Dados estão em relatório lançado nesta quinta-feira; segundo o documento, número de crianças vivendo na pobreza em nações desenvolvidas aumentou em 2,6 milhões; Portugal teria perdido 8 anos em progresso de renda.
Nos Estados Unidos a pobreza infantil aumentou. Foto: Unicef/NYHQ2014-1955/Pirozz
Cerca de 2,6 milhões de crianças entraram abaixo da linha da pobreza em países ricos desde 2008. Os dados estão em relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, lançado nesta quinta-feira.
Segundo estimativas, o número de crianças vivendo na pobreza em países desenvolvidos atingiu 76,5 milhões.
Crise econômica
O relatório Crianças da Recessão: o impacto da crise econômica no bem-estar de crianças em países ricos leva em conta se os níveis de pobreza infantil aumentaram ou caíram desde 2008 em nações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico e da União Europeia.
O documento, que também incluiu nações de média e baixa rendas, aponta a proporção de jovens entre 15 e 24 anos que não estão estudando nem trabalhando ou em treinamento.
A pobreza infantil cresceu em 23 dos 41 países analisados desde 2008. Na Irlanda, Croácia, Letônia, Grécia e Islândia, as taxas cresceram acima de 50%.
Renda
De acordo com o relatório, a renda média em famílias com crianças na Grécia em 2012 caiu para níveis de 1998. Isto significa o equivalente a perda de 14 anos em progresso de renda.
Por esta medida, Portugal perdeu oito anos, assim como Itália e Hungria. Irlanda, Luxemburgo e Espanha perderam uma década.
O Unicef afirma que a recessão foi especialmente dura com os jovens entre 15 e 24 anos. Na União Europeia, 7,5 milhões de jovens entraram na classificação de sem estudo, trabalho ou treinamento.
Nos Estados Unidos, a pobreza infantil cresceu em 34 dos 50 estados desde o início da crise. Em 2012, 24,2 milhões de crianças estavam vivendo na pobreza, um aumento de 1,7 milhão desde 2008.
Aprovando com unanimidade na Assembleia Geral da ONU, é lembrado nesta quinta-feira (6) o Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina.
Para marcar a data, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que
“não há nenhuma razão religiosa, de saúde ou de desenvolvimento para
mutilar ou cortar qualquer menina ou mulher”.
“Embora alguns argumentem que é uma “tradição”, devemos lembrar que a
escravidão, as mortes por honra e outras práticas desumanas foram
defendidas com o mesmo argumento”, afirmou Ban.
Segundo o chefe da ONU, a data é uma oportunidade para enfrentar este
problema persistente, bem como para encontrar esperança em iniciativas
que provam que se pode acabar com a esta prática.
“Apenas porque uma prática dolorosa existe há muito tempo não
justifica sua continuação. Todas as “tradições” que rebaixam, humilham e
ferem são violações dos direitos humanos que devem ser ativamente
combatidas até que acabem”, lembrou ele.
A prática está caindo em desuso em quase todos os países, mas ainda
está assustadoramente espalhada pelo mundo, informou a Organização.
Embora dados estatísticos seguros sejam difíceis de obter, estima-se que
mais de 125 milhões de meninas e mulheres tenham sido mutiladas em 29
países na África e no Oriente Médio, onde a prática prevalece e onde há
dados disponíveis.
Se as tendências atuais persistirem, cerca de 86 milhões de meninas
em todo o mundo estão sujeitas a sofrer a prática até 2030. “Ásia,
Europa, América do Norte e outras regiões não são poupadas e devem estar
igualmente vigilantes para com este problema”, destacou Ban.
O secretário-geral se demonstrou esperançoso quanto ao problema,
lembrando que recentemente, Uganda, Quênia e Guiné-Bissau adotaram leis
para pôr fim à prática. “Na Etiópia os responsáveis foram presos,
julgados e penalizados com ampla cobertura da imprensa, conscientizando
dessa forma o público”, destacou.
Amigos, sou do sul, venho do sul. Esquina do
Atlântico e do Prata, meu país é uma planície suave, temperada, uma
história de portos, couros, charque, lãs e carne. Houve décadas
púrpuras, de lanças e cavalos, até que, por fim, no arrancar do século
20, passou a ser vanguarda no social, no Estado, no Ensino. Diria que a
social-democracia foi inventada no Uruguai. Durante quase 50 anos, o mundo nos viu como uma espécie de Suíça.
Na realidade, na economia, fomos bastardos do império britânico e,
quando ele sucumbiu, vivemos o amargo mel do fim de intercâmbios
funestos, e ficamos estancados, sentindo falta do passado. Quase 50 anos recordando o Maracanã, nossa façanha esportiva.
Hoje, ressurgimos no mundo globalizado, talvez aprendendo de nossa dor.
Minha história pessoal, a de um rapaz — por que, uma vez, fui um rapaz —
que, como outros, quis mudar seu tempo, seu mundo, o sonho de uma
sociedade libertária e sem classes. Meus erros são, em parte, filhos de
meu tempo. Obviamente, os assumo, mas há vezes que medito com nostalgia. Quem tivera a força de quando éramos capazes de abrigar tanta
utopia! No entanto, não olho para trás, porque o hoje real nasceu das
cinzas férteis do ontem. Pelo contrário, não vivo para cobrar contas ou
para reverberar memórias. Me angustia, e como, o amanhã que não verei, e pelo qual me
comprometo. Sim, é possível um mundo com uma humanidade melhor, mas
talvez, hoje, a primeira tarefa seja cuidar da vida. Mas sou do sul e venho do sul, a esta Assembleia, carrego
inequivocamente os milhões de compatriotas pobres, nas cidades, nos
desertos, nas selvas, nos pampas, nas depressões da América Latina
pátria de todos que está se formando. Carrego as culturas originais esmagadas, com os restos de
colonialismo nas Malvinas, com bloqueios inúteis a este jacaré sob o sol
do Caribe que se chama Cuba. Carrego as consequências da vigilância
eletrônica, que não faz outra coisa que não despertar desconfiança.
Desconfiança que nos envenena inutilmente. Carrego uma gigantesca dívida
social, com a necessidade de defender a Amazônia, os mares, nossos
grandes rios na América. Carrego o dever de lutar por pátria para todos. Para que a Colômbia possa encontrar o caminho da paz, e carrego o
dever de lutar por tolerância, a tolerância é necessária para com
aqueles que são diferentes, e com os que temos diferências e
discrepâncias. Não se precisa de tolerância com aqueles com quem estamos
de acordo. A tolerância é o fundamento de poder conviver em paz, e entendendo que, no mundo, somos diferentes. O combate à economia suja, ao narcotráfico, ao roubo, à fraude e à
corrupção, pragas contemporâneas, procriadas por esse antivalor, esse
que sustenta que somos felizes se enriquecemos, seja como seja.
Sacrificamos os velhos deuses imateriais. Ocupamos o templo com o deus
mercado, que nos organiza a economia, a política, os hábitos, a vida e
até nos financia em parcelas e cartões a aparência de felicidade. Parece que nascemos apenas para consumir e consumir e, quando não
podemos, nos enchemos de frustração, pobreza e até autoexclusão. O certo, hoje, é que, para gastar e enterrar os detritos nisso
que se chama pela ciência de poeira de carbono, se aspirarmos nesta
humanidade a consumir como um americano médio, seriam imprescindíveis
três planetas para poder viver. Nossa civilização montou um desafio mentiroso e, assim como
vamos, não é possível satisfazer esse sentido de esbanjamento que se deu
à vida. Isso se massifica como uma cultura de nossa época, sempre
dirigida pela acumulação e pelo mercado. Prometemos uma vida de esbanjamento, e, no fundo, constitui uma
conta regressiva contra a natureza, contra a humanidade no futuro.
