sábado, 20 de outubro de 2012

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A mais bela derrota da eleição gaúcha

Por Luiz Cláudio Cunha
Especial para o Sul21
A política regalou em 2012 mais um superlativo à coleção de máximas de Rio Grande: a mais bela derrota das eleições municipais de 7 de outubro.
O surpreendente revés de Fábio Branco, prefeito candidato à reeleição pelo PMDB, traduz significados mais extraordinários e inspiradores do que a inesperada vitória de seu concorrente, Alexandre Lindenmeyer, do PT. Quando as urnas foram abertas, apenas 3.215 eleitores da cidade haviam votado em branco entre os 116.644 votos válidos. Mas, somando a votação do vitorioso aos dos outros três candidatos nanicos não eleitos, a conta final mostra que 57% do eleitorado decidiu não votar em Branco, o Fábio.
Somados aos 5,67% de votos não válidos (brancos e nulos), mais de 62,5% dos eleitores de Rio Grande rejeitaram o voto em Branco. É sempre bom lembrar que, na base dessa sanção popular, pode estar um filho ilustre e uma figura superlativa da cidade, que sobrevoa como um fantasma a história do país e a biografia do prefeito: o general Golbery do Couto e Silva (1911-1987).
Branco, o prefeito, e Golbery, o general: o branco na história e nas urnas. | Foto: riogrande.rs.gov.br

rio grande golbery
Prefeito Fabio Branco e major lançam homenagem a Golbery | Foto: Fernanda Miki/Prefeitura de Rio Grande
Um ano antes da eleição, o prefeito ousou usar eleitoralmente a imagem do general que foi figura chave na queda do presidente João Goulart e na conspiração do golpe de 1964, sem considerar a afronta que cometia à memória dos brasileiros — aí incluídos os seus conterrâneos da cidade e do Estado.

Era agosto de 2011, o mesmo mês em que o Rio Grande do Sul lembrava com orgulho o cinquentenário da resistência do povo gaúcho na Campanha da Legalidade de 1961, que garantiu a posse de Jango contra o manifesto golpista escrito pelo coronel Golbery e lido pelos ministros militares. Insensível à história dos gaúchos, Branco atravessou descuidado aqueles dias de festa do povo gaúcho para plantar em praça pública um busto em homenagem ao general Golbery que, entre outras façanhas, gerou o SNI, criatura do regime onisciente que ele tardiamente deserdou como “monstro”.
O exagero na terra dos superlativos sepultou precocemente as pretensões eleitorais do prefeito, que tinha a obrigação de honrar a memória de sua gente e de respeitar a história de sua própria cidade. Por alguma razão, Branco desdenhou o que era e ignorou onde estava.
A cidade gaúcha de 200 mil habitantes, a 317 km de Porto Alegre, já tem o segundo porto mais movimentado de cargas do país (atrás de Santos) e é o centro mais rico da empobrecida Metade Sul do Estado. Sua refinaria e o dinamismo do porto, onde escoa boa parte da produção agropecuário da região, dão a Rio Grande o 4º maior PIB estadual, atrás apenas da capital, de Canoas e de Caxias do Sul.
Economia em alta: em março, em Rio Grande, ocorreu a 1ª Feira do Polo Naval do RS, com produtos focados na área | Foto: Claudio Fachel/Palácio Piratini

