Mostrando postagens com marcador Brizola. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brizola. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Três aniversários em 22 de janeiro


Em 22 de janeiro de 1891, nascia, na Itália, Antonio Gramsci. Seria pouco dizer que Gramsci foi um grande pensador marxista. Gramsci foi um grande pensador da humanidade e era marxista. Gramsci enfrentou o fascismo no local mais difícil de fazê-lo, uma cadeia fascista. A grandeza de seu pensamento pode ser medida, também, pela dificuldade com que ele produziu grande parte de suas ideias.
Em 22 de janeiro de 1922, nascia, no Brasil, Leonel Brizola. Grande figura da política brasileira e personagem central da história do país da década de 50 até os anos 90. Foi o único brasileiro a ser eleito governador de dois estados diferentes. Acho que ele merecia um filme. O encerramento melancólico de sua trajetória política não desfaz o significado do personagem Brizola.
Há outra pessoa que nasceu em 22 de janeiro, mas a modéstia impede que eu coloque seu nome ao lado de duas figuras tão significativas.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Legalidade. Não ao Golpe! Hoje e sempre

Sete anos e um dia após o suicídio de Getúlio, ato que evitou um golpe, a renúncia de Jânio alvorotou as elites (civis e militares) que babavam por uma intervenção no Estado de Direito. Queriam intervir para manter algo que nunca perderam - o poder - mas que nunca aceitaram que não fosse exercido sem limite e sem questionamento.
Não estou entre os paranoicos do golpe a qualquer momento, mas não se pode deixar de considerar que nossa elite adora um golpezinho para evitar qualquer estado de ânimo que questione o seu poder. Lamento que partidários de Brizola, particularmente no RS, estejam ao lado de "proto-golpistas" como Onix e seu DEM.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A Prisão de Lupicínio - José Ribamar Bessa Freire

 

