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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Folha falsifica interpretação do próprio gráfico para anunciar fantasma da inflação

Antônio David detona infográfico da Folha sobre inflação: “Piada”


O “pico” de Dilma é menor do que o índice na maioria dos anos do governo FHC
de Antônio David, via e-mail
Inflação – vejam que piada o infográfico da Folha, denunciando o “pico” no governo Dilma.
Comparem os índices no governo FHC e nos governos Lula/Dilma. O “pico” de Dilma é menor do que o índice na maioria dos anos do governo FHC. Essa imprensa é ridícula.
Antônio David é pós-graduando da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Como estava o Brasil dos tucanos 1999, segundo a revista ISTO É

Cortes nos programas sociais para cumprir metas do FMI levam Fernando Henrique a enterrar promessas de investimentos feitas na campanha

GUILHERME EVELIN E RACHEL MELLO, na ISTO É, 1999
O Brasil engatou a marcha à ré. Quatro meses depois de conquistada a reeleição, o "Avança Brasil", programa de governo apresentado na campanha eleitoral pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, ameaça virar obra de ficção. Este ano, o País deve conhecer um recuo histórico, com queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5%, diminuição da renda per capita para os níveis de 1980 e índices de inflação e desemprego na casa dos dois dígitos, o que inviabiliza as promessas feitas pelo candidato FHC de manter a estabilidade do real e ainda tocar projetos capazes de gerar 7,8 milhões de novos postos de trabalho. Segundo o professor Márcio Pochmann, especialista em economia do trabalho da Universidade de Campinas, a renda per capita no Brasil deve cair 4,8% em 1999, representando a volta ao mesmo patamar de 1980. Com a decisão de dobrar a aposta na política de arrocho ditada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), outro passo atrás vai ser dado nos próximos dias. Até a quarta-feira 24, o presidente deverá tomar uma decisão sobre novos cortes no Orçamento e nos investimentos das empresas estatais. A tesourada de até R$ 4 bilhões vai atingir em cheio os programas do Brasil em Ação, um conjunto de obras consideradas prioritárias e apresentadas na campanha como o carro-chefe da retomada do desenvolvimento. Elas serão interrompidas ou adiadas. Pior: programas nas áreas sociais não serão poupados dos cortes. O candidato que pediu votos com o bordão de que o Brasil tem rumo iniciou, assim, o segundo mandato no Palácio do Planalto na trilha oposta da redução das desigualdades. "O presidente mudou de rumo. O eleitor percebeu isso e sua popularidade caiu como nunca. Junto à população, FHC ficou com a imagem potencial de mentiroso", analisa Fátima Jordão, especialista em opinião pública.

