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domingo, 8 de junho de 2014

As aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá



Olho para os países onde morei nos últimos 4 anos e vejo que o RS não está nem um passo atrás em termos de democracia e participação. Pelo contrário.

Bruna Santos (*)
Gabinete Digital

O famigerado complexo de vira-latas brasileiro, diagnosticado por Nelson Rodrigues,  tem sido recorrentemente citado ao longo das últimas semanas. Ele reflete a insegurança e descontentamento daqueles que repetem “só no Brasil mesmo” toda vez que se deparam com algum problema. A percepção do brasileiro sobre a situação atual do país piorou significativamente desde que os protestos tomaram as ruas em junho do ano passado. A mensagem era clara: o brasileiro quer eficiência,  integridade política e, acima de tudo, quer ser ouvido. A iminência da Copa do Mundo nos jogou no meio de uma nuvem de insegurança coletiva em relação à percepção alheia sobre o Brasil, nesse caso, a percepção de nada menos do que o restante do mundo.  A fim de dar um empurrãozinho na disposição de alguns brasileiros a ver o copo meio cheio, proponho uma reflexão breve sobre democracia e participação.

Na última quinta-feira, “só no Brasil mesmo”, foi realizada a maior consulta pública da história da internet no país. A Votação de Prioridades realizada pelo Gabinete Digital do Estado do Rio Grande do Sul encerrou as consultas com 255.751 votantes em três dias. Com este resultado, o Rio Grande do Sul realizou a maior consulta pública da história da Internet no país e o maior processo de orçamento participativo digital do mundo. Tudo isso foi monitorado de perto por pesquisadores do Banco Mundial que estavam no estado para conduzir uma série de experimentos relacionados à participação cidadã.

Comparação e competição
Como quem olha o pão com manteiga que tem na frente e compara com o carré de cordeiro na foto do Instagram do vizinho, o brasileiro complexado olha para fora e se deprime. (Não cabe a mim explicar o porquê). Ele se deprime porque pensa que em Miami a vida é mais fácil; que em Nova Iorque tem emprego pra todo lado e que em Pequim tudo funciona, pois o governo é eficiente.

Aos que pensam assim, fica o meu depoimento. Há algum tempo vivo entre Brasil, China e Estados Unidos. Ser expatriada foi uma opção de vida. Não saí do Brasil por que o país não funciona. Saí por inquietação intelectual.

Manhattan connection às avessas - com parada na Praça da Paz Celestial

Olho para os países onde morei nos últimos 4 anos e vejo que o Rio Grande do Sul  não está nem um passo atrás em termos de democracia e participação. Pelo contrário.

Nos EUA, desde a década de 1990 tem-se tentado reinventar o governo. David Osborne foi o idealizador dessa reforma na administração Bill Clinton.  Nos últimos 8 anos, Nova Iorque também passou por uma transformação intensa na forma de pensar a intersecção entre políticas públicas e tecnologia. Liderada pelo prefeito Bloomberg, a iniciativa de usar a tecnologia da informação a serviço dos cidadãos foi feita de maneira colaborativa. A prefeitura abriu seus dados e criou canais de participação para que a população inovasse criando soluções criativas para os problemas urbanos. Eu considero a experiência nova-iorquina admirável e replicável. No entanto, a cidade ainda carece de iniciativas de participação popular eficazes. Acredite, tendo Porto Alegre como exemplo, a esquina do mundo lançou apenas em 2012 seu modelo de orçamento participativo - 23 anos depois da implantação do OP em POA pelo então prefeito Olívio Dutra.

Depois da grande maçã, olhemos para a outra esquina do mundo: Pequim. Na China, se você não é filiado ao Partido Comunista Chinês (PCC), as suas chances de ser ouvido e de participar das decisões políticas do país são reduzidas a nada. O chinês de classe média hoje tem acesso às grandes marcas internacionais, carros de luxo e etc, mas ainda está encerrado em um modelo não participativo de governo. Lá vive-se era da informação, da velocidade, da internet e das redes sociais, mas ninguém pode usar o Google, a internet é censurada e os cidadãos leem com descredibilidade o que é dito na mídia local.

