sábado, 24 de setembro de 2011

O que deseja o delegado Protógenes?

Nunca fui muito fã do delegado Protógenes Queiroz. Aquele alarde todo e a imagem de justiceiro injustiçado sempre me incomodaram. O fato é que o delegado tornou-se Deputado federal pelo PC do B. Provavelemtne deve ter feito um cálculo sobre as melhores possibilidades de eleição, ou é fá do Netinho de Paula.
Olhando o blog do delegado, me impressionei com dois temas em que o deputado está atuando: a crítica às exigências da Polícia Federal para concessão de posse e porte de armas e a divulgação das tais marchas contra a corrupção. Cada um escolhe os temas que deseja tratar, mas criticar o endurecimento na concessão de porte de armas e cair na conversa das marchas anticorrupção com as suas vassourinhas é cumprir a agenda da direita.
Como diria o meu amigo Eliezer Pacheco: "Esse Protógenes não me engana".

Os 13 melhores álbuns de rock da história


 13 álbuns essenciais do rock No passado dia 13 de Julho comemorou-se o Dia Internacional do Rock. Não sabia? Isso não interessa. O que interessa é o pretexto para revisitar uma selecção de alguns dos mais marcantes álbuns de sempre. Goste-se ou não, são 13 álbuns fundamentais da história do Rock.

O Dia Internacional do Rock (13 de Julho) é uma boa desculpa para um especial sobre um dos estilos de música mais populares de todos os tempos. Demoníaco, sujo, contestador, rebelde, jovem, sexy, potente..(e também comercial, meloso, óbvio, repetitivo…) clichês (verdadeiros ou quase) que se acumularam ao longo do tempo. A seguir você confere uma seleção com 13 álbuns essenciais do rock. 15 se considerarmos as duas dobradinhas. Deixamos de lado alguns dos pioneiros e também grandes nomes das décadas de 60/70, que tem alguma ligação, direta ou indireta com o rock, por uma lista mais enxuta e precisa.

Robert Johnson, Bo Diddley, Little Richards, Jerry Lee Lewis, Bill Halley, Jonnhy Cash, Ray Charles, Elvis Presley, Beach Boys, Kinks, Byrds, Buddy Holly, Van Morrison, The Band, Neil Young, James Brown, Doors, dentre outros, não figuram aqui, mas merecem toda atenção possível.

O próprio termo “rock” acaba perdendo qualquer sentido muito restrito que quisermos dar. Nesta alcunha extremamente abrangente temos o pop, alternativo e dezenas de estilo “co-irmãos”. O All Music Guide dá uma boa noção disso. E, como “bíblia” da música na internet, o All Music é referência também nos links de cada álbum, com análise, lista de músicas, charts, influências, temas e tudo de relevante relacionado a cada disco. Let’s start:

 13 álbuns essenciais do rock
Bringing It All Back Home / Highway 61 Revisited (1965) - Bob Dylan

Ambos de 1965, representam as duas primeiras incursões de Bob Dylan com instrumentos elétricos, causando toda a polêmica que você já sabe. São também duas das melhores obras de todos os tempos. O track list não deixa mentir. Dylan fez o que quis com o século XX. E ainda continua a lançar discos sensacionais, como o recém “Together Through Life“, deste ano. Agradeça.


 13 álbuns essenciais do rock
Out Of Our Heads (1965) - The Rolling Stones

Satisfaction. É o primeiro GRANDE álbum dos Stones. Encontrando a personalidade ante as influências descaradas da banda. Viriam uma série de clássicos irretocáveis a partir daí.


 13 álbuns essenciais do rock
Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967) -The Beatles

O ápice da maturidade dos Beatles. Revolucionário e influente em cada detalhe.


 13 álbuns essenciais do rock
Disraeli Gears - Cream (1967)

Eric Clapton, Jack Bruce, Ginger Baker. O primeiro power trio do rock. E o melhor álbum do grupo.


 13 álbuns essenciais do rock
Are You Experienced? - Jimi Hendrix (1967)

O grande mito da guitarra. Um dos discos que definem a década de 60.


 13 álbuns essenciais do rock
Tommy - The Who (1969)

Pouca gente aprendeu como se faz uma ópera-rock. Álbum símbolo (ao lado de “Who’s Next”, de 71) da banda. Impossível falar de rock sem citar The Who.


