sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

China registra desaparecimento de 44 mil locais de importância cultural

Grande Muralha da China (Jakub Hałun/Wikimedia Commons)Correspondentes afirmam que erosão e progresso ameaçam até a muralha da China
Cerca de 44 mil ruínas antigas, templos e outros locais de grande importância cultural desapareceram na China nos últimos 20 anos, segundo informa o governo do país.
De acordo com o primeiro censo do patrimônio cultural realizado pela China em duas décadas, cerca de um quarto dos locais pesquisados está em mau estado de conservação.
Ao explicar os resultados, o vice-diretor do levantamento, Liu Xiaohe, disse à mídia estatal chinesa disse que muitos pontos de grande relevância cultural estão desprotegidos, sendo demolidos para dar lugar a projetos de construção civil.
Segundo Liu, o desenvolvimento econômico do país é a razão principal dos danos causados às relíquias culturais chinesas.
O censo, realizado pela Agência Estatal de Patrimônio Cultural da China, registrou cerca de 700 mil áreas em todo o país.
Na região mais afetada, a Província de Shaanxi, onde ficam os famosos guerreiros de terracota, as estatísticas indicam que mais de 3.500 locais de grande relevância cultural simplesmente desapareceram.
O censo não cita especificamente quais construções ou monumentos desapareceram no período de pesquisa.

Muralha ameaçada

Apesar disso, correspondentes da BBC afirmam que até mesmo a Grande Muralha da China está ameaçada pela erosão e pelo progresso desordenado, marcado por construções irregulares.
Segundo os correspondentes, as leis de conservação chinesas são desconsideradas por andarilhos e exploradas por moradores dos vilarejos, que cobram suas próprias taxas de admissão aos patrimônios culturais.
Relatos indicam que, há dois anos, uma parte da muralha construída durante a dinastia Qin foi danificada por mineradores que fizeram buracos na edificação, em busca de ouro.

Receita de Ano Novo - Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Militares criticam lista de acusados de tortura

Associações de militares criticaram a publicação, por parte de revista ligada à Biblioteca Nacional, de uma lista de 233 militares e policiais que supostamente torturaram presos durante o governo Ernesto Geisel (1974-1979). A lista, que faz parte de acervo de Luís Carlos Prestes (1898-1989), estará na edição de janeiro da “Revista de História da Biblioteca Nacional”, editada pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional. “A publicação não deixa dúvidas sobre de que lado está o órgão público”, disse o vice-presidente do Clube Militar, general Clóvis Bandeira. ”Isso cria uma situação de conflito gratuito, que já deveríamos ter superado há muito tempo”, disse o presidente da Associação dos Oficiais Militares Estaduais do Brasil, coronel Abelmídio Sá Ribas à Folha de São Paulo. Segundo o editor da revista, Luciano Figueiredo, os documentos de Prestes serão doados ao Arquivo Nacional, o que os tornará públicos.
De: Sul21

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Rússia denuncia desrespeito aos Direitos Humanos nos EUA


O Ministério de Relações Exteriores da Rússia divulgou nesta quinta-feira (29) um relatório denunciando a situação crítica dos Direitos Humanos nos Estados Unidos, além da aplicação de leis fora do território do país e repetidas violações do direito internacional.
A chancelaria destaca no documento que a situação dos Direitos Humanos está longe dos ideais declarados pelos próprios Estados Unidos.
“Washington mantém sem resolução o problema do cárcere na base naval norte-americana ilegal na baía de Guantânamo, no oriente cubano, onde mantém 171 pessoas, supostamente vinculadas ao terrorismo”, diz o documento.
“O presidente estadunidense, Barack Obama, legalizou o encarceramento indefinido e sem julgamento das pessoas naquela prisão e permitiu novamente o trabalho dos tribunais militares nesses casos”, denuncia o relatório.
“Além disso, há também a aplicação extraterritorial da legislação dos Estados Unidos, que atinge suas relações com Rússia”, aponta.
“Isso leva à violação dos direitos e liberdades dos russos, que s]ap incluídos nas detenções arbitrárias e sequestros em terceiros países, o abusivo tratamento para eles e sua perseguição policial com base em provas duvidosas”, destaca o documento.
Do mesmo modo, o Ministério denuncia que o governo norte-americano omite atividades da Agência Central de Inteligência e outros agente públicos em violações em massa e flagrantes dos princípios dos Direitos Humanos.
“Também não cessa o desrespeito pelos Estados Unidos do direito internacional em zonas de conflito e nas operações antiterroristas, com um uso desmedido da força”, indica o relatório.
A Casa Branca mantém métodos de controle sobre a sociedade e a ingerência na vida privada que os órgãos de segurança iniciaram na época do republicano George W. Bush, com o pretexto da “guerra contra o terrorismo”.
Washington só participa em três dos nove acordos internacionais sobre Direitos Humanos, lembra a chancelaria russa.
“Assim, a Casa Branca se absteve de assinar a declaração sobre liquidação de todas as formas de discriminação da mulher e a convenção sobre os direitos da criança”, afirma o texto do Ministério russo do Exterior.
Os Estados Unidos negam-se a colaborar com mecanismos internacionais para queixas coletivas de violação dos direitos humanos ao considerar que seu sistema judicial é “suficiente” e “pode lidar” com esse problema sem assistência estrangeira, aponta a nota.
A isso se soma o aumento dos problemas sistemáticos da sociedade norte-americana como a discriminação racial, a xenofobia, o excesso de prisões e a aplicação da pena de morte, inclusive contra pessoas inocentes, doentes mentais e adolescentes.
O relatório também se refere às imperfeições do sistema eleitoral norte-americano.
De: Correio do Brasil, com informações da Prensa Latina

