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terça-feira, 2 de outubro de 2012

MP investiga suspeita de uso da máquina pública para fins eleitorais em Porto Alegre

De: Sul 21

Líderes partidários ligados à coligação de Manuela D'Ávila apresentaram publicamente a denúncia em coletiva | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Samir Oliveira
O Ministério Público (MP) do Rio Grande do Sul irá investigar uma denúncia de utilização da máquina pública para fins eleitorais em Porto Alegre. O promotor eleitoral Mauro Rochemback iniciou a investigação nesta segunda-feira (1), após receber a denúncia da coligação Juntos por Porto Alegre (PCdoB, PSD, PSB, PSC e PHS), da candidata Manuela D’Ávila.
Na sexta-feira (28), todos os 36 vereadores receberam um envelope contendo uma denúncia anônima de uma moradora do bairro Rubem Berta, que estava indignada com a forma como havia sido conduzida uma reunião do Orçamento Participativo (OP) na região. O encontro havia acontecido na quarta-feira (26) e, na ocasião, conselheiros do OP e assessores da prefeitura prometeram o encaminhamento de obras na região e pediram votos ao prefeito José Fortunati (PDT) e a Cássio Trogildo (PTB) – que se licenciou da Secretaria de Obras e Viação (Smov) para concorrer a uma vaga na Câmara Municipal.
A moradora encaminhou aos parlamentares uma gravação de mais de 40 minutos de toda a reunião. Nesta terça-feira (2), os líderes partidários da coligação de Manuela D’Ávila concederam uma coletiva à imprensa para anunciar o caso e entregar cópias da gravação aos jornalistas.
“Vivemos de política a cada dois anos”, diz assessor da Smov
O chefe da Assessoria Comunitária da Smov, Antônio Olímpio Guimarães Filho, conhecido como Toninho, esteve na reunião do Orçamento Participativo do dia 26 de setembro para pedir votos para o prefeito José Fortunati e para seu chefe, o secretário Cássio Trogildo – que está licenciado da pasta para concorrer ao cargo de vereador.
Na reunião, com cerca de 60 moradores do Rubem Berta, Toninho promete o asfaltamento de uma rua do bairro. “Vocês podem ter certeza que na semana que vem vamos estar trabalhando”, assegurou. De fato, a obra em questão começou nesta terça-feira (2).
Em seu pronunciamento, Toninho fez referência a várias obras que, segundo ele, teriam sido tocadas por determinação do “secretário Cássio”. Ele não poupou elogios ao chefe. “Ele atende a todos que vem procurar. Vivemos de política a cada dois anos. Quem está no governo, quem não é concursado, se disser que não vive de política, é mentira”, diz o assessor comunitário da Smov, acrescentando que é por esse motivo que ele foi na reunião “anunciar um serviço que em alguns dias vamos estar realizando”.
"Se é asfalto por voto, o caderno do OP pode ser rasgado", diz carta anônima que acompanhava material entregue a vereadores de Porto Alegre: "Mesmo no anonimato, peço muito a ajuda de vocês" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Toninho demonstra bastante confiança na reeleição do prefeito José Fortunati. “Daqui a dois anos vamos voltar aqui para poder dizer para vocês que vamos continuar fazendo mais. Tanto o Fortunati como prefeito, como o Cássio, que vai retornar para a Secretaria de Obras. É que nem se diz: quando o cliente é bem atendido, ele retorna para a casa. E nós vamos ser bem reconhecidos pela sociedade, vamos retornar para a Smov e vamos fazer mais por vocês”, assegurou.
No encerramento de sua fala, o assessor da prefeitura demonstra ainda mais confiança e diz que o prefeito vencerá no primeiro turno. “Quando vocês menos esperarem, as máquinas vão estar aqui trabalhando. Fortunati fez e está fazendo. E, juntamente com o Cássio, vão fazer muito mais. As pesquisas já estão mostrando mais de 47% de aprovação do eleitorado. Isso quer dizer que vai ter vitória no primeiro turno. As eleições vão acabar logo, logo”, conclui Toninho. As últimas palavras do seu pronunciamento são os números eleitorais de Fortunati e de Cássio Trogildo.
