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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Uma polêmica que divide o Rio Grande

Não tinham mais nada pra inventar.
Agora, o MTG ocupou as páginas do brioso diário da família Syrotsky para discutir os critérios de escolha da 1ª Prenda do Rio Grande do Sul, com direito ao título de "Reportagem Especial".
E tem gente que ainda se envolve com esse debate, inclusive eu.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A Farroupilha e a invenção das tradições


Rapaz exibe o charme e a malemolência da viril dança gaúcha

Hobsbawn e Ranger escreveram o já clássico "A Invenção das Tradições". Sinteticamente, o livro defende que toda a tradição é inventada. É necessário saber o momento e os motivos pelos quais isso acontece.
Quem quiser se divertir bebendo, comendo carne e se fantasiando de gaúcho pode ficar à vontade. O que me incomoda é o exagero. Corrijo, o que me incomoda é confundir tradição com folclore e com história. Além disso, ainda temos que aguentar o MTG se colocando como guardião da história e da cultura. O MTG é uma instituição PRIVADA! Não defende a história, defende uma ideologia.
A expansão do tradicionalismo pelo Brasil e pelo mundo não dizem nada a respeito de sua verdade. Dizem algo a respeito de sua capacidade de expansão. Do mesmo modo que o fato de Justin Bieber vender mais que Paulinho da Viola não diz nada a respeito da qualidade estética do jovem canadense. Como dizia Guimarães Rosa (que vendeu menos que Paulo Coelho) "Pão ou pães é questão de opiniães". Só que o caso vai além das opiniães. O MTG se apoderou não só da tradição que criou, mas se acha no direito de instituir regras que devem ser assumidas por toda a sociedade. Isso me incomoda.

Tradição não é folclore nem história e a Guerra dos Farrapos não foi uma revolução.
Melhor do que eu, quem trata desse assunto é o Tau Golin.
Clique AQUI e leia.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Tradicionalismo: patrimônio ou patronagem?

A possibilidade de tombamento do tradicionalismo como patrimônio imaterial de Porto Alegre me preocupa. Já publiquei artigo do historiador Tau Golin sobre o tema neste modesto blog. Minha preocupação aumentou ao ver artigo do Secretário Municipal de Cultura na Zero Hora de seis de maio. Aumentou porque o Secretário escreve dando por favas contadas algo que deveria estar sob apreciação do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico Artístico e Cultural (Comphac). O secretário está tão certo da aprovação da proposta do MTG, que indica, inclusive, o período em que a situação estará definida: "até o início dos festejos farroupilhas".
A banalização do tombamento do patrimônio material ou imaterial é uma das moedas da especulação política. Ao invés do critério rigoroso, opta-se pela "demagogia patrimonial". Desse modo, valoriza-se de artificialmente certas expressões culturais, olhando-se menos para a manifestação em si e mais para os seus manifestantes. No caso concreto, o MTG e sua vasta rede de patrões e capatazes.
No decorrer de seu arrazoado, o secretário confunde as estações. Trata do tombamento do nativismo, quando o que está em discussão é o tombamento do tradicionalismo. Sabedor dos matizes deiferenciados entre essas duas referências, o secretário tenta amainar o impacto do tombamento do tradicionalismo dando uma roupagem diferente. Mas é o próprio MTG que afirma que o que se deseja tombar é "o tradicionalismos e suas manifestações culturais". E aí é que está o maior problema, já apontado no artigo de Tau Golin. O Tradicionalismo é um movimento de caráter privado e que merece respeito nas suas formas de organização. O que não dá para aceitar é que se ele seja o proprietário das manifestações culturais. Ou seja, tombar o tradicionalismo por causa de hábitos como o chimarrão e o churrasco, é como tombar a Igreja Católica por causa da Procissão de Navegantes.
A voracidade patronal do MTG não tem limites. No âmbito da política é difícil por freios nas suas ambições. Espero que o Comphac tenha rigor suficiente para evitar a completa banalização e a manipulação política do instituto do tombamento.