Palmeiras: falta futebol, sobra preconceito

Diego Iraheta _247 - O Verdão recuou. Estava prevista a contratação de Richarlyson como moeda de troca por Pierre, emprestado para o Atlético Mineiro. Mas o buzz dos torcedores, agressivo em muitos casos, foi determinante para o Palmeiras desistir. “Richarlyson é um bom atleta, mas são sabidas as dificuldades que teríamos para ele ser absorvido pela nossa torcida”, admitiu à Folha Roberto Frizzo, vice de Futebol do clube. O que é tão difícil para “absorver” o volante?
O tuiteiro @erick_zikaa tem um palpite: “Só porque o Richarlyson tem jeito de gay, os torcedores do Palmeiras não querem ele no time. Afff, o cara joga muito, preconceito é foda. :S” A hashtag #foraricharlyson ganhou as redes antes mesmo de Ricky ser confirmado pelo time. A pressão maior veio de representantes das torcidas organizadas do Palmeiras.
Em tom bastante agressivo, a Sociedade Esportiva Palmeiras disparou no Twitter: “Queremos camarão e não um viadão. Richarlyson”. Tal ódio alimentado contra Richarlyson é difundido entre jovens torcedores, como a palmeirense @paullinhasep. “Não é mole não, tem que ser MACHO para jogar no meu verdãaaao! #ForaTirone #foraricharlyson”, tuitou, também referindo-se ao presidente do clube, Arnaldo Tirone.
O 247 perguntou aos leitores o problema real da torcida do Palmeiras com Richarlyson. Alguns dos comentários que recebemos foram:
SPS: “Mais do que preconceito, o problema dos palmeirenses com esse jogador é o fato dele ter assinado com o clube em 2005 e no dia seguinte ter se apresentado no Spfc....sem falar na péssima fase que ele vive. O resto é teoria da conspiração.”
Walter Freitas: As torcidas organizadas estão cheias de nazistas. Em são pulo a polícia deveria investigar essas quadrilhas que estão disfarçadas de torcidas organizadas.
Leandro: E para quem acha que não existe homofobia no Brasil...A mesma emissora,no caso a Globo,que veincula propaganda de combate a homofobia financia um esporte tão homofóbico e hostil como este.Eu tenho dó deste jogador,em qualquer lugar que ele possa vir a jogar a recepção será feita de maneira igual,ou seja,de maneira preconceituosa.
E aí? A torcida do Palmeiras é "enrustida"?

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Renner é condenada por sistema de comissões adotado em período natalino

A Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou recurso das Lojas Renner S.A. contra decisão que a condenou ao pagamento de diferenças de comissões a uma trabalhadora que se sentiu prejudicada com a sistemática utilizada pela empregadora no período natalino. Ao contratar empregados em caráter temporário nessa época, a Renner integrava o valor das vendas realizadas por eles ao montante das vendas do estabelecimento, com o fim de calcular as comissões a serem pagas aos demais empregados. Contudo, antes de efetuar o cálculo dessas comissões, subtraía o valor gasto na contratação de trabalhadores temporários.
Condenada desde a origem a saldar as diferenças de comissões, a empresa recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (SC). Sustentou que a sistemática de pagamento de comissões adotada era diferente da utilizada pelas demais lojas de varejo, e que, ao excluir os trabalhadores temporários do rateio das comissões, estaria na verdade beneficiando seus empregados, pois nas comissões pagas a eles já estava incluído o valor das vendas realizadas pelos temporários. O TRT, porém, considerou tratar-se de alteração contratual lesiva, contrária ao artigo 2º da CLT, pois transferia aos empregados o ônus da contratação dos trabalhadores temporários. Ao recorrer ao TST, a empresa reafirmou seus argumentos.
O relator do recurso de revista, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, observou que a cláusula aditiva apresentada pela empresa evidenciou dois aspectos: um, nocivo aos empregados, ao estatuir que o total das  vendas  seria diminuído do valor pago trabalhadores temporários. Outro aspecto, aparentemente benéfico, estabelecia que o saldo das vendas, abatidos os custos de contratação dos temporários, seria dividido apenas entre os trabalhadores permanentes, o que lhes proporcionaria, em tese, uma comissão nominalmente maior que a recebida nos demais meses.
Contudo, ainda que isso ocorra em período natalino, quando as vendas aumentam substancialmente e a empresa contrata trabalhadores temporários, o relator considerou que o procedimento não poderia ser validado pelo Poder Judiciário. Segundo o relator, o que define o prejuízo da empregada não é o simples aumento nominal das comissões percebidas, mas saber se esse aumento teria seguido a proporcionalidade do acréscimo das vendas nos meses de dezembro. Assim, entendendo que a empresa pretendeu repassar aos empregados os ônus inerentes ao empreendimento, a Turma, unanimemente, rejeitou o recurso de revista da Renner.

(Raimunda Mendes/CF) Processo: RR-2789-12.2010.5.12.0050
Fonte: Tribunal Superior do Trabalho Data da noticia: 20/12/2011

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Eric Hobsbawm e as revoltas globais de 2011

A classe média foi a grande protagonista e força motriz das revoltas populares e ocupações que marcaram o ano de 2011. 

Esta é a opinião de Eric Hobsbawm, o mais importante historiador em atividade, aos 94 anos de idade.

Para Hobsbawm, protagonismo da classe média marca revoltas de 2011
 
Andrew Whitehead: Serviço Mundial da BBC

Em entrevista à BBC, o historiador marxista nascido no Egito, mas radicado na Grã-Bretanha, afirma ainda que a classe operária e a esquerda tradicional - da qual ele ainda é um dos principais expoentes - estiveram à margem das grandes mobilizações populares que ocorreram ao longo deste ano.
''As mais eficazes mobilizações populares são aquelas que começam a partir da nova classe média modernizada e, particularmente, a partir de um enorme corpo estudantil. Elas são mais eficazes em países em que, demograficamente, jovens homens e mulheres constituem uma parcela da população maior do que a que constituem na Europa'', diz, em referência especial à Primavera Árabe, um movimento que despertou seu fascínio.
''Foi uma alegria imensa descobrir que, mais uma vez, é possível que pessoas possam ir às ruas e protestar, derrubar governos'', afirma Hobsbawm, cujo título do mais recente livro, Como Mudar o Mundo, reflete sua contínua paixão pela política e pelos ideais de transformação social que defendeu ao longo de toda a vida e que segue abraçando aos 94 anos de idade.
As ausências da esquerda tradicional e da classe operária nesses movimentos, segundo ele, se devem a fatores históricos inevitáveis.
''A esquerda tradicional foi moldada para uma sociedade que não existe mais ou que está saindo do mercado. Ela acreditava fortemente no trabalho operário em massa como o sendo o veículo do futuro. Mas nós fomos desindustrializados, portanto, isso não é mais possível'', diz Hobsbawm.
Hobsbawm comenta que as diversas ocupações realizadas em diferentes cidades do mundo ao longo de 2011 não são movimentos de massa no sentido clássico.
''As ocupações na maior parte dos casos não foram protestos de massa, não foram os 99% (como os líderes dos movimentos de ocupação se autodenominam), mas foram os famosos 'exércitos postiços', formados por estudantes e integrantes da contracultura. Por vezes, eles encontraram ecos na opinião pública. Em se tratando das ocupações anti-Wall Street e anticapitalistas foi claramente esse o caso.''

