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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Enquete do Congresso Nacional: vitória apertada da compreensão ampla de família

Pelo que vi, esse é o resultado final da enquete do Congresso Nacional sobre a definição de família. Por um bom tempo o SIM esteve na frente, mas foi ultrapassado. Porém, a diferença é muito pequena. Embora não seja uma pesquisa com valor científico, demonstra o quanto nossa sociedade ainda é conservadora e o quanto precisamos avançar para que, além de moralismos histéricos questionando a chamada "classe política", possamos questionar um conjunto de valores existentes em nossa sociedade.

sábado, 28 de junho de 2014

A batalha do Stonewall Inn e os dias heroicos que criaram o Dia Internacional do Orgulho LGBT

Milton Ribeiro, em Sul21

Nos anos 1950 e 60, os gays, lésbicas, travestis e transexuais (LGBT) norte-americanos enfrentavam um sistema legal mais anti-homossexual do que os de alguns países do leste europeu. Porém, nos últimos anos da década de 60, tais políticas repressoras começaram a ser contestadas. Era uma época de mudanças e muitos movimentos sociais tornaram-se subitamente visíveis, como, por exemplo, o Movimento dos Direitos Civis Afro-americanos, a contracultura hippie e as manifestações contra a Guerra do Vietnam. Estes movimentos, juntamente com o ambiente liberal do bairro de Greenwich Village, serviram como catalisadores para os conflitos que ocorreram em Stonewall.
Os conflitos de Stonewall foram uma série de violentas manifestações protagonizadas por membros da comunidade LGBT contra uma batida policial que teve lugar nas primeiras horas da manhã de 28 de junho de 1969, no bar Stonewall Inn, na Christopher Street, no Village de Nova York. O fato é considerado um marco do movimento e, até hoje, marca o Dia Internacional do Orgulho LGBT. Mas voltemos ao Stonewall.
O bar
O bar
Numa época em que poucos estabelecimentos aceitavam receber pessoas abertamente homossexuais, o Stonewall Inn era conhecido por ser popular entre as pessoas mais pobres e marginalizadas das comunidades gay e lésbica. Também era o local das drag queens, travestis, transsexuais, dos prostitutos, prostitutas e sem-teto. As batidas policiais neste gênero de estabelecimentos eram rotina nos Estados Unidos da década de 60. Durante as sessões, os frequentadores normalmente recebiam castigos físicos de forma indiscriminada, mas, naquela manhã no Stonewall, os oficiais perderam o controle da situação.
A única foto conhecida que foi tirada dentro do Stonewaal antes dos distúrbios
A única foto conhecida que foi tirada dentro do Stonewall antes dos distúrbios
Os fatos
Toda vez que a polícia chegava próxima do bar, o porteiro dava o sinal e o barman ligava todas as luzes do teto como um sinal para que todos se preparassem. Naquele verão de 1969, as batidas policiais tornaram-se cada vez mais frequentes, porém, na noite de 28 de junho, quatro policiais à paisana tiveram acesso ao bar sem que o porteiro pudesse acionar o alerta.
Era 1h20 da madrugada quando os policiais se anunciaram. Alguns dos 200 presentes no Stonewall entraram em pânico e tentaram fugir, mas outro policiais já tinham fechado portas e janelas.
Nada saiu conforme o planejado. O procedimento padrão era o de alinhar os frequentadores a fim de verificar suas identidades. As policiais mulheres tiravam os vestidos dos clientes a fim de checarem seu sexo. Todas as drag queens, travestis e pessoas consideradas “homens caracterizados como mulheres”  e vice-versa eram presas. Só que, naquela manhã, as pessoas recusaram-se a obedecer os oficiais. Ninguém quis identificar-se.
Então, a polícia decidiu levar todos para a delegacia. A drag queen Maria Ritter, que era conhecida como homem em sua família, lembrou: “Meu maior medo era de que eu ia ser presa. Meu segundo maior medo era que minha imagem sairia em um jornal ou em uma reportagem na televisão e eu estava com um vestido de minha mãe”.
A situação ficou tensa, estimulada pelo comportamento da polícia, que começou a ofender algumas lésbicas enquanto as revistavam.
Na porta do bar, uma multidão assistia à batida policial. Lá de dentro vinham sons de gritos e de prováveis espancamentos. Na verdade, o nível de confrontação no Stonewall chegara ao ponto de alguns clientes do bar começarem uma “performance” especial para os policiais. Ouviram-se aplausos vindos do bar. Quando o primeiro camburão chegou, a multidão começou a vaiar. Alguém gritou “Gay Power!”.
Cercado: um cliente do Stonewall Inn em apuros
Cercado: um cliente do Stonewall Inn em apuros
A batalha
O grito foi complementado por  sua antítese. Um oficial saiu do bar empurrando violentamente uma travesti, que lhe respondeu com uma violenta “bolsada” em pleno rosto. Logo depois, uma mulher foi arrastada para fora do bar, reclamando que suas algemas estavam muito apertadas. O policial que a arrastava respondeu golpeando-a na cabeça com um cassetete. Ela não apenas conseguiu permanecer em pé como olhou para a multidão e gritou: “Por que vocês não fazem alguma coisa?”. Para a surpresa geral, mas principalmente da polícia, uma multidão veio em solidariedade aos habitués do Stonewall Inn. Voavam pedras, moedas e garrafas de cerveja. O escritor Edmund White, frequentador do bar, lembra que todos estavam muito agitados. “Não tínhamos slogans nem atitudes, só cerveja e uma imensa raiva”.