sábado, 30 de abril de 2011

A imaterialidade da coisa

Por: Tau Golin*
Algo assustador vem ocorrendo gradativamente no Rio Grande do Sul. Um movimento de pressão política e cultural está em vias de subverter completamente o princípio do patrimônio imaterial.
O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) deseja ser o elemento dessa aberração.
Por óbvio, se poderia considerar “patrimônio imaterial” manifestações culturais, mas não a “entidade” que as promove. Considerar o tradicionalismo, que é uma sociedade privada, organizada na sociedade civil, como “patrimônio imaterial” seria a mesma coisa que reconhecer o Grêmio ou o Internacional como únicas manifestações genuínas e autênticas do futebol. Certamente, se um clube sumir isso não afetará a existência do esporte.
O tradicionalismo é um movimento cívico-cultural organizado em rede, de forma associativa, e de caráter de massa, articulado pela indústria cultural e diversos interesses comerciais, políticos, etc., que, além de milhares de posturas sinceras, especulam com hábitos, costumes e elementos da tradição. Não existe imaterialidade no tradicionalismo. Duvidosamente, a imaterialidade poderia ser encontrada em algumas manifestações utilizadas pelo movimento, entretanto reinterpretadas, agregadas por sentidos contemporâneos, sem sustentação metodológica. Portanto, ainda assim, de forçosa “imaterialidade”. A seleção, a reinterpretação, a reorganização, e o novo sentido agregado, adequado aos interesses do movimento, retiram a sua “imaterialidade”. O motivo: não é mais autêntico; foi tradicionalizada.
Desde os anos 1940, o tradicionalismo vem privatizando uma série de manifestações culturais, hábitos e costumes rio-grandenses. Muitos existiam isolados em regiões remotas. Da tradição foram retirados e reelaborados em uma engrenagem de rede. Um eficiente marketing e práticas de adestramento comportamental encarregaram-se de “educar” os contingentes como se pertencessem a todos os grupos humanos. E o que é pior: como se o RS tivesse um único gentílico formatador gauchesco.
Praticamente todas as manifestações adotadas pelo tradicionalismo já existiam antes do seu aparecimento como entidade privada. Se o tradicionalismo, por sua vez, desaparecer, as realmente importantes continuarão existindo. Patrimônio imaterial é o mate (legado indígena), a culinária, determinadas músicas e danças regionais, etc., e não o tradicionalismo.
Com o sucesso de se transformar em “patrimônio imaterial”, o tradicionalismo chegou ao extremo de sua usurpação da riqueza cultural regional. Ele se converte em “único”, “legítimo” portador dos eventos da identidade. Ele passou a ser o próprio fenômeno. Parece evidente que esta nova expropriação não resiste à História e ao contrato republicano da sociedade contemporânea. A imanência tradicionalista o conduziu à crença de que ele é, em essência, a coisa...
Nessa lógica, a “cidadania” ainda será acusada de crime contra o patrimônio se realizar qualquer crítica a um tradicionalista (em essência, a coisa imaterial), protestar contra seus hábitos de estercar as cidades nos meses de setembro; espancar animais nos rodeios; ou o poder público ficará impossibilitado de realizar alguma reforma urbana porque em determinado lugar existe um galpão com uma placa tosca na fachada escrito CTG, cujas atividades são de duvidoso interesse público.

Passando à imaterialidade, só falta agora o tradicionalismo almejar ser o espírito do rio-grandense.

*Tau Golin é jornalista e historiador

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

As amizades do companheiro Aldo Rebelo

Gosto do Aldo Rebelo. É um grande deputado e pessoa erudita. Como já disse em outra ocasião, Aldo é, antes de tudo, um nacionalista. Redator da polêmica proposta de mudança do Código Florestal (que eu confesso que não li), o deputado do PC do B traz argumentos interessantes, em relação aos pequenos produtores, que estariam na ilegalidade, por absoluta falta de condições de cumprirem as exigências do Código. Eu teria muito mais boa vontade em aceitar a proposta do Aldo caso não fossem as companhias que ele está escolhendo. Não bastasse a aproximação dos ruralistas, o deputado do PC do B resolveu participar da tal Cavalgada do Mar, no Piquete da OAB, junto com a fina flor do gauchismo, declarando sua admiração pelo "respeito às tradições dos cavalarianos".
Continuo gostando do Aldo, mas acho que ele está exagerando.