Trabalho infantil A primeira vítima desses descaminhos pode ser a pequena rede de proteção social no País, que funcionava de forma precária mesmo nos tempos de moeda estável. A luta pela erradicação do trabalho infantil é um bom exemplo. Segundo o IBGE, cerca de 3,8 milhões de crianças entre 5 e 14 anos trabalham hoje no Brasil. Uma das vitrines do primeiro mandato de Fernando Henrique, o programa atendeu somente 74 mil crianças trabalhadoras no ano passado. Em agosto, o governo prometeu investir R$ 60 milhões para ampliá-lo. No Orçamento, metade da verba foi cortada. Na última semana, o Planalto voltou atrás, depois de protestos de entidades nacionais e internacionais de defesa dos direitos das crianças, e se comprometeu a colocar mais R$ 52 milhões no projeto. Mas não disse de onde viria o dinheiro. "Em quatro anos, erradicaremos o trabalho infantil. Se não houver recursos, vamos recorrer ao apoio de um mutirão de voluntários ", sonha a secretária de Assistência Social, Wanda Engel. A promessa não encontra respaldo nos números. Especialistas calculam que o País teria que gastar R$ 1 bilhão por ano para erradicar o câncer da mão-de-obra infantil.
Na Educação, outros projetos que enchiam os olhos do presidente Fernando Henrique já sofreram duros golpes orçamentários no final do ano passado. O Programa de Informática, que deveria equipar com mais de 100 mil computadores escolas públicas de todo o País até o ano 2000, perdeu 90% de seus recursos. Em 1998, o Ministério da Educação investiu R$ 170 milhões no programa e comprou apenas 35 mil computadores. Neste ano, estão disponíveis somente R$ 12 milhões. "Mal dá para financiar os gastos fixos do programa", reconhece o secretário-executivo do MEC, Luciano Patrício. As metas do projeto de Gestão Eficiente, que deveria melhorar as escolas públicas com compra de equipamentos e material, também ficam adiadas. O corte para este ano é de 67%. Na Saúde, ainda é difícil calcular as perdas porque o orçamento foi feito com a inclusão da CPMF ao longo de todo o ano. Como a contribuição só começa a ser recolhida em junho, projetos que vêm perdendo dinheiro nos últimos anos devem ser prejudicados. Entre eles, o de combate ao mosquito da dengue e o de infra-estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS).
Antes mesmo de os novos cortes ajudarem a alimentar a fogueira social, o governo já está sob fogo cruzado. Na última quarta-feira, ao iniciar a Campanha da Fraternidade de 1999, que tem o desemprego como tema, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma cartilha recheada de críticas à política econômica. "Existem outras formas de fazer equilíbrio fiscal. O pagamento dos serviços da dívida priva o País dos recursos que deveriam ser destinados à educação e à saúde", atacou o secretário-geral da CNBB, dom Raymundo Damasceno. O quadro das contas públicas dá razão à Igreja. A redução dos gastos está sendo feita para compensar a elevação de despesas com a amortização da dívida pública. Com a política de juros altos, somente entre 1994 e 1998, essa dívida cresceu 424%, passando de R$ 61,7 bilhões para R$ 323,8 bilhões.
Além da cúpula da Igreja Católica, o governo está sob pressão também do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O BID condiciona a liberação de US$ 4,5 bilhões, parte do socorro externo de US$ 41 bilhões coordenado pelo FMI, à garantia de que 21 programas sociais – seguro-desemprego, merenda escolar e agentes comunitários de saúde, entre outros – serão poupados do arrocho. "Nossa experiência em outros países da América Latina mostra que a população mais pobre é sempre a mais atingida nos choques econômicos. Por isso, queremos assegurar que esses projetos vão ser preservados", diz Ricardo Santiago, gerente operacional do BID para os países do Cone Sul.

120 anos Ainda que programas sociais venham a ser incluídos nesse cordão de proteção exigido pelo BID, é certo que o Brasil está perdendo, no mínimo, tempo. Estudos do próprio Banco Interamericano mostram que o País levaria 120 anos para eliminar a miséria se sua economia crescesse 2% ao ano. "O quadro social é grave. E a tendência é piorar porque não se tomam providências", diz o sociólogo Carlos Estevam Martins, professor da Universidade de São Paulo e co-autor do livro Política e sociedade em parceira com Fernando Henrique Cardoso. "Ainda é cedo para dizer que as metas do Avança Brasil são inviáveis. Trabalhamos com um horizonte de quatro anos. A partir do ano 2000, vamos modernizar o gerenciamento dos recursos, trabalhar com mais parcerias e aprender a fazer mais com menos dinheiro", rebate José Silveira, secretário de Planejamento e Avaliação do Ministério de Orçamento e Gestão. O problema é que o médio prazo pode ser um tempo longo demais. A história recente do Brasil mostra que vendavais econômicos geram movimentos sociais e instabilidade política.


"Quem acabou com a inflação vai acabar com o desemprego"

Fernando Henrique prometeu criar 7,8 milhões de empregos. A inflação está de volta. O desemprego este ano deve bater o recorde histórico.

A intenção do governo FHC era capacitar 17 milhões de trabalhadores até 2002. Em agosto anunciou para 1999 gastos de R$ 662 milhões no Plano de Qualificação Profissional (Planfor). Com a crise, o orçamento do plano foi reduzido em 50%. A meta de treinar 12 milhões de trabalhadores até o ano 2000 foi adiada por pelo menos dois anos.
"Avança Brasil"

O candidato FHC se comprometeu a aumentar o número de bolsas-escola e acabar o trabalho infantil, que hoje emprega 3,8 milhões de crianças de cinco a 14 anos. No atual ritmo, a meta é inviável.