 13 álbuns essenciais do rock
Led Zeppelin I - Led Zeppelin (1969)

“Good Times, Bad Times”, “Babe I’m Gonna Leave You”, “You Shook Me”, “Dazed And Confused”, “Communication Breakdown”, “How Many More Times”. Quase o disco todo. A estreia de uma das formações mais lendárias e explosivas do rock.


 13 álbuns essenciais do rock
Black Sabbath - Black Sabbath (1970)

O início do heavy metal.


 13 álbuns essenciais do rock
Ziggy Stardust And The Spiders From Mars - David Bowie (1972)

Bowie fez de tudo, sempre com qualidade muito acima da média, influenciando gente dos mais variados estilos possíveis. Poucos aprenderam.


 13 álbuns essenciais do rock
Dark Side Of The Moon - Pink Floyd (1973)

O equilíbrio (incomum) e a genialidade do progressivo de uma banda no auge de tudo. A completa e sublime perfeição sonora, estética e conceitual. 


 13 álbuns essenciais do rock
Ramones - Ramones (1976) / London Calling - The Clash (1979)

O início do punk rock (Ramones) e a banda mais completa (e que redesenhou) o estilo.


 13 álbuns essenciais do rock
Highway To Hell - AC/DC (1979)

O AC/DC já tinha lançado 5 álbuns de estúdio e 1 ao vivo para chegar a Highway To Hell. Todos igualmente inflamáveis. A despedida trágica do vocalista Bon Scott tem em suas 10 faixas a definição do que o rock visceral pode ser.


 13 álbuns essenciais do rock
Power, Corruption & Lies - New Order (1983)

Há muitos motivos para o New Order figurar aqui. Primeiro, com o Joy Division, criaram a base do pós-punk antes de todo mundo. Depois, com o N.O., geraram algumas das melhores obras que fundiram o alternativo, o dance, o synth e toda uma escola altamente influente até hoje. E, é claro, pra brincar com o estilo “contestador”, é o “anti-rock” da lista.

Com o mix de todos os nomes citados aqui você obtém boa parte do pop/rock relevante (e seus desdobramentos) do século XX até hoje. Bon apetit.

Leia mais em Obvious

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Céticos não devem tratar os crentes como idiotas

Autor: Gregory W. Lester
Tradução: Marcus Vinicius Alves


Tendo em vista que as crenças se desenvolvem para aumentar nossa habilidade de sobrevivência, elas são biologicamente projetadas para ser fortemente resistentes às mudanças. Para mudar crenças, céticos precisam apontar os problemas de significados e as implicações de “sobrevivência” do cérebro em adição à discussão das evidências.

Sendo o princípio básico tanto do pensamento cético quanto da investigação científica de que crenças podem estar erradas, é normalmente confuso e irritante para cientistas e céticos que as crenças das pessoas não mudem, mesmo quando em confronto de evidências que as neguem. Como, nos perguntamos, as pessoas são capazes de sustentar crenças que contradizem os dados?
Essa perplexidade pode produzir uma tendência infeliz por parte dos pensadores céticos de depreciar e menosprezar pessoas cujas crenças não mudem em resposta às evidências. Elas podem ser vistas como inferiores, estúpidas, ou loucas. Essa atitude é engendrada pela falha dos céticos de entender o propósito biológico das crenças e a necessidade neurológica de que elas sejam resilientes e insistentemente resistentes às mudanças. A verdade é que por sua forma de pensar rigorosa, muitos céticos não possuem um entendimento claro ou racional do que são as crenças e porque até as mais absurdas delas não desaparecem com facilidade. Entender o propósito biológico das crenças pode ajudar os céticos a serem bem mais efetivos em confrontar crenças irracionais e em comunicar conclusões científicas.