Civilização contra a simplicidade, contra a sobriedade, contra todos os
ciclos naturais. O pior: civilização contra a liberdade que supõe ter tempo para
viver as relações humanas, as únicas que transcendem: o amor, a amizade,
aventura, solidariedade, família. Civilização contra tempo livre que não é pago, que não se pode
comprar, e que nos permite contemplar e esquadrinhar o cenário da
natureza. Arrasamos a selva, as selvas verdadeiras, e implantamos selvas
anônimas de cimento. Enfrentamos o sedentarismo com esteiras, a insônia
com comprimidos, a solidão com eletrônicos, porque somos felizes longe
da convivência humana. Cabe se fazer esta pergunta, ouvimos da biologia que defende a
vida pela vida, como causa superior, e a suplantamos com o consumismo
funcional à acumulação. A política, eterna mãe do acontecer humano, ficou limitada à
economia e ao mercado. De salto em salto, a política não pode mais que
se perpetuar, e, como tal, delegou o poder, e se entretém, aturdida,
lutando pelo governo. Debochada marcha de historieta humana, comprando e
vendendo tudo, e inovando para poder negociar de alguma forma o que é
inegociável. Há marketing para tudo, para os cemitérios, os serviços
fúnebres, as maternidades, para pais, para mães, passando pelas
secretárias, pelos automóveis e pelas férias. Tudo, tudo é negócio. Todavia, as campanhas de marketing caem deliberadamente sobre as
crianças, e sua psicologia para influir sobre os adultos e ter, assim,
um território assegurado no futuro. Sobram provas de essas tecnologias
bastante abomináveis que, por vezes, conduzem a frustrações e mais. O homenzinho médio de nossas grandes cidades perambula entre os
bancos e o tédio rotineiro dos escritórios, às vezes temperados com ar
condicionado. Sempre sonha com as férias e com a liberdade, sempre sonha
com pagar as contas, até que, um dia, o coração para, e adeus. Haverá
outro soldado abocanhado pelas presas do mercado, assegurando a
acumulação. A crise é a impotência, a impotência da política, incapaz de
entender que a humanidade não escapa nem escapará do sentimento de
nação. Sentimento que está quase incrustado em nosso código genético. Hoje é tempo de começar a talhar para preparar um mundo sem
fronteiras. A economia globalizada não tem mais condução que o interesse
privado, de muitos poucos, e cada Estado Nacional mira sua estabilidade
continuísta, e hoje a grande tarefa para nossos povos, em minha humilde
visão, é o todo. Como se isto fosse pouco, o capitalismo produtivo, francamente
produtivo, está meio prisioneiro na caixa dos grandes bancos. No fundo,
são o vértice do poder mundial. Mais claro, cremos que o mundo requer a
gritos regras globais que respeitem os avanços da ciência, que abunda.
Mas não é a ciência que governa o mundo. Se precisa, por exemplo, uma
larga agenda de definições, quantas horas de trabalho e toda a terra,
como convergem as moedas, como se financia a luta global pela água e
contra os desertos. Como se recicla e se pressiona contra o aquecimento global. Quais
são os limites de cada grande questão humana. Seria imperioso conseguir
consenso planetário para desatar a solidariedade com os mais oprimidos,
castigar impositivamente o esbanjamento e a especulação. Mobilizar as
grandes economias não para criar descartáveis com obsolescência
calculada, mas bens úteis, sem fidelidade, para ajudar a levantar os
pobres do mundo. Bens úteis contra a pobreza mundial. Mil vezes mais
rentável que fazer guerras. Virar um neo-keynesianismo útil, de escala
planetária, para abolir as vergonhas mais flagrantes deste mundo. Talvez nosso mundo necessite menos de organismos mundiais, desses
que organizam fórums e conferências, que servem muito às cadeias
hoteleiras e às companhias aéreas e, no melhor dos casos, não reúne
ninguém e transforma em decisões… Precisamos sim mascar muito o velho e o eterno da vida humana
junto da ciência, essa ciência que se empenha pela humanidade não para
enriquecer; com eles, com os homens de ciência da mão, primeiros
conselheiros da humanidade, estabelecer acordos para o mundo inteiro.
Nem os Estados nacionais grandes, nem as transnacionais e muito menos o
sistema financeiro deveriam governar o mundo humano. Sim, a alta
política entrelaçada com a sabedoria científica, ali está a fonte. Essa
ciência que não apetece o lucro, mas que mira o por vir e nos diz coisas
que não escutamos. Quantos anos faz que nos disseram coisas que não
entendemos? Creio que se deve convocar a inteligência ao comando da nave
acima da terra, coisas assim e coisas que não posso desenvolver nos
parecem impossíveis, mas requeririam que o determinante fosse a vida,
não a acumulação. Obviamente, não somos tão iludidos, nada disso acontecerá, nem
coisas parecidas. Nos restam muitos sacrifícios inúteis daqui para
diante, muitos remendos de consciência sem enfrentar as causas. Hoje, o
mundo é incapaz de criar regras planetárias para a globalização e isso é
pela enfraquecimento da alta política, isso que se ocupa de todo. Por
último, vamos assistir ao refúgio de acordos mais ou menos
“reclamáveis”, que vão plantear um comércio interno livre, mas que, no
fundo, terminarão construindo parapeitos protecionistas, supranacionais
em algumas regiões do planeta. A sua vez, crescerão ramos industriais
importantes e serviços, todos dedicados a salvar e a melhorar o meio
ambiente. Assim vamos nos consolar por um tempo, estaremos entretidos e,
naturalmente, continuará a parecer que a acumulação é boa, para a
alegria do sistema financeiro. Continuarão as guerras e, portanto, os fanatismos, até que,
talvez, a mesma natureza faça um chamado à ordem e torne inviáveis
nossas civilizações. Talvez nossa visão seja demasiado crua, sem
piedade, e vemos ao homem como uma criatura única, a única que há acima
da terra capaz de ir contra sua própria espécie. Volto a repetir, porque
alguns chamam a crise ecológica do planeta de consequência do triunfo
avassalador da ambição humana. Esse é nosso triunfo e também nossa
derrota, porque temos impotência política de nos enquadrarmos em uma
nova época. E temos contribuído para sua construção sem nos dar conta. Por que digo isto? São dados, nada mais. O certo é que a
população quadruplicou e o PIB cresceu pelo menos vinte vezes no último
século. Desde 1990, aproximadamente a cada seis anos o comércio mundial
duplica. Poderíamos seguir anotando dados que estabelecem a marcha da
globalização. O que está acontecendo conosco? Entramos em outra época
aceleradamente, mas com políticos, enfeites culturais, partidos e
jovens, todos velhos ante a pavorosa acumulação de mudanças que nem
sequer podemos registrar. Não podemos manejar a globalização porque
nosso pensamento não é global. Não sabemos se é uma limitação cultural
ou se estamos chegano a nossos limites biológicos. Nossa época é portentosamente revolucionária como não conheceu a
história da humanidade. Mas não tem condução consciente, ou ao menos
condução simplesmente instintiva. Muito menos, todavia, condução
política organizada, porque nem se quer tivemos filosofia precursora
ante a velocidade das mudanças que se acumularam. A cobiça, tão negatica e tão motor da história, essa que
impulsionou o progresso material técnico e científico, que fez o que é
nossa época e nosso tempo e um fenomenal avanço em muitas frentes,
paradoxalmente, essa mesma ferramenta, a cobiça que nos impulsionou a
domesticar a ciência e transformá-la em tecnologia nos precipita a um
abismo nebuloso. A uma história que não conhecemos, a uma época sem
história, e estamos ficando sem olhos nem inteligência coletiva para
seguir colonizando e para continuar nos transformando. Porque se há uma característica deste bichinho humano é a de que é um conquistador antropológico. Parece que as coisas tomam autonomia e essas coisas subjugam os
homens. De um lado a outro, sobram ativos para vislumbrar tudo isso e
para vislumbrar o rombo. Mas é impossível para nós coletivizar decisões
globais por esse todo. A cobiça individual triunfou grandemente sobre a
cobiça superior da espécie. Aclaremos: o que é “tudo”, essa palavra
simples, menos opinável e mais evidente? Em nosso Ocidente,
particularmente, porque daqui viemos, embora tenhamos vindo do sul, as
repúblicas que nasceram para afirmas que os homens são iguais, que
ninguém é mais que ninguém, que os governos deveriam representar o bem
comum, a justiça e a igualdade. Muitas vezes, as repúblicas se deformam e
caem no esquecimento da gente que anda pelas ruas, do povo comum. Não foram as repúblicas criadas para vegetar, mas ao contrário,
para serem um grito na história, para fazer funcionais as vidas dos
próprios povos e, por tanto, as repúblicas que devem às maiorias e devem
lutar pela promoção das maiorias. Seja o que for, por reminiscências feudais que estão em nossa
cultura, por classismo dominador, talvez pela cultura consumista que
rodeia a todos, as repúblicas frequentemente em suas direções adotam um
viver diário que exclui, que se distância do homem da rua. Esse homem da rua deveria ser a causa central da luta política na
vida das repúblicas. Os gobernos republicanos deveriam se parecer cada
vez mais com seus respectivos povos na forma de viver e na forma de se
comprometer com a vida. A verdade é que cultivamos arcaísmos feudais, cortesias
consentidas, fazemos diferenciações hierárquicas que, no fundo, amassam o
que têm de melhor as repúblicas: que ninguém é mais que ninguém. O jogo
desse e de outros fatores nos retém na pré-história. E, hoje, é
impossível renunciar à guerra cuando a política fracassa. Assim, se
estrangula a economia, esbanjamos recursos. Ouçam bem, queridos amigos: em cada minuto no mundo se gastam US$
2 milhões em ações militares nesta terra. Dois milhões de dólares por
minuto em inteligência militar!! Em investigação médica, de todas as
enfermidades que avançaram enormemente, cuja cura dá às pessoas uns anos
a mais de vida, a investigação cobre apenas a quinta parte da
investigação militar. Este processo, do qual não podemos sair, é cego. Assegura ódio e
fanatismo, desconfiança, fonte de novas guerras e, isso também,
esbanjamento de fortunas. Eu sei que é muito fácil, poeticamente,
autocriticarmo-nos pessoalmente. E creio que seria uma inocência neste
mundo plantear que há recursos para economizar e gastar em outras coisas
úteis. Isso seria possível, novamente, se fôssemos capazes de exercitar
acordos mundiais e prevenções mundiais de políticas planetárias que nos
garantissem a paz e que a dessem para os mais fracos, garantia que não
temos. Aí haveria enormes recursos para deslocar e solucionar as maiores
vergonhas que pairam sobre a Terra. Mas basta uma pergunta: nesta
humanidade, hoje, onde se iria sem a existência dessas garantias
planetárias? Então cada qual esconde armas de acordo com sua magnitude, e
aqui estamos, porque não podemos raciocinar como espécie, apenas como
indivíduos. As instituições mundiais, particularmente hoje, vegetam à sombra
consentida das dissidências das grandes nações que, obviamente, querem
reter sua cota de poder. Bloqueiam esta ONU que foi criada com uma esperança e como um
sonho de paz para a humanidade. Mas, pior ainda, desarraigam-na da
democracia no sentido planetário porque não somos iguais. Não podemos
ser iguais nesse mundo onde há mais fortes e mais fracos. Portanto, é
uma democracia ferida e está cerceando a história de um possível acordo
mundial de paz, militante, combativo e verdadeiramente existente. E,
então, remendamos doenças ali onde há eclosão, tudo como agrada a
algumas das grandes potências. Os demais olham de longe. Não existimos. Amigos, creio que é muito difícil inventar uma força pior que
nacionalismo chovinista das grandes potências. A força é que liberta os
fracos. O nacionalismo, tão pai dos processos de descolonização,
formidável para os fracos, se transforma em uma ferramenta opressora nas
mãos dos fortes e, nos últimos 200 anos, tivemos exemplos disso por
toda a parte. A ONU, nossa ONU, enlanguece, se burocratiza por falta de poder e
de autonomia, de reconhecimento e, sobretudo, de democracia para o
mundo mais fraco que constitui a maioria esmagadora do planeta. Mostro
um pequeno exemplo, pequenino. Nosso pequeno país tem, em termos
absolutos, a maior quantidade de soldados em missões de paz em todos os
países da América Latina. E ali estamos, onde nos pedem que estejamos.