Conselheiro do OP distribui material de campanha durante a reunião
O conselheiro Maurício Melo, do Orçamento Participativo, foi o mais empolgado cabo eleitoral do prefeito e de Cássio Trogildo na reunião de quarta-feira (26). Apesar de ser uma reunião para discutir as demandas dos moradores no OP, ele disse que estava lá como “amigo” do secretário licenciado da Smov. “Estamos aqui como amigos do Cássio”, argumentou, citando, em sua fala, o chefe da Assessoria Comunitária da Smov, Antônio Guimarães Filho, o Toninho.
O pronunciamento de Maurício Melo foi, o tempo inteiro, dedicado à eleição de Cássio Trogildo. “Com a ajuda de vocês, o Cássio vai se eleger o vereador mais votado dessa cidade”, conclamou.
Em seguida, Maurício Melo fez referência ao material de campanha do candidato, que estava sendo distribuído na reunião do OP. “Aqui tem uma prestação de contas, como secretário, do que o Cássio fez. É a política diferenciada, primeiro eu vou fazer, primeiro eu vou plantar para colher na comunidade. Então é isso, é uma política diferente”, elogiou.
O tom de ato de campanha prevaleceu o tempo inteiro na reunião. “Quero pedir para vocês, pessoal, saiam daqui hoje e entrem nessa campanha do Fortunati e do Cássio. Entrem nessa campanha a fundo, com os parentes, levem o material, que vocês vão fazer parte de uma história de mudança aqui no Rubem Berta. O Cássio vai voltar para a Secretaria de Obras, se Deus quiser e se a comunidade quiser”, exaltou.
"Estão usando máquina pública como nunca antes em Porto Alegre", denunciou Nelcir Tessaro (PSD), vice na chapa de Manuela | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
O conselheiro do OP terminou seu discurso pedindo que os moradores do bairro colocassem materiais de campanha do secretário licenciado da Smov em suas casas. “Aqui tem a faixinha para aqueles que puderem colocar na frente da sua casa. Ou vão pedir para botar no vizinho. Levem as faixinhas. Tem aqui o materialzinho, nos ajudem”, solicitou.
Comerciante também faz campanha durante reunião e oferece alimentos à população
A reunião com integrantes do OP ocorreu a pedido do comerciante Alcindo Lintener. Em seu discurso, ele se mostrou um animado cabo eleitoral do prefeito José Fortunati e de Cássio Trogildo.
“Precisamos nos mobilizar, convocar os familiares, precisamos nos mobilizar de verdade para trazer essas duas figuras para o desenvolvimento de Porto Alegre, para o crescimento da nossa cidade”, conclamou.
Conhecido como Lu, Alcindo disse, no pronunciamento, que colocou salsichão e pãozinho à disposição dos moradores na reunião. “Para encerrar, muito obrigado pela presença de vocês aqui, muito obrigado pela presença de todos. E quem quiser participar, eu botei ali um salsichãozinho, eu botei ali um pãozinho, para sair daqui com o estômago forrado. E depois é só alegria”, animou-se.
“Há indícios de uso da máquina administrativa” reconhece promotor eleitoral
O promotor eleitoral Mauro Rochemback já ouviu toda a gravação da reunião do Orçamento Participativo denunciada ao Ministério Público e reconhece que há indícios de utilização da máquina pública para conquista de votos. “Os indícios do uso da máquina administrativa estão ali. Foi uma reunião envolvendo funcionário de uma secretaria pedindo votos”, observa.
O promotor já instaurou um procedimento investigativo e garantiu que começará nesta quarta-feira (3) a expedir ofício intimando as pessoas que participaram da reunião a deporem. Mauro Rochemback disse que não tem como avaliar, ainda, se a denúncia pode atingir a candidatura de José Fortunati à reeleição. “Ainda não tenho a dimensão da investigação. Há referência ao prefeito, as pessoas pedem votos para os dois”, explicou, em referência ao secretário licenciado de Obras e Viação, Cássio Trogildo.
O promotor disse que não há tempo para impedir a candidatura de Cássio, mas assegurou que, se for comprovado o uso da máquina pública, sua investigação poderá impedir a diplomação do petebista, caso ele consiga ser eleito.

