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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Papa tira d. Odilo de comissão que monitora o Banco do Vaticano

Outros três cardeais foram substituídos; Francisco já avisou a pessoas próximas que, se não conseguir reformar a instituição, envolvida em escândalos, vai fechá-la
Jamil Chade - O Estado de S. Paulo
GENEBRA - Em um ato para dar início a uma verdadeira reforma no Banco do Vaticano, o papa Francisco tirou da cúpula da instituição financeira o cardeal de São Paulo, d. Odilo Scherer. Outros três cardeais também foram substituídos, no que está sendo considerado na Santa Sé como a principal demonstração de Francisco de que a reforma será profunda. A pessoas próximas a ele, o argentino já avisou: se não conseguir reformar o banco, vai fechar a instituição.


Mandato de d. Odilo foi renovado pelo papa Bento XVI - Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão
Mandato de d. Odilo foi renovado pelo papa Bento XVI
D. Odilo fazia parte do grupo de cardeais que atuava para monitorar as atividades da Instituição para Obras Religiosas, o nome oficial do Banco do Vaticano. Considerado um dos fortes candidatos no conclave de 2013, d. Odilo tinha o apoio dos setores mais conservadores do Vaticano.
Dias antes de deixar o poder, o então papa Bento XVI renovou o mandato do brasileiro e dos demais cardeais do órgão de supervisão por mais cinco anos. Entre as funções do grupo está justamente a nomeação do presidente do banco.
Mas, próximo de cumprir um ano no Vaticano e adotando a austeridade como sua bandeira, Francisco optou por rever a grupo e colocou em seu lugar outros cardeais vistos como aliados em sua busca por reformar a Santa Sé.
Quatro dos cinco cardeais no organismo foram substituídos. Saíram os cardeais Tarcisio Bertone, Telesphore Toppo of Ranchi e Domenico Calcagno, além de d Odilo. O único que permaneceu foi o francês Jean Louis Tauran.
No lugar desse grupo, o papa nomeou o cardeal de Toronto, Thomas C. Collins, Pietro Parolin, Christoph Schonborn de Viena e considerado como um reformador, e o cardeal Santos Abril Castello, amigo do papa.
O grupo liderado por Bertone foi alvo de duras críticas nos últimos anos por não conseguir conter uma série de escândalos financeiros no Banco do Vaticano, inclusive com suspeitas de lavagem de dinheiro do crime organizado.
Em junho, o papa criou uma comissão para estudar uma reforma na instituição. Pela primeira vez em mais de cem anos, a entidade publicou um balanço anual de suas contas.
Na avaliação do papa, o Vaticano deve voltar a se concentrar em sua missão religiosa e, para isso, uma limpeza em sua estrutura precisaria ocorrer. Uma dessas revisões seria repensar a função do Banco do Vaticano.


Tempos atrás, D. Odilo escreveu "O Poder Corrompe", cobrando apuração do caso do "mensalão". Agora, cegou a vez de ele se explicar

Obs do blogueiro: Dom Odilo escreveu "O Poder Corrompe", cobrando a apuração do chamado mensalão. Agora chegou a a vez da eminência se explicar.

Papa substitui comissão de cardeais que supervisiona Banco do Vaticano

Da Agência Lusa

Cidade do Vaticano – O papa Francisco substituiu hoje (15) a comissão de cardeais que supervisiona o Instituto para as Obras Religiosas (IOR), que equivale ao Banco do Vaticano.
Da antiga comissão, só o cardeal francês Jean-Louis Tauran, conhecido na Cúria Romana pelo rigor, vai continuar. O antigo secretário de Estado cardeal Tarcisio Bertone, braço direito do papa emérito Bento XVI, foi destituído do órgão.
Ao lado de Tauran, vão estar o novo secretário de Estado Pietro Parolin, o cardeal de Viena Christoph Schonborn, uma das figuras mais respeitadas do episcopado europeu, o de Toronto (Canadá) Thomas Christopher Collins e o Arcipreste da Basílica de Santa Maria Maior, cardeal espanhol Santos Abril y Castelló.
A comissão, que controla tudo no IOR com relação ao papa, tem um mandato de cinco anos. É um dos organismos que gere o instituto, e tem sido alvo de críticas pela atuação e acusado de suposta lavagem de dinheiro.
O papa Francisco consultou, desde o verão, peritos sobre como reformar o IOR. As 19 mil contas do banco estão sendo investigadas, uma a uma.
Além de Bertone, saem da comissão mais três cardeais: o italiano Domenico Calcagno, o brasileiro Odilo Scherer e o indiano Telesphore Toppo. O papa decidiu não esperar o fim do mandato para proceder a mudanças.
A comissão de peritos, nomeada no verão passado por Francisco, deverá apresentar as primeiras conclusões na próxima reunião de cardeais (grupo de oito cardeais encarregados pelo papa da reforma das instituições do Vaticano), em fevereiro

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O Papa Francisco e os homossexuais - Wilson Gomes


Por Wilson Gomes
Traduzo abaixo os trechos que considerei mais pertinentes da entrevista do papa Bergoglio a La Civilità Cattolica, de que se está falando. E faço dois comentários em seguida. 

