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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Bye bye Dubai


Há quem se encante com Dubai. Eu acho aquela cidade um horror. Uma prova de como o gênio humano pode submeter a natureza a seus caprichos e ao seus gostos mais esdrúxulos. A cidade é artificial em tudo, inclusive na riqueza que parecia possuir.

Os adoradores brasileiros de Dubai louvam o poder do mercado imobiliário e seu potencial. Na verdade, aquele monstrengo pós-moderno que chamam de cidade é fruto de investimentos estatais. Os devotos do dubaísmo se encantavam, também, com o que achavam ser uma capacidade fabulosa da cidade atrair turistas e empreendimentos. Na discussão sobre o Pontal do Estaleiro, o Dr. Goulart e o narrador Haroldo de Souza se destacaram pela sua fé dubaísta.

Tudo isso está caindo com a moratória do "Dubai World". Pode ser superado, é possível, um dia, mas a queda já mostra a fragilidade do sonho do urbanismo especulativo.

A população que disse não às construções na orla foi mais precavida e inteligente.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Pontal do Estaleiro. Até que enfim ganhei uma


Finalmente votei para algo que venceu. Faz tempo que meus candidatos perdem. No caso do desarmamento, tomei um vareio. No caso do Pontal foi diferente. Mais do que os aspectos formais e quantitativos, acho que a vitória do NÃO foi uma sinalização sobre a visão de boa parte da cidade sobre os rumos que deseja para o desenvolviemtno de Porto Alegre. O símbolo da vitória é mais importante do que o seu resultado concreto, pois, a partir de agora, a principal referência sobre ocupação da orla é a referência dada pela consulta popular.
É verdade que a especulação imobiliária é incansável e vai continuar tentando, mas, dessa vez, a vitória foi nossa. Quero lembrar, por uma questão de justiça, que foi uma emenda do vereador Ferronanto que complicou, primeiro, a pretensão de lotear a orla entre meia dúzia de ricaços esnobes de Porto Alegre.
Espero que a gente se acostume a chamar o local de POnta do Melo.
Vem mais coisa por aí, eles não descansam... nós também não.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Mais um dilema para Pilatos



Quase quinze dias depois que acoluna do Juremir Machadfo informou sobre os impasses para as obras do tal Pontal do Estaleiro. Em resumo: uma emenda do Airto Ferronato reservou uma área de 60m, da orla até as edificações, que não poderá ser construída. Com isso, os empreendedores refizeram os cálculose viram que o lucro não seria o que esperavam. Agora, foram ao Gabinete de Pilatos. Querem que ele vete a lei. Preferem do jeito que estava antes. Pilatos disse que vai aprovar como veio da Câmara e encaminhar o referendo. Típico de Pilatos, mas é preciso reconhecer que ele age corretamente, nesse caso. Porém, já deu a dica: se quiserem mudar o projeto, os vereadores podem apresentar outra proposta na Câmara. Pilatos não tem opinião. Sempre faz o que alguém disse a ele para fazer.
Desde o início desse debate as pessoas mais preoucpadas com a cidade diziam: vamos analisar a orla como um todo. Mas os empreendedore$ insistiram, junto à bancada que os apoia, em aprovar esse rpojeto de quealquer jeito. Deu no que deu, uma grande confusão.
Os empreendedore$ precisam se dar conta que, apesar dos pesares, quem legisla é a Câmara e mesmo um prefeito molenga com Pilatos não pode agira conforme o empreendedor. Dois motivos podem motivar o veto a um projeto aprovado na Câmara: ser contrário ao interesse público, ou ser inconstitucional. Os empreendedore$ querem criar um outro motivo: não gostarem do projeto do jeito que está. O advogado da BM PAR alega que a emenda é inconstitucional, pois tem origem na Cãmara e criará despesas para o Executivo. Pra quem não lembra, o projeto anterior, aprovado em sessão tumultuada, era TODO ELE de autoria da Câmara, ou , pelo menos, assinado por dezessete vereadores, encabeçados pelo iluminado Alceu Brasinha. Os contrários alegavam que havia vício de origem, mas isso não impediu que os defensores da proposta se debruçassem acintosamente nas muretas para orientarem seus apoiadores.
Por incrível que pareça, no fim das contas, o que foi aprovado pode ficar melhor do que o que havia antes. Com um planejamento urbano assim, o que será da bagunça?

