OPINIÃO SINGELA
"Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa" Guimarães Rosa
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Caetano Veloso e Lila Downs apresentados por Gael Garcia Bernal
E, ainda por cima, apareceu a Salma Hayek
Para Anistia Internacional, Brasil vive 'déficit de justiça'
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Violência e tortura dentro de presídios foram criticadas pela Anistia Internacional
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Mariana Della Barba, da BBC Brasil em São Paulo
De um lado, um país com com leis que garantem o respeito aos
direitos humanos de sua população. De outro, um grave déficit de justiça que
permeia diversos setores da sociedade, seja entre os indígenas ou entre
moradores de favelas.
É esse o Brasil visto pela ONG Anistia Internacional, que divulgou nesta
quarta-feira seu relatório anual "O estado dos direitos humanos no mundo",
analisando a situação em 2012 do Brasil e de outros 158 países.
"O que o relatório deixa bem claro é que vivemos em um país sob um déficit de
justiça muito grande", disse à BBC Brasil Atila Roque, diretor-executivo da
Anistia Internacional Brasil.
"Temos um marco institucional e legal preparado para garantir a efetivação
dos direitos humanos. Mas, na prática, isso não se realiza."
Para Roque, o relatório aponta que o Brasil está em um momento crucial, em
que precisa fazer escolhas e decidir se quer ter os direitos humanos como
política de Estado.
"Porque nessa área, não se pode ficar em cima do muro. Temos grandes projetos
de desenvolvimento em curso e um foco em se alcançar um protagonismo global. Mas
é preciso coerência. Desenvolvimento não é desenvolvimento sem respeito aos
direitos humanos."
Brutalidade contra os índios
Entre os principais grupos que sofrem com esse cenário estão, segundo a ONG,
os indígenas.
Roque afirma que houve em 2012 um acirramento da violência contra os índios e
ela foi usada como instrumento para favorecer os interesses econômicos de
algumas partes. "O grau de brutalidade que vimos no ano passado também foi
chocante. O caso dos guaranis-kaiowás (tribo ameaçada de despejo no Mato Grosso
do Sul) é apenas um dos exemplos", disse.
O relatório da Anistia também aponta que houve o risco de retrocesso
institucional em relação aos indígenas, já que duas propostas (a portaria 303 e
a proposta de emenda constitucional 215), mesmo não sendo aprovadas, acabaram
fragilizando o processo que vem garantindo a demarcação de suas terras.
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Comissão da Verdade foi apontada no relatório como um avanço no cenário brasileiro
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Outro ponto crítico levantado pela Anistia são as ações violentas por parte
da polícia.
"É claro que há elementos de melhora nesse cenário, há tentativas de
implementar medidas positivas, como as UPPs no Rio", afirma o diretor da
ONG.
"Mas em termos gerais, o Brasil tem um sistema de segurança pública muito
desigual, que gera dor e horror. Dor pela impunidade em casos em que, por
exemplo, a políca mata jovens negros na periferia e altera a cena do crime. E
horror na existência de tortura em muitas prisões do país."
Além dos índios e da população que vive em favelas e bairros da periferia, o
documento também do déficit de justica no caso das pessoas que lutam pelos
direitos de comunidades ameaçadas, especialmente no campo.
Entre os pontos positivos citados pelo relatório estão os processos no Brasil
e em países vizinhos que trazem avanços no sentido de se fazer justiça por
violações passadas. No caso brasileiro, foi citada a criação da Comissão
Nacional da Verdade, que pretende esclarecer as violações de direitos humanos
ocorridas entre 1946 e 1988.