O governo Fernando Henrique atendeu no ano passado 74 mil crianças trabalhadoras. Prometeu elevar os gastos do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) de R$ 28 milhões para R$ 60 milhões. Mas o orçamento do PETI ficou em R$ 30 milhões. O governo comprometeu-se, na semana passada, a garantir mais R$ 52 milhões, sem dizer de onde viriam os recursos. Mesmo com o suplemento, as verbas são suficientes apenas para atender 117 mil crianças.
O Programa de Garantia de Renda Mínima para crianças seria implementado este ano. A meta inicial era investir R$ 320 milhões para pagamento de bolsas-escola em cerca de 300 municípios. O corte foi de 83%. O PGRM foi transformado em programa-piloto e deve atender menos de 30 municípios.
"O Brasil tem rumo"

Menina dos olhos do candidato FHC, o programa Toda Criança na Escola pretende colocar 98% das crianças na escola até 2002. A meta ficou mais distante depois que dois projetos de apoio do programa sofreram cortes drásticos.

O projeto de transporte escolar perdeu 83% de suas verbas. Em 1998, foram gastos R$ 74 milhões para compra de ônibus para transporte de estudantes. Para este ano, apenas R$ 13 milhões estão disponíveis. Na zona rural, a falta de transporte mantém as crianças afastadas da escola.
Para manter as crianças na escola, o projeto de Assistência Integral à Criança e ao Adolescente financia atividades de esporte e reforço escolar como complemento aos estudos. Em 1998, o projeto atendeu 430 mil crianças com gastos de R$ 85 milhões. Para 1999, só estão disponíveis R$ 30 milhões.
"Marcha à ré, não"

FHC prometeu mobilizar R$ 55 bilhões em investimentos para melhorar a infra-estrutura e acabar com os gargalos que atrapalham o crescimento do País. Este ano, o PIB pode cair até 3,5%. Obras prioritárias estão sendo interrompidas e adiadas.

A duplicação da rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Minas Gerais, deveria ficar pronta em 1999. Com os cortes no orçamento, a obra ficará para depois do ano 2000.
Planejado para aliviar o tráfego na região metropolitana de São Paulo, o Rodoanel teria o seu primeiro trecho de 32 quilômetros finalizado no ano 2000. Para 1999, a obra sofreu um corte de 53%. O término da obra inteira ficou para além de 2004.
A rodovia BR-230, que liga a região Norte ao Centro do País, começaria a ser pavimentada em 1999 no trecho entre as cidades de Altamira e Marabá (PA). Os R$ 40 milhões, porém, foram totalmente cortados. A obra não será sequer iniciada neste ano.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Advogados de Lulinha denunciam 6 pessoas por ataques

Jornal GGN, Luis Nassif - O escritório de advocacia Teixeira, Martins & Advogados, em nome de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, entrou com representação  junto ao 78o DP (Distrito Policial) de São Paulo, contra pessoas que, pela internet, acusaram-no de ser dono de fazendas e aeronaves.
A representação foi feita no último dia 2 de outubro. Na sequência foi instaurado inquérito e, nos próximos dias, serão convocadas seis pessoas para prestar depoimentos. Dentre elas, Daniel Graziano, responsável pelo site Observador Político, do IFHC (Instituto Fernando Henrique Cardoso).
A acusação não é contra o site em si, mas contra um comentário específico postado por um leitor cadastrado. Daniel será intimado a identificar o autor do comentário.
Na representação, os advogados juntaram a chamada materialidade do crime – as notas e comentários devidamente registrados em cartório. O passo seguinte será identificar os autores finais. A partir daí, partir para a denúncia.
É a primeira atitude mais enérgica da família Lula contra os ataques sistemáticos que vem sofrendo pela internet desde 2006.
Neste momento, a matéria principal do site Observador Político tem como título: "O brasileiro não se importa de ser severamente enganado".
NOTA DO ESCRITÓRIO TEIXEIRA, MARTINS & ADVOGADOS
Polícia abre inquérito para apurar calúnia e difamação contra Fábio Lula
A delegada Victoria Lobo Guimarães, titular do 78º Distrito Policial da Cidade de São Paulo, instaurou inquérito policial para apurar a ocorrência de crimes contra a honra de Fábio Luis Lula da Silva. A delegada Victoria recebeu no dia 2 de outubro de 2013 representação dos advogados de Fábio Lula, pedindo a investigação de seis publicações na internet com conteúdo mentiroso e ofensivo. Fábio não é e jamais foi dono de qualquer fazenda ou de aeronave.
Os seis responsáveis pelas publicações já tiveram suas intimações expedidas pela delegacia e deverão ser ouvidos nos próximos dias. 
“Estas publicações absurdas que têm surgido na internet, pretendendo vincular o nome do Fábio à compra de bens de elevado valor, caracterizam conduta criminosa e serão sempre levadas ao conhecimento das autoridades para as providências legais cabíveis”, afirma Cristiano Zanin Martins, um dos advogados que assina a representação.
Teixeira, Martins & Advogados

