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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Peru vai processar Greenpeace por danos às Linhas de Nazca

Grupo estendeu letras de tecido perto de patrimônio cultural da humanidade.

Segundo governo, danos foram constatados por perícia de arqueólogos.

 Foto mostra ativistas ao redor de faixa estendida perto das Linhas de Nazca, no Peru (Foto: Thomas Reinecke/Greenpeace)Foto mostra ativistas ao redor de faixa estendida perto das Linhas de Nazca, no Peru (Foto: Thomas Reinecke/Greenpeace)
O governo peruano anunciou, nesta quarta-feira (10), que vai processar e impedir de deixar o país ativistas da organização ambientalista Greenpeace por possíveis danos que teriam sido causados às milenares linhas de Nazca, Patrimônio Cultural da Humanidade, durante um protesto pacífico na madrugada de segunda-feira.
Mais cedo, o ministério da Cultura já tinha expressado sua "indignação" pela entrada sem permissão de membros da ONG ao local para colocar uma faixa com mensagem sobre as mudanças climáticas.
A ação do Greenpeace, realizada na madrugada de segunda-feira, em violação da lei, consistiu em estender ao lado do gigantesco desenho em forma de colibri, feito pelos antigos peruanos no ano 200 a.C, letras de tecido amarelo com a mensagem "Time for change: The future is renewable" (Tempo de mudança: o futuro é renovável).
A mensagem só pode ser vista do alto, assim como as mais de 500 imagens geométricas e de animais que formam as chamadas linhas de Nazca, um dos maiores mistérios arqueológicos do Peru e que alguns cientistas consideram ser um observatório astronômico ou um calendário.
Horas antes, a organização Greenpeace tinha publicado, em Lima, um comunicado no qual "pediu desculpas àquelas pessoas que tiverem se sentido moralmente atacadas", mas justificou sua ação como forma de chamar atenção para o aquecimento global.
"Não aceitamos as desculpas. Eles não aceitam o dano causado", disse nesta quarta-feira o vice-ministro da Cultura, Luis Jaime Castillo, após receber representantes da ONG presentes na conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas (COP20), na capital peruana.
O vice-ministro afirmou, em declarações ao canal de notícias local N, que o dano "foi constatado por uma perícia feita por especialistas em arqueologia do Ministério (da cultura), o Ministério Público de Nazca e a polícia".
Através do ministério da Cultura, o governo já tinha denunciado na terça-feira, junto ao Ministério público, aqueles que cometeram "estes atos ilícitos e solicitou que se impeça a saída do país dos responsáveis".
"O Ministério da Cultura expressa, de forma enfática, sua indignação pelos fatos ocorridos no local vizinho ao colibri, nas Linhas de Nazca, declarada Patrimônio Cultural da Humanidade", declararam as autoridades em um comunicado.
Além disso, destacam ter denunciado ao Ministério Público de Nazca estes atos e "solicitou o impedimento de saída do país dos responsáveis".
As linhas de Nazca são antigos geoglifos situados nos Pampas de Jumana, no deserto de Nazca, na região de Ica. Traçadas pela cultura Nasca (séculos I a VII d.C.), são centenas de figuras que abrangem de desenhos simples a complexas figuras zoomorfas, fitomorfas e geométricas, traçadas na superfície terrestre.
Em 1994, o Comitê da Unesco declarou o sítio Patrimônio Cultural da Humanidade.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Roda de capoeira recebe título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade

Marcelinho em roda de capoeira com o Mestre Tucano
Ana Cristina Campos - Repórter da Agência Brasil Edição: Denise Griesinger
Dança, luta, símbolo de resistência e uma das manifestações culturais mais conhecidas no Brasil, a roda de capoeira recebeu hoje (26) o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Após votação durante a 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, em Paris, a roda de capoeira ganhou oficialmente o título.
A presidenta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Jurema Machado, presente na sessão do comitê, explicou que as políticas de patrimônio imaterial não existem apenas para conferir títulos, mas para que os governos assumam compromissos de preservação de seus bens culturais, materiais e imateriais.
“O reconhecimento representa um tributo à capoeira como manifestação cultural importante, que durante séculos foi criminalizada, além de dar visibilidade internacional. Além disso, reconhece que o Brasil tem políticas públicas para cuidar do seu patrimônio cultural”, disse Jurema, em entrevista à Agência Brasil.
Segundo ela, um bem registrado como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade garante mais respaldo ao governo para apoiar, com recursos públicos, iniciativas de preservação do bem cultural, com o incentivo à transmissão do conhecimento e a formas de organização dos capoeiristas. A roda de capoeira é reconhecida como patrimônio cultural pelo Iphan desde 2008.



“O reconhecimento da roda de capoeira pela Unesco é uma conquista muito importante para a cultura brasileira. A capoeira tem raízes africanas que devem ser cada vez mais valorizadas por nós. Agora, é um patrimônio a ser mais conhecido e praticado em todo o mundo”, destacou, em nota, a ministra interina da Cultura, Ana Cristina Wanzeler.No dossiê de candidatura, o Iphan enumerou uma série de ações para difundir a modalidade e propôs medidas de salvaguarda orçadas em mais de R$ 2 milhões, como a produção de catálogos e encontros. O documento destaca que o registro vai favorecer a consciência sobre o legado da cultura africana no Brasil e o papel da capoeira no combate ao racismo e à discriminação. Lembra, além disso, que a prática chegou a ser considerada crime e foi proibida durante um período da história. Hoje, a capoeira é praticada em muitos países.