Pedras e tijolos eram atirados contra os policiais
Pedras e tijolos eram atirados contra os policiais
A multidão tentou virar o camburão. Os policiais investiram contra as pessoas, o que só serviu para incitá-las ainda mais. Rapidamente, a polícia via-se em uma luta contra aproximadamente 500 pessoas, que começaram a arremessar tijolos de uma construção próxima. Os policiais jamais imaginaram que teriam de correr para o Stonewall a fim de se protegerem dos moradores do bairro.
Das janelas dos edifícios próximos, as pessoas jogavam quaisquer objetos em chamas. Parquímetros foram arrancados da calçada para servir de aríete contra as portas dos carros policiais. Depois de 45 minutos de violenta luta, chegaram mais policiais. A ordem era de prender qualquer um, mas era quase impossível capturar alguém.
Os policiais recém-chegados foram dispostos em uma linha que impedia a saída de pessoas da confusão sem passar por eles. Então, os clientes do bar começaram a zombar deles, formando uma linha paralela que os encarava. A polícia, enfurecida, avançou, batendo no que encontrasse pela frente. Um erro. A multidão não recuou, antes respondeu virando carros e fazendo barricadas contra a polícia. Em menor número e surpreendida pelo ódio da multidão, a polícia começou a fugir. A luta continuou até às 4h da madrugada. Ninguém dormiu.
As duas linhas paralelas começam a se romper: nenhuma disposição para recuar
As duas linhas paralelas começam a se romper: nenhuma disposição para recuar
Durante toda a manhã seguinte, as pessoas visitaram o muito danificado Stonewall Inn, tentando entender o que tinha acontecido.
Parte da matéria do dia seguinte no New York Times de 29 de junho
Parte da matéria do dia seguinte no New York Times de 29 de junho
A noite seguinte
A notícia se espalhou e, na noite seguinte, a multidão voltou à Christopher Street em muito maior número. Alguns eram “veteranos” da noite anterior; outros eram meros turistas; e a maioria veio para brigar. O que houve foi que, pela primeira vez na história de Nova Iorque, gays trocavam carinhos a céu aberto. De mãos dadas, abraçavam-se e beijavam-se. Nada de esconderijos ou bares, nada de armários.
O início da segunda noite
O início da segunda noite
Quando a noite caiu em 29 de junho, a multidão ainda crescia. Então, a polícia de choque voltou. A multidão tratou de queimar cada lata de lixo, novos carros foram capotados e para-brisas quebrados. Quando alguém era levado ela polícia, a multidão recuperava rapidamente o refém. Mesmo em ruínas, o Stonewall Inn permaneceu todo o tempo aberto. A violência foi novamente até a madrugada. Mas a sensação era nova: era a de que algo tinha mudado para a comunidade LGBT.
Cinco noites depois: o início da convivência na esquina da Waverly Place com Christopher Street | Foto: Larry Morris (NY Times)
Cinco noites depois: o início da convivência na esquina da Waverly Place com Christopher Street | Foto: Larry Morris (NY Times)
A influência
A chuva impediu os tumultos nos dias seguintes e a vida parecia voltar ao normal, mas o movimento dos direitos dos homossexuais tinha nascido. Em 28 de junho de 1970, no aniversário do início dos motins de Stonewall, “O Dia da Libertação de Christopher Street”, foi comemorado com um desfile do Stonewall até a 6ª Avenida em direção ao Central Park. Foi a primeira Parada do Orgulho Gay na história dos EUA. Desfiles também foram realizados em Los Angeles e Chicago. Boston, Dallas, Milwaukee, Londres, Paris, Berlim Ocidental e Estocolmo seguiram o exemplo em 1971. E em 1972, Atlanta, Buffalo, Detroit, Washington, Miami, Filadélfia e San Francisco uniram-se ao movimento.
A primeira Marcha do Orgulho Gay em 1970, na cidade de Nova Iorque
A primeira Marcha do Orgulho Gay em 1970, na cidade de Nova Iorque
Dois anos depois do conflito, já havia organizações dos direitos dos homossexuais estabelecidas em quase todas as grandes cidades dos Estados Unidos, Canadá e Europa Ocidental. Em 1973, a Associação Americana de Psiquiatria retirou a homossexualidade da seu manual das doenças mentais. Até hoje, a Christopher Street é considerada a “rua LGBT” de Nova York, e o Stonewall Inn recebe bandeiras de arco-íris em sua fachada para afirmar seu status de “local do nascimento do movimento moderno de libertação gay e lésbico”.
Em 1994, para marcar o 25º aniversário do episódio, o desfile de 28 de junho foi do Village em direção à sede da ONU e depois do Central Park. Estima-se que mais de um milhão de pessoas compareceram. Em 1999, o Stonewall Inn foi colocado no National Register of  Historic Places. E em junho de 2011, pouco antes do 42º aniversário do conflito, o Estado de Nova Iorque legalizou o casamento gay. Milhares de pessoas acorreram a uma festa espontânea no único lugar que serviria para comemorar qualquer coisa relacionada ao Orgulho Gay: o pequeno bar em um quarteirão tranquilo de Christopher Street.
A festa de 2011: casamento gay
A festa de 2011: casamento gay

Para finalizar, uma última informação: em 76 países do mundo a homossexualidade ainda é considerada crime. Em 7 deles a pena prevista é a de morte.

domingo, 11 de maio de 2014

COLIGAY: ORGULHO E PRECONCEITO

08/05/2014 por  

Coligay

Pioneira ao levar a sexualidade para o meio do futebol, a Coligay é uma página do Grêmio que poucos conhecem bem. Uma história que deveria ser motivo de orgulho, mas que segue envolta em preconceito.