Pedófilo procurado em três países é preso no Brasil

Um jovem de 22 anos, cujas iniciais são G.P.N., foi preso em flagrante hoje (23) em Campinas (SP) acusado de disponibilizar, em rede de troca de arquivos pela Internet, uma grande quantidade de vídeos e fotos com pornografia infantil. 
A investigação começou a partir de troca de informações entre a Polícia Federal do Brasil e a Polícia do Reino Unido, quando se apurou que uma pessoa, que se identificava com o nome de usuário "Preteenrio", havia recebido e disponibilizado para leitura de outros usuários da Internet, entre os meses de maio, junho e julho de 2011, material pornográfico infantil.
Segundo a PF, o suspeito preso já foi objeto de um inquérito da Polícia Federal no ano de 2010, instaurado a partir de informação recebida do FBI, nos EUA. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Para chegar ao suspeito, a PF criou um perfil falso e estabeleceu contato com "Preteenrio", dizendo que tinha arquivos com pornografia infantil e que gostaria de ter acesso aos do investigado. Após ganhar a confiança do suspeito, a agente policial recebeu arquivos disponibilizados pelo suspeito, verificando que este oferecia para seus contatos arquivos de fotos e vídeos com pornografia infantil.
Apurou-se que a conexão à Internet, da qual foram enviadas as imagens de pornografia infantil para a policial com o falso perfil, partiu de endereço no bairro Campos Eliseos, em Campinas. No local foi encontrado o computador do suspeito ligado e com o aplicativo Gigatribe instalado, disponibilizando enorme quantidade de arquivos com pornografia infantil.   
O apelido "Preteenrio" é comumente associado a arquivos ou indivíduos que se interessam por pornografia infanto-juvenil, sendo sua tradução literal "pré-adolescente Rio". A fotografia identificadora do perfil deste usuário é um desenho de duas crianças fazendo sexo anal.
Na posse do mesmo indivíduo foi também encontrada uma porção de maconha. O preso foi recolhido ao xadrez do 2º DP em Campinas, à disposição da Justiça Federal.

Ivan Lessa: O branco, o afro-brasileiro e o mulato

Ivan Lessa Colunista da BBC Brasil

"Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria." Seguramente a mais citada frase do esplêndido Machado de Assis. Está em Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881).
Machadinho, como assinava em suas cartas à amada companheira e esposa, Carolina. E Machadinho, que é como o chamam seus leitores mais íntimos, e eu sou um deles, na vida dita real não deixou filhos: seu legado foi-se com ele, também conhecido como O bruxo do Cosme Velho por outra escola de admiradores e estudiosos.
A não ser mediante um comercial para a Caixa Econômica Federal (CEF), que, essa sim, deixou miséria como legado, ao que tudo indica.
O comercial foi bolado e caprichosamente filmado pela agência publicitária Borghier/Lowe que, a se julgar pelo nome, tem seu legado originado em outro país que não o Brasil. Serão os famosos superheróis Mad Men?
No comercial, Machado (façamos uma conta de chegar) entra num banco, é efusivamente cumprimentado por um caixa e, a seguir, vemos parte de uma carta-testamento de nosso (é de bom estilo não se repetir, diria o escritor) maior e mais internacional beletrista. Está no UOL para quem quiser conferir.
Deu-se, desde a lâmpada que se acendeu numa festa de luz sobre as nobres cabeças dos publicitários às voltas com a melhor maneira de comemorar os 150 anos (sesquicentenário, devem ter pensado lá eles) da Caixa Econômica.
Roteiro, diálogos, cuidados mil, pesquisa por um banco com jeito antigão, roupas da época, tudo enfim. Só faltou uma coisa – e isso vem sendo amplamente divulgado em nossa imprensa – a cor de pele de Machado. Botaram um ator branco de peruca torta e mal feita, beirando o ridículo, para fazer o papel de nosso maior escritor.
A coisa foi para o ar. No que passou totalmente despercebida pela população com e sem legados para receber e deixar.
Menos para a Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) que prontamente disparou uma bala na testa da Caixa e da agência que bola seus anúncios.
A Caixa, que tem um legado a zelar, respondeu de bate-pronto desculpando-se em nota oficial, na qual dizia pedir desculpas "a toda população e, em especial, aos movimentos ligados às causas raciais, por não ter caracterizado o escritor, que era afro-brasileiro, com sua origem racial."
A Seppir fincou o pé e, na segunda-feira passada, classificou o comercial como uma "solução publicitária de todo inadequada por contribuir para a invibilização dos afro-brasileiros, distorcendo evidências pessoais e coletivas para a compreensão da personalidade literária de Machado de Assis, sua obra e seu contexto histórico." Invibilização é bom.
Ou seja, a Seppir foi de uma inabilidade (Machadinho chamaria de burrice) ímpar e par também.
A Caixa Econômica não quis ficar atrás: divulgou nota cheia de dedos e rebarbativa (boa palavra machadiana) se desculpando e só faltou doar uma boa quantia para aqueles que, também para ela, passaram a ser "afro-brasileiros" destituídos de fama, talento ou dinheiro.
De besteira, Machado só fez mesmo fundar a Academia Brasileira de Letras, mas ele não poderia saber – afinal, não era tão bruxo assim – no que aquilo diria dar.
Em nenhum registro da momentosa questão (até os que torcem por Euclides da Cunha notaram) usou-se a palavra adequada para Machadinho: era mulato.
Se o chamassem de "afro-brasileiro" garanto que, mesmo franzino, como se pode constatar de suas fotos, descia o braço no cidadão que se atrevesse.
Repetindo: Machado de Assis era mulato. O que na época, e hoje também, não tem absolutamente nada demais e nunca foi nem será xingamento ou menosprezo.
Arrisco um palpite: legado miserável mesmo é o da nossa ignorância. Duvido que qualquer um das dezenas de publicitários (manjo o time) que se envolveram na tolíssima produção soubesse que Machado fosse mu-la-to.
Aí sim, está o preconceito.