Além da presidenta do Iphan, a diretora do Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI-Iphan), Célia Corsino, diplomatas da Delegação do Brasil junto à Unesco e capoeiristas brasileiros também acompanharam a votação, entre eles os mestres Cobra Mansa, Pirta, Peter, Paulão Kikongo, Sabiá e Mestra Janja.
Segundo o Ministério da Cultura, o Iphan deu apoio aos capoeiristas para fazer amplo inventário dos grandes grupos de capoeira e mestres no Brasil e ajudou-os a instalar comitês estaduais distribuídos pelo país. Neles, capoeiristas podem formular reivindicações e compromissos relacionados à salvaguarda e à promoção dessa manifestação cultural.
Com o título, a prática cultural afro-brasileira reúne-se agora ao Samba de Roda do Recôncavo Baiano, à Arte Kusiwa-Pintura Corporal, do Amapá, ao frevo, de Permanbuco, e ao Círio de Nazaré, do Pará, também reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Liminar do TJ-RJ proíbe mudança de nome do Copacabana Palace Hotel

Liminar impede que hotel passe a se chamar Belmond Copacabana Palace.

Grupo Orient Express, dono do hotel, queria novo nome já na segunda (10).


Hotel Copacabana Palace (Foto: Cristina Índio do Brasil/G1)Hotel Copacabana Palace (Foto: Arquivo/Cristina Índio do Brasil/G1)
A juíza Gisele Guida de Faria, da 9ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Estado doRio de Janeiro, concedeu liminar  proibindo que o grupo Orient Express Hotels Brasil S.A. altere o nome do Hotel Copacabana Palace para Belmond Copacabana Palace.
Na decisão datada da quinta-feira (6), a juíza ressalta que “a Constituição da República de 1988 trouxe importante mudança na disciplina jurídica do tombamento, alargando o conceito de patrimônio cultural brasileiro para incluir os bens imateriais que também passaram a merecer proteção estatal. Destarte, conclui-se que todo o conjunto de bens materiais e imateriais que integram o Hotel Copacabana Palace encontra-se protegido, devendo o Estado e toda a sociedade zelarem pela conservação e preservação de sua identidade e memória cultural, histórica e artística para as gerações futuras”, afirmou.
A liminar foi concedida na ação popular proposta pelo empresário Omar Resende Peres Filho, que afirma que a inclusão de Belmond no nome do Copacabana Palace vai descaracterizar o prédio, que é tombado e considerado patrimônio histórico e cultural de interesse de toda a sociedade brasileira e, em especial, dos cariocas. O Orient Express, atual proprietário do hotel, anunciou a mudança no nome do estabelecimento para a próxima segunda-feira (10).
Segundo a liminar, o grupo Orient Express não pode mudar o nome do hotel até o julgamento final da ação, sob pena de multa de R$ 500 mil.
90 anos
Em setembro de 2013, o Copacabana Palace comemorou 90 anos de existência, hospedando milhares de celebridades, entre astros da música, do cinema e até reis e rainhas. 

  •  O Copacabana Palace foi construído por um empresário de uma família muito tradicional, para receber autoridades e homens de negócios. Passou por uma crise, na década de 1980. Hoje, pertence ao Orient Express.O capitão-porteiro Jorge Freitas é o mesmo há 42 anos. Ele era um jovem de 21 anos quando assumiu a função. Na memória, muitos encontros.

“A vinda do Príncipe Charles com a Princesa Diana foi realmete o que mais marcou em toda a carreira do Copacabana Palace. Na hora que eles iam sair, que aquela multidão estava na frente do hotel, gritando bastante. Aquilo me emocionou bastante, e ela, segurando na minha mão", contou.
Capitão Porteiro trabalha há 42 anos no Copacabana Palace, no Rio (Foto: Isabela Marinho/G1)Capitão Porteiro trabalha há 42 anos no Copacabana Palace, no Rio (Foto: Isabela Marinho/G1)

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Gravuras rupestres somem de sítios arqueológicos da Amazônia