Por Antônio Felipe Purcino*
Fotos por Yamini Benites
Um dos principais tabus no meio do futebol é a questão da sexualidade. Nas redes sociais, termos como “viado” e “bicha” são utilizados de forma pejorativa entre os torcedores para se referir aos adversários. O jogador Richarlyson é apontado como homossexual por onde passa. No ano passado, um selinho do atacante Emerson Sheik, do Corinthians, em um amigo, gerou uma revolta intensa de parte dos torcedores do clube. Enquanto na Europa há uma inclinação maior à abertura – em janeiro, o ex-meio-campista da seleção alemã, Thomas Hitzlsperger, assumiu sua homossexualidade –, no Brasil há um silêncio quase absoluto sobre o tema. Mas o que poucos sabem é que, na década de 1970, uma torcida do Rio Grande do Sul ousou colocar a sexualidade de forma transgressora nas arquibancadas.
Domingo, 10 de abril de 1977. No Estádio Olímpico, em Porto Alegre, o Grêmio venceu o Santa Cruz por 2 a 1, em mais uma rodada do Campeonato Gaúcho. Poderia ser uma partida como qualquer outra. Entretanto, algo diferente surgiu naquele dia. E não estava dentro de campo. Vinha das arquibancadas do ainda inconcluso estádio. Um grupo de torcedores chamava a atenção. Não era uma torcida comum. Algo histórico estava nascendo: a torcida Coligay.
Antes de falarmos da Coligay, é preciso recuperar a história de Volmar Santos. Nascido em 1948, na cidade de Passo Fundo, Santos vivia em Porto Alegre em 1977. Era gerente da Boate Coliseu, referência no cenário gay, localizada na Avenida João Pessoa. Gremista “desde sempre”, ele estava incomodado com as torcidas da época. “As torcidas eram muito frias, não incentivavam como deveriam”. Em uma noite na Coliseu, decidiu criar um grupo próprio para torcer. O nome escolhido foi Coligay, remetendo à boate e a seus frequentadores.
A torcida começou com cerca de 40 pessoas. A estreia foi contra o Santa Cruz, já contando com a faixa e as características que tornariam a Coligay tão marcante: a animação dos integrantes, as danças, os cantos e figurinos incentivando o Grêmio o tempo todo. “Tínhamos a melhor charanga, comandada pelo Neri Caveira, da Imperadores do Samba”. A cada partida do clube, a Coligay estava presente “Não perdíamos um jogo. Fomos para o interior, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo”, conta Volmar. O número de torcedores só crescia, chegando a mais de cem. E não precisava ser gay para fazer parte. O único requisito era ser gremista.
A novidade nas arquibancadas tricolores logo chamou a atenção de todos. Até a mídia do centro do país esteve em Porto Alegre para conferir o grupo, que foi tema de matéria na revista Placar. “Não tinha noção de que a torcida teria uma proporção tão grande”, diz Volmar. Inclusive, a Coligay foi convidada à partida que decidiria o Campeonato Paulista de 1977, entre Corinthians e Ponte Preta, apoiando o time da capital. O convite partiu do presidente do clube paulistano, Vicente Matheus. Dezenas de torcedores foram a São Paulo, onde acompanharam a vitória de 1×0 do Corinthians, pondo fim a um jejum de quase 23 anos sem títulos do clube.
Do lado do Internacional, alguns torcedores aproveitavam a torcida para tentar incomodar gremistas. Já outros desejavam fazer parte da Coligay. “Alguns queriam se entrosar, mas não permiti. Sugeri que criassem a Intergay ou a Inter-Flowers”, afirma Volmar, em referência à Boate Flowers, outro famoso reduto gay da capital gaúcha.
Apesar de surgir em meio a um contexto de ditadura militar, período no qual não se discutia a sexualidade, o criador da torcida garante que o grupo nunca sofreu nada grave nem foi impedido de estar nos jogos. “Nunca fomos agredidos. Sofremos algumas ameaças, mas nada aconteceu”. De parte da direção do clube, havia respeito. “Hélio Dourado [presidente do Grêmio na época] é uma pessoa fora de série. Ele sempre me recebeu e nos tratou bem”, diz Volmar. Já entre os jogadores, alguns não gostavam, outros apoiavam – como Tarciso, ex-ponteiro-direito e atualmente vereador em Porto Alegre: “Setenta por cento [dos jogadores] não gostava. Eu era muito querido pela Coligay. Fazia gol e ia lá vibrar com eles”. Volmar credita o êxito à presença de “pessoas de bem” na torcida. Tudo era feito “com muita responsabilidade”.
O sucesso da Coligay na época incentivou o surgimento de outras torcidas compostas por homossexuais no país. No Rio de Janeiro, torcedores de Flamengo e Botafogo tentaram criar a FlaGay e a FoGay. Tentativas semelhantes ocorreram entre apoiadores do Cruzeiro e Sport. Somente a Coligay resistiu, até 1983. Volmar teve que deixar Porto Alegre para voltar a Passo Fundo a fim de cuidar de sua mãe. Sem seu idealizador, a Coligay não conseguiu mais se estruturar. Após seis anos, a torcida deixava de existir. Volmar ainda reside em Passo Fundo, onde assina uma coluna social no jornal O Nacional.
Desde então, a Coligay se tornou um assunto pouco discutido, sendo hoje lembrado, na maioria das vezes, em piadas feitas por colorados contra gremistas. Para mudar esse quadro e resgatar a história da torcida, será lançado pela Editora Libretos um livro contando essa história: Coligay – Tricolores e de todas as cores, do jornalista Léo Gerchmann. Ao longo de cinco meses, Léo conversou com ex-integrantes da torcida, jogadores, dirigentes e outras fontes para trazer à luz uma história da qual pouco se fala atualmente. “O livro é sobre a Coligay, mas é também sobre diversidade. E a Coligay é uma página muito bonita da história do Grêmio”, diz Léo.