A situação ainda deve melhorar com a implantação do Polo Naval, que inclui o investimento de R$ 14 bilhões na construção de diques, estaleiros, navios e plataformas marítimas para exploração de petróleo. Trinta empresas estão instaladas na área, sete em construção e outras 22 em projeto, gerando cerca de 40 mil empregos diretos e indiretos até 2017 nos setores de fertilizantes, logística, alimentos, madeira, química e metalurgia.
Só a Petrobrás emprega ali seis mil operários para construir três grandes plataformas — uma delas, a P-55, considerada pela empresa como a maior plataforma semissubmersível já construída no país. Um novo cais de 4.580 metros vai ancorar ali o maior estaleiro naval do continente, capaz de construir quatro plataformas simultaneamente. Tudo isso fará a população dobrar para 450 mil habitantes em 2020 e deve quadruplicar o orçamento anual do município, batendo em R$ 800 milhões.
Rio Grande, com tudo isso, não poderia ficar de fora da bíblia dos superlativos, o livro dos recordes, o Guinness Book, que lhe conferiu a duvidosa glória de ter a mais extensa praia do mundo: Cassino, uma ventosa franja de areia e mar aberto, frio, feio e cinzento que se prolonga por 254 tediosos quilômetros em linha reta até Chuí, o extremo sul do Brasil. Há quem goste.
O nome vem dos tempos feéricos em que o jogo era permitido no Brasil e dava emprego a 40 mil pessoas nos salões de jogos de 70 cassinos espalhados pelo país. Um dos salões estava no antigo hotel Stella Maris, o local mais frequentado do balneário mais antigo do litoral brasileiro, inaugurado em Rio Grande em 1890 e que deu o nome à praia do Cassino, distante apenas 18 km do porto. A decadência do balneário começou em 1946, quando o presidente Eurico Gaspar Dutra assinou o decreto que proibiu as roletas e o jogo.
O marechal mandava no país, mas quem mandava nele era Carmela Teles Leite Dutra, sua mulher. ‘Dona Santinha’, como gostava de ser chamada, era uma rotunda e pia senhora católica, que segundo a lenda mudou a história em 1946, impondo ao marido presidente as leis que tornaram ilegais no país os cassinos e o Partido Comunista Brasileiro, dois pecados mortais que sua fé extremosa não admitia.
Dona Santinha, a patroa, e o presidente Dutra. | Foto: Revista Life

Exatamente meio século depois, surgiu no pano verde do poder em Rio Grande um sobrenome ainda mais superlativo do que o santo apelido da monacal patroa de Dutra: os Branco, a dinastia política mais duradoura da história recente do Rio Grande do Sul. Nos últimos 16 anos, desde 1996, havia sempre um Branco na prefeitura da cidade, a partir da democracia restaurada pela Constituinte de 1988. Nas duas décadas anteriores de ditadura, sob a mão dura do poder verde-oliva do AI-5, o povo foi banido das urnas pelas cartas marcadas dos militares, que transformaram Rio Grande em ‘área de segurança nacional’. Prefeito naqueles tempos, graças ao pretexto do porto superlativo, só era nomeado pelos quartéis.
O primeiro Branco da dinastia riograndina surgiu em 1996, quando 33 mil votos levaram Wilson Mattos Branco à prefeitura. Perdeu a reeleição em 2000, vítima de um AVC no final do mandato. Foi substituído às pressas pelo assessor e sobrinho, um jovem de 29 anos chamado Fábio Branco, eleito com 51 mil votos e o braço amigo de um poderoso padrinho político, o deputado federal Eliseu Padilha. Em 2004, o bastão da família foi repassado para Janir Branco, filho de Wilson e primo de Fábio, eleito prefeito com 83 mil votos. Na eleição seguinte, 2008, Fábio voltou à prefeitura, a bordo de 60 mil votos. Se tivesse sido reeleito, agora em 2012, Fábio completaria duas décadas de Branco na prefeitura da cidade — o tempo de poder que PSDB e PT, em épocas distintas, sonharam viver no Palácio do Planalto.
Alexandre Lindenmeyer: uma vitória descoberta na véspera | Foto: Flickr

