de atividade policial e na gestão de segurança pública. O anuário apresenta dados sobre custo da violência, gastos de segurança pública, estatísticas de crimes e violência, efetivo de polícias e população prisional.
O levantamento releva ainda que, nos últimos cinco anos, a polícia matou 9.691 pessoas. O número é cinco vezes maior do que o verificado nos Estados Unidos, onde 7.584 pessoas foram mortas pela ação policial nos últimos 20 anos. Se forem somados os casos em que os policiais agiram também fora de serviço, o total chega a 11.197. Os dados norte-americanos apontam 11.090 mortes em 30 anos.
Em relação à quantidade policiais mortos, houve um aumento em 2013 na comparação com o ano anterior. Foram 490 mortes, 43 a mais do que 2012. A média no país é 1,34 policial assassinado por dia. Desde 2009, 1.170 agentes foram mortos. A maioria das mortes (75,3%) ocorreu quando não estavam em serviço. O Rio de Janeiro é o estado com maior número de casos, com 104, seguido por São Paulo (90) e Pará (51).

Como parte do anuário, o FBSP apresenta o Índice de Confiança na Justiça Brasileira (ICJBrasil), apurado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O estudo aponta que apenas 33% dos entrevistados dizem “confiar ou confiar muito” no trabalho da polícia. O percentual é três pontos superior ao verificado no ano passado, mas, na avaliação da organização, o número ainda é muito baixo. Foram entrevistadas 7.176 pessoas em oito estados.

Os policias avaliados como mais honestos pela população local foram os do Rio Grande do Sul, com 62% de confiança dos entrevistados. Em segundo lugar, estão os agentes de Minas Gerais e do Distrito Federal, com 57% da população confiando na idoneidade das forças policiais. Na média nacional, 51% acreditam que a maior parte dos policiais é honesta. Os amazonenses, por outro lado, são os que mais desconfiam das forças de segurança. A polícia do Amazonas é considerada honesta por 35% dos entrevistados.

As pessoas mais velhas (62%) e as que têm maior escolaridade (60%) são as que mais tendem a concordar com a afirmação de que a maior parte dos policiais é honesta. Também foram verificadas diferenças étnicas em relação a essa questão. É maior a proporção de entrevistados que se autodeclaram branco que concordam com a afirmativa do que entre os que se autodeclaram negros.

sábado, 19 de abril de 2014

PSOL, ultrapassa os limites do bom senso e defende Prisco, o tucano golpista da PM bahiana

O PSOL da Bahia resolveu lançar nota de repúdio à prisão do vereador tucano golpista e líder de motim, Marco Prisco. A sanha antipetista dos psolistas é tamanha, que eles nem se dão ao trabalho de refletir o que significa alguém, protegido por um mandato parlamentar(caso de Prisco), insuflar uma rebelião de soldados armados contra um governo legitimamente constituído. Certo tipo de trotskysmo ( a maior parte) tem uma séria dificuldade em diferenciar mobilizações populares de ações golpistas. Ao desconsiderarem o interesse do tucano em faturar politicamente na ação contra o governo do PT, o PSOL vai reforçando a ideia de ser uma linha auxiliar da direita. Eu evito tratar o PSOL como mera linha auxiliar da direita, mas está cada vez mais difícil; os caras não ajudam. Leia a manifestação do PSOL da Bahia AQUI.

Rebelião da PM na Bahia une forças do PSDB e PSB

De: 247
Após prisão do vereador Marcos Prisco (PSDB), militar que liderou o movimento grevista da polícia na Bahia, a tropa decidiu pelo aquartelamento na madrugada deste sábado (19), atendendo a um pedido do deputado estadual Capitão Tadeu (PSB); assim tucanos e socialistas se unem contra o governo petista de Jaques Wagner, mesmo após a administração atender as principais reivindicações da categoria, que esteve paralisada nesta semana, gerando grande onda de violência; manifestação tem claro teor político; prisão de Prisco foi determinada pela justiça atendendo a um pedido do MPF/BA, que acusa Prisco de "auferir lucros políticos nas últimas eleições municipais" por causa da greve de 2012; agora PSDB e PSB buscam juntos os mesmos dividendos eleitorais