Descoberta que contradiz teoria de Einstein intriga cientistas

Jason Palmer Da BBC News

Cientistas estão intrigados pelos resultados obtidos por cientistas do Centro Europeu de Investigação Nuclear (Cern, na sigla em inglês), em Genebra, que afirmaram ter descoberto partículas subatômicas capazes de viajar mais rápido do que a velocidade da luz.

Neutrinos enviados por via subterrânea das instalações de Cern para o de Gran Sasso, a 732 km de distância, pareceram chegar ao seu destino frações de segundo mais cedo que a teoria de um século de física faria supor.
Um dos pilares da física atual – tal e qual descrita por Albert Einstein em sua teoria da relatividade – é que a velocidade da luz é o limite a que um corpo pode viajar. Milhares de experimentos já foram realizados a fim de medi-la com mais e mais precisão.
Até então nunca havia sido possível encontrar uma partícula capaz de exceder a velocidade da luz.
"Tentamos encontrar todas as explicações possíveis para esse fenômeno. Queríamos encontrar erros – erros triviais, erros mais complicados, efeitos indesejados – e não encontramos", disse à BBC um dos autores do estudo, Antonio Ereditato, ressaltando a cautela do grupo em relação às próprias conclusões.
"Quando você não encontra nada, conclui, 'Bom, agora sou obrigado a disponibilizar e pedir à comunidade (científica internacional) que analise isto'."
Partículas aceleradas
Já se sabe que os neutrinos viajam a velocidades próximas da da luz. Essas partículas existem em diversas variedades, e experimentos recentes observaren que são capazes de mudar de um tipo para outro.
No projeto de Antonio Ereditato, Opera Collaboration, os cientistas preparam um único feixe de um tipo de neutrinos, de múon, e os envia do laboratório de Cern, em Genebra, na Suíça, para o de Gran Sasso, na Itália, para observar quantos se transformam em outro tipo de neutrino, de tau.
Partículas chegaram ao laboratório de Gran Sasso antes do que a luz chegaria
Ao longo dos experimentos, a equipe percebeu que as partículas chegavam ao seu destino final alguns bilionésimos de segundo abaixo do tempo que a luz levaria para percorrer a mesma distância.
A medição foi repetida 15 mil vezes, alcançando um nível de significância estatística que, nos círculos científicos, pode ser classificada como uma descoberta formal.
Entretanto, os cientistas entendem que erros sistemáticos, oriundos, por exemplo, das condições em que o experimento foi realizado ou da calibração dos instrumentos, poderia levar a uma falsa conclusão a respeito da superação da velocidade da luz.
"Meu sonho é que outro experimento independente chegue à mesma conclusão – nesse caso eu me sentiria aliviado", disse o cientista.
"Não estamos afirmando nada, pedimos a ajuda da comunidade para entender esses resultados malucos – porque eles são malucos. As consequências podem ser muito sérias."