Campanha de Fortunati diz que denúncia é “última tentativa da oposição”
Coordenador da campanha de José Fortunati, o deputado federal Vieira da Cunha (PDT) assegura que não há utilização da máquina pública para fins eleitorais por parte da prefeitura. Ele diz que a denúncia feita pela candidatura de Manuela D’Ávila é “infundada”.
Vieira da Cunha: "a denúncia é infundada e tem motivações políticas" | Foto: Leonardo Prado /Ag.Câmara
“A denúncia é infundada e tem motivações políticas. É uma última tentativa da oposição, que sabe que será derrotada. O Toninho estava no direito de fazer campanha, tenho absoluta convicção de que não houver uso da máquina pública para arrecadar votos”, declarou em entrevista ao Sul21.
Em nota divulgada pela campanha do prefeito, Vieira disse que o asfaltamento da rua em questão no bairro Rubem Berta seguiu os trâmites legais do Orçamento Participativo. “A obra em questão foi solicitada pela Associação Comunitária dos Moradores do Residencial Rubem Berta em agosto de 2011, passou por todas as instâncias de participação popular e desde 30 de setembro está programada para ser realizada, inclusive com publicação no portal da prefeitura”, justificou.
A reportagem tentou contato com Cássio Trogildo, mas seu telefone estava desligado

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Manuela, a candidata que mais cai na pesquisa Methodus

Há modos e modos de se ler pesquisas eleitorais, o comum é que as candidaturas leiam do modo que mais lhes convém.
 O Instituto Methodus publicou mais uma pesquisa. Na primeira pesquisa do Instituto, realizada em maio, Manuela despontava com 41%. Chegou-se a atribuir o resultado a uma ligação entre proprietários do Instituto e a candidata pecedobista. A lógica é sempre a mesma: vincular a pesquisa a algum interesse oculto; considerar a pesquisa que favorece e desfazer da que prejudica; extrair do que a pesquisa não mostra, resultados que o que ela mostra não apresentam e assim por diante. Por isso não gosto de comentar pesquisa. 
Não discuto pesquisa por um motivo simples: parto do princípio de que as pesquisas dos institutos estabelecidos e com espaço no mercado são verdadeiras. Podem ser bem feitas ou mal feitas, mas são verdadeiras. Isso me rende muita contrariedade com meus amigos que consideram todas as pesquisas falsas, em princípio. Não tô aí pra discutir com meus poucos amigos por causa de pesqusia eleitoral. Aí, meus leitores e leitoras poderão perguntar: Por que estou publicando esta pesquisa e pus um título tão provocativo? Respondo: só pra sacanear.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Os colegas de curso de Manuela


A campanha da candidata pcdobista esclareceu em NOTA aspectos importantes de seu currículo. Manuélia participou de um simpósio em Harvard, "que deu origem a um grupo de estudos que se reúne, semestralmente", formado por "Ana Amélia Lemos, Claudia Costin e Vicente Falcone". Falcone é citado, aliás como "mestre da gestão pública." Na verdade, Falcone é um mestre em Estado Mínimo, contratado por Aécio e Yeda; Cláudia Costin é uma gerencialista dos quatro costados, foi ministra de FHC, secretária de Cultura de Alckimin e, agora, secretária de Educação de Eduardo Paes; Ana Amélia, bem, essa a gente já sabe quem é.
Ainda bem que me disseram quem são os colegas de curso da Manuélia. Já posso decidir com mais conhecimento de causa.
O Olívio está com o Villa, não é?

