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sábado, 4 de março de 2017

Europa: a curiosa exceção portuguesa

Antonio Costa (à direita), primeiro ministro português, recebe Benoit Hamon, candidato à presidência da França. Os "socialistas" franceses aprenderão algo?
Antonio Costa (à direita), primeiro ministro português, recebe Benoit Hamon, candidato à presidência da França. Os “socialistas” franceses aprenderão algo?
Por Antonio Martins em Outras Palavras

Um governo à esquerda rejeita as políticas de “austeridade”, amplia seu apoio popular e atrai a atenção dos Partidos “Socialistas” da França e Alemanha. Por quê?
Dois pesos pesados da família europeia de partidos “socialistas” prestaram, nos últimos dias, homenagens ao PS português a ao primeiro ministro do país, Antonio Costa. Primeiro, foi a vez do francês Benoit Hamon, que disputará em abril a presidência de seu país. “Fazer minha primeira viagem política a Lisboa foi uma decisão política”, disse ele: “é um país governado pela esquerda, apoiado por uma frente de esquerda, e que abandonou as políticas de ‘austeridade'”. Dias depois, Hamon foi seguido pelo alemão Martin Schulz, que liderará o Partido Social Democrata (SPD) nas eleições parlamentares para formar novo governo, em setembro. Costa é “um excelente amigo”, afirmou, sugerindo que considera a experiência portuguesa uma eventual alternativa à “grande coalizão” que o SPD forma hoje com os conservadores de Angela Merkel. É instrutivo examinar as causas do charme português.
Em novembro de 2015, quando toda a Europa parecia olhar para a direita, Antonio Costa enxergou uma oportunidade em rumo oposto. Nas eleições parlamentares de outubro, a coalizão conservadora Portugal à Frente, que impunha por cinco anos as políticas de cortes de direitos sociais, sofreu forte baque (caiu de 50,4% para 38,6% dos votos) e perdeu a maioria das cadeiras no Parlamento, embora conservando a maior bancada. No PS, Costa ensaiou um giro surpreendente. Aceitou uma aliança com o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista e Os Verdes. Capaz de lhe assegurar maioria, a frente foi, ainda assim, maldita por um setor dos “socialistas”, a quem uma união à esquerda parece sempre um anátema.
Costa manteve-se firme. Seu governo não pratica grandes ousadias, mas interrompeu a espiral rumo ao fundo do poço. O salário mínimo teve discreto aumento, acima da inflação. Anulou-se um aumento de impostos regressivo, que pesava sobre os consumo dos mais pobres. O primeiro ministro defendeu a ideia de que a crise financeira, da qual Portugal padece desde 2008, precisa ser combatida recuperando o emprego e a renda — e não transferindo mais riquezas aos banqueiros.
Os resultados apareceram rapidamente. O índice de desemprego, que chegou a 17% em 2013, deve cair este ano para menos de 10%. O próprio déficit público recuou para 2,1% (contra 11,7% em 2011, auge das políticas de “austeridade”) — uma economia reativada amplia a arrecadação de tributos. A últimas pesquisas registram que Costa tem 66,1% de aprovação entre os eleitores.
A romaria de políticos “socialistas” a Lisboa poderia significar o início de uma virada na Europa? Desde o início da crise de 2008 a esquerda permanece paralisada. O cenário é dominado ou pelos conservadores tradicionais (que aplicam uma “austeridade” sem fim, sempre favorável aos mais ricos), ou pela direita xenófoba e quase-fascista (que denuncia a “austeridade”, mas transforma os imigrantes em bodes expiatórios). Oxalá o giro português de Hamon e Schulz signifique mais que retórica.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Espanhóis vão às ruas pedindo referendo sobre monarquia