247 - A paralisação dos policiais militares da Bahia vai ganhando contornos cada vez mais políticos. Os dois principais líderes do movimento grevista no Estado são do PSDB e do PSB, que juntos pressionam o governo petista de Jaques Wagner. A situação das grandes cidades baianas está bem crítica. Explodiu a onda de violência com índices assustadores de homicídios. Mesmo após fechar um acordo com o governador Wagner e depois de decisão judicial que determinou o fim da greve, a categoria agora optou pelo aquartelamento, como represália à prisão do líder do movimento, o vereador tucano Marcos Prisco. Enquanto isso, o deputado estadual Capitão Tadeu, do PDB, busca assumir a liderança do movimento.
Toda a manifestação dos policiais na Bahia tem claros contornos políticos. Diante do governo petista de Jaques Wagner, PSDB e PSB tentam enfraquecer a administração a menos de seis meses para a eleição. Com a prisão de Marcos Prisco, decidida pela Polícia Federal por causa do movimento grevista de 2012 (e não por causa dos atos desta semana), o deputado socialista emitiu nota de repúdio que demonstra a forte conotação política-eleitoral das manifestações.
"Ao governo do Estado pela traição aos Policiais e bombeiros militares baianos, pois mesmo tendo um acordo para o final da greve manda prender Prisco. Mesmo após Marco Prisco, vereador de Salvador, ter assinado um acordo aceitando o final da greve, contrariando inclusive parte da tropa, o governo mais uma vez trai a boa vontade dos policiais e bombeiros militares e manda prender Prisco. A prisão ocorre na data que os cristãos comemoram a Sexta-Feira Santa, um dia após o acordo que pôs fim à greve, caracterizando um ato de traição do governo para com os policiais militares. Dessa forma, neste momento, por exigência dos policiais e bombeiros militares, saio da condição de moderador do movimento reivindicatório e assumo a liderança do mesmo. Assim sendo, conclamo toda a tropa para suspender as atividades IMEDIATAMENTE até que o governo providencie a soltura de Prisco. Pede-se que esta moção de repúdio seja encaminhada à cúpula da Secretaria de Segurança do Estado da Bahia", afirma a nota do Capitão Tadeu.
A tropa então ouviu o pedido de Tadeu e durante a madrugada deste sábado (19) decidiu pelo aquartelamento. O comando da PM no Estado ainda não tem dimensão do aquartelamento das tropas, mas confirmou registros "em maior ou menor escala" pelo Estado, inclusive nas duas maiores cidades, Salvador e Feira de Santana. Em Feira de Santana, por exemplo, que somou mais de 40 homicídios no período da greve desta semana, a informação em um posto da Polícia Rodoviária Estadual era que grande parte da categoria estava reunida na sede da Aspra, a associação de praças e bombeiros liderada por Prisco.
Mais cedo, no final da noite de sexta-feira (18), cerca de cem policiais haviam se reunido em frente à Câmara Municipal de Salvador em encontro convocado após a prisão de Prisco. Representantes da Aspra procuravam enfatizar que o encontro fora uma manifestação espontânea de solidariedade a Prisco e que o recado dele era no sentido de não retomar a greve. A tentativa de assembleia se dispersou por volta das 22h30, mas os ânimos não se acalmaram, a julgar pelos desdobramentos das horas seguintes.
A opção pelo aquartelamento tem cunho meramente político, uma vez que o governo atendeu as principais reivindicações da categoria, como reconheceu o vereador Prisco, antes de ser preso. “Quase todas as reivindicações foram atendidas”, disse ele. De mesmo modo, O pedido da prisão dele não partiu do governo, mas sim do Ministério Público Federal da Bahia. No ano passado, o MPF/BA denunciou Prisco e mais seis pessoas por crimes praticados contra a segurança nacional durante a greve da PM, ocorrida em 2012. De acordo com o Ministério Público, os denunciados, entre vereadores, soldados e cabos da PM, auferiram com a greve lucros políticos nas eleições municipais.
Com as manifestações de agora, PSDB e PSB buscam os mesmos dividendos políticos, só que agora com as eleições estaduais. Como é processado por crime político grave pelo MPF, qualquer recurso contra a prisão de Prisco somente pode ser ajuizado no Supremo Tribunal Federal.

quinta-feira, 20 de março de 2014

PMs acusados de arrastar corpo de mulher são libertados

Policiais podem sair da prisão ainda hoje

DO IG


A juíza Ana Paulo Monte Figueiredo Pena Barros decidiu, na tarde desta quinta-feira, pela liberdade provisória dos três PMs flagrados em imagens arrastando o corpo da auxiliar de serviços gerais Cláudia Ferreira, 38 anos, morta com um tiro após operação da Polícia Militar no Morro da Cogonha, em Madureira. O pedido de relaxamento da prisão foi feito pela defesa dos soldados Adir Serrano Machado e Alex Sandro da Silva Alves, mas foi estendido ao primeiro denunciado, o subtenente Rodney Miguel Archanjo.

Em um trecho da decisão, a juíza afirma que não é possível saber se os PMs ignoraram o fato da vítima ter caído da viatura e sido arrastada.

"Assim sendo, por mais forte, chocante e até mesmo revoltante as imagens da senhora Cláudia, já baleada, sendo arrastada pelo asfalto presa ao reboque da viatura, nos termos não é possível inserir que PMs que estavam na viatura conheciam tal circustância e a ignoraram. Ao contrário, o que mostram as imagens é que a viatura parou e dois policiais desceram para a colocarem de volta no carro"

Ainda de acordo com a decisão, a magistrada afirma que a caçamba da viatura não era o melhor local para socorrer uma vítima. "Decerto, o compartimento de presos não é o local para uma vítima de arma de fogo em estado grave. As circustâncias que levaram a polícia a agirem dessa forma serão analisadas pelo conselho de justiça".

Pelo WhatsApp do Jornal O DIA (98762 - 8248), um leitor avisou que caso os PMs fossem libertados, moradores da região fariam manifestação no Mercadão de Madureira contra a decisão. 

Promotor foi favorável ao pedido de liberdade

Nesta quarta, o promotor Paulo Roberto Mello Cunha Júnior, do Ministério Público que atua junto à Auditoria de Justiça Militar, opinou favorável ao pedido de liberdade dos acusados feito pelos advogados. A juíza Ana Paula Figueiredo vai decidir sobre a expedição dos alvarás de soltura hoje. Ontem, os militares prestaram depoimento na 29ª DP (Madureira).

De acordo com o promotor, os PMs foram presos em flagrante com base no artigo 324 Código Penal Militar, que fala apenas do descumprimento de regras que prejudiquem à administração militar. “Nesse caso, a denúncia tem que ser feita no prazo de cinco dias. Mas só poderia opinar pela prisão, se fosse denunciá-los. No entanto, para isso seria necessário que o crime estivesse especificado”, explicou o promotor Paulo Roberto.