domingo, 2 de setembro de 2012

Manuélia, a pós-moderna

Quis o destino que a maior expressão da pós-modernidade na política do Rio Grande do Sul (quiçá do Brasil) seja oriunda do PC do B.  O maior problema é que a pós-mdernidade restrita ao cinema, por exemplo, pode ser brilhante (como Tarantino), porém, aplicada à política, a pós-modernidade é o desastre da razão, sucumbindo à irracionalidade.
Manuélia tem praticamente todos os ingredientes da pós-modernidade: dispersão, retórica, imanência, combinação de significantes... enfim. Quem quiser entender a pós-modernidade observe a deputada e terá um exemplo. Talvez venha daí a sua força. Ela está em sintonia com tempos de dispersão, desconstruções, individualismos e outros quetais, que alimentam  a desrazão do mundo de hoje. Manuélia representa o oposto do que significa o PC do B. É admirável que seu meio milhão de votos e a perspectiva de eleição à Prefeitura de Porto Alegre tenham seduzido seus dirigentes e entregue a direção partidária ao domínio de sua personalidade. Ninguém duvida: Manuélia manda no partido. Isso a dispensa de aceitar a diretriz partidária de solidariedade à Coréia do Norte; de referir-se à política como um ato coletivo, para centrar-se na capacidade diferenciada de um "eu" poderoso e capaz de tudo (o super-homem de Nietsche na versão feminina); de suas promessas eleitorais serem justificadas pela realidade.
A gestão Fortunati é ruim, a isso, Manuélia contrapõe uma nova titude e a tecnologia como formas de superar os problemas. O culto ao personalismo e à técnica dispensam a política, pois a solução está nas mãos de alguém capaz de resolver os problemas da população.
A sedução dessa fórmula sobre a população de Porto Alegre é preocupante. Ao contrário do que muitos pensam, é nas classes populares que Manuélia tem mais incidência. Mais ou menos como as seitas pentecostais que seduzem milhares de pessoas com suas promessas e seus rituais elaborados,  hostis ao bom senso, mas cativantes para multidões.
A minha amiga Margarete Moraes chamou a atenção para algo sgnificativo do modo de ver as coisas representado pela candidatura pcdobista: as flores da Manuélia. Espalhar flores pela cidade, constituiu-se numa jogada de marketing intleigente, expondo um símbolo que já pensávamos superado pela trajetória feminista. A delicadeza e a beleza da flor como símbolos do feminino na política. E o pior é que isso parece estar pegando. Manuélia se comunica com a sociedade através de símbolos tão complexos que me escapam, mas que escondem a natureza racional e cruel da política para pintar um quadro irreal onde a vontade pode tudo e a realidade será do modo como nós a desejarmos.
Se alguém perguntar porque eu comento sobre a Manuélia e não sobre o Fortunati respondo: eleitoralmente Fortunati é o adversário comum, mas os exageros de Fortunati já tem um nome - demagogia, os exageros de Manuélia ainda não sei como chamar.
O destino caprichoso pode fazer com que, no futuro, eu vote na pcdobista; que não seja agora.
O que me preocupa não é a vitória de Manuélia, mas a vitória da desrazão que ela representa.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Os cursos da Manuela

Não tinha foto da Manu, mas achei uma da Violet
Qualquer pessoa que tivesse feito centenas de milhares de votos, elegendo-se duas vezes como a mais votada da bancada federal do RS e, por conta de suas atividades políticas, tivesse sido convidada a participar de eventos internacionais ficaria satisfeita. Mas a deputada Manuela não. Os eventos internacionais viraram cursos em Harvard, Madri e Holanda. Não vou atribuir isso à megalomania da candidata pecedobista, mas à estratégia do marketeiro-gênio de plantão, que, obssecado por mostrar que sua candidata está preparada para ser prefeita resolveu apelar. Sabe o gênio, que a a desconfiança sobre a capacidade de sua candidata, sem experiência no executivo e com um partido pequeno, é um de seus pontos fracos. Daí, parte para a construção de uma imagem superdimensionada e baseada em falácias. Abusa das promessas, a pretexto de inovar e ter uma "nova atitude" e constrói uma personagem eleitoral que, entende o gênio, vai seduzir Porto Alegre.
O marketing eleitoral é assim mesmo: exagera nos pontos fortes, disfarça nos pontos fracos. O problema é quando se resvala para a mentira pura e simples. Ainda que nosso eleitorado seja imediatista e adore uma promessa em que acreditar para seguir vivendo, o exagero pode levar a uma reação inversa.
Não digo que não possa, um dia... , votar na Manuela. Todavia, vou esperar que ela redimensione suas promessas e perceba que não é a presunção, mas a humildade que pode abrir os seus caminhos.
Mirem-se no exemplo de Olívio Dutra, que é formado em letras e faz mestrado... na UFRGS. 