Dezenas de milhares de pessoas concentraram-se hoje (2) no centro de inúmeras localidades espanholas, com destaque para as duas maiores cidades, a capital, Madrid, e Barcelona, exigindo um referendo sobre a monarquia.
Segundo fontes policiais, por volta das 21h (hora local), mais de 20 mil pessoas estavam concentradas na Porta do Sol, no centro de Madri, e nas ruas de acesso ao local, que se tornou famoso como palco dos protestos na capital espanhola.
"Espanha, amanhã será republicana", era uma das frases mais repetidas na praça onde continuam a chegar pessoas. "Referendo já", lê-se em muitos cartazes.
Um protesto idêntico juntou milhares de pessoas na Praça da Catalunha, no centro de Barcelona, onde, além das bandeiras tricolores (vermelhas, amarelas e roxas) da Segunda República Espanhola, viam-se bandeiras separatistas catalãs e cartazes a favor da independência na Catalunha. “Queremos votar a 9N), lia-se, num grande cartaz em catalão, em referência à consulta sobre a autodeterminação, tema dominava o protesto. Outros cartazes protestavam contra a monarquia: “Felipe, querido, ninguém te elegeu”, dizia um deles, referindo-se ao príncipe de Astúrias, herdeiro do rei Juan Carlos, cuja renúncia foi anunciada hoje.
Não foi pedida autorização às delegações do governo para os protestos que, por isso, são formalmente considerados ilegais.
Os protestos, marcados para várias localidades espanholas e outras cidades europeias, incluindo o Porto e Lisboa, foram convocados de forma espontânea, pelas redes sociais, após primeiro-ministro, Mariano Rajoy, anunciar a decisão de Juan Carlos.
“Depois da abdicação do rei da Espanha, o seu filho mais velho será declarado o novo rei, por herança. Dada esta anormalidade democrática, as redes sociais responderam convocando protestos em todo o país para pedir um referendo sobre a monarquia”, diz uma das notas distribuídas mas manifestações. “Após 39 anos de falsa democracia, após 39 anos de monarquia, cai o bipartidarismo e cairá a monarquia. Agora chegou o tempo de um processo constitucional e uma democracia real”, acrescenta o texto.
Entre os manifestantes em Madri, destacavam-se líderes de várias forças políticas que apoiam um referendo sobre o futuro modelo de Estado na Espanha, como Cayo Lara, representante da Esquerda Unida. “Fiquei com o cabelo branco à espera da República. Ainda não chegou, mas hoje está mais próxima com a abdicação do rei. Chegou o momento de dar a palavra ao povo”, disse Lara.
O trânsito nos acessos à praça foi fechado por volta das 20h e os manifestantes são observados por agentes das forças de segurança que se instalaram em frente à sede do governo regional de Madri.
Nas redes sociais, circulam duas petições favoráveis a um debate parlamentar sobre o futuro modelo de Estado na Espanha e a realização do referendo sobre a monarquia. Oito horas depois da abdicação do rei, as duas petições somavam mais de 120 mil assinaturas.
Juan Carlos, de 76 anos, que pretende entregar a coroa ao filho, Felipe, de 46 anos, teve um reinado de 39 anos, um dos mais longos da história, e disse que quer dar a vez à nova geração, “que reclama um papel de protagonismo”.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Filha do rei da Espanha é acusada novamente por desvio e lavagem de dinheiro


Da Agência Brasil *
Brasília – A filha do rei espanhol, Juan Carlos, a infanta Cristina de Bourbon, foi acusada pela Justiça do país de desvio de fundos e lavagem de dinheiro. Ela será ouvida pela Justiça no dia 8 de março. A acusação está no âmbito de uma investigação sobre as atividades do marido de Cristina, Iñaki Urdangarin.
O processo conduzido pelo juiz José Castro foi divulgado hoje (6), em um documento de 227 páginas. Esta é a segunda vez que a infanta é acusada no caso. Em abril de 2013, Cristina foi citada no processo, que foi suspenso depois de um recurso.
Cristina de Bourbon é acusada de envolvimento em um esquema de desvio de fundos e lavagem de dinheiro por meio da empresa Aizoon, do ramo imobiliário. A infanta e seu marido controlam, cada um, 50% do capital da empresa. A Aizoon é uma das empresas envolvidas no caso do Instituto Nóos, investigado há vários anos por desvios de fundos públicos.
De acordo com o documento do juiz espanhol, há indícios suficientes que indicam que a infanta autorizou a Aizoon a servir como "base imprescindível para que se cometessem delitos fiscais". Segundo o processo, foram realizados gastos fraudulentos com fundos da empresa, que servia para distribuir lucros de atividades ilícitas do Instituto Nóos que, por sua vez, obteve fundos públicos irregulares.
O advogado da filha do rei Juan Carlos, Miguel Roca, informou que vai apresentar recurso para evitar que Cristina tenha de depor. A Casa Real da Espanha se manifestou sobre o caso e expressou "respeito pelas decisões judiciais".
*Com informações da Agência Lusa   //   Edição: Denise Griesinger

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Entenda a onda de protestos na Ucrânia


Presidente ucraniano apoiado pela Rússia desiste de acordo para estreitar laços com Europa

