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quarta-feira, 30 de julho de 2014
sábado, 5 de abril de 2014
Cantores evangélicos não gostaram do filme Noé porque não é fiel à história verdadeira!
Cantores evangélicos criticam filme de Noé
O filme tem erros bíblicos e mostra uma história nada fiel aos relatos do Livro Sagrado
De:Gospel Prime
Cantores evangélicos criticam filme de Noé
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Muitos cantores evangélicos se interessaram em assistir o filme “Noé” que estreou nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (3). Ao saírem das salas, eles usaram as redes sociais para comentar o filme desaconselhando seus seguidores a assistirem.
Quem se arrependeu das horas que ficou no cinema foi a cantora Fernanda Brum. Em seu Twitter ela escreveu: “Gente! Só uma palavra! Que filme horrível esse Noé! Nem apócrifo, nem histórico, muito menos bíblico! Que lástima! Não perca seu tempo!”
Mas ela não foi a única, o cantor Rodolfo Abrantes também se arrependeu de ter trocado a programação esportiva de sua TV pelo filme de Darren Aronofky. “Noé, o pior filme dos últimos tempos. Devia ter ficado em casa pra assistir a rodada da Libertadores”, disse.
Outro que comentou negativamente sobre o longa foi o pastor Antônio Cirilo que o classificou como “ruim de mais”. “Assistir o filme ‘Noé’: ruim de mais. Uma distorção grotesca da história bíblica. O diabo tentando se dar bem na história da humanidade”.
Os depoimentos desses cantores mostram que o aviso do bispo Marcello Brayner, da Igreja Universal do Reino de Deus, estava certo ao pontuar os erros bíblicos do filme.
Um deles se refere à crítica do cantor Antônio Cirilo que fala sobre os anjos caídos. Em “Noé” é mostrado que um grupo de anjos foram amaldiçoados por tentarem ajudar Adão e Eva quando estes foram expulsos do Paraíso. Agora esses anjos caídos tentam ajudar a família de Noé e a arca e assim conseguem ser perdoados por Deus.
“Na Bíblia, os anjos caídos se rebelando contra Deus não tiveram nada a ver com eles quererem ajudar a humanidade, e não há oportunidade de redenção nesse caso (Mateus 25:41; Judas 6)”, explica Marcello Braynes.
domingo, 2 de março de 2014
Canción Mixteca, em "Paris Texas, com Natassja Kinsky e Harry Dean Stanton
Nastassja Kinsky é linda, mas não é uma grande atriz. Bem dirigida, porém, até que rende bem. Éo caso d filme "Paris Texas". Wim Wenders, às vezes, é meio chato, mas é um grande diretor. Estas cenas de "Paris, Texas" ficaram muito bonitas. O filme é bom e mexe com os sentimentos. Vale a pena assistir, além da trilha sonora fabulosa.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
"Guadalajara" duas interpretações memoráveis
"Guadalajara" é a única música gravada por Elvis em espanhol. Eu assisti esse e outros filmes de Elvis na "sessão da Tarde"
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
"Tomorrow belongs to me"-Cabaret. Um modo de mostrar a psicologia de massas do nazismo
A cena a seguir é uma das mais emblemáticas do excelente "Cabaret" de Bob Fosse. A meu ver, simboliza o modo como a ideologia nazista vai tomando conta das pessoas a partir do apelo à natureza, às belezas da pátria e a um futuro de glória. De início, parece apenas um canto jovial. Como sabemos, os jovens são portadores do futuro, da beleza, da esperança, da força e da pureza. Pouco a pouco cria um movimento de quase todos os presentes aderindo ao canto patriótico e grandiloquente introduzido pela juventude. Ao final da cena, Michael York pergunta ao seu amigo (um membro da burguesia alemã) se ele acha possível controlar aquela gente. Esse é um dos motivos pelos quais quando eu vejo um monte de gente vestindo roupa parecida, cantando as mesmas coisas e supervaloriznado sua pátria (ou seu time, ou seu partido, ou sua cidade...) e valores morais incontestáveis, passo longe.
Conheça a letra da música (tradução mais ou menos)
O sol de verão no prado é quente.
O veado na floresta corre livre.
Mas se reúnem para saudar a tempestade.
O amanhã pertence a mim.
O ramo do linden é frondosa e
Verde,
Reno dá o seu ouro para o mar.
Mas em algum lugar uma glória aguarda invisível.
O amanhã pertence a mim.