À sombra das revoluções

Hobsbawm passou sua vida à sombra - ou ao brilho - das revoluções.
Ele nasceu apenas meses após a revolução de 1917 e foi comunista por quase toda a sua vida adulta, bem como um autor e pensador influente e inovador.
Ele tem sido um historiador de revoluções e, por vezes, um entusiasta de mudanças revolucionárias.
O historiador enxerga semelhanças entre 2011 e 1848, o chamado ''ano das revoluções'', na Europa, quando ocorreram uma série de insurreições na França, Alemanha, Itália e Áustria e quando foi publicado um livro crucial na formação de Hobsbawm, O Manifesto Comunista, de Marx e Engels.
Hobsbawm afirma que as insurreições que sacudiram o mundo árabe e que promoveram a derrubada dos regimes da Tunísia, Egito, Líbia e Iêmen, ''me lembram 1848, uma outra revolução que foi tida como sendo auto-impulsionada, que começou em um país (a França) e depois se espalhou pelo continente em um curto espaço de tempo''.

Historiador diz que revoluções no mundo árabe tomaram rumo inesperado
Para aqueles que um dia saudaram a insurreição egípcia, mas que se preocupam com os rumos tomados pela revolução no país, Hobsbawm oferece algumas palavras de consolo.
''Dois anos depois de 1848, pareceu que alguma coisa havia falhado. No longo prazo, não falhou. Foi feito um número considerável de avanços progressistas. Por isso, foi um fracasso momentâneo, mas sucesso parcial de longo prazo - mas não mais em forma de revolução''.
Mas, com a possível exceção da Tunísia, o historiador não vê perspectivas de que os países árabes adotem democracias liberais ao estilo das europeias.
''Estamos em meio a uma revolução, mas não se trata da mesma revolução. O que as une é um sentimento comum de descontentamento e a existência de forças comuns mobilizáveis - uma classe média modernizadora, particularmente, uma classe média jovem e estudantil e, é claro, a tecnologia, que hoje em dia torna muito mais fácil organizar protestos.''
 

Verônica Serra rebate acusações de "A privataria tucana" - @Veja

Reproduzido Terra Magazine:A empresária Verônica Serra, filha do ex-governador José Serra (PSDB), divulgou uma nota em que rebate as acusações do livro "A privataria tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Jr. "São notícias plantadas desde 2002 - ano em que meu pai foi candidato a presidente pela primeira vez - e repetidas em todas as campanhas posteriores, não obstantes os esclarecimentos prestados a cada oportunidade", afirma Verônica. Ela desmente que tenha sido sócia de Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, preso pela Operação Satiagraha da Polícia Federal, em 2008. "Da mesma forma como eu fui indicada para representar o IRR no Conselho de Administração da Decidir, a Sra. Veronica Dantas foi indicada para participar desse mesmo conselho pelo Fundo Opportunity. Éramos duas conselheiras (e não sócias), representando fundos distintos, sem relação entre si anterior ou posterior a esta posição no conselho da empresa", explica.
A filha de Serra diz que os "caluniadores e difamadores não podem provar uma só de suas acusações e vão responder por isso na justiça". "Em 1998, quando houve a privatização, eu morava há quatro anos nos Estados Unidos, onde estudei em Harvard e trabalhei em Nova York numa empresa americana que não tinha nenhum negócio no Brasil, muito menos com a privatização", relatou Verônica.
Amaury Ribeiro Jr. relata casos de desvios de recursos e pagamentos de propinas durante o processo de privatizações no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo o autor, houve um esquema de lavagem de dinheiro com conexões em paraísos fiscais, unindo membros do PSDB, como o ex-ministro da Saúde e ex-governador paulista José Serra, ao banqueiro Daniel Dantas.
O texto de Verônica foi republicado no site do cientista político Eduardo Graeff, ex-secretário-geral da Presidência no governo FHC. Confira a íntegra da nota:
"Nos últimos dias, têm sido publicadas e republicadas, na imprensa escrita e eletrônica, insinuações e acusações totalmente falsas a meu respeito. São notícias plantadas desde 2002 - ano em que meu pai foi candidato a presidente pela primeira vez - e repetidas em todas as campanhas posteriores, não obstantes os esclarecimentos prestados a cada oportunidade. Basta lembrar que, em 2010, fui vítima de quebra ilegal de sigilo fiscal, tendo seus autores sido indiciados pela Polícia Federal. E, agora, uma organizada e fartamente financiada rede de difamação dedicou-se a propalar infâmias intensamente através de um livro e pela internet. Para atingir meu pai, buscam atacar a sua família com mentiras e torpezas.
1. Quais são os fatos?
- Nunca estive envolvida nem remotamente com qualquer tipo de movimentação ilegal de recursos.
- Nunca fui ré em processo nem indiciada pela Polícia Federal; fui, isto sim, vítima dos crimes de pessoas hoje indiciadas.
- Jamais intermediei nenhum negócio entre empresa privada e setor público no Brasil ou em qualquer parte do mundo.
- Não fui sócia de Verônica Dantas, apenas integramos o mesmo conselho de administração.
Faço uma breve reconstituição desses fatos, comprováveis por farta documentação.
2. No período entre Setembro de 1998 e Março de 2001, trabalhei em um fundo chamado International Real Returns (IRR) e atuava como sua representante no Brasil. Minha atuação no IRR restringia-se à de representante do Fundo em seus investimentos. Em nenhum momento fui sua sócia ou acionista. Há provas.
3. Esse fundo, de forma absolutamente regular e dentro de seu escopo de atuação, realizou um investimento na empresa de tecnologia Decidir. Como conseqüência desse investimento, o IRR passou a deter uma participação minoritária na empresa.
4. A Decidir era uma empresa "ponto.com", provedora de três serviços: (I) checagem de crédito; (II) verificação de identidade e (III) processamento de assinaturas eletrônicas. A empresa foi fundada na Argentina, tinha sede em Buenos Aires, onde, aliás, se encontrava sua área de desenvolvimento e tecnologia. No fim da década de 90, passou a operar no Brasil, no Chile e no México, criando também uma subsidiária em Miami, com a intenção de operar no mercado norte-americano.
5. Era uma empresa real, com funcionários, faturamento, clientes e potencial de expansão. Ao contrário do que afirmam detratores levianos, sem provar nada, a Decidir não era uma empresa de fachada para operar negócios escusos. Todas e quaisquer transações relacionadas aos aportes de investimento eram registradas nos órgãos competentes.
6. Em conseqüência do investimento feito pelo IRR na Decidir, passei a integrar o seu Conselho de Administração (ou, na língua inglesa, "Board of Directors"), representando o fundo para o qual trabalhava.
7. À época do primeiro investimento feito pelo IRR na Decidir, o fundo de investimento Citibank Venture Capital (CVC) - administrado, no âmbito da América Latina, desde Nova Iorque - liderou a operação.
8. Como o CVC tinha uma parceria com o Opportunity para realizar investimentos no Brasil, convidou-o a co-investir na Decidir, cedendo uma parte menor de seu aporte. Na mesma operação de capitalização da Decidir, investiram grandes e experientes fundos internacionais, dentre os quais se destacaram o HSBC, GE Capital e Cima Investments.
9. Nessa época, da mesma forma como eu fui indicada para representar o IRR no Conselho de Administração da Decidir, a Sra. Veronica Dantas foi indicada para participar desse mesmo conselho pelo Fundo Opportunity. Éramos duas conselheiras (e não sócias), representando fundos distintos, sem relação entre si anterior ou posterior a esta posição no conselho da empresa.
10. O fato acima, no entanto, serviu de pretexto para a afirmação (feita pela primeira vez em 2002) de que eu fui sócia de Verônica Dantas e, numa ilação maldosa, de que estive ligada às atividades do empresário Daniel Dantas no processo de privatização do setor de telecomunicações no Brasil. Em 1998, quando houve a privatização, eu morava há quatro anos nos Estados Unidos, onde estudei em Harvard e trabalhei em Nova York numa empresa americana que não tinha nenhum negócio no Brasil, muito menos com a privatização.
11. Participar de um mesmo Conselho de Administração, representando terceiros, o que é comum no mundo dos negócios, não caracteriza sociedade. Não fundamos empresa juntas, nem chegamos a nos conhecer, pois o Opportunity destacava um de seus funcionários para acompanhar as reuniões do conselho da Decidir, realizadas sempre em Buenos Aires.
12. Outra mentira grotesca sustenta que fui indiciada pela Polícia Federal em processo que investiga eventuais quebras de sigilo. Não fui ré nem indiciada. Nunca fui ouvida, como pode comprovar a própria Polícia Federal. Certidão sobre tal processo, da Terceira Vara Criminal de São Paulo, de 23/12/2011, atesta que "Verônica Serra não prestou declarações em sede policial, não foi indiciada nos referidos autos, tampouco houve oferecimento de denúncia em relação à mesma."
13. Minhas ligações com a Decidir terminaram formalmente em Julho de 2001, pouco após deixar o IRR, fundo para o qual trabalhava. Isso ressalta a profunda má fé das alegações de um envolvimento meu com operações financeiras da Decidir realizadas em 2006. Essas operações de 2006 - cinco anos após minha saída da empresa - são mostradas num fac-símile publicado pelos detratores, como se eu ainda estivesse na empresa. Não foi mostrado (pois não existe) nenhum documento que comprove qualquer participação minha naquelas operações. Os que pretendem atacar minha honra confiam em que seus eventuais leitores não examinem fac-símiles que publicam, nem confiram datas e verifiquem que nomes são citados.
14. Mentem, também, ao insinuar que eu intermediei negócios da Decidir com governos no Brasil. Enquanto eu estive na Decidir, a empresa jamais participou de nenhuma licitação.
Encerro destacando que posso comprovar cada uma das afirmações que faço aqui. Já os caluniadores e difamadores não podem provar uma só de suas acusações e vão responder por isso na justiça. Resta-me confiar na Polícia e na Justiça do meu país, para que os mercadores da reputação alheia não fiquem impunes."