De: BBC
O Parlamento da Ucrânia rejeitou uma tentativa da oposição de forçar a renúncia do governo nesta terça-feira. O pedido havia sido feito com o apoio de milhares de manifestantes que tomam as ruas da capital para protestar contra a decisão do governo de cancelar um acordo para estreitar os laços do país com a União Europeia.
A oposição havia apresentado uma moção de desconfiança, que obteve 186 votos de parlamentares - 40 a menos que o mínimo necessário.
Os participantes dos protestos querem a renúncia do premiê Azarov e do presidente Viktor Yanukovych, que segundo analistas, é apoiado pela Rússia. O governo ucraniano sofreu forte pressão econômica de Moscou para desistir do acordo com o bloco europeu.Mais cedo o premiê ucraniano Mycola Azarov havia pedido desculpas ao Parlamento pela repressão violenta da polícia aos manifestantes.
Os manifestantes ainda estão nas ruas e cogitam organizar uma greve geral no país.
Entenda a seguir quais são as causas da atual onda de protestos na Ucrânia.
O que causou os protestos?
O gatilho foi a decisão do governo de não assinar uma parceria abrangente com a União Europeia, apesar de anos de negociações destinados a integrar a Ucrânia com os 28 países do bloco.
A decisão foi anunciada em 21 de novembro e causou grande frustração em uma reunião da UE com ex-repúblicas soviéticas no final de novembro.
Milhares de ucranianos favoráveis à adesão à União Europeia tomaram as ruas da capital – em 24 de novembro o número de manifestantes foi estimado em 100.000. Eles exigiam que o presidente Viktor Yanukovych voltasse atrás na sua decisão e retomasse as negociações com o bloco europeu.
Contudo, o mandatário se recusou e os protestos se intensificaram. Agora, os manifestantes exigem a renúncia de Yanukovych e seu gabinete.
Quem são os manifestantes?
Provavelmente o manifestante mais conhecido é Vitali Klitschko, um campeão de boxe que se transformou em líder opositor. Ele lidera um movimento chamado Udar (soco) e planeja concorrer à Presidência em 2015.
Sua principal bandeira de campanha é "um país moderno com padrões europeus" – o que significa, na prática, significa diminuir as relações com a Rússia e estreitar os laços com a União Europeia.
Outro grupo opositor que participa dos protestos é chamado Svoboda (liberdade). O movimento é considerado ultranacionalista e seu líder é Oleh Tyahnybok.
Também tomou parte dos protestoso o ex-premiê polonês e atual líder de oposição Jaroslaw Kaczysnski. Historicamente
A Polônia tem laços históricos com a Ucrânia. O leste ucraniano já foi parte do território da Polônia e os dois países compartilham de fortes laços culturais e religiosos (ambos são católicos).
A maior parte dos ucranianos ocidentais se sentem próximos do Ocidente e suspeitam da Rússia. A Polônia é uma voz forte na União Europeia na luta para incluir a Ucrânia no bloco.
Um dos mais importantes manifestantes ucranianos é Arseniy Yatsenyuk, líder do segundo maior partido ucraniano, chamado Pátria. Ele é aliado de Yulia Tymoshenko, uma ex-premiê atualmente na cadeia cumprindo pena por abuso de poder e principal rival política do presidente Yanukovych.
Por que Yulia Tymoshenko é importante?
Tymoshenko é reconhecida internacionalmente como símbolo da oposição a Yanukovych e virou causa célebre na Europa.
Ela foi presa em 2011 acusada de uso indevido de poder em um acordo sobre gás com a Rússia em 2009. Muitos políticos europeus aceitaram sua versão de que sua condenação a sete anos de prisão foi motivada politicamente.
A Corte Europeia de Direitos Humanos não foi tão longe, mas concluiu que a prisão provisória dela antes do julgamento foi "arbitrária e fora da lei".
A União Europeia determinou a libertação dela como pré-condição para a assinatura do acordo com a Ucrânia – mas Yanukovych resistiu à pressão.
A ex-premiê, que deseja receber tratamento de saúde na Alemanha, defendeu que o acordo fosse assinado mesmo sem sua libertação.
Nos protestos de agora há um forte eco da Revolução Laranja de 2004 na Ucrânia. Tymoshenko foi uma figura importante naquela revolução pró-Ocidente.
Naquela ocasião, a líder também enfrentou Yanukovych. Ele foi retirado do poder em 2004, depois que sua eleição foi julgada fraudulenta. Na época a Russia o apoiou – e ainda apóia.
Até onde vai a influência da Rússia no país?
Para analistas, a decisão do governo de suspender a negociações pela entrada na UE se deve diretamente à forte pressão da Rússia.
A Rússia adotou medidas como inspeções demoradas nas fronteiras e o banimento de doces ucranianos, além de ter ameaçado com várias outras medidas de impacto econômico.
A Ucrânia está em uma longa disputa com Moscou sobre o custo do gás russo. Além disso, no leste do país – onde ainda se fala russo – muitas empresas dependem das vendas para a Rússia.
Yanukovych ainda tem uma grande base de apoio no leste da Ucrânia, onde ocorreram manifestações promovidas por seus aliados.

