sábado, 23 de junho de 2012

Agenda ambiental deve derrotar “lógica do capital”, diz Maria do Rosário

19/JUN/12 -  Rio+20: Agenda ambiental deve derrotar “lógica do capital”, diz Maria do Rosário


Foto: Roberto Homem
Não é possível cumprirmos questões ambientais sem derrotarmos a lógica do capital, sem incluirmos a questão da inclusão social e da superação da extrema pobreza como questão de direitos humanos. Saneamento, urbanização, sustentabilidade, não podem excluir os direitos humanos. A afirmação é da ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), durante sua participação no painel de debate “Direitos Humanos e Desenvolvimento Social”, na Arena Socioambiental, dentro das atividades da Rio + 20.
De acordo com a ministra, o desenvolvimento sustentável no Brasil deve passar pela integração com a agenda de direitos humanos. “A agenda de direitos humanos no Brasil e no Mundo deve englobar conceitos de justiça social, transparência e democracia. Os países não devem se pautar somente pela agenda dos mercados e das guerras que estão cada vez mais presentes. Questões relacionadas à cooperação devem contagiar os governantes dos estados brasileiros, bem como os chefes de Estado em todo o mundo”, destacou.
Rosário legitimou as críticas dos movimentos sociais ao modelo de crescimento econômico mundial e disse que isso poderá mudar se as questões de direitos humanos forem incluídas na pauta. “É justo que os movimentos sociais estabeleçam posições críticas. Um movimento social que se acomoda perante o Estado não produzirá os avanços necessários. Diálogo sobre gênero e superação de pobreza devem ficar no centro do debate”, defendeu.
Ao falar da questão de gênero, a ministra afirmou que "se as mulheres tivessem a mesma equidade na participação da produção que os homens, haveria uma redução drástica na marca da pobreza e o número de mortes por fome em todo o mundo".
Matriz energética – A matriz energética limpa do Brasil, segundo Rosário, é a principal demonstração de que a agenda de direitos humanos e meio ambiente possui uma nova concepção sobre os recursos naturais. Segundo ela, apesar de temos 46% da energia brasileira renovável, ainda há um longo caminho a ser percorrido para a efetiva preservação ambiental. “Temos que nos orgulhar disso, mas temos grandes tarefas à frente”, declarou.

Assessoria de Comunicação Social
 

Pleito de RancherasHQ

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Paraguai: o golpe e o dedo de Washington



Asunción: multidão pede, diante do Congresso, que presidente resista ao golpe

Por que destituição do presidente Lugo é inconstitucional. Como reage América do Sul. Quais os sinais de envolvimento dos EUA
Por Mark Weisbrot | Tradução: Antonio Martins

Atualização: 
No final da tarde desta sexta, o Senado do Paraguai, dominado por partidos conservadores, decretou o afastamento do presidente eleito, Fernando Lugo. Mas o futuro do país é incerto. No plano interno, é provável que haja resistência ao ato, visto por boa parte da sociedade como um golpe. Uma multidão permanece diante do Legislativo, e passou a pedir a dissolução do próprio Congresso, por considerá-lo ilegítimo.
Na cena internacional, a União das Nações Sul-Americanas também acaba de emitir em que frisa “sua total solidariedade ao povo paraguaio e o respaldo ao Presidente constitucional Fernando Lugo.”



