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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Frank Lloyd Wright e Mies Van Der Rohe: mais semelhanças que diferenças

A boa arquitetura é racional, de bom gosto, evolutiva: a poesia de saber projetar.
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Influenciado inicialmente pelos primeiros trabalhos com Sullivan, FRANK LLOYD WRIGHT oscilava entre a rigidez da ordem clássica que regia o final do século XIX, e a vivacidade da ordem assimétrica. A quebra do raciocínio clássico parte da inspiração que a arquitetura japonesa fornecia, claramente inspirada nas linhas harmônicas e em consonância com a natureza.
Wright desenvolve alguns dos pilares que vem a ser o eixo-base de seu consagrado estilo pradaria: telhados horizontais, que estendem seus longos beirais sobre amplas varandas, marcando a extensão e integração dos espaços internos com o exterior, além de fornecer a sensação de proteção. Os espaços internos passam a ser livres, com uma clara comunicação entre os ambientes. Todas essas linhas suaves desenvolvem-se em torno de lareiras e chaminés centrais, que parecem brotar do solo das pradarias norte-americanas: com isso, fundamentam-se o ideário de Wright, que é com certeza a grande contribuição/conceito dele para a arquitetura, a integração da construção com a paisagem através de uma nítida horizontalidade, sem agredi-la e integrando-se com esta. Com isso, consegue formalizar a “desconstrução da caixa hermética” que eram as construções até ali, promovendo o que seria ao meu ver, um esboço de plantas livres em desenhos assimétricos em xadrez.
Os rebuscados materiais utilizados até então, muitas vezes em desacordo com as possibilidades que os materiais in natura poderiam alcançar, nas mãos de Wright ganham as primeiras fundamentações para o atual conceito de sustentabilidade: o arquiteto passa a utilizar materiais da região, procurando respeitar as formas, cores e potencialidades destes, assim como a cultura local. Com as plantas livres, habitua-se a desenvolver o mobiliário que integra esses ambientes comunicantes.
Fallingwater (Richard A. Cooke/Corbis )
Além da Robie House e da Fallingwater, sua obra-prima, desenvolve trabalhos corporativos onde aparece sua maturidade arquitetônica em prédios como o Johnson Wax (onde o prédio desenvolve-se em torno de uma haste central, como galhos de uma árvore) e seu último trabalho executado, o museu Guggenheim, que tem sua hélice expandindo-se em rampa espiral estendida até o último andar; tem seu interior “aberto”, na verdade coberto por um domus iluminado, conferindo espacialidade e iluminação zenital.

“Menos é mais”, e “Deus está no detalhe” são possivelmente as frases que melhor definem a obra de MIES VAN DER ROHE.
A partir de sua formação e conhecimento de engenharia, Mies desenvolveu um cuidado absoluto no detalhe e a correta utilização de materiais, sempre se utilizou destes e das técnicas mais modernas possíveis, sem ornamentações. Enfatizava a qualidade intrínseca dos materiais, sem revesti-los desnecessariamente.
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Projeta com o apurado conceito da conjunção da arte arquitetônica com o conceito da serialização (sem prejuízo à primeira); “bebeu” na fonte da Bauhaus e foi um de seus diretores. Desenha ambientações típicas de Wright (claramente influenciado); também é um adepto da planta livre e assim faz-se seus projetos, desenvolvendo um conceito de “permeabilidade”, através de grandes panos de vidro, que irá marcar fortemente seus trabalhos.
A residência Tugendhat na República Tcheca e a casa Farnsworth nos EUA (em tempos distintos, 1928 e 1946) mostram muito bem o caráter minimalista e preciso de Mies, onde a permeabilidade citada é marca registrada.
Prédios de caráter público como o Crown Hall do ITT de Illinois, e o edifício Seagram de Nova Iorque sintetizam o ritmo que ele conferia às suas edificações: evidenciou a estrutura, valorizou os materiais e a tecnologia, através de uma simplicidade estrutural aparente, explorando sempre o que de melhor a técnica poderia oferecer. Jamais foi um formalista gratuito, sempre optou pela clareza estrutural a serviço do momento histórico e tecnológico que se vivia em cada projeto desenvolvido.
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Num rápido comparativo, são claras as semelhanças entre as obras de Wright e Van Der Rohe, no que tange o desenvolvimento de plantas livres. Cada um a seu estilo, época e principalmente formação, os projetos residenciais desenvolvem-se com os mesmos conceitos, porém com inspirações diferentes.
Wright é o poeta da integração, da visualização da natureza interior às edificações e sua complexa (e livre) relação com o exterior, sem abdicar dos materiais adequados à região, coisa que Mies também o faz, porém com o que de melhor a técnica e materiais dispunha ao seu redor, abusando dos panos de vidros. Nenhum deles primou pela ornamentação, deixaram sua marca pautada no respeito ao material empregado, à forma do mesmo e ao seu ritmo natural (Mies).
Privilegiaram o funcional e o racional, sem abandonar a poesia característica de suas inspirações, respectivamente: a natureza terrestre e a natureza intrínseca da tecnologia.