Mas somos pequenos, fracos. Onde se repartem os recursos e se tomam as
decisões, não entramos nem para servir o café. No mais profundo de nosso
coração, existe um enorme anseio de ajudar para que o homem saia da
pré-história. Eu defino que o homem, enquanto viver em clima de guerra,
está na pré-história, apesar dos muitos artefatos que possa construir. Até que o homem não saia dessa pré-história e arquive a guerra
como recurso quando a política fracassa, essa é a larga marcha e o
desafio que temos daqui adiante. E o dizemos com conhecimento de causa.
Conhecemos a solidão da guerra. No entanto, esses sonhos, esses desafios
que estão no horizonte implicam lutar por uma agenda de acordos
mundiais que comecem a governar nossa história e superar, passo a passo,
as ameaças à vida. A espécie como tal deveria ter um governo para a
humanidade que superasse o individualismo e primasse por recriar cabeças
políticas que acudam ao caminho da ciência, e não apenas aos interesses
imediatos que nos governam e nos afogam. Paralelamente, devemos entender que os indigentes do mundo não
são da África ou da América Latina, mas da humanidade toda, e esta deve,
como tal, globalizada, empenhar-se em seu desenvolvimento, para que
possam viver com decência de maneira autônoma. Os recursos necessários
existem, estão neste depredador esbanjamento de nossa civilização. Há poucos dias, fizeram na Califórnia, em um corpo de bombeiros,
uma homenagem a uma lâmpada elétrica que está acesa há cem anos. Cem
anos que está acesa, amigo! Quantos milhões de dólares nos tiraram dos
bolsos fazendo deliberadamente porcarias para que as pessoas comprem,
comprem, comprem e comprem. Mas esta globalização de olhar para todo o planeta e para toda a
vida significa uma mudança cultural brutal. É o que nos requer a
história. Toda a base material mudou e cambaleou, e os homens, com nossa
cultura, permanecem como se não houvesse acontecido nada e, em vez de
governarem a civilização, deixam que ela nos governe. Há mais de 20 anos
que discutimos a humilde taxa Tobin. Impossível aplicá-la no tocante ao
planeta. Todos os bancos do poder financeiro se irrompem feridos em sua
propriedade privada e sei lá quantas coisas mais. Mas isso é paradoxal.
Mas, com talento, com trabalho coletivo, com ciência, o homem, passo a
passo, é capaz de transformar o deserto em verde. O homem pode levar a agricultura ao mar. O homem pode criar
vegetais que vivam na água salgada. A força da humanidade se concentra
no essencial. É incomensurável. Ali estão as mais portentosas fontes de
energia. O que sabemos da fotossíntese? Quase nada. A energia no mundo
sobra, se trabalharmos para usá-la bem. É possível arrancar
tranquilamente toda a indigência do planeta. É possível criar
estabilidade e será possível para as gerações vindouras, se conseguirem
raciocinar como espécie e não só como indivíduos, levar a vida à galáxia
e seguir com esse sonho conquistador que carregamos em nossa genética. Mas, para que todos esses sonhos sejam possíveis, precisamos
governar a nos mesmos, ou sucumbiremos porque não somos capazes de estar
à altura da civilização em que fomos desenvolvendo. Este é nosso dilema. Não nos entretenhamos apenas remendando
consequências. Pensemos na causa profundas, na civilização do
esbanjamento, na civilização do usa-tira que rouba tempo mal gasto de
vida humana, esbanjando questões inúteis. Pensem que a vida humana é um
milagre. Que estamos vivos por um milagre e nada vale mais que a vida. E
que nosso dever biológico, acima de todas as coisas, é respeitar a vida
e impulsioná-la, cuidá-la, procriá-la e entender que a espécie é nosso
“nós”. Obrigado.
E, aqui, o original em espanhol:
Amigos todos, soy del sur, vengo del sur. Esquina del
Atlántico y del Plata, mi país es una penillanura suave, templada, una
historia de puertos, cueros, tasajo, lanas y carne. Tuvo décadas
púrpuras, de lanzas y caballos, hasta que por fin al arrancar el siglo
XX se puso a ser vanguardia en lo social, en el Estado, en la enseñanza.
Diría que la socialdemocracia se inventó en el Uruguay. Durante casi 50 años el mundo nos vio como una especie de Suiza.
En realidad, en lo económico fuimos bastardos del imperio británico y
cuando este sucumbió vivimos las amargas mieles de términos de
intercambio funestos, y quedamos estancados añorando el pasado. Casi 50 años recordando el Maracaná, nuestra hazaña deportiva.
Hoy hemos resurgido en este mundo globalizado tal vez aprendiendo de
nuestro dolor. Mi historia personal, la de un muchacho- porque alguna
vez fui muchacho- que como otros quiso cambiar su época, su mundo, el
sueño de una sociedad libertaria y sin clases. Mis errores son en parte
hijos de mi tiempo. Obviamente los asumo, pero hay veces que medito con
nostalgia Obviamente los asumo, pero hay veces que medito con nostalgia ¡quién tuviera la fuerza de cuando éramos capaces de albergar
tanta utopía! Sin embargo no miro hacia atrás porque el hoy real nació
en las cenizas fértiles del ayer. Por el contrario no vivo para cobrar
cuentas o reverberar recuerdos. Me angustia, y de qué manera, el porvenir que no veré, y por el
que me comprometo. Sí, es posible un mundo con una humanidad mejor, pero
tal vez hoy la primera tarea sea cuidar la vida. Pero soy del sur y vengo del sur, a esta asamblea, cargo
inequívocamente con los millones de compatriotas pobres, en las
ciudades, en los páramos, en las selvas, en las pampas, en los
socavones, de la América Latina patria común que se está haciendo. Cargo con las culturas originales aplastadas, con los restos del
colonialismo en Malvinas, con bloqueos inútiles a ese caimán bajo el sol
del Caribe que se llama Cuba. Cargo con las consecuencias de la
vigilancia electrónica que no hace otra cosa que sembrar desconfianza.