sábado, 24 de dezembro de 2011

Nova missão da Folha: destruir Eliana Calmon

A Folha.com trouxe a seguinte  manchete na manhã de sábado:"Calmon recebeu R$ 421 mil de auxílio-moradia". É visível a intenção de vincular a Corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a atos condenáveis. O fato é que o auxílio-moradia é pago a todos os juízes.
Trata-se de uma notícia requentada, tirada da geladeira no momento em que a corregedora levanta-se contra "os ladrões de toga". Aliás, o que tem de notícia nisso? Tanto faz, a FSP segue firme seu caminho de exterminadora de reputações.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

É Natal. Compre feito um desesperado

Durante o Natal é impossível escapar do lugar comum segundo o qual a data está cada vez mais consumista e coisa e tal. É uma verdade banalizada pelo uso. 
O lado mais dramático dessa situação, na minha singela opinião, está expresso na jornada desumana a que são submetidos os empregados do comércio. Em São Paulo, as lojas dos shoppings varam a madrugada vendendo. Em Porto Alegre, o comércio ficará aberto até as 20h do dia 24/12. A pergunta é: para quê? A mídia anuncia essas maratonas como se fossem grande coisa. Filas do SUS e filas em aeroportos são inaceitáveis, mas aquele monte de gente se acotovelando para comprar dos patrocinadores da grande mídia é tratado com bom humor. Eu acho repugnante!
Não sou daqueles que compram presentes ao longo do ano, ou com grande antecedência. Compro no tempo que tenho. Se não tiver tempo, não compro. Flexibilizar o horário é uma coisa, estendê-lo ao infinito é absurdo. É dizer aos consumidores (porque as pessoas não são tratadas como cidadãs, mas como consumidoras) que podem ser imprevidentes e que podem deixar tudo para a última hora. Sempre haverá uma loja aberta onde se gastar. 
Quem quiser comprar presentes que arranje tempo até as 22h (que me parece mais que o suficiente). Se não conseguir, azar.

Eliana Calmon. Quem tem medo dessa mulher?

Congresso argentino aprova lei do papel jornal

BUENOS AIRES — O Senado argentino converteu nesta quinta-feira em lei o projeto que declara "de interesse público" o papel de jornal, decisão qualificada pela oposição como uma tentativa de silenciar a imprensa independente.
O texto foi aprovado no Senado por 41 votos contra 26, após passar na Câmara de Deputados na semana passada.
A iniciativa da presidente Cristina Kirchner declara de interesse público o papel de jornal, com o argumento de que é preciso regular sua atividade comercial para permitir a livre concorrência.
Segundo o governo, a lei visa a assegurar para a indústria nacional a fabricação, comercialização e distribuição regular e confiável da pasta de celulose para o papel de jornal, tanto a pessoas físicas como jurídicas com domicílio no país.
A lei estabelece critérios de preços, comercialização e produção para atender à demanda interna dos jornais, através de um aparato regulatório a cargo do ministério da Economia.
Atualmente, a empresa Papel Prensa, controlada por Clarín (49%), La Nación (22%) e pelo Estado (27,46%) é a única fornecedora do país de papel para jornal, com uma produção anual de 170 mil toneladas.
O jornal Clarín publicou nesta quinta-feira um anúncio no qual assinala que "diante do avanço do projeto para controlar a produção e a importação do papel para jornal, as principais organizações jornalísticas da Argentina e da América Latina manifestam sua categórica rejeição".
O legislador governista Aníbal Fernández afirmou que o debate foi lúcido e destacou que "do total produzido pela Papel Prensa 70% vão para Clarín e La Nación, cabendo o restante aos demais 168 jornais do país, a um preço 15% maior".
Uma das cláusulas mais questionadas estabelece que a Papel Prensa deve funcionar plenamente para abastecer o mercado e, se isto não ocorrer, o Estado pode intervir para aumentar sua participação acionárias, reduzindo a dos demais sócios.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

No apagar das luzes, STF golpeia de novo órgão que vigia juízes

Supremo Tribunal Federal proíbe Conselho Nacional de Justiça de investigar enriquecimento de juízes. Liminar foi concedida às 21h do último dia de trabalho do STF antes das férias, a pedido de três entidades corporativas da magistratura. Ministro responsável, Ricardo Lewandowski, nega ter agido em causa própria. Presidente do STF, Cezar Peluso, defende colega.