No mesmo 4 de junho que, no Rio Grande do Sul, comemorávamos o sucesso da participação popular na votação das prioridades, na China, o governo repetia, pela 25º vez, seu esforço anual para apagar da história os vestígios do massacre de estudantes que pediam democracia na praça de Tianamen.

Oportunidades
A era da informação, da internet, das redes sociais e dos dados abertos nos oferece a oportunidade única de reformular nossas instituições políticas. O Rio Grande do Sul tem sido pioneiro nisso.  Uma revolução na forma de fazer política é necessária. A desigualdade entre ricos e pobres é um abismo que os líderes mundiais passaram décadas tentando fechar. Mas, na realidade, a maioria dos cidadãos permanece insatisfeito com uma desigualdade diferente: a que existe entre os poderosos e os impotentes.

Mais uma vez, o Gabinete Digital deu poder à voz dos gaúchos. Elevou o volume dos que ainda falam baixo ou não são ouvidos. Eu tenho orgulho disso e não vejo espaço para inseguranças e complexos, mas sim para avaliação crítica e construtiva. Melhoria, sugestões, participação e inovação. Que assim seja e que nossa voz nunca se cale. Os ouvidos dos poderosos estão abertos. Aproveitem!
 
(*) Bruna Santos é mestranda em Administracao Pública na Universidade de Columbia, pesquisadora no projeto Public Management Innovation entre os Columbia Global Centers do Rio de Janeiro, Pequim e Mumbai e sócia-fundadora da empresa Ethos Intelligence, dedicada ao monitoramento e avaliação de projetos de impacto social. Contato: bsd2118@columbia.edu :::  b.santos.ri@gmail.com ::: LinkedIn.

sábado, 3 de maio de 2014

Empresa Gaúcha de Rodovias investe R$ 152 milhões nas estradas em 2014

Com o fim dos pedágios privados das praças do Governo do Estado e por meio da criação da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), a população gaúcha, além de ter reduzido seu custo para trafegar, que implica também aumento da competitividade da produção, uma vez que reduz o custo do transporte, ainda pode decidir onde o dinheiro arrecadado será aplicado, com a consolidação de Conselhos Comunitários.