O longevo projeto dos Branco foi interrompido pela inesperada vitória do advogado Alexandre Lindenmeyer, ex-vereador e atual deputado estadual pelo PT. Foi uma revanche pessoal, já que Alexandre tinha perdido a prefeitura justamente para Fábio em 2000. A derrota parecia que iria se repetir agora, já que Fábio Branco, além de liderar um guarda-chuva de 15 legendas na sua coligação, vencia em todas as pesquisas com boa folga. Três dias antes da eleição de 7 de outubro, o semanário Folha Gaúcha dava oito pontos de vantagem ao candidato do PMDB contra o do PT: Branco tinha 45,8% da preferência e Lindenmeyer, 37,9%.
Na véspera da eleição, acendeu o sinal amarelo: o jornal Agora publicou pesquisa do Instituto Studio indicando uma virada no eleitorado. Lindenmeyer ultrapassava Branco, com 38,1% contra 36%. Um número elevado de eleitores, 17%, mostrava indecisão na boca da urna, enquanto Branco aparecia com a maior taxa de rejeição, 20,2%.
Devia ser, em parte, alguma vindita do eleitor contra o desdém de Branco à opinião do cidadão comum e à historia como um todo. Negligência que atingiu seu ápice com a desastrada homenagem a Golbery, aliás uma ideia alheia que o jovem prefeito comprou sem reservas. Quem teve a iniciativa foi outro riograndino ilustre, igualmente polêmico: Ronald Levinsohn, dono no Rio de Janeiro do complexo Univercidade, com 35 mil alunos, e hoje próspero fazendeiro no Oeste da Bahia, onde já teve 400 mil hectares. Ficou tristemente famoso em 1983, envolvido num dos mais rumorosos escândalos financeiros do regime militar: a quebra do Grupo Delfin, a maior empresa de poupança privada do país, que tinha três milhões de depositantes espalhados em 83 agências país afora. Sofreu intervenção do Banco Central apesar do braço camarada do amigo e general Walter Pires, então ministro do Exército do Governo Figueiredo.
Levinsohn tinha outro amigo general: Golbery do Couto e Silva, nascido em Rio Grande como ele. Em 2009, dois anos antes do centenário de nascimento do general, Levinsohn ligou para um vereador do PMDB na cidade, Renato Albuquerque, e disparou:
— Renato, tu não acha que tá na hora de fazer uma homenagem para uma pessoa tão importante como o Golbery?
O vereador achou, e o prefeito embarcou na onda. Entre outras benfeitorias, lembraram que Golbery, chefe da Casa Civil de dois presidentes da ditadura (Geisel e Figueiredo), viabilizou os recursos para captar água do canal São Gonçalo, ajudou a federalizar a universidade local e transferiu o 5º Distrito Naval de Florianópolis para Rio Grande.
O chefe de gabinete do prefeito, Edes Cunha, com passagem pela ARENA, a legenda da ditadura, justificou a homenagem: “Golbery entendia a importância estratégica de Rio Grande para o Cone Sul. Dizia que a cidade era a vesícula dos mares”.
Ronald Levinsohn e Renato Albuquerque: a vesícula e o fígado

A homenagem a Golbery era, também, um soco no fígado da história nacional. O benfeitor de Rio Grande, na verdade, era um malfeitor da democracia no Brasil, contra a qual conspirou desde os anos 1950. Depois de lutar contra o nazifascismo em 1944, na FEB enviada ao front italiano, o coronel Golbery virou o fio e começou sua carreira de conspirador. Carrega na sua folha funcional o raro privilégio de ter derrubado João Goulart duas vezes.
Em 1954, quando Jango era ministro do Trabalho de Getúlio Vargas, Golbery redigiu o manifesto de 82 coronéis e tenentes-coronéis que protestavam contra o aumento de 100% do salário mínimo. A conspiração levou à queda de Jango. Dez anos depois, em 1964, quando Jango era presidente, Golbery ajudou a montar a conspiração civil-militar que preparou o golpe durante os três anos anteriores, sob a camuflagem do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, o IPES, que ele coordenava mobilizando 320 dos maiores empresários do país, de famílias tradicionais a poderosas corporações estrangeiras, articulados com os grandes grupos de mídia.
O general Golbery, Jango e Brizola: o cassador e a caça.