terça-feira, 31 de março de 2009

Os trapalhões no Pontal do Estaleiro

Segundo o Juremir Machado, no Correio do Povo de hoje (31/3), a aprovação de emenda do Vereador Airto Ferronato, reservando uma faixa de sessenta metros do Guaiba até os monstrengos do Pontal colocou em risco o interesse dos interessados em faturar com os espigões na Ponta do Melo. Só sei o que o Juremir falou, mas parece que a trapalhada da bancada "pró-cobertura às margens do Guaíba" vai custar caro (pra eles). Um dos desfechos seria um novo veto de Pilatos ao projeto. Vou me informar mais. Se alguém souber mais sobre isso, favor postar.
Quem tiver o CP, leia, quem não tiver, mas for assinante, pode acessar pela internet e ler o que o Juremir escreveu.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Pilatos na Gaúcha


O Prefeito Pilatos deu entrevista à Rádio Gaúcha. Perguntado sobre seu voto na consulta relativa à construção de moradias (de luxo) na orla, Pilatos desconversou até sair-se com a seguinte pérola: "Não estudei todas as implicações jurídicas dessa decisão". Nem a Rosane Oliveira aguentou. Perguntou se não era uma incoerência falar que não estudou um projeto que teve origem no próprio executivo. Aí, Pilatos veio com a história de ser magistrado e deixar para revelar sua posição apenas no dia. Na verdade todos sabemos que o projeto não teve origem no executivo, tampouco na cabeça iluminada do Brasinha. A exposição de motivos do projeto de lei original tem a marca dos seus verdadeiros autores. Basta olhar para ver.

Voltando à fala de Pilatos: que tristeza por nossa cidade! Porto Alegre decidiu-se pela indecisão. O eleitorado parece adorar quem não tem opinião, ou, pior, esconde a opinião. Por isso já retirei minha candidatura. Afinal, apesar de singela, eu tenho opinião sobre as coisas.

Pontal no Conversas Cruzadas

Já me rendi. Todo mundo chama a Ponta do Melo de Pontal do Estaleiro. Segunda foi o dia da aprovação na Câmara e debate no Conversas Cruzadas.
Do lado dos que não querem cobertura com vista para o Guaíba: Sofia e Beto Moesch. Do outro lado: Valter Nagelstein (líder do Governo Fogaça) e Márcio Bins Ely (Secretário da plasta, digo, da pasta do Planejamento). O Nagelstein parece ter o rei na barriga. É um pedante, "face de madeira". O Márcio Bins Ely é o retrato da SPM. A Secretaria virou um prêmio de consolação, ou um recursos a mais para que os suplentes assumam na Câmara. Depois tem gente que não sabe por que o planejamento urbano de Porto Alegre está uma vergonha.

Vamos à contenda. Nagelstein fez o discursinho de sempre. A certa altura, negou que defendesse o interesse dos empresários. "Nem os conheço", disse. Se conhecesse talvez recebesse mais da Goldstein Cyrella, que contribui com a sua campanha. Peraí! A Goldstein Cyrella não está envolvida na construção do Pontal? Nada a ver, nada a ver...

O Márcio Bins Ely só foi pra ocupar cadeira. O secretário plasta, quero dizer, da plasta do planejamento, pouco falou e quando falou não disse nada.