sábado, 24 de novembro de 2012

CASTELOS DE AREIA - O DESCONSTRUTIVISMO NA ARQUITETURA CONTEMPORÂNEA

A relação do homem com seu ambiente transforma-se à medida que sua consciência muda ao longo do tempo. O edifício não significa apenas um espaço de habitação, mas também a expressão de uma época e seus conflitos existenciais. A arquitetura contemporânea ainda olha bastante para trás e não nega, ao contrário do que ocorria com a produção moderna, mas também olha para frente, apresentando otimismo e determinação.

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© St. Mary Axe, Norman Foster (Norman Foster+partners).
A arquitetura contemporânea surgiu a partir do movimento desconstrutivista, no fim dos anos 1980, caracterizado pela fragmentação e pelo processo de desenho não linear, que distorce e desloca alguns dos princípios elementares da arquitetura como a estrutura e o envoltório do edifício. A escola desconstrutivista contrapõe-se à racionalidade ordenada do Modernismo, e tem por base o movimento literário chamado desconstrução, e também sofreu influências pelas experimentações formais e desequilíbrios geométricos do construtivismo russo, que existiu na década de 1920.
Alguns dos arquitetos conhecidos como desconstrutivistas foram influenciados pelas idéias do filósofo francês Jacques Derrida. O redimensionamento desses conceitos iniciou-se por volta da década de 1960, e resultou em um abalo na hegemonia dos discursos de toda ordem, já que qualquer discurso que visasse à verdade era posto em dúvida. No entanto, "desconstrução" não pode ser tomada como sinônimo de destruição, e sim, de um procedimento de questionamento, de rastro e apagamento, de decomposição e de reorganização dos discursos até então considerados dogmáticos e dominadores. A intenção do desconstrutivismo como um todo é libertar a arquitetura do que seus seguidores vêem como as "regras" constritivas do modernismo, tais como a "forma segue a função", "pureza da forma" e a "verdade dos materiais".
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© Frank Gehry, Museu Guggenheim Bilbao (Tatitannuri).
No ano de 1997, a inauguração do Museu Guggenheim Bilbao projetado pelo arquiteto canadense naturalizado norte-americano Frank Gehry, foi um dos marcos na arquitetura contemporânea, que estabeleceu a cultura da implantação de obras espetaculares para recuperação de cidades e áreas decadentes, materializando a expectativa de cidades ocidentais que sofriam um processo de desindustrialização e buscavam um novo sentido na industria da criatividade. As noções de rastro e apagamento foram postas em prática por Libeskind em seu projeto do Museu Judaico de Berlim(2001), concebido como um rastro do apagamento do Holocausto, e por memoriais como o Monumento aos Veteranos do Vietnã (1982) de Maya Lin e o Memorial aos Judeus Mortos da Europa de Peter Eisenman (2004).
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© Zaha Hadid, The circle at Zurich airport (Zaha Hadid Architects).
As obras contemporâneas enfatizam a expressão da monumentalidade, imperativo do homem de registrar autoridade por meio de uma arquitetura de vanguarda, delineando uma imageabilidade contemporânea, que aborda o ideal estético de economias emergentes como Xangai e Dubai (o complexo corporativo transnacional) e a marca do arquiteto por meio de tecnologias e formas escultóricas ou referenciais, com grande ênfase imagética, como o edifício St. Mary Axe do britânico Norman Foster, a Torre Agbar de Jean Nouvel, em Barcelona, as obras da arquiteta iraquiana Zaha Radid, e dos brasileiros Oscar Niemeyer e Ruy Ohtake, entre outros.
No entanto, a Bienal de Veneza em 2000, dirigida pelo arquiteto italiano Massimiliano Fuksas, trouxe uma reflexão, de que a arquitetura precisa de mais ética e menos estética, pois estava perdida em elementos gratuitos, muito preocupada com a imprevisibilidade e seu impacto visual, e pouco com a funcionalidade do edifício. Desde então, outro arquitetos buscaram por elementos essenciais da arquitetura, pela simplicidade das formas e pela economia, como os arquitetos Tadao Ando e Renzo Piano.