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

IURD: Líder denunciado por evasão de divisas

No Brasil, líder supremo da mais poderosa igreja evangélica é denunciado por evasão de divisas

Por ANTONIO CARLOS LACERDA


SÃO PAULO-BRASIL - O líder supremo da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), bispo Edir Macedo, e três dirigentes da denominação evangélica também foram denunciados pelo Ministério Público Federal por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, estelionato, falsidade ideológica e formação de quadrilha.
Eles são acusados de pertencer a uma quadrilha usada para lavar dinheiro da Iurd, remetido ilegalmente do Brasil para os Estados Unidos por meio de uma casa de câmbio paulista, entre 1999 e 2005.
Segundo a assessoria de imprensa da Igreja Universal, os representantes jurídicos do bispo Edir Macedo ainda não tiveram acesso à denúncia, por isso não podem se pronunciar. "Tudo indica, pelo que a mídia está veiculando, que se tratam das mesmas acusações de sempre contra os dirigentes da Igreja Universal do Reino de Deus, que sempre se mostraram inverídicas", disse a assessora.
Os quatro também são acusados do crime de falsidade ideológica por terem inserido nos contratos sociais de empresas do grupo da IURD composições societárias diversas das verdadeiras. O objetivo dessa prática era ocultar a real proprietária de diversos empreendimentos, qual seja, a Iurd.
Os três dirigentes da igreja denunciados são o ex-deputado federal João Batista Ramos da Silva, o bispo Paulo Roberto Gomes da Conceição, e a diretora financeira Alba Maria Silva da Costa.
Segundo a denúncia, do procurador da República Sílvio Luís Martins de Oliveira, o dinheiro era obtido por meio de estelionato contra fiéis da Iurd, por meio do "oferecimento de falsas promessas e ameaças de que o socorro espiritual e econômico somente alcançaria aqueles que se sacrificassem economicamente pela Igreja".
O Procurador da República Silvio Luís Martins de Oliveira também encaminhou cópia da denúncia à área Cível da Procuradoria da República em São Paulo, solicitando que seja analisada a possibilidade de cassação da imunidade tributária da Iurd.
O Ministério público investiga desde 2003 o envio para o exterior cerca de R$ 5 milhões por mês entre 1995 e 2001 em remessas supostamente ilegais feitas por doleiros da casa de câmbio Diskline, o que faria o total chegar a cerca de R$ 400 milhões.
Na ocasião, revelação foi feita por Cristina Marini, sócia da Diskline, que depôs ontem ao Ministério Público Estadual e confirmou o que havia dito à Justiça Federal e à Promotoria da cidade de Nova York.
Cristina e seu sócio, Marcelo Birmarcker, aceitaram colaborar com as investigações nos dois países em troca de benefícios em caso de condenação, a chamada delação premiada. Cristina foi ouvida por três promotores paulistas. Ela já havia prestado o mesmo depoimento a 12 promotores de Nova York liderados por Adam Kaufmann, o mesmo que obteve a decretação da prisão do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), nos Estados Unidos - ele alega inocência.
Ela afirmou aos promotores que começou a enviar dinheiro da Igreja Universal para o exterior em 1991. As operações teriam se intensificado entre 1995 e 2001, quando remetia em média R$ 5 milhões por mês, sempre pelo sistema do chamado dólar-cabo - o dono do dinheiro entrega dinheiro vivo em reais, no Brasil, ao doleiro, que faz o depósito em dólares do valor correspondente em uma conta para o cliente no exterior. Cristina disse que recebia pessoalmente o dinheiro.
Subterrâneo. Na maioria das vezes, os valores eram entregues por caminhões e chegavam em malotes. Houve ainda casos, segundo a testemunha, que ela foi apanhar o dinheiro em subterrâneos de templos no Rio.
Cristina afirmou que mantinha contato direto com Alba Maria da Silva Costa, diretora do Banco de Crédito Metropolitano e integrante da cúpula da igreja, e com uma mulher que, segundo Cristina, seria secretária particular do bispo Edir Macedo, fundador e líder da igreja.
De acordo com a testemunha, ela depositou o dinheiro nos EUA e em Portugal. Uma das contas usadas estaria nominada como "Universal Church". Além dela, os promotores e procuradores ouviram o depoimento de Birmarcker. Ele confirmou a realização de supostas operações irregulares de câmbio para a igreja, mas não soube informar os valores.