Desconfianza que nos envenena inútilmente. Cargo con una gigantesca
deuda social, con la necesidad de defender la Amazonia, los mares,
nuestros grandes ríos de América. Cargo con el deber de luchar por patria para todos. Para que Colombia pueda encontrar el camino de la paz, y cargo
con el deber de luchar por tolerancia, la tolerancia se precisa para con
aquellos que son distintos, y con los que tenemos diferencias y
discrepamos. No se precisa la tolerancia para los que estamos de
acuerdo. La tolerancia es el fundamento de poder convivir en paz, y entendiendo que en el mundo somos diferentes. El combate a la economía sucia, al narcotráfico, a la estafa, el
fraude y la corrupción, plagas contemporáneas, prohijadas por ese
antivalor, ese que sostiene que somos felices si nos enriquecemos sea
como sea. Hemos sacrificado los viejos dioses inmateriales. Les ocupamos
el templo con el dios mercado, que nos organiza la economía, la
política, los hábitos, la vida y hasta nos financia en cuotas y
tarjetas, la apariencia de felicidad. Parecería que hemos nacido solo para consumir y consumir, y
cuando no podemos cargamos con la frustración, la pobreza, y hasta la
autoexclusión. Lo cierto hoy es que para gastar y enterrar los detritos en eso
que se llama la huella de carbono por la ciencia, si aspiraramos en esta
humanidad a consumir como un americano medio promedio, sería
imprescindible tres planetas para poder vivir. Es decir nuestra civilización montó un desafío mentiroso y así
como vamos, no es posible para todos colmar ese sentido de despilfarro
que se le ha dado a la vida. En los hechos se está masificando como una
cultura de nuestra época, siempre dirigida por la acumulación y el
mercado. Prometemos una vida de derroche y despilfarro, y en el fondo
constituye una cuenta regresiva contra la naturaleza, contra la
humanidad como futuro. Civilización contra la sencillez, contra la
sobriedad, contra todos los ciclos naturales. Lo peor: civilización contra la libertad que supone tener tiempo
para vivir las relaciones humanas, lo único trascendente, el amor, la
amistad, aventura, solidaridad, familia. Civilización contra tiempo libre no paga, que no se compra, y que
nos permite contemplar y escudriñar el escenario de la naturaleza. Arrasamos la selva, las selvas verdaderas, e implantamos selvas
anónimas de cemento. Enfrentamos al sedentarismo con caminadores, al
insomnio con pastillas, la soledad con electrónicos, porque somos
felices alejados del entorno humano. Cabe hacerse esta pregunta, huimos de nuestra biología que
defiende la vida por la vida misma, como causa superior, y lo
suplantamos por el consumismo funcional a la acumulación. La política, la eterna madre del acontecer humano quedó limitada a
la economía y al mercado, de salto en salto la política no puede más
que perpetuarse, y como tal delegó el poder y se entretiene, aturdida,
luchando por el gobierno. Debocada marcha de historieta humana,
comprando y vendiendo todo, e innovando para poder negociar de algún
modo, lo que es innegociable. Hay marketing para todo, para los
cementerios, los servicios fúnebres, las maternidades, para padres, para
madres, pasando por las secretarias, los autos y las vacaciones. Todo,
todo es negocio. Todavía las campañas de marketing caen deliberadamente sobre los
niños, y su psicología para influir sobre los mayores y tener hacia el
futuro un territorio asegurado. Sobran pruebas de estas tecnologías
bastante abominables que a veces, conducen a las frustraciones y más. El hombrecito promedio de nuestras grandes ciudades, deambula
entre las financieras y el tedio rutinario de las oficinas, a veces
atemperadas con aire acondicionado. Siempre sueña con las vacaciones y
la libertad, siempre sueña con concluir las cuentas, hasta que un día,
el corazón se para, y adiós. Habrá otro soldado cubriendo las fauces del
mercado, asegurando la acumulación. La crisis se hace impotencia, la
impotencia de la política, incapaz de entender que la humanidad no se
escapa, ni se escapará del sentimiento de nación. Sentimiento que casi
está incrustado en nuestro código genético. Hoy, es tiempo de empezar a tallar para preparar un mundo sin
fronteras. La economía globalizada no tiene más conducción que el
interés privado, de muy pocos, y cada estado nacional mira su
estabilidad continuista, y hoy la gran tarea para nuestros pueblos, en
mi humilde manera de ver, es el todo. Como si esto fuera poco, el capitalismo productivo, francamente
productivo, está medio prisionero en la caja de los grandes bancos. En
el fondo son la cúspide del poder mundial. Más claro, creemos que el
mundo requiere a gritos reglas globales que respeten los logros de la
ciencia, que abunda. Pero no es la ciencia que gobierna el mundo. Se
precisan por ejemplo, una larga agenda de definiciones, cuántas horas de
trabajo y toda la tierra, cómo convergen las monedas, cómo se financia
la lucha global por el agua, y contra los desiertos. Cómo se recicla y se presiona contra el calentamiento global.
Cuáles son los límites de cada gran quehacer humano. Sería imperioso
lograr consenso planetario para desatar solidaridad hacia los más
oprimidos, castigar impositivamente el despilfarro y la especulación.
Movilizar las grandes economías, no para crear descartables, con
obsolencia calculada, sino bienes útiles, sin fidelidad, para ayudar a
levantar a los pobres del mundo. Bienes útiles contra la pobreza
mundial. Mil veces más redituable que hacer guerras. Volcar un
neo-keynesianismo útil de escala planetaria para abolir las vergüenzas
más flagrantes que tiene este mundo. Tal vez nuestro mundo necesita menos organismos mundiales, esos
que organizan los foros y las conferencias, que le sirven mucho a las
cadenas hoteleras y a las compañías aéreas y en el mejor de los casos
nadie recoge y lo transforma en decisiones.… Necesitamos sí mascar mucho lo viejo y eterno de la vida humana
junto a la ciencia, esa ciencia que se empeña por la humanidad no para
hacerse rico; con ellos, con los hombres de ciencia de la mano, primeros
consejeros de la humanidad, establecer acuerdos por el mundo entero. Ni
los Estados nacionales grandes, ni las transnacionales y muchos menos
el sistema financiero debería gobernar el mundo humano. Sí la alta
política entrelazada con la sabiduría científica, allí está la fuente.
Esa ciencia que no apetece el lucro pero que mira el porvenir y nos dice
cosas que no atendemos. ¿Cuántos años hace que nos dijeron determinadas
cosas que no nos dimos por enterados? Creo que hay que convocar la
inteligencia al comando de la nave arriba de la tierra, cosas de este
estilo y otras que no puedo desarrollar nos parecen imprescindibles,
pero requerirían que lo determinante fuera la vida, no la acumulación. Obviamente, no somos tan ilusos, estas cosas no pasarán, ni otras
parecidas. Nos quedan muchos sacrificios inútiles por delante, mucho
remendar consecuencias y no enfrentar las causas. Hoy el mundo es
incapaz de crear regulación planetaria a la globalización y esto es por
el debilitamiento de la alta política, eso que se ocupa de todo. Por
último vamos a asistir al refugio de acuerdos más o menos “reclamables”,
que van a plantear un mentiroso libre comercio interno, pero que en el
fondo van a terminar construyendo parapetos proteccionistas,
supranacionales en algunas regiones del planeta. A su vez van a crecer
ramas industriales importantes y servicios, todos dedicados a salvar y
mejorar al medio ambiente. Así nos vamos a consolar por un tiempo, vamos
a estar entretenidos y naturalmente va a continuar como para estar rica
la acumulación para regodeo del sistema financiero. Continuarán las guerras y por tanto los fanatismos hasta que tal
vez la misma naturaleza lo llame al orden y haga inviable nuestras
civilizaciones. Tal vez nuestra visión es demasiado cruda, sin piedad y
vemos al hombre como una criatura única, la única que hay arriba de la
tierra capaz de ir contra su propia especie. Vuelvo a repetir, porque
algunos llaman la crisis ecológica del planeta, es consecuencia del
triunfo avasallante de la ambición humana. Ese es nuestro triunfo,
también nuestra derrota, porque tenemos impotencia política de
encuadrarnos en una nueva época. Y hemos contribuido a construir y no
nos damos cuenta. ¿Por qué digo esto? Son datos nada más. Lo cierto es que la
población se cuadriplicó y el PBI creció por lo menos veinte veces en el
último siglo. Desde 1990 aproximadamente cada seis años se duplica el
comercio mundial. Podíamos seguir anotando datos que establecen la
marcha de la globalización. ¿Qué nos está pasando? Entramos en otra
época aceleradamente pero con políticos, atavíos culturales, partidos, y
jóvenes, todos viejos ante la pavorosa acumulación de cambios que ni
siquiera podemos registrar. No podemos manejar la globalización, porque
nuestro pensamiento no es global. No sabemos si es una limitante
cultural o estamos llegando a los límites biológicos. Nuestra época es portentosamente revolucionaria como no ha
conocido la historia de la humanidad. Pero no tiene conducción
consciente, o menos, conducción simplemente instintiva. Mucho menos
todavía, conducción política organizada porque ni siquiera hemos tenido
filosofía precursora ante la velocidad de los cambios que se acumularon. La codicia, tanto negativa y tanto motor de la historia, eso que
empujó al progreso material técnico y científico, que ha hecho lo que es
nuestra época y nuestro tiempo y un fenomenal adelanto en muchos
frentes, paradojalmente, esa misma herramienta, la codicia que nos
empujó a domesticar la ciencia y transformarla en tecnología nos
precipita a un abismo brumoso. A una historia que no conocemos, a una
época sin historia y nos estamos quedando sin ojos ni inteligencia
colectiva para seguir colonizando y perpetuarnos transformándonos. Porque si una característica tiene este bichito humano, es que es un conquistador antropológico. Parece que las cosas toman autonomía y las cosas someten a los
hombres. Por un lado u otro, sobran activos para vislumbrar estas cosas y
en todo caso, vislumbrar el rumbo. Pero nos resulta imposible
colectivizar decisiones globales por ese todo. Más claro, la codicia
individual ha triunfado largamente sobre la codicia superior de la
especie. Aclaremos, ¿qué es el todo?, esa palabra que utilizamos. Para
nosotros es la vida global del sistema tierra incluyendo la vida humana
con todos los equilibrios frágiles que hacen posible que nos
perpetuemos. Por otro lado, más sencillo, menos opinable y más evidente.