A EGR vem realizando serviços de recuperação de pavimento, manutenção de rotina, restauração de pontes, obras de sinalização e segurança, além do inédito serviço de mapeamento georreferencial das rodovias desde fevereiro de 2013. Para este ano, tem investimentos previstos na ordem de R$ 152.150.000,00 em obras que já estão em curso, como a recém inaugurada passarela sobre a ERS-239, em Parobé. A obra era uma demanda de mais de 20 anos da comunidade local e custou pouco mais de R$ 865 mil. Apesar de haver uma praça concedida durante 15 anos, a obra nunca havia saído do papel.
Entre outros investimentos da EGR em curso, estão as obras na RSC-453 no trecho entre Estrela e Garibaldi e entre Lajeado e Venâncio Aires. São reformas que se iniciaram em março deste ano e fazem parte de uma licitação de melhorias que também envolve a ERS-130, no trecho entre Lajeado e Guaporé, onde as obras também estão em andamento. O investimento é de R$ 29 milhões, e a extensão total abrangida pelo contrato é de 174 quilômetros.
Na ERS-122, entre Caxias e Antônio Prado, as obras de recuperação começaram no final de fevereiro deste ano. De início, a EGR está recuperando os pontos mais críticos (do km 81,4 até o km 83; do km 87 ao km 89; e do km 110 ao 113), mas todo o trecho de 46,48 quilômetros passará por melhorias. Apenas nestes 46,48 km são mais de R$ 20 milhões por 18 meses. Em ambos os casos, as obras incluem restauro do revestimento asfáltico, pintura da sinalização horizontal, manutenção de pontes, além de roçada e manutenção da sinalização lateral.
Além dos investimentos e obras da EGR em curso, o Daer, por meio do Contrato de Conserva e Manutenção (Crema), também tem investimentos, somente na Região da Serra, da ordem de R$ 18.532.007,67, destinados para a conserva das rodovias, além de obras de recuperação de pavimento, projetos e obras de engenharia, recuperação da sinalização, que perfazem um total de R$ 42.601.795,56.
Muitas vezes, as queixas quanto à qualidade das estradas não leva em conta o fato de que estão em obras. Também é muito comum que as obras sejam paralisadas temporariamente devido às condições climáticas.
Já nas estradas de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), como a BR-386 e BR-116, há investimentos de R$ 30 milhões para os próximos dois anos nessas rodovias, em contratos já em curso de serviços de manutenção e recuperação das pistas, incluindo fresagem e substituição asfáltica, capina, roçada, limpeza do sistema de drenagem, recuperação das defensas, dos guarda-corpos e da sinalização vertical. O Dnit também vai duplicar os dois quilômetros restantes da BR-386, entre Estrela e Bom Retiro do Sul.
Mesmo tendo encerrado o processo de devolução das rodovias que estavam sob administração do Governo do Estado há pouco mais de 50 dias, o órgão já fez o levantamento das melhorias no trecho da BR-386, entre Soledade e Lajeado, para obras de reposição de placas e melhoria do asfalto e acostamento.
O Rio Grande do Sul hoje tem o maior Plano de Obras em rodovias da história do Daer, e o atual Governo do Estado tem como prioridade a melhoria e ampliação da condição de trafegabilidade das estradas, associada ao uso de outros modais, como a hidrovia, os aeroportos regionais e a ferrovia, como estratégias de desenvolvimento regional. Dessa forma, o Estado cresce como um todo, sem privilegio de nenhuma região específica.
Veja detalhes das obras contratadas pelo Dnit nas rodovias citadas:
BR-386/ Km 248,2 – Km 388,9 - clique aqui.
BR-116: Km79,5 - 184,8 - clique aqui.
Texto: Assessoria Infraestrutura e Logística
Edição: Redação Secom (51) 3210.4305 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

AGERGS evita redução imediata de passagens na Região Metropolitana


Agergs decidirá sobre redução da passagem metropolitana apenas em 2014 *

Análise da proposta da Metroplan coincidirá com revisão tarifária feita pela Agergs sobre todo sistema de ônibus metropolitano

Álvaro Andrade alvaro.andrade@rdgaucha.com.br


Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Agergs) vai decidir sobre a proposta de redução do preço da passagem de ônibus metropolitano apenas em fevereiro de 2014. A Agergs realiza a última sessão do ano nesta quinta-feira (19), e ainda não recebeu o processo conduzido pela Metroplan. "A proposta precisa ser distribuida para um conselheiro que irá encaminhar o tema para análise técnica e jurídica. Também será necessária audiência pública e assim, a previsão é que o processo leve de 30 a 40 dias para estar apto a ser analisado pelo Conselho Superior da Agência", afirma o presidente da Agergs, Carlos Martins.

A análise da proposta da Metroplan irá coincidir com uma revisão tarifária feita pela Agergs sobre todo sistema de ônibus metropolitano, que pode resultar em revisões para cima, ou para baixo, no valor das passagens. O resultado dessa avaliação será conhecido na primeira quinzena de janeiro.
Entenda
O Conselho Estadual de Transporte Metropolitano aprovou, na manhã desta quarta-feira (18), a proposta da Metropolan para unificar as tarifas dos ônibus dos trajetos do eixo norte da Região Metropolitana, que inclui Novo HamburgoSão LeopoldoSapucaia do SulEsteio eCanoas. Pelo projeto aprovado, a tarifa de deslocamento entre essas cidades passaria a ser única, de R$ 2,65.
Já o valor do deslocamento de qualquer uma dessas cidades para Porto Alegre  - ou da Capital para esses municípios - seria de R$ 3,15. O acordo também prevê melhorias na qualidade do serviço para os usuários.
As empresas ficariam comprometidas a renovar a frota, em pelo menos 20 ônibus por ano. A proposta ainda precisa do aval da Agergs para entrar em vigor.
* O título é o original. Acho que há um engano.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

PRBS só informa sobre prefeito se ele for favorável ao pedágio

Mais uma do PRBS. A edição eletrônica do jornal ignorou a presença do Prefeito de Carazinho (61 mil habitantes) e falou em "autoridades". Já o Prefeito de Pantano Grande (10 mil habitantes) ganhou todo o destaque do mundo. Não estou desprezando Pantano, apenas questiono os critérios do PRBS.