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Tarciso: “Eu era muito querido pela Coligay.

             Fazia gol e ia lá vibrar com eles”


Se na década de 1970 a torcida era vista de forma respeitosa por parte dos torcedores e também pelo próprio Grêmio, hoje ela faz parte de uma história que poucos têm coragem de relembrar. E que traz à tona o debate sobre a inserção da sexualidade no futebol.
Para Bernardo Amorim, coordenador jurídico da ONG Somos, que discute questões de sexualidade, é preciso que alguém abrace tal causa. “Seja clube, federação ou jogador, alguém tem que fazer algo para que o assunto chegue à torcida”, diz. Ele cita como exemplos a declaração do goleiro Lindegaard, do Manchester United, que declarou que “o futebol precisa de um herói gay”, além da torcida do St. Pauli, da Alemanha, que faz bandeiras contra a homofobia e todas as formas de discriminação.
Amorim considera que o Grêmio deveria reservar um espaço para falar da Coligay. “O reconhecimento é importante, pelo contexto histórico e pela coragem. Não se pode apagar isso”. Ele afirma ainda que a discussão no Rio Grande do Sul somente daria certo se fosse feita tanto pelo Grêmio como pelo Inter. “As coisas aqui não funcionam por um lado só. O ideal seria uma ação conjunta. Ninguém teria como acusar o outro”. A reportagem entrou em contato com o clube para saber qual o posicionamento oficial em relação à Coligay, mas não recebeu resposta até o fechamento.
E se a Coligay ressurgisse hoje, poderia dar certo? Volmar acredita que sim. “Com certeza, se for sério, com responsabilidade e com alguém sério na liderança”. Ele acrescenta que, se morasse em Porto Alegre, “ajudaria a Coligay a se estruturar de novo”. Amorim opina que uma nova Coligay geraria briga entre as torcidas. “Mas se um coletivo de pessoas se junta para ver o jogo, daria mídia e o clube não poderia mandar tirar. A proibição seria pior do que permitir”.
Entre todos, permanece o sentimento de que a Coligay deveria ser reconhecida como merece. Uma torcida pioneira, transgressora, que enfrentou o conservadorismo e deixou sua marca na história. Afinal, acima de suas cores, sexualidades e ideologias, todos são torcedores do Grêmio.

*Essa matéria foi vencedora do Concurso de Reportagem realizado pelo Diretório Acadêmico da Comunicação – UFRGS, no final de 2013. Uma das premiações foi a publicação junto ao Jornal Tabaré.

quarta-feira, 5 de março de 2014

"Fala que eu te escuto", mas se falar o que eu não quero, eu te corto

MULHER FAZ REVELAÇÃO NO FALA QUE EU TE ESCUTO E PASTOR NÃO FICA MUITO CONTENTE


O Fala Que Eu Te Escuto já é um clássico das madrugadas da emissora do bispo e nos proporciona diversas pérolas, como essa daqui que um rapaz resolveu mostrar a poupança. E caso alguém não conheça, o que é muito difícil, no programa as pessoas ligam para  dar suas opiniões de acordo com o tema do dia. E essa é a magia dos programas ao vivo, você NUNCA sabe o que vai acontecer.
O tema do programa era sobre os homossexuais, até que uma mulher que curte o negócio resolveu ligar lá e dar o seu parecer, o problema foi ela ser um tanto quanto… indelicada, e o pastor não gostou nada da história de vida da nossa querida participante desbocada.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Índia decide restabelecer lei que criminaliza relação homossexual


Gays indianos protestam contra lei que criminaliza relações entre pessoas do mesmo sexo | AP
Legislação considera sexo gay 'ofensa natural', punível com até dez anos de prisão

Mesmo enfrentando forte oposição de ativistas dos direitos homossexuais, a Suprema Corte da Índia decidiu restabelecer uma lei que criminaliza relações entre pessoas do mesmo sexo.

A decisão reverteu uma ordem emitida por um tribunal de Nova Déli que, em 2009, havia descriminalizado a prática.
Em sua defesa, a Suprema Corte da Índia afirmou que caberia ao Parlamento legislar sobre o assunto.
O artigo 377 da lei, promulgada há 153 anos, considera que as relações homossexuais são "uma ofensa natural", puníveis com até dez anos de prisão.
Vários grupos religiosos, sociais e políticos tinham enviado petições à Suprema Corte para que a lei fosse restabelecida após a decisão tomada em 2009.
Correspondentes afirmam que, embora raramente tenha sido empregada para processar alguém envolvido em sexo consensual, a lei é frequentemente usada pela polícia para constranger homossexuais.
A homossexualidade ainda é um tabu na Índia e muitas pessoas consideram ilegítimas relações entre pessoas do mesmo sexo.