En nuestro occidente, particularmente, porque de ahí venimos aunque
venimos del Sur, las repúblicas que nacieron para afirmar que los
hombres somos iguales, que nadie es más que nadie, que sus gobiernos
deberían representar el bien común, la justicia y la equidad. Muchas
veces, las repúblicas se deforman y caen en el olvido de la gente
corriente, la que anda por las calles, el pueblo común. No fueron las repúblicas creadas para vegetar encima de la grey,
sino por el contrario, son un grito en la historia para hacer
funcionales a la vida de los propios pueblos y, por lo tanto, las
repúblicas se deben a las mayorías y a luchar por la promoción de las
mayorías. Por lo que fuera, por reminiscencias feudales que están allí en
nuestra cultura; por clasismo dominador, tal vez por la cultura
consumista que nos rodea a todos, las repúblicas frecuentemente en sus
direcciones adoptan un diario vivir que excluye, que pone distancia con
el hombre de la calle. En los hechos, ese hombre de la calle debería ser la causa
central de la lucha política en la vida de las repúblicas. Los gobiernos
republicanos deberían de parecerse cada vez más a sus respectivos
pueblos en la forma de vivir y en la forma de comprometerse con al vida. El hecho es que cultivamos arcaísmos feudales, cortesanismos
consentidos, hacemos diferenciaciones jerárquicas que en el fondo
socavan lo mejor que tienen las repúblicas: que nadie es más que nadie.
El juego de estos y otros factores nos retienen en la prehistoria. Y hoy
es imposible renunciar a la guerra cuando la política fracasa. Así se
estrangula la economía, derrochamos recursos. Oigan bien, queridos amigos: en cada minuto del mundo se gastan
dos millones de dólares en presupuestos militares en esta tierra. Dos
millones de dólares por minutos en presupuesto militar!! En
investigación médica, de todas las enfermedades que ha avanzado
enormemente y es una bendición para la promesa de vivir unos años más,
esa investigación apenas cubre la quinta parte de la investigación
militar. Este proceso del cual no podemos salir, es ciego. Asegura odio y
fanatismo, desconfianza, fuente de nuevas guerras y esto también,
derroche de fortunas. Yo se que es muy fácil, poéticamente,
autocriticarnos, personalmente. Y creo que sería una inocencia en este
mundo plantear que allí existen recursos para ahorrar y gastarlos en
otras cosas útiles. Eso sería posible, otra vez, si fuéramos capaces de
ejercitar acuerdos mundiales y prevenciones mundiales de políticas
planetarias que nos garanticen la paz y que nos den a los más débiles,
garantía que no tenemos. Ahí habría enormes recursos para recortar y
atender las mayores vergüenzas arriba de la Tierra. Pero basta una
pregunta: en esta humanidad, hoy, ¿adonde se iría sin la existencia de
esas garantías planetarias? Entonces cada cual hace vela de armas de
acuerdo a su magnitud y allí estamos porque no podemos razonar como
especie, apenas como individuos. Las instituciones mundiales, particularmente hoy vegetan a la
sombra consentida de las disidencias de las grandes naciones que,
obviamente, estas quieren retener su cuota de poder. Bloquean en los hechos a esta ONU que fue creada con una
esperanza y como un sueño de paz para la humanidad. Pero peor aún la
desarraigan de la democracia en el sentido planetario porque no somos
iguales. No podemos ser iguales en este mundo donde hay más fuertes y
más débiles. Por lo tanto es una democracia planetaria herida y está
cercenando la historia de un posible acuerdo mundial de paz, militante,
combativo y que verdaderamente exista. Y entonces, remendamos
enfermedades allí donde hace eclosión y se presenta según le parezca a
algunas de las grandes potencias. Lo demás miramos desde lejos. No
existimos. Amigos, yo creo que es muy difícil inventar una fuerza peor que
el nacionalismo chauvinista de las granes potencias. La fuerza que es
liberadora de los débiles. El nacionalismo tan padre de los procesos de
descolonización, formidable hacia los débiles, se transforma en una
herramienta opresora en las manos de los fuertes y vaya que en los
últimos 200 años hemos tenido ejemplos por todas partes. La ONU, nuestra ONU languidece, se burocratiza por falta de poder
y de autonomía, de reconocimiento y sobre todo de democracia hacia el
mundo más débil que constituye la mayoría aplastante del planeta. Pongo
un pequeño ejemplo, pequeñito. Nuestro pequeño país tiene en términos
absolutos, la mayor cantidad de soldados en misiones de paz de los
países de América Latina desparramos en el mundo. Y allí estamos, donde
nos piden que estemos. Pero somos pequeños, débiles. Donde se reparten
los recursos y se toman las decisiones, no entramos ni para servir el
café. En lo más profundo de nuestro corazón, existe un enorme anhelo de
ayudar para que le hombre salga de la prehistoria. Yo defino que el
hombre mientras viva con clima de guerra, está en la prehistoria, a
pesar de los muchos artefactos que pueda construir. Hasta que el hombre no salga de esa prehistoria y archive la
guerra como recurso cuando la política fracasa, esa es la larga marcha y
el desafío que tenemos por delante. Y lo decimos con conocimiento de
causa. Conocemos las soledades de la guerra. Sin embargo, estos sueños,
estos desafíos que están en el horizonte implica luchar por una agenda
de acuerdos mundiales que empiecen a gobernar nuestra historia y superar
paso a paso, las amenazas a la vida. La especie como tal, debería tener
un gobierno para la humanidad que supere el individualismo y bregue por
recrear cabezas políticas que acudan al camino de la ciencia y no solo a
los intereses inmediatos que nos están gobernando y ahogando. Paralelamente hay que entender que los indigentes del mundo no
son de África o de América Latina, son de la humanidad toda y esta debe
como tal, globalizada, propender a empeñarse en su desarrollo, en que
puedan vivir con decencia por sí mismos. Los recursos necesarios
existen, están en ese depredador despilfarro de nuestra civilización. Hace pocos días le hicieron ahí, en California, en una agencia de
bomberos un homenaje a una bombita eléctrica que hace 100 años que está
prendida; ¡100 años que está prendida, amigo! Cuántos millones de
dólares nos sacaron del bolsillo haciendo deliberadamente porquerías
para que la gente compre, y compre, y compre, y compre. Pero esta globalización de mirar por todo el planeta y por toda
la vida significa un cambio cultural brutal. Es lo que nos está
requiriendo la historia. Toda la base material ha cambiado y ha
tambaleado, y los hombres, con nuestra cultura, permanecemos como si no
hubiera pasado nada y en lugar de gobernar la civilización, esta nos
gobierna a nosotros. Hace más de 20 años que discutíamos la humilde tasa
Tobi. Imposible aplicarla a nivel del planeta. Todos los bancos del
poder financiero se levantan heridos en su propiedad privada y qué sé yo
cuántas cosas más. Sin embargo, esto es lo paradojal. Sin embargo, con
talento, con trabajo colectivo, con ciencia, el hombre paso a paso es
capaz de transformar en verde a los desiertos. El hombre puede llevar la agricultura al mar. El hombre puede
crear vegetales que vivan con agua salada. La fuerza de la humanidad se
concentra en lo esencial. Es inconmensurable. Allí están las más
portentosas fuentes de energía. ¿Qué sabemos de la fotosíntesis?, casi
nada. La energía en el mundo sobra si trabajamos para usarla con ella.
Es posible arrancar de cuajo toda la indigencia del planeta. Es posible
crear estabilidad y será posible a generaciones venideras, si logran
empezar a razonar como especie y no solo como individuo, llevar la vida a
la galaxia y seguir con ese sueño conquistador que llevamos en nuestra
genética los seres humanos. Pero para que todos esos sueños sean posibles, necesitamos
gobernarnos a nosotros mismos o sucumbiremos porque no somos capaces de
estar a la altura de la civilización que en los hechos fuimos
desarrollando. Este es nuestro dilema. No nos entretengamos solos remendando
consecuencias. Pensemos en las causas de fondo, en la civilización del
despilfarro, en la civilización del use-tire que lo que está tirando es
tiempo de vida humana malgastado, derrochando cuestiones inútiles.
Piensen que la vida humana es un milagro. Que estamos vivos por milagro y
nada vale más que la vida. Y que nuestro deber biológico es por encima
de todas las cosas respetar la vida e impulsarla, cuidarla, procrearla y
entender que la especie es nuestro nosotros. Gracias.