“Em Buenos Aires eu recebia cartas de homossexuais, que são “feridos sociais” porque me dizem que sentem o quanto a Igreja lhes tenha condenado sempre. Mas a Igreja não quer fazer isso. Durante o voo de retorno do Rio de Janeiro disse que, se um homossexual é uma pessoa de boa vontade e está à procura de Deus, eu não sou ninguém para julgá-lo. Ao dizer isso, eu expressei o que já diz o Catecismo. A religião tem o direito de manifestar a própria opinião para com ela servir a todos, mas Deus, na criação, nos fez livres: a ingerência espiritual na vida pessoal não é mais possível”.
“Uma vez uma pessoa me perguntou, na forma de uma provocação, se eu aprovava a homossexualidade. Eu então lhe respondi com outra pergunta: «Diga-me: Deus, quando olha um homossexual, aprova-lhe a existência com afeto ou a rejeita por meio de uma condenação?». É preciso sempre considerar a pessoa. Aqui entramos no mistério do homem. Na vida, Deus acompanha as pessoas, e nós devemos acompanhá-las a partir da condição delas. É preciso acompanhá-las como misericórdia”.
“O confessionário não é uma sala de tortura, mas o lugar da misericórdia no qual o Senhor nos estimula a fazer o melhor que pudermos. Penso também na situação de uma mulher que deixou para trás um matrimônio fracassado no qual tenha até mesmo abortado. Depois esta mulher se casou de novo e agora está tranquila com cinco filhos. O aborto lhe pesa enormemente e é sinceramente arrependida. Gostaria de continuar na vida cristã. O que faz o confessor? Não podemos insistir apenas sobre questões ligadas ao aborto, casamento homossexual e uso de métodos anticoncepcionais. Isso não é possível. Nunca falei muito disso e fui criticado. Mas quando se fala disso, é preciso falar em um contexto. O ponto de vista da Igreja, ademais, já é conhecido e eu sou um filho da Igreja, mas não é preciso ficar falando o tempo todo disso”
Parece pouco, meus caros, mas não é.
O papa resolveu enfrentar a questão do ponto de vista pastoral (i. é, para ficar na metáfora rural do cristianismo, do modo como os pastores devem cuidar do seu rebanho) e não do ponto de vista da doutrina. Preocupa-lhe que doutrinas duras sobre os pontos nevrálgicos das divergências morais (gays, aborto, métodos contraceptivos) em que a Igreja representa uma posição minoritária se materializem em atitudes impiedosas, humilhantes ou de rejeição por parte do clero em face das pessoas que adotaram comportamentos não obedientes à prescrição moral eclesial nestas questões. Tematiza particularmente o sofrimento dos homossexuais, que se sentem ofendidos e rejeitados pela Igreja, dos divorciados recasados e das mulheres que já abortaram. As palavras-chave do papa aqui são “misericórdia” (versus “impiedade”), “acolhimento” (versus “rejeição”), compreensão (versus “julgamento”). Além disso, refuta a obsessão clerical, na pregação e na confissão, por estes temas nevrálgicos que provocam tanto sofrimento em muitas pessoas.
Não quer dizer que queira mudar doutrinas, quer dizer que deseja que mudem as atitudes do clero e dos religiosos a respeito dos homossexuais, dos divorciados recasados e das pessoas que já abortaram. Não vê porque se deva ficar preso nesses temas, como se isso fosse o centro da espiritualidade e da crença católica; Não concorda com uma atitude constante de dedo em riste e julgamentos punitivos, mas na confiança que Deus, que fez todo mundo livre, não rejeita, mas acolhe todos os seus filhos; Recusa, além disso, a atitude clássica, defensiva, das religiões sobre estes temas, segundo a qual se não tratarmos com severa impiedade os "pecadores" eles voltarão ao pecado (ou se respeitarmos os homossexuais, todos começarão a achar normal a homossexualidade). Não, a posição pastoral de Francisco não parece estar preocupada em salvar a doutrina (que continua em seu lugar) pela correção e punição do comportamento; o papa parece mais preocupado com o sofrimento daqueles que são o objeto do juízo severo e pouco acolhedor dos religiosos e clérigos - o que é uma posição muito incomum no campo religioso hoje.
Eu achei digno. Muito digno

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Jornada da Juventude arrecadou R$ 20 milhões em patrocínio

Com a expectativa de atrair 1,5 milhão de pessoas, o evento católico chamou a atenção de grandes marcas

Logo em uma loja do McDonald's
Logo em uma loja do McDonald's: a empresa é o restaurante oficial da jornadaSão Paulo - 

A Jornada Mundial da Juventude, que trouxe nesta segunda-feira o papa Francisco ao Brasil, arrecadou R$ 20 milhões em patrocínios e eventos, segundo comunicado oficial.
Com a expectativa de atrair  1,5 milhão de pessoas, a ação católica chamou a atenção de grandesmarcas. Até o momento, os patrocinadores são Bradesco, Itaú, Santander, Ferrero, Estácio, Nestlé, McDonald's e as agências Tam Viagens e Havas.
Segundo a organização, os patrocinadores participam de diferentes maneiras com investimentos em dinheiro, prestação de serviços e uso de seus produtos ligados à jornada.
Já os eventos usados para levantar fundos incluíram ações diversas como feijoada, rifas, coletas e vendas de produtos em geral.

CustosA estimativa é que o custo da jornada seja de R$320 a R$350 milhões. “O custo total da organização ainda está sendo definido e é variável em função do número final de participantes e inscritos”, informa o comunicado.

Os peregrinos, cujas contribuições variam de R$ 106 a R$ 600, arcam com 70% desse custo. Segundo comunicado, “doações espontâneas, produtos licenciados que geram royalties para o evento, patrocínios e parcerias” são outras formas de arrecadação.
A estimativa é de que mais de 20 mil empregos diretos sejam gerados com a realização do evento e que haja um impacto econômico de mais de meio bilhão de reais no Brasil.
Na Espanha, último país a receber a Jornada Mundial da Juventude, o impacto econômico foi de aproximadamente 920 milhões de reais e foram gerados 8 mil postos de trabalho, segundo informações dos organizadores
De: Exame

terça-feira, 23 de julho de 2013

CNBB faz manual contra aborto e adoção por gays

De: UOL
Rio - No kit distribuído aos jovens inscritos na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), além do Guia do Peregrino, foi incluído o Manual da Bioética, da Comissão Nacional da Pastoral Familiar, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que expõe o ponto de vista da Igreja Católica em relação a vários temas controversos e reforça a posição contrária ao aborto e à adoção de crianças por casais do mesmo sexo.

O compêndio discute temas como concepção, pesquisa com embrião, reprodução assistida, diagnóstico pré-natal, doação de órgãos e eutanásia com argumentos científicos, além de religiosos. No item sobre aborto, alerta que “a expressão interrupção da gravidez mascara a realidade, ocultando a morte do principal interessado: a criança”. Desenhos das várias etapas da gestação ilustram o capítulo, que detalha os diferentes métodos de aborto.

Apesar da condenação, a publicação diz que, “depois de um aborto, a mulher deve ser amparada, pois pode estar numa grande solidão e ter um sentimento de culpa e precisará construir o seu futuro aceitando incluir aquele acontecimento”. O texto defende a preservação do feto também nos casos de estupro: “A mãe tem de ser muito bem acompanhada depois de tal traumatismo, mas matar a criança não anula o drama. É juntar um drama a outro".