Esta questão não está relacionada ao minimalismo, mas sim às características fundamentais de um projeto. Para Piano, as características de uma obra se resumem principalmente à história e natureza, interfaces límpidas com as quais se pode medir todo seu resultado arquitetônico - o edifício-sede do jornal The New York Times (2000-7), é o arranha-céu mais importante construído na metrópole americana depois da tragédia do 11 de setembro, representada por uma estrutura arquitetônica leve, tecnológica, que permite melhor eficiência energética e conforto ambiental.
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© The New York Times, Renzo Piano (Frieder Blickle, Light Scout).
A arquitetura contemporânea brasileira reúne todas as tendências e técnicas arquitetônicas utilizadas nos tempos atuais. A produção é consistente e dotada de sentido estético adequada ao nosso tempo, sendo capaz de aliar o conhecimento prévio modernista e simultaneamente romper com os paradigmas pré-existentes. O resultado é uma busca por soluções tecnológicas mais sustentáveis e perspectivas mais amplas na experimentação de soluções projetuais abstratas, inovadoras e únicas.
Enfim, a arquitetura contemporânea é o reflexo do mundo cada vez mais globalizado e tecnológico. Resta para os arquitetos se adaptar e descobrir uma forma de aplicar estes novos métodos de forma que seja funcional, em outras palavras, a arquitetura contemporânea deve ser única, e atender as necessidades básicas de forma 'inteligente', a partir de uma análise profunda do local a ser trabalho e das necessidades reais. Podemos observar que existem maneiras de criar espaços e volumes que se adaptam ao ambiente, e não se tornando algo chocante que chame atenção pela estética.


Artigo da autoria de Flávia Pimenta Palmeira.
Percorrendo o mundo das idéias, no limiar entre o perfeito e o imperfeito, o real e o imaginário, o visível e o oculto, em busca de respostas.
Saiba como fazer parte da obvious.

sábado, 29 de setembro de 2012

Capitalismo e o grande cassino internacional


Foto de arquivo de cassino em Las Vegas (BBC)Por que cassinos evitam espelhos?


Para arquiteto, segredo do sucesso de cassino é a ilusão de glamour
Nos anos 1970 e 80, Las Vegas cresceu a uma velocidade alucinante, mas o atual estado cambaleante da economia global faz com que a cidade americana famosa por seus cassinos olhe com um pouco de inveja para suas semelhantes na China - ainda que estas possam estar seguindo o mesmo caminho.
Las Vegas ilustra o quanto a arquitetura de cassinos é variada: abriga desde pirâmides a castelos medievais e circos. "Vale tudo", diz Paul Steelman, arquiteto especializado na construção de cassinos.
Mas Steelman revela que existe uma regra de ouro: nada de espelhos.
"Isso porque a chave dos cassinos é a ilusão", explica ele. "Você entra num cassino para sentir-se como James Bond. A última coisa que quer é dar uma olhada em si mesmo pelo espelho. Você verá sua barriga flácida ou as espinhas na sua cara e, num segundo, a ilusão se desintegrará e você parará de jogar."
Mas, na conhecida Strip, em Las Vegas, a indústria do cassino - assim como o apostador que acaba de se olhar no espelho - está sendo forçada a lidar com seus entraves.
A cidade ainda anda cheia de visitantes e de atrações, mas uma construção específica exemplifica os problemas enfrentados por Las Vegas: o Fontainbleau era para ter sido um complexo com 3.889 quartos de hotel, 24 restaurantes e - é claro - um enorme cassino. Mas ele nunca abriu suas portas.
Kangbashi, na ChinaSeus financiadores foram à falência após gastar US$ 3 bilhões no local. Agora, o Fontainbleau é apenas um esqueleto na paisagem.
Será que esta cidade fantasma chinesa estará repetindo os mesmos erros de Las Vegas?
A construção do complexo - bem como a boa fase de Las Vegas - foi interrompida em plena crise financeira global, quando, após décadas de crescimento ininterrupto, a "Sin City" tornou-se a capital da reintegração de propriedades nos EUA.