Golbery perdeu em agosto de 1961, aos 50 anos de idade, quando a resistência do povo gaúcho na Legalidade, sob a liderança do governador Leonel Brizola e o peso do III Exército, prevaleceu sobre o ultimato dos ministros militares, que se opunham à posse do vice João Goulart na vaga aberta pela renúncia inesperada do ébrio Jânio Quadros.
O autor do manifesto golpista dos ministros militares era o ubíquo Golbery. O Rio Grande do Sul ainda festejava o cinquentenário dessa épica vitória democrática quando o desastrado prefeito Fábio Branco embarcou na homenagem intempestiva ao general que afrontou a vontade do povo gaúcho e desrespeitou a Constituição.
No dia 21 de agosto, centenário de nascimento do general, Branco presidiu cerimônia na praça Tamandaré, no centro da cidade, lançando a pedra fundamental de uma placa em homenagem a Golbery. O mimo foi doado pelo amigo e conterrâneo Levinsohn. A lei proposta pelo cordato vereador Renato Albuquerque tinha sido aprovada, sem alarde, pela minoria da Câmara de Vereadores, no ocaso de 2009. Só seis vereadores, menos da metade dos 13 integrantes da Câmara, votaram a favor, com dois votos contra.
Cinco estavam ausentes, entre eles o vereador Lindenmeyer, agora eleito prefeito. A lei nº 6.835 foi assinada na surdina dez dias depois pelo prefeito Fábio Branco, no dia 31 de dezembro, quando a cidade e o país, desatentos, só tinham ouvidos para o espocar das rolhas de champanha e os fogos de artifício da madrugada do réveillon.
Cobrado pela contradição histórica eternizada na praça entre o general de duas faces, simultaneamente benfeitor municipal e malfeitor nacional, o prefeito erigiu um dos mais majestosos monumentos à boçalidade política, dando uma resposta que ficará como marco pétreo à leviandade de todas as épocas:

— Eu não quero fazer juízo sobre a ditadura de 1964. Eu nem era nascido… — respondeu o jovem de 40 anos. Parido no ano da graça de 1971, quando o país padecia sob o tacão de ferro e sangue do general Emílio Garrastazú Médici, seu conterrâneo gaúcho de Bagé, o prefeito Branco afrontava também a memória do próprio partido, o PMDB, herdeiro do MDB velho de guerra e do PTB de Jango e Brizola, as legendas e líderes mais perseguidos pelo regime confabulado por Golbery e seus comparsas durante os 21 anos de arbítrio.
A heresia de Branco, confissão de um crime de lesa-memória, passou em branco pelas lideranças políticas do partido, do Estado e do país. Só não sobreviveu ao julgamento implacável do povo de Rio Grande. Nenhum deputado, nenhum senador do Congresso Nacional, fechado três vezes pelos atos de força do regime do malfeitor Golbery, se sentiu ofendido pela explícita leviandade do prefeito bobinho de Rio Grande. Nenhum líder histórico do velho MDB ou do novo PMDB, todos nascidos e crescidos bem antes das malfeitorias antidemocráticas de Golbery, contestou a frase boboca do prefeito Branco, que também não deve ter nenhum juízo sobre o nazismo e a escravidão, detalhes escabrosos da história ocorridos muito antes de seu nascimento.
É mais prudente ficar com a opinião de um jovem e corajoso historiador de Rio Grande, Chico Cougo, de tenros 25 anos, nascido em 1987, 16 anos depois do prefeito sem juízo, quando o país vivia sob a democracia adolescente da Nova República de José Sarney.
“A urna pune”, escreveu Cougo em seu blog (www.memoriasdochico.com), com o senso histórico que o Branco prefeito de Rio Grande ainda não conseguiu apreender em sua cachola. Foi ele que escancarou na Internet a incrível e desmiolada travessura do prefeito de sua terra, garantindo a ele lugar cativo na crônica política do país. Cougo observou outra coisa muito importante: Renato Albuquerque, o vereador que comprou a evanescente ideia de Levinsohn transformada em lei inconsequente por Branco, não conseguiu se reeleger. Teve míseros 1.152 votos — 717 votos menos do que as 1.869 assinaturas colhidas num manifesto na Internet protestando contra o monumento na praça a Golbery.
O surpreendente resultado das urnas não mostra apenas que Rio Grande não votou em Branco.
A eleição guarda uma lição ainda mais superlativa.
A boçalidade em política não passa em branco pela memória do eleitor.
Luiz Cláudio Cunha, jornalista, nunca vota em branco.
Cunha.luizclaudio@gmail.com