O bebê em seu berço fechando os olhos
Abraça a flor a abelha.
Mas em breve, diz um sussurro;
"Levanta-te, levanta-te",
O amanhã pertence a mim
Oh Pátria, Pátria,
Mostra-nos o sinal
Seus filhos esperam para ver.
A manhã vai chegar
Quando o mundo será meu.
O amanhã pertence a mim!
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Ricardo Darin, admirável dentro e fora das telas, esnoba Hollywood e Tony Scott (não Tarantino)
Ricardo Darín é aquele ator argentino que só faz filmes bons (aliás, o cinema Argentino é todo bom, ou a gente acha isso porque eles só mandam para cá os filmes bons?). O cara é talentoso, mas, além do talento dramático, o sujeito resolveu "esnobar" Hollywood e revelar uma concepção de vida oposta à fascinação pela fama e pelo mercado. A publicação da entrevista já saiu como uma recusa do argentino a filmar com Tarantino. Não era Tarantino, era Tony Scott. Melhor, assim não preciso ficar chateado com o um dos meus diretores preferidos.
domingo, 10 de novembro de 2013
domingo, 27 de outubro de 2013
Easy Rider (Sem Destino) - Uma obra para ficar
Tive a oportunidade de assistir Easy Rider (Sem Destino) neste final de semana. O filme já tem 44 anos e é uma grande obra do cinema. Os ainda jovens Peter Fonda, Jack Nicholson e Dennis Hopper nos ajudam a entender o mundo e as ideias envolvidas na contracultura estadunidense, trazendo reflexões válidas até os dias de hoje.
Hopper e Fonda decidem viver livremente, sem amarras e confrontam-se com uma sociedade presa a preconceitos e violenta. O personagem de Jack Nicholson, em um diálogo marcante, define bem o que se passa: as pessoas têm medo do que eles representam: ser livres. Contra aqueles que desejam viver e não apenas falar sobre liberdade, alguns são capazes de matar. Em certo momento, Fonda reflete que aquilo que estão fazendo os levará a lugar algum. O final trágico, súbito e inesperado retrata, de certo modo, as perspectivas de uma geração que acreditou em sonhos vividos individualmente.
sábado, 28 de setembro de 2013
Cantando na Chuva, uma música feita de imagens
Fotograma do filme 'The Hollywood review of 1929".
A publicação desta canção aconteceu em 1929. Seus criadores são Arthur Freed, responsável pela letra, e Nacio Herb Brown, que criou a melodia. Neste mesmo ano ela foi utilizada pela primeira vez no cinema, no filme The Hollywood Revue of 1929.
A utilização da música pelo cinema era um fenômeno ainda recente no ano da produção deste filme - a primeira vez que o cinema teve seu primeiro filme com trilha sonora gravada e sincronizada tinha sido 1927. E, assim como no início do próprio cinema, quando o que chamava atenção não era o filme em si, mas sim a utilização da técnica e os mecanismos que faziam ela possível, a união entre cinema e música passou pelo mesmo processo.
A utilização da música pelo cinema era um fenômeno ainda recente no ano da produção deste filme - a primeira vez que o cinema teve seu primeiro filme com trilha sonora gravada e sincronizada tinha sido 1927. E, assim como no início do próprio cinema, quando o que chamava atenção não era o filme em si, mas sim a utilização da técnica e os mecanismos que faziam ela possível, a união entre cinema e música passou pelo mesmo processo.
Os primeiros filmes produzidos com a possibilidade de utilização da música eram muitas vezes filmes sobre a música. Não havia um enredo ou não se ambicionava contar uma história: o que se queria era mostrar a maravilha da música unida à imagem.
Neste caso específico, a obra era constituída por vários atos musicais e contava com atores de grande prestígio na época, como Greta Garbo, Joan Crawford ou Buster Keaton, entre outros. A canção em questão foi apresentada duas vezes dentro do filme.
Enquanto o mundo acompanhava o sofrimento americano causado pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York e o surgimento dos regimes que mais tarde causariam a Segunda Guerra Mundial, era através dos musicais que a população encontrava uma “válvula de escape”.
Enquanto o mundo acompanhava o sofrimento americano causado pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York e o surgimento dos regimes que mais tarde causariam a Segunda Guerra Mundial, era através dos musicais que a população encontrava uma “válvula de escape”.
Fotograma do filme "Singin' in the rain".