Ato marca o fim do polo de pedágio de Carazinho

Foto destaque
O governador Tarso Genro participou, nesta segunda-feira (30), do ato de encerramento do pedágio de Carazinho, localizado na BR 386, entre aquele município e Sarandi. A cerimônia, que encerrou as operações após 15 anos, também marcou o fim das praças de Vacaria, Gramado e Polo Metropolitano, não restando agora nenhum pedágio do sistema antigo. 

 

















"Aqui temos um exemplo dos problemas daquele sistema de pedágio. Milhões de reais circulavam nesta praça e não havia sequer ocompromisso de fazer acostamento", ressaltou o governador. Segundo projeções, o fim do pedágio na região significará a injeção de R$ 70 milhoēs por ano que antes iam para o custeio das tarifas e agora ficam na cidade. 

"Nós agradecemos ao governador pela abertura das cancelas, pois nossas empresas estavam ameaçando deixar a cidade por conta dos valores cobrados nos pedágios", afirmou o prefeito de Carazinho, Renato Suss. Nas novas praças que serão administradas pela EGR, a redução será, em média, de 30%. Um veículo que passa pela praça de pedágio apenas nos dias úteis, ida e volta, terá uma economia de R$308 por semana e R$ 3696 ao ano. Um morador de Carazinho entregou ao governador um saco com os recibos guardados durante os quinze anos do pedágio e que somavam R$ 26 mil.

O fim das praças é fruto de uma decisão do Governo do Estado de não renovação dos contratos de pedágios anunciada neste ano. A praça de Vacaria e Carazinho ficarão a cargo da União, enquanto que as praças de Gramado e Metropolitano estarão sob administração da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR). As cancelas ficam abertas até o dia 06 de janeiro, quando a EGR assume as duas praças. 

"O modelo implementado pelo governo do RS substituindo aquele pedágio existente é a Empresa Gaúcha de Rodovias, que tem um controle social inédito em qualquer empresa pública do país, na qual os usuários definem o volume e onde serão feitos investimentos", destacou o secretário de Infraestrutura e Logística, João Victor Domingues. 

A Concessionário Rodoviária Planalto (Coviplan) era quem admistrava a praça e possuía a concessão de 250 quilômetros, que incluiam Passo Fundo, Soledade e Panambi. As outras praças encerradas nesta segunda eram administradas por Rodosul, Univias e Brita Rodovias. 

Carazinho 
Ainda no município, o governador participou da entrega de um caminhão de bombeiros. Avaliado em R$ 450 mil, o veículo era uma demanda da comunidade conquistada através da Consulta Popular e Cidadã, com 40% de votos da comunidade. Há 31 anos, a cidade não recebia um caminhão de Bombeiros. 

Tarso também entregou ao município uma viatura da Superintendência de Serviços Penitenciários. Em toda a região da Produção um total de dez veículos da Susepe foram entregues para modernizar o órgão na região. 

Texto: Anna Maganin 
Foto: Claudio Fachel/Palácio Piratini
Edição: Redação Secom (51) 3210.4305