Fiquei surpreso de saber que, se a consulta não for realizada em 120 dias, a construção das moradias de luxo fica automaticamente aprovada! O nome disso é decurso de prazo e era usado na ditadura militar. Ou seja, estamos dependentes da agilidade do Governo Fogaça...
Ao fim, um resultado apertado, mas alentador. 51% dos telespectadores (inclusive eu) ligou protestando contra a construção de moradias de luxo na orla.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Jane Jacobs e o Pontal


Se eu fosse de direita, votaria no DIB, mas não gostei do relatório dele sobre o a entrega da orla do Guaíba. Ele entende da coisa, deu pra ver, mas a referência Jane Jacobs foi completamente descontextualizada. Dib pegou emprestada uma fala do vereador Adeli (bom parlamentar e muito autêntico, mas discordo da opinião dele sobre o Pontal) e trouxe a urbanista Jane Jacobs para o time dos defensores do emparedamento da orla. Disse Adeli e repetiu João Dib, que a urbanista era defensora de áreas mistas como melhor forma de desenvolvimento urbano. Esse é um dos casos em que a descontextualização mata o sentido da declaração original. Lendo todo o livro Morte e Vida de Grandes Cidades, o sentido do pensamento de Jacobs é bem o inverso do que se quer fazer na Ponta do Melo. Caberia ler o que ela pensa sobre a especulação imobiliária e como a concentração de investimentos em uma área está realcionada com o abandono de outras, que teriam prioridade, além da visão da urbanista sobre a importância do sentido de continuidade urbana, sem rupturas agressivas, construída progressivamente. A velhinha deve estar se revirando.
Aliás, nesse debate sobre questões urbanas é interessante a quantidade de pessoas (incluídos os vereadores) que adora falar que o outro lado fala do que não entende. Vai ver é por isso que ninguém se entende.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Pontal do Estaleiro


Assiti pela TV Câmara a Audiência Pública sobre o chamado Pontal do Estaleiro. Sou cético. Acho que estamos prestes a perder até mesmo a possibilidade de um referendo sobre o tema. A verdade é que, um referendo pode mobilizar, mas pode, também, acabar sendo comprometido pela utilização do poder econômico das construtoras. Aí, a história registrará que foi a vontade do povo, e não da Câmara, que consagrou a entrega da orla. É o risco. O fato é que estamos nas mãos da bancada fogacista.

Como já comentei, a derrota começa no fato de todos tratarem o lugar como "Pontal do Estaleiro" e não como Ponta do Melo, que é o nome oficial. Poucos oradores fugiram disso.

Momento tragicômico foi a manifestação de um senhor. Era tão conservador e anti-PT que responsabilizou a Administração Popular pela destruição da cidade. É o típico cidadão que olha para um lado e vota para outro. Sua obsessão antiesquerdista é tal que tem a visão bloqueada.

Essa classe média conservadora politicamente e ao mesmo tempo contrária aos danos que a especulação imobiliária provoca em sua qualidade de vida (a vida dos pobres não os preocupa, desde que não durmam à porta de seus prédios) pode ser a nossa esperança para derrotar a especulação em uma votação aberta.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Novamente o Pontal


A primeira vitória da especulação imobiliária no caso do Pontal do Estaleiro já foi garantida. Todo mundo passou a chamar a “Ponta do Melo” de Pontal do Estaleiro. Parece pouca coisa, mas a força dos signos é tão importante quanto o concreto das obras. Imagine que alguém desejasse construir um hotel ao lado da Usina do Gasômetro e o chamasse de “Hotel X”. Após isso, começaríamos a chamar a Ponta do Gasômetro de “Ponta do Hotel”. Seria uma derrota. Até porque o nome antigo do local é “Ponta da Cadeia”. A antiga cadeia era um prédio arquitetonicamente mais representativo e belo que a Usina. Virou poeira. Eram outros tempos, infelizmente. Voltando à Ponta do Melo, sou cético. Já fomos longe. O Prefeito vetou o projeto. Condicionou transformações no regime urbanístico daquele local à uma consulta popular. A consulta foi proposta pela oposição na época da votação do projeto e foi derrotada pela bancada fogacista. Depois, vendo a reação negativa da sociedade à proposta, os vereadores do governo reuniram-se com seu prefeito e propuseram a realização da consulta. Fogaça fez. Agora, os fogacistas querem fazer uma consulta meia-boca, ou consulta nenhuma.Dia 5 de março haverá uma audiência pública, vamos ver. Sou cético, mas sou esperançoso. Quem sabe a gente consegue impedir o início do fim da orla?