Até o ano de 1952, a música havia sido usada em mais dois filmes, mas foi só com o musical também chamado Singin’ in the Rain (Cantando na Chuva no Brasil, Serenata à Chuva em Portugal) que a canção se tornou uma das trilhas mais conhecidas do cinema. Em 2006, uma eleição proposta pelo American Film Institute (AFI) colocou a obra no topo da lista dos 25 maiores musicais americanos de todos os tempos.
Nesta época, a possibilidade de utilização do som pelo cinema ainda encantava o público. Singin’ in the rain é um filme sobre tecnologia e sobre a forma como o uso do som mudou a forma de se fazer cinema. Com essa novidade surgiu também um problema estético, já que os atores não sabiam como atuar nesse estilo de cinema e também os produtores não sabiam exatamente o que fazer com o som. A melhor saída encontrada foi a utilização da música como mote para a trama dos filmes.
É em torno dessas questões que se desenvolve a narrativa do musical Singin’ in the rain. Don Lockwood (Gene Kelly) e Lina Lamont (Jean Hagen) formavam o casal mais famoso do cinema mudo, mas com a possibilidade de utilização de som nos filmes, ambos tiveram que se adaptar ao novo estilo.
A sequência na qual Gene Kelly interpreta a canção-título do filme enquanto dança sob a chuva é uma das mais reinterpretadas do cinema. Uma das reinterpretações mais contundentes dessa sequência é de 1971, protagonizada por Malcolm MacDowell no papel de Alex, no filme A Clockwork Orange (Laranja Mecânica, no Brasil e em Portugal) de Stanley Kubrick.
Fotograma de "Clockwork Orange", de Stanley Kubrick.
Aqui, talvez tenhamos o uso mais distinto da canção. O filme, ao contrário dos apresentados anteriormente, tem como temática a violência. A sequência em que Alex DeLarge interpreta a canção é uma das mais violentas da obra. Enquanto sapateia e canta, Alex e seus companheiros espancam um homem e estupram sua esposa.
O uso da música aqui tem a função de causar estranhamento e ironia, já que ela havia ficado mundialmente conhecida pela versão de Gene Kelly. Assim, estava na memória coletiva como uma exaltação da felicidade e do amor - ambos os sentimentos contrários às cenas que eram exibidas no filme de Kubrick.
Há especulações que dizem que a música só foi utilizada no filme de Kubrick por que era a única que Malcolm Mackdowell sabia cantar inteira. E que Gene Kelly, obviamente, havia detestado essa versão.
Com uma relação tão estreita com o cinema, Singin’ in the rain é uma música feita para as imagens. Basta que agora venham novas versões, românticas ou não.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
sábado, 15 de junho de 2013
Por una Cabeza, três versões holywoodyanas
Três cenas de cinema com os atores holywoodianos dançando "Por una Cabeza". Qual a melhor?
Caixa Cultural recebe filmes, documentários e palestras do universo trekker
Grande ícone da história da ficção científica, Jornada nas Estrelas terá seus episódios para cinema e TV, além de documentários, apresentados de 11 a 23 de junho, nos cinemas 1 e 2 da Caixa Cultural do Rio de Janeiro. A retrospectiva “Jornada nas Estrelas – Brasil: A Fronteira Final” exibe 18 filmes com ingressos a R$ 4.
Além da exibição dos filmes, haverá uma mesa de debate no dia 20 de junho, às 19h15, sobre o fascínio exercido até hoje pela série sobre uma legião de fãs .
Jornada nas Estrelas, ficção científica para as massas
Ainda será dado um curso de 3 dias (11, 12 e 13 de junho) com o tema “Jornada nas Estrelas, ficção científica para as massas”, com a professora Rita Ribeiro, pesquisadora na área de culturas urbanas.
Os interessados em participar do curso devem se inscrever através do e-mail: inscricao@blgentretenimento.com.br, colocando no assunto “Inscrição curso” e, no corpo da mensagem, o nome completo, número de identidade e telefone. As vagas são limitadas e por ordem de chegada das mensagens.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Atriz e nadadora Esther Williams morre aos 91 anos
Estrela de Hollywood alcançou o sucesso com o musical 'A Rainha do Mar', em 1950
O Dia
Estados Unidos - A atriz e nadadora americana Esther Williams,
conhecida como a Sereia de Hollywood, morreu nesta quinta-feira em Beverly
Hills, na Califórnia, aos 91 anos. Segundo o porta-voz da atriz, Harlan Boll,
Esther já estava com a saúde debilitada por conta da idade e morreu "em paz
enquanto dormia". As causas da morte não foram reveladas.