Encerrada cobrança em mais 10 praças de pedágio no Estado

Após 15 anos, programa de concessão está encerrado no RS

Álvaro Andrade no clicrbs
Foto: Metrovias  / Divulgação
Após 15 anos da implantação, o Programa Estadual de Concessão Rodoviária está encerrado no Rio Grande do Sul. O modelo de pedágio que foi alvo de disputas políticas, diversas polêmicas e batalhas judiciais, chega ao fim devido à disposição dos governos estadual e federal em assumir a responsabilidade pela conservação das estradas. 
Na manhã desta segunda-feira (30), foram levantadas cancelas em dez praças, localizadas nos polos de Vacaria, Carazinho e Gramado. Não há mais pedágio na RS-115, em Três Coroas, desde as 9h15min, e na RS-235, em Gramado e São Francisco de Paula. Nestes pontos, aEmpresa Gaúcha de Rodovias (EGR) vai assumir a cobrança a partir do dia 6 de janeiro.
As cancelas também foram levantadas na BR-116, em Campestre da Serra e na divisa com Santa Catarina, e na BR-285, em Lagoa Vermelha. Ainda foi encerrada a atividade nas praças de pedágio instaladas na BR-386, em Carazinho e Soledade, e ainda na BR-285, em Sarandi e Passo Fundo.
Nesta tarde, o governador Tarso Genro participa de ato simbólico em Carazinho para festejar o encerramento dos contratos com a iniciativa privada. Pela manhã, ato político com a participação de nove municípios na BR-290, em Eldorado do Sul, cobrou que o governo federal ofereça serviço de guincho e ambulância e ainda não realize nova concessão à iniciativa privada.
No domingo, a Metrovias já havia encerrado as atividades em cinco praças da Região Metropolitana. Nas rodovias federais, não há previsão de retomada dos pedágios. O Dnit informa que nas rodovias federais os serviços de socorro médico e mecânico deve ser acionado junto a Polícia Rodoviária Federal pelo fone 191.
Veja no mapa a situação das praças de pedágio no Rio Grande do Sul:

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Governo do Estado propõe reajuste de 12,7% no salário mínimo regional


Foto: Caroline Bicocchi/Palácio Piratini    
O governador Tarso Genro encaminhou, nesta terça-feira (19), para a Assembleia Legislativa, o projeto de lei com a proposta de reajuste de 12,727% do salário mínimo regional para 2014. O índice é resultado de uma ampla negociação entre o Governo do Estado, as centrais sindicais e as federações empresariais. O anúncio foi feito na manhã desta terça-feira no Palácio Piratini, com a presença de representantes das centrais sindicais. 

Pela proposta do Governo, o salário mínimo regional passa a ter cinco faixas, começando em R$ 868,00 na Faixa I. O projeto também estabelece a criação da Faixa V, com valor de R$ 1.100,00, para técnicos de nível médio. Com o reajuste, o salário mínimo regional passa aos seguintes valores: de R$ 770,00 para R$ 868,00 na Faixa I; de R$ 787,73 para R$ 887,98 na Faixa II; de R$ 805,59 para R$ 908,12 na Faixa III; de R$ 837,40 para R$ 943,98 na Faixa IV; e R$ 1.100,00 na Faixa V. 

O aumento pode significar um incremento de mais de R$ 1,3 bilhão na economia gaúcha. Após o anúncio do índice de reajuste do salário mínimo regional, o governador participou de um ato das centrais sindicais em frente ao Palácio Piratini. 

Para o governador Tarso Genro, "o reajuste do piso regional beneficia os trabalhadores mais pobres e tem reflexo em toda a economia, desde o pequeno comércio até a grande indústria. Além disso, são mais de 1 milhão de trabalhadores e seus familiares que passam a ter condições mais dignas de trabalho e de vida". 

O governador recebeu, durante todo o mês, representantes das centrais sindicais e das federações empresariais para ouvir suas demandas sobre o reajuste. 

Os trabalhadores pediram aumento de 16,81% e a inclusão de novas categorias. As centrais reivindicaram ainda a alteração de faixas de categorias que apresentem defasagem na atual; a colocação do piso na Constituição do Estado, estabelecendo critério de reajuste permanente, levando-se em conta o crescimento da economia nacional e estadual, mais a inflação e a inclusão na legislação da garantia do piso como vencimento mínimo aos servidores públicos do Estado. 

Na semana passada, representantes das federações empresariais, da indústria, comércio, agricultura e serviços sugeriram reajuste de 5,3% e pediram a não inclusão de categorias que têm data-base ou representação sindical. 