Ele sustenta que a investigação precisa identificar ainda se Cláudia estava viva no momento em que foi colocada na caçamba na viatura. “Se estava com sinais vitais, houve transgressão disciplinar pela maneira como foi colocada. Se ela estava morta, não há crime, mas eles podem responder por fraude processual por não ter preservado o local”.

O promotor enfatiza ainda que é preciso apurar também se Claudia estava viva quando foi arrastada pelas ruas. “Se ela apresentava sinais vitais, há o crime de lesão corporal. Mas, se estava morta, eles não cometeram nenhum crime”, afirma. Isso porque a lei não prevê lesão corporal contra cadáver.

Para Paulo Roberto, outra questão importante é apontar o responsável pelo disparo que atingiu a vítima. Segundo laudo do Instituto Médico-Legal, ela morreu por causa de um tiro que perfurou o pulmão e o coração. Ontem, os policiais repetiram na 29ª DP o mesmo depoimento prestado na 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). Alegaram que colocaram a mulher no porta-mala porque os moradores cercaram a viatura e precisavam prestar socorro o mais rápido possível.

Entenda a opinião do promotor

No momento em que Cláudia foi colocada na caçamba, os policiais podem responder por transgressão disciplinar pela maneira como a vítima foi socorrida. Ou seja, a punição é apenas administrativa e imposta pela Polícia Militar. Mas não respondem a crime previsto em lei.

Por arrastá-la por ruas da cidade, os policiais podem responder pelo crime de lesão corporal. No Código Penal Militar, o artigo 209 prevê pena de três meses a um ano, para lesão corporal leve, e de até oito anos para casos graves.

Para esclarecer se ela estava viva, o Ministério Público que atua junto à Auditoria de Justiça Militar, além de analisar o laudo cadavérico, deve ouvir o perito responsável.

Versão de advogado de PMs diverge da investigação

Segundo o advogado José Ricardo Brito, os PMs Rodrigo Medeiros Boaventura e Zaqueu de Jesus Bueno, que participavam da ação no Morro da Congonha, disseram que não tinha como os tiros dados por ele atingirem Cláudia, porque ela estava em uma curva e, da posição deles, não tinha visão da posição dela.

No entanto, investigadores disseram já saber, com base no ferimento, que a vítima foi baleada por tiro de fuzil 7.62. Eles ainda informaram ontem que, pelo ângulo onde os policiais militares estavam posicionados na operação, os militares poderiam ter atirado em Cláudia. Todas as armas dos PMs foram periciadas.

Às vésperas da reserva

A ação que matou Cláudia seria a última operação do subtenente Rodney Miguel Archanjo. Segundo o defensor dele, Jorge Carneiro, o militar pediria passagem para a reserva (aposentadoria) no dia seguinte. “Ele estava preparando um churrasco em comemoração”, disse Jorge.

Hoje, outros três militares que participaram da ação serão ouvidos na 29ª DP: o cabo Gustavo Meirelles, e os sargentos Ricardo Morgado e Paulo Henrique. Parentes da vítima prestarão depoimento.

Segundo a Polícia Civil, Rodney responde por três autos de resistência; Adir Serrano Machado, por 13; e Alex Sandro da Silva Alves não tem esse tipo de anotação. Outro morto na ação — registrado como auto de resistência — foi identificado como Willian dos Santos Possidônio, 16 anos.

sábado, 15 de março de 2014

Para ser coerente, é preciso defender o "Bloco de Lutas" da arbitrariedade que eles apoiam contra os outros

Pois  não é que a Polícia Civil resolveu indiciar um pessoal do "Bloco de Lutas" por formação de milícia? A quebradeira no Palácio da Justiça (e que se estendeu por outros prédios públicos e privados) foi atribuída a sete pessoas. Dois caras do PSTU, um do PSOL, uns do Utopia e Luta e outros anarquistas. Não vi o inquérito, mas diz-se que não há provas de que os indiciados tenham cometido os crimes de que são acusados. Coerentemente, não posso aceitar que pessoas sejam acusadas de cometerem algum crime sem que se prove que foram elas que, concretamente, o cometeram. Não interessa que elas achem que o aconteceu foi merecido. NINGUÉM, repito, NINGUÉM, pode ser condenado por um crime sem que haja provas cabais contra el@. Em minha singela opinião, não havia provas contundentes contra Zé Dirceu ou Genoíno. Ambos (entre outros) foram condenados por uma decisão política. Ocorre que, agora, a tal "sociedade", exige que seja feito algo contra os quebradores das tais "jornadas de junho". A Polícia, a quem cabe investigar os fatos e imputar crimes às pessoas, resolveu que há sete pessoas diretamente responsáveis por aquela zona toda e os enquadrou, de maneira inédita, no crime de formação de milícia.
Agora, os que aplaudiram a ação abusiva contra Dirceu e Genoíno, se acham injustiçados. Na minha singela opinião (de novo) não houve formação de milícia, do mesmo modo que no caso do chamado "mensalão", não houve formação de quadrilha. Os que comemoraram a condenação dos "mensaleiros do PT", protestam contra o abuso da polícia, que cumpria missão determinada pelo Judiciário, não pelo Piratini. Acusam o Governo do Estado de agir contra os movimentos sociais, pois seu mandatário (o governador) é o chefe maior da Polícia. Ora, a subordinação da Polícia ao Governador deve ser administrativa, não política. Do contrário, @ governante definiria o que a Polícia deveria ou não investigar, o que seria uma atitude anti-republicana.
Enfim, cabe aos indiciados mostrarem que não cometeram os atos de que estão sendo acusados. Torço, com toda a sinceridade do meu coração, que ninguém seja responsabilizado por algo que não fez, pelo simples motivo de ter o "domínio do fato". 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Mais de cinquenta ônibus foram queimados em SP no mês de janeiro

Nesta terça-feira (28) foram três ônibus queimados na zona sul da capital. Motoristas não vão até o ponto final e os passageiros precisam seguir a pé.