A Comissão da Verdade não sabe, mas depois do golpe militar de 1964, o compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974) foi preso e permaneceu vários meses trancafiado, primeiro no Quartel da PE, no centro de Porto Alegre e, depois, no presídio da Ilha da Pintada, apesar de nunca ter tido qualquer atividade política. Lá, foi humilhado, espancado e torturado, teve a unha arrancada para não tocar mais violão e contraiu uma tuberculose agravada pelo vento frio do rio Jacuí.
Quem me confidenciou isso foi um dos filhos de Lupicínio, Lôndero Gustavo Dávila Rodrigues, também músico, 67 anos, que hoje trabalha como motorista na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). O fato é pouco conhecido, pois Lupicínio não gostava de tocar no assunto. Preferiu silenciá-lo. Morria de vergonha. "E a vergonha é a herança maior que meu pai me deixou", cantava ele em "Vingança", um grande sucesso dois anos antes de sua morte.
- Pra quem tem dinheiro ou diploma, a prisão política pode até ser uma medalha, tem algo de heroico. Mas para as pessoas humildes, como ele, que não se metia em política, a prisão é sempre uma humilhação, algo que deve ser escondido, esquecido - conta o filho de Lupicínio, a quem conheci recentemente, quando ele, dirigindo o carro da Universidade, veio me buscar para participar de uma banca de mestrado lá em Seropédica.
A viagem de ida-e-volta durou mais de cinco horas. Nos primeiros cinco minutos, eu já havia lhe contado que era amazonense, do bairro de Aparecida e, quando deu brecha, mostrei-lhe fotos da minha neta. Nos cinco minutos seguintes, ele já tinha me falado de Lupicínio, seu pai, de dona Emilia, sua mãe, de sua infância em Rio Pardo (RS) e de suas andanças como músico por 29 países. Quando nos despedimos, já éramos amigos de infância.
Nervos de aço
Lôndero tem memória extraordinária e admirável dom de narrar. Suas histórias, que jorraram aos borbotões, podem ocupar várias crônicas dominicais. Ele próprio é um personagem, suas andanças dariam um livro. Mas o que ele viveu com seu pai, boêmio e mulherengo, dá outro livro. Não sei nem por onde começar. Talvez por onde já comecei: a prisão do pai, que teria provocado uma reação até mesmo em "pessoas de nervos de aço, sem sangue nas veias e sem coração".
- Nós, da família, sofremos muito com a injustiça da prisão. Sabíamos que Lupicínio não se metia em política - contou seu filho, informando ainda que antes da prisão, o pai havia feito uma versão musical - quanta ironia! - para aquela letra da "oração do paraquedista" encontrada com um militar francês morto em 1943 no norte da África. Lôndero recita:
- Dai-me Senhor meu Deus o que vos resta /Aquilo que ninguém vos pede / Dai-me tudo o que os outros não querem / a luta e a tormenta / Dai-me, porém, a força, a coragem e a fé.
Lupicínio precisou mesmo de muita coragem e fé para amargar a prisão, onde em vez de tainha na taquara ou peixe assado no espeto de bambu, comeu foi o pão que o diabo amassou. Tudo isso por causa de uma ligação pessoal dele com Getúlio Vargas, relação que acabou sendo herdada, posteriormente, por Jango e Brizola.
Segundo Lôndero, Lupicínio, que já era um compositor consagrado em 1950, fez um jingle para a volta de Getúlio Vargas, com aquela marchinha de carnaval de Haroldo Lobo, que foi também gravada por Francisco Alves: "Bota o retrato do velho outra vez / Bota no mesmo lugar / o sorriso do velhinho / faz a gente trabalhar". 
Pede deferimento
Vargas já gostava das músicas de Lupicínio antes de ele ser sucesso nacional. Por isso, decidiu bancar a entrada do compositor na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Lupicínio, que havia cursado só até o 3º primário, foi nomeado bedel da Faculdade de Direito, onde trabalhou também como porteiro. 
Um belo dia - conta Lôndero - Lupicínio caiu na farra, virou a noite e saiu direto dos bares para a Universidade. O reitor deu um flagrante nele, quando o encontrou bêbado na portaria. Deu-lhe um esporro, publicamente, humilhando-o na frente de alunos, professores e colegas. No dia seguinte, Lupicínio entrou com um requerimento com letra de samba, que seu filho sabe de cor:
- Magnífico Reitor, que a tua sabedoria e soberba não venha a ser um motivo de humilhação para o teu próximo. Guarda domínio sobre ti e nunca te deixes cair em arrogância. Se preferires a paz definitivamente, sorri ao destino que te fere. Mas nunca firas ninguém. Nestes termos, pede deferimento. Assinado: Lupicínio Rodrigues, porteiro.
Não sabemos se o reitor deferiu o requerimento e a partir de então passou a sorrir ao destino sem ferir ninguém. O certo é que Lupicínio deixou o emprego na Universidade e foi cantar em outra freguesia, em bares, restaurantes e churrascarias, onde aliava trabalho com boemia.
Foi ele, Lupicínio, quem compôs o hino tricolor do Grêmio, do qual era um fanático torcedor, ganhando com isso um retrato no salão nobre do clube. Depois do suicídio de Vargas, em 1954, Lupicínio, já consagrado nacionalmente, continuou mantendo relações amistosas com Jango e Brizola, que também admiravam sua música. Por conta disso, foi preso e torturado, segundo seu filho.
Autor de grandes sucessos como "Felicidade foi se embora", "Vingança", "Esses moços", "Nervos de aço", "Caixa de Ódio", "Se acaso você chegasse", "Remorso" e dezenas de outros, Lupicínio compôs "Calúnia", cuja letra pode muito bem ter outra leitura, quando sabemos de sua prisão e a forma como foi feita:
- Você me acusa / Mas não prova o que diz / Você me acusa / De um mal que eu não fiz/ A calúnia é um crime / que Deus não perdoa / Você vai sofrer / aqui neste mundo.
A letra de "Calúnia", gravada por Linda Batista em 1958, termina com Lupicínio rogando: "Eu não quero vingança / A vingança é pecado / Só a Justiça Divina / Pode seu crime julgar". Mas se prevalecer a letra de "Vingança", cantada também por Linda Batista e depois por Jamelão, os torturadores da ditadura não terão paz e serão punidos pela Justiça: "Você há de rolar como as pedras que rolam na estrada, sem ter nunca um cantinho de seu pra poder descansar".