Um golpe de estado está sendo perpetrado neste exato momento, sexta-feira à noite, no Paraguai.
Asunción, tarde de 22/6: Diante do Congresso, soldados apontam para os manifestantes
É esta a visão de diversos governos vizinhos. E a União das Nações Sulamericanas (Unasul) está tratando os acontecimentos desta maneira, além de levá-los muito a sério. Todos os doze ministros de Relações Exteriores (inclusive os do Brasil e da Argentina, que estão profundamente preocupados) voaram para Assunção na quinta-feira à noite, para manter contatos com o governo, e também com a oposição, no Legislativo.
O Congresso do Paraguai tenta afastar o presidente, Fernando Lugo, por meio de um procedimento de impeachment em que lhe foram dadas menos 24 horas para preparar sua defesa, e apenas duas para apresentá-la. Tudo indica que uma decisão para condená-lo já foi escrita, e será apresentada nesta noite (22/6). Seria impossível chamar este trâmite de “devido processo”, em qualquer circunstância, mas é também uma clara violação do Artigo 17 da Constituição paraguaia, que assegura o direito a defesa adequada.
O sentido político da tentativa de golpe também está suficientemente claro. O Paraguai foi controlado, durante 61 anos, pelo Partido Colorado, de direita. Na maior parte deste tempo (1947-1989), o país esteve sob ditadura. O presidente Lugo, um ex-bispo ligado à Teologia da Libertação e às lutas dos pobres, foi eleito em 2008, mas não conseguiu apoio da maioria do Congresso. Ele articulou uma coalizão de governo, mas a direita – incluindo a mídia – nunca aceitou de fato sua presidência.
Conheci Fernando Lugo no início de 2009. Impressionaram-me sua paciência e estratégia de longo prazo. Ele dizia que, dada a força das instituições alinhadas contra seu governo, não esperava ganhar tudo no presente; estava lutandopara que a nova geração pudesse ter uma vida melhor. Mas a oposição sempre foi implacável. Em novembro de 2009, Lugo teve de demitir os principais comandantes militares, devido a relatos firmes de que conspiravam com a oposição.
O impeachment foi desencadeado por um conflito armado entre camponeses que lutavam por terra e a polícia, quando morreram ao menos 17 pessoas, inclusive sete oficiais de polícia. Segundo os sem-terra, a área em disputa havia sido obtida ilegalmente por um político do Partido Colorado. Mas o confronto violento é apenas um pretexto: está claro que o presidente não teve responsabilidade alguma pelo ocorrido. Os oponentes de Lugo sequer apresentaram alguma evidência para as acusações no “julgamento” de hoje. O presiente propôs uma investigação sobre o incidente; a oposição não se mostrou interessada, preferindo partir para um procedimento judicial fraudulento.
A eleição de Lugo foi uma das muitas na América do Sul (Argentina, Brasil, Venezuela, Bolívia, Equador, Uruguai, Peru, Honduras, Nicarágua, El Salvador) em que as sociedades escolheram governos de esquerda e mudaram a geografia política do hemisfério, nos últimos 14 anos. Com a mudança, veio uma crescente unidade política em temas regionais – especialmente na resistência aos Estados Unidos, que antes tinham sucesso, ao evitar o surgimento de governos de esquerda.
Por isso, não é surpreendente a resposta urgente e imediata dos países sul-americanos a esta tentativa de golpe, vista por eles como uma ameaça à democracia. O secretário-geral da Unasul, Ali Rodriguez, insistiu que Lugo deve ter direito ao “devido processo” e ao direito de se defender. O presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou que a Unasul poderia recusar-se a reconhecer o governo pós-golpe – em cumprimento a uma das cláusulas de sua Carta.

Correa foi um dos mais duros oponentes ao golpe de Estado em Honduras, que afastou há três anos o presidente Manuel Zelaya. Honduras continua a sofrer violência extrema, incluindo assassinato de jornalistas e políticos opositores, sob o regime estabelecido em seguida ao golpe.
Asunción, tarde-noite de 22/6: população defende democracia diante do Congresso
O afastamento de Zelaya foi um ponto de mudança nas relações entre os Estados Unidos e a América Latina. Governos como os do Brasil e Argentina, antes esperançosos de que o presidente Obama abandonasse as políticas de seu antecessor, desapontaram-se. Washington fez declarações conflitantes sobre o golpe e em certo ponto – em oposição ao resto do hemisfério – fez todo o possível para assegurar-se de que o golpe teria sucesso. Isso incluiu bloquear, no interior da Organização dos Estados Americanos (OEA) os esforços das nações sulamericanas para restaurar a democracia. No último Encontro das Américas Obama ficou – em contraste com o que ocorrera em 2009 – tão isolado quanto seu antecessor, George W. Bush.
O governo Obama respondeu à crise atual no Paraguai com uma declaração em apoio ao devido processo. Talvez tenha aprendido algo de Honduras e não se oponha ativamente aos esforços da América do Sul para defender a democracia. Certamente, os países da região não permitirão que Washington controle o processo de mediação, se houver um – como fez Hillary Clinton com a OEA, em Honduras. Mas Washington pode desempenhar seu papel tradicional, assegurando à oposição que o novo governo terá apoio, inclusive financeiro e militar, dos EUA. Vermos nos próximos dias.
Resta saber o quê mais a Unasul fará para se opor ao golpe de direita no Paraguai. É certamente compreensível que a organização o enxergue como uma ameça à democracia e à estabilidade na região.