São Paulo, SP
Na noite desta terça-feira (28), os motoristas dos ônibus que vão pra zona sul de São Paulo tiveram medo de seguir viagem. Alguns paravam em qualquer ponto e os passageiros eram obrigados a descer e seguir a pé até em casa.
Os motoristas diziam que a ordem de retornar para a garagem veio da empresa. A insegurança aumentou depois que um ônibus foi queimado durante a tarde na mesma avenida. Outros dois ônibus também foram atacados na região.
Três homens e cinco menores foram levados para a delegacia. Segundo a polícia, eles disseram que cometeram os atos de vandalismo para protestar contra a morte de um amigo. 
Desde o dia primeiro até hoje, 56 ônibus foram atacados na Grande São Paulo. Só na capital paulista 28 foram incendiados, um por dia.
Cada ônibus custa cerca de R$ 500 mil. Normalmente, eles não têm seguro contra vandalismo, mas o sindicato das empresas diz que o maior prejuízo é outro. “A população fica sem esse ônibus, em algumas linhas nós não conseguimos repor em um tempo ideal”, afirma Francisco Christóvam, presidente do Sindicato das Empresas de ônibus de SP.
As empresas de ônibus dizem que em nenhum caso o vandalismo estava relacionado à qualidade do transporte e cobra a ação da polícia.
Por meio de nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que todos os casos de ônibus queimados estão sendo investigados com o firme objetivo de prender os responsáveis.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Em ação surpresa, Polícia Civil reprime com bombas dependentes na Cracolândia

SÃO PAULO - Policiais do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), da Policia Civil, fizeram uma operação nesta quinta-feira, 23, sem comunicar a Prefeitura nem a Polícia Militar, na Cracolândia, região central de São Paulo, palco da Operação Braços Abertos, aposta do prefeito Fernando Haddad para reabilitar os dependentes de crack.
Por volta de 16h, cerca de dez viaturas cercaram os dependentes de crack que não estão inseridos no programa assistencial e estavam concentrados na Rua Barão de Piracicaba. Os policiais civis atiraram balas de borracha e jogaram diversas bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo na multidão, que correu a esmo e revidou jogando pedras. O quarteirão estava lotado de dependentes.
Agentes da Secretaria de Saúde e de Assistência Social, que também não sabiam da ação, ficaram no fogo cruzado. A ação ocorreu pouco tempo depois de policiais civis à paisana terem feito uma prisão de um dependente no local. Nesta primeira ação, uma dependente acabou ferida na cabeça com bala de borracha.
A reportagem apurou que a avaliação inicial da Prefeitura é que o programa Braços Abertos, que contava justamente com a ausência de repressão dos dependentes, foi prejudicada e terá dificuldades para prosseguir.
O Estado estava no local na hora da ação e viu a surpresa de guardas-civis, oficiais da PM e até do próprio secretário municipal de Segurança Urbana, Roberto Porto. Hoje completa uma semana que os dependentes que aderiram ao programa começaram a trabalhar e a equipe estava fazendo um balanço do período.

Foi possível testemunhar a prisão de ao menos cinco pessoas que foram também agredidas pelos policias civis ao serem obrigadas a entrar na viatura.
Entre os dependentes, o clima foi de revolta. Muitos gritavam desesperados, chorando diante da ação surpresa. "Que hotel que nada, eles querem é matar a gente", disse uma dependente grávida que corria da polícia.
Veja vídeo da ação da Polícia Civil:

Hotel. O policiamento está reforçado na Cracolândia e um casal de dependentes que preferiu não se identificar disse que a polícia entrou no hotel da operação Braços Abertos na Rua Triunfo. "Eu estava dentro do banheiro coletivo no corredor e, quando saí, eles pediram identidade. Pedi para pegar meu bebê recém nascido e tive que esperar eles levantarem se eu era fichada do lado de fora antes de amamentar o 'neném'. O bebê tem apenas 2 meses. "Nós estamos reconstruindo a vida com esse programa. Não vimos as bombas porque estávamos no curso"
O dependente J.P., que tem deficiência em uma das mãos, disse que foi agredido por policiais civis com um cassetete cromado de ferro e não está escutando com o ouvido direito por causa de uma bomba. "Estourou do meu lado. Mesmo sendo deficiente eles me agrediram. Sou usuário e não traficante" disse ele que está com cortes nos braços e nas costas.
Uma fonte próxima da Prefeitura, que preferiu não se identificar, disse que o que aconteceu não foi uma ação de inteligência e que a Prefeitura não estava sabendo. Ele disse que a orientação da polícia não era essa. "Pelo contrário" acrescentou.
Um dependente identificado como M.H.J., de 54 anos, disse que desde a manhã a Polícia Civil estava rondando o local. "Nós que estávamos no submundo sabíamos que isso ia acontecer. O clima já estava tenso", disse. Ele conta que os verdadeiros traficantes não estão sendo presos. "Traficante que é traficante não vem aqui, eles tão prendendo vapor e avião"

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Em quatro horas, Campinas teve mais mortos do que em um mês inteiro



Cidade registrou 12 homicídios entre domingo e segunda. Participação de PMs é investigada
De: R7