sábado, 18 de agosto de 2012

O sonho de Manuela e a realidade de Porto Alegre

Manuela sonha ser prefeita de Porto Alegre. Até aí, nada demais. O problema começa quando o sonho dela está em descompasso com a realidade de Porto Alegre e, penso eu, de qualquer cidade do mundo. Recebi um material da candidata Pcdobista na rua. Era um genérico do Diário Gaúcho. Li, como de costume.
Tá certo que eleição sem promessa não é eleição, mas acho que a candidata abusou na promessa. Algumas das propostas são simplesmente mirabolantes e inexequíveis. Não vou citar todas,  o site da candidata os informará melhor que eu.
Sobre a regularização das moradias, ela deve ter uma boa explicação, afinal, seu vice foi diretor geral do DEMHAB. Se ele não fez quando era diretor, deve haver motivos para crer que agora será possível. Tem outras tantas tipo, um netbook ou tablet para cada aluno e professor da rede municipal (são quase 60 mil pessoas); tem a promessa de "Concluir as obras do Metrô e BRT’s para a Copa do Mundo" (grifo meu), quando as obras sequer começaram. Tá tudo lá, clique AQUI e leia. Não pode ser erro de redação.
Dito isso, vou a um exemplo de demagogia explícita. Qualquer um concorda que o acesso à educação infantil é essencial e, em relação a ela há uma defasagem no atendimento municipal que precisa ser enfrentado. Mas isso não se faz milagrosamente; a não ser para a candidata Manuela. O atendimento em escolas infantis (conveniadas e próprias) está em torno de 20 mil crianças. Manuela propõe abrir 23 mil vagas novas (!!). Ou seja, vai mais que duplicar o atendimento em 4 anos! Considerando uma creche (estabelecimento de educação infantil) com 120 vagas, que é um tamanho bem razoável, basta fazer contas simples para chegar à conclusão que, se eleita, a candidata promete construir, em seus quatro anos de mandato, uma creche por semana! Como diria o Macaco Simão: "mais ética na demagogia".

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Manuélia exagerou.


Minha única pergunta: precisa tudo isso?



PP vai com Fortunati

Dessa vez eu acertei. Por 63 a 44, o PP decidiu apoiar Fortunati. Com a aproximação do DEM, o prefeito de Porto Alegre está montando uma coligação tremendamente forte.
O PC do B entrou numa luta como quem vai pra uma mesa de jogo e aposta praticamente tudo o que tem. Ou sai milionário, ou sai pobre. Nesse caso, saiu mais pobre. É terrível querer namorar quem não quer namorar a gente. 
Não sei dimensionar o impacto do não apoio do PP a Manuela. Mas se essa aliança era tão importante para viabilizar a vitória, significa que a sua não efetivação, somada ao apoio da sigla ao outro candidato, vai trazer prejuízos. Seria ilógico negar isso, embora o discurso vá tratar de mostrar como é possível vencer mesmo que sem um apoio considerado imprescindível. Não sei o que trouxe mais desgaste (mesmo que localizado) oferecer tudo ao PP, ou ser rejeitado após oferecer tudo.
O fato é que Fortunati está trabalhando para ganhar no primeiro turno. Mas nada está acabado, nem mesmo para a dupla Ana Amélia e Manuela. Nesse caso, mesmo que os pais não  tenham autorizado o namoro, o amor pode não ter acabado.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A eleição de Porto Alegre e o PP