Competição chinesa

Ainda assim, Paul Steelman tem trabalhado bastante. Isso porque a liderança de Las Vegas está sendo superada por concorrentes chineses.
Steelman está projetando cassinos em Macau, o pequeno território localizado em Mar do Sul da China.
Em 2006, Macau eclipsou Las Vegas ao superá-la nas receitas produzidas pelos jogos de azar. Agora, a ilha fatura US$ 30 bilhões com o setor anualmente, cinco vezes mais do que a "Sin City".
Um detalhe, porém: neste ano, o crescimento de Macau perdeu fôlego pela primeira vez desde que o jogo de azar foi liberado na ilha, há uma década. O motivo pode estar na concorrência de diversos cassinos construídos na China continental, inclusive imitando o Fontainbleau.
Cassino em Macau
Macau está atraindo investimentos em cassinos e ofuscando a 'Sin City'
O impressionante é que, assim como o Fontainbleau, muitos desses empreendimentos estão vazios, apesar dos bilhões investidos nas construções de suas enormes torres, muitas com prédios residenciais nunca ocupados.
Um exemplo é Kangbashi, uma verdadeira cidade fantasma no interior da China. Ali há centenas de prédios nunca ocupados, rua após rua.

A cidade foi projetada para abrigar mais de 1 milhão de moradores, mas hoje tem apenas um bar - e a reportagem da BBC era a única clientela na noite em que visitou o local.

Apostas malsucedidas

Um empreendedor de Las Vegas comentou que, antes da crise, em 2006, cerca de um terço da população da cidade americana estava empregada na construção civil. Vegas estava "apostando no jogo de azar do crescimento", ele ironizou.
Hoje, vemos que essa aposta não se pagou: o ciclo de crescimento foi quebrado e a riqueza da cidade evaporou à medida que os preços dos imóveis entraram em colapso, assim como em outras cidades americanas.
A China é, atualmente, um dos poucos pontos de expansão econômica do mundo. Mas, diante de seus empreendimentos fantasmas, talvez precise pensar na advertência de Paul Steelman quanto a olhar-se no espelho em cassinos.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

La Tour Eiffel 1889

Confira aqui imagens da construção do edifício mais famoso de Paris, a Torre Eiffel, que teve sua inauguração em 1889. Construída para marcar o centenário da Revolução Francesa, a Torre é um ícone que atrai todos os anos milhares de turistas. Estes que pagam para subir o monumento que possui três níveis, tudo para ter o direito de ver a cidade inteira e se deliciar com lojas e restaurantes.
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Mais imagens Tour Eiffel

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Obras faraônicas fazem regiões da Espanha deverem o que não têm