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Mico histórico da Globo

A Globo tem tanto pavor ao nome do Brizola que cortou a posse do neto sem ter nada pra por no lugar. Coloque em 1:50 e veja como a fala da Presidenta Dilma é cortada para dar lugar a...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Em tempos de Legalidade...

Em tempos de Legalidade, cabe ler uma entrevista interessante publicada na Revista de História. Na entrevista, Jango e Brizola são tratados numa perspectiva histórica, sem heroísmos ou coisas do tipo.

Jango, o conciliador

Lançando extensa biografia sobre João Goulart, historiador Jorge Ferreira fala sobre a importância do ex-presidente e afirma: ele não foi covarde, foi sensato

Tarefa, no mínimo, complexa, a que o historiador Jorge Ferreira se propôs: descrever o ex-presidente João Belchior Marques Goulart (1919-1976), em toda a sua humanidade. Não queria compactuar com o discurso que repete uma série de injúrias contra o político que foi, ao mesmo tempo, sucessor de Getúlio Vargas, e cunhado de Leonel Brizola, com quem teve uma amizade conturbada. Nem com o tom de vitimização, que o coloca numa posição passiva em relação ao golpe de 1964, que o tirou do poder. O resultado desse trabalho é o livro “João Goulart, uma biografia”, um calhamaço de mais de 700 páginas, que tenta evidenciar um personagem indispensável para um episódio decisivo da história recente do Brasil.

Segundo Ferreira, professor titular de História do Brasil da UFF, foram dez anos de trabalho, em pesquisa ou redação, que não se concentraram apenas no período em que Jango estava em evidência. O livro tenta reconstituir da infância de Janguinho, no Rio Grande do Sul, ao fim de sua vida, no exílio, entre suas fazendas no Uruguai e na Argentina, onde morre, em mais um episódio envolvido em teorias que resvalam na conspiração.

Conspiração, aliás, que Jango enfrentou antes, durante e depois da presidência, vinda de todos os lados ideológicos, por ser, em tempos de radicalizações políticas, um homem que valorizava a democracia, o diálogo e a conciliação. Ferreira se atém aos fatos e tenta mostrar, na medida do possível, o que realmente aconteceu durante o governo Jango, trazendo à luz as ações - e suas consequências - do então presidente que desembocariam numa ditadura de 21 anos. Também apresenta como a figura de Goulart  foi avaliada por pesquisadores em seguida: geralmente com um desprezo, além de desumano, desnecessário.

Em entrevista sobre o seu livro e seu biografado, o professor sugere que devemos pensar em Jango, não como um medroso que saiu do governo sem lutar, mas como um homem que evitou uma guerra civil e o derramamento de sangue de irmãos. “Jango, nesse aspecto, não foi covarde. Foi sensato”, opina. Leia o restante da entrevista:

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Seminário 50 anos da Campanha da Legalidade: memória da democracia brasileira