'Dia negro'

"Cabe ao Parlamento legislar sobre esse assunto", afirmou GS Singhvi, presidente da Suprema Corte da Índia, sobre a decisão tomada um dia antes de sua aposentadoria.
"A legislação deve considerar retirar essa provisão (Artigo 377) da lei pelas recomendações do procurador-geral", acrescentou ele.
O Ministro da Justiça da Índia, Kapil Sibal, afirmou a jornalistas que o governo deve respeitar a ordem, mas não disse se há planos de fazer alguma emenda à lei. Os correspondentes dizem que qualquer nova legislação teria poucas chances de ser aprovada – uma vez que as eleições gerais estão marcadas para o ano que vem.
Ativistas de direitos gays descreveram a decisão da Suprema Corte na última quarta-feira como "decepcionante" e afirmaram que vão formalizar um pedido para que o tribunal reveja sua decisão.
"Tal decisão nos pegou totalmente de surpresa. Foi um dia negro", definiu Arvind Narrain, advogado do grupo de direitos homossexuais Alternative Law Forum.
"Nós estamos muito irritados com o retrocesso dessa corte", acrescentou ele.
Em nota, G Ananthapadmanabhan, chefe-executivo da Anistia Internacional na Índia, afirmou que a decisão é "duro golpe" para os direitos das pessoas à igualdade, privacidade e dignidade.
"É difícil não se sentir desestimulado por este julgamento, que representa um retrocesso de anos em um país comprometido com a proteção dos direitos humanos mais básicos", acrescentou ele, no comunicado.
Entretanto, a decisão da Suprema Corte foi festejada por grupos religiosos, especialmente líderes das comunidades cristã e muçulmana do país, que haviam manifestado oposição à ordem do tribunal de Nova Déli.
"A Suprema Corte decidiu restabelecer tradições que atravessam séculos na Índia. A corte não está suprimindo o direito de nenhum indivíduo. Pelo contrário, está levando em conta as crenças e valores de uma grande maioria do país", afirmou à BBC Zafaryab Jilani, membro do All India Muslim Personal Law Board, entidade não-governamental que defende a aplicação das leis islâmicas na Índia.
Em sua decisão de 2009, a Alta Corte de Noa Déli havia descrito o artigo 377 como discriminatório e afirmado que o sexo gay consentido entre dois adultos não deveria ser tratado como crime.
Naquela ocasião, a ordem fora ampla e visivelmente comemorada pela comunidade gay na Índia, que afirmou que o julgamento ajudaria a proteger os homossexuais de constrangimento e perseguição.

sábado, 26 de outubro de 2013

Militar gay expulsado del Ejército por la dictadura uruguaya fue restituido y ascendido a general

La reivindicación fue decidida por el gobierno de José Mujica, ya que se trataba de un oficial intachable y destacado como profesional

De:  Cambio21
El ministro, un ex guerrillero tupamaro compañero de prisión del presidente José Mujica, apuntó durante dicho encuentro que este caso se produjo al poco de asumir él el cargo de ministro en julio de 2011.

Según explicó a EFE Omar Salsamendi, presidente de la Asociación de Familias LGBT y Homoparentales de Uruguay, el ministro no dio muchos detalles más del caso, salvo que el ahora general está vivo, retirado, y reside fuera del Uruguay desde que tuviera que exiliarse tras la "baja deshonrosa" que recibió en ese momento.

"Al ministro le llamó la atención el expediente de este militar, que era intachable y tenía una actividad destacable. Además, según dijo, era un militar legalista, pero que luchó contra la guerrilla tupamara que él mismo integró", añadió Salsamendi.

El ministro apuntó que su decisión sirvió para que al militar se le restituyeran sus salarios impagos, su grado y sus honores, así como la pensión, que había perdido por haber sido expulsado de la milicia.

"En cuanto el ascenso a general, le fue concedido por su hoja de servicio impecable y destacada, además de por los años transcurridos, entendiendo que si hubiera seguido su carrera hubiera ascendido sin dudas", explicó Salsamendi.

domingo, 13 de outubro de 2013

Casais homossexuais se inscrevem para casamento gay comunitário no Rio

Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Casais de gays e lésbicas aproveitaram a 18ª Parada do Orgulho LGBT para se inscrever no primeiro casamento comunitário gay do Rio, marcado para 8 de dezembro, às 14h, no Tribunal de Justiça. As inscrições foram feitas em uma tenda do Programa Rio sem Homofobia, que organizou o casamento.
Luzimar Fernandes e Renata Pires, que têm união estável reconhecida, aproveitaram para se inscrever. “Isso significa muito. É uma união, uma conquista para a gente. Queríamos o casamento há muito tempo”, disse Renata.
O coordenador do Rio sem Homofobia, Cláudio Nascimento, disse que entre 2011 e 2012 foram feitas três cerimônias comunitárias para celebrar 200 uniões estáveis. Agora, os casais poderão oficializar o casamento.
“As pessoas vão poder sair da cerimônia com sua certidão de casamento. Vai ser a primeira cerimônia dessa magnitude no Brasil. Nossa previsão é reunir 150 casais. Acredito que será a maior cerimônia do mundo”, disse Nascimento.
Os casais que não se inscreveram durante a Parada do Orgulho LGBT poderão fazê-lo até 30 de outubro, em um dos centros de cidadania LGBT do Rio ou pelo telefone 0800 0234567, que funciona 24 horas.

Edição: Beto Coura

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O Papa Francisco e os homossexuais - Wilson Gomes


Por Wilson Gomes
Traduzo abaixo os trechos que considerei mais pertinentes da entrevista do papa Bergoglio a La Civilità Cattolica, de que se está falando. E faço dois comentários em seguida. 