Por Elaíze Farias, de: Pública


Um sítio arqueológico localizado em terra indígena no município de São Gabriel da Cachoeira, na região do Alto Rio Negro, no norte do Estado do Amazonas, vem sendo alvo de depredações e, possivelmente, de furtos para atender demandas de colecionadores ou de comercialização de gravuras rupestres (petróglifos) em outras regiões do país ou no exterior.
Em São Gabriel da Cachoeira (a 858 quilômetros de Manaus), 90% da população é indígena, pertencente a 23 etnias. Ali estão  alguns dos mais relevantes sítios arqueológicos do Brasil, formados por rochas ribeirinhas, sazonalmente submersas, com gravuras rupestres com mais de 3 mil anos, segundo arqueólogos. Os indígenas consideram as áreas das gravuras rupestres um local sagrado e de forte relação com a sua cosmologia e ancestralidade.
As figuras ficam visíveis apenas na época da vazante do rio, cujo início acontece geralmente no mês de setembro (atualmente o local está submerso). Muitos dos desenhos rupestres estão documentados em publicações do etnólogo alemão Theodor Koch-Grünberg (1872-1924).
As depredações foram denunciadas em documento enviado em março passado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) pela Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro (Foirn), mas até o momento o órgão federal não se manifestou.
A constatação de que o sítio arqueológico sofreu algum tipo de dano grave, propositalmente, para objetivos ainda desconhecidos ocorreu no final de 2012, época da “seca” do rio, quando uma equipe de professores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), com sede em São Gabriel da Cachoeira, percebeu que camadas de pedras tinham sido removidas em um lugar conhecido como Itapinima, na região do rio Uaupés, afluente do rio Negro.
Um dos integrantes da equipe, o professor indígena da etnia tukano, Joscival Vasconcelos, fotografou a área onde teria ocorrido o furto e enviou as imagens para a direção do Ifam e para a Foirn.

Lajes removidas

A professora Roberta de Lima, integrante da equipe do Ifam, contou que ela e outros colegas estavam fotografando e identificando as gravuras para reconhecimento de marcos históricos da área. Quando chegaram às rochas, localizadas a meia hora de voadeira da sede do município de São Gabriel da Cachoeira, em uma área despovoada, depararam com as lajes removidas.
“Dois professores, entre eles o Joscival, viram que pedaços inteiros haviam desaparecidos. No lugar, estavam apenas umas partes brancas. A gente encaminhou o relatório para a diretoria do Ifam, que ficou de tomar providências. A nossa ideia era de que a Polícia Federal também investigasse”, disse Roberta.
Quase no mesmo período da visita da equipe do Ifam, Maiká Schwade e Ivani Faria, dois professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que ministram aulas de Licenciatura Intercultural Indígena no município, também passaram pela área e constataram a depredação do pedral onde havia gravuras rupestres, como relata Schwade:
“No final do ano passado, quando descíamos da comunidade de Taracuá, a professora Ivani Faria pediu para o Rosilvado, piloteiro da voadeira, encostar no local onde estavam esses desenhos rupestres para me mostrar. Mas, antes mesmo de encostarmos, o piloteiro disse que os desenhos rupestres haviam sido roubados e que chegou a ver pessoas trabalhando no local quando foi pescar no rio Uaupés”.
Swchade conta que, ao chegar ao pedral, ele e Ivani perceberam a falta de “dezenas de peças”; apenas as que estavam próximas ao rio permaneciam intatas. “Acredito que os ladrões retiraram a primeira camada (uns 10 cm de pedra) em volta de cada desenho, como se tivessem retirado a casca de uma árvore. Você imagina a dificuldade de transportar isso, é muito peso e exige muito cuidado. Acreditamos que eles só não tiraram todas porque deviam estar submersas. Nossa preocupação é que eles aproveitem mais uma época de seca para roubar o restante”, diz Schwade. As rochas de Itapinima ficam a maior parte do tempo debaixo do rio Uaupés, e aparecem apenas a partir do 2o semestre.
Alertado pelos professores, o diretor do Ifam, Elias Brasilino, visitou a região e constatou os danos: “Depois que recebi um relatório decidi ir até o local. Realmente, um painel grande de pedra foi retirado. Os desenhos e os símbolos, que representam o cotidiano dos povos que ali viveram, sumiram. E era preciso uma ferramenta boa para fazer isso”, descreveu.

Agressão ao patrimônio e à cultura indígena

A arqueóloga Helena Lima, que trabalhou na região do Alto Rio Negro como professora, considera as depredações duplamente graves pois, além de destruir um patrimônio arqueológico, agridem a história e a cosmologia dos povos indígenas que habitam a área.
Em fevereiro de 2011, Helena visitou as rochas do rio Uaupés e não identificou depredação: “Estive no sítio de Itapinima. Ali tem grafismos impressionantes, é um lugar sagrado que fala da cultura de várias etnias. Aliás, toda a região do Alto Rio Negro tem sítios arqueológicos relevantes, embora poucas pesquisas sejam realizadas. As rochas possuem elementos da paisagem e da cultura e apresentam informações valiosíssimas sobre o passado dos índios da região. Se as depredações ou furtos estiverem ocorrendo mesmo é caso para a Polícia Federal investigar ou o Ministério Público Federal e não apenas o Iphan”, alertou.
Para o arqueólogo Raoni Valle, professor do Programa de Antropologia e Arqueologia da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), caso se confirme a depredação, será “mais um lastimável registro recente de vandalismo grave em sítios de arte rupestre no Amazonas”. Ele lembrou que, em março de 2011, o Iphan interditou o sítio arqueológico Gruta do Batismo, em Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus), após ele e outros arqueólogos identificarem que o painel principal de pinturas rupestres fora destruído.
Em entrevista concedida por e-mail, Valle disse que a diferença no caso do Alto Rio Negro é que ali se trata de uma terra indígena, portanto, um território menos exposto. Segundo ele as gravuras “são realmente muito antigas, indicadores paleoambientais indiretos sugerem que algumas podem ter 3.000 anos ou mais”.