BRASÍLIA – Na undécima hora antes de sair defintivamente de férias e só reabrir as portas em fevereiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu mais um golpe no órgão de controle externo da conduta de juízes e tribunais, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A corregedoria do CNJ está proibida de investigar o recebimento de salário e o enriquecimento de juízes pelo país, graças a uma liminar concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski.
Às 21h da segunda-feira (19), último dia de trabalho do STF neste ano e no qual a corte funcionou só para empossar uma nova ministra, Rosa Weber, Lewandowki aceitou mandado de segurança apresentado ao STF por três entidades corporativas de juízes que queriam barrar apurações do CNJ: Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Associação dos Juízes Federais (Ajufe) e da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra).
As três entidades sentiram-se encorajadas para acionar o STF no dia 19 pois a última decisão da corte, paralelamente à posse de Rosa Weber, tinha sido justamente impedir o CNJ de investigar o comportamento de juízes.
Uma liminar concedida pelo ministro Maro Aurélio Mello suspendera resolução baixada pelo CNJ para disciplinar as investigações. Valerá até que o STF volte das férias e seus ministros julguem o caso. A menos que, durante as férias, um ministro plantonista resolva dar uma outra liminar, cassando a primeira.
O estopim do mandado de segurança de AMB, Ajufe e Anamatra tinham sido investigações abertas pelo CNJ no Tribunal de Justiça de São Paulo. No total, 22 juízes de todo o país estão na mira do Conselho.
Quem primeiro deu a notícia sobre a liminar de Lewandowksi foi o jornal Folha de S. Paulo, nesta quarta-feira (21). A reportagem dizia que o ministro aceitou dar a liminar porque ele mesmo, que é egresso do TJ de São Paulo, estaria na mira do CNJ.
Em nora divulgada nesta quarta, o ministro do STF rebate a afirmação. “A decisão de minha autoria não me beneficia em nenhum aspecto, pois as providências determinadas pela Corregedoria do CNJ, objeto do referido mandado de segurança, à míngua de competência legal e por expressa ressalva desta, não abrangem a minha pessoa ou a de qualquer outro ministro deste Tribunal [STF], razão pela qual nada me impedia de apreciar o pedido de liminar em questão”, disse.
O presidente do STF, Cezar Peluso, que também preside o CNJ mas está em conflito com a corregedora do Conselho, Eliana Calmon, também divulgou nota para defender Lewandowski. Para ele, houve “insinuações irresponsáveis” sobre as motivações do ministro ao conceder a liminar.
O próprio Peluso faz insinuações na nota, de que teria havido “covardes e anônimos 'vazamentos'” de informações fiscais e bancárias de Lewandowksi protegidas por sigilo.

A percepção do brasileiro sobre a pobreza - leia na íntegra

Para brasileiros, desemprego e falta de acesso à educação são principais causas da pobreza
Para a maior parte da população brasileira, desemprego e falta de acesso à educação são as principais causas da pobreza. Essa constatação está no Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS): Assistência Social - percepção sobre a pobreza: causas e soluções, divulgado nesta quarta-feira, 21, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O SIPS ouviu 3.796 pessoas em todo o país, entre os dias 08 e 29 de agosto deste ano, sobre causas da pobreza e possíveis soluções. As opiniões colhidas mostraram ainda se os brasileiros percebem ou não uma redução nos níveis de pobreza nos últimos anos e como eles classificam a importância deste problema em relação a outros como violência, desemprego, educação, saúde, etc.
O desemprego foi apontado por 29,4% dos entrevistados como o fator que mais influencia os níveis de pobreza, seguido pelo item educação sem qualidade/acesso ao ensino, com 18,4%. Outras causas muito citadas foram corrupção (16,8%) e má distribuição de renda (12%).
“As razões apontadas pela população indicam que existe a percepção de que o problema da pobreza é estrutural e não uma questão individual, apenas 2,8% dos entrevistados mostraram acreditar que as pessoas são pobres por preguiça ou comodismo”, analisou Jorge Abrahão de Castro, diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea.
Violência e saúde
O SIPS revelou ainda que fome e pobreza não são consideradas os principais problemas do país. Os entrevistados pela pesquisa indicaram violência/insegurança e saúde como preocupações que mais os afligem (23% e 22,3%, respectivamente). Apenas 6% apontaram pobreza/fome.
Essa percepção, no entanto, variou de acordo com a renda. Entre os mais pobres, saúde e violência continuaram com os mais importantes, e a pobreza teve 7,5% das indicações. Nas faixas mais ricas, a corrupção foi mais citada, e a pobreza teve referências residuais.
O diretor do Ipea acredita que a redução dos níveis de pobreza nos últimos anos contribui para a menor percepção dela como problema nacional. “Essa questão perdeu importância relativa em função do aumento do poder aquisitivo do assalariado e dos programas sociais, tivemos um crescimento recente que gerou muitos empregos e reduziu a desigualdade”.
De acordo com a pesquisa, 41,4% dos brasileiros acreditam que a pobreza teve uma redução nos últimos anos, enquanto 29,7% creem que houve aumento. Para os entrevistados, pode ser considerada pobre uma família com renda familiar per capita inferior a R$ 523,00, valor próximo ao salário mínimo atual (R$545,00).

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Não me peçam pra elogiar os Kim ...