Instituído em 2001, o salário mínimo regional abrange mais de 1,1 milhão de trabalhadores. Até o momento, o benefício tem quatro faixas salariais, com os seguintes valores: Faixa 1: R$ 770,00; Faixa 2: R$ 787,73; Faixa 3: R$ 805,59; Faixa 4: R$ 837,40. Nos três anos do atual governo (2011-2013) o ganho real acumulado totalizou 20%, praticamente o dobro do ganho alcançado durante os quatro anos do Governo Rigotto (12,43%) e os quatro anos do Governo Yeda (10,09%). 

Valores com o reajuste de 12,727% 
Faixa I = R$ 868,00 
Faixa II = R$ 887,98 
Faixa III = R$ 908,12 
Faixa IV = R$ 943,98 
Faixa V = R$ 1.100,00

Protocolo na Assembleia Legislativa 
Logo após o ato, a proposta foi protocolada na Assembleia Legislativa pelos secretários da Casa Civil, Carlos Pestana, e do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Cdes-RS), Marcelo Danéris. O projeto de lei tramitará em regime de urgência. 

De acordo com Pestana, a expectativa é que a proposição seja apreciada de forma breve e tenha acordo, já que beneficia milhares de trabalhadores. "O piso regional é um importante elemento de distribuição de renda. Estamos cumprindo o nosso compromisso de recuperá-lo", finalizou. 

Texto: Lucas Rohãn/Joice Proença
Foto: Caroline Bicocchi/Palácio Piratini 
Edição: Redação Secom (51)3210-4305

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Tarso convida PSOL e PSTU para tratar da ação da polícia contra militantes políticos

Polícia Civil faz buscas para investigar militantes do Bloco de Lutas em Porto Alegre