Antes de entrar para o cinema, Esther foi nadadora e venceu
campeonatos nos Estados Unidos. Nos anos 1940, sua experiência na natação a
levou para musicais "aquáticos" da MGM criados para ela. Em 1944, ficou famosa
ao atuar em "Escola de Sereias". Esther foi protagonista de clássicos como "A
rainha do mar", "A bela ditadora" e "A filha de Netuno". O estúdio MGM criou uma
espécie de sub-gênero de filmes, conhecido como "musical aquático" para
Esther.
Esther foi casada quatro vezes, incluindo os atores Fernando Lamas
e Edward Bell, com quem ficou até o fim da vida. Ela teve três
filhos.
Aos 91 anos, Esther Williams morreu nesta quinta-feira
Foto: Reprodução Internet |
sexta-feira, 10 de maio de 2013
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Nunca houve uma mulher como Gilda
RUY CASTRO – ESPECIAL
De 1946 pra cá, todas as vezes em que Gilda foi exibido em cinema ou TV, legiões de mulheres, ao fim do filme, juraram não descansar enquanto não se parecessem com Gilda. Legiões de rapazes também. Note bem: os representantes de uma e de outra categoria não queriam parecer-se com Rita Hayworth – mas com a Gilda de Rita Hayworth. E não se tratava apenas de imitar o seu jeito quase imoral de jogar o cabelo, de transformar inocentes saboneteiras numa tentação erótica ou de fumar como se cada lenta baforada quisesse dizer alguma coisa. Era algo mais profundo e complexo: tentar apossar-se do seu fogo gelado, só se pode chamá-lo assim – a capacidade de inflamar uma paixão e, ao mesmo tempo, esnobar o ser inflamado a ponto de reduzi-lo à servidão total, ao nada. Não devia ser fácil. Tanto que, em nenhum outro filme, antes ou depois, e muito menos na vida real, nem a própria atriz conseguiu. Nem é preciso repetir a sua triste e batida frase, de que os homens dormiam com Gilda e acordavam com ela, Rita.
Mas não se deixe desanimar. Gilda, o filme, está agora disponível no Brasil, num cintilante vídeo lançado pela Columbia, apto a ser consultado e estudado por quem quiser incorporar traços do personagem à sua personalidade. É um filme sem preconceitos, um dos poucos a dar motivo para a alta estima em que é tido nos dois continentes sexuais: hetero e homo.
É provável que, ao produzir Gilda, isso não estivesse nos planos da Columbia. Pelo menos, não explicitamente. Era para ser apenas um bom drama romântico, com ação e tensão contínuas e um baita personagem feminino. E a história, banal, não antecipava nenhuma possibilidade de malícia. Um aventureiro americano perdido na Argentina durante a II Guerra, Johnny Farrell (interpretado por Glenn Ford), torna-se o homem de confiança do dono de um cassino, Ballin Mundson (vivido com o ar sinistro de manequim de vitrine por George Macready). Mundson viaja e volta casado com Gilda, mulher cujo passado faz pensar que ela terá um grande futuro. O que Mundson não sabe é que Farrell faz parte do passado de Gilda – e como! Os dois foram amantes (talvez em Nova York), separaram-se (por razões nunca explicadas), mas seu ódio é tão grande que, agora, em Buenos Aires, Gilda fará de tudo para destruir a amizade entre os dois homens.
Aparentemente, nada demais nisso. Em Casablanca, por exemplo, Humphrey Bogart deixava Ingrid Bergman tomar aquele avião para que ele pudesse dedicar-se à sua amizade com o chefe de polícia Claude Rains. Isso, sim, é que era comprometedor. Mas, de fato, em Gilda, há alguma coisa de suspeito na relação entre Farrell e Mundson: a insistência com que ambos terminam cada frase dirigindo-se carinhosamente um ao outro pelo primeiro nome. Mundson, mais velho, “adota” o boa-pinta Farrell depressa demais, revelando-lhe até a combinação de seu cofre. Outro exemplo: a frieza com que Mundson não se incomoda de ser traído por Gilda, desde que seja com Farrell – mas Farrell jamais o trairá com Gilda e não se importa que ela dê suas voltinhas com estranhos, desde que Mundson não fique sabendo e se magoe. É claro que, no fim, o triângulo se resolve a favor dos dois astros. Mas que fica no ar um travo de bandalheira, ah, isso fica. E pode ser a razão do status de cult que o filme goza com o público gay.