No capítulo “A teoria do gênero”, o manual nega que a rejeição à adoção de uma criança por casais do mesmo sexo seja homofobia. “Não (representa homofobia), porque a questão é outra. Ter um filho não é um direito. O filho não é um bem de consumo (...) É preciso um homem e uma mulher para gerar um filho.” O manual, bastante didático, é uma “versão especial JMJ”, como diz a introdução assinada pelo arcebispo do Rio, d. Orani Tempesta, e pelo presidente da Fundação Jérôme Lejeune, Jean-Marie Le Mene. A instituição faz pesquisa e atendimento a pessoas com deficiências genéticas.
Luciana Nunes Leal

sexta-feira, 19 de julho de 2013

McDonald’s será a rede oficial do Papa Francisco no Brasil



O McDonald’s fechou um acordo com a Igreja Católica para ser o restaurante oficial da Jornada Mundial da Juventude, que espera reunir 2 milhões de pessoas no Rio, no próximo mês, para acompanhar a visita do Papa Francisco ao país.A informação é da coluna Radar Online, de Veja. Segundo a coluna, os participantes do evento ganharão um cartão especial com o qual poderão comprar lanches no restaurante. A rede teria desenvolvido, até, um “combo do peregrino”, composto por sanduíche mais acompanhamentos.
A parceria de redes de fast food com grandes eventos é bastante comum. O próprio McDonald’s, no ano passado, chamou a atenção ao
construir a maior loja da rede no mundo, para receber os turistas dos Jogos Olímpicos de Londres, capaz de receber 1.500 pessoas sentadas.
Para os críticos, o projeto era inadequado por associar lanches calóricos aos esportes. No caso da Jornada Mundial da Juventude, o jornalista Lauro Jardim, que assina a coluna de Veja, brinca dizendo que “no contrato assinado com a igreja, faltam apenas a absolvição do pecado da gula e a criação de uma McHóstia.” Resta saber se o Papa Francisco vai comungar com os fieis em uma mesa qualquer do restaurante.
De: Jornalisticamente Falando

quarta-feira, 10 de julho de 2013

ONU cobrará do Vaticano respostas a crimes de pedofilia no clero

Francisco tornou-se papa este ano - Efe
Francisco tornou-se papa este ano
Entidade enviará questionário a Santa Sé sobre abusos ocorridos entre 1996 e 2012
Jamil Chade - CORRESPONDENTE / GENEBRA do Estadão
 
GENEBRA- A ONU decidiu cobrar do Vaticano detalhes sobre o que a Santa Sé tem feito sobre crimes de pedofilia no clero católico. A avaliação sobre as práticas da Igreja ocorrerá no início de 2014 e o procedimento está previsto porque o Vaticano é um Estado observador das Nações Unidas. O comitê da ONU encarregado da proteção às crianças indicou que o questionário já será enviado e incluirá perguntas sobre os milhares de casos de pedofilia.
Entre as questões, que abrangem um período entre 1996 e 2012, O Vaticano terá de responder, ente outras coisas, quantos religiosos foram punidos, quantos foram afastados de seus cargos e quantos proibidos de manter contato com crianças, além de qual foi o apoio dado às vítimas.
O papa Francisco  indicou recentemente que o combate à pedofilia será uma de suas prioridades. "Precisamos agir e promover, acima de tudo, medidas para proteger os menores, ajudar aqueles que sofreram e tomar as medidas necessárias contra os culpados", declarou o pontífice.
Divisão. A demanda da ONU abriu um debate entre especialistas e juristas. O tratado que protege menores é considerado como uma exigência a todos os membros da entidade. Mas não necessariamente a estados observadores. Para muitos na ONU, o Vaticano terá de calcular agora qual será o menor dos danos. Se a Santa Sé revelar as informações pedidas, estará numa saia justa, já que ficará claro que outros papas esconderam os casos. Mas a atitude também poderá ser um divisor de águas e uma comprovação na prática de que Francisco está determinado em transformar seus discursos em ações.
As Nações Unidas citam "abundância de alegações" e pede "informações detalhadas de todos os casos de abuso sexual contra menores cometidos por membros do clero ou apontado à Santa Sé". Além disso, o comitê quer saber se acordos secretos com vítimas foram fechados para que as informações não afetassem a Igreja.
A ONU ainda quer saber se padres envolvidos em casos foram transferidos para outras igrejas ou se "ordens foram dadas para que não se falasse sobre o assunto". Outro pedido da ONU: saber se "crianças foram silenciadas". Se não bastasse, a ONU quer ver todos os processos que resultaram em alguma condenação ou afastamento de um religioso.
ONGs e ativistas de todo o mundo já classificam a iniciativa da ONU como o maior teste da Igreja em anos. "Francisco será julgado sobre sua habilidade de lidar com o escândalo do Banco do Vaticano e como irá reagir diante dos abusos sexuais", declarou Keith Wood, representante da entidade National Secular Society, de Londres.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Papa concede indulgência a participantes da Jornada Mundial da Juventude

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O papa Francisco promulgou o decreto que concede indulgência aos participantes da 23ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ Rio2013), que será realizada de 22 a 29 deste mês no Rio de Janeiro. No texto, Francisco diz que a indulgência pode ser recebida por todos que participarem do encontro, até mesmo aqueles que estiverem presentes de forma espiritual. Porém, avisa: é necessário rezar pelas intenções para obtenção da indulgência. O decreto é de julho e tem a assinatura do cardeal Manuel Monteiro de Castro, penitenciário-mor.
Francisco condicionou a concessão de indulgências ao cumprimento dos sacramentos: da confissão e oração, seguidos pelo da comunhão. O decreto diz que será concedida indulgência parcial aos fiéis, em quaisquer lugares que estejam durante a jornada. Aos fiéis considerados “legitimamente impedidos”, a orientação é para que participem “espiritualmente nas sagradas funções”.
No texto, há ainda a recomendação para que invoquem a Virgem Maria e Nossa Senhora Aparecida. O decreto alerta que a indulgência é concedida aos “fiéis verdadeiramente arrependidos e contritos, que devotamente participem dos ritos sagrados e exercícios de piedade” durante o encontro.
*Com informações do site da Rádio Vaticano
Edição: Graça Adjuto