Ramiro Furquim/Sul21
Assentamento urbano Utopia e Luta foi um dos locais onde a Polícia Civil atuou nesta terça-feira | Ramiro Furquim/Sul21
Iuri Müller, Sul 21
Ao menos quatro locais foram vistoriados ao longo desta terça-feira (1°) pela equipe da Polícia Civil que investiga os atos de “depredações e saques” dos protestos de junho em Porto Alegre. Durante a manhã e parte da tarde, duas residências particulares, um centro cultural que serve como moradia e um assentamento urbano foram alvo de mandados de busca e apreensão. Militantes de algumas das organizações políticas que compõem o Bloco de Lutas pelo Transporte Público foram chamados para prestar depoimento nos próximos dias.
As ações começaram ainda no início da manhã quando, por volta das 8h40min, uma equipe da Polícia Civil adentrou o Moinho Negro, centro cultural que também serve como moradia na Azenha — segundo os militantes que dormiam no local, a polícia arrombou a porta ao chegar. “Os policiais falaram que tinham mandado (de busca e apreensão) e separaram materiais para levar, folhetos de propaganda anarquista, panfletos políticos e cartazes”, afirmou um dos moradores do local, que foi chamado a prestar depoimento ainda nesta semana.
Pouco depois, o cenário da operação policial foi a residência do militante do coletivo “Juntos!” e da juventude do PSOL, Lucas Maróstica. Lucas afirmou, por meio do seu perfil no Facebook, que a força policial invadiu o seu apartamento em Porto Alegre e levou o seu computador. O militante, que não estava em casa neste momento, deve conceder entrevista coletiva na manhã da próxima quarta-feira (2) para explicar o ocorrido ao lado de representantes do seu partido.
Também durante a manhã, o militante da juventude do PSTU, Matheus Gomes, relatou episódio semelhante. Matheus conta que os agentes apreenderam cadernos, panfletos, adesivos com referência a lutas políticas, como a causa palestina, além do seu computador. “A justificativa da polícia é a de encontrar pessoas ligadas às depredações nos protestos em geral, mas está muito claro que é uma perseguição política ao Bloco de Lutas e aos movimentos sociais. Nem na época da (ex-governadora) Yeda Crusius isso acontecia”, defendeu.
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Espaço Moinho Negro, situado na Azenha, teve a porta arrombada por policias nesta manhã, segundo relato de moradores | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Por volta das três horas da tarde, o assentamento Utopia e Luta, situado na Avenida Borges de Medeiros, teve um dos seus quartos revistados pela equipe da Polícia Civil que é liderada pelo delegado Marco Antônio Duarte de Souza. Os agentes buscavam dois moradores que não se encontravam no quarto e que, da mesma maneira, também serão chamados para prestar depoimento nos próximos dias. Pouco depois, a Secretaria de Segurança Pública do governo do Rio Grande do Sul convocou uma entrevista coletiva para comentar a operação de hoje com a imprensa.
“Esta polícia não será polícia política”, afirma Ranolfo Vieira Jr.
Na sede da secretaria, os delegados Ranolfo Vieira Jr., chefe da Polícia Civil, e Marco Duarte de Souza, responsável pela investigação dos atos de depredação nas manifestações, comentaram a operação de hoje. Segundo Ranolfo, “as ações desta terça-feira se originaram no final de junho, quando o Tribunal de Justiça foi quebrado pela segunda vez nos protestos”. Desde então, a polícia gaúcha busca identificar os responsáveis pelas “ações violentas que têm ocorrido nos protestos”.
Marco confirmou que até sete mandados foram postos em prática no dia de hoje e que, ao longo do tempo, a investigação encontrou “provas robustas” contra as pessoas que estariam envolvidas. O delegado negou que a polícia tenha apreendido material de divulgação e conteúdo político — quanto aos lugares escolhidos para cumprir os mandados, disse que são locais que podem servir “para que os autores dos atos se reunissem antes das manifestações”.
O secretário de Segurança Pública, Airton Michels, afirmou na sua colocação que “a Justiça legitimou a operação policial”, já que chancelou a emissão dos mandados que permitiram as buscas. Ranolfo, por sua vez, negou qualquer motivação política na operação: “quem diz que a polícia é política, tem que dizer o mesmo da Justiça e também do Ministério Público”, disse.
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Para o secretário Airton Michels, “existe um grupo violento
que se infiltra nas manifestações” | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Após as manifestações da cúpula da Segurança Pública, o governador Tarso Genro (PT) se manifestou através de um vídeo. Tarso afirmou que pretende se reunir com os presidentes de PSOL e PSTU para esclarecer a situação. “A finalidade desta atitude do governo é deixar claro que não compactuamos com qualquer tipo de perseguição política ou mesmo de resposta política a agressões que o governo tenha sofrido a partir de determinados atos criminosos, que, na nossa opinião, não são realizados por militantes políticos”, afirmou.
O governador, no entanto, garantiu que “o delegado que fez o inquérito agiu dentro do Estado de direito, segundo todas as normas processuais e inquisitoriais que regulam este assunto”.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Catedral, museu e agências são depredadas em protesto


Manifestação contra governo Tarso reuniu cerca de 200 pessoas em Porto Alegre
Protesto ocorreu nesta quinta-feira
Crédito: Samuel Maciel
Manifestantes encapuzados quebraram, no início da noite desta quinta-feira, uma agência do Banco do Brasil e uma do Itaú, no Centro de Porto Alegre. Metade dos ativistas protestou com o rosto coberto com touca ninja, de acordo com o relato visual da reportagem da Rádio Guaíba. Sob escolta da Brigada Militar e Batalhão de Choque, o grupo deixou a Prefeitura e, ao passar pelo condomínio onde mora o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, queimou um boneco e parte do tapume que protegia o prédio, na rua Jerônimo Coelho.

Os participantes protestaram em frente ao Palácio Piratini e alguns integrantes atiraram pedras contra a Catedral Metropolitana, quebrando algumas vidraças. O grupo também queimou as bandeiras que ficam junto ao Museu Júlio de Castilhos, na rua Duque de Caxias, além de destruírem vidros do prédio. Na avenida Borges de Medeiros, também foi depredado parte dos vidros da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE).