Caco Barcelos e as vassouras da classe média carioca

Leia o comentário sobre a entrevista de Caco Barcelos no Blog da Cidadania

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Empregado de distribuidora Kaiser demitido por beber Skol ganha indenização

Um promotor de vendas da Volpar Refrescos S.A., distribuidora das cervejas Kaiser e Sol, vai receber R$ 13 mil (17 vezes sua remuneração) de indenização por danos morais por ter sido demitido após ser surpreendido por superiores bebendo cerveja Skol, marca considerada concorrente da Kaiser. A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, ao não conhecer do recurso de revista empresarial, manteve decisões anteriores que consideram a dispensa ofensiva à liberdade de escolha.

O empregado contou que estava em um bar, à noite, com colegas de trabalho, fora do horário de expediente, ao lado da empresa, bebendo umas cervejinhas enquanto aguardava o ônibus que o levaria para uma convenção em Porto Alegre (RS). Quando acabaram as cervejas da marca Kaiser e Sol no bar, ele pediu uma Skol, e teve o cuidado de envolver a lata com um guardanapo, para não demonstrar publicamente que estava bebendo uma cerveja da concorrente.

Naquele momento, porém, uma supervisora da empresa passou no local e um colega, de brincadeira, tirou o guardanapo da lata, deixando aparecer a logomarca Skol. A supervisora, ao perceber que o promotor bebia cerveja da concorrente, o advertiu em público, diante dos colegas, gerando um princípio de discussão entre ambos. Poucos dias depois ele foi demitido, sem justa causa. Com base no artigo
da Constituição da República (princípio da liberdade), ele ajuizou reclamação trabalhista com pedido de indenização por danos morais no valor de R$ 70 mil.

A empresa, em contestação, negou que este tenha sido o motivo da demissão, bem como negou existir qualquer proibição de consumo de marcas concorrentes fora do horário de trabalho. Segundo a Volpar, o promotor foi demitido por ter se dirigido a seus superiores, após o incidente da cerveja, de forma agressiva e desrespeitosa. Alegou também que a empresa tem o direito de demitir empregados, sem justa causa, quando bem lhe convier.

O juiz da 1ª Vara do Trabalho de Florianópolis (SC) foi favorável ao pedido do empregado, após ouvir as testemunhas e concluir que ele não ofendeu seus superiores, como alegado pela empresa. O empregado foi demitido em razão do livre exercício do direito de liberdade de escolha e opção, mais precisamente por ingerir cerveja da marca concorrente, procedimento que no mínimo desrespeitou as regras básicas implícitas ao contrato de trabalho, no sentido de que a relação entre as partes que o integram devem ser fundadas no respeito mútuo, atingindo, ainda, o direito à liberdade, previsto na
Constituição Federal, artigo , caput e inciso II, assinalou a sentença. O magistrado fixou a indenização em R$ 13.262,55 (17 vezes a remuneração do empregado, utilizada para fins rescisórios, no valor de R$ 780,15).

As partes recorreram ao Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (SC). O empregado, requerendo aumento do valor da condenação, e a empresa, reafirmando a tese inicial de que a rescisão do contrato não foi motivada pela ingestão de Skol. O colegiado não aceitou o pedido de nenhuma das partes, mantendo a sentença. A empresa abusou de seu poder diretivo, destacou o acórdão ao manter a condenação, assinalando também que o valor dado à condenação foi razoável.

A Volpar recorreu, então, ao TST. Argumentou que a mera dispensa sem justa causa do promotor de vendas não gera direito à percepção de indenização por danos morais, e que a
CLT lhe garante o direito à liberdade de demitir injustificadamente seus empregados. O relator do acórdão na Primeira Turma, ministro Lelio Bentes Corrêa, ao analisar o recurso, observou que a discussão não trata da validade ou invalidade da dispensa imotivada, mas sim do direito à indenização por danos morais resultantes de ofensa praticada pelo empregador contra o empregado.