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Cadê a direita que estava aqui?

Por falar em eleições, cadê a direita que estava aqui? Terá sido comida pelo bicho? José Dirceu escreveu hoje que a união Dudu-Marina mostra "o fracasso da direita no Brasil". Entendo que ele queira falar do fracasso eleitoral da direita partidária em apresentar candidaturas viáveis e puro sangue em eleições majoritárias (ufa...cansei).

Fiquei pensando nisso. De fato, estamos completando 5 mandatos presidenciais consecutivos no Brasil de governos de centro-esquerda. Ou que vieram da esquerda para o centro, se vocês preferem assim. Vir para o centro é normal, pois no centro político sempre se concentra o maior número de votos, de forma que ninguém ganha eleições ou governa sem ocupá-lo. Mas o avanço para o centro pode vir da direita ou da esquerda e só insensatos poderiam dizer de FHC, Lula e Dilma que tenham partido da direita. Mesmo o PSDB, só se deslocou para a direita e para o lado mais conservador porque foi empurrado naquela direção quando o PT se instalou no centro-esquerda e foi se esparramando. Ficasse no mesmo espectro, o PSDB não teria discurso nem chances eleitorais e como não foi capaz de tomar de volta este espaço, arredou um bocadinho para o outro lado. Circunstâncias.

O que resultou desses 20 anos (uma geração, meus amigos) de ausência de jogadores fortes na direita? Primeiro, a direita republicana foi desidratando: o maior exemplo são os Democratas (ex-PFL, ex um monte de coisas), que ficou falando sozinho contra impostos e controle de gastos. O discurso mostrou-se eleitoralmente inócuo e o distanciamento do poder político provocou a síndrome de abstinência de poder político que resultou na fuga de quadros (ou "ratos", preferem os radicais). Outro exemplo é a ausência de desafiantes importantes de direita na arena principal. Não é certamente Aécio Neves o cara de direita no cenário, como crê Dirceu. Nem o neto de Arraes vai improvisar no papel. Nem tampouco Marina, que é conservadora, mas de esquerda, que no Brasil há uma esquerda bem conservadora.

Não sabemos ainda quais serão os discursos eleitorais de Aécio, Marina e Eduardo Campos, mas sabemos com certeza que dirão que farão o mesmo que o PT faz, só que farão melhor e mais limpo. Aécio ainda falará de ajuste fiscal, para deixar FHC contente, Marina acrescentará o seu monotema (que vocês sabem qual é) e Eduardo Campos falará de.... (de quê mesmo? ganha uma pitomba qualquer não pernambucano que saiba o que de peculiar Dudu acrescenta ao panorama, além dos olhos claros). Em suma, resta ao eleitor de direita simplesmente votar contra o PT. O antipetismo, pelo menos no nível da eleição presidencial, é o que restou à direita, para se distrair e desabafar.

domingo, 14 de julho de 2013

FHC: as portas do Brasil abertas à CIA

fhc herança
Jornalista desmente ex-presidente e rememora escalada de fatos que
deram a Washington vasto poder sobre a Polícia Federal 