“Em Buenos Aires eu recebia cartas de homossexuais, que são “feridos sociais” porque me dizem que sentem o quanto a Igreja lhes tenha condenado sempre. Mas a Igreja não quer fazer isso. Durante o voo de retorno do Rio de Janeiro disse que, se um homossexual é uma pessoa de boa vontade e está à procura de Deus, eu não sou ninguém para julgá-lo. Ao dizer isso, eu expressei o que já diz o Catecismo. A religião tem o direito de manifestar a própria opinião para com ela servir a todos, mas Deus, na criação, nos fez livres: a ingerência espiritual na vida pessoal não é mais possível”.
“Uma vez uma pessoa me perguntou, na forma de uma provocação, se eu aprovava a homossexualidade. Eu então lhe respondi com outra pergunta: «Diga-me: Deus, quando olha um homossexual, aprova-lhe a existência com afeto ou a rejeita por meio de uma condenação?». É preciso sempre considerar a pessoa. Aqui entramos no mistério do homem. Na vida, Deus acompanha as pessoas, e nós devemos acompanhá-las a partir da condição delas. É preciso acompanhá-las como misericórdia”.
“O confessionário não é uma sala de tortura, mas o lugar da misericórdia no qual o Senhor nos estimula a fazer o melhor que pudermos. Penso também na situação de uma mulher que deixou para trás um matrimônio fracassado no qual tenha até mesmo abortado. Depois esta mulher se casou de novo e agora está tranquila com cinco filhos. O aborto lhe pesa enormemente e é sinceramente arrependida. Gostaria de continuar na vida cristã. O que faz o confessor? Não podemos insistir apenas sobre questões ligadas ao aborto, casamento homossexual e uso de métodos anticoncepcionais. Isso não é possível. Nunca falei muito disso e fui criticado. Mas quando se fala disso, é preciso falar em um contexto. O ponto de vista da Igreja, ademais, já é conhecido e eu sou um filho da Igreja, mas não é preciso ficar falando o tempo todo disso”
Parece pouco, meus caros, mas não é.
O papa resolveu enfrentar a questão do ponto de vista pastoral (i. é, para ficar na metáfora rural do cristianismo, do modo como os pastores devem cuidar do seu rebanho) e não do ponto de vista da doutrina. Preocupa-lhe que doutrinas duras sobre os pontos nevrálgicos das divergências morais (gays, aborto, métodos contraceptivos) em que a Igreja representa uma posição minoritária se materializem em atitudes impiedosas, humilhantes ou de rejeição por parte do clero em face das pessoas que adotaram comportamentos não obedientes à prescrição moral eclesial nestas questões. Tematiza particularmente o sofrimento dos homossexuais, que se sentem ofendidos e rejeitados pela Igreja, dos divorciados recasados e das mulheres que já abortaram. As palavras-chave do papa aqui são “misericórdia” (versus “impiedade”), “acolhimento” (versus “rejeição”), compreensão (versus “julgamento”). Além disso, refuta a obsessão clerical, na pregação e na confissão, por estes temas nevrálgicos que provocam tanto sofrimento em muitas pessoas.
Não quer dizer que queira mudar doutrinas, quer dizer que deseja que mudem as atitudes do clero e dos religiosos a respeito dos homossexuais, dos divorciados recasados e das pessoas que já abortaram. Não vê porque se deva ficar preso nesses temas, como se isso fosse o centro da espiritualidade e da crença católica; Não concorda com uma atitude constante de dedo em riste e julgamentos punitivos, mas na confiança que Deus, que fez todo mundo livre, não rejeita, mas acolhe todos os seus filhos; Recusa, além disso, a atitude clássica, defensiva, das religiões sobre estes temas, segundo a qual se não tratarmos com severa impiedade os "pecadores" eles voltarão ao pecado (ou se respeitarmos os homossexuais, todos começarão a achar normal a homossexualidade). Não, a posição pastoral de Francisco não parece estar preocupada em salvar a doutrina (que continua em seu lugar) pela correção e punição do comportamento; o papa parece mais preocupado com o sofrimento daqueles que são o objeto do juízo severo e pouco acolhedor dos religiosos e clérigos - o que é uma posição muito incomum no campo religioso hoje.
Eu achei digno. Muito digno

sábado, 15 de junho de 2013

Papa sugere revogação de lei sobre casamento gay na França

O papa Francisco disse nesse sábado que os parlamentares franceses não devem hesitar em “revogar” as leis contrárias a igreja católica. A declaração foi uma alusão ao texto validado no mês passado na França, que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo no país.
Papa Francisco ressaltou sua oposição ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Papa Francisco ressaltou sua oposição ao casamento entre
 pessoas do mesmo sexo. REUTERS/Tony Gentile
As declarações de sumo pontífice foram feitas durante uma reunião com uma delegação de senadores e deputados franceses no Vaticano nesse sábado. Segundo o Papa, os parlamentares não devem hesitar, se necessário, em “revogar” as leis para que elas possam proporcionar “a qualidade que eleva e enobrece o ser humano”.
“O princípio da laicidade que governa as relações entre o Estado francês e as diferentes religiões não deve se traduzir em uma hostilidade à realidade religiosa, ou a uma exclusão das religiões do campo social e dos debates”, disse ainda o papa Francisco. “A igreja deseja dar sua contribuição específica sobre as questões profundas ligadas a uma visão mais completa da pessoa e de seu destino”, completou o sumo pontífice, frisando que essa contribuição também deve estar presente no plano político e econômico.
A França realizou no mês passado o primeiro casamento entre pessoas do mesmo sexo, logo após a aprovação de uma lei que suscitou debates e manifestações gigantescas. A igreja católica sempre se mostrou contrária à decisão.
De: RFI


domingo, 21 de abril de 2013

Jackie Chan estrela dos filmes de luta sai do armário em campanha

da Redação do Toda Forma de Amor
O ator Jackie Chan sempre foi símbolo da força, da virilidade e de coragem ao interpretar lutadores de artes marciais implacáveis e invencíveis no cinema.
Famoso até hoje - ele causou tumulto ao participar recentemente de uma conferência nacional da China - o ator é estrela de uma campanha do grupo Aliança Gay e Lésbica contra a Difamação (GLAAD, em inglês).
No filme de 30 segundos, Chan fala sobre a decisão de sair do armário, mas na verdade de sair mesmo para apoiar a diversidade sexual.
"Não basta falar sobre aqueles que lutam por liberdade, por igualdade. (…) Eu estou com vocês. Eu quero aqueles que lutam. Acredite. Eu sei que eu luto muito contra" diz o ator.
Em seguida, ele sai do armário, diz o seu nome e acrescenta: "(…) e eu estou saindo do armário, por aqueles que lutam pela igualdade".