Sustentabilidade de fachada

Quando uma empresa de cigarros investe em educação para 'fazer pessoas melhores' fica um cheiro meio esquisito no ar

Altos funcionários de diversos países do mundo, empresários e homens de negócios de todas as estirpes e representando os variados setores da economia, acadêmicos respeitados mundialmente, ativistas sociais e mais outras tantas pessoas 'importantes' estão reunidas no Rio de Janeiro para a Conferência Mundial Rio+20. A preocupação com o meio ambiente demorou para entrar na agenda de governos e empresas e, por isso, eventos como os que acontecem agora na Guanabara  são de fundamental importância.
Estudiosos das organizações há certo tempo constataram que o mundo corporativo, assim como as pessoas, seguem modas e modismos. Há mais ou menos oito anos empresas começaram a se preocupar em ser sustentáveis e socialmente responsáveis. A palavra de ordem virou sustentabilidade. A figura da empresa que degrada o meio ambiente pega mundo mal no mundo de hoje. Empresas também falam que começaram a se preocupar com a vida das pessoas ao seu redor, criando projetos de "responsabilidade social".
Nada contra tais iniciativas, que são, na verdade, muito bem vindas, afinal todos nós devemos lutar por um mundo melhor. Agora, quando uma empresa de cigarros investe em educação para 'fazer pessoas melhores', quando uma empresa petroleira investe para melhorar o meio ambiente e assim por diante fica um cheiro meio esquisito no ar. Há uma incoerência entre a sua atividade cotidiana e a sua dita responsabilidade social.
Vamos aos exemplos. A Profa. Liliana Segnini escreveu na década de oitenta um livro magistral chamado "Bradesco a Liturgia do Poder" (São Paulo, Educ, 1986). No texto, a Profa. mostra como o banco construía um sistema de controle e dominação para disciplinar o corpo e a mente de seus funcionários. Um dos componentes deste sistema era a instalação de escolas de primeiro grau em áreas extremamente pobres do Brasil para que as crianças, desde pequenas, fosse adestradas dentro da 'filosofia Bradesco' e um dia se transformassem em funcionários do banco. Tirava-se o beneficio da pobreza para criar desde pequeno um controle da mente, ideal para ter funcionários que não questionam e amam a empresa.
Ola Bergström e Andreas Diedrich, da Universidade de Gotemburgo, publicaram um artigo acadêmico recente no periódico Organization Studies mostrando como uma empresa sueca de alta tecnologia recebeu prêmios por ser 'socialmente responsável' no mesmo ano em que demitiu 10.000 funcionários. Isso porque muitos dos selos e prêmios de responsabilidade social e sustentabilidade são baseados na análise de relatórios que geralmente são maquiados para vender as iniciativas da empresa como sendo melhores do que realmente são. São quase uma obra de ficção. Além disso, os professores suecos mostram como a empresa, por ser grande e ter muito poder, conseguiu influenciar para conseguir o tal prêmio, apresar de ter feito um dos maiores cortes de funcionários da sua história.
A moda da sustentabilidade e da responsabilidade social criou toda uma indústria de consultores e consultorias especializadas, cursos, palestrantes que ajudam as organizações a criar uma imagem de serem sustentáveis e responsáveis socialmente sem que eles não mudem aspectos centrais de seu negócio que é social e ambientalmente irresponsável. Bobby Banerjee, professor e pesquisador da Universidade do Sul da Austrália, possui estudos interessantíssimos em que ele mostra como a moda da sustentabilidade está centralmente fundamentada em uma lógica da racionalidade econômica, não em uma lógica ecológica.
Trocando em miúdos, isso significa que o meio ambiente virou um produto de mercado e de consumo, como qualquer outro. A consequência disso é que as empresas passam a ganhar a licença para explorar o Meio-Ambiente ao seu bel prazer enquanto ficam com uma áurea de serem ecologicamente responsáveis. A preservação do meio ambiente e o respeito ao ser humano somente podem acontecer com uma mudança das relações econômicas e sociais entre as pessoas. Não há como explorar petróleo e minério e ser ecologicamente responsável ao mesmo tempo.
Não é possível querer lucros estratosféricos e respeitar a humanidade dos funcionários. Não é possível adestrar pessoas ou demiti-las ao milhares e se dizer socialmente responsável. No limite, não é possível buscar a constante maximização de resultados e ser ecologicamente e socialmente decente. Uma coisa vai excluir a outra. Dizem que o falecido Prof. Maurício Tragtengberg costumava comentr que empresas existem e servem para gerar lucro, assim como um leão é carnívoro. A rigor, não há nada de surpreendente ou de novo nisso. Porém, há algo de estranho no ar quando o leão anda pela selva dizendo que é vegetariano.
Rafael Alcadipani é professor adjunto da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Os ricaços e os 13 jatinhos ilegais