"A Comissão é um passo importantíssimo, porque o Brasil desenvolveu
resistência muito grande a falar desse assunto – é uma conquista muito recente
que possibilita essa discussão em âmbitos estaduais e também na imprensa. Além
disso, ela permite que a sociedade se olhe no espelho, analise seu papel, seja
de cúmplice, vítima ou espectador, e que, claro, o Estado assuma os crimes que
cometeu", diz Roque.
terça-feira, 21 de maio de 2013
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Polícia Federal abre inquérito para apurar origem de boatos envolvendo o Bolsa-Família
Luciano Nascimento - Agência Brasil
Brasília – A Polícia Federal vai investigar a origem dos boatos sobre a suspensão dos benefícios do Programa Bolsa Família. O inquérito foi aberto hoje (20) por determinação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.
Após os boatos, a Caixa Econômica Federal registrou 920 mil saques de beneficiários do programa, somente no final de semana. Foram sacados R$ 152 milhões, informou a Caixa. De acordo com a instituição, o total de saques ocorridos até esta segunda-feira segunda será confirmado amanhã (21), depois de fechar os registros feitos nos terminais de autoatendimento.
A presidenta Dilma Rousseff criticou hoje os boatos em torno do Bolsa Família e assegurou o compromisso do seu governo com o programa. “Queria deixar claro que o compromisso do meu governo com o Bolsa Família é forte, profundo e definitivo”, disse a presidenta durante cerimônia que marcou o início da operação do navio-petroleiro Zumbi dos Palmares, no Porto de Suape, em Pernambuco.
“É algo absurdamente desumano o autor desse boato. Além de ser desumano, ele é criminoso. Por isso colocamos a Polícia Federal para descobrir a origem do boato, que tinha por objetivo levar a intranquilidade a milhões de brasileiros que nos últimos dez anos estão saindo da pobreza extrema”, ressaltou a presidenta da República.
Edição: Aécio Amado
Brilhante,veja Star Wars por Cédric Delsaux
"Ao longo dos anos muitos artistas têm interpretado Star Wars de maneiras que vão muito além de qualquer coisa que vimos nos filmes. Uma das interpretações mais originais e intrigantes que eu já vi é o trabalho de Cédric Delsaux, que inteligentemente integrou personagens de Star Wars aos flagrantes urbanos." - George Lucas
© Todos os Direitos Reservados a Cédric Delsaux
domingo, 19 de maio de 2013
Por que as crianças francesas não têm Deficit de Atenção?
Marilyn Wedge, Ph.D
Nos Estados Unidos, pelo menos 9% das crianças em idade escolar foram diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e estão sendo tratadas com medicamentos. Na França, a percentagem de crianças diagnosticadas e medicadas para o TDAH é inferior a 0,5%. Como é que a epidemia de TDAH, que tornou-se firmemente estabelecida nos Estados Unidos, foi quase completamente desconsiderada com relação a crianças na França?
TDAH é um transtorno biológico-neurológico? Surpreendentemente, a resposta a esta pergunta depende do fato de você morar na França ou nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os psiquiatras pediátricos consideram o TDAH como um distúrbio biológico, com causas biológicas. O tratamento de escolha também é biológico – medicamentos estimulantes psíquicos, tais como Ritalina e Adderall.
Os psiquiatras infantis franceses, por outro lado, vêem o TDAH como uma condição médica que tem causas psico-sociais e situacionais. Em vez de tratar os problemas de concentração e de comportamento com drogas, os médicos franceses preferem avaliar o problema subjacente que está causando o sofrimento da criança; não o cérebro da criança, mas o contexto social da criança. Eles, então, optam por tratar o problema do contexto social subjacente com psicoterapia ou aconselhamento familiar. Esta é uma maneira muito diferente de ver as coisas, comparada à tendência americana de atribuir todos os sintomas de uma disfunção biológica a um desequilíbrio químico no cérebro da criança.