sábado, 15 de junho de 2013

Papa sugere revogação de lei sobre casamento gay na França

O papa Francisco disse nesse sábado que os parlamentares franceses não devem hesitar em “revogar” as leis contrárias a igreja católica. A declaração foi uma alusão ao texto validado no mês passado na França, que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo no país.
Papa Francisco ressaltou sua oposição ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Papa Francisco ressaltou sua oposição ao casamento entre
 pessoas do mesmo sexo. REUTERS/Tony Gentile
As declarações de sumo pontífice foram feitas durante uma reunião com uma delegação de senadores e deputados franceses no Vaticano nesse sábado. Segundo o Papa, os parlamentares não devem hesitar, se necessário, em “revogar” as leis para que elas possam proporcionar “a qualidade que eleva e enobrece o ser humano”.
“O princípio da laicidade que governa as relações entre o Estado francês e as diferentes religiões não deve se traduzir em uma hostilidade à realidade religiosa, ou a uma exclusão das religiões do campo social e dos debates”, disse ainda o papa Francisco. “A igreja deseja dar sua contribuição específica sobre as questões profundas ligadas a uma visão mais completa da pessoa e de seu destino”, completou o sumo pontífice, frisando que essa contribuição também deve estar presente no plano político e econômico.
A França realizou no mês passado o primeiro casamento entre pessoas do mesmo sexo, logo após a aprovação de uma lei que suscitou debates e manifestações gigantescas. A igreja católica sempre se mostrou contrária à decisão.
De: RFI


terça-feira, 28 de maio de 2013

Vaticano corrige Papa Francisco: ateus vão para o inferno


papa francisco ateus
Papa Francisco havia dito que mesmo os ateus podem se salvar,
desde que realizem boas ações (Foto: AFP)
Após o papa Francisco dizer ao mundo que mesmo os ateus podem ir para o céu, o Vaticano divulgou um comunicado: ateus ainda vão para o inferno.
 
O Vaticano emitiu esta semana “nota explicativa sobre significado de ‘salvação”, após a mídia noticiar que o papa Francisco “prometeu o céu a todos engajados em boas ações”, incluindo os ateus.
Em resposta às matérias publicadas em sites e jornais, o Rev. Thomas Rosica, porta-voz do Vaticano, disse que pessoas que conhecem a Igreja Católica “não podem ser salvas” se “recusarem-se a entrar nela ou fazer parte dela”.
(Ou seja: ateus ainda estão indo para inferno se não aceitarem Jesus Cristo como Senhor e Salvador.)
O porta-voz também disse que o papa Francisco não tinha “intenção de provocar um debate teológico sobre a natureza da salvação” na sua homilia na última quarta-feira.
De: Pragmatismo Político

sábado, 16 de março de 2013

O papo do Leonardo Boff me cansa um pouco

Leonardo Boff segue na sua missão de tentar nos convencer que a Igreja Católica tem jeito

Francisco: um Papa que presidirá na caridade


Importa que o Papa Francisco seja um João XXIII dos novos tempos, um “Papa buono”, como já o mostrou. Só assim poderá  resgatar a credibilidade perdida  e ser um luzeiro de espiritualidade e de esperança para todos
16/03/2013

Leonardo Boff em Brasil de Fato

A grave crise moral que atravessa todo o corpo institucional da Igreja fez com que  o Conclave elegesse alguém que tenha autoridade e coragem para fazer profundas reformas na Cúria romana e presidir a Igreja na caridade e menos na autoridade jurídica, enfraquecendo as igrejas locais. Foi o que acenou o novo Papa Francisco em sua primeira fala. Se isso ocorrer ele será o Papa do terceiro milênio e abrirá uma nova “dinastia” de Papas vindos das periferias da cristandade.
A figura do Papa é talvez o maior símbolo do Sagrado  no mundo Ocidental. As sociedades que pela secularização exilaram o Sagrado, a falta de líderes referenciais e a nostalgia  da figura do pai como aquele que orienta, cria confiança e mostra caminhos, concentraram na figura do Papa  estes ancestrais anseios que podiam ser lidos nos rostos dos fiéis na praça de São Pedro. Nesse espírito quebrou os protocolos, se sentiu gente do povo, pagando sua conta no lugar onde se hospedou, indo de simples carro para a Basílica Santa Maria Maior e conservando sua cruz de ferro.
Para os cristãos é irrenunciável o ministério de Pedro como aquele deve “confirmar os irmãos e as irmãs na fé” segundo o mandato do Mestre. Roma onde estão sepultado Pedro e Paulo, foi desde os primórdios, referência de unidade, de ortodoxia e de zelo pelas demais as igrejas. Esta perspectiva é acolhida também pelas demais igrejas não-católicas. A questão toda é a forma como se exerce tal função. O Papa Leão Magno (440-461), no vazio do poder imperial, teve que assumir a governança de Roma para enfrentar os hunos de Átila. Tomou o título de Papa e de Sumo Pontífice que eram do Imperador, incorporou o estilo imperial de poder, monárquico e centralizado com seus símbolos, as vestimentas e o estilo palaciano. Os textos atinentes a Pedro que em Jesus tinham um sentido de serviço e de amor, foram interpretados, no estilo romano, como  estrito poder jurídico. Tudo culminou com Gregório VII que com o seu “Dictatus Papae”(a Ditadura do Papa) arrogou para si os dois poderes, o religioso e o secular. Surgiu a grande Instituição Total, obstáculo à liberdade dos cristãos e ao diálogo com o mundo moderno globalizado.
Esse exercício absolutista foi sempre questionado, especialmente, pelos Reformadores. Mas nunca foi amenizado. Como reconhecia João Paulo II, no seu documento sobre o ecumenismo: este estilo de exercer a função de Pedro é o maior obstáculo à unidade das Igreja e à aceitação por parte dos cristãos vindos do mundo democrático. Não basta a espetacularização da fé com grandes eventos para suprir tal deficiência.
A atual forma monárquica  deverá ser repensada à luz daquela intenção de Jesus. Será um Papado pastoral e não professoral. O Concílio Vaticano II estabeleceu os instrumentos para esta forma: o sínodo dos bispos, feito até agora apenas consultivo, quando fora pensado, deliberativo. Criar-se-ia um órgão executivo que com o Papa governaria a Igreja. Criou-se pelo Concílio acolegialidade dos bispos, quer dizer, as conferências continentais e nacionais ganhariam mais autonomia para permitir um enraizamento da fé nas culturais locais, sempre em comunhão com Roma. Não é impensável que representantes do Povo de Deus desde cardeais, até mulheres ajudariam a eleger um Papa para toda a cristandade. Faz-se urgente uma reforma da Cúria na linha da descentralização. Certamente o que fará o Papa Francisco. Por que o Secretariado para as religiões não cristãs não pode funcionar na Ásia? O Dicastério da unidade dos cristãos em Genebra, perto do Conselho Mundial de Igrejas?  O das missões, em alguma cidade da África? O dos direitos humanos e justiça, na América Latina?
A Igreja Católica poderia se transformar numa instância não autoritária de valores universais dos direitos humanos, os da Mãe Terra e da natureza,  contra a cultura do consumo, em favor de uma sobriedade  condividida. A questão central não é mais a Igreja mas a Humanidade e a civilização que podem desparecer. Como a Igreja ajuda em sua preservação?  Tudo isso é possível e realizável, sem renunciar em nada à substância da fé cristã. Importa que o Papa Francisco seja um João XXIII dos novos tempos, um “Papa buono”, como já o mostrou. Só assim poderá  resgatar a credibilidade perdida  e ser um luzeiro de espiritualidade e de esperança para todos.
Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor

quarta-feira, 13 de março de 2013

Novo papa é associado a sequestros de jesuítas e bebê durante ditadura argentina

Novo papa é associado a sequestros de jesuítas e bebê durante ditadura argentina
Agora papa, Bergoglio terá de lidar com um passado incômodo a bater-lhe a porta (Foto: Telam)
Cardeal se orgulha de amizade com um dos comandantes da Junta Militar que em sete anos deixou 30 mil mortos, e foi chamado a depor em vários processos


São Paulo – Anunciado hoje (13) como novo papa em uma votação tida como surpreendente, o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio é investigado dentro de seu país pela colaboração com a ditadura. Nos dois processos mais famosos, responde pela ajuda que teria dado ao sequestro e à tortura de dois jesuítas e à apropriação de bebês, prática comum do último regime militar (1976-83).
A participação de Bergoglio no governo responsável pela morte de 30 mil pessoas é antiga e famosa, mas os sinais mais claros surgiram ao longo da última década, quando, após a derrubada de leis que protegiam os repressores do passado, foi possível dar início a julgamentos. O próprio cardeal se orgulhava das boas relações com o comandante da Marinha Emilio Massera, integrante da primeira Junta Militar e responsável, em 1955, por derrubar Juan Perón durante a autodenominada Revolução Gloriosa – um golpe de Estado, na realidade.
Foi na Marinha que se formou o principal campo de concentração do regime iniciado em 1976. A Escola de Mecânica (Esma, na sigla em castelhano) recebeu 5 mil prisioneiros, e menos de 200 deles saíram com vida. A causa Esma é uma das principais iniciadas nos últimos anos, e tem resultado em desdobramentos que alcançaram Bergoglio.
Bergoglio (Francisco I) e Videla
Ciente disso, e ansioso pela possibilidade de assumir o papado em caso de renúncia de Joseph Ratzigner, Bento XVI, Bergoglio encomendou em 2010 uma operação de "limpeza" de seu nome. Segundo reportagem do jornal argentino Página12, o livro El Jesuíta foi escrito com a intenção de desfazer as más impressões criadas em torno do religioso pelo período em que comandou a Companhia de Jesus, entre 1973 e 1979.
Em 2010, juízes do Tribunal Oral Federal número 5 foram até a sede do arcebispado de Buenos Aires tomar o depoimento do cardeal, acusado de trabalhar pelo sequestro e pela tortura de dois jesuítas em 1976. Naquele momento, Bergoglio comandava a Companhia de Jesus em San Miguel, e uma série de testemunhos o conectam ao crime. 
Francisco Jalics e Orlando Yorio, as próprias vítimas do sequestro, acusam Bergoglio de havê-los denunciado, em uma operação policial na qual desapareceram Mónica Candelaria Mignone,María Marta Vázquez Ocampo e Martha Ocampo de Vázquez. Em 2011, o jornalista Horacio Verbistky descobriu um documento do Ministério das Relações Exteriores e Culto da Argentina que corrobora a suspeita. Naquele momento, Jalics, húngaro, havia feito um pedido de renovação de seu passaporte. O informe da chancelaria aponta que Bergoglio apontou que havia “suspeitas de contato com guerrilheiros” e “conflitos de obediência”. A solicitação do jesuíta foi negada.
Em 2010, o médico Lorenzo Riquelme, então com 58 anos, declarou que o grupo que o sequestrou e torturou saiu da sede da Companhia de Jesus. Militante da Juventude Peronista e do movimento cristão, Riquelme deu a declaração com base no que foi dito a sua mulher, também raptada. Ela trabalhava no Observatório de Física Cósmica de San Miguel, que passou de um reduto peronista a um lugar de atuação de homens infiltrados da Marinha e sob controle de Bergoglio. 
Mom Debussy, um jesuíta que tinha a confiança de Bergoglio, afirmou que algumas vezes o cardeal lhe contou sobre os projetos de Massera, sempre demonstrando simpatia pelo regime, e que pretendia vender à Marinha o Observatório de Física. Debussy disse ainda que os trabalhadores do Observatório eram demitidos pelo religioso depois de voltar das sessões de tortura.
Outro documento oficial, datado de 1976, narra o que o líder religioso defendeu a comandantes militares. Advogou esclarecer a posição da Igreja Católica, de suporte ao regime, afirmando que “de nenhuma maneira pretendemos formular uma posição de crítica ao governo”, dado que um fracasso “levaria, com muita probabilidade, ao marxismo”. 
Em 2011, veio à tona a possível participação de Bergoglio em um caso de sequestro de bebês, uma prática adotada pelo regime, que executou várias mulheres grávidas ou com filhos pequenos. O Tribunal Oral Federal número 6 convocou o cardeal a depor no processo de Estela de la Cuadra, uma das fundadoras das Avós da Praça de Maio. Segundo Estela, o agora papa tem relevantes informações sobre o desaparecimento de sua sobrinha, Ana, roubada dos braços da mãe em uma delegacia de La Plata, cidade vizinha a Buenos Aires. 
No mesmo ano, a Justiça francesa determinou que o Judiciário argentino tomasse o depoimento de Bergoglio pela suspeita de participação no desaparecimento de um padre francês que morou na Companhia de Jesus. O testemunho de uma monja em 1984 já indicava a relação do então chefe da congregação com o sequestro que resultou nas mortes de Gabriel Longueville e do sacerdote Carlos de Dios Murias.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