Kim Il-sung, Kim Jong-il, King Jong-un... e quem venha depois deles não me provocam nenhuma simpatia. Podem pedir que eu entenda o papel geopolítico da República Democrática Popular da Coréia (RDPC), vulgo Coréia do Norte; o contexto da luta antimperialista que levou à independência e à Guerra entre as coreias; os interesses estadunidenses... enfim. Mas não tentem me convencer que o culto aos Kim faz parte da consciência revolucionária do povo da RDCP. A personificação de um suposto ideal revolucionário; a submissão à memória de alguém; a louvação sem limites; a sacralização da imagem não fazem parte de nenhuma consciência revolucionária. Pelo contrário, são a expressão mais acabada de opressão mental.
A sacralização de pessoas - o chamado "culto à personalidade" - nunca aparece como fenômeno isolado, tampouco brota naturalmente da população. Costuma acompanhar os regimes autoritários/totalitários. Faz parte das estratégias de legitimação de uma causa, de um ideal, que precisa personificar em alguém valores abstratos. É a expressão irracional de uma estratégia racional de legitimação.
Por isso, não me venham com "veja bem...". A reverência da população da RDPC às imagens de seus dirigentes é repugnante. O reverso dessas imagens costuma ser a tragédia.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O mito "Barcelona"

O Barcelona Futebol Clube deixou de ser um clube de futebol para tornar-se uma instituição mítica. Não se comenta apenas a vitória acachapante sobreo Santos, comenta-se que o Barcelona FC joga melhor porque possui uma outra filosofia. Valorização da base, administração diferenciada, ousadia, relação com sua terra e seu povo... e por aí vai.
Na história da rivalidade Barcelona x Real Madrid, há raízes históricas profundas. No processo da Guerra Civil Espanhola, o Real Madrid encarnou a Espanha franquista, institucional, enquanto o Barcelona que já era ligado à luta do povo catalão, vinculou-se à causa republicana. Vamos convir que, um rivalidade assim é muito mais apaixonante que a maioria das rivalidades que conhecemos no futebol brasileiro.
Toda essa história confere ao Barcelona uma aura diferenciada. Não é só o melhor time do mundo, mas é um time no qual identificamos valores que gostaríamos de ver nos times brasileiros: garra; amor à camiseta; continuidade d eum trabalho; jogadores que se divertem jogando e, ao mesmo tempo, fazem bem feito o que são pagos para fazer. O Barcelona dá aos seus torcedores e admiradores do futebol aquilo que mais se deseja: jogo bonito com vitória no final. Na pior das hipóteses,  assiste-se a um jogo jogado e com vontade de vencer. Não é à toa que, após a vitória do Barça, as pessoas saíram com a camiseta do time como se fosse o time "da casa". O Barcelona tornou-se uma bandeira, uma causa, um mito.
Talvez, em algum momento apareça alguém para desfazer tudo isso. Talvez a explicação de como um clube consegue pagar salários tão altos em um país assolado pelo desemprego não seja nada romântica. O fato é que os caras jogam muito e, em um mundo envolvido em escândalos, mesquinharias, despido de qualquer apego a uma causa nobre, ver gente suandoa camiseta, jogando bonito e ganhando dê um alento. É como se nos dissessem, é possível vencer estando do lado do bem e do belo. É a vingança da Hungria de 54, da Holanda de 74, do Brasil de 82; do futebol brilhante, mas derrotado. Ainda que o mito venha a ser desfeito, vale a pena ver o Barcelona jogar. E para nós, colorados, resta o singelo orgulho de poder dizer: "já ganhamos desses caras".

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Mulher israelense ignora ultraortodoxos e se nega a sentar atrás em ônibus

Tanya Rosenblit. | Foto: Arquivo pessoal Tanya RosenblitGuila Flint,de Tel Aviv para a BBC Brasil
História da engenheira levou discussão sobre segregação de mulheres ao gabinete israelense
Uma mulher israelense negou-se a ceder às imposições de ultraortodoxos que queriam obrigá-la a ficar na parte traseira de um ônibus e tornou-se símbolo da luta contra a segregação das mulheres em áreas religiosas do país.
Na última sexta-feira, a engenheira Tanya Rosenblit, 28 anos, tomou um ônibus em sua cidade, Ashdod (sul de Israel), com destino a Jerusalém.
Tanya diz que, logo depois de sentar-se atrás do motorista, vários homens ultraortodoxos começaram a xingá-la, mandando-a se deslocar para a parte traseira.
"Disse a eles que não estava fazendo nenhuma provocação, e que, se tratando de um ônibus público, todos os cidadãos têm o direito de viajar nele", afirmou Rosenblit.
"Também lhes disse que comprei minha passagem exatamente como eles e que não tinham o direito de me dizer onde sentar."
Os homens afirmavam, segundo a engenheira, que "não poderiam sentar atrás de mulheres" no veículo.
Em Israel, existem 70 linhas de ônibus, predominantemente utilizadas por ultraortodoxos, nas quais é praticada a separação entre homens, que ficam na parte dianteira, e mulheres, que ficam na parte de trás do veículo.
Apesar de protestos de grupos feministas e de grupos de direitos humanos, o fenômeno tornou-se comum em várias regiões do país.

Intervenção policial

Devido à resistência de Rosenblit, os homens impediram o ônibus de prosseguir sua viagem.
O motorista acabou chamando a polícia, que também tentou convencer a mulher a se deslocar para a parte traseira.
Homens ultraortodoxos tentam impedir o ônibus de seguir viagem em Israel. | Foto: Arquivo pessoal Tanya RosenblitApós a discussão, os policiais instruíram o motorista a prosseguir e disseram que quem não concordasse com a decisão "poderia descer do ônibus". Vários dos passageiros ultraortodoxos saíram do veículo, e o ônibus finalmente partiu para Jerusalém.
Fotos do incidente no ônibus foram divulgadas pela engenheira no Facebook e na imprensa
Depois que a engenheira divulgou a história no Facebook, o incidente rapidamente virou notícia nos principais veículos de comunicação no país.
A imprensa comparou Tanya à ativista americana Rosa Parks, que, em 1955, negou-se a ceder seu lugar no ônibus a um branco, episódio que virou símbolo da luta contra a segregação racial nos Estados Unidos.
A história de Tanya ocorre em meio a uma polêmica crescente em Israel, causada pela exclusão das mulheres de espaços públicos, imposta por ultraortodoxos.
Em Jerusalém, onde grande parte da população é religiosa, não se vê mulheres em outdoors, nem mesmo em propagandas de roupas femininas.
Várias estações de rádio religiosas não transmitem vozes femininas cantando, pois, segundo os preceitos ultraortodoxos, a mulher tem uma voz "obscena", podendo cantar apenas dentro de sua própria casa.
Algumas estações de rádio também pararam de transmitir vozes de mulheres falando.
Na semana passada, homens ultraortodoxos impediram mulheres de participar em uma eleição de lideranças comunitárias, no bairro religioso de Mea Shearim.
Depois que a história de Tanya Rosenblit chegou à mídia, a questão da segregação das mulheres foi discutida na reunião semanal do gabinete israelense.
O primeiro ministro, Binyamin Netanyahu, declarou que "o espaço público deve permanecer aberto e seguro para todos os cidadãos".