Parte dos manuscritos de Che Guevara, em foto de arquivo de 2008 (Foto: AP)
A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) decidiu incluir os manuscritos de Ernesto "Che" Guevara no Registro Memória do Registro Mundial, um projeto que reúne e protege quase 300 documentos e coleções de todos os cinco continentes.
Em cerimônia realizada em Havana, Cuba, na sexta-feira (19), com a presença da viúva, da filha e do filho de Che Guevara, a Unesco oficializou a inclusão dos diários de juventude e outros escritos originais do líder da Revolução Cubana.Entre os documentos está o diário que ele manteve nas montanhas da Bolívia, onde ele foi executado, em 1967, por militares bolivianos.As obras de Che Guevara estão entre as 54 novas inclusões do Projeto Memória do Registro Mundial neste ano. O projeto foi criado em 1997 e inclui registros como discos originais da música de Carlos Gardel até as listas de ouro dos exames imperiais da dinastia Qing chinesa.Agora que foram reconhecidos como patrimônio mundial, os diários serão protegidos e cuidados com a ajuda da Unesco. De: CBN
GENEBRA- A ONU decidiu cobrar do Vaticano detalhes sobre o que a Santa Sé tem
feito sobre crimes de pedofilia no clero católico. A avaliação sobre as práticas
da Igreja ocorrerá no início de 2014 e o procedimento está previsto porque o
Vaticano é um Estado observador das Nações Unidas. O comitê da ONU encarregado
da proteção às crianças indicou que o questionário já será enviado e incluirá
perguntas sobre os milhares de casos de pedofilia.
Entre as questões, que abrangem um período entre 1996 e 2012, O Vaticano terá
de responder, ente outras coisas, quantos religiosos foram punidos, quantos
foram afastados de seus cargos e quantos proibidos de manter contato com
crianças, além de qual foi o apoio dado às vítimas.
O papa Francisco indicou recentemente que o combate à pedofilia será uma de
suas prioridades. "Precisamos agir e promover, acima de tudo, medidas para
proteger os menores, ajudar aqueles que sofreram e tomar as medidas necessárias
contra os culpados", declarou o pontífice. Divisão. A demanda da ONU abriu um debate entre
especialistas e juristas. O tratado que protege menores é considerado como uma
exigência a todos os membros da entidade. Mas não necessariamente a estados
observadores. Para muitos na ONU, o Vaticano terá de calcular agora qual será o
menor dos danos. Se a Santa Sé revelar as informações pedidas, estará numa saia
justa, já que ficará claro que outros papas esconderam os casos. Mas a atitude
também poderá ser um divisor de águas e uma comprovação na prática de que
Francisco está determinado em transformar seus discursos em ações. As Nações Unidas citam "abundância de alegações" e pede "informações
detalhadas de todos os casos de abuso sexual contra menores cometidos por
membros do clero ou apontado à Santa Sé". Além disso, o comitê quer saber se
acordos secretos com vítimas foram fechados para que as informações não
afetassem a Igreja. A ONU ainda quer saber se padres envolvidos em casos foram transferidos para
outras igrejas ou se "ordens foram dadas para que não se falasse sobre o
assunto". Outro pedido da ONU: saber se "crianças foram silenciadas". Se não
bastasse, a ONU quer ver todos os processos que resultaram em alguma condenação
ou afastamento de um religioso. ONGs e ativistas de todo o mundo já classificam a iniciativa da ONU como o
maior teste da Igreja em anos. "Francisco será julgado sobre sua habilidade de
lidar com o escândalo do Banco do Vaticano e como irá reagir diante dos abusos
sexuais", declarou Keith Wood, representante da entidade National Secular
Society, de Londres.
Brasília – Para o teólogo e escritor Leonardo Boff, o Brasil “já saiu
da crise em termos de direitos humanos, mas ainda está em um processo de
transição, saindo de um paradigma e entrando em outro”. No entanto, ele
disse que a prioridade que os países dão ao capital é um dos maiores
obstáculos para o atendimento dos direitos humanos, porque “a voracidade
do capital afasta a sociedade dessa conscientização”.
Para o teólogo, a população precisa da educação para perceber o
mecanismo. “Só a educação pode enfrentar a lógica do mercado e mostrar
que, se não houver sentido de solidariedade coletiva, não será possível
enfrentar os problemas globais, porque tudo isso tem a ver com o
interesse de todos”.
Boff disse que em 2008 havia no mundo 860 milhões de pessoas famintas,
número que chega hoje a 1,2 bilhão. Ele foi um dos palestrantes do
encontro A Situação Social na Política de Direitos Humanos, organizado
pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH).
Durante o evento, foi distribuída a publicação O Brasil na Revisão Periódica Universal das Nações Unidas,
encaminhada pela SDH no ano passado. A Revisão Periódica foi instituída
em 2007 pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas. Na sua
criação, os 193 países membros da ONU se comprometeram a relatar a cada
quatro anos os avanços e o estágio atual de cumprimento de suas
obrigações na área de direitos humanos.
O documento elaborado pelo Brasil cita resultados importantes e
também desafios para a promoção e proteção dos direitos humanos no país,
como “a promoção da paz e da justiça no campo, a defesa dos direitos
dos povos indígenas, a erradicação do trabalho infantil e a redução da
pobreza e promoção da igualdade social.
O representante regional para a América do Sul do Alto Comissariado
das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Amerigo Incalcaterra, por
sua vez, disse que a Comissão da Verdade “tem que ser louvada como um
instrumento que veio trazer à tona uma página que não estava escrita”.
Segundo ele, o país "tem muito o que mostrar ao resto do mundo dentro
da política da promoção dos direitos humanos, pois houve avanços
significativos, sem dúvida nenhuma”. Incalcaterra informou que já foram
assinadas nas Nações Unidas 100 convenções sobre direitos humanos.
O representante do Comitê das Nações Unidas dos Direitos da Criança,
Vanderlino Nogueira, disse que “a lei é um instrumento muito pobre para
construir, por si só, o direito consolidado nas ruas”. Para ele, “o
verdadeiro desenvolvimento econômico e a sustentabilidade devem visar à
melhora do IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] da população e não
índices maiores do PIB [Produto Interno Bruto], pois quem cobra
desempenho melhor são aqueles que dele mais se beneficiam”.
Megafundos financeiros dominam bolsas de commodities, manipulam preços e podem desencadear nova crise alimentar. A Unctad — uma agência da ONU — tem proposta radical contra isso
Por Jean Ziegler*, no Le Monde Diplomatique francês | Tradução: Hugo Albuquerque
Uma estrada reta, asfaltada, monótona. Baobás enfileirados, terra amarela, empoeirada, apesar de ainda ser cedo da manhã. No velho Peugeot preto, o ar é abafado, sufocante. Em companhia do engenheiro agrônomo e assessor da embaixada suiça, Adama Faye, e de seu motorista, Ibrahima Sar, nós nos dirigimos em direção ao norte, para as grandes vastidões do Senegal. Para medir o impacto da especulação sobre os produtos alimentares, dispomos das tabelas estatísticas mais recentes do Banco Africano de Desenvolvimento, que se amontoam até os nossos joelhos. Mas Faye sabe que outra evidência nos espera depois. O carro entra na cidade de Luga, a 100 quilômetros de Saint Louis. De repente, ele pára: “Vem! Vai ver a minha irmanzinha, ele provoca. Ela não precisa de suas estatísticas para explicar o que está acontecendo.”
Um mercado pobre, algumas bancas à beira da estrada. Montes de feijão-de-corda, mandioca, algumas galinhas cacarejando atrás de uma cerca. Amendoim, alguns tomates enrugados, batatas. Laranjas e tangerinas da Espanha. Nem sequer uma manga, uma fruta conhecida no Senegal. Atrás de uma das barracas de madeira, vestida com uma túnica solta e um lenço de cabeça dourado, uma moça acompanha, com seus vizinhos, um bate-papo: é Aisha, irmã de Faye. Responde às nossas perguntas com vivacidade, mas, à medida em que fala, sua raiva aumenta. Logo, na beira da rota do norte, uma multidão forte e alegre de crianças de todas as idades, jovens, mulheres velhas, forma-se em torno de nós.
O saco de arroz importado de 50 quilos custa 14 mil francos CFA [ou R$ 56, um terço do salário-mínimo local, equivalente a R$ 161] (1). Por isso, a sopa do jantar é cada vez mais rala. Poucos grãos flutuam na água do prato. No mercado, as mulheres agora compram uma xícara de arroz. O botijão de gás aumentou, em poucos anos, de 1 300 para 1 600 francos CFA [R$ 6,40]; o preço do quilo de cenouras, por sua vez, foi de 175 para 245 francos CFA [R$ 1]; a bengala de pão, de 140 para 175 francos CFA [R$ 0,70]. Já o preço da bandeja com trinta ovos aumentou, em um ano, de 1 600 para 2 500 francos CFA [R$ 10]. Não foi diferente com os peixes. Aisha agita agora uma discussão com seus vizinhos, muito tímidos a seu ver, dentro da descrição que ela fez da situação: “Toubab Diga o que você paga por um quilo de arroz! Diga a ele, não tenha medo! Tudo aumenta quase todos os dias”
É assim que, lentamente, as finanças esfoemeiam as pessoas. Sem que elas compreendam ainda os mecanismos sobre os quais repousa a especulação
Por Zach Toombs e R. Jeffrey Smith, da iWatch News
Enquanto critica a repressão a
manifestações populares, Washington autoriza e estimula venda de
armamento americano para países como o Egito e a Argélia
Uma cisão dentro do governo americano revela uma das maiores
contradições no modo como o país se posiciona internacionalmente.