Por séculos, a Ucrânia foi dominada por Moscou e muitos russos entendem que o vizinho do leste ainda é vital para seus interesses.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Presidenta Dilma repudia ação imperialista contra Evo Morales

O Governo brasileiro expressa sua indignação e repúdio ao constrangimento imposto ao Presidente Evo Morales por alguns países europeus, que impediram o sobrevôo do avião presidencial boliviano por seu espaço aéreo, depois de haver autorizado seu trânsito.
O noticiado pretexto dessa atitude inaceitável – a suposta presença de Edward Snowden no avião do Presidente –, além de fantasiosa, é grave desrespeito ao Direito e às práticas internacionais e às normas civilizadas de convivência entre as nações. Acarretou, o que é mais grave, risco de vida para o dirigente boliviano e seus colaboradores.
Causa surpresa e espanto que a postura de certos governos europeus tenha sido adotada ao mesmo momento em que alguns desses mesmos governos denunciavam a espionagem de seus funcionários por parte dos Estados Unidos, chegando a afirmar que essas ações comprometiam um futuro acordo comercial entre este país e a União Europeia.
O constrangimento ao Presidente Morales atinge não só à Bolívia, mas a toda América Latina. Compromete o diálogo entre os dois continentes e possíveis negociações entre eles. Exige pronta explicação e correspondentes escusas por parte dos países envolvidos nesta provocação.
 
O Governo brasileiro expressa sua mais ampla solidariedade ao Presidente Evo Morales e encaminhará iniciativas em todas instâncias multilaterais, especialmente em nosso Continente, para que situações como essa nunca mais se repitam.
Dilma RousseffPresidenta da República Federativa do Brasil

terça-feira, 9 de abril de 2013

Futebol inglês não respeitará um minuto de silêncio para Thatcher

Já na segunda-feira, após a morte da Dama de Ferro, o clássico entre Manchester City e Manchester United não teve o minuto de silêncio, a Premier League decidiu não recordá-la de forma pública para que não houvesse contestação dos torcedores. 
Ficará a critério de cada clube fazer a homenagem à ex-premier, ficando livre para poder lembrar de Thatcher da forma que acharem mais conveniente. A ex-primeira ministra participou de mudanças drásticas no futebol britânico nos anos 1980, na época o futebol era uma ameaça ao governo tanto quanto os grevistas de sindicatos, e acabou sofrendo duras sanções por parte do governo.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Britânicos comemoram nas ruas morte de Margaret Thatcher

Houve celebrações da morte da ex-premiê em Londres e na Escócia.
Polêmica, Thatcher era chamada de Dama de Ferro devido ao pulso firme.

Do G1, em São Paulo

Homem segura cartaz comemorando morte de Tatcher em Glasgow (Foto: David Moir/Reuters)Homem segura cartaz comemorando morte de Thatcher em Glasgow (Foto: David Moir/Reuters)
Grupos de pessoas se reuniram em Londres e em Glasgow, na Escócia, entre outros lugares, para celebrar nas ruas, abertamente, a morte da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, ocorrida nesta segunda (8).
As comemorações mostram como a ex-premiê, importante figura política que mudou o Reino Unido, diminuindo drasticamente o papel do Estado, é polêmica ainda hoje.
Uma celebração improvisada acontecia em Brixton, na zona sul de Londres, cenário de intensos distúrbios sociais na década de 1980.
"Thatcher em si representa muito do que o povo odeia que aconteceu na Grã-Bretanha nos últimos 20, 30 anos", disse o designer gráfico Ben Windsor, de 40 anos, ao lado de um homem que segurava um cartaz com uma caricatura grosseira da baronesa e as palavras "júbilo, júbilo".
Sob o olhar de policiais, outros manifestantes chegaram com latas de cerveja e garrafas de vinho, gritando "ela está morta!".
No começo da noite, 199 mil pessoas já haviam "curtido" o site isthatcherdeadyet.co.uk ("Thatcher já morreu?"). O site havia recebido uma atualização em grandes letras maiúsculas: "SIM".
A página incentivava os visitantes a festejarem a morte de Thatcher, e oferecia a trilha sonora.
"Margaret Thatcher morreu. A senhora não vai voltar", dizia o site. A frase fazia um trocadilho com um famoso discurso em que ela, reagindo a pedidos de moderação do seu Partido Conservador, disse que "a senhora não é de recuar".
Thatcher, que foi primeira-ministra entre 1979 e 1990, adotou radicais políticas direitistas que, embora vistas como modernizadoras por muitos, alienaram outros tantos, que a viam como uma destruidora de empregos e de setores econômicos tradicionais.
As palavras de ódio dedicadas a ela, 23 anos após o fim do seu governo, mostram que muitos não a esqueceram nem perdoaram.
"A melhor notícia que eu recebi no ano todo", disse uma pessoa no Facebook, dizendo-se ex-mineiro.
No bairro de Belgravia, uma garrafa de leite foi deixada na porta da casa dela, numa alusão ao corte no fornecimento de leite a escolas primárias, adotada por ela quando ministra da Educação, na década de 1970.
Britânicos comemoram nas ruas morte de Margaret Thatcher. Houve celebrações da morte da ex-premiê em Londres e na Escócia. (Foto: Carl Court/AFP)Britânicos comemoram nas ruas morte de Margaret Thatcher. Houve celebrações da morte da ex-premiê em Londres e na Escócia. (Foto: Carl Court/AFP)
Pessoas se reúnem para celebrar a morte de Tatcher (Foto: Carl Court/AFP)Pessoas se reúnem para celebrar a morte de Thatcher (Foto: Carl Court/AFP)
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Vinho e fotos de Tatcher durante a celebração em Londres (Foto: Carl Court/AFP)Vinho e fotos de Thatcher durante a celebração em Londres (Foto: Carl Court/AFP)

