quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Hollywood entre a Esquerda e a Direita

por em 03 de out de 2012 às 02:56
“Guerra Fria, Macarthismo e Hollywood. O senador e sua política repressiva contra jornalistas, militares e todo o meio artístico hollywoodiano. A destruição da carreira de muitos por uma lista que marcou a história do cinema mundial. Um Oscar honorário criticado por muitos artistas e o retrato de um dos jornalistas mais influentes de uma época conturbada."
Guerra Fria é o termo utilizado para designar o período histórico que se iniciou após a Segunda Guerra Mundial (1945) e durou até a extinção da União Soviética (1991). Foi marcado pela disputa política, militar, tecnológica, econômica, social e ideológica entre os Estados Unidos da América (capitalista) e a União Soviética (comunista).
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A Guerra Fria teve um impacto em todos os setores enquanto existiu, criando uma onda de terror pelos Estados Unidos e seus aliados em relação a comunistas e simpatizantes do mesmo. Toda e qualquer pessoa que estivesse relacionado a política soviética era visto com maus olhos por todos.
Partindo desse principio, surgiu uma política chamada Macarthismo. Essa política foi implantada pelo Senador Joseph McCarthy e começou nos anos 40 persistindo até os anos 50. A política foi marcada pela grande repressão a qualquer atividade que ligasse algum cidadão ao Partido Comunista ou qualquer atividade relacionado ao mesmo, tratando todos os investigados como um risco para a segurança nacional do país. A política possuía uma grande falha, onde suas acusações eram sempre baseadas em argumentos de pouca força, como boatos, rumores e provas ultrassecretas que não podiam ser liberadas para o réu, para impressa e para a nação, sendo um dos mais fortes motivos para considerarem uma violação dos direitos humanos e até mesmo uma forma de censura.
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Mesmo com essas falhas a política do senador foi empregada impiedosamente por ele. Atingindo todos os setores, como os militares, a mídia televisiva e o cinema hollywoodiano. Durante esse período de repressão, foi criada uma lista chamada de “A Lista Negra de Hollywood”, onde o nome de roteiristas, atores, jornalistas, diretores e outros artistas eram colocados pela indústria do entretenimento como forma de negar emprego aos supostos comunistas e simpatizantes.
Não era preciso muito para entrar para a lista, apenas defender alguma ideia de esquerda ou simplesmente ter acesso a algum jornal considerado de esquerda pelo governo. A carreira de grandes artistas foi destruída por conta dessa lista. Alguns dos nomes que integraram essa lista foram Charles Chaplin, que foi proibido de voltar ao país após uma viagem a Europa; a atriz Barbara Bel Geddes, conhecida pelo seu trabalho na primeira versão do seriado Dallas; John Cromwell um cineastas americano, e inúmeros outros nomes que foram esquecidos pelo publico devido a lista.
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A Lista Negra recebeu ajuda de um artista, Elia Kazan, um ex-membro do partido comunista que acabou fazendo um acordo com o governo americano, divulgando nomes que faziam parte do CPUSA (Communist Party of the United States of America, em português Partido Comunista dos Estados Unidos da América). Enquanto fazia parte do partido teve acesso a inúmeros nomes e documentos que serviram como prova para o governo. Elia se tornou um cidadão americano e foi homenageado com uma medalha pelo governo. Sua atitude foi condenada pelo meio artístico e considerada até uma traição por muitos. Em 1999, recebeu um Oscar pelo conjunto da obra, um prémio honorário. Artistas como Ed Harris, Holly Hunter, Ian McKellen, Ed Begley Jr. Se recusaram a aplaudi-lo enquanto outros levantavam. O pai do ator Sean Penn foi vitima dessa lista, por conta disso foi a publico e se declarou abertamente opositor a decisão da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (órgão realizador da premiação), outros artista também fizeram declarações.
Defensores de Elia Kazan dizem que o acusa-lo de ter destruído carreiras é sem fundamento, pois os nomes já integravam a lista do governo. Em contra ponto, reafirmam que a atitude dele demonstrou seu apoio a política repressiva. Elia também foi homenageado com um lugar na Calçada da Fama, no numero 6800 do Hollywood Boulevard.
O macarthismo é um assunto até hoje polémico que foi retratado em um filme de 2005, estrelado por George Clooney (como Fred Friendly, coprodutor com Murrow do “See It Now”) e David Strathairn (como Edward R. Murrow, jornalista e personagem do programa de TV da CBS “See It Now”). Clooney também é diretor e roteirista do filme. “Boa Noite, e Boa Sorte” conta a história de Edward R. Murrow, um jornalista que foi famoso pelas transmissões de rádio durante a Segunda Guerra Mundial e que sempre se manteve contra a política imposta pelo Senador Joseph McCarthy. O filme retrata exatamente esse período de conflito com o senador. O filme recebeu o título Boa Noite, e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck) devido ao fato de ser a frase com que Edward R. Murrow sempre terminava seus programas.
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A Guerra Fria gerou épocas de muito horror e desrespeito, mas também causaram grandes revoluções em inúmeros setores, fatos que até os dias atuais podem ser percebido, e não apenas no cinema hollywoodiano, em inúmeros outros setores, como a própria política e socialmente com um grande avanço do respeito mutuo de crenças e opções pessoais. Os direitos humanos também receberam um impulso após esse período.

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