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Justiça alemã amplia direito de adoção para homossexuais

Alemanha, de: DW

Gays e lésbicas podem assumir a paternidade ou maternidade de crianças anteriormente adotadas por seus parceiros. Decisão iguala direito de hétero e homossexuais.
O Tribunal Federal Constitucional da Alemanha derrubou nesta terça-feira (19/02) a proibição da chamada "adoção sucessiva" para casais homossexuais, afirmando que ela é contrária à igualdade de direitos prevista na Lei Fundamental (Constituição alemã).
Com isso, se um dos parceiros adotou uma criança, o outro tem o direito de se tornar pai ou mãe adotivo, uma regra que já valia para casais heterossexuais. Até agora, apenas a adoção de filhos biológicos do parceiro era permitida para casais homossexuais.
"Tanto no casamento como na união civil, a adoção provê a criança de segurança legal e vantagens materiais em termos de cuidados, apoio e lei hereditária", afirmou o presidente da corte, Ferdinand Kirchof, defendendo a decisão.
Dois casais homossexuais haviam entrado com processo contra a proibição. Entre eles está uma médica da cidade de Münster. Em 2004, sua parceira de longa data adotou uma menina da Bulgária, mas a Justiça negou à médica o direito de também ser a mãe adotiva da criança.
Na sua decisão, a corte rejeitou a argumentação da Associação Alemã para a Família, que sustenta que a adoção por um casal de homossexuais pode prejudicar a educação da criança. Para os juízes, uma união civil homossexual pode oferecer as mesmas condições para o desenvolvimento infantil que um casal tradicional. O juízes se basearam na opinião de especialistas que afirmam que a adoção por homossexuais é apropriada para desenvolver efeitos psicológicos estabilizadores na criança.
O limite para a nova regra virar lei é 30 de junho de 2014, mas a corte determinou que a "adoção sucessiva" para casais em união civil entre em vigor imediatamente, para que se possa corrigir as "desvantagens inaceitáveis" de gays e lésbicas.
Partido Verde apoia mudanças
Membros do Partido Verde alemão reagiram com entusiasmo à decisão da corte de Karlsruhe. Uma das principais candidatas dos verdes às próximas eleições, Katrin Göring-Eckardt, escreveu uma mensagem curta na rede social Twitter dizendo apenas "ótimo!".
A líder da bancada verde, Renate Künast, disse que a decisão judicial é uma vitória para as crianças porque agora elas podem estar legalmente vinculadas àqueles que já exercem a função de pai ou de mãe em suas vidas. "Família é onde os adultos assumem responsabilidades, sejam eles gays ou heretossexuais", afirmou Künast.
O vice-líder de bancada, Volker Beck, já havia anunciado um projeto de lei para permitir a adoção por parte de casais homossexuais. Segundo o parlamentar, a intenção é assegurar que gays e lésbicas possam adotar crianças nas mesmas condições que os heterossexuais. A votação do projeto está programada para antes do recesso de meio de ano.
Mas a decisão da corte em Karlsruhe deixou em aberto uma questão importante, referente à adoção conjunta por parte dos casais homossexuais em união civil. Heterossexuais casados podem adotar uma criança, mas homossexuais em união civil, não. No momento não há nenhum processo nesse sentido em Karlsruhe.

RC/afp/dpa/epd
Revisão: Alexandre Schossler

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Igrejas começam a mudar o discurso sobre a homossexualidade

Igrejas começam a mudar o discurso sobre a homossexualidade
Igrejas começam a mudar o discurso sobre a homossexualidade
Estudioso acredita que a sociedade chegue a um consenso e as igrejas acabem se conformando
por Jarbas Aragão