Ainda sem resposta do Iphan

Há pouco mais de quatro meses, no dia 8 de março, a Foirn enviou um documento ao Iphan pedindo medidas de proteção ao local e denunciando a ocorrência de “vandalismos e depredações”. O documento destaca: “Os lugares localizados nas pedras com gravuras, segundo os mais velhos, existem desde a grande viagem da cobra canoa quando a humanidade se gestava. Por razões que desconhecemos, estas pedras vêm sendo alvo de vandalismo e depredação. Assim gostaríamos de solicitar especial atenção e proteção a estes lugares”. A “cobra canoa” faz parte da narrativa dos mitos de origem do povo indígena Tukano, o mais populoso do Alto Rio Negro.
No documento, a Foirn solicita o reconhecimento dos lugares sagrados indígenas como patrimônio cultural, já que são de suma importância para a história dos Tukano, “marcada nas pedras e petróglifos, nos paranás, na foz de rios que são afluentes do rio Negro, em localidades hoje consideradas cidades”. Segundo os indígenas, os lugares “constituem marcos importantes de nossa identidade, da formação e da reprodução de vida da região, pois foi nesses lugares que nossos ancestrais receberam os conhecimentos necessários para que nós, seus descendentes, transformados em gente, pudessem viver”.
Os índios ainda não receberam resposta do Iphan, mas, procurada pela Pública, a coordenadora de Conhecimentos Tradicionais Associados do Iphan, Ana Gita de Olliveira, respondeu por e-mail que soube das “mutilações pelas quais as pedreiras que contém tais desenhos estão passando”. Segundo ela, ao voltar de uma viagem pelo rio Negro, de Manaus a São Gabriel da Cachoeira, realizada em fevereiro e março deste ano, entregou a denúncia à diretora do Departamento do Patrimônio Imaterial (DPI) do Iphan e “nada mais soube do assunto”.
A reportagem procurou o DPI por meio de a assessoria da imprensa do Iphan e durante mais de duas semanas reforçou o pedido de entrevista por e-mail e telefone, sem obter resposta. Também enviou, por email, o documento que a Foirn encaminhou ao órgão federal, mas não obteve resposta da assessoria.
Procurada, a superintendente do Iphan no Amazonas, Sheila Campos, informou que “não havia sido comunicada” da situação envolvendo as gravuras rupestres, mas que, tão logo “o Iphan em Brasília” lhe formalizasse a denúncia, iniciaria os “trâmites para as providências de vistorias na área”.

Geólogo confirma depredação recente
A reportagem apresentou fotografias das rochas que teriam sido depredadas para o geólogo Marco Antônio Oliveira, superintendente do Serviço Geólogo do Brasil (CPRM) no Amazonas, que confirmou que uma parte do afloramento rochoso foi quebrada. Ele disse que é possível atestar a depredação a partir da área mais clara (como se fosse uma mancha branca), o que indica que ocorreu há pouco tempo.
“Isto não foi fruto da natureza. Alguém bateu com marretada ou algum outro instrumento para pegar alguma amostra ou levar como suvenir. A gente (geólogos) também trabalha com retirada de amostras, mas são pequenas, que cabem na nossa mão. Pelo jeito, levaram uma placa muito maior, o que não é comum”, disse Oliveira, que já visitou a região do Alto Rio Negro em períodos anteriores.
Oliveira defendeu uma atuação interdisciplinar de proteção do sítio rupestre e a criação de um geoparque que permitiria tanto a preservação quanto a realização de atividades turísticas. “Ali é um local muito relevante. A CPRM poderia fazer um cadastro nos geosítios e a Unesco chancelar, declarando a área como um patrimônio. A CPRM poderia fazer uma ação conjunta com o Iphan”, afirmou.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Diários de Che Guevara viram patrimônio mundial da Unesco


Parte dos manuscritos de Che Guevara, em foto de arquivo de 2008 (Foto: AP)
Parte dos manuscritos de Che Guevara, em foto de arquivo de 2008 (Foto: AP)
A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) decidiu incluir os manuscritos de Ernesto "Che" Guevara no Registro Memória do Registro Mundial, um projeto que reúne e protege quase 300 documentos e coleções de todos os cinco continentes.                   
Em cerimônia realizada em Havana, Cuba, na sexta-feira (19), com a presença da viúva, da filha e do filho de Che Guevara, a Unesco oficializou a inclusão dos diários de juventude e outros escritos originais do líder da Revolução Cubana.Entre os documentos está o diário que ele manteve nas montanhas da Bolívia, onde ele foi executado, em 1967, por militares bolivianos.As obras de Che Guevara estão entre as 54 novas inclusões do Projeto Memória do Registro Mundial neste ano. O projeto foi criado em 1997 e inclui registros como discos originais da música de Carlos Gardel até as listas de ouro dos exames imperiais da dinastia Qing chinesa.Agora que foram reconhecidos como patrimônio mundial, os diários serão protegidos e cuidados com a ajuda da Unesco.