Por Bob Fernandes*, em seu blog
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diz que “nunca soube de espionagem da CIA” no Brasil. O governo atual cobra explicações dos Estados Unidos, e a presidente Dilma trata do assunto com a cúpula do Mercosul, no Uruguai, nesta quinta-feira (11). O Congresso Nacional envia protesto formal ao governo de Barack Obama.
Vamos aos fatos. Entre março de 1999 e abril de 2004, publiquei 15 longas e detalhadas reportagens na revista CartaCapital. Documentos, nomes, endereços, histórias provavam como os Estados Unidos espionavam o Brasil.Documentos bancários mostravam como, no governo FHC, a DEA, agência norte-americana de combate ao tráfico de drogas, pagava operações da Polícia Federal. Chegava inclusive a depositar na conta de delegados. Porque aquele era um tempo em que a PF não tinha orçamento para bancar todas operações e a DEA bancava as de maiores dimensão e urgência.

A CIA, via Departamento de Estado, pagou uma base eletrônica da PF em Brasília, até os tijolos.  Nos idos do governo Sarney. Para trabalhar nessa base, até o inicio da gestão do delegado Paulo Lacerda, em 2002, agentes e delegados da PF eram submetidos ao detector de mentiras nos EUA. Não em Langley, sede da CIA, mas em hotéis de Washington.
Dentre as perguntas, que alguns dos agentes e delegados se recusaram a responder:  já haviam participado de atos de corrupção? Eram homossexuais?
Isso até que viessem a gestão do ministro Márcio Thomaz Bastos e do delegado Paulo Lacerda e um orçamento adequado. Essa base na PF chamava-se CDO, Centro de Dados Operacionais. Publicadas as reportagens, tornou-se SOIP, depois COE. Hoje é a DAT, Divisão Anti-terrorismo.
Carlos Costa chefiou o FBI no Brasil por 4 anos. Em entrevista de 17 páginas, em março de 2004, revelou: serviços de inteligência dos EUA haviam grampeado o Itamaraty. Empresas eram espionadas. Nem o Palácio da Alvorada escapou.
Pelo menos 16 serviços secretos dos EUA operavam no Brasil. Às segundas-feiras, essas agências realizavam a “Reunião da Nação”, na embaixada, em Brasília.
Tudo isso foi revelado com riqueza de detalhes: datas, nomes, endereços, documentos, fatos. Em abril de 2004, com a reportagem de capa, publicamos os nomes daqueles que, disfarçados de diplomatas, como é habitual, chefiavam CIA, DEA, NSA e demais agências no Brasil.
Vicente Chellotti, diretor da PF, caiu depois da reportagem de capa “Os Porões do Brasil”,  de 3 de março de 1999. Isso no governo de FHC, que agora, na sua página no Facerbook, disse desconhecer ações da CIA no país.
Renan Calheiros, quando ministro da Justiça no governo FHC, foi convocado pelo Congresso na sequência de uma das reportagens sobre atividades de agências secretas dos EUA. Em público, esquivou-se, negaceou. A mim, numa cerimônia no Supremo Tribuinal Federal, diria na tarde do mesmo dia: “Isso é assim mesmo, é do jogo”.
Carlos Costa, que chefiara o FBI no Brasil, foi ouvido em sessão secreta do Congresso, já em 2004.
Antes de o Congresso decidir como seria a sessão, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) foi à embaixada dos EUA ouvir Donna Hrinak, a embaixadora. Segundo testemunho do senador à época, a embaixadora dos EUA informou:
- Se a sessão não for secreta ele (Carlos Costa) será processado pelo governo dos Estados Unidos.
Essa disposição falava por si mesma. E na sessão, que terminaria sendo secreta, Carlos Costa  confirmou tudo o que dissera na entrevista; sobre as ações do seu FBI, da CIA, DEA, NSA, e sobre a espionagem em geral, no Brasil, mas não apenas.
Tudo isso sob quase absoluto e estrondoso silêncio. Um silêncio assustador à época. Tão assustador quanto a suposta perplexidade ao “descobrir”, só agora, que os Estados Unidos, e não apenas eles, espionam o Brasil e o mundo.
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*Foi redator-chefe de CartaCapital. Trabalhou em IstoÉ (BSB e EUA) e Veja. Repórter da Folha de S.Paulo e JB, fez “São Paulo, Brasil” no GNT/TV Cultura. Comentarista da TVGazeta e Rádio Metrópole (BA)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Documentos revelam participação de FHC e Gilmar Mendes no ‘valerioduto tucano’