Segundo o ministro, o superior imediato do empregado confirmou em audiência que o promotor foi demitido em razão do episódio da lata de cerveja, tendo sido forjada uma demissão sem justa causa sob o fundamento de mau desempenho. O ministro consignou, ainda, que os julgados trazidos aos autos pela empresa para comprovar divergência de teses eram inespecíficos, pois não retratavam a mesma realidade ora discutida. O recurso não foi conhecido, à unanimidade, mantendo-se os valores fixados na sentença.

(Cláudia Valente)
Processo: RR - 278000-91.2008.5.12.0001

A vassoura e a corrupção

Não gosto da corrupção, mas essa vassouras não me agradam. Não me convidem para atos desse tipo. Prefiro combater a corrupção no meu dia-a-dia.
São Paulo - 1960

Rio de Janeiro- 2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Vladimir Safatle: Suportar a verdade -Sobre a Comissão da Verdade

Na Folha de São Paulo

Nos próximos dias, o governo deve conseguir aprovar, no Congresso, seu projeto para a constituição de uma Comissão da Verdade. O que deveria ser motivo de comemoração para aqueles realmente preocupados com o legado da ditadura militar e com os crimes contra a humanidade cometidos neste período será, no entanto, razão para profundo sentimento de vergonha.
Pressionado pela Corte Interamericana de Justiça, que denunciou a situação aberrante do Brasil quanto à elucidação e punição dos crimes de tortura, sequestro, assassinato, estupro e ocultação de cadáveres perpetrados pelo Estado ilegal que vigorou durante a ditadura militar, o governo brasileiro precisava mostrar que fizera algo.
No caso, "algo" significa uma Comissão da Verdade aprovada a toque de caixa, sem autonomia orçamentária, sem poder de julgar, com apenas sete membros que devem trabalhar por dois anos, sendo que comissões similares chegam a ter 200 pessoas.
Tal comissão terá representantes dos militares, ou seja, daqueles que serão investigados. Como se isso não bastasse, a fim de tirar o foco e não melindrar os que se locupletaram com a ditadura e que ainda dão o ar de sua graça na política nacional, ela investigará também crimes que porventura teriam ocorrido no período 1946-64. Algo mais próximo de uma piada de mau gosto.
Um país que, na contramão do resto do mundo, tende a compreender exigências amplas de justiça como "revanchismo" não tem o direito de se indignar com a impunidade que se dissemina em vários setores da vida nacional.
Aqueles que preferem nada saber sobre os crimes do passado ainda estão intelectualmente associados ao espírito do que procuram esquecer.
O povo brasileiro tem o direito de saber, por exemplo, que os aparelhos de tortura e assassinato foram pagos com dinheiro de empresas privadas, empreiteiras e multinacionais que hoje gastam fortunas em publicidade para falar de ética. Ele tem o direito de saber quem pagou e quanto.
Esta é, sem dúvida, a parte mais obscura da ditadura militar. Ou seja, espera-se de uma Comissão da Verdade que ela exponha, além dos crimes citados, o vínculo incestuoso entre militares e empresariado. Vínculo este que ajuda a explicar o fato da ditadura militar ter sido um dos momentos de alta corrupção na história brasileira (basta lembrar casos como Capemi, Coroa Brastel, Lutfalla, Baumgarten, Tucuruí, Banco Econômico, Transamazônica, ponte Rio-Niterói, relatório Saraiva acusando de corrupção Delfim Netto, entre tantos outros).
Está na hora de perguntar, como faz um seminário hoje no Departamento de Filosofia da USP: Quanta verdade o Brasil suporta?

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Manifesto de artistas e intelectuais apoia Comissão da Verdade