De: CBN

domingo, 7 de julho de 2013

Governador Tarso Genro garante apoio do Estado à reconstrução do Mercado Público

Ainda que a RBS tenha protagonizado o castatrofismo e decidido que a responsabilidade pelo incêndio do Mercado Público foi do Corpo de Bombeiros e, em consequência, do Governo do Estado, a reconstrução/restauração da parte destruída do mercado (menos de 30%, pelo que estamos sabendo) ficará a cargo do Governo do Estado e do Governo Federal. Fortunati já foi correndo pedir dinheiro para os outros. Melhor assim. Se deixar por conta do Governo Fortunati, ele entrega para uma empresa qualquer.

sábado, 6 de julho de 2013

Incêndio de grandes proporções atinge Mercado Público em Porto Alegre

 Da Redação, Sul 21
Um incêndio de grandes proporções atinge o Mercado Público de Porto Alegre na noite deste sábado (6). As primeiras informações são de que o fogo atinge a parte superior do Mercado e se alastra rapidamente. As primeiras estimativas são de que 25% da estrutura do Mercado já teria sido atingida pelo fogo.
Pelo menos sete caminhões dos Bombeiros tentam debelar as chamas. Os bombeiros enfrentam dificuldades pela falta de equipamentos como escadas Magirus, bem como hidrantes na região central. A Empresa Pública de Trânsito e Circulação (EPTC) promoveu o fechamento da Júlio de Castilhos e da Siqueira Campos para que os bombeiros possam trabalhar contra as chamas.
O foco do incêndio, segundo os relatos preliminares, é próximo da entrada da Estação Mercado do Trensurb. As chamas alastram-se dentro da estrutura rumo à Borges de Medeiros e ao Largo Glênio Peres.
Não há informes de feridos até o momento.
Foto: Miguel Rocha / Reprodução / Twitter
Foto: Miguel Rocha / Reprodução / Twitter

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Saiba onde está guardada a carta de Pero Vaz de Caminha

Amanda Cieglinski e Gilberto Costa* - Portal EBC
Considerada a “certidão de nascimento” do Brasil, a carta de Pero Vaz de Caminha está guardada no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa (Portugal). O documento está conservado a sete chaves em um cofre e só fica exposto ao público em ocasiões especiais. Em 2000, na comemoração  dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, a carta fez parte de exposições no Rio de Janeiro, em São Paulo, Brasília e Salvador.
Saiba mais:
A Torre do Tombo também é a guardiã de outros documentos importante como o Tratado de Tordesilhas, assinado por Portugal e Espanha em 1494 para dividir as terras descobertas pelas duas colônias fora da Europa.

sábado, 9 de março de 2013

Chuvas alagam salas e molham documentos do Arquivo Nacional


Memória encharcada. Caixas com documentos do Arquivo Nacional
Foto: Divulgação
Memória encharcada. Caixas com documentos do Arquivo Nacional Divulgação

Funcionários dizem que papéis da Era Vargas teriam sido atingidos

Simone Candida 

RIO — O temporal que alagou ruas da cidade na noite da última terça-feira respingou sobre uma parte da memória brasileira. De acordo com funcionários do Arquivo Nacional, com as fortes chuvas da semana passada, a água escorreu como cachoeira pelo teto da instituição — que estaria sofrendo com vazamentos e infiltrações já desde o ano passado —, alagando salas e encharcando caixas e prateleiras com documentos públicos raros.
Entre os papéis que ficaram molhados, estavam originais do Tribunal de Segurança Nacional, relativos à Era Vargas, guardados em 50 caixas de papelão. O inventário de danos da equipe inclui, ainda, três caixas com papelada do Serviço de Informações do Ministério da Justiça, com registros da época da ditadura, e 14 caixas com documentação que relata negócios fechados por portugueses no período de dom João VI.
A tempestade também danificou computadores e causou o desabamento do teto de um dos refeitórios. A direção do Arquivo, que funciona num prédio histórico na Praça da República, admitiu que houve alagamentos, mas alegou que nenhum documento foi danificado. Informou ainda que já enviou um pedido de verba de R$ 1,6 milhão ao Ministério da Justiça, ao qual o Arquivo é subordinado, para obras emergenciais no prédio.
Pelo menos 136 caixas e pacotes foram encharcados
Pelas contas dos servidores do Arquivo Nacional, 136 caixas e pacotes foram atingidos pela chuva (alguns apenas com respingos, outros totalmente molhados). Nas salas do bloco A, um dos setores mais afetados, o alagamento obrigou as equipes a arrastarem centenas de caixas para os corredores. Alguns documentos foram esticados no chão para secagem. Segundo servidores, o problema dos alagamentos não é de agora, e cada vez que chove forte a direção da casa adota medidas paliativas.
— Nas chuvas de janeiro, as salas de trabalho e os depósitos dos blocos A, C e D amanheceram alagados. Diversos acervos ficaram encharcados. Naquela época, tiramos os documentos das salas e colocamos em outras, com menos infiltrações. Documentos da antiga Funabem, em mais de 10 mil caixas, foram atingidos e tiveram que ser armazenados num depósito. Na última quarta-feira, quando chegamos para trabalhar, vimos mais uma vez estragos. Passamos dois dias limpando e secando. Por sorte, documentos da Lei Áurea estão numa exposição numa sala que não alaga e ficaram intactos — disse um funcionário que não se identificou.
Prédio principal é tombado
O diretor Arquivo Nacional, Jaime Antunes da Silva, afirma que todas as medidas para garantir a manutenção do prédio e proteger o patrimônio público vêm sendo tomadas. E argumenta que a chuva de terça-feira teve um volume atípico. Segundo ele, as salas mais afetadas foram as localizadas no prédio principal, tombado pelo Iphan desde 1938, onde os trincos dos janelões antigos não resistiram ao vento. Além disso, explica o diretor, as calhas do prédio não deram vazão e transbordaram.
— Alguns trincos não suportaram e abriram. Com isso, a água entrou. Eu estava em Brasília e, logo que fui avisado, comuniquei ao Ministério da Justiça o problema. Nossas equipes fizeram um mutirão no dia seguinte para salvar tudo, e os técnicos garantiram que não houve nenhum dano irreversível a nenhum documento. Já preparamos um relatório, que será enviado ao ministério, informando sobre a necessidade de obras para aprofundar as calhas e reformar os telhados.
Com acervo de 55 quilômetros de pilhas só de papéis, o Arquivo Nacional tem a função de guardar, preservar, dar acesso e divulgar documentos públicos. A instituição tem sob seu poder material raro, como mapas dos séculos XVI ao XIX; documentação sobre a entrada de imigrantes e fotografias dos séculos XIX e XX, entre elas registros da família Ferrez.