domingo, 24 de março de 2013

Chipre atraiu milionários com imposto baixo e cidadania

Foto: Getty
Peso dos bancos na economia cipriota é um dos fatores que explica a crise


O sistema bancário do Chipre e a atratividade do país a milionários podem ajudar a explicar a crise que ameaça a econonomia cipriota - a pior em cerca de 40 anos.
Para se tornar atraente para o capital estrangeiro, a ilha tem um dos regimes fiscais mais favoráveis da Europa. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o imposto sobre a renda de uma empresa no Chipre é de 10% - muito inferior à média europeia, entre 25% e 35%.
"O Chipre se tornou um oásis para os investidores estrangeiros, principalmente os oligarcas russos. A ilha é hoje o principal destino do capital russo no exterior", explica Anne Laure Delatte, especialista em mercados financeiros do Observatório Francês de Conjuntura Econômica.
Os bancos cipriotas também oferecem taxas de remuneração muito maiores do que as praticadas nos outros países da zona do euro e são conhecidos pelo pouco rigor no controle da origem do capital.
O peso do dinheiro russo na ilha é tão forte que o Chipre decidiu naturalizar alguns de seus investidores mais importantes, que podem se beneficiar do regime fiscal.
Uma medida extraordinária do governo, adotada em 2007, autoriza a nacionalização de pessoas com mais de 35 anos que tenham investido ao menos 17 milhões de euros (R$ 44 milhões) nos bancos do país ou que dirijam empresas com faturamento anual superior a 85 milhões de euros (R$ 222 milhões). Entre 2007 e 2010, cerca de 30 oligarcas russos adotaram a nacionalidade cipriota.
Segundo dados do Instituto Internacional de Finanças (IIF), no final do ano passado os depósitos nos bancos cipriotas somavam 70 bilhões de euros. Desse total, 20 bilhões seriam de clientes não residentes na União Europeia - 85% deles russos ou ucranianos.
O Chipre não é formalmente considerado um paraíso fiscal, mas a pouca transparência do sistema bancário do país contribui para a desconfiança dos governos europeus e investidores internacionais. Há suspeitas de que os russos utilizam os bancos cipriotas para atividades ilegais, como evasão fiscal e lavagem de dinheiro.
Foto: AP
Proposta de tributar depósitos causou protestos e alvoroço no país

"O dinheiro russo transita pelos bancos cipriotas e volta para a Rússia, muitas vezes para ser injetado em setores onde a corrupção é forte, como o imobiliário. Daí as suspeitas de lavagem de dinheiro", comenta Delatte.

'Epicentro da crise'

Para a Anne Laure Delatte, um dos pilares da crise no Chipre é o sistema bancário do país, que tem um peso enorme sobre a economia. "Os ativos dos bancos cipriotas representam 8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, enquanto a média europeia é de 3,5%", diz.
O IIF também considera que "o peso descomunal do sistema financeiro cipriota se tornou o epicentro da crise no país". Os ativos dos bancos representavam, no final de 2012, 700% do PIB do Chipre.
Os bancos da ilha têm uma situação particular em relação ao resto da Europa. Eles detém pouca dívida pública e contam principalmente com os depósitos dos correntistas para financiar suas atividades.
Especialistas consideram, entretanto, que esse sistema poderia ainda sobreviver por bastante tempo se não fosse a dependência do Chipre da divida grega. "A crise grega foi fatal para o Chipre", explica Anne Laure Delatte.
Quando, há cerca de um ano, a União Europeia decidiu perdoar metade da dívida grega para evitar a falência do país, os bancos cipriotas registraram perdas entre 4 e 5 bilhões de euros.