domingo, 18 de dezembro de 2011

sábado, 17 de dezembro de 2011

O protesto nu contra os islamitas - Rui Martins

A primavera árabe poderá custar caro para muitas mulheres que manifestaram na praça Al-Tahrir. E uma delas, decidiu ficar nua para desafiar os fanáticos islamitas.
Ela se chama Aliaa Magda Elmahdy, é egípcia e decidiu enfrentar os islamitas que, pelo jeito, se apropriaram da « primavera árabe ».
Ameaçada de morte, essa jovem de 20 anos, ainda com cara de adolescente, tirou toda roupa e nua desfechou seu ataque contra os fanáticos muçulmanos, capazes de acabarem com todos os direitos das mulheres conquistados, no século passado, pela mulheres egípcias e mergulharem o Egito numa Idade Média corânica.
« Eu reivindico minha liberdade sexual, o direito de não me casar, meu ateismo. As mulheres devem poder viver sua vida como bem entendem », é o desafio lançado por Aliaa.
Se fosse na França medieval, ela seria queimada na fogueira como filha do diabo ou feiticieira, pelos religiosos católicos da Inquisição. Mas a Idade Média cristã-ocidental acabou com a modernização do cristinianismo decorrente dos movimentos da Reforma, de Lutero a Zwinglio e Calvino, e seus estertores foram provocados pela Renascença e pelo Iluminismo, com o laicismo sacralizado pela Revolução Francesa.
Entretanto, no mundo religioso árabe, sem uma central religiosa ditadora dos dogmas, como o Vaticano, ainda é difícil se esperar uma modernização e uma leitura liberal do Corão, para se chegar à moderação e a uma separação do poder divino e poder temporal como aconteceu na Europa. Além disso, a divisão entre sunitas e xiitas (minoritários), é relativizada pela ascenção dos integristas que pregam o retorno à chariá, a aplicação literal da lei do Corão, uma lei que poderia ter seu lugar naqueles anos do VII século, mas hoje é uma lei cruel e desumana.
Por que a importância do desafio de Aliaa Magda Elmahdy ? Porque a tendência hoje, nos países transformados pela « primavera árabe » é a do poder político ser tomado pelos Irmãos Muçulmanos, movimento integrista combatido na tentativa panarábica do líder laico, anticolonialista e não religioso Gamal Abel Nasser. Para Nasser, a tentativa frustrada de unificação árabe visava criar uma frente contra os países colonialistas, Inglaterra e França principalmente, para desenvolver os países árabes.
Os integristas de hoje estão conseguindo a unificação árabe pela religião e, embora os inimigos sejam praticamente os mesmos, os ocidentais, mas as consequências serão desastrosas. O integrismo islamita se alimenta da pobreza, já que os donos do petróleo não souberam distribuir a riqueza nem instaurar regimes com participação popular.
A instauração da chariá é o retorno literal aos preceitos do Corão com punições físicas, tortura e morte, em nome de uma rigorosa moralização dos costumes. E as principais vítimas são as mulheres, que retornam a ser meros objetos, obrigadas a cobrir todo o corpo a fim de não tentarem os homens. Justamente quando estavam conquistando alguns dos direitos mais que comuns entre as mulheres ocidentais.
Evidentemente, existe a exceção turca, país muçulmano que optou pela laicidade, na queda do Império Otomano. O risco é o dos islamitas, usando de força e inquisição, acabarem com sociedades muçulmanas liberais como a existente na Tunísia. Quanto ao Egito, parece já ter o destino selado, devendo ser proibido mesmo às turistas se bronzearem nas praias.
Em termos futuros, basta se imaginar a presença de governos teocráticos islamitas em frente à Europa, do outro lado do Mediterrâneo. Sem se contar a atual presença islamita dentro da Europa. E o mais absurdo é que foi o próprio Ocidente o autor desse quadro – a destruição do Iraque de Sadam Hussein e da Líbia de Kadafi foram o equivalente a retirar as barreiras que continham os xiitas do Irã e os Irmãos Muçulmanos do Egito. Abriu-se a Caixa de Pandora.
Rui Martins, jornalista, escritor, líder emigrante, em Correio do Brasil

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Victoria’s Secrets é acusada de usar algodão de fazendas que exploram trabalho infantil e escravo

Victoria's Secrets
As modelos vestem lingeries produzidas por mãos de escravos
Trabalho infantil e escravo foi explorado em fazendas de algodão orgânico em Burkina Faso, na África, que fornecem para produtos da grife britânica de lingeries Victoria’s Secrets. A informação consta em um relatório de 2008 sobre fazendas certificadas com selos de comércio justo no país e confirmada por reportagem da agência norte-americana Bloomberg News, publicada nesta sexta-feira.
O estudo de 2008 da Helvetas Swiss Intercooperation, organização sediada em Zurique, sugere que “centenas, senão milhares” de crianças poderiam estar vulneráveis a exploração em fazendas no país, na produção de algodão empregado em cadeias produtivas de marcas importantes. O produto era beneficiado e transformado em roupas em fábricas no Sri Lanka e na Índia.
A jornalista Cam Simpson passou seis semanas no país e encontrou casos como o de uma menina de 13 anos que trabalha junto da mãe em uma propriedade na colheita do algodão. Segundo a reportagem, é o segundo ano em que a adolescente trabalha no local.
A marca Victoria’s Secret usa como marketing a informação de que a maior parte do algodão provém de fazendas com certificação de produção orgânica ou de comércio justo. Parte das roupas íntimas da grife traz o percentual mínimo de “fibras orgânicas” que compõe a peça vendida.
A empresa nega ter conhecimento do relatório de 2008. A federação de fazendeiros de Burkina Faso, parceira comercial responsável por promover os princípios orgânicos e de comércio justo, também rechaça a hipótese de serem empregadas crianças nas colheitas.
Segundo a reportagem da Bloomberg, o caso mostra fragilidades de certificações de comércio justo. O segmento teve crescimento de 27% em 2010, alcançando US$ 5,8 bilhões. Parte do avanço decorre justamente da promessa das marcas de que não há exploração de trabalhadores em condições sub-humanas.
Neste ano, no Brasil, a marca espanhola Zara, da empresa Inditex, foi acusada de explorar trabalho escravo no interior de São Paulo. Imigrantes bolivianos estavam entre as pessoas libertadas por fiscais do Ministério Público do Trabalho e do Ministério do Trabalho e Emprego. A companhia ainda negocia um termo de ajuste de conduta (TAC) com os promotores que acompanham o caso e viu sua imagem ser desgastada pelo amplo alcance internacional da notícia.