A história secreta da renúncia do papa

Por Eduardo Febbro, na Carta Maior
Os especialistas em assuntos do Vaticano afirmam que o Papa Bento XVI decidiu renunciar em março passado, depois de regressar de sua viagem ao México e a Cuba. Naquele momento, o papa, que encarna o que o diretor da École Pratique des Hautes Études de Paris (Sorbonne), Philippe Portier, chama “uma continuidade pesada” de seu predecessor, João Paulo II, descobriu em um informe elaborado por um grupo de cardeais os abismos nada espirituais nos quais a igreja havia caído: corrupção, finanças obscuras, guerras fratricidas pelo poder, roubo massivo de documentos secretos, luta entre facções, lavagem de dinheiro. O Vaticano era um ninho de hienas enlouquecidas, um pugilato sem limites nem moral alguma onde a cúria faminta de poder fomentava delações, traições, artimanhas e operações de inteligência para manter suas prerrogativas e privilégios a frente das instituições religiosas.
Muito longe do céu e muito perto dos pecados terrestres, sob o mandato de Bento XVI o Vaticano foi um dos Estados mais obscuros do planeta. Joseph Ratzinger teve o mérito de expor o imenso buraco negro dos padres pedófilos, mas não o de modernizar a igreja ou as práticas vaticanas. Bento XVI foi, como assinala Philippe Portier, um continuador da obra de João Paulo II: “desde 1981 seguiu o reino de seu predecessor acompanhando vários textos importantes que redigiu: a condenação das teologias da libertação dos anos 1984-1986; o Evangelium vitae de 1995 a propósito da doutrina da igreja sobre os temas da vida; o Splendor veritas, um texto fundamental redigido a quatro mãos com Wojtyla”. Esses dois textos citados pelo especialista francês são um compêndio prático da visão reacionária da igreja sobre as questões políticas, sociais e científicas do mundo moderno.
O Monsenhor Georg Gänsweins, fiel secretário pessoal do papa desde 2003, tem em sua página web um lema muito paradoxal: junto ao escudo de um dragão que simboliza a lealdade o lema diz “dar testemunho da verdade”. Mas a verdade, no Vaticano, não é uma moeda corrente. Depois do escândalo provocado pelo vazamento da correspondência secreta do papa e das obscuras finanças do Vaticano, a cúria romana agiu como faria qualquer Estado. Buscou mudar sua imagem com métodos modernos. Para isso contratou o jornalista estadunidense Greg Burke, membro da Opus Dei e ex-integrante da agência Reuters, da revista Time e da cadeia Fox. Burke tinha por missão melhorar a deteriorada imagem da igreja. “Minha ideia é trazer luz”, disse Burke ao assumir o posto. Muito tarde. Não há nada de claro na cúpula da igreja católica.
A divulgação dos documentos secretos do Vaticano orquestrada pelo mordomo do papa, Paolo Gabriele, e muitas outras mãos invisíveis, foi uma operação sabiamente montada cujos detalhes seguem sendo misteriosos: operação contra o poderoso secretário de Estado, Tarcisio Bertone, conspiração para empurrar Bento XVI à renúncia e colocar em seu lugar um italiano na tentativa de frear a luta interna em curso e a avalanche de segredos, os vatileaks fizeram afundar a tarefa de limpeza confiada a Greg Burke. Um inferno de paredes pintadas com anjos não é fácil de redesenhar.
Bento XVI acabou enrolado pelas contradições que ele mesmo suscitou. Estas são tais que, uma vez tornada pública sua renúncia, os tradicionalistas da Fraternidade de São Pio X, fundada pelo Monsenhor Lefebvre, saudaram a figura do Papa. Não é para menos: uma das primeiras missões que Ratzinger empreendeu consistiu em suprimir as sanções canônicas adotadas contra os partidários fascistóides e ultrarreacionários do Mosenhor Levebvre e, por conseguinte, legitimar no seio da igreja essa corrente retrógada que, de Pinochet a Videla, apoiou quase todas as ditaduras de ultradireita do mundo.
Bento XVI não foi o sumo pontífice da luz que seus retratistas se empenham em pintar, mas sim o contrário. Philippe Portier assinala a respeito que o papa “se deixou engolir pela opacidade que se instalou sob seu reinado”. E a primeira delas não é doutrinária, mas sim financeira. O Vaticano é um tenebroso gestor de dinheiro e muitas das querelas que surgiram no último ano têm a ver com as finanças, as contas maquiadas e o dinheiro dissimulado. Esta é a herança financeira deixada por João Paulo II, que, para muitos especialistas, explica a crise atual.
Em setembro de 2009, Ratzinger nomeou o banqueiro Ettore Gotti Tedeschi para o posto de presidente do Instituto para as Obras de Religião (IOR), o banco do Vaticano. Próximo à Opus Deis, representante do Banco Santander na Itália desde 1992, Gotti Tedeschi participou da preparação da encíclica social e econômica Caritas in veritate, publicada pelo papa Bento XVI em julho passado. A encíclica exige mais justiça social e propõe regras mais transparentes para o sistema financeiro mundial. Tedeschi teve como objetivo ordenar as turvas águas das finanças do Vaticano. As contas da Santa Sé são um labirinto de corrupção e lavagem de dinheiro cujas origens mais conhecidas remontam ao final dos anos 80, quando a justiça italiana emitiu uma ordem de prisão contra o arcebispo norteamericano Paul Marcinkus, o chamado “banqueiro de Deus”, presidente do IOR e máximo responsável pelos investimentos do Vaticano na época.
João Paulo II usou o argumento da soberania territorial do Vaticano para evitar a prisão e salvá-lo da cadeia. Não é de se estranhar, pois devia muito a ele. Nos anos 70, Marcinkus havia passado dinheiro “não contabilizado” do IOR para as contas do sindicato polonês Solidariedade, algo que Karol Wojtyla não esqueceu jamais. Marcinkus terminou seus dias jogando golfe em Phoenix, em meio a um gigantesco buraco negro de perdas e investimentos mafiosos, além de vários cadáveres. No dia 18 de junho de 1982 apareceu um cadáver enforcado na ponte de Blackfriars, em Londres. O corpo era de Roberto Calvi, presidente do Banco Ambrosiano. Seu aparente suicídio expôs uma imensa trama de corrupção que incluía, além do Banco Ambrosiano, a loja maçônica Propaganda 2 (mais conhecida como P-2), dirigida por Licio Gelli e o próprio IOR de Marcinkus.
Ettore Gotti Tedeschi recebeu uma missão quase impossível e só permaneceu três anos a frente do IOR. Ele foi demitido de forma fulminante em 2012 por supostas “irregularidades” em sua gestão. Tedeschi saiu do banco poucas horas depois da detenção do mordomo do Papa, justamente no momento em que o Vaticano estava sendo investigado por suposta violação das normas contra a lavagem de dinheiro. Na verdade, a expulsão de Tedeschi constitui outro episódio da guerra entre facções no Vaticano. Quando assumiu seu posto, Tedeschi começou a elaborar um informe secreto onde registrou o que foi descobrindo: contas secretas onde se escondia dinheiro sujo de “políticos, intermediários, construtores e altos funcionários do Estado”. Até Matteo Messina Dernaro, o novo chefe da Cosa Nostra, tinha seu dinheiro depositado no IOR por meio de laranjas.
Aí começou o infortúnio de Tedeschi. Quem conhece bem o Vaticano diz que o banqueiro amigo do papa foi vítima de um complô armado por conselheiros do banco com o respaldo do secretário de Estado, Monsenhor Bertone, um inimigo pessoal de Tedeschi e responsável pela comissão de cardeais que fiscaliza o funcionamento do banco. Sua destituição veio acompanhada pela difusão de um “documento” que o vinculava ao vazamento de documentos roubados do papa.
Mais do que querelas teológicas, são o dinheiro e as contas sujas do banco do Vaticano os elementos que parecem compor a trama da inédita renúncia do papa. Um ninho de corvos pedófilos, articuladores de complôs reacionários e ladrões sedentos de poder, imunes e capazes de tudo para defender sua facção. A hierarquia católica deixou uma imagem terrível de seu processo de decomposição moral. Nada muito diferente do mundo no qual vivemos: corrupção, capitalismo suicida, proteção de privilegiados, circuitos de poder que se autoalimentam, o Vaticano não é mais do que um reflexo pontual e decadente da própria decadência do sistema.
Tradução: Katarina Peixoto