Documentos reveladores e inéditos sobre a contabilidade do chamado ‘valerioduto tucano‘, que ocorreu durante a campanha de reeleição do então governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998, constam de matéria assinada pelo jornalista Leandro Fortes, na edição dessa semana da revista Carta Capital. A reportagem mostra que receberam volumosas quantias do esquema, supostamente ilegal, personalidades do mundo político e do judiciário, além de empresas de comunicação, como a Editora Abril, que edita a revista Veja.
Mendes
 FHC e Gilmar Mendes constam de documentação anexada a processo contra Marcos Valério
Estão na lista o ministro Gilmar Mendes, do STF, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), os ex-senadores Artur Virgílio (PSDB-AM), Jorge Bornhausen (DEM-SC), Heráclito Fortes (DEM-PI) e Antero Paes de Barros (PSDB-MT), os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e José Agripino Maia (DEM-RN), o governador Marconi Perillo (PSDB-GO) e os ex-governadores Joaquim Roriz (PMDB) e José Roberto Arruda (ex-DEM), ambos do Distrito Federal, entre outros. Também aparecem figuras de ponta do processo de privatização dos anos FHC, como Elena Landau, Luiz Carlos Mendonça de Barros e José Pimenta da Veiga.
Os documentos, com declarações, planilhas de pagamento e recibos comprobatórios, foram entregues na véspera à Superintendência da Polícia Federal, em Minas Gerais. Estão todos com assinatura reconhecida em cartório do empresário Marcos Valério de Souza – que anos mais tarde apareceria como operador de esquema parecido envolvendo o PT, o suposto “mensalão”, que começa a ser julgado pelo STF no próximo dia 2. A papelada chegou às mãos da PF através do criminalista Dino Miraglia Filho – advogado da família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, que seria ligada ao esquema e foi assassinada em um flat de Belo Horizonte em agosto de 2000.
Segundo a revista, Fernando Henrique Cardoso, em parceria com o filho Paulo Henrique Cardoso, teria recebido R$ 573 mil do esquema. A editora Abril, quase R$ 50 mil e Gilmar Mendes, R$ 185 mil.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Os colegas de curso de Manuela


A campanha da candidata pcdobista esclareceu em NOTA aspectos importantes de seu currículo. Manuélia participou de um simpósio em Harvard, "que deu origem a um grupo de estudos que se reúne, semestralmente", formado por "Ana Amélia Lemos, Claudia Costin e Vicente Falcone". Falcone é citado, aliás como "mestre da gestão pública." Na verdade, Falcone é um mestre em Estado Mínimo, contratado por Aécio e Yeda; Cláudia Costin é uma gerencialista dos quatro costados, foi ministra de FHC, secretária de Cultura de Alckimin e, agora, secretária de Educação de Eduardo Paes; Ana Amélia, bem, essa a gente já sabe quem é.
Ainda bem que me disseram quem são os colegas de curso da Manuélia. Já posso decidir com mais conhecimento de causa.
O Olívio está com o Villa, não é?

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O álbum de fotos de Maluf

De Folha de S. Paulo

Álbum de Maluf tem Covas, FHC, Lula e Pelé

Por Mônica Bergamo
A foto de Lula e do pré-candidato Fernando Haddad (PT-SP) com Paulo Maluf (PP-SP) vai disputar espaço no já recheado álbum do ex-prefeito de São Paulo. "Um homem de vida pública de dezenas de anos, como eu, tem foto com todo mundo", disse Maluf à coluna ao ser lembrado que já foi clicado até com o santo padre.
"O papa João Paulo 2°? Claro que tenho foto com o papa. Ele me recebeu em audiência especial em Roma. E eu o recebi quando visitou o Brasil, rezou missa [em 1980, ainda na ditadura militar]. Eu era governador de SP."
Maluf, que por muito tempo sonhou com a Presidência da República, foi recebido em palácio por quase todos os presidentes do país -e a quase todos deu o seu apoio. "Eu tenho foto até com o Getúlio Vargas, minha querida."
Maluf já subiu em palanques diversos. No segundo turno da eleição de governador de SP, em 1994, apoiou o tucano Mario Covas, com direito a foto e tudo (ver acima). Em 1998, recebeu o então presidente Fernando Henrique Cardoso na convenção do PPB que apoiou a reeleição. Faltava Lula.
Em sua galeria estão também Hebe Camargo, José Dirceu e Pelé.