A criação da Comissão da Verdade, que deve ser votada esta semana na Câmara dos Deputados, enfrenta forte resistência de setores simpáticos e saudosistas da ditadura. Para ajudar a contrapor essa resistência, um grupo de intelectuais encabeçado por Leonardo Boff, Emir Sader, Marilena Chauí e Fernando Morais está lançando um manifesto de artistas e intelectuais em apoio à criação da comissão.
A Câmara dos Deputados deve votar no dia 21 de setembro o projeto que cria a Comissão da Verdade, encarregada de trazer à público as violações de direitos humanos cometidas durante o período da ditadura militar. A criação da Comissão enfrenta forte resistência de setores simpáticos e saudosistas da ditadura. Para ajudar a contrapor essa resistência, um grupo de intelectuais encabeçado por Leonardo Boff, Emir Sader, Marilena Chauí e Fernando Morais está lançando um manifesto de artistas e intelectuais em apoio à Comissão da Verdade. O texto do manifesto afirma:
As oportunidades da vida nos levaram ao caminho da arte, da música e do espetáculo e, ao seguirmos esses passos, nos transformamos não apenas em artistas e intelectuais, mas em militantes da liberdade, já que temos a possibilidade de expressar nossas ideias e nossos sonhos na linguagem da arte e do conhecimento.
A democracia não nos foi dada, ela foi conquistada por uma geração que não se calou diante da opressão. A experiência vivenciada naquele período de repressão marcou vidas e foi capaz de mudar a história, mas ainda não podemos celebrar a democracia se não tivermos pleno conhecimento das violações cometidas nesse passado tão recente.
O que nos move nesse momento é a esperança de que os parlamentares possibilitem a atual e as futuras gerações o conhecimento desses fatos, para sabermos a verdadeira verdade. Como defensores da livre expressão do pensamento e da democracia, manifestamos ao Congresso Nacional nosso desejo de aprovação do Projeto de Lei 7.376/2010, que cria a Comissão Nacional da Verdade para que essas violações sejam lembradas e conhecidas pelo povo brasileiro, pois essa é a única forma de garantirmos que isso nunca mais aconteça.
Chegou a hora da verdade que o Brasil tanto espera.
Fonte: Carta Capital

A Farroupilha e a invenção das tradições


Rapaz exibe o charme e a malemolência da viril dança gaúcha

Hobsbawn e Ranger escreveram o já clássico "A Invenção das Tradições". Sinteticamente, o livro defende que toda a tradição é inventada. É necessário saber o momento e os motivos pelos quais isso acontece.
Quem quiser se divertir bebendo, comendo carne e se fantasiando de gaúcho pode ficar à vontade. O que me incomoda é o exagero. Corrijo, o que me incomoda é confundir tradição com folclore e com história. Além disso, ainda temos que aguentar o MTG se colocando como guardião da história e da cultura. O MTG é uma instituição PRIVADA! Não defende a história, defende uma ideologia.
A expansão do tradicionalismo pelo Brasil e pelo mundo não dizem nada a respeito de sua verdade. Dizem algo a respeito de sua capacidade de expansão. Do mesmo modo que o fato de Justin Bieber vender mais que Paulinho da Viola não diz nada a respeito da qualidade estética do jovem canadense. Como dizia Guimarães Rosa (que vendeu menos que Paulo Coelho) "Pão ou pães é questão de opiniães". Só que o caso vai além das opiniães. O MTG se apoderou não só da tradição que criou, mas se acha no direito de instituir regras que devem ser assumidas por toda a sociedade. Isso me incomoda.

Tradição não é folclore nem história e a Guerra dos Farrapos não foi uma revolução.
Melhor do que eu, quem trata desse assunto é o Tau Golin.
Clique AQUI e leia.

domingo, 18 de setembro de 2011

Wagner Moura sobre "Veja"

"A linha editorial da revista Veja, uma revista de extrema direita brasileira. Eu me lembro claramente de uma capa da revista Veja que me indignou profundamente, sobre o desarmamento, que dizia assim: “Dez motivos para você votar ‘Não’". Eu me lembro claramente da revista Veja elogiando Tropa de Elite pelos motivos mais equivocados do mundo. E semana sim, semana não está sacaneando colega nosso: Fábio Assunção, Reynaldo Gianecchini, de uma forma escrota, arrogante, violenta. Outro motivo é que na revista Veja escreve Diogo Mainardi! Eu não posso compactuar com uma revista dessas, entendeu? Conservadora, elitista. Então, não falo com a revista Veja, assim como não falo para a revista Caras. Agora, a mídia é um negócio complexo, importante. A imprensa brasileira, nessa episódio agora do Congresso, cumpre um papel sensacional. Achei ótimo o fim dessa lei de imprensa, careta, antiga. Acho que a imprensa tem que se sentir livre e trabalhar e quem se sentir agredido por ela entra em juízo e processa”.