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Os escândalos e polêmicas do pontificado de Bento 16

Papa (Foto Reuters)

De: BBC
Bento 16 teve de lidar com os escândalos de pedofilia na Igreja
Iniciado em 2005, o curto pontificado do Papa Bento 16 foi marcado por várias polêmicas e alguns escândalos.
Declarações do próprio pontífice provocaram críticas de muçulmanos, judeus, ativistas de defesa de direitos civis e autoridades médicas – estes últimos especialmente preocupadas com sua condenação do uso de preservativos.
Entre os escândalos, ele teve de lidar com acusações de que o Vaticano teria ajudado a acobertar casos de pedofilia e, mais recentemente, um escândalo desatado pelo vazamento de documentos sigilosos que faziam referência à corrupção nos negócios da Igreja Católica com empresas italianas.
Abaixo, confira alguns dos mais controversos episódios do seu pontificado:

Declarações sobre Maomé

Em 2006, em um discurso na Universidade de Ratisbona, Bento 16 fez uma declaração sobre Maomé que levou a uma série de protestos em países e comunidades islâmicas.
Na ocasião, durante uma palestra intitulada "Fé, Razão e a Universidade", o papa citou o que seria, segundo ele, uma frase do imperador bizantino Manuel 2º Paleologus sobre a prática de espalhar a fé com violência: "Mostre-me o que Maomé trouxe de novo, e lá você encontrará apenas coisas más e desumanas, como o seu comando de espalhar pela espada a fé que ele pregava".
A declaração foi repudiada em todo o mundo muçulmano.
Em Nablus, na Cisjordânia, duas igrejas foram atacadas com bombas. O governo do Paquistão pediu explicações para o embaixador do Vaticano no país e até o Parlamento europeu aprovou uma resolução recriminando o papa.
"É lamentável que o líder religioso dos cristãos tenha tão pouco conhecimento do Islã, e que fale sem vergonha disso", disse na época o clérigo iraniano Ahmad Khatam.

Discurso em Auschwitz

Durante uma visita ao local onde ficava o mais conhecido campo de concentração nazista na Polônia, em maio de 2006, Bento 16 atribuiu a culpa do Holocausto a "um bando de criminosos" que teriam "abusado" do povo alemão.
As declarações em Auschwitz foram censuradas por importantes figuras da comunidade judaica, para quem as palavras do pontífice teriam reduzido a responsabilidade de aliados e cúmplices do nazismo.
O presidente da União de Comunidades Judaicas Italianas, Claudio Morpurgo, se disse "perplexo" com a declaração de Bento 16 - primeiro papa alemão desde o século 11 - e o grande rabino de Roma, Riccardo di Segni, classificou o discurso como "problemático".

Preservativos

Durante uma visita a África, em Março de 2009, Bento 16 criticou a distribuição de camisinha para combater o problema da Aids no continente, que concentra 75% das mortes pela doença no mundo.
“O problema da Aids é uma tragédia que não pode ser derrotada só com dinheiro ou pela distribuição de preservativos - que até pode agravar o problema”, disse o pontífice, ao conversar com jornalistas no avião, a caminho da capital de Camarões.
A Igreja católica prega que a castidade e a abstinência são a melhor maneira de combater a Aids e, segundo o papa, "a única solução" para o problema seria uma mudança "espiritual" que faria as pessoas adotarem um "comportamento correto em relação ao corpo".
As declarações provocaram protestos de entidades médicas e organizações de combate a Aids.
Pedro Chequer, por exemplo, representante no Brasil no órgão da ONU para o combate à doença, chegou a classificar o discurso de Bento 16 como "genocida".

Pedofilia

As denúncias mais graves de pedofilia na igreja atingiram seu auge em 2009 e 2010. Segundo elas, dioceses locais e o próprio Vaticano foram cúmplices no acobertamento de inúmeros casos de pedofilia, hesitando em punir padres pedófilos e às vezes mudando-os para postos nos quais continuaram a praticar abusos.
Enquanto algumas autoridades católicas inicialmente qualificaram as acusações de serem parte de uma campanha contra a Igreja, o papa aceitou a responsabilidade pelos episódios, falando em "pecados dentro da Igreja".
Bento 16 encontrou vítimas e emitiu pedidos de desculpas inéditos. Enfatizou que os bispos notifiquem os casos de abusos e introduziu novas regras para apressar a apuração de denúncias de pedofilia.
Para os simpatizantes de Bento 16, ele foi o papa que mais agiu contra os abusos.
Críticos, porém, dizem que foi necessário um bom tempo para que o alemão compreendesse a seriedade dos crimes que lhe eram notificados e ele permitiu que os abusos ficassem sem resposta por anos para evitar arranhar a imagem da Igreja.