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Caso de adoção na Bahia pode revelar esquema de tráfico de crianças, diz ministra

Alex Rodrigues - Agência Brasil 
Brasília – Após informar que a Secretaria de Direitos Humanos identificou que o juiz que autorizou que cinco crianças de uma mesma família do interior baiano fossem retiradas do convívio com os pais e entregues para adoção a quatro casais de São Paulo infringiu ao menos dez aspectos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a ministra Maria do Rosário sugeriu que o caso pode indicar a existência de um esquema de tráfico de crianças.
“O caso desvela a existência de uma rede organizada, de uma quadrilha que pode estar vendendo as crianças. Por isso precisamos atuar de forma muito rigorosa”, disse a ministra, revelando que há tempos o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já vinha analisando o caso de Monte Santo (BA), com o acompanhamento de autoridades federais.
Embora tenha evitado prejulgar a decisão do então juiz da comarca de Monte Santo, Vitor Xavier Bizerra (que chegou a dizer que tomou a decisão com base em um parecer técnico de uma assistente social de que os pais das crianças eram negligentes), a ministra questionou o modo e a rapidez com que as crianças foram retiradas da casa dos pais, separadas, entregues a quatro casais de São Paulo e levadas para outro estado sem que os parentes e o Ministério Público fossem ouvidos.
“Essas crianças foram retiradas de casa em tempo recorde. Em dois dias já haviam saído de seu estado de origem e viajado para outro estado. Isso demonstra não apenas um ato de má-fé, mas um ato, talvez, criminoso, envolvendo dinheiro e recursos, o que deve ser apurado nas investigações [em curso]”, disse a ministra, acrescentando que, se ficar comprovada a intenção criminosa, os responsáveis serão responsabilizados de acordo com a lei.
Segundo Maria do Rosário, as famílias que receberam as crianças também deverão ser ouvidas já que “no afã” podem ter “adotado procedimentos inadequados”, procurando “outros caminhos que não o sistema estabelecido”. De acordo com a ministra, após serem retiradas de casa, as crianças não chegaram a ser inscritas nos cadastros estadual ou nacional de adoção. O juiz, por sua vez, ao autorizar que as crianças fossem entregues às famílias paulistas, não respeitou a ordem de inscrição, dos cadastros, das famílias interessadas em adotar um filho. A secretaria ainda está apurando inclusive se as quatro famílias constam das relações de interessados na adoção de crianças.
“Devemos analisar tudo, estarmos atentos para que todas as famílias que buscam adotar uma criança tenham uma resposta em tempo razoável, mas não sejam levadas a adotar procedimentos inadequados”, concluiu a ministra.
 
Edição: Aécio Amado
  • Direitos autorais: Creative Commons - CC BY 3.0

Plínio, quem é você que não sabe o que diz?

Plínio de Arruda Sampaio, oriundo do antigo Partido Democrata Cristão (PDC), de onde também veio Mário Covas, tranformou-se em íncone de certa esquerda. Do alto de sua polpuda e merecida aposentadoria, Plínio fez o caminho inverso do PT, passou de posições moderadas para um extremismo moralista. Adotou a ironia como método de debate e transborda ressentimento, além de adotar um ar professoral que dá a impressão de arrogância.
Não sei o que explica a declaração de Plínio sobre a necessidade de derrotar Haddad e seus elogios a Serra. Certamente não é caduquice. Porém, não se confunda a posição de Plínio com a do PSOL. Pelo que li, o PSOL adotou a posição de "nenhum voto a Serra". Rapidamente, meus companheiros petistas já foram às redes sociais, misturar alhos com bugalhos e "provar" que o PSOL é linha auxiliar dos tucanos. É um palpite tão infeliz quanto o de Plínio sobre a eleição paulistana. Um modo esperto, mas pouco inteligente de coesionar a base atacando os adversários pela esquerda.
Colunistas falam sobre o processo de "peemedebização" do PT. Sem entrar nesse debate, por enquanto, convém lembrar que, nos "tempos gloriosos" do PT, na década de 80, não foram poucas as vezes em que os petistas foram acusados de auxiliar a direita: seja por não apoiarem o PMDB (maior partido de oposição da época), seja por criticarem Brizola (que denominavao PT de "UDN de macacão"). Alguns petistas repetem esse erro, cegos diante das disputas concretas.
Por fim, numa hipotética disputa Serra x Plínio, eu não teria dúvidas: votaria no Plínio.
Confira a música "Palpite Infeliz", de Noel Rosa, na voz da incrível Joyce.
 