No mês de agosto de 1961, após renúncia do então presidente do Brasil, Jânio Quadros, iniciou-se um movimento ímpar na história do Brasil chamado “Campanha da Legalidade”, liderado pelo então governador do Estado do Rio Grande do Sul, Leonel de Moura Brizola. Este movimento, de dimensões militares e civis, teve como propósito garantir a posse do então vice-presidente da República, João Goulart, o Jango.
Ocorre que na ocasião da renúncia de Jânio Quadros, Jango encontrava-se em viagem à China. Como havia a clara notícia de que uma cúpula militar pretendia impedir – contrariando o que previa a constituição – que Jango assumisse como presidente da república, Brizola então articulou uma mobilização popular no intuito de garantir o cumprimento da lei. Assim, os integrantes do movimento ficaram conhecidos como legalistas. Por fim, após alguns dias de incertezas e negociações, a campanha obteve êxito e Jango assumiu a presidência da República, embora aceitando a mudança do sistema de governo que deixou de ser presidencialista e passou a ser parlamentarista.
No intuito de trazer à tona a memória e a história do movimento, tendo em vista sua significativa importância na política brasileira contemporânea, o Instituto Humanitas Unisinos - IHU e o Programa de Pós-Graduação em História da UNISINOS propõem a realização do Seminário “50 anos da Campanha da Legalidade: memória da democracia brasileira (1961-2011)”.

Início: 18 de agosto de 2011

Término: 01 de setembro de 2011

Datas: 18, 29, 30 e 31/08 e 01/09/11

Locais: Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros, no IHU e Auditório Central - Unisinos

Av. Unisinos, 950 - Bairro Crsito Rei - São Leopoldo/RS
Lei a mais aqui.









segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Brizola Neto e o Tiririca

Não faço gracinhas nem piadas para ganhar votos. Não acho que o palhaço Tiririca seja o melhor candidato ao Legislativo. Nem mesmo o acho engraçado.  Mas estou indignado contra esta onda elitista que se faz contra sua candidatura alegando que ele não sabe ler e escrever.

Não faço gracinhas nem piadas para ganhar votos. Não acho que o palhaço Tiririca seja o melhor candidato ao Legislativo. Nem mesmo o acho engraçado.  Mas estou indignado contra esta onda elitista que se faz contra sua candidatura alegando que ele não sabe ler e escrever.
E daí se ele sabe apenas garatujar seu nome? E daí que ele seja desdentado? E daí que ele seja alguém que conseguiu projeção de um jeito esquisito?Quem achou que ele deveria ir para a televisão tem anel de doutor.
Quantos doutores picaretas há candidatos? Quantos “galãs” estão aí se candidatando sem discurso, sem propostas, sem compromissos?
Pode ser que Tiririca, eleito, seja apenas uma figura folclórica. Mas há dezenas de senhores bem apessoados que, se eleitos, serão apenas nulidades e, pior, tenham ambições de riqueza muito maiores que as do Francisco Everardo da Silva, nascido lá em Itapipoca, no Ceará.
Acho mais fácil dizer ao Tiririca, na hora de votar a redução da jornada de trabalho: Tiririca, os teus conterrâneos que trabalham lá em São Paulo não têm o direito de ter mais um tempinho com  mulher e os filhos, do que falar o mesmo com um cidadão que tenha mais berço do que coração e que venha argumentar com “competitividade” e “custo Brasil”.
Não vi nenhuma indignação quando se trata de colocar o Tiririca nos lares e milhões de brasileiros, pela televisão.
Mas é provável que cassem sua candidatura, porque a elite brasileira acha que a política é só para a elite.
Fizeram um escarcéu quando fotografaram Lula, na sua vida privada, carregando uma geladeira de isopor. Aquilo é coisa para “inferiores”, não é?
Havia, no PDT do Rio de Janeiro, uma figura chamada Severino Pé-Pé. Era um mendigo, ou quase isso. Meu avô sempre pedia que o deixassem entrar nas reuniões do PDT, mesmo quando ele já estava um pouco alterado. Dizia: “deixa, deixa ele falar, porque ele é um homem que não tem nada a perder nem a ganhar, vai falar com sinceridade”.
Severino era um indigente, como se costuma dizer. Mas não era um bronco, ao contrário, era um homem até com a erudição de recitar Castro Alves horas a fio. Não se sabe o que o jogou à rua, uma desilusão, uma tragédia humana, um amor.
Mas o Severino que pedia, algumas vezes, uns reais para um trago, nunca pediu mais que isso.
De quantos doutores se pode dizer o mesmo?
de: Tijolaço