Resgate

À beira da bancarrota, a ilha de 850 mil habitantes vive sua pior crise econômica desde 1974, quando o país sofreu um golpe de Estado e foi invadido por tropas turcas.

No dia 16 de março, representantes da União Europeia anunciaram que o Chipre seria o quinto país europeu a receber um pacote de resgate da União Europeia - depois de Espanha, Grécia, Irlanda e Portugal.
Foto: AP
Chipre é a terceira menor econonomia da zona do euro e o quinto país a pedir o resgate
O pacote prevê que dos 17 bilhões de euros necessários para recapitalizar os bancos do país e financiar a dívida pública, 10 bilhões serão disponibilizados pela UE e FMI e o governo cipriota deve levantar o restante.
Em contrapartida, Bruxelas impôs a medida inédita de tributar todos os depósitos bancários do país. A proposta inicial, que previa a cobrança de uma taxa de 6,75% em contas de 20 mil a até 100 mil euros (de R$ 52 mil a R$ 260 mil) e de 9,9% nas contas acima desse valor, causou uma corrida aos caixas eletrônicos e preocupação entre correntistas de toda a Europa.
A proposta, no entanto, foi recusada pelo parlamento do Chipre e representantes da UE, FMI e Banco Central Europeu discutem agora um plano B.
Para evitar a retirada em massa das poupanças, os bancos do país foram fechados até a próxima quinta-feira.
No sábado, em Bruxelas, o ministro das Finanças do Chipre, Michael Sarris, diz que seu país fez um ''progresso significativo'' nas negociações com a UE para um novo plano.
Ele afirmou ainda que o governo cogita agora cobrar taxas de até 25% sobre depósitos de mais de 100 mil euros feitos na ilha.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Cosméticos: Acabem com a crueldade!

Cosméticos: Acabem com a crueldade!. 17921.jpeg Enquanto a Europa proíbe a venda de Cosméticos testados em animais, os diretores da LUSH e da Humane Society International pedem a indústria de beleza brasileira para que acabem com a crueldade dos Cosméticos. SÃO PAULO (25 de fevereiro de 2013) - Enquanto a União Europeia se prepara para proibir a venda de novos cosméticos testados em animais no dia 11 de março, o Co-Fundador e Diretor da LUSH Cosméticos Mark Constantine e Andrew Rowan, Diretor e Presidente da Humane Society Internacional, um dos maiores grupos de proteção animal do mundo, escreveram uma carta aberta para a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) e associações similares no mundo para pedir a indústria global de cosméticos para que acabem com a experimentação animal de uma vez por todas. Embora os testes de cosméticos em animais tenham sido proibidos na Europa desde 2009, as diretrizes do governo brasileiro para avaliação de segurança dos cosméticos continuam a enfatizar testes em coelhos, roedores e outros animais. Isso inclui a exigência de testes em animais caso-a-caso para cosméticos acabados, uma prática abandonada na maioria dos países há muito tempo.
Há anos LUSH e HSI tem feito campanhas para acabar com testes em animais. LUSH, que tem mais de 800 lojas em 51 países, inicialmente lançou uma política rigorosa "sem testes em animais" em 1991, fazendo com que se tornasse uma referência de empresa de cosméticos com ética e compaixão. A HSI liderou uma campanha intensa para implementar a proibição de vendas de cosméticos testados em animais na União Europeia, e lançou a campanha global Liberte-se da Crueldade em abril de 2012 para acabar com testes de cosméticos em animais em todo o mundo.
Em uma carta enviada ao presidente da ABIHPEC, João Carlos Basílio da Silva, e para associações industriais de cosméticos em todo o mundo, LUSH e a HSI pedem as empresas para que usem a proibição na UE como uma oportunidade para se tornar livre de crueldade. A carta diz:  "No dia 11 de março vamos testemunhar um verdadeiro marco na história da indústria da beleza. O maior mercado mundial de cosméticos, a União Europeia, que já proibiu a experimentação animal para cosméticos dentro de suas próprias fronteiras, também irá fechar suas portas para a venda de cosméticos testados em animais em outros mercados. Esta proibição de venda traz consigo a voz dos consumidores: experimentação animal para cosméticos não é bem-vindo e precisa parar. Certamente isso deve sinalizar um ponto de virada para a indústria da beleza em todo o mundo para finalmente abandonar seus hábitos com relação aos testes em animais e a se comprometerem a ser livre de crueldade." "LUSH, Humane Society International e outras entidades tem incansavelmente feito campanhas para acabar com a crueldade na indústria de cosméticos. Ao longo dos anos temos ouvido varias desculpas das empresas de cosméticos  que se apegam à experimentação animal, ainda que essas desculpas são reveladas como sem valor e oportunistas." "Os testes de toxicidade em animais representam a ciência desatualizada; técnicas com décadas de idade, e que não podem garantir a segurança do consumidor. O futuro dos testes de segurança está nos métodos modernos baseados em biologia humana. Portanto, não há desculpa científica para testes em animais.Também existem milhares de ingredientes de cosméticos disponíveis que foram estabelecidos como seguros para utilização, o que significa que estes ingredientes não requerem novos testes. Uma infinidade de combinações permitem que empresas como a LUSH inovem a essência do seu conteúdo. Portanto, não há desculpa empresarial para testes em animais." "Testes em animais causam sofrimento inimaginável porque coelhos e outros animais tem  produtos químicos pingados em seus olhos ou espalhados em sua pele delicada. Os olhos inchados, assaduras na pele e lesões de órgãos são os segredos feios escondidos de uma indústria de beleza que tarda em avançar o fim dos testes em animais. Portanto, não há desculpa ética para a experimentação animal." "Centenas de empresas varejistas como a LUSH demonstram todos os dias que a produção de produtos de beleza ótimos, seguros e inovadores é inteiramente possível sem novos testes em animais. Assim como nós celebramos a mudança da UE para um mercado "livre de crueldade", pedimos que todas as empresas que ainda testam cosméticos em animais nos Estados Unidos, China, Brasil, Índia, Canadá, Coréia do Sul, Rússia e outros países: façam a coisa certa por favor e parem com o sofrimento dos animais. Mostre aos seus clientes que a beleza não é superficial, mostre que a beleza tem um coração. O fim da crueldade dos testes em animais para cosméticos está ao seu alcance. Faça!  Já é o bastante." Para marcar a proibição histórica da venda de cosméticos testados em animais na UE, assine a declaração Liberte-se da Crueldade na hsi.org/becrueltyfree e ajude a HSI a acabar com o sofrimento dos animais para cosméticos no Brasil e no mundo.
FIM