Enquanto se anuncia como defensor da democracia, e apóia manifestações
populares contra regimes totalitários pelo mundo, Washington autoriza
vendas bilionárias de armas e equipamentos para controle de protestos
(como gás lacrimogêneo) para esses mesmos regimes.
A contradição veio à tona depois de um racha na publicação de
relatórios feitos por diferentes setores do governo em maio e junho
desse ano. De um lado, os departamentos envolvidos com a proteção
aos direitos humanos criticam os governos de outros países por falta de
princípios democráticos, citando abusos ao direito de expressão,
reunião, discurso e escolha política. Do outro, setores ligados aos
assuntos político-militares exaltam o sucesso do governo americano no
estímulo a um mercado bilionário que só cresce: à exportação de
armamento.
Para se ter uma ideia do tamanho desse mercado, o relatório do
Departamento de Estado sobre assistência militar, de 8 de junho, afirma
que o governo aprovou U$44,28 bilhões em carregamentos e armas para 173
nações no último ano. Entre elas, há lugares onde há fartos relatos de
violações de direitos humanos, como Emirados Árabes, Qatar, Israel,
Djibouti, Honduras, Arábia Saudita, Kuwait e Bahrein. E pelo menos três
países onde o governo local reprimiu a resistência democrática no ano
passado – Argélia, Egito e Peru. Além do governo do Egito, que
comprou equipamentos para dispersar manifestante, como o gás
lacrimogêneo, com o aval de Washington.
No mesmo ano em que estourou a primavera árabe, cresceu a exportação
de armas americanas – comércio que o governo americano prefere chamar de
“parceria”. As vendas de armas autorizadas alcançou U$44,28 bilhões no
ano passado, U$10 bilhões a mais que em 2010. Segundo o departamento de
estado americano, deve haver um aumento de 70% no ano que vem.
Essas vendas – somados à a exportação feita diretamente de governo
para governo, que são supervisionados pelo Pentágono – fazem dos Estados
Unidos o maior provedor mundial de armas convencionais, segundo o
Instituto Internacional de Estocolmo para Pesquisa sobre Paz (Stockholm International Peace Research Institute).
Rússia, França e China estão logo atrás nesse ranking. Os EUA cresceu
recentemente nesse setor graças à expansão das vendas para o Brasil,
Arábia Saudita e Índia.
“Nós vamos continuar a pressionar e defender a venda de armas dos
Estados Unidos”, disse Andrew Shapiro, Secretário Assistente da
Secretaria de Assuntos Político-Militares do governo americano, em
coletiva de imprensa sobre a exportação de armas em junho. “Estamos
esperançosos de que as vendas para a Índia aumentem. Fizemos grande
progresso nessa relação na última década”. Segundo ele, na última
década, as vendas de armas para a Índia saltaram de “quase zero” para
U$8 bilhões.
A visão da Secretaria para Democracia, Direitos e Trabalho sobre a
Índia é bem diferente. Em maio, esse departamento emitiu um relatório
sobre o país em que registrava: “abusos policiais e das forças de
segurança, incluindo assassinatos extrajudiciais, tortura e estupro.
Corrupção generalizada em altos níveis do governos”. Além de
“desaparecimentos, condições precárias nas prisões que eram
frequentemente ameaças para a vida, prisões e detenções arbitrária”.
A Índia não é a única engordar os fabricantes de armas americanos
enquanto Washington apontam violações de direitos ligados ao uso desse
armamento. Vendas para os Emirados Árabes no valor de U$2,4 bilhões
foram aprovadas enquanto o Departamento de Estado afirmava que o país
estava violando liberdades políticas fundamentai. Vendas totalizando
U$1,7 bilhões foram aprovadas para o Qatar, país que carece de meios de
comunicação independentes e restringe a liberdade de reunião. Por fim,
vendas que somam U$1,39 bilhões foram aprovadas para Djibouti, país que,
segundo o Departamento de Estado americano, assediou, abusou e prendeu
críticos do governo.
“Quando julgamos que a cooperação com um aliado ou parceiro no setor
de segurança irá contribuir para nossa segurança nacional, nós
defendemos as empresas [de fabricação de armas] americanas”, disse
Shapiro.
Não há uma lei nos Estados Unidos que determine que armas só podem
ser vendidas para governos que traem bem seus cidadãos. Mas há uma
restrição conhecida como “Leahy Law” (Lei Leahy), do Senador Patrick
Leahy e aprovada em 1997, que proíbe a assistência a unidades militares e
policiais responsáveis por violações de direitos humanos.
Mas, como ressalta o porta-voz de Leahy, David Carle, a lei só cobre
transferências diretas de governo para governo – uma corrente de
exportaçõe diferente das vendas comerciais (que também são aprovadas
pelo Departamento de Estado). Portanto, por mais que os U$34,8 bilhões
de dólares vendidos de governo para governo estejam regulados sob a Lei
Leahy, há U$44,28 bilhões de dólares em vendas autorizadas pelo Estado
norte-americano que estão livres das restrições dessa lei.
Adotei Akwei, o diretor de relações entre governos da Anistia
Internacional, diz que “em todos esses países, existe a necessidade de
um processo mais rigoroso para verificar o destino dessas armas e como
elas estão sendo usadas. Mesmo que o Departamento de Estado americano
identifique problemas, nós ainda vemos essas vendas acontecendo
repetidas vezes”.
Shapiro garante que qualquer assistência para militares e empresas
estrangeiras está de acordo com a política externa dos Estados Unidos.
“Nós só permitimos a venda depois que examinamos cuidadosamente assuntos
como direitos humanos, segurança regional e preocupações com a
proliferação”, disse na coletiva de imprensa.
O Departamento de Estado argumenta ainda que muitos dos itens
despachados para militares estrangeiros são usados somente para defesa
externa desses países. No caso dos Emirados Árabes, por exemplo, uma
venda autorizada em janeiro de 2012, no valor de U$29,4 bilhões ,
consistia na compra de 84 aviões de caça F-15. No entanto, o governo
americano também autorizou bilhões de dólares em vendas de armas
pequenas, munição e equipamentos toxicológicos (como o gás lacrimogêneo)
para vários países. (veja valores e tipo de armamento vendido para
cada país abaixo).
Esse comércio carece de transparência. As informações públicas sobre
exportação de armamentos listam categorias bastante abrangentes, não
determina exatamente qual é o carregamento. O porta-voz David McKeeby se
recusou a discutir se o Peru e a Argélia compraram equipamentos para
controlar manifestações, apesar da confirmação de que o Egito havia
comprado. Ele justifica dizendo que as informações são sigilosas. O
Egito foi um caso muito único. Infelizmente, não posso dar mais detalhes
sobre esses países ou essas licenças. O que eu posso falar sobre os
casos do Bahrein e da Argélia é que várias dessas licenças datam de
antes da Primavera Árabe”.
Representantes de várias empresas com contas ligadas ao carregamento
de vasilhas de gás lacrimogêneo para o Oriente Médio não quiseram
comentar o assunto. Jose Corbera, porta-voz do escritório comercial da
embaixada peruana não deu resposta ao pedido de entrevista. Oficiais na
embaixada da Argélia também não quiseram fornecer dados sobre
importações de munições dos Estados Unidos.
Segundo a porta-voz do Departamento de Estado, Beth Gosselin, algumas
armas exportadas foram feitas para as forças americanas no exterior,
não para militares estrangeiros. Ela disse que no Bahrein, U$266,7
milhões de dólares, de U$280,3 milhões total em armas e equipamentos,
eram itens para a estação “Fifth Fleet” da Marinha na ilha da nação.
Gosselin não forneceu dados similares sobre outros países.
Matt Schroeder, diretor do Arms Sales Monitoring Project at the
Federation of American Scientists (Projeto de Monitoramento de Vendas de
Armas da Federação de Cientistas Americanos), disse que o veto dos
Estados Unidos é melhor do que o de muitas outras nações que fornecem
armas. Mas admite que a informação sobre quais armas vão para as forças
dos Estados Unidos ou para outros usuários é raramente acessível. “É
difícil ter o valor em dólares das armas enviadas para um país e
estipular que seção desses itens podem ser vulneráveis ao mau uso,”
Schroeder diz.