MPF denuncia coronel Brilhante Ustra por sequestro qualificado na ditadura

O coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, em foto de 2008 (Foto: Adriano Machado / Editora Globo)Ex-chefe do DOI-Codi é acusado de sequestrar Edgar de Aquino Duarte, em 1971

O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo denunciou nesta quarta-feira (17) à Justiça Federal o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra pelo crime de sequestro qualificado. Ustra foi comandante do Destacamento de Operações Internas de São Paulo (DOI-Codi) no período de 1970 a 1974.
Na ação, o coronel reformado é acusado, juntamente com os delegados Alcides Singillo e Carlos Alberto Augusto, ambos da Polícia Civil, de sequestrar Edgar de Aquino Duarte, em junho de 1971. Duarte era, segundo o MPF, corretor de valores.
Os procuradores disseram na ação que Duarte ficou preso, ilegalmente, nas dependências do DOI-Codi e depois no Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo até meados de 1973. “O paradeiro da vítima, após 1973, somente é conhecido pelos denunciados”.
Edgar de Aquino Duarte, nascido em 1941, no interior de Pernambuco, foi fuzileiro naval na juventude. Em 1964, logo após o golpe militar, foi expulso das Forças Armadas, acusado de oposição ao regime. Foi viver no exterior, e voltou ao Brasil em 1968, quando passou a morar em São Paulo, com o falso nome de Ivan Marques Lemos.
No final da década de 1970, dividiu apartamento com um antigo colega da Marinha, José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo, detido pela polícia em 1971.
De acordo com o MPF, vários depoimentos mostram que, na época, Duarte não tinha nenhum envolvimento com qualquer tipo de resistência ao regime militar. Primeiro montou uma imobiliária e depois passou a trabalhar como corretor da Bolsa de Valores, atividade que exerceu até ser sequestrado. Os procuradores também encontraram documentos do 2º Exército que atestam que Duarte não pertencia a nenhuma organização política e que de fato atuava como corretor de valores.
“Os registros demonstram que Duarte foi citado pelo menos cinco vezes no depoimento prestado pelo Cabo Anselmo ao Dops. Nove dias depois, a vítima foi sequestrada pelo mesmo Carlos Alberto Augusto e mantido ilegalmente na prisão até 1973, quando desapareceu. Há suspeitas de que Duarte foi sequestrado apenas porque conhecia a verdadeira identidade do Cabo Anselmo, informante do regime”, diz o MPF.
A tese do MPF de que o crime cometido contra Edgar de Aquino Duarte não está prescrito é baseada em três decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), “que autorizaram a extradição de agentes acusados pelo Estado argentino de participação em sequestros realizados há mais de 30 anos”. 
O advogado do coronel Ustra, Paulo Alves Esteves, disse que ele não se lembra de nenhum detido com o nome Edgard Aquino Duarte. Nos depoimentos que já deu sobre sua atuação no DOI-Codi, o coronel já afirmou que nunca efetuou prisões ilegais. Ele também disse que "jamais permitiu torturas". 
AC

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Em 1854, nascia Oscar Wilde


Oscar Wilde

Oscar Wilde nasceu em 16 de outubro de 1854 em Dublin, Irlanda. Filho de William Robert Wilde, cirurgião-oculista que servia à rainha. Sua mãe, Jane Speranza Francesca Wilde, escrevia versos irlandeses patrióticos com o pseudônimo de Speranza.