Por Altamiro Borges
Numa ação conjunta da Polícia Federal e da Receita Federal, realizada na madrugada desta quinta-feira (21), foram apreendidos 13 jatinhos de luxo utilizados ilegalmente por ricaços brasileiros. Batizada de Operação Pouso Forçado, ela envolveu 50 agentes da PF e 25 auditores fiscais e percorreu os aeroportos de Congonhas (SP), do Galeão (RJ) e de Jundiaí e Viracopos, no interior paulista.
Segundo os responsáveis pela operação, o esquema de importação irregular de jatos executivos causou prejuízos de pelo menos R$ 192 milhões com a sonegação de impostos. O valor total das aeronaves ultrapassa R$ 560 milhões – apenas um dos jatos custa cerca de R$ 100 milhões. Segundo relatou à Folha o superintendente-adjunto da Receita Federal, Marcos Prado Siqueira, essa foi a maior apreensão de bens do órgão em uma única operação.
Empresa de fachada em paraísos fiscais
As investigações da Operação Pouso Forçado começaram há um ano. Pelo esquema, brasileiros criavam uma empresa de fachada em paraísos fiscais, que firmava contrato com um banco estrangeiro para que o avião fosse registrado nos EUA. Com isso, os jatos voavam para o Brasil como se estivessem a serviço da empresa estrangeira e não pagavam os impostos de importação.
“Havia uma ocultação dos reais proprietários dessas aeronaves. Elas ficavam aqui, mantidas por brasileiros, que pagavam pilotos e arcavam com todos os custos de manutenção e de aluguel de hangares. E era para essas pessoas que as aeronaves voavam... Houve casos em que os jatos eram alugados para terceiros, funcionando como um táxi aéreo”, explica Marcos Prado Siqueira.
Globo vai mostrar a cara dos criminosos?
Os nomes dos ricaços envolvidos na ação criminosa não foram divulgados. Segundo a Polícia Federal, os responsáveis podem ser indiciados pelos crimes de descaminho e falsidade ideológica. Será que as emissoras de televisão, que adoram explorar as imagens de ladrões de galinha sendo presos e humilhados, irão atrás destes ricaços caloteiros. Como já adiantou Marcos Siqueira, os criminosos “são de gente com altíssimo poder aquisitivo, que tem todas as condições para recolher os impostos”.

Maringoni: Lugo sob ameaça de golpe no Paraguai


Sob pretexto de que o presidente Fernando Lugo teria sido negligente na resolução de conflitos agrários, Câmara paraguaia, dominada pelos partidos de direita, abriu processo de impeachment nesta quinta (21). Não é a primeira vez que setores dos grandes proprietários de terra aliados ao empresariado tentam interromper a vida democrática do país vizinho.

por Gilberto Maringoni, em Carta Maior

A Câmara paraguaia, dominado pelos partidos de direita, abriu processo de impeachment nesta quinta-feira (21) contra o presidente Fernando Lugo. Senado agora também discutirá a medida. Trata-se de um eufemismo para golpe de Estado, segundo analistas consultados por Carta Maior.
Não é a primeira vez que setores dos grandes proprietários de terra aliados de setores empresariais tentam interromper a vida democrática do país vizinho. À diferença de outras situações ao longo do século XX é que a ação atual recobre-se de uma fachada legal.
O pretexto é que Lugo teria sido negligente na resolução de conflitos agrários, como o ocorrido há uma semana em Curuguaty, próximo a fronteira com o Brasil. Na ocasião morreram nove camponses e seis policiais.
Por “negligência” entenda-se as tentativas do mandatário de resolver os problemas com negociação e não através de violência pura que caracteriza historicamente a resolução de conflitos sociais no país.
Os presidentes da Unasul, reunidos no Rio de Janeiro, colocam-se frontalmente contra o golpe. A situação em Assunção é de calma aparente. Manifestações populares de apoio começam a acontecer na capital. Em pronunciamento feito nesta manhã e transmitido pela tevê paraguaia, Lugo descartou a possibilidade de renúncia.
Foto  retirada da tevê paraguaia

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Mafalda, o filme

Tenório Jr. e a Comissão da Verdade - Joyce


Este é nosso amigo querido, Tenório Jr., maravilhoso pianista, um dos maiores do samba-jazz - na verdade, um dos pioneiros deste estilo.