Coligação partidária não tem mais nada a ver com identidade programática. Baseia-se, fundamentalmente, em um cálculo político, pragmático e de conveniência. Isso vale para todos os partidos eleitoralmente competitivos. 
A eleição de Lula, em 2002, consagrou, inclusive no PT, onde sempre houve resistência a coligações, o princípio de coligar com o máximo possível de partidos para vencer e reunir o máximo possível de partidos para governar. Sendo assim, ninguém me convence com argumentos pró ou contra coligações baseado em programa. O que tem fundamentado as coligações no Brasil são os interesses políticos concretos daquela disputa e suas consequências a curto e médio prazo. Na luta pelas coligações, cada um oferece o que pode: quem está no governo, pode oferecer maior participação no presente, quem não está, pode oferecer maior participação no futuro, além de uma vaga de vice, por exemplo.
Isso significa que todas as coligações são igualmente válidas e todos os partidos representam exatamente a mesma coisa, certo? Errado, ao menos na minha singela opinião. Aí entram as consequências a curto e médio prazo que precisam ser consideradas.
Por que ninguém estranha que Fortunati (PDT) queira o apoio do PP, mas estranham que a Manuela (PC do B) queira? Pelo simples motivo que, atualmente, o PP já apoia Fortunati, que é o herdeiro da coallização conservadora que derrotou o PT após dezesseis anos. O "leito natural" do PP, politicamente falando, é Fortunati. Já Manuela, supostamente representa algo novo e é estranho que o "novo" busque apoio na "experiência administrativa" de quem só governou Porto Alegre nos tempos da ditadura militar e está umbilicalmente ligado ao modelo de gestão que a candidata critica. Ou seja, não é ciúme da coligação, é um estranhamento legítimo.
Vamos além, pensando nas consequências de curto e médio prazo. Não é segredo que Ana Amélia (que também posa de "novidade" na política) trabalha pela vitória de Manuela. E o objetivo de Ana Amélia é claro: obter apoio da prefeita da capital, já que seu partido tem representação reduzida e imagem desgastada no principal colégio eleitoral do estado. Afora isso, descola do atual governador, de quem ela é a principal adversária em 2014, um apoio importante para a reeleição. Já o PC do B, ávido pela Prefeitura de Porto Alegre e inconformado com o não-apoio do PT, está disposto a tudo por seu objetivo imediato. Para mim, é tudo muito simples, não precisam inventar argumentos baseados em ideologia ou em programa. Quero saber a que objetivos as candidaturas servem.
Se alguém não sabe, sou petista e votarei no candidato do partido por vários motivos. Entre eles, penso que: Votar na Manuela é ajudar a Ana Amélia. Ela que vá buscar ajuda no lado de lá da cerca dos latifundiários que a apoiam.

PS:Acho que o Fortunati vai levar o apoio do PP, vamos aguardar.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O que Fortunati aprendeu com o PT

Vice-Prefeito por duas vezes e, agora, alçado à Prefeito com a renúncia de Fogaça, José Fortunati é candidato à prefeitura de Porto Alegre. Dessa vez quer ser eleito por pessoas que sabem que ele é candidato.
Faz tempo que Fortunati espera essa oportunidade. No PT não teve jeito, no PDT ele esperou, mas, finalmente, chegou a sua vez. Na minha sempre modesta opinião, é o candidato mais forte entre as três candidaturas viáveis à Prefeitura Municipal (Villaverde e Manuela são as outras).
Os vinte anos em que Fortunati esteve no PT ensinaram bastante ao ex-líder sindical. Observo três coisas que Fortunati aprendeu no PT: defende-se atacando; politiza os debates mais singelos e faz o contato direto com a população. No episódio da ciclovia sob a rede da CEEE, criticada por Beto Albuquerque, respondeu com rispidez; diante da interdição da Usina do Gasômetro e do Sambódromo por falta de plano contra incêndio, Fortunati exibiu uma lista com prédios públicos que não possuem o tal plano e continuam funcionando sem que o Ministério Público os interdite, o que caracterizaria uma perseguição contra sua gestão. Ao constatar o incêndio dos containers de lixo orgânico, Fortunati não aceitou a explicação de que fosse mais um ato de vandalismo. Para o Prefeito, tratava-se de uma reação de quem se sentou prejudicado pela mudança no modelo. Na greve dos profissionais da área de saúde, Fortunati denunciou a tentativa de boicote ao atendimento da população e não cumprimento de horário, que se tornaria obrigatório com a instalação do ponto eletrônico. Por fim, diferente da omissão continuada de Fogaça, Fortunati está sempre presente nas ações de governo. O prefeito busca o máximo de exposição vinculando-se, obviamente, a obras e pontos positivos de sai gestão (sempre há pontos positivos em qualquer gestão). Essas características tornam Fortunati um candidato forte, como costumam ser os candidatos governistas. Fortunati aprendeu com o PT. O PT saberá enfrentar Fortunati?

