Olívio Dutra é um mito, dentro e fora do PT; é o nosso Mujica. É um crítico dos rumos tortuosos tomados pelo Partido dos Trabalhadores e um homem acima de qualquer suspeita. Porém, suas declarações no caso do chamado mensalão, tem servido mais para extravasar seu ressentimento do que para chamar à justiça. Na entrevista concedida ao Jornal do Comércio (que é pequeno, mas não tem nada de independente, pois é direcionado a empresários) argumenta o respeito a decisões judiciais para não discutir a justiça e o judiciário. Com isso atraiu elogios de conservadores (que sempre atuaram para destruir seu governo), sem acrescentar nada de relevante ao debate, ficando no limite do senso comum, tipo "O que não se pode admitir é o toma-lá-dá-cá nas práticas
dos mensalões de todos os partidos".
Quando Diógenes Oliveira ( que, depois, foi inocentado das acusações que lhe foram imputadas) foi atacado como forma de atingir o "Galo Missioneiro" a solidariedade foi um componente fundamental para que Olívio não sucumbisse diante da ação da direita raivosa. Felizmente, o Ministério Público do RS não acolheu o amontoado de denúncias inconsistentes contra Olívio, diferente da Procuradoria Geral da União.
Ninguém pode pedir que Olívio diga algo diferente daquilo que pensa e não é difícil concordar com ele sobre os descaminhos do PT. Porém, no caso específico, alegar respeito ao judiciário para referendar as prisões espetaculosas e dispensando formalidades indispensáveis por conta do estrelismo de J. Barbosa, não me parece a atitude correta.
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| ‘Não deveria ser diferente. O PT não pode ser jogado na vala comum’ |
Olívio considera justa a prisão dos mensaleiros
Petista afirma que respeita a decisão do ministro Joaquim Barbosa
Jimmy Azevedo FREDY VIEIRA/JC
Destoando do discurso de lideranças
petistas, intelectuais de esquerda e juristas, o ex-governador do Rio
Grande do Sul Olívio Dutra não acredita que houve cunho político na
condenação e na prisão dos correligionários José Genoino, José Dirceu e
Delúbio Soares, detidos, na semana passada, pelo escândalo do mensalão
durante o primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Funcionou
o que deveria funcionar. O STF (Supremo Tribunal Federal) julgou e a
Justiça determinou a prisão, cumpra-se a lei”, analisa o ex-presidente
estadual e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT).
No
entendimento de Olívio Dutra, o desfecho da Ação Penal 470, conhecida
popularmente como mensalão, foi uma resposta aos processos de corrupção
que, historicamente, permeiam a política nacional, independentemente de
partidos.
Sobre a decisão do presidente do Supremo Tribunal
Federal, Joaquim Barbosa, de ordenar a prisão dos réus no processo sobre
a compra de parlamentares por dirigentes petistas para a aprovação de
projetos do governo Lula, Olívio disse que cada instituição tem seu
funcionamento. “Até pode ser questionado, mas as instituições têm seus
funcionamentos. O que não se pode admitir é o toma-lá-dá-cá nas práticas
dos mensalões de todos os partidos, nas quais figuras do PT
participaram”, avalia o petista histórico. O ex-governador gaúcho
reitera que tem respeito à história de lutas de José Dirceu e Genoino,
mas que em nada o passado de combate à ditadura militar abona qualquer
tipo de conduta ilícita. “Há personalidades que fazem política por cima
das instancias partidárias e seguem seus próprios atalhos. Respeito a
biografia passada dessas figuras que lutaram contra a ditadura, mas (a
corrupção) é uma conduta que não pode se ver como correta”, critica.
Ironicamente,
Olívio Dutra, então ministro das Cidades de Lula, foi isolado por
políticos fortes no governo, como o ex-ministro da Casa Civil José
Dirceu, ainda antes do escândalo do mensalão vir à tona.
Em
julho de 2005, Olívio é retirado da pasta para dar lugar a Márcio
Fortes, do Partido Progressista (PP), sigla também envolvida no
escândalo de corrupção. Olívio diz que o PT está acima de indivíduos, e
acredita que se fez justiça no caso de corrupção.
“Não deveria
ser diferente (sobre as condenações e prisões). Um partido como o PT não
pode ser jogado na vala comum com atitudes como esta. Com todo o
respeito que essas figuras têm, mas não é o passado que está em jogo, é o
presente, e eles se conduziram mal, envolveram o partido. O sujeito
coletivo do PT não pode ser reduzido em virtude dessas condutas. O PT
surgiu para transformar a política de baixo para cima. Eu não os
considero presos políticos, foram julgados e agora estão cumprindo pena
por condutas políticas”, dispara o líder petista.