Além de grande instrumentista, era também compositor de grandes temas, como 'Embalo' - que eu e Tutty gravamos em nosso CD juntos, 'Samba-Jazz & Outras Bossas' - e muitos outros, além de vários temas que ficaram inéditos depois de sua morte, aos 35.

(vejam a capa do disco abaixo, o único LP que ele lançou na vida, hoje um clássico várias vezes reeditado pelo mundo)


Tenório tinha uma inteligência impressionante, aquele humor ácido dos muito observadores, musicalidade à flor da pele. Tinha também 5 filhos e algumas compulsões, das quais, a longo prazo, precisaria se libertar. Mas não houve tempo.
Como todo o mundo sabe - e se não sabe, precisa saber - Tenório desapareceu em Buenos Aires, na madrugada de 18 de março de 1976, depois de ter se apresentado num show com Vinicius de Moraes e Toquinho. Eram as vésperas do golpe militar que deporia a presidente Isabelita Perón e jogaria o país numa longa noite ditatorial. Nosso amigo saiu do hotel para comprar cigarros, ou um sanduíche, ou um remédio - as versões são conflitantes - e nunca mais voltou. Tempos depois, o depoimento de um ex-oficial argentino que participara da repressão dava conta de que Tenório fora confundido com alguém que estava sendo caçado, numa espécie de operação pente-fino, pré-golpe. E morreu na tortura, cerca de 10 dias depois. Ele, que de política não sabia nada, nem queria saber. O ser mais apolítico que já conheci na vida, totalmente inofensivo, que só pensava e vivia para a música, foi preso, torturado e morto como se fosse um perigoso subversivo. O que, ainda que fosse, não justificaria o que ele passou.
Sua odisséia serviu como inspiração para o filme 'Os Desafinados', de Walter Lima Jr, com Rodrigo Santoro fazendo um Tenório de dar aflição a quem o conheceu (no filme, o personagem tem outro nome). É a mediunidade a serviço da arte, só pode ser, pois não existem registros visuais de nosso amigo falando, andando ou mesmo tocando, que expliquem uma composição tão precisa do ator.
Há também outra produção em andamento, do espanhol Fernando Trueba, sobre a mesma história. Trueba esteve aqui em casa e na casa de outros amigos que conheceram e conviveram com 'Seu Antenas' (apelido pelo qual eu o chamava, já que ele era uma antena ambulante para tudo o que era som), para ouvir depoimentos sobre ele. Eu estive com Tenório poucos dias antes do acontecido, pois estava na mesma turnê, da qual saí em Montevidéu, enquanto eles seguiam para Buenos Aires. Acompanhei o desespero de Vinicius, da família (o quinto filho ainda na barriga da mãe) e de toda a classe musical carioca naquele momento. Ninguém sabia o que fazer, a embaixada brasileira não podia ajudar, foi totalmente o caos. Até que o oficial argentino, numa entrevista, contasse o que realmente aconteceu. É  uma página infeliz da nossa história que merece mesmo um documentário, como este que Trueba está há anos preparando e que agora, dizem, pode ser feito em formato de animação.
Falo tudo isso porque tenho esperança de que o caso Tenório venha a ser investigado na Comissão da Verdade, que recém foi inaugurada. Sei que muitos outros casos estarão esperando - e dentre eles, alguns de gente que conheci e por quem tive diferentes afetos: meu parente Aloisio Palhano; a família Angel Jones (Stuart, Sonia e Zuzu); Ana Maria Nacinovic, minha colega de escola; e tantos outros mais. Mas embora o sequestro, prisão e morte de Tenório tenham se dado na Argentina, houve uma conivência do Brasil, no sentido de 'desaparecer' com aquele inocente que, ao sair da cadeia onde fora parar por acaso, poderia dar com a língua nos dentes e assim comprovar o que extra-oficialmente já se sabia: havia uma cooperação sinistra entre os governos ditatoriais do Cone Sul.
É esperar para ver.