A Cidade das Artes e Ciências de Valência está em funcionamento
Três anos atrás, o prefeito de Alcarcon embarcou em um projeto extremamente ambicioso.
Cerca de 100 milhões de euros deveriam ser investidos em um centro cultural de relevância internacional, completo, com nove edifícios, três pisos subterrâneos, e até mesmo um circo.
Mas não deu certo.
A área onde o projeto estava sendo construído nos dá agora apenas uma triste visão.
No local, fios pendurados e construções futuristas semi-acabadas estão cobertas com grafites e permanecem protegidas por cercas de ferro.
Um projeto que era para colocar o local no mapa se tornou símbolo de um velho mau hábito na Espanha, o gasto excessivo das províncias.
Muitas regiões do país devem bilhões de euros, em parte porque políticos locais construíram de aeroportos e piscinas a gigantescos projetos culturais durante os tempos de prosperidade.
Alguns destes projetos estão inacabados, vazios ou inativos. Outros foram concluídos conforme planejado.
Mas a maioria deles têm uma coisa em comum: deixaram grandes buracos nas finanças públicas.
Observe o caso de Valência, onde a Cidade das Artes e Ciências foi inaugurada em 1998. A iniciativa cultural foi concluída, está em pleno funcionamento e é muito impressionante.
Mas o seu deficit orçamentário é de cerca de 600 milhões de euros, com a mídia local alegando que os custos dobraram para quase 1,3 bilhão de euros.

Buraco negro

Alcarcon, nos arredores de Madrid, mudou de prefeito há um ano.
David Perez Garcia é o novo homem no comando da cidade, onde cerca de 180 mil pessoas vivem.
Ele diz que as taxas de legalização e custos fora de controle empurraram o preço final do centro local de cultura e artes para para 170 milhões de euros.
"Isso está devorando todos os recursos da cidade", diz ele, apontando para a forma como a cidade foi deixada pode seu sucessor, com 612 milhões de euros em dívidas.
"Até mesmo as faturas de eletricidade não estão sendo pagas. Todo o dinheiro que foi colocado neste edifício."

Construa agora, pague depois

De acordo com Llatzer Moix, autor de "Miracle architecture", o sucesso do museu Gugenheim em Bilbao, que atrai quase um milhão de visitantes todos os anos, provocou em outras cidades espanholas "inveja cultural".
Havia uma mentalidade de "meu vizinho tem esse equipamento cultural novo e maravilhoso, então eu quero um outro como o deles, ou provavelmente até mesmo um melhor", diz ele.
Bem como grandes projetos culturais, a infraestrutura de transporte da Espanha cresceu exponencialmente durante os anos do boom.
A construção do novo aeroporto, que custou 150 milhões de euros à comunidade autônoma de Valência, no leste da Espanha, terminou em março do ano passado.
Mas sequer um único avião aterrissou em sua pista.
Em Ciudad Real, a curta distância de trem ao Sul de Madri, um outro caro aeroporto está vazio.
"Um aeroporto em Ciudad Real, para quê?", pergunta Celestino Suero, da CE Consulting, empresa de consultoria espanhola. "Ninguém usa."
Projetos falhos deveriam ser simplesmente fechados, Suero insiste, pedindo mais controle do governo central sobre as finanças das regiões espanholas.
"A Espanha tornou-se um país em que cada região faz o que quer", diz ele.
"Os problemas da Espanha não serão resolvidos, a menos que suas comunidades autônomas sejam devidamente reguladas."

Dívidas com os pequenos

O aumento do deficit no orçamento da Espanha, de 8,5% do PIB no ano passado para 8,9% em 2012, tem sido atribuído às regiões endividadas.
Como resultado, o governo central de Madri estabeleceu uma apertada meta de deficit de 1,5% do orçamento para todas as comunidades autônomas para este ano.
A administração também vai oferecer empréstimos baratos aos governos regionais para que possam pagar as suas dívidas.
A esperança é que isso ajude a acalmar a Comissão Europeia, que no início desta semana disse que estava pronta para adiar a meta de deficit orçamentário de 3% do PIB para a Espanha de 2013 para 2014, sob a condição de que as regiões espanholas também coloquem suas finanças públicas em ordem.
Grande parte da dívida dos governos regionais do país é devida a pequenas empresas locais, que realizaram trabalhos e ainda não foram pagas.
Enrique Martin é dono da Distripaper, gráfica e empresa de relações públicas em Alcarcon.
A antiga administração municipal lhe deve 80 mil euros por um trabalho em uma campanha de marketing.
Porque não recebeu, ele teve que demitir cinco de seus 11 funcionários.
Ele acredita que a ideia de construir um centro cultural de milhões de euros na cidade foi um erro desde o início.
"Era grande demais para uma cidade como a nossa", diz ele.
"O custo era muito alto."