Devendo R$ 100 mi e baixo Ibope, Rede TV! naufraga



Devendo R$ 100 mi e baixo Ibope, Rede TV! naufraga
Foto: Felipe L. Gonçalves/Edição/247
Emissora de Marcelo de Carvalho e Amilcare Dallevo balança; dívida é com Banco Rural - e audiência está inferior à da TV Cultura; mulher de Carvalho, Luciana Gimenez está sem salário há quatro meses; mas Daniela Albuquerque, patroa de Dallevo, recebe em dia; pânico geral!!!
A Rede TV! vive seu pior momento em 12 anos de história na concorrida e quase monopolizada TV aberta brasileira. Apresentadora do SuperPop, Luciana Gimenez anda conversando com a Band. Casada com o sócio minoritário da emissora, Marcelo de Carvalho, a ex-modelo viu completarem quatro meses sem salário, enquanto Daniela Albuquerque, mulher de Amilcare Dallevo (o sócio majoritário), que aparece num programa matinal, está com o salário em dia – e assim permanecerá, em seu período de gravidez.
E a retirada de pro-labore para ele [Marcelo] também ficou complicada. Agora, é Marcelo quem espalha a possível venda para um grupo americano chamado Global Eagle, supostamente ligado à MGM. Contudo, nenhuma transação será efetuada se não for resolvida a pendência com o Banco Rural, hoje aproximadamente de R$ 100 milhões. Para quem não sabe, Rural e TV Ômega (razão social da emissora) se digladiam na justiça há anos, onde correm quatro processos diferentes.
Num deles, sigiloso, o banco revela procedimentos contábeis e financeiros da TV Ômega com os quais, literalmente, não concorda. Os problemas da emissora não param por aí. A audiência, na média, nos últimos dias, conseguiu ser inferior a da TV Cultura. O programa jornalístico comandado por Kennedy Alencar, no final da tarde, Tema Quente (patrocinado pela Petrobras), tem audiência média de 0,2.
O diretor da Rede TV! Marcelo Meira planeja, como já aconteceu com o SBT, executar uma estratégia de redução de salários. Ficam de fora o pessoal do Pânico na TV (dá audiência e faturamento) e a superintendente artística Mônica Pimentel (mais de R$ 100 mil mensais). Para piorar, a emissora não conseguiu até agora certidão negativa (Receita e INSS), que está completando quatro meses de vencimento de sua concessão de funcionamento no Ministério das Comunicações.
Fica a pergunta: a Rede TV! terá o mesmo destino da sua antecessora, a TV Manchete do polêmico empresário ucraniano Adolpho Bloch?
De: 247,com informações do portal Panorama Mercantil

China: 100 anos sem imperadores

publicado em recortes por diana guerra

Há cem anos a China mudou a direcção da sua História. Depois de milénios de governação imperial, uma série de revoltas e manifestações violentas forçou o imperador Puyi, de apenas seis anos, a abdicar. A 1 de Janeiro de 1912, a China tornava-se uma República.
 
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Pintura Dinastia Qing, Aqueduto de Bamboo em Hong Kong, 1843.
A 12 de Fevereiro de 1912, a vida do último imperador da China e a própria história da China mudariam para sempre. A revolução de Xinhai (que decorria desde Outubro do ano anterior) precipitara os acontecimentos e o imperador Puyi, com apenas seis anos e dias depois de instaurada a república, acabou por abdicar do seu título. Foi o fim da era da dinastia de Qing, que reinava desde 1644, e dos imperadores na China. O país era governado por imperadores desde 3500 A.C.
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Pintura Dinastia Qing, Cidade de Nanking, 1843.
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Pintura Dinastia Qing, Ataque e captura de Chuenpee perto de Canton, 1843.

A dinastia Qing mostrava dificuldades em manter as fronteiras e modernizar o país desde a segunda metade do século XIX e no final do século surgiram os primeiros grupos de contestação do poder imposto. Ao longo dos anos, as vozes opositoras do regime tornaram-se mais fortes, criticando o poder da minoria Manchu (provenientes da província da Manchuria à qual a dinastia Qing pertencia) que reinava sobre a maioria Han, grupo étnico que representa 92% da população chinesa. Soldados, homens de negócio, grupos de direitos civis e intelectuais juntaram-se e levaram a cabo várias revoltas e motins por todo o país.
Nos primeiros anos do século XX assitiu-se a uma escalada de violência que punha em causa o regime. Os revoltosos pretendiam tomar o poder a 6 de Outubro de 1911 mas, devido à falta de meios, adiaram as movimentações. No entanto, devido à explosão acidental de uma bomba, os acontecimentos precipiratam-se e a revolta instalou-se por toda a China a 10 de Outubro. Rapidamente, a cidade de Wuchang foi tomada pelos manifestantes. Seguindo o exemplo, outras cidades por todo o país também foram tomadas.
Numa tentativa de acalmar os ânimos da população, o governo da família Qing elegeu Yuan Shikai primeiro-ministro a 1 de Novembro, um cargo inexistente até então e que retirava a Puyi o seu poder absoluto. Dois dias depois, a corte aprovou os Dezanove Artigos, documentos legais nos quais constava a alteração do sistema autocrático (em que o imperador tinha poderes ilimitados) para uma monarquia constitucional.
Contudo, estas alterações ocorreram demasiado tarde. Os revoltosos exigiam a instauração de uma república e as manifestações continuaram. Com o país à beira da guerra civil devido às tensões entre as províncias do norte e do sul, era urgente chegar a um acordo. A 18 de Dezembro, foi feita uma decisão. Yuan Shikai forçaria o imperador a abdicar, tornando-se o pirmeiro Presidente da República da China. Finalmente, o primeiro dia da República chegou, a 1 de Janeiro de 1912, e a 12 de Fevereiro Puyi assinava a abdicação. Tinha apenas seis anos.
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Puyi, 1909.
Durante a primeira parte da sua vida, o último imperador da China esteve ligado ao poder. Recuperou-o momentaneamenteno período de 1 a 12 de Julho de 1917. De 1932 a 1945, reinou sobre a província da Manchúria, tornando-se um imperador fantoche ao serviço dos japoneses. Depois da II Guerra Mundial, toda a sua influência desapareceu. Foi preso pelo Exército Vermelho, passando os dez anos seguintes na prisão, passando por privações que nunca tinha conhecido. Quando saiu, levou uma vida modesta: apoiou publicamente o Partido Comunista e trabalhou nos Jardins Botânicos de Beijing e nos Arquivos do Governo. Acabaria por morrer em 1967 vítima de cancro renal.
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Puyi, 1922.
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Puyi em Xuantong (imagem da esquerda).Puyi em Manchukuo (imagem da direita).
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Mao Tse Tung, lider dos comunistas chineses, dirige-se a alguns dos seus seguidores.

A vida de Puyi é retratada no filme "O Último Imperador" de Bernardo Bertolucci, baseado na autobiografia escrita pelo imperador.
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Cidade Proibida de Beijing.
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Cidade Proibida de Beijing.
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Cidade Proibida de Beijing.

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