Uma das cartas mais ridículas publicadas pela Zero Hora


Tudo bem que as seções de cartas dos jornais costumem ser um festival de mau gosto e bobagens, mas a seção "Do Leitor" do boletim do PRBS se superou. O iluminado Luis Henrique Lindenmayer escreveu o seguinte:
"Se não gostas do cheiro do cavalo, se não te agrada a fumaça do churrasco, se o grito do gaúcho na beira da praia te incomoda e o som da gaita desagrada a (sic) teu ouvido, te muda, o Brasil é grande e o Rio Grande não é o teu lugar"
Que a pessoa pense uma bobagem dessas é lamentável, mas não temos como evitar. O que me impressionou foi o editor da seção publicar com destaque uma estupidez desse tamanho.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O lamaçal do Acampamento Farroupilha

Reproduzo Artigo do operoso Adeli Sell, pois também me preocupo com essa situação. Em nome de uma suposta tradição, uma entidade privada aproveita-se de benefícios governamentais e se coloca acima dos sistemas de controle público.

Apesar de existir verba prevista no Orçamento municipal, no valor de R$ 500 mil, a Prefeitura não conseguiu fazer a drenagem do Parque Harmonia antes da instalação do Acampamento Farroupilha deste ano.
Isto significa que, assim que caírem as chuvas, que nunca faltam nesta época, o lamaçal estará formado, com todos os seus inconvenientes. Quem quiser circular pelos piquetes, pelas bailantas e pelas áreas de comércio, ou pretender apreciar um bom carreteiro ou churrasco num piquete, vai ter que trotear pela lama.
Mas esse lodaçal ainda é pequeno se comparado à falta de estatura ética e moral de alguns dirigentes do Acampamento e da Semana. Não estamos falando da Prefeitura nem do Governo Estadual, que podem ter lá seus problemas, mas sim numa meia dúzia de figuras indignas de conduzir qualquer processo cultural na cidade e no Estado.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Acampamento cheirando mal

Acompanho à distância as cobranças que Vereador Adeli faz ao MTG sobre a transparência nas contas do Acampamento Farroupilha no Parque Harmonia, noa ano de 2009.
Pelo que tenho visto têm mais coisas cheirando mal além da bosta dos cavalos.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Marcos Rolim e o aniversário da governadora


Meu conterrâneo Marcos Rolim fez uma postagem sobre a passagem do aniversário da governadora, que reproduzo a seguir:
“A governadora recebeu hoje à tarde - com direito à foto no site do governo e tudo - uma placa de bronze em homenagem ao seu aniversário. Quem lhe ofereceu a placa? Algum parente? A velhinha de Taubaté? Não. A homenagem lhe foi prestada pelo Tribunal de Justiça Militar. Se faltava algum argumento para a extinção do TJM, agora não há mais desculpa. Tem cabimento um Tribunal mandar confeccionar uma placa de bronze para o aniversário de alguém? Onde estamos? No Maranhão?”
Não estamos no Maranhão, mas estamos no Brasil, planeta Terra. O mito da superioridade política e ética do Rio Grande do Sul é um dos mais difundidos. É como um dos componentes do “gauchismo” que vai se desfazendo diante da visibilidade de tantos escândalos. Para alguns, que só acreditam no que veem, a política riograndense era limpa porque não viam nada, ou não queriam ver.
Aspectos da formação do estado, uma realidade social menos desigual que em outros estados (do nordeste, por exemplo) e componentes culturais (como os princípios do positivismo) funcionaram como um certo freio a práticas políticas comuns do patrimonialismo brasileiro. Porém, parece que o que temos de melhor em relação a outros estados são os ideólogos que conseguiram vender a idéia de uma superioridade étnica dos gaúchos e de seus políticos; ao menos para nós mesmos. Perguntem aos paulistas, aos mineiros, aos baianos quem são os políticos mais qualificados do Brasil, ou quais os movimentos nacionalistas, patrióticos mais significativos. Cada um desses estados terá os seus próprios. O Maranhão, provavelmente, tenha dificuldade de assumir-se como espelho da pátria, dado um certo complexo de inferioridade, mas até o Maranhão deverá ter seus próprios mitos, capazes de fundar uma teoria da “superioridade maranhense”, em relação aos demais estados da federação.
Decididamente, não estamos no Maranhão, mas o desnudamento das patranhas locais podem prestar o serviço de colocar o Rio Grande diante da sua realidade. Ou não.