quarta-feira, 29 de junho de 2011

O notório segredo de FHC

Por Luciano Martins Costa em 28/06/2011 na edição 648, no Observatório da Imprensa

“Filho de repórter da Globo não é de FHC, diz DNA” – o estranho título do texto publicado pela Folha de S.Paulo no domingo (26/6) escancara, sem maiores explicações, um dos mas conhecidos segredos da política e do jornalismo brasileiros.
A história de um filho fora do casamento era uma sombra que caminhava desligada do corpo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sob cuidadosa proteção da imprensa. O assunto só vinha a público, eventualmente, em comentários veiculados pela internet, em tom de fofoca alimentada por seus desafetos.
Publicada inicialmente na coluna “Radar”, da revista Veja, a história de um exame de paternidade providenciado pelos três filhos de Fernando Henrique com a falecida socióloga Ruth Cardoso traz a público um aspecto da vida do ex-presidente que a imprensa sempre fez questão de manter na privacidade.
A estranheza não está no fato de a imprensa preservar a intimidade da família, mas na diferença com que são tratadas as figuras públicas. Outros episódios envolvendo relações extraconjugais, com ou sem filhos, nunca mereceram dos jornalistas tamanho cuidado.

Caso antigo

A notícia publicada na Folha no domingo afirma que, segundo o exame de DNA, o filho que se supunha ser de Fernando Henrique Cardoso com a jornalista Miriam Dutra, da TV Globo, não é dele. A notícia informa ainda que o ex-presidente reconhecera como seu filho o jovem Tomás Dutra Schmidt, há dois anos, em um cartório da Espanha.
Com o desmentido da paternidade, diz o jornal que ele vai manter o reconhecimento, mas seus herdeiros poderão, no futuro, contestar a decisão e retirar Tomás, que hoje tem 18 anos, da partilha de bens.
A sequência de notas fica ainda mais bizarra na terça-feira (28), com dois registros na coluna “Painel”, ainda na Folha. Diz o texto que no círculo próximo de FHC há quem sempre tenha desconfiado de que Tomás não era filho do ex-presidente. O jornal não explica o que quer dizer o “círculo próximo de FHC” nem esclarece a propósito de que essa informação precisa ser repetida. Aparentemente, a nota foi “plantada” apenas para acrescentar que Fernando Henrique “tem ótimo relacionamento com Tomás”.
Para os observadores mais curiosos, fica a impressão de que o jornal combinou com o personagem os detalhes da notícia, trazendo a público uma história pessoal que era, até então, quase um mito urbano.
Histórias sobre relacionamentos extraconjugais do ex-presidente o acompanham desde sua primeira candidatura ao Senado. A suspeita de que fosse dele o filho da jornalista da Globo deixa agora a categoria de segredo notório para se transformar na fofoca mais sigilosa da República.

Moralidade, entre a imprensa e a política *

A questão da moralidade pública pode afetar o funcionamento das instituições? O comportamento pessoal de governantes e outras autoridades pode influenciar a sociedade?
Em uma reportagem publicada no começo de junho, o jornal O Globo registrava que, nos quase 20 anos de existência da Lei do Colarinho Branco, houve apenas quatro condenações no estado do Rio de Janeiro. Isso é o equivalente a 1% das ações judiciais envolvendo acusações por corrupção.
A apuração feita pelos repórteres Carla Rocha e Fábio Vasconcellos é um caso exemplar do papel que a imprensa pode assumir para cobrar moralidade na vida pública brasileira. E, assim, ajudar a combater os numerosos casos de improbidade administrativa que povoam o país.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Atentado em São Paulo! FHC perde a sola do sapato