Leia mais sobre esse assunto em O Globo, só estou divulgando o que eles escreveram. O Globo é o dono da notícia.

sábado, 2 de março de 2013

Construtora quer demolir último trecho do muro de Berlim

Por IV Avatar do Rio OOOOOOooo
Do Opera Mundi

Alemães impedem demolição de último trecho original do muro de Berlim

Construtora quer levantar um condomínio de luxo no local; processo deve ser retomado nos próximos dias
Apenas um pequeno pedaço do muro foi retirado nesta sexta-feira, onde foram colocadas dezenas de mensagens

Moradores de Berlim protestaram nesta sexta-feira (01/03) contra a demolição de um trecho do muro que dividiu a cidade durante a Guerra Fria. Tratado como patrimônio cultural e histórico da cidade, o East Side Gallery, repleto de grafittis emblemáticos, está na mira de uma construtora que pretende levantar um condomínio de luxo às margens do rio Spree, que corta a cidade.

A demolição do muro começaria pela manhã, mas cerca de 300 manifestantes conseguiram impedir momentaneamente o trabalho dos guindastes, que retiraram apenas um pedaço da parede, de cerca de um metro e meio de largura. Nele há um graffiti do Portão de Brandemburgo. Nas frestas foram enfiadas notas falsas de 100 euros, em crítica à especulação imobiliária, e deixadas dezenas de mensagens de protesto contra sua eventual demolição.

“Nossa história não é bonita, mas não pode ser jogada fora”, dizia uma delas. “Parem com a demolição. Ninguém precisa de condomínios de luxo aqui.”
A expectativa de ativistas era barrar a retirada definitiva do muro e abrir novo diálogo com governo e prefeitura sobre a área. No entanto, policiais cercaram o terreno onde o condomínio será construído e os trabalhos devem ser retomados nos próximos dias. Berlinenses montaram vigília em frente ao local para acompanhar o desenrolar da história.
O trecho do muro de Berlim em questão é o único remanescente do original, construído em 1961 pelo governo da Alemanha Oriental. Artistas portugueses, alemães, russos e brasileiros deixaram mensagens de paz nas grossas paredes de cimento. Um dos graffitis mais famosos, e mais vendidos como imagem estampada em souvenirs, é o do caloroso beijo do então líder russo Leonid Brezhnev e do chefe da Alemanha Oriental, Erich Honecker.

Em 2009, a área, considerada um dos principais pontos turísticos da cidade, recebeu um investimento para revitalização de cerca de 2,5 milhões de euros (ou R$ 6 milhões) do governo alemão. O terreno, que há 20 anos era considerado terra de ninguém, exatamente pela proximidade com o muro, hoje é tido como privilegiado e com o metro quadrado em alta.

Roberto Almeida/Opera Mundi

Policiais fiscalizam a região do último pedaço original do muro de Berlim

De um lado da parede da East Side Gallery há um parque linear, de frente para as águas tranquilas do rio Spree. Do outro fica a movimentada avenida Mühlenstraße e a arena multiuso O2 World. Em uma caminhada de 10 minutos, os turistas - ou futuros moradores do condomínio de luxo - podem chegar ao bairro boêmio de Friedrichshain, onde há cafés, restaurantes e movimentadas feiras de produtos usados.

A demolição do trecho do muro levanta uma nova discussão sobre gentrificação, tema perene entre ativistas sociais berlinenses. Há muita polêmica sobre os efeitos nocivos das ondas de imigração de artistas para a capital alemã, atraídos pelos aluguéis baratos. Eles indiretamente subsidiam a especulação imobiliária e empurram os moradores originais para bairros mais distantes.

O protesto contra a demolição foi tido por manifestantes como uma empreitada anticapitalista. O tema é o mesmo de muitos murais grafitados. A associação de artistas da East Side Gallery escreveu um apelo à população de Berlim e aos turistas para  impedir a derrubada do trecho. “Somos contra a abertura planejada do muro. Não concordamos que, para benefícios privados, esse monumento seja destruído de novo”, diz, em nota.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Esqueleto encontrado em Leicester pertence ao rei Ricardo III

Imagem do esqueleto de Ricardo III, Universidade de Leicester
Em: Ciência
Mistério com 500 anos foi resolvido. Esqueleto do monarca estava debaixo de um parque de estacionamento.