A sequência de homicídios ocorridos entre a noite do último domingo (12) e a madrugada de segunda-feira (13) fez com que, em pouco mais de quatro horas, Campinas tivesse mais execuções do que costuma registrar durante um mês inteiro.
De janeiro a novembro de 2013, a cidade do interior paulista registrou 117 homicídios (os números de dezembro só devem ser divulgados pela Secretaria de Estado da Segurança Pública na semana que vem). Ou seja: em média, dez pessoas são assassinadas a cada mês no município.
Entre as 21h30 de domingo e as 2h de segunda-feira, porém, foram registradas doze mortes. Os crimes - todos na região oeste da cidade - ocorreram horas depois da morte do soldado da PM Arides Luiz dos Santos, de 44 anos, assassinado em um posto de gasolina durante uma suposta tentativa de assalto.
A Polícia Civil investiga se a noite de terror foi promovida por PMs matadores, como retaliação à morte do colega. Santos foi o segundo policial morto em suposta tentativa de assalto na cidade em um intervalo de um mês. No dia 11 de dezembro, a vítima foi o soldado Mazinho Pereira dos Santos. Na época, o crime não foi seguido por uma onda de violência como agora.
Nesta segunda, após as doze execuções, ocorreram ataques a ônibus - três coletivos foram queimados e sete, depredados.
Histórico de violência
Com 1 milhão de habitantes, Campinas tem histórico de violência. Em 2012, a cidade fechou o ano com taxa de 13,08 homicídios por 100 mil habitantes. O índice é superior ao da capital paulista: 12,02.
Foi em Campinas que morreu, em junho passado, Daniel Pedreira Pellegrine, o MC Daleste. A execução do funqueiro, em pleno palco, ocorreu depois de o artista manter relacionamento com a ex-namorada de um traficante da cidade. Dois meses depois, foi morto o estudante Denis Casagrande, 21 anos, durante uma festa no campus da Unicamp.
PCC
Campinas é também reduto de Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, apontado pelo Ministério Público como um dos integrantes da cúpula do PCC. O criminoso, que domina o tráfico de drogas no bairro de São Fernando, iniciou a carreira como sequestrador.
Em janeiro de 2002, Andinho foi acusado de sequestrar e matar Rosana Rangel Melotti, 52 anos. A vítima foi executada em frente à casa dela, após a família afirmar aos criminosos que não tinha R$ 100 mil para pagar o resgate (em seis dias, o marido de Rosana havia juntado R$ 80 mil).
Prefeito assassinado
Três meses antes, em setembro de 2001, o prefeito da cidade, Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, havia sido assassinado na cidade. Andinho também foi acusado de envolvimento no crime. O sequestrador acabou preso pouco depois do assassinato de Rosana, em uma chácara em Itu.
Em janeiro de 2009, duas bombas foram jogadas na sede do jornal Correio Popular, a mando do criminoso, que não havia gostado do teor de uma reportagem sobre seu casamento. Andinho confessou o crime em juízo.
No ano passado, policiais do Denarc foram acusados de receber uma mesada do sequestrador para não atrapalhar os negócios da quadrilha.
Chacinas
As chacinas também não são incomuns na região. Em agosto passado, três pessoas foram mortas no distrito de Aparecidinha. Um ano antes, um bar do Jardim Capivari foi palco de quatro mortes.
Em 2010, quatro pesssoas de uma mesma família foram executadas no bairro Novo Maracanã. A mão de uma das vítimas foi arrancada. Na época, a Polícia Civil levantou suspeita sobre a participação de PMs, já que um dos mortos teria participado de um assalto que deixou um policial paraplégico.

Mais um ônibus é incendiado na capital paulista

O coletivo da Viação Campo Belo fazia a linha Terminal Capelinha – Valo Velho, quando foi parado na Rua Luar do Sertão por 30 pessoas que aparentavam ser menores de idade, informou a Polícia Militar. Eles obrigaram os passageiros a desembarcar, atearam fogo no veículo e fugiram. Os bombeiros foram acionados, mas já encontraram o coletivo destruído. Não houve feridos e ninguém foi preso.
Edição: Graça Adjuto

domingo, 15 de dezembro de 2013

"A Cocaína do Lula", Tucanhede ajuda Serra, mas tem que meter o Lula no meio

Eliane Tucanhede é a grande porta-voz do tucanato paulista. Agora, pra atacar Aécio, pôs na boca do Lula palavras que ele não disse. Quem deduziu que Lula ligava o pó dos Perrela ao senador do Rio de Janeiro, e, até agora pré-candidato à presidência, Aécio Neves, foi ela. Tucanhede não consegue disfarçar seu paulisto-tucanismo e Serra não desiste de destruir seus correligionários. Sucesso aos dois.

A cocaína de Lula

BRASÍLIA - Lula não precisa e não deveria desferir golpes abaixo da cintura, até porque o PT já tem bom arsenal contra os tucanos nas eleições de 2014, atacando de Siemens, Alstom, trem, metrô, palavrinhas que marcam bem uma campanha.