Corrupção

No ano passado, um escândalo foi desatado pelo vazamento de uma série de documentos do Vaticano sugerindo episódios de corrupção e lutas internas pelo poder nas altas esferas da Igreja Católica.
Alguns dos documentos teriam sido retirados do apartamento do próprio Bento 16, e o mordomo do papa, Paolo Gabriele, foi preso, acusado de conexão com o caso.
Gabriele, que teria entregue os documentos a um jornalista, disse que sua intenção era expôr a corrupção e as perversidades do Vaticano.
Ele foi condenado a 18 meses de prisão por roubo de documentos oficiais, mas foi "perdoado" pelo papa.
Outro empregado do Vaticano, Claudio Sciarpelletti, também foi condenado e perdoado pelo pontífice.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Um Papa cercado por lobos (?)


O Papa Bento XVI na missa em que ordenou 22 novos cardeais, no último sábado, no Vaticano: vazamentos revelam luta pela sucessão do Pontífice
Foto: AFPPablo Ordaz do El País Publicado:  

O Papa Bento XVI na missa em que ordenou 22 novos cardeais, no último sábado, no Vaticano: vazamentos revelam luta pela sucessão do Pontífice AFP
ROMA — Contam que perguntaram, em certa ocasião, a João Paulo II: “Sua Santidade, quanta gente trabalha no Vaticano?” A que o polonês Karol Vojtyla, que foi pontífice entre 1978 e 2005, respondeu com ironia: “Mais ou menos a metade...” Agora já sabemos — continuando com o que, na verdade, não era nem é tão piada assim — a que se dedica a outra metade.
De umas semanas para cá, o Vaticano vive em comoção por conta de uma série de documentos vazados, que levaram o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, a admitir que a Igreja está sofrendo seu particular VatiLeaks — uma menção ao WikiLeaks.
A publicação de uma denúncia interna de corrupção e de um complô para matar Bento XVI deixam a descoberto as lutas de poder diante da possível iminência do fim de seu papado. Embora seja o representante de Deus na Terra, Joseph Ratzinger é, na realidade, um homem doente, às vésperas de completar 85 anos. Ou, nas palavras usadas pelo jornal “L’Osservatore Romano”, “um pastor rodeado de lobos”.
Os lobos em questão, embora se vistam com roupas vermelhas, se excitam com o sangue. E o pastor Ratzinger já avisou, há dois anos — em entrevista a Peter Seewald convertida em livro — que “quando um Papa alcança a clara consciência de não estar bem física e espiritualmente para levar adiante o encargo a ele confiado, então tem o direito — e, em algumas circunstâncias, também o dever — de se demitir. Pensaria Bento XVI em dar este passo coincidindo com o dia do seu aniversário de 85 anos — em 16 de abril — ou com o sétimo aniversário de seu papado — três dias depois?
Talvez apenas ele e Deus o saibam, mas o que parece estar muito claro é que, diante de tal possibilidade, os candidatos a sua sucessão já começaram a lutar como homens por um posto divino. E, para ser ainda mais preciso, como homens italianos. Tanto os nomes que ilustram essa história de intrigas e golpes baixos, como as armas escolhidas para o duelo são totalmente locais.
Há ainda uma outra razão de peso. O trono de Pedro vem sendo ocupado por um estrangeiro desde 1978. Já não seria a hora de o Espírito Santo voltar seu olhar para um cardeal italiano na próxima reunião na Capela Sistina?
A luta pelo poder no seio da Igreja está se desenrolando — de forma inédita e dolorosa para muitos verdadeiros homens de fé — nas páginas dos jornais diários. Como se se tratasse do último escândalo de Silvio Berlusconi.
O primeiro golpe chegou com a divulgação, por meio de um programa de televisão, de uma carta do arcebispo Carlos Maria Vigano, atual núncio nos Estados Unidos, na qual contava ao Papa diversos casos de corrupção dentro do Vaticano e pedia para ser afastado de seu então cargo como secretário geral do governo — departamento que se encarrega de licitações e abastecimentos. Vigano foi, de fato, enviado para longe de Roma, assumindo o cargo nos EUA.
O segundo vazamento revelava um suposto complô para matar o Pontífice. O jornal “Il fatto quotidiano” publicou uma carta bem recente enviada a Bento XVI pelo cardeal colombiano Dario Castrillón Hoyos, na qual contava que o cardeal italiano Paolo Romeo, arcebispo de Palermo (na Sicília), havia realizado uma viagem à China, durante a qual teria comentado: “O Papa morrerá em 12 meses.”
Mas não foi só isso. Segundo a carta do arcebispo colombiano, escrita em alemão e sob o selo “estritamente confidencial”, o arcebispo de Palermo estava com a língua solta na China, contando supostos segredos do Vaticano, tais como que o Papa e seu número dois, Tarcisio Bertone, não se dão bem e que, por isso, Bento XVI estaria deixando tudo pronto — e muito bem pronto — para que o seu sucessor à frente da Igreja seja o atual arcebispo de Milão, o cardeal Angelo Scola.
O que há de verdade e de mentira em tais confidências que vêm agora à luz? Talvez nada. Talvez, a única coisa certa seja que um setor da cúria vaticana, a casta dos diplomatas pontifícios, considere que o atual Papa tenha ido longe demais ao promover a transparência nas transações financeiras da Igreja e ao cortar, de uma só tacada, a vigente permissividade com os abusos contra menores.
Talvez muito longe e muito rapidamente para quem, no fim das contas, é um alemão de 85 anos, doente e solitário, perdido num labirinto estrangeiro, cheio de intrigas e golpes baixos.
Durante 26 anos reinou sobre o Vaticano um papa polonês, especialista em relações públicas. Há sete anos, o posto é de um introvertido Papa alemão. A impressão que se tem é que a Itália já deu início à reconquista do trono de Pedro.

Pubicado em O Globo