segunda-feira, 2 de abril de 2012

COMUNICADO IAB RS: Concursos Públicos de Arquitetura e Urbanismo para as estações do Metrô e seus entornos urbanos

http://iab-rs.blogspot.com.br/IAB RS irá fazer contato com os responsáveis pelo Metrô de Porto Alegre para recomendar que os projetos das estações sejam contratados via Concurso Público, o que garantirá mais qualidade para este importante equipamento da cidade.
A construção do futuro da cidade não pode ficar atrelado à instrumentos e práticas do passado: licitação de menor preço e contratação direta de projeto é um equívoco muito grave que não resultarão em projetos e obras de qualidade.
O concurso é o instrumento mais moderno, porque retira dos gabinetes a decisão, mais democrático, porque permite a participação de todos os profissionais, e totalmente transparente porque garante à toda a população o acompanhamento de todas as etapas de discussão e seleção das propostas.
A cidade do Rio de Janeiro está dando um bom exemplo e selecionando seus projetos olímpicos via concurso público (Porto Olímpico, Vila Olímpica), seguindo o exemplo das grandes cidades que admiramos.
Em Porto Alegre, somente um concurso nacional de arquitetura que selecione um ou vários bons escritórios para a realização de projetos contemporâneos que transformem os equipamentos do metrô também em obras de arte da cidade e em atração turística. As estações serão simbólicas e serão transformadas em pontos de referência dos bairros.
Este é o futuro que queremos.
O concurso será a melhor maneira evitar mais puxadões de concreto, feios, "baratinhos", mal projetados, gestados em "caixas pretas", e mal executados pelo menor preço possível.

Arq. Tiago Holzmann da Silva - Presidente do  IAB RS

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O maior tesouro dos Estados Unidos: a Biblioteca do Congresso