Foi educado no Trinity College, Dublin e mais tarde em Oxford. Lá ele recebe a influência de Walter Pater e da doutrina da "arte pela arte". Em 1879, vai para Londres, para estabelecer-se como líder do "movimento estético". Em 1881 é publicada uma coletânea de seus poemas. Em 1882, sem dinheiro, aceita participar de um ano de viagens entre USA e Canadá. Essa viagem lhe rendeu fama e fortuna.

Em 1884, casa-se com a bela Constance Lloyd. Com a publicação de "Retrato de Dorian Gray", sua carreira literária deslancha. Oscar e Constance tinham 2 filhos: Cyril e Vyvyan. Mas uma noite, Robert Ross, um hóspede canadense jovem, seduziu Oscar e forçou-o, finalmente, a confrontar-se com seus sentimentos homossexuais que o perseguiam desde a época em que era estudante.

Anos depois Oscar foi preso com acusações de conduta homossexual e sentenciado a 2 anos de prisão com trabalhos forçados, sendo a última parte em Reading Gaol. As condições calamitosas da prisão causaram uma série de doenças e o levou às portas da morte. Foi declarada, ainda, sua falência.

Morreu como um homem arruinado em 30 de novembro de 1900.

De: Pensador UOL 

Assessor de senador tucano cria falsa página de Haddad


De: Pagina2
João Guariba, assessor do senador Aloysio Nunes Ferreira postou ontem em sua conta no twitter um site que contém propostas falsas atribuídas a Fernando Haddad. A página, desenhada de forma a se parecer com o site oficial do candidato petista afirma que lá estão as verdadeiras propostas de Hadad, como a construção de “50 escolas de lata” e a volta das taxas de lixo e iluminação públicas, criadas no governo Marta Suplicy.
Guariba é ligado a José Serra e tem usado sua conta no twitter para atacar a campanha de Haddad e sugerir que o ex-presidente Lula precisa de um Habeas Corpus preventivo. O assessor do senador tucano afirma que Lula será o próximo condenado pela Justiça.
Quando a página “Propostas de Haddad 13”, é mais um exemplo do jeito tucano de fazer campanha. Em uma das “propostas”, afirma-se que Haddad vai criar 50 escolas de lata, mas não traz nenhum dado ou indício que aponte neste sentido. “Esta é até óbvia. Haddad foi um Ministro da Educação que só meteu os pés pelas mãos. E como o PT tem, historicamente, uma queda por escolas construídas de forma porca, pode ter certeza de que essa praga vai voltar. Se você quer seus filhos estudando um verdadeiros fornos (sic), sem conforto, sem estrutura, é só votar no Haddad”.
Página oficial de Haddad acima e a falsa, abaixo. Logo
e identidade visual para confundir eleitores
Em outro texto, o autor diz que o governo federal “deve mais de mil creches”. A conclusão é que um político que não cria creches (a página não informa nenhuma fonte para a informação) vai acabar com o Ensino Técnico em São Paulo. O ensino técnico é o carro chefe da proposta de Serra para a área de educação.
Como assessor, Guariba recebe salário pago com dinheiro do contribuinte para fazer campanha a Serra quando o correto seria ele se licenciar do Senado para fazer parte do staff de Serra. Além disso, a página é ilegal do ponto de vista eleitoral. Ela fere direitos, deturpas propostas falsas a um candidato, se apropria do logotipo e da identidade visual para confundir o eleitorado

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

TED: Camera que filma a velocidade da luz

por   , em obvious
Incrível camera consegue filmar a propagação da luz, por imagens em um trilhão de quadros por segundo!