Contato:
Helder Constantino, + 55 (21) 8342 4163, hconstantino@hsi.org
Notas:
A proibição da UE , a partir de 11 de Março de 2013, tornará ilegal a importação e comércio de cosméticos testados em animais em seu territorio, assim como os cosméticos que tiveram ingredientes testados em animais fora da União Europeia, após a mesma data. Portanto, a UE proibe a venda, em seu territorio, de qualquer novo cosmético testado em animais.

Humane Society International/Brasil juntamente com seus parceiros, constitui uma das organizações de proteção animal mais importante do mundo. Por quase 20 anos, HSI vem trabalhando para a proteção de todos os animais através do uso da ciência, educação, conscientização e programas práticos. Celebrando os animais e confrontando a crueldade em todo o mundo - na Web em hsi.org/becrueltyfree.

LUSH: Desde o estabelecimento há 18 anos, LUSH Fresh Handmade Cosmetics tem sido impulsionada pela inovação e ética. Criadores de produtos de beleza pioneiros, como o banho de espuma balístico, banho de gelatina, barras de xampu sólidos e creme dental solido. LUSH foca seus produtos em ingredientes frescos como frutas e vegetais orgânicos. LUSH tem uma política rigorosa contra testes em animais e apoia o comércio solidario e iniciativas comerciais comunitárias. LUSH lidera a indústria de cosméticos no combate ao excesso de  embalagens, executando campanhas de sensibilização e desenvolvimento de produtos que possam ser vendidos "nus" para o consumidor sem qualquer embalagem. LUSH foi premiada com o Prêmio RSPCA Bom Negócio em 2006 e 2007, o prêmio Trailblazer 2006 PETA para o Bem Estar Animal e o prêmio "Empresa do Ano" do International Fund for Animal Welfare em 2010. LUSH tem atualmente 822 lojas em todo o mundo e está presente em 51 países, com fábricas em todo o mundo.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Suecos colocam bebês para tirar soneca em frio abaixo de zero

Bebê sueco. Foto Asa Ledin

Pais acreditam que deixar as crianças no frio faz bem à saúde dos pequenos.

Nas geladas ruas de Estocolmo no inverno, é comum ver carrinhos de bebês enfileirados em meio à neve, enquanto os pais se aquecem dentro de casa. Por mais estranho que possa parecer, é costume na região colocar os pequenos para tirar uma soneca em meio ao frio, para a "saúde das crianças".
"Acho que é bom elas terem contato com o ar fresco o mais cedo possível", diz a sueca Lisa Mardon, mãe de três crianças.
"Especialmente no inverno, quando tem muita doença... As crianças parecem mais saudáveis", conta, defendendo a prática.
Expor os pequenos, agasalhados e protegidos, a temperaturas congelantes não é moda recente na Suécia ou outros países da Escandinávia.
O pai de Lisa, Peter Mardon, conta que sua mãe também o colocava para dormir em meio ao frio e só o levava para dento de casa quando a temperatura baixava a – 10º.