Com sua alta popularidade, seu poder de comando no PT e seu status de ex-presidente, ele deveria pensar bem antes de falar e mais ainda antes de insinuar. Mas Lula foi buscar mensagem subliminar de profundo mau gosto contra adversários.
Os gritos ecoavam no salão cheio de jovens e militantes no congresso do PT: "Sou brasileiro e não me engano, a cocaína financia os tucanos".
O grande líder não apenas autorizou como potencializou, jogando gasolina na fogueira: "Se for comparar o emprego do Zé Dirceu no hotel com a quantidade de cocaína no helicóptero, pelo menos houve uma desproporcionalidade no assunto".
Era para ser mais um ataque à imprensa, tática surrada de Lula para levar as plateias petistas ao delírio, mas virou uma tentativa um tanto sórdida de criar e massificar um vínculo dos tucanos com cocaína.
A referência dos militantes --que até podem ser irresponsáveis-- e do seu líder --que não tem esse direito-- era à grande dose da droga encontrada no helicóptero da família do senador Zezé Perrella.
Perrella é ligado ao candidato tucano à Presidência, Aécio Neves, mas ele não é do PSDB, é do PDT. E, aliás, até sexta não havia algo que o comprometesse com a cocaína e muito menos um documento, uma declaração ou uma revelação envolvendo o tucano com as dro- gas do helicóptero.
Derrotado usar essa sujeira já seria inadmissível. Se quem usa é potencial vitorioso, como Lula, passa a ser indigno. Enlameia não os adversários, mas a própria campanha.
Duvido que Dilma aprove. Mas também duvido que ela tenha poder para controlar Lula, o partido e até a própria campanha. Que, apesar de favorita, vai por um mau caminho.

eliane cantanhêde
Eliane Cantanhêde, jornalista, é colunista da Página 2 da versão impressa da Folha, onde escreve às terças, quintas, sextas e domingos. É também comentarista do telejornal "Globonews em Pauta" e da Rádio Metrópole da Bahia.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Advogados de Lulinha denunciam 6 pessoas por ataques

Jornal GGN, Luis Nassif - O escritório de advocacia Teixeira, Martins & Advogados, em nome de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, entrou com representação  junto ao 78o DP (Distrito Policial) de São Paulo, contra pessoas que, pela internet, acusaram-no de ser dono de fazendas e aeronaves.
A representação foi feita no último dia 2 de outubro. Na sequência foi instaurado inquérito e, nos próximos dias, serão convocadas seis pessoas para prestar depoimentos. Dentre elas, Daniel Graziano, responsável pelo site Observador Político, do IFHC (Instituto Fernando Henrique Cardoso).
A acusação não é contra o site em si, mas contra um comentário específico postado por um leitor cadastrado. Daniel será intimado a identificar o autor do comentário.
Na representação, os advogados juntaram a chamada materialidade do crime – as notas e comentários devidamente registrados em cartório. O passo seguinte será identificar os autores finais. A partir daí, partir para a denúncia.
É a primeira atitude mais enérgica da família Lula contra os ataques sistemáticos que vem sofrendo pela internet desde 2006.
Neste momento, a matéria principal do site Observador Político tem como título: "O brasileiro não se importa de ser severamente enganado".
NOTA DO ESCRITÓRIO TEIXEIRA, MARTINS & ADVOGADOS
Polícia abre inquérito para apurar calúnia e difamação contra Fábio Lula
A delegada Victoria Lobo Guimarães, titular do 78º Distrito Policial da Cidade de São Paulo, instaurou inquérito policial para apurar a ocorrência de crimes contra a honra de Fábio Luis Lula da Silva. A delegada Victoria recebeu no dia 2 de outubro de 2013 representação dos advogados de Fábio Lula, pedindo a investigação de seis publicações na internet com conteúdo mentiroso e ofensivo. Fábio não é e jamais foi dono de qualquer fazenda ou de aeronave.
Os seis responsáveis pelas publicações já tiveram suas intimações expedidas pela delegacia e deverão ser ouvidos nos próximos dias. 
“Estas publicações absurdas que têm surgido na internet, pretendendo vincular o nome do Fábio à compra de bens de elevado valor, caracterizam conduta criminosa e serão sempre levadas ao conhecimento das autoridades para as providências legais cabíveis”, afirma Cristiano Zanin Martins, um dos advogados que assina a representação.
Teixeira, Martins & Advogados

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Flagrante forjado pela PM do RJ não é coisa recente. Agora, a Globo mostra



Vídeo capta PM forjando flagrante em civil inocente

vídeo pm flagrante protesto
Policial forja flagrante durante protesto dos professores. Comando da PM inicialmente negou a acusação, mas após a repercussão do vídeo afirmou que abrirá sindicância sobre o caso (Reprodução)


Um nítido flagrante que revela o quão corrupta essa corporação retrógrada pode ser. Se são capazes de atos como este na frente das câmeras, imaginem o que cometem quando não há registros.
Um vídeo que circula pela na internet levanta gravíssima acusação sobre a Polícia Militar (PM) do Rio de Janeiro. As imagens mostram o que seria uma simulação de flagrante contra manifestantes em um protesto dos professores no centro da cidade.

As imagens mostram o momento em que o PM deixa o objeto cair no chão, enquanto outros colegas revistam a bolsa do jovem. Em seguida o mesmos policial dá voz de prisão para o manifestante e o leva algemado.No vídeo é possível identificar um policial correndo para a rua São José, no centro da cidade, com um artefato explosivo na mão. Depois de alguns segundos um grupo de militares abordam estudantes que seguiam de forma pacífica pela via.
O grupo tentou reagir contra a prisão, mas foram contidos pelos militares.
Assista ao vídeo abaixo:

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Polícia Civil faz buscas para investigar militantes do Bloco de Lutas em Porto Alegre