A Hollywood dos anos 40 era medrosa demais para se permitir qualquer ambigüidade moral, mas alguns fatos dão base à idéia de que pode haver um – como é mesmo a palavra? – “subtexto” maroto em Gilda. O roteiro foi obra de duas mulheres: Jo Eisinger, que fez o rascunho, e Marion Parsonnet, que lhe deu forma final. Foram elas que criaram Gilda como uma grande mulher e, de quebra, podem ter-se divertido inoculando dubiedades nos dois personagens masculinos. Você dirá que o diretor era um homem, Charles Vidor. Mas, na política dos antigos estúdios, o verdadeiro autor de um filme era quase sempre o produtor executivo, com o diretor não passando de um funcionário subalterno. E o produtor de Gilda era a poderosa Virginia van Upp, protegida do patrão, Harry Cohn, e com carta branca na Columbia. Cohn era famoso pela burrice, e, se Virginia quisesse contrabandear qualquer ideologia exótica para dentro do seu filme, ela o faria. A Cohn só interessava que Rita Hayworth, já com 28 anos, tivesse finalmente um papel que deixasse todo mundo de quatro.
Pois ela deixou. Por causa de Rita, criou-se toda uma mitologia em torno de Gilda. As platéias do pós-guerra acreditaram no slogan de lançamento do filme – “Nunca houve uma mulher como Gilda”. E com certa razão: desde 1934, quando se instituíra a autocensura no cinema americano, os filmes não mostravam uma mulher tão sensual e dadivosa quanto ela. Seu impacto em 1946 pôde ser medido até em megatons: pouco depois da estréia do filme, a bomba que os americanos explodiram no Atol de Bikini, no Pacífico, na primeira experiência nuclear em tempo de paz, foi batizada de Gilda, pela equipe que a construiu e trazia um desenho de Rita na carapaça. Era uma publicidade espontânea e sem preço. Para definir Rita (que era então mulher de Orson Welles, embora o casamento estivesse afundando), o crítico do New York Times Bosley Crowther cunhou a expressão “superstar” – a primeira vez que uma estrela foi chamada de super. No Brasil, Gilda tornou-se fantasia de Carnaval, apelido de travesti e foi usada pelas torcidas adversárias para ofender o ilibado mas exuberante craque do Botafogo e da seleção brasileira Heleno de Freitas.
Com tudo isso, Gilda nem precisava ser tão divertido. É o lixo de luxo, como só os americanos sabiam fazer, com uma chocante fotografia de filme noir, deslumbrante cenários art déco e Rita usando um guarda-roupa que deve ter inspirado várias coleções. Mas o melhor são as falas, algumas infernais e que, depois, o cinema se cansou de copiar. Gilda finge esquecer o primeiro nome de Farrell e comenta: “Johnny – nome difícil de lembrar e fácil de esquecer”. Em outro momento, Farrell resume o seu desprezo por ela, dizendo: “Há mais mulheres do que qualquer outra coisa no mundo – exceto insetos”. A própria Gilda, numa avaliação ousada, se define: “Se eu fosse uma fazenda, não teria cercas”. Pena que nem sempre as legendas em português ajudem: Mundson bate à porta do quarto de Gilda e pergunta: “Gilda, você está vestida”? Em inglês, Mundson pergunta: “Gilda, are you decent?” Muito mais a propósito.
O filme se passa em Buenos Aires, mas há tanto Buenos Aires em cena quanto Zanzibar ou Timbuktu, ou seja, nenhum. Nem mesmo um plano geral da Plaza de Mayo ou uma mísera vista aérea. Bem diferente de Interlúdio, que Hitchcock rodou naquele mesmo ano e em que a história transcorre no Rio, com Cary Grant e Ingrid Bergman namorando o tempo todo diante de “back projections” da Cinelândia e de Copacabana. Gilda é claustrofóbico: toda a ação se passa em interiores e não há uma única seqüencia à luz do dia. É um pequeno mundo, dominado por uma grande mulher. Se bem que, fosse o herói argentino, daqueles violentos, de tango, Gilda entraria na linha com uns tapas assim que começasse a aprontar. Strip-tease ao som de Put the Blame on Mame, então, nem pensar.
quarta-feira, 27 de março de 2013
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