Um grupo de investigadores britânicos confirmou, nesta segunda-feira, que um esqueleto que tinha sido encontrado em Setembro num parque de estacionamento de Leicester pertence mesmo ao rei Ricardo III.
A descoberta termina com um mistério que tinha mais de 500 anos, em que várias foram as pistas exploradas sobre o destino que teriam tido as ossadas do último rei inglês a morrer em combate. Sabia-se apenas que o seu corpo teria sido transportado do local da batalha, onde morreu, para ser exposto em Leicester e que teria sido sepultado junto uma igreja franciscana – uma pista que deixou de ser possível seguir quando em pleno século XVI a igreja foi demolida em consequência da reforma religiosa.
O rei Ricardo III, que foi descrito por William Shakespeare como um monstro tirano que matou dois sobrinhos, morreu aos 32 anos quando lutava com o seu suposto sucessor, Henrique Tudor, durante a batalha de Bosworth Field, que teve lugar no Centro do país, em 1485. A morte de Ricardo colocou também fim à chamada Guerra das Rosas, com a subida ao trono dos Tudor.
Agora uma equipa de historiadores e de arqueólogos da Universidade de Leicester assegura que o esqueleto encontrado no ano passado, durante umas escavações de uma zona medieval subjacente a um parque de estacionamento, pertence mesmo a Ricardo III, disse à Reuters o coordenador do projecto, Richard Buckley.
A mesma fonte explicou que os vestígios de ADN que foram obtidos através dos ossos coincidem com o ADN da família do monarca. A BBC adianta, ainda, que os ossos revelam dez ferimentos, sendo oito deles no crânio, e que a datação de carbono permitiu situar a morte entre 1455 e 1540.
A confirmação da identidade do esqueleto tornou-se possível porque uma outra equipa de historiadores encontrou uma mulher que é descendente directa da família de Ricardo III e que cedeu uma amostra de ADN. A Universidade de Leicester já informou que os restos mortais do monarca serão sepultados na catedral da cidade.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

São Francisco de Assis, o homem que criou o presépio

Entre tanta porcaria que a Globo exibe, achei essa matéria sobre a cidade de Assis, na Itália e seu patrimônio cultural. Muito interessante.

Conheça a cidade onde foi montado primeiro presépio do mundo

Assis é a terra de São Francisco. Para comemorar o Natal, os 50 frades lançaram o primeiro filme em 3D da história da Igreja.

Ilze Scamparini Assis,Itália,publicado no G1

Poucos lugares no mundo possuem uma combinação de beleza, arte e um santo nativo da popularidade de São Francisco (santo que inventou o presépio), como Assis, cidade medieval da Umbria, no centro da Itália.
Entre colinas e bosques, uma arquitetura íntegra ajuda a divulgar a existência do homem que tantos artistas prestaram homenagens. “Temos dez mil metros quadrados de afrescos”, conta o Frei Egídio Canil.
No santuário de fachada simples, em pedra branca, duas igrejas estão superpostas. Da entrada da basílica inferior é possível subir as escadarias para chegar ao mais essencial templo franciscano, que ficou pronto em 1253. Um dos primeiros edifícios góticos da Itália, onde a pintura genial, da segunda metade do século 13 deixou um patrimônio extraordinário.

Na basílica superior, a história do santo que renunciou à riqueza, foi contada pelo pintor Giotto e os seus discípulos. Nas duas paredes laterais, cada um dos afrescos narra uma passagem importante da vida de Francisco de Assis, como sua escolha pela pobreza, quando ele se despiu das suas vestes e decidiu deixar para trás as festas e a família de comerciantes prósperos.
A aprovação do papa Inocêncio III para a fundação da ordem Franciscana, também está na basílica. Tudo é contado em 28 afrescos. A viagem de Francisco ao Egito, a doação do seu manto a um homem pobre.
As figuras humanas são colocadas em paisagens reais. Em uma passagem definitiva na arte figurativa do estilo românico bizantino para o renascimento que Giotto antecipou. Ele revolucionou a pintura. Trouxe cor e principalmente a perspectiva. Com ele o homem vem representado não mais estático e sem fundo, mas posto no ambiente em que vive. Isso deu origem também ao humanismo.
Sobre o túmulo de Francisco são 2.200 metros quadrados só de Giotto, nenhum museu do mundo possui isso. Sobre a tumba do santo foram erguidas as duas igrejas decoradas por vários artistas.
Para comemorar o natal franciscano, e valorizar aquele que foi o maior pintor do seu tempo, os 50 frades do Santuário de Assis lançaram o primeiro filme em terceira dimensão da história da Igreja. A pintura de Giotto aparece ainda mais forte, com mais espaço e volume. Os rostos estão mais realistas.
Em uma pequena capela, Frei Marcelo Daga monta o presépio franciscano com peças feitas por ele em papel machê e pena de galinha. O cenário mistura o Oriente Médio à paisagem italiana. Entre Maria, José e o menino Jesus, estão São Francisco e um lobo, símbolo do amor fraterno que o santo, que inventou o presépio, dedicou aos animais.
São Francisco morreu em 1226, aos 44 anos. Dois anos depois foi proclamado santo pelo Vaticano, num dos processos de canonização mais rápidos da história da Igreja. Assis, há oito séculos, tornou-se uma das metas mais importantes da peregrinação dos cristãos.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Projeto de mineração no Pará vai destruir 35 sítios arqueológicos que podem conter rastros de povos pré-colombianos