Os psiquiatras infantis franceses não usam o mesmo sistema de classificação de problemas emocionais infantis utilizado pelos psiquiatras americanos. Eles não usam o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM. De acordo com o sociólogo Manuel Vallee, a Federação Francesa de Psiquiatria desenvolveu um sistema de classificação alternativa, como uma resistência à influência do DSM-3. Esta alternativa foi a CFTMEA (Classification Française des Troubles Mentaux de L’Enfant et de L’Adolescent), lançado pela primeira vez em 1983, e atualizado em 1988 e 2000. O foco do CFTMEA está em identificar e tratar as causas psicossociais subjacentes aos sintomas das crianças, e não em encontrar os melhores bandaids farmacológicos para mascarar os sintomas.
Na medida em que os médicos franceses são bem sucedidos em encontrar e reparar o que estava errado no contexto social da criança, menos crianças se enquadram no diagnóstico de TDAH. Além disso, a definição de TDAH não é tão ampla quanto no sistema americano, que na minha opinião, tende a “patologizar” muito do que seria um comportamento normal da infância. O DSM não considera causas subjacentes. Dessa forma, leva os médicos a diagnosticarem como TDAH um número muito maior de crianças sintomáticas, e também os incentiva a tratar as crianças com produtos farmacêuticos.
A abordagem psico-social holística francesa também permite considerar causas nutricionais para sintomas do TDAH, especificamente o fato de o comportamento de algumas crianças se agravar após a ingestão de alimentos com corantes, certos conservantes, e / ou alérgenos. Os médicos que trabalham com crianças com problemas, para não mencionar os pais de muitas crianças com TDAH, estão bem conscientes de que as intervenções dietéticas às vezes podem ajudar. Nos Estados Unidos, o foco estrito no tratamento farmacológico do TDAH, no entanto, incentiva os médicos a ignorarem a influência dos fatores dietéticos sobre o comportamento das crianças.
E depois, claro, há muitas diferentes filosofias de educação infantil nos Estados Unidos e na França. Estas filosofias divergentes poderiam explicar por que as crianças francesas são geralmente mais bem comportadas do que as americanas. Pamela Druckerman destaca os estilos parentais divergentes em seu recente livro, Bringing up Bébé. Acredito que suas idéias são relevantes para a discussão, por que o número de crianças francesas diagnosticadas com TDAH, em nada parecem com os números que estamos vendo nos Estados Unidos.
A partir do momento que seus filhos nascem, os pais franceses oferecem um firme cadre - que significa “matriz” ou “estrutura”. Não é permitido, por exemplo, que as crianças tomem um lanche quando quiserem. As refeições são em quatro momentos específicos do dia. Crianças francesas aprendem a esperar pacientemente pelas refeições, em vez de comer salgadinhos, sempre que lhes apetecer. Os bebês franceses também se adequam aos limites estabelecidos pelos pais. Pais franceses deixam seus bebês chorando se não dormirem durante a noite, com a idade de quatro meses.
Os pais franceses, destaca Druckerman, amam seus filhos tanto quanto os pais americanos. Eles os levam às aulas de piano, à prática esportiva, e os incentivam a tirar o máximo de seus talentos. Mas os pais franceses têm uma filosofia diferente de disciplina. Limites aplicados de forma coerente, na visão francesa, fazem as crianças se sentirem seguras e protegidas. Limites claros, eles acreditam, fazem a criança se sentir mais feliz e mais segura, algo que é congruente com a minha própria experiência, como terapeuta e como mãe. Finalmente, os pais franceses acreditam que ouvir a palavra “não” resgata as crianças da “tirania de seus próprios desejos”. E a palmada, quando usada criteriosamente, não é considerada abuso na França.
Como terapeuta que trabalha com as crianças, faz todo o sentido para mim que as crianças francesas não precisem de medicamentos para controlar o seu comportamento, porque aprendem o auto-controle no início de suas vidas. As crianças crescem em famílias em que as regras são bem compreendidas, e a hierarquia familiar é clara e firme. Em famílias francesas, como descreve Druckerman, os pais estão firmemente no comando de seus filhos, enquanto que no estilo de família americana, a situação é muitas vezes o inverso.
Texto original em Psychology Today
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