‘Nunca se governa em condições ideais’, avalia o ex-governador
Distante
da vida política, mas a par da vida partidária do PT estadual e
nacional, o ex-governador gaúcho Olívio Dutra dedica os dias à família e
aos estudos de Latim na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Formado em Letras pela Ufrgs, Olívio pediu reingresso para aproveitar
cadeiras não cursadas. Além disso, ocupa o tempo em livrarias da cidade,
bem como em espetáculos culturais, gosto que fez com que ele se
integrasse à Associação Amigos do Theatro São Pedro.
Ovacionado
em eventos públicos pela militância petista e integrantes de movimentos
sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST),
Olívio faz uma análise da conjuntura atual e os cenários para que o PT
consiga reeleger o projeto de Tarso Genro.
Para o Galo
Missioneiro, apelido dado por admiradores, o distanciamento de forças
políticas, tais como o PDT e o PSB, do governo Tarso Genro é algo
natural em vésperas de eleição eleitoral, ainda mais pela conjuntura. O
PSB, por exemplo, terá provavelmente o governador pernambucano Eduardo
Campos como candidato à presidência da República na disputa contra a
presidente Dilma Rousseff (PT).
No Estado, os socialistas não
descartam a possibilidade, inclusive, de uma aliança com o Partido
Progressista (ex-Arena) na candidatura da senadora Ana Amélia Lemos ao
Palácio Piratini, ou com o PMDB, que poderá lançar o ex-prefeito de
Caxias do Sul José Ivo Sartori.
“A candidatura própria do PDT é
uma hipótese ainda. O fato de os partidos tomarem outros rumos antes do
pleito não é novidade. As forças se estremecem quando se aproxima a
eleição. Mas isso não é o ideal no campo democrático popular”, analisa
Olívio.
O ex-governador entende, no entanto, que nunca se
governa em situação tranquila, pois há interesses pessoais e partidários
distintos dentro do tabuleiro político. “Os governos (Dilma e Tarso)
fazem um grande esforço para o funcionamento da máquina pública em prol
da sociedade, não como projeto pessoal, para atender à maioria do povo.
Nunca se terá condições ideais, claro, pois há uma pressão enorme dos
poderosos.”
Quando esteve no Palácio Piratini (1999-2002), seu
governo foi alvo de uma CPI sobre uma suposta relação com o jogo do
bicho. O Ministério Público não aceitou as acusações e decidiu não
denunciar o petista e outros citados. A primeira gestão petista no
Piratini também foi criticada por setores contrários à reforma agrária e
à implementação de políticas de desenvolvimento social.
Na
avaliação do governo Tarso Genro, o petista acredita que tem tido avanço
nas questões sociais e na consolidação de políticas apresentadas. “O
governo pode fazer mais e melhor na execução de um programa. Nunca se
governa em situação ideal. Há muito o que fazer para um projeto de
desenvolvimento sustentável. Por isso, defendo a reeleição”, disse
Olívio, que também reiterou não desejar mais ser candidato a cargos
públicos.
‘Há um clima de revolta muito grande’, avaliam deputados após visita aos condenados detidos
Uma
comitiva formada por 26 deputados federais do PT visitou na tarde de
ontem alguns presos do processo do mensalão, instalados no Complexo
Penitenciário da Papuda. O encontro durou cerca de 30 minutos e
aconteceu em sala reservada para a conversa. Estavam presentes o
deputado licenciado José Genoino (PT), José Dirceu (PT), Delúbio Soares
(PT) e Romeu Queiroz (ex-PTB).
“O que notamos é um clima de
revolta muito grande pelas circunstâncias em que a prisão ocorreu,
completamente ao arrepio da legislação, aos procedimentos (...)
normais”, afirmou o deputado federal Nelson Pellegrino (PT-BA). Entre os
parlamentares que visitaram os presos, estavam o gaúcho Marco Maia,
além de Iriny Lopes (ES), Fátima Bezerra (RN) e Vicentinho (SP).
Em
nome dos demais petistas, Pellegrino afirmou que não houve críticas às
condições da prisão, embora haja uma preocupação sobre a situação da
saúde de Genoino. “Até agora, as juntas médicas atestaram a gravidade da
situação do deputado Genoino e atestaram que ele não pode estar
custodiado aqui nesta unidade. Esta unidade não tem sequer um sistema de
emergência”, reclamou, afirmando ainda ser precária a situação do
colega.
Pouco depois da visita, houve discussão entre
manifestantes do PT e mulheres que aguardavam desde a manhã o momento de
visitar filhos e maridos no complexo da Papuda, cuja entrada só será
permitida a partir da manhã de hoje. Elas começaram a gritar frases como
“puxa-saco de ladrão” para os deputados.