publicado em recortes por diana ribeiro 
 
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© Biblioteca do Congresso, Fachada. Foto de: CJStumpf (Wikicommons).
A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, em Washington, é a instituição cultural mais antiga do país e a biblioteca mais completa do mundo. Criada em 1800 pelo então presidente John Adams, possui actualmente cerca de cento e quarenta milhões de obras em pelo menos quatrocentos e setenta idiomas, muitas das quais verdadeiros tesouros - por exemplo, os diários manuscritos de George Washington ou um exemplar da bíblia de Gutenberg. Com o advento das novas tecnologias, parte do seu património já está a ser digitalizado e, portanto, tornar-se-á acessível a qualquer leitor.
O centro de Washington alberga um dos grandes tesouros norte-americanos: a Biblioteca do Congresso. Considerada a maior e mais completa biblioteca do mundo, já resistiu a dois incêndios e à consequente perda de milhares de livros. No entanto, a sua colecção – que foi sendo reposta ao longo dos tempos - distribui-se actualmente por mil quilómetros de estantes e está a ser digitalizada com o objectivo de se tornar acessível a todos.
A Biblioteca foi criada a 24 de Abril de 1800 através de um decreto oficial assinado pelo então presidente John Adams. O “Acto do Congresso” transferia, assim, a sede do governo de Filadélfia para Washington. Na nova capital, o governo destinou cinco mil dólares para a compra de livros necessários ao funcionamento do Congresso, e a um espaço que fosse capaz de armazená-los.
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© Biblioteca do Congresso, Galeria do Tesouro. Foto de: Andreas Praefck (Wikicommons).
Inicialmente a biblioteca fica instalada no Capitólio. Porém, quando as tropas inglesas invadem o território em 1814, um primeiro incêndio destrói não só o edifício como também os três mil exemplares que este continha até à data. Num golpe de sorte, em menos de um ano a sua colecção ganha 6.487 livros: o ex-presidente Thomas Jefferson, com várias dívidas para pagar, vende a sua biblioteca pessoal. Passara mais de cinquenta anos a coleccionar obras sobre os Estados Unidos e referentes a todos os temas científicos.
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© Biblioteca do Congresso, Interiores. Foto de: Diliff (Wikicommons).
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© Biblioteca do Congresso, Interiores. Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).
Em Dezembro de 1851, um segundo incêndio põe fim a trinta e cinco mil livros e raridades como os retratos dos cinco primeiros presidentes norte-americanos pintados por Gilbert Stuart, um retrato original de Cristóvão Colombo e estátuas de George Washington, Thomas Jefferson e Marquês de la Fayette.
Actualmente, a biblioteca é gerida por quatro mil bibliotecários que, para além da organização e preservação do seu património, se dedicam a manter a filosofia iniciada por Thomas Jefferson: o carácter universal do conhecimento só é possível se acreditarmos na importância de todos os temas. Foi nessa base que Rand Spofford, bibliotecário entre 1864 e 1897, a transformou numa instituição nacional, estabelecendo a lei dos direitos autorais pela qual todos os que publicassem teriam de enviar à biblioteca dois exemplares do seu trabalho. Por conseguinte, houve uma entrega massiva de livros, mapas, folhetos, fotografias e músicas e, claro, uma escassez de estantes para os guardar.
Em 1873, o Congresso autoriza então um concurso para novas propostas a fim de alargar a biblioteca. Em 1886, o projecto de Washington John e J. Paul Pelz é posto em prática e constrói-se um impressionante edifício baseado na arquitectura renascentista. O seu interior começa a ser decorado com esculturas e pinturas de vários artistas norte-americanos. A 1 de Novembro de 1897, a Biblioteca do Congresso abre oficialmente as suas portas ao público.
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© Biblioteca do Congresso, Escultura de Philip Martiny (1858-1927). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).
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© Biblioteca do Congresso, Cupula da sala de leitura principal. Foto de: Bailey Palblue (Wikicommons).
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© Biblioteca do Congresso, Sala de leitura principal. Foto de: Carol M. Highsmith (Wikicommons).
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© Biblioteca do Congresso, "Evolução do livro - escribas medievais", pintura de: Jonh White Alexander (1856-1915). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).
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© Biblioteca do Congresso, "Evolução do livro - Gutenberg", pintura de: Jonh White Alexander (1856-1915). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).
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© Biblioteca do Congresso, "Tragédia", pintura de: George Randolph Barse (1861-1938). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).
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© Biblioteca do Congresso, "Romance", pintura de: George Randolph Barse (1861-1938). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).
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© Biblioteca do Congresso,"Erótica", pintura de: George Randolph Barse (1861-1938). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).
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© Biblioteca do Congresso, "História", pintura de: George Randolph Barse (1861-1938). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).
Embora só integrantes do Congresso e membros de órgãos do Estado possam aceder detalhadamente às obras, qualquer leitor pode visitá-la. Para isso basta ter mais de 16 anos e o cartão de identificação de leitor. Nas salas de leitura há mais de quarenta milhões de exemplares para consultar, traduzidos em quatrocentos e setenta idiomas. E nas zonas de colecção, verdadeiros tesouros para apreciar. A biblioteca tem uma cópia da bíblia de Gutenberg, os diários manuscritos de George Washington e os primeiros desenhos sobre a Lua de Galileu.
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© Biblioteca do Congresso, Cópia da Biblia de Gutenberg. Foto de: Mark Pellegrini (Wikicommons).
Com o advento das novas tecnologias, o seu património está a ser digitalizado para poder chegar a todos. Mesmo que os livros de papel (futuramente) não sobrevivam, torna-se essencial preservar os principais documentos da humanidade pelo enorme valor histórico que representam. O director da biblioteca afirma estar a ser feito um grande trabalho para colocar o seu acervo virtualmente. Visite o site oficial e faça uma visita à maior esfera de conhecimento do planeta.

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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Arquitetura criativa (ou bizarra)

 
Site reúne o que há de mais criativo (e algumas vezes, estranho) no mundo da arquitetura
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The Crooked House (Sopot, Polônia)
A arquitetura é um dos maiores feitos "físicos" da humanidade. Prova é a Muralha da China, a maior construção do mundo que pode ser vista até mesmo do espaço. O que nos chama mais atenção ainda é quando as construções fogem, digamos, um pouco do padrão. Temos a inerente curiosidade pelo "diferente", e uma casa ou edifício com essa característica, com alguns metros de dimensão, certamente não passa despercebido. Conheça o site Strange Buildings, que apresenta uma coleção de arquitetura nem um pouco convencional.