Jardim da infância

No jardim da infância Forskolan Orren, todas as crianças dormem no jardim em meio à neve até a idade de três anos.
"Quando a temperatura cai a -15º a gente sempre cobre os carrinhos com um cobertor", diz a diretora Brittmarie Carlzon.
A ideia por trás do costume é que as crianças expostas ao frio teriam menor propensão a contrair gripes ou outras doenças típicas do inverno.
Além disso, as crianças dormem por mais tempo quando estão fora de casa, diz a pesquisadora finlandesa Marjo Tourula. De 30 minutos a uma hora a mais, em média.
"Provavelmente a restrição de movimentos por causa das roupas aumenta o tempo de sono", diz.
Segundo sua pesquisa, a melhor temperatura para os pequenos é – 5º. Mas há quem diga expor as crianças a até – 30º.

Doenças

A pediatra Margareta Blennow diz que não há consenso científico sobre deixar as crianças no frio.
Café em Estocolmo. Jenny Brandt
Carrinhos no lado de fora de cafés e das casas são comuns nos países nórdicos no inverno
"Alguns estudos mostraram que crianças com muitas horas no frio tendem a perder menos dias do jardim da infância do que as que ficam dentro de casa", diz. "Mas outros estudos não mostram nenhuma diferença".
Martin Jarnstrom, diretor de uma rede de jardins da infância, é um defensor da soneca no frio. Ele diz, no entanto, que apesar das baixas temperaturas é preciso manter as crianças quentes.
Para sustentar seu argumento, ele cita um velho ditado sueco.
"Não existe mau tempo. O que existe são roupas ruins".


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Um país estranho: Islândia por: Vladimir Safatle

Folha de S.Paulo, 22/10/2012
A Islândia é uma ilha com pouco mais de 300 mil habitantes que parece decidida a inventar a democracia do futuro.
Por uma razão não totalmente clara, esse país que fora um dos primeiros a quebrar com a crise financeira de 2008 sumiu em larga medida das páginas da imprensa mundial. Coisas estranhas, no entanto, aconteceram por lá.
Primeiro, o presidente da República submeteu a plebiscito propostas de ajuda estatal a bancos falidos. O ex-primeiro-ministro grego George Papandreou foi posto para fora do governo quando aventou uma ideia semelhante. O povo islandês, todavia, não se fez de rogado e disse claramente que não pagaria nenhuma dívida de bancos.
Mais do que isso, os executivos dos bancos foram presos e o primeiro-ministro que governava o país à época da crise foi julgado e condenado.
Algo muito diferente do resto da Europa, onde os executivos que quebraram a economia mundial foram para casa levando no bolso "stock options" vindos diretamente das ajudas estatais.
Como se não bastasse, a Islândia resolveu escrever uma nova Constituição. Submetida a sufrágio universal, ela foi aprovada no último fim de semana. A Constituição não foi redigida por membros do Parlamento ou por juristas, mas por 25 "pessoas comuns" escolhidas de maneira direta.
Durante sua redação, qualquer um podia utilizar as redes sociais para enviar sugestões de leis e questionar o projeto. Todas as discussões entre os membros do Conselho Constitucional podiam ser acompanhadas do computador de qualquer cidadão.
O resultado é uma Constituição que estatiza todos os recursos naturais, impede o Estado de ter documentos secretos sobre seus cidadãos e cria as bases de uma democracia direta, onde basta o pedido de 10% da população para que uma lei aprovada pelo Parlamento seja objeto de plebiscito.
Seu preâmbulo não poderia ser mais claro a respeito do espírito de todo o documento: "Nós, o povo da Islândia, queremos criar uma sociedade justa que ofereça as mesmas oportunidades a todos. Nossas diferentes origens são uma riqueza comum e, juntos, somos responsáveis pela herança de gerações".
Em uma época na qual a Europa afunda na xenofobia e esquece o igualitarismo como valor republicano fundamental, a Constituição islandesa soa estranha. Esse estranho país, contudo, já não está mais em crise econômica.
Cresceu 2,1% no ano passado e deve crescer 2,7% neste ano. Eles fizeram tudo o que Portugal, Espanha, Grécia, Itália e outros não fizeram. Ou seja, eles confiaram na força da soberania popular e resolveram guiar seu destino com as próprias mãos. Algo atualmente muito estranho.