Quando o pastor Louie Giglio foi impedido de dar a benção na cerimônia de posse do segundo mandato de Obama, o motivo alegado foi as críticas públicas recebidas devido a um sermão postado na internet em que ele condenava o relacionamento de pessoas do mesmo sexo.
Quando abriu mão do convite, Giglio minimizou a importância dessa questão. Na carta que publicou para explicar sua desistência, afirmou que não tinha mudado suas opiniões sobre a homossexualidade. Mas insistiu que o sermão era antigo e acrescentou: “Claramente, falar sobre esta questão não tem sido uma de minhas prioridades nos últimos 15 anos”.
A partir de então, a mídia americana começou a questionar se havia, de fato, uma mudança na postura dos pastores mais influentes dos Estados Unidos sobre o assunto. David W. Key Sr., da Faculdade de Teologia da Universidade Emory, acredita que os pastores que pararam de dar tanta ênfase ao combate da homossexualidade estão atraindo mais membros.
Algumas denominações, como a Episcopal Anglicana viu surgir uma divisão internacional após um bispo assumidamente gay ter sido aceito. Outras, como os batistas, maior grupo evangélico do país, continua contrária à união gay, mas encontra dificuldade na unificação do discurso sobre o assunto. Várias igrejas independentes assumem posturas moderadas, mas a maioria parece sequer tocar no assunto.
Key ressalta que isso sempre vai acontecer entre as igrejas evangélicas, desde os debates sobre a abolição da escravatura até o consumo de álcool. De uma maneira ou de outra a sociedade chega a um consenso e as igrejas acabam se conformando, acredita o estudioso.
De fato, em 2001, a Convenção Batista do Sul criou um grupo para debater o ministério aos homossexuais, a pedido do pastor Bob Stith. O grupo foi extinto em junho do ano passado e o relatório final da denominação afirma: “Os desafios que enfrentamos são exponencialmente maiores do que eram há dez anos … A homossexualidade pode ser o principal dilema que a Igreja enfrentará nesta geração”. No entanto, nenhuma resposta ‘oficial’ foi dada.
“Esse problema não vai desaparecer”, disse Stith, inconformado. “Há muitas pessoas sentadas nos bancos das igrejas que precisam lidar com isso pessoalmente ou na família e não sabemos o que fazer com elas”.
O pastor Robert Jeffress da Primeira Igreja Batista de Dallas, que possui 11 mil membros, decidiu mudar a forma como trata a homossexualidade no púlpito. Ele continua acreditando que sexo homossexual é pecado, mas não dá mais uma atenção especial ao assunto. Jeffress diz que optou por falar sobre a questão gays dentro de “um contexto maior do plano de Deus, que ensina o sexo entre um homem e uma mulher em o relacionamento chamado casamento… Seria o cúmulo da hipocrisia condenarmos a homossexualidade e ignorarmos o divórcio e o adultério como atitudes antibíblicas”, disse ele, sem deixar o sexo antes do casamento nessa lista.
Jeffress ressalta “Não podemos escolher que partes da Palavra de Deus iremos compartilhar. Deus nos deu [a Bíblia] não para machucar as pessoas, mas para ajudá-las”. Ele ressalta que tem um grupo de gays e lésbicas em sua igreja, que lutam contra isso e recebem acompanhamento.
Mas ele se preocupa que a maioria dos pastores evangélicos hoje deseja se esquivar dessa responsabilidade. “Minha impressão é que as pessoas, de modo geral, estão apenas evitando o assunto”, finalizou.
A pressão para se mudar a maneira como a homossexualidade é tratada pelas igrejas pode ser reflexo da maneira como as novas gerações pensam. Em uma pesquisa de 2011, feita pelo Public Religion Research Institute, mostrou que 62% dos americanos entre 18 e 29 anos apoiam o casamento gay e 71% defendem o direito deles terem uma união civil. Entre os adultos com mais de 65 anos, os percentuais eram de 31% e 51% respectivamente.
Bill Leonard, reitor da Escola de Divindade da Universidade Wake Forest, se diz surpreso como os jovens são mais compassivos que seus pais quando se trata da comunidade LGBT. “Há uma percepção que essa antiga ideia de “ame o pecador, mas odeie o pecado” é algo muito frio”, ressalta. Com informações de News Yahoo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Doadores de esperma ganham acesso a filhos na Justiça

Óvulo e esperma (BBC)De: BBC
Decisão polêmica foi tomada em caso envolvendo três casais gays que se conheciam
Uma decisão polêmica de um tribunal britânico pode garantir que doadores de esperma tenham acesso às crianças que ajudaram a gerar na Grã-Bretanha.
A decisão foi tomada em um processo envolvendo três casais gays amigos que mantêm uniões civis estáveis.
No caso, dois casais de lésbicas fizeram um arranjo para conseguir doações de esperma de um casal gay masculino para conceber três crianças.
No arranjo, as quatro mulheres teriam dado a entender que os dois homens teriam acesso às crianças, mas, com o tempo, os três casais começaram a divergir sobre esses contatos.
Por isso, os doadores de esperma entraram com um processo na Justiça pedindo para ter acesso garantido aos filhos biológicos e alguma voz na forma como eles estão sendo criados.
Os casais de lésbicas argumentavam que tal acesso atrapalharia sua vida familiar, mas a Justiça britânica acabou decidindo favoravelmente aos pais biológicos das crianças.

Mudança de regras

Apesar de a decisão envolver casais que se conheciam, especialistas avaliam que a decisão poderia ser aplicada também a casais gays e heterossexuais que pretendem conceber filhos usando doações de esperma de desconhecidos.
Por isso, alguns levantam a necessidade desses casais, a partir de agora, estabelecerem um acordo escrito com os doadores definindo claramente como seria o seu relacionamento com a criança.
"Embora a decisão do juiz deixe claro que a unidade da família deve ser preservada, a possibilidade de que os doadores de esperma possam apelar para os tribunais (para ter mais contato com as crianças) abre uma perspectiva assustadora para muitos pais, tanto gays como heterossexuais", disse o advogado Kevin Skinner, que defendeu um dos casais de lésbicas.
Desde 2008, a lei britânica garante os mesmos direitos a casais gays e heterossexuais que se submetem a tratamentos de fertilização artificial para ter filhos.
Mas desde 2005 os tribunais do país derrubaram o direito ao anonimato de doadores de esperma.
Isso, segundo a Sociedade de Fertilização Britânica (BFS na sigla em inglês), contribuiu para reduzir o número de voluntários para as doações na Grã-Bretanha e para alimentar o que vem sendo chamado de turismo da fertilidade - os movimentos transfronteiriços de pacientes que buscam países com legislações menos rígidas e preços mais acessíveis para tratamentos de fertilização.