Uma cláusulaescrita por Leahy e aprovada pelo Congresso em
2011 requer aprovação legislativa para a venda de materiais de controle
de multidões para governos do Oriente Médio que enfrentam inquietação
democrática. Essa cláusula forçou, de início, uma parada nas
transferências de armas para o Bahrein, que tem enfrentado protestos
desde a Primavera Árabe do ano passado. Mas, em maio, o governo
americano liberou alguns itens e renovou a exportação de armas feitas
originalmente para a defesa do país, como barcos de segurança de portos e
motores para aviões a jato.
O assunto da exportação de armas para países envolvidos com repressão
de suas populações tem sido debatido recentemente por oficiais de alta
patente dos Estados Unidos e da Rússia. Hillary Clinton, secretária de
Estado, em 12 de junho, acusou a Rússia de vender helicópteros de ataque
para o regime do presidente da Síria, Bashar al-Assad, armas que
estariam sendo usadas contra o povo sírio. Em réplica, Sergey Lavrov,
Ministro de Exterior da Rússia, disse: “Nós não estamos fornecendo para a
Síria otro país equipamentos usados em combate às
manifestações pacíficas, ao contrário dos Estados Unidos, que
regularmente envia tais equipamentos a países da região.”
Lavrov não mencionou o país, mas Shapiro considerou o comentário como
uma crítica às exportações americanas ao Bahrein e falou que a crítica
russa era “totalmente ilusória”. “Não estamos vendendo equipamento para o
Bahrein até que haja melhoras nos direitos humanos”, ele disse. “Como a
Secretária Clinton ressaltou, as vendas para a Síria estão diretamente
implicadas em atacar pessoas inocentes, civis e inocentes. Então
acreditamos que essa comparação não se sustenta.”
Atualmente, a Organização das Nações Unidas discute um tratado global
que irá requerer relatórios anuais de todas as nações detalhando os
valores e os tipos de armas que exportaram. Ainda que a administração do
ex-presidente George W. Bush tenha se oposto ao Tratado sobre Comércio
de Armas da ONU para rastrear as armas, Clinton reverteu essa posição em
uma declaração de Outubro de 2009, dizendo que “Os Estados Unidos está
preparado para trabalhar duro para um padrão internacional.”
Akwei, da Anistia, expressou esperança de que o resultado seja um
sistema mais concreto para rastrear armas e garantir que eles não sejam
usadas em casos de violação de direitos humanos.
“O tratado coloca uma lente internacional sobre esse comércio, cuja
fiscalização é escassa e aleatória,” diz Akwei. “Vai depender da
cooperação de países como a China e a Rússia, mas dará a possibilidade
das ONGs verificarem esses registros e fazerem questionamentos sobre o
comércio de armas”.
A seguir, a lista dos 10 países que mais
receberam armas americanas em 2011. E como seus governos violam direitos
dos cidadãos, segundo relatório do Departamento de Estado americano no
mesmo ano.
Sem querer ser estraga-prazer, nem desmerecer a
importância da consciência ecológica, muito menos o esforço da
diplomacia ambiental brasileira, o fato é que a Rio+20 é o de menos.
Seus impasses são decorrentes das contradições que a ONU enfrenta em um
mundo que virou de ponta a cabeça desde a Segunda Guerra Mundial.
Simultaneamente à Rio+20, uma guerra civil
desaba sobre a Síria e um novo capítulo da crise econômica internacional
se abre. O que esses três eventos têm em comum? Todos envolvem
diretamente o chamado sistema ONU, ou seja, sua Assembleia, seu Conselho
de Segurança e seus inúmeros organismos, programas, fundos e agências
especializadas, como o FMI e o Banco Mundial. Sem querer ser
estraga-prazer, nem desmerecer a importância da consciência ecológica,
muito menos o esforço da diplomacia ambiental brasileira, o fato é que a
Rio+20 é o de menos. Seus impasses são decorrentes das contradições
que a ONU enfrenta em um mundo que virou de ponta a cabeça desde a
Segunda Guerra Mundial. Os Estados Unidos, arquitetos
fundamentais da formação da Organização, nos tempos de Franklin
Roosevelt, abandonaram sua defesa do multilateralismo desde que
mergulharam na Guerra Fria. Do final dos anos 1940 até hoje,
consolidaram uma diplomacia unilateral e predatória, bem representada na
metáfora dos "falcões", seus mais agressivos idealizadores. A
União Soviética desapareceu do mapa e a Rússia, âncora de um bloco que
já foi apelidado de Segundo Mundo, hoje tem a seu favor, na melhor das
hipóteses, uma posição entre os BRICS. A China, em 1945, sequer
havia feito sua revolução comunista, menos ainda sua revolução
industrial. Reino Unido e França são potências em franca decadência,
cercadas por um continente em crise profunda, não apenas econômica, mas
política, social e cultural. O território ímpar do Estado de bem-estar
social se tornou esteio do neoliberalismo e tem como seus mais
importantes símbolos uma moeda, o Euro, seu guardião, o Banco Central
Europeu, e a coveira da desunião europeia, Angela Merkel. O Banco
Mundial e o FMI, o que se tornaram? Cassandras. Podem estar certos em
suas previsões catastrofistas, mas sua atuação não ajuda em nada. Ao
contrário, têm atrapalhado bastante, a cada vez que acrescentam detalhes
mórbidos ao clima de pessimismo já reinante. O Banco Mundial tem
disseminado a previsão de que os países estão cada vez menos preparados
para enfrentar a crise. A diretora-presidente do FMI marcou um
"deadline" de três meses para o Euro. Com agências desse tipo, quem
precisa de inimigos? A ONU vive ultimamente de distribuir
sanções, patrocinar intervenções e disseminar ilusões. Estamos na semana
das promessas e das boas intensões, quando tudo se resume a uma questão
de métrica, prazos e esforços: dos governos, da "sociedade" e, cada vez
mais é isso que se martela, dos indivíduos. Salvar o mundo? É só ter
consciência e atitude. Uma semana antes da Rio+20, pudemos ver
duas cenas patéticas. Burocratas da ONU, em ternos impecáveis e
capacetes azuis, pedalando bicicletas posicionadas perto o suficiente
para que não chegassem suados ao local de suas reuniões. Mais tarde,
Giselle Bündchen, embaixadora do Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente (PNUMA), fez uma graça, plantando uma árvore e colocando uma pá
de cal nos ataques que sofreu por desfilar com casacos de pele de
animais. O marketing travestido de consciência ambiental mandou trocar a
velha e boa calça desbotada da sustentabilidade para dar lugar ao lema
sem leme da “economia verde”. Como toda superprodução que precisa
de mocinhos e de final feliz, a aventura de salvar o planeta também
demanda vilões. Por exemplo, emergentes como a China, a Índia e a
Rússia. E o Brasil que se cuide. Ao que parece, eles andam usando
petróleo, abusando das emissões de gases de efeito estufa, desmatando os
pulmões do planeta, contaminando a água que todo o mundo precisa beber.
Ao mesmo tempo, estudos "científicos", reproduzidos por inúmeras
mídias, concluem que práticas diárias de cidadãos comuns prejudicam
tanto ou mais do que os grandes poluidores. Gente que cria cabras e
queima lenha em fogões antigos está acabando com o planeta, vejam só. Alguém
precisa fazer alguma coisa. O Brasil pode fazer alguma coisa. Pode
ampliar seu investimento em ciência e tecnologia, com fundos de parte
dos royalties do petróleo, para financiar pesquisas que inaugurem um
protagonismo tecnológico rumo a um novo padrão de desenvolvimento.
Enquanto isso, o sistema ONU continuará, entre sanções e intervenções,
atualizando relatórios que mostram que o mundo que a criou já não
existe mais.
Antonio Lassance é cientista político e
pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). As
opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente opiniões do
Instituto.
O Conselho de Direitos Humanos da ONU adotou hoje uma resolução, proposta por mais de 60 países, sobre direito à moradia adequada no contexto de desastres naturais. O texto da resolução define claramente como o direito à moradia adequada deve ser tratado no contexto da prevenção de desastres, bem como no processo de reconstrução.
A resolução insta os países a garantir que a todas as pessoas afetadas por desastres naturais seja assegurado o igual acesso à moradia adequada, sem qualquer tipo de discriminação e independentemente da situação de posse da antiga moradia, e a priorizar o atendimento às pessoas mais desfavorecidas e vulneráveis, através da reconstrução de habitações e da oferta de habitações alternativas, respeitando os princípios da não discriminação e da igualdade entre homens e mulheres.
O documento também insta os países a assegurar que a acessibilidade de pessoas com deficiência seja levada em conta durante todas as fases da reconstrução; a garantir o acesso à informação e a participação das pessoas e comunidades afetadas no planejamento e implementação da assistência relacionada à moradia; garantir que os direitos de posse de pessoas sem propriedade individual ou formalmente registrada sejam reconhecidos na restituição, compensação, reconstrução e programas de recuperação, dando particular atenção às pessoas mais vulneráveis; entre outros pontos .
Para ler o texto completo da resolução, clique aqui (disponível apenas em inglês).