Ramiro Furquim/Sul21
Assentamento urbano Utopia e Luta foi um dos locais onde a Polícia Civil atuou nesta terça-feira | Ramiro Furquim/Sul21
Iuri Müller, Sul 21
Ao menos quatro locais foram vistoriados ao longo desta terça-feira (1°) pela equipe da Polícia Civil que investiga os atos de “depredações e saques” dos protestos de junho em Porto Alegre. Durante a manhã e parte da tarde, duas residências particulares, um centro cultural que serve como moradia e um assentamento urbano foram alvo de mandados de busca e apreensão. Militantes de algumas das organizações políticas que compõem o Bloco de Lutas pelo Transporte Público foram chamados para prestar depoimento nos próximos dias.
As ações começaram ainda no início da manhã quando, por volta das 8h40min, uma equipe da Polícia Civil adentrou o Moinho Negro, centro cultural que também serve como moradia na Azenha — segundo os militantes que dormiam no local, a polícia arrombou a porta ao chegar. “Os policiais falaram que tinham mandado (de busca e apreensão) e separaram materiais para levar, folhetos de propaganda anarquista, panfletos políticos e cartazes”, afirmou um dos moradores do local, que foi chamado a prestar depoimento ainda nesta semana.
Pouco depois, o cenário da operação policial foi a residência do militante do coletivo “Juntos!” e da juventude do PSOL, Lucas Maróstica. Lucas afirmou, por meio do seu perfil no Facebook, que a força policial invadiu o seu apartamento em Porto Alegre e levou o seu computador. O militante, que não estava em casa neste momento, deve conceder entrevista coletiva na manhã da próxima quarta-feira (2) para explicar o ocorrido ao lado de representantes do seu partido.
Também durante a manhã, o militante da juventude do PSTU, Matheus Gomes, relatou episódio semelhante. Matheus conta que os agentes apreenderam cadernos, panfletos, adesivos com referência a lutas políticas, como a causa palestina, além do seu computador. “A justificativa da polícia é a de encontrar pessoas ligadas às depredações nos protestos em geral, mas está muito claro que é uma perseguição política ao Bloco de Lutas e aos movimentos sociais. Nem na época da (ex-governadora) Yeda Crusius isso acontecia”, defendeu.
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Espaço Moinho Negro, situado na Azenha, teve a porta arrombada por policias nesta manhã, segundo relato de moradores | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Por volta das três horas da tarde, o assentamento Utopia e Luta, situado na Avenida Borges de Medeiros, teve um dos seus quartos revistados pela equipe da Polícia Civil que é liderada pelo delegado Marco Antônio Duarte de Souza. Os agentes buscavam dois moradores que não se encontravam no quarto e que, da mesma maneira, também serão chamados para prestar depoimento nos próximos dias. Pouco depois, a Secretaria de Segurança Pública do governo do Rio Grande do Sul convocou uma entrevista coletiva para comentar a operação de hoje com a imprensa.
“Esta polícia não será polícia política”, afirma Ranolfo Vieira Jr.
Na sede da secretaria, os delegados Ranolfo Vieira Jr., chefe da Polícia Civil, e Marco Duarte de Souza, responsável pela investigação dos atos de depredação nas manifestações, comentaram a operação de hoje. Segundo Ranolfo, “as ações desta terça-feira se originaram no final de junho, quando o Tribunal de Justiça foi quebrado pela segunda vez nos protestos”. Desde então, a polícia gaúcha busca identificar os responsáveis pelas “ações violentas que têm ocorrido nos protestos”.
Marco confirmou que até sete mandados foram postos em prática no dia de hoje e que, ao longo do tempo, a investigação encontrou “provas robustas” contra as pessoas que estariam envolvidas. O delegado negou que a polícia tenha apreendido material de divulgação e conteúdo político — quanto aos lugares escolhidos para cumprir os mandados, disse que são locais que podem servir “para que os autores dos atos se reunissem antes das manifestações”.
O secretário de Segurança Pública, Airton Michels, afirmou na sua colocação que “a Justiça legitimou a operação policial”, já que chancelou a emissão dos mandados que permitiram as buscas. Ranolfo, por sua vez, negou qualquer motivação política na operação: “quem diz que a polícia é política, tem que dizer o mesmo da Justiça e também do Ministério Público”, disse.
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Para o secretário Airton Michels, “existe um grupo violento
que se infiltra nas manifestações” | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Após as manifestações da cúpula da Segurança Pública, o governador Tarso Genro (PT) se manifestou através de um vídeo. Tarso afirmou que pretende se reunir com os presidentes de PSOL e PSTU para esclarecer a situação. “A finalidade desta atitude do governo é deixar claro que não compactuamos com qualquer tipo de perseguição política ou mesmo de resposta política a agressões que o governo tenha sofrido a partir de determinados atos criminosos, que, na nossa opinião, não são realizados por militantes políticos”, afirmou.
O governador, no entanto, garantiu que “o delegado que fez o inquérito agiu dentro do Estado de direito, segundo todas as normas processuais e inquisitoriais que regulam este assunto”.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Em Brasília, PM é liberado do trabalho para estudar a Bíblia