Joyce, Ana de Holanda e os direitos autorais

A discussão sobre direitos autorais no Brasil foge à minha compreensão. É muito complexa. Sendo asism, a gente vai ouvindo quem entende do assunto para formar uma opinião.
Tramscrevo aqui, a opinião da cantora Joyce. Gosto muito da Joyce e acho que a opinião dela merece respeito.

Ana de Hollanda e nossos direitos

Continuam as discussões em torno das questões que cercam o direito autoral. Por incrível que possa parecer - e sei que há gente que lê este blog do outro lado do mundo, em países onde esse tipo de discussão pode até soar meio ridícula - ainda há quem pregue o retrocesso em nome da 'modernidade'. Muderno, para esses, seria o autor voltar à situação de marginalidade em que vivia no início do século XX. O pagamento justo dos direitos do autor foi conquistado duramente na década de 1970, e eu sei porque vi, ninguém me contou. Estava lá quando foi criada a SOMBRÁS, associação civil de compositores que existiu justamente para que essas reivindicações fossem feitas em nome da música, e que serviu para que fosse centralizada a arrecadação de nossos direitos, através da criação do ECAD. Se o ECAD depois se desvirtuou, errou, distribuiu mal, problema nosso, corrija-se. Mas simplesmente achar que acabar com o ECAD é solução é, no mínimo, ingenuidade.

(Agora mesmo houve uma grande reformulação na SGAE, sociedade europeia à qual pertenço, e que atravessava grave crise. Depois de discussões e debates, foi feita uma nova eleição e modificou-se a SGAE, democraticamente. Se vai dar certo ou não, isso veremos. O importante é que em nenhum momento foi proposta a extinção da sociedade. Os espanhóis não são malucos.)

O projeto da reforma do DA tramita no Senado, onde há muitos felizes senadores/proprietários de redes de rádio e TV -  concessões dadas, na maior parte, durante o governo Sarney. Estes são os grandes interessados no não-pagamento dos direitos e dizem isso abertamente, pois contam com a cumplicidade dos mudernos da internet, que, conscientemente ou não, também atendem aos interesses de grandes corporações como o Google. A questão abrange todo tipo de profissional que viva de sua arte, não apenas nós músicos. Todo criador está, no momento, com sua profissão em vias de extinção. Somos todos espécies em risco.

Vejam abaixo a fala emocionada da ministra da Cultura, Ana de Hollanda, no Senado. E, logo a seguir, um ótimo texto do jornalista Mauro Dias sobre o mesmo assunto.

http://www.youtube.com/watch?v=X0Je0Ou1yyM&feature=youtu.be


 http://migre.me/8XaTG .

Uruguay propondrá hoy legalizar la marihuana

Una planta de marihuana.El gobierno de José Mujica pretende evitar que los jóvenes consuman pasta de coca

Una planta de marihuana.

El Gobierno de Uruguay propondrá hoy legalizar la venta de marihuana para evitar que los adolescentes consuman pasta base de cocaína, considerada como causante de la virulencia de la delincuencia juvenil.
Esta es una de las medidas contra la inseguridad ciudadana que el Ejecutivo de José Mujica, del izquierdista Frente Amplio (FA), presentará en una rueda de prensa.
Fuentes del Ministerio del Interior explicaron, no obstante, que la iniciativa "requiere un proyecto de ley que todavía debe ser redactado".
Según versiones de la prensa uruguaya, el Gobierno pretende "establecer registros de consumidores" para otorgarles "hasta cuarenta cigarrillos de marihuana por mes" y la comercialización de esa droga incluirá "un impuesto para destinar a la rehabilitación de las personas adictas" a otros estupefacientes peores.
La lucha contra el narcotráfico es uno de esos problemas que parecen no tener solución en América Latina. Hasta ahora, el principal modo de luchar contra él ha sido la actuación policial y el endurecimiento de las leyes. Esta nueva tendencia de legalizar parcialmente las drogas para acabar con el tráfico negro es también apoyada por otros líderes como el presidente de Ecuador, que aboga por una legalización "parcial" para acabar con lo que denomina 'Ley seca', que fomenta el crimen organizado.