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Forest Spiral – Hundertwasser Building (Darmstadt, Alemanha)

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The Torre Galatea Figueras (Espanha)
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The Basket Building (Ohio, Estados Unidos)
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Kansas City Public Library (Missouri, Estados Unidos)
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Wonderworks (Pigeon Forge, TN, Estados Unidos)
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Dancing Building (Praga, República Tcheca)
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Ripley’s Building (Niagara Falls, Ontario, Canadá)
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Great Mosque of Djenné (Djenne, Mali)
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Agbar Tower (Barcelona, Espanha)

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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Karl Marx, o edifício mais longo do mundo

Situado em pleno coração de Viena, na Áustria, o Karl Marx Hof, estende-se ao longo de mais de um quilómetro de comprimento e quatro paragens de ónibus. Não é impunemente que é considerado o edifício residencial mais comprido do mundo e um símbolo do poder dos trabalhadores nos anos de ouro do socialismo europeu.

 Karl Marx, o edifício mais comprido do mundo
Quando foi inaugurado, em 1930, o Karl Marx Hof não se distinguia apenas pelo seu enorme comprimento, superior a 1100 metros, nem pela sua altura ou pelos tons fortes de amarelo e vermelho das suas fachadas que contrastavam vivamente com as tímidas vivendas em seu redor. Era também um símbolo de uma política socialista e de uma arquitectura ao seu serviço. O Karl Marx Hof erguia-se insolentemente no meio de uma zona chique da cidade e atrevia-se a oferecer mais de 1300 apartamentos para trabalhadores com instalações sanitárias, água canalizada e varandas! - um luxo a que nenhum operário da época tinha acesso.
Os hof eram edifícios de habitação social construídos pelo governo socialista austríaco durante os anos 20'. Embora se assemelhassem a um quarteirão, não se enquadravam nos processos de loteamento tradicionais, pois eram projectados e edificados de uma assentada, e o seu "miolo" era composto por espaços livres comunitários, geralmente ajardinados. Este tipo de edificações conheceu grande popularidade nos anos que se seguiram e deixou influências profundas no urbanismo moderno.
 Karl Marx, o edifício mais comprido do mundo
O Karl Marx Hof tornou-se o arquétipo deste tipo de edifícios. Foi projectado em 1927 por Karl Ehn para uma área de 15 hectares. Todavia, apenas 18% desta área era destinada a habitação (cerca de 1380 apartamentos para 5000 pessoas), uma vez que o resto consistia em jardins e equipamentos comunitários: uma escola, recreios, lavandarias, serviços médicos, estabelecimentos comerciais e instalações sanitárias. Mesmo assim, a dimensão do conjunto é impressionante, como se pode ver numa fotografia aérea.
Longe dos anos de ouro do socialismo europeu e do poder dos trabalhadores, o enorme edifício sucumbiu com o passar do tempo a diversos problemas sociais e arquitecturais. Alguns dos primeiros locatários que ocuparam com orgulho os modernos apartamentos de 1930 ainda ali residem. O sentido comunitário e o bom relacionamento entre os habitantes perdeu-se. Também os apartamentos se tornaram obsoletos, com as suas áreas reduzidas e infraestruturas degradadas. O Karl Marx hof tornou-se um gueto.
Nos anos 90' foi instaurado um plano de intervenção que incluía obras de reparação da estrutura, substituição de pavimentos, janelas e outros elementos, de modo a ajustar o edifício aos padrões de vida actuais. As habitações restauradas têm vindo a ser ocupadas por jovens em início de vida que não podem pagar alojamentos mais caros noutras zonas da cidade. Alguns tentam organizar actividades colectivas nos espaços livres. A pouco e pouco a vida e o espírito comunitário vão voltando ao maior edifício do mundo...
 Karl Marx, o edifício mais comprido do mundo
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