FILIPE COUTINHO DE BRASÍLIA, FSP
CAPELANIA MILITAR EVANGÉLICA, LOCAL ONDE POLICIAIS MILITARES DE BRASÍLIA PODERÃO ESTUDAR A BÍBLIA
 A Polícia Militar de Brasília lançou neste mês um curso para policiais aprenderem a criar seus filhos e a ter um casamento em acordo com princípios bíblicos.
A "tropa de eleitos" está liberada de trabalhar durante as aulas: as reuniões são em horário de expediente, nas dependências da PM e os custos são bancados pelo órgão.
A ideia do chamado "Programa Educação Moral" é "aplicar princípios bíblicos" na educação financeira e no relacionamento familiar dos policiais militares.
Os nomes dos cinco cursos sugerem que aos homens cabe ser o "máximo". Às mulheres, "única". São eles: Como criar seus filhos, Homem ao Máximo, Mulher Única, Aliança e Como chegar ao fim do mês (educação financeira). O projeto é uma parceria com a "Universidade da Família", instituição que oferece cursos com base bíblica.
A PM não garante que haverá cursos para outras religiões: "A ação da Capelania Militar da PMDF [Polícia Militar do Distrito Federal] não implica que um policial militar seja liberado de trabalhar para fazer cursos de qualquer religião. O Programa é institucional, não é de uma religião", diz a PM em nota enviada à Folha.
A corporação tem à disposição cinco capelães, sendo três católicos e dois evangélicos.
Até agora, mais de 150 PMs já fizeram inscrição no curso, mas só 70 terão a oportunidade este ano. O restante poderá ter aulas nas novas turmas, em 2014. "Líderes" poderão replicar os ensinamentos nos quartéis, se houver demanda.
Cada aula tem duração de duas horas e ocorrerá uma vez por semana, no período de até três meses, dependendo do curso.
Questionada pela Folha, a PM não declarou o custo da iniciativa, mas reconheceu que será a responsável por fornecer o material didático. Para a Polícia Militar, o curso tem respaldo na lei e não fere o Estado laico.
A corporação garante, ainda, que o curso não atrapalhará o trabalho dos militares nas ruas. "Nenhum policial militar está liberado de trabalhar durante o curso. Em regra, as reuniões terão duas horas de duração com frequência de uma vez por semana, interferindo o mínimo possível nos serviços ordinários."

A corporação ainda diz que o curso bíblico serve de apoio aos militares, ajudando a minimizar o "grande estresse físico e emocional" da atividade policial.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Anonymous e Black Bloc são proto-facistas, mas usar máscara não é crime

A determinação da justiça do Rio de Janeiro que autoriza a identificação criminal de manifestantes mascarados é um mais um sinal de que a escalada de intolerância no Brasil pode atingir as liberdades individuais e acirrar a intolerância 
Preliminarmente, entendo que Black Bloc's e Anonymous's são grupos de características fascistas, parasitas das manifestações populares, provocadores e antidemocráticos. Daí a criminalizar pessoas que usam máscara vai uma distância. Não é aceitável que uma pessoa seja considerada potencialmente criminosa por andar mascarada. Em caso de flagrante, ou diante de provas, cabe à polícia evitar que qualquer pessoa, mascarada ou não, cometa um crime, ou fuja após cometê-lo. Presumir que uma pessoa seja criminosa por algo que ela está vestindo é um precedente perigoso para se deter pessoas sem prova.
Não gosto dos mascarados, mas não concordo que a polícia prenda quem usa máscara. Atitudes assim servem apenas para mascarar (perdoem o trocadilho) a incapacidade de nossas polícias enfrentarem situações complexas que envolvem não só as quebradeiras dos black bloc's, mas, inclusive a violência de nosso cotidiano.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Chacina de Vigário Geral: vinte anos de impunidade

Em 29 de agosto de 2013 completam-se 20 anos do assassinato de 21 pessoas por um grupo de extermínio na favela de Vigário Geral, Rio de Janeiro. Policiais militares foram acusados de ter executado os crimes. Dentre as vítimas estavam oito membros de uma mesma família, assassinados dentro de casa.
A chacina de Vigário Geral ocorreu cerca de um mês após a da Candelária, na qual foram mortos oito jovens. Ambas, assim como Acari (1990 – 11 desaparecidos), Baixada Fluminense (2005 – 29 mortos) e tantas outras, revelam um histórico de violência letal da polícia no Estado do Rio de Janeiro. Em todos os casos, policiais militares foram acusados de ter participado, inclusive por meio de grupos de extermínio. As vítimas foram jovens, moradores/as de comunidades marginalizadas e, em grande maioria, negros/as.
A impunidade e a falta de reparação – incluindo o direito de saber a verdade sobre as circunstâncias das execuções extrajudiciais - aos familiares das vítimas é uma constante. Cinquenta e dois policiais militares foram acusados de envolvimento na chacina de Vigário Geral. Sete foram condenados. Quatro dos absolvidos são réus no assassinato de Ediméia da Silva Euzébio, uma das mães de Acari, morta em 1993, cujo processo continua em andamento. Há razões para acreditar que os policiais militares envolvidos nas chacinas de Vigário Geral e Acari estejam vinculados a um grupo de extermínio chamado “Cavalos Corredores”.
Ao longo desses anos, a Anistia Internacional tem acompanhado o caso de Vigário Geral e denuncia que nem todos os envolvidos nas execuções extrajudiciais foram responsabilizados. Cinco acusados morreram antes do julgamento e dois permanecem foragidos. A impunidade persiste devido, especialmente, à morosidade e deficiência do sistema de justiça criminal, as ameaças sofridas pelas testemunhas e a ausência de um mecanismo externo de controle da atividade policial.
Além da lentidão em julgar os crimes, o poder judiciário negou provimento para ações civis de indenização promovidas por algumas famílias. Depois de 20 anos, o sentimento de injustiça e impunidade permanece entre os familiares, sendo que a viúva de uma das vítimas faleceu nesse período. 
A Anistia Internacional insta o Estado brasileiro a acabar com a impunidade conduzindo investigações imediatas, completas, independentes e imparciais sobre todos os casos de violações de direitos humanos nos quais policiais e forças de segurança estejam envolvidos.