O vídeo (legendado em português) acima não somente torna a ciência em arte como prova mais uma vez os efeitos relativísticos de Einstein, não obstante em sua apresentação mostra o comportamente ondulatório do Tempo na disperção das partículas. É como se o Tempo fosse como o vento, invísivel aos nossos olhos, mas podemos, porém, observar sua propagação e comportamento pelas partículas que o aderem como as partículas de fumaça ao mesmo.
Luz.jpg
O vídeo tem a duração de 10 minutos, mas vale cada segundo pela explicação em palestra de seu cientísta, Ramesh Raskar, sobre a câmera que captura Imagens em um trilhão de quadros por segundo!
Para os interessados em saber melhor sobre as minhas teorias temporais, basta clicar aqui , aqui e aqui, e procurar posts anteriores.

TV Brasil mostra série especial sobre Operação Condor

Da Agência Brasil e da TV Brasil
Brasília – A união de seis países – Uruguai, Paraguai, Argentina, Bolívia, Chile e Brasil, então em regime de ditadura militar, ficou conhecida como Operação Condor. Oficialmente criada em uma reunião no Chile, em 1975, a ação conjunta visava a reprimir grupos de esquerda que contestavam as ditaduras do Cone Sul.
Foi por meio dessa ação conjunta que os serviços de inteligência trocaram informações sobre militantes políticos que moravam em outros países, fora da nação de origem. Em um primeiro momento, houve apenas troca de informações. Depois, foram operações conjuntas de prisão, tortura e troca de prisioneiros.
O historiador e coordenador do curso de história da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Enrique Padrós, conta: “Ela [a Operação Condor] significa um amadurecimento de intercâmbio repressivo, de intercâmbio de inteligência. E ocorre em um contexto em que toda a região está praticamente marcada pela imposição das ditaduras de segurança nacional, o que potencializa justamente esse intercâmbio.” A atuação do Brasil foi determinante. Para o presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Jair Krischke, “o Brasil não só criou a Operação Condor, mas também colaborou permanentemente com as ditaduras em volta do nosso país.”
A partir de amanhã (15), a TV Brasil passa a contar um pouco mais dessa história, ainda desconhecida de grande parte do país. Historiadores, parentes de vítimas, pesquisadores e documentos inéditos vão mostrar como a Operação Condor foi decisiva para a manutenção dos regimes de exceção. Com quatro reportagens, a série será exibida, sempre às 21h, no Repórter Brasil Noite, e reprisada às 8h no Repórter Brasil Manhã.

A Agência Brasil também publicará matérias sobre o tema.
Mais informações sobre a série de reportagens no portal da EBC.
Edição: Carolina Pimentel

domingo, 14 de outubro de 2012

Roxana Fontan - Malena

Gráfica da Folha de São Paulo que vazou ENEM é condenada pela Justiça a indenizar o Governo

De: Com Texto Livre

Relembrando dezembro de 2011
Gráfica terá que pagar indenização milionária por fraude no Enem
Justiça determinou que o consórcio responsável pela prova terá que pagar R$ 73,4 milhões
Estudantes e professores não esquecem, em 2009 a prova do Enem teve que ser anulada por causa do vazamento de questões. Agora a justiça determina que o consórcio formado pela gráfica Plural do grupo Folha, que edita o jornal Folha de São Paulo, terá que pagar pelos prejuízos.
R$ 73,4 milhões é o valor da indenização que será pago ao INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), a vitória foi conquistada na justiça federal. O ressarcimento serve para indenizar o INEP que na época precisou contratar emergencialmente entidades para repetir a aplicação da prova.
A justiça federal de Brasilia deu cinco dias para que o consórcio, formado pela gráfica Plural do grupo Folha, pague a multa. Se a decisão não for cumprida, o consórcio pode sofrer pena de penhora de bens para garantir que a dívida seja paga.
A prova do Enem foi retirada da gráfica Plural, que funciona em Santana de Parnaíba na grande São Paulo. Em setembro de 2009, o circuito de segurança da gráfica registrou o momento em que um funcionário saía do local com exemplares do caderno dois da prova do Enem debaixo da blusa. Depois ele tentou vender as provas para tevês e jornais.