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Uma solução para a Prefeitura de Porto Alegre

 
Eles só pensam naquilo: o PT
 O PDT de Fortunatti e o PSB-PC do B de Manuela oferecem, generosamente a candidatura a vice-prefeitura para o PT. Em carta ao Diretório Municipal e à militância petista, os pcdobistas e peessebistas atacam a atual gestão. A carta, apesar dos erros de português, ao menos politiza o debate. Leia a carta clicando AQUI.
Dentro do PT, há gente querendo apoiar uma das duas outras candidaturas e gente querendo uma candidatura própria. Enfim, a situação ainda não está definida.
Todo mundo apela para o discurso da "base de apoio" dos governos Tarso e Dilma. Faz  parte. A carta dos manuelistas exagera um pouco ao dizer que a candidatura de Beto Albuquerque ao governo do estado foi retirada pela consciência de que deveriam estar unidos já no primeiro (e único) turno. Não foi bem assim, Beto não conseguiu o desejado apoio do PP e do PTB  e por isso acabou desistindo. Mas, tudo bem, faz parte do jogo.
Os petistas que desejam apoiar um candidato de fora do PT, entendem, como os pecedobistas, a base de apoio de Tarso e Dilma deve ser reeditada. Enfim, todos os discurso fazem algum sentido.
Preocupado com a coesão dos partidos da base dos governos Tarso e Dilma, lanço uma proposta ousada e inovadora. A ideia é simples: Fortunati e Manuela (que são da base) reúnem-se e decidem quem abrirá mão da cabeça para apoiar o outro (ou a outra). Assim, a base estaria unida e, nesse caso, penso que o PT nem precisaria participar da chapa majoritária. Tudo em nome da unidade da base.
Simples, só não sei por ninguém pensou nisso antes.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A Manuelização do PC do B



A velha cara

A nova cara

É natural que um partido invista em pessoas que têm potencial eleitoral. É o caso do PC do B/RS, que investiu, e bem, em Manuela. Resultado: a deputada federal fez quase quinhentos mil votos nas últimas eleições. O que me chama a atenção é o fato de o discurso do partido estar completamente voltado para sustentar o que Manuela simboliza. Aliás... ela simboliza o que exatamente?

Há muito tempo o marxismo-leninismo dos cursos de formação do PC do B não combina com o pragmatismo político do partido. Até aí, nada de novo. O que me impressiona é a pasteurização do discurso e a renúncia ao conteúdo. A adoção do linguajar pós-modernoso soa estranha no material da "vanguarda consciente do proletariado,(que) guia-se pela teoria científica e revolucionária elaborada por Marx e Engels, desenvolvida por Lênin e outros revolucionários marxistas", conforme os estatutos. 
O slogan do PCdoB é um primor de falta de conteúdo: 'Vem fazer a nova política, vem pro PCdoB' · 'Com mais atitude e vontade de fazer, a gente muda a vida pra melhor' · 'A nova política é a cara do PCdoB'.
O que é a nova política? Não se diz.É um modo de condenar o que é velho, mas o "velho" pode ser bom também. O PC do B não diz que tem 89 anos de experiência e acha isso bom? Atitude e vontade de fazer não tocam em conteúdo, mas em modos de agir. Mudar a vida pra melhor, ao menos diz que é pra melhor. Mesmo assim, diz pouco, pois dificilmente alguém quer mudar a vida para pior. É necessário, todavia, saber o que é esse melhor.Tô ficando velho, tô ficando rançoso. O problema é que esse discursinho não me agrada. Mas o que fazer? Manuela teve 500 mil votos, eu não tive nenhum. O errado devo ser eu.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Luciana, Manuela e Maria do Rosário