Daiene Cardoso, da Agência Estado
Durante caminhada pró-José Serra (PSDB) nas ruas do dentro de São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta sexta-feira, 29, que fez tudo o que o candidato do partido a presidente pediu na campanha. “Tudo o que ele (Serra) pediu, eu fiz”, afirmou, ao ser perguntado sobre a participação na campanha tucana. FHC acompanhou a manifestação da militância até o Viaduto do Chá, onde perdeu a sola de um dos sapatos que calçava. Questionado sobre se eram “percalços” da campanha, FHC brincou: “Assim que é bom, gastar sola de sapato.”
Fernando Henrique disse também que São Paulo e Minas Gerais são os “fiéis da balança” na disputa presidencial e que Serra tem chances de virar o jogo. “Eu sou sempre otimista. Dá para virar, dá para ganhar”, disse Fernando Henrique. O ato segue marcado por tumulto, com disputa por espaço entre os militantes nas vias. A caminhada é liderada agora pelo governador eleito Geraldo Alckmin (PSDB).

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Lula X FHC



Veja o panfleto num tamanho maior!
Via @IlustreBOB

Aborto e religião X política e economia

Nem aborto nem religião. A discussão do segundo turno tem que ser sobre política e economia. Aborto é um tema importante, mas não pode ser o tema central de um debate sobre o Brasil da próxima década.
É provável que a cúpula da camapanha de Dilma tenha alguma pesquisa informando o quanto esses assuntos ligados à moral influenciaram no eleitorado. Eu não tenho pesquisa nenhuma, mas não há como sustentar três semanas de campanha debatendo isso. 
Os tucanos resolveram tirar FHC do armário. Era isso o que a campanha de Dilma queria desde o início: comparar os governos. Serra dizia que não tinha padrinho: agora tem.
Dilma tem suas qualidades, mas se a campanha for levada para os termos FHC X Lula, a luta se dará em campo mais favorável.
Seria bom receber o apoio de Marina, mas chega ficar dando voltas ao redor desse assunto. O PV vai se reunir só no dia 17. Até lá, muita gente vai definir seu voto. Nem o eleitorado do Plínio vai seguir, necessariamente, a posição oficial do Psol, que dirá o eleitorado do PV.
O risco do PV é tomar a decisão quando o eleitorado já estiver decidido.
Quanto a Marina, parem de de jogar ela para a direita. Isso não ajuda em nada

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A primeira morte de Getúlio Vargas

Hoje, 24 de agosto, lembramos a morte de Getúlio Vargas, em 1954. O suicídio de Getúlio provocou comoção nunca vista e teve como efeito imediato, adiar o golpe que se tramava contra o nacionalismo getulista. O golpe veio dez anos mais tarde, mas o outro efeito do suicídio do Presidente foi torná-lo uma figura imortal na história  e no imaginário político brasileiro.
Falei sobre a primeira morte de Getúlio porque FHC, quando presidente, decretou o "fim da Era Vargas". Ou seja, o tucano abandonou qualquer verniz nacionalista, classificado como atrasado e jogou o Brasil na aventura neoliberal. O país quase quebrou, junto com os inspiradores do mito do estado mínimo. O que acabou rapidamente, como uma tragicomédia, foi a era FHC.
O fato é que há ideias que não morrem totalmente. Não sou getulista, mas é inegável o alcance histórico de seus governos. Em sua primeira longa gestão (1930/45), autoritária e com inclinações fascistizantes, estabeleceram-se as bases de um estado brasileiro unificado, o Estado Novo, contraponto à visão das elites paulistas. Em sua segunda gestão, aí sob a égide da democracia, ainda que com limites, a força do nacionalismo getulista contrastou com os apelos pró-americanos de seus adversários, principalmente os entreguistas e falso-moralistas da UDN.
É incrível como, passado tanto tempo, certos debates se mantém e certas posturas políticas se reciclam para permanecerem iguais. O udenismo tucano-pefelista,(DEM) que comemorou prematuramente o fim da Era Vargas, continua atacando. Porém, a resposta que tem encontrado não é o suicídio de um estadista, mas o sisolamento diante da opinião pública.
Devagarinho e, às vezes, imperceptivelmente a olho nu, algumas coisas têm mudado no Brasil.
Espero que a mudança prossiga.