A iminente destruição de 35 sítios arqueológicos na região amazônica com a ampliação do Projeto Ferro Carajás, da empresa Vale do Rio Doce, foi denunciada nesta semana por reportagem publicada no jornal The New York Times, traduzida no Brasil por O Globo. A área explorada pela mineradora fica no sudeste do Pará e contem 187 cavernas de interesse histórico, que podem ter vestígios de povos pré-colombianos que passaram por ali há mais de 8 mil anos. A Vale, cujo maior interesse neste caso é a venda de liga de ferro para a fabricação de aço pela indústria chinesa, contratou especialistas para avaliar a importância dos sítios e chegou a modificar o plano original de exploração de minério após o laudo.  Do total de cavernas na mira da eliminação, 24 seriam enquadradas pela própria empresa como de ‘alta relevância’. A Vale está investindo US$ 20 bilhões na empreitada que visa criar 30 mil empregos.
A discussão é polêmica e não há estudos arqueológicos aprofundados a respeito das cavernas, ou uma legislação nacional que assegure a proteção do patrimônio ambiental. Pelo menos, não ainda: já faz 20 anos, por exemplo, que circula na Câmara um projeto de lei que propõe a “proteção das cavidades naturais subterrâneas”. Ele permanece fora da ordem do dia nas discussões políticas. No que diz respeito ao âmbito histórico e cultural, os sítios são protegidos pela Lei nº 3.924/61, considerados bens patrimoniais da União. Para contornar a regra, a empresa afirma que preservará sítios em outras áreas do Pará em compensação à perda de algumas grutas de Carajás.
Saiba mais aqui.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Mapa dos Quilombos: a geografia da resistência

Roda de músicos no Quilombo de São Julião, localizado no distrito de Teófilo Otoni (MG).Foto: Tata Lobo
Léo Rodrigues - Portal da EBC 

Brasília - Um eldorado negro. Esse é o título da canção composta por Gilberto Gil em homenagem aos quilombos. A referência à riqueza dessas comunidades não é gratuita. Embora pesem as dificuldades financeiras e econômicas, as comunidades quilombolas guardam valiosos patrimônios: conhecimentos de plantas medicinais, técnicas produtivas de agricultura familiar, registro oral da história de povos negros do Brasil e uma enorme efervescência cultural que abrange a culinária, os cantos, os cultos, as festas e diversos outros tipos de manifestações.
A Fundação Palmares, órgão vinculado ao Ministério da Cultura voltado para a preservação da cultura afro-brasileira, já concedeu certificação a 1.834 comunidades quilombolas. Nas estimativas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), existem cerca de 3 mil quilombos em todo território brasileiro. Entretanto, somente 193 dessas comunidades, distribuídas em 111 territórios, possuem título de posse de suas terras.
Consagrado na Constituição Brasileira de 1988, o direito à terra das populações quilombolas ainda enfrenta a burocracia e a morosidade. A luta pela demarcação do seu território é, para estes povos, uma questão crucial: só dessa forma podem preservar com segurança sua cultura e seu modo de vida.
Veja no mapa o número de terras tituladas por estado:
O estado com maior número de territórios quilombolas titulados é o Pará, com 52, seguido do Maranhão, com 23. Os estados de Goiás, Sergipe, Minas Gerais e Rondônia possuem apenas 1 território titulado e outros 11 estados não possuem nenhum.
Segundo Lúcia Andrade, coordenadora da ong Comissão Pró-Índio de São Paulo, os quilombolas do Pará e do Maranhão foram pioneiros na luta pela regularização de suas terras e conseguiram articular aliados na sociedade e no interior dos governos. “O número maior de territórios titulados deve-se, sobretudo, à ação do governo estadual. O Instituto de Terras do Pará foi o primeiro do país a conceder o título de posse de terra a uma comunidade quilombola. No Maranhão, todos os 23 títulos foram outorgados pelo governo estadual”, relatou Lúcia.
A Comissão Pró-Índio de São Paulo possui hoje um dos mais completos catálogos das comunidades quilombolas do Brasil (http://www.cpisp.org.br), fruto de um monitoramento dos registros nos órgãos responsáveis. Fundada em 1978, a ong reuniu antropólogos, advogados, médicos, jornalistas e estudantes envolvidos na defesa dos povos indígenas diante das ameaças do regime militar. Atualmente, desenvolve um trabalho junto aos índios e quilombolas para reivindicar seus direitos territoriais, culturais e políticos. “Disponibilizamos essa informação aos quilombolas para que eles possam acompanhar em que medida o Poder Público está cumprindo a sua obrigação constitucional. É uma iniciativa independente que procura ser uma ferramenta para apoiar a luta pela garantia dos direitos”, explicou Lúcia Andrade.