Luciana Genro não conseguiu se eleger. O Psol é um partido pequeno com mania de partido grande. Luciana e o Psol se perderam na crítica moralista e na fritura dos discordadantes. Além disso, Luciana teve que carregar uma mala pesada demais durante a campanha, na tentativa de formar uma bancada estadual. Erraram demais e acabaram pagando caro. Com 129 mil votos, é uma referência importante, mas sua votação caiu e ela e seu Psol vão enfrentar problemas sem um mandato.
Manuela é uma das mais perfeitas encarnações da polítca pós-moderna.Talvez por isso consiga ir tão bem. A mensagem dela não me diz grande coisa, mas se 480 mil pessoas se dispuseram a votar nela, o erro deve ser meu.
Maria do Rosário fez tudo certo. Exerceu um bom mandato e fez uma campanha organizada e mobilizada. Não contava com a sacanagem do TRE. Teve que fazer uma campanha explicando que era candidata e desfazendo as fofocas de adversários e "amigos". Ao fim, enfrentou uma verdadeira tortura ao acompanhar os votos de todo mundo, menos os dela mesma. Ainda assim, fez 143 mil votos. É uma vitoriosa.
Adivinhem em quem eu votei?

sábado, 8 de maio de 2010

O "fator Beto"

O PRBS está exultante. Parece que, finalmente, Beto Albuquerque conseguiu o apoio do PC do B e vai tentar se viabilizar como candidato. Não sei se o Beto acredita mesmo que pode ser eleito, mas certamente ele está agindo diretamente contra a candidatura de Tarso Genro. Tarso será o único prejudicado com a candidatura de Beto, mesmo que o garoto de Passo Fundo seja eleitoralmente inviável. A vida é dura.
Há algum tempo o PC do B já havia cantado a pedra de que buscava algo que não fosse a candiatura do PT. Ainda que tenha vacilado no meio do caminho, os pecedobistas parecem dispostos à disputar a quebrar a hegemonia do PT na esquerda gaúcha.
Minha intuição de ex-comunista me diz que a maior probabilidade é que PSB e PC do B saiam juntos, ainda que não consigam um outro partido para se viabilizarem eleitoralmente. No raciocínio objetivo do bloco PC do B/PSB, a eleição estadual já está perdida. Nesse caso, o melhor é sairem unidos, aparecerem mais, e, logo ali, em 2012, colherem os frutos nas eleições municipais.
Gosto do Raul Pont, presidente estadual do PT, mas será que nem ele nem os outros experientes dirigentes partidários não se deram conta disso? Contavam que Beto iria se inviabilizar eleitoralmente e, com isso, o PC do B se liberaria para apoiar Tarso? Em política a sorte só funciona de vez em quando e, normalmente, contra o lado em que a gente está.
Na minha singela opinião, a única hipótese para mudar o quadro de consolidação da candidatura PSB/PC do B seria o PT garantir apoio ao nome que esses dois partidos indicassem para a Prefeitura de Porto Alegre (provavelmente a pós-moderna Manuela). Ou seja, não há hipótese de reversão do quadro.
Claro que eu posso estar errado. Vamos aguardar.

terça-feira, 16 de março de 2010

Um ataque de intolerância

Juro que tentei evitar a crítica, mas não consegui. A primeira vez que olhei, pensei que pudesse ser um excesso crítico da minha parte. Talvez eu não estivesse disposto a ver as coisas positivas do que lia. Então, fiquei calado. Aí, fui ver de novo. Lá estava ele. Estava atualizado, mas ainda com aquele ar de nada a ver. Pensei comigo que a estética e o modo pós-moderno têm certas características que, à primeira vista, podem  nos parecer sem sentido, mas podem ganhar um significado em um outro momento. Fui lá e olhei de novo. Aí, o que me veio à mente foi uma auto-recriminação. Eu, oriundo da ortodoxia não estava sendo capaz de perceber uma faísca renovadora e brilhante, só porque não tinha sido da  minha autoria.
Bem, passou um tempo e fui olhar de novo. Aí, decididamente, resolvi desfazer todos os freios anteriores e publicar para que algum dos meus 34 leitores pudesse conferir por si.
O blog da Manuela é muuiito sem noção. Quer saber o endereço? Gaste seu tempo e procure.
Ou, vai ver que o sem noção sou eu mesmo.