O Bloco de Luta pelo Transporte Público convocou o protesto. Segundo a página do grupo na rede social Facebook, o ato é para lembrar os 1.000 dias do governo Tarso Genro, classificado pelo movimento como “um governo de conciliação de classe, que ataca os direitos dos trabalhadores”. 

domingo, 7 de julho de 2013

Governador Tarso Genro garante apoio do Estado à reconstrução do Mercado Público

Ainda que a RBS tenha protagonizado o castatrofismo e decidido que a responsabilidade pelo incêndio do Mercado Público foi do Corpo de Bombeiros e, em consequência, do Governo do Estado, a reconstrução/restauração da parte destruída do mercado (menos de 30%, pelo que estamos sabendo) ficará a cargo do Governo do Estado e do Governo Federal. Fortunati já foi correndo pedir dinheiro para os outros. Melhor assim. Se deixar por conta do Governo Fortunati, ele entrega para uma empresa qualquer.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Secretários do Meio Ambiente são presos em operação da Polícia Federal

Os indiciados são alvo da Operação Concutare, que, de acordo com nota divulgada pela PF, tem o objetivo de reprimir crimes ambientais, crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro | Foto: ABr

Da Redação, Sul21
O secretário do Meio Ambiente do Estado, Carlos Niedersberg, o secretário municipal do Meio Ambiente, Luiz Fernando Záchia, e o ex-secretário do Meio Ambiente, Berfran Rosado foram presos na madrugada desta segunda-feira (29) em uma operação da Polícia Federal.
Eles são alvo da Operação Concutare, que, de acordo com nota divulgada pela PF, tem o objetivo de reprimir crimes ambientais, crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro. A operação está cumprindo 29 mandados de busca e apreensão e de prisão temporária expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Até o momento, 16 pessoas já foram presas.
Segundo a PF, os indiciados – um grupo criminoso formado por servidores públicos, consultores ambientais e empresários – atuam na obtenção e na expedição de concessões ilegais de licenças ambientais e autorizações minerais junto aos órgãos de controle ambiental.
Conforme a nota, os investigados serão indiciados por corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, crimes ambientais e lavagem de dinheiro. O nome de todos os presos será divulgada ainda na manhã desta segunda-feira.
As ordens judiciais estão sendo cumpridas nas cidades de Porto Alegre, Taquara, Canoas, Pelotas, Caxias do Sul, Caçapava do Sul, Santa Cruz do Sul, São Luiz Gonzaga, no Rio Grande do Sul, e em Florianópolis, em Santa Catarina.
Em Tel Aviv, o governador Tarso Genro anunciou o afastamento do secretário Carlos Niedersberg. O prefeito José Fortunati também afastou temporariamente o secretário Záchia.
Leia na íntegra a nota divulgada pela Polícia Federal sobre a operação Concutare:
“Porto Alegre/RS – A Polícia Federal deflagrou na manhã de hoje, 29 de abril, a Operação Concutare, com o objetivo de reprimir crimes ambientais, crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro.
A operação iniciou em junho de 2012 e identificou um grupo criminoso formado por servidores públicos, consultores ambientais e empresários. Os investigados atuam na obtenção e na expedição de concessões ilegais de licenças ambientais e autorizações minerais junto aos órgãos de controle ambiental.
Cerca de 150 policiais federais participam da Operação para executar 29 mandados de busca e apreensão e de prisão temporária expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. As ordens judiciais estão sendo cumpridas nos municípios de Porto Alegre, Taquara, Canoas, Pelotas, Caxias do Sul, Caçapava do Sul, Santa Cruz do Sul, São Luiz Gonzaga, no Rio Grande do Sul, e em Florianópolis, Santa Catarina.
A operação foi denominada Concutare, termo com origem no latim, que significa concussão. Os investigados serão indiciados por corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, crimes ambientais e lavagem de dinheiro, conforme a participação individual de cada envolvido.
As investigações foram conduzidas pela Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente e ao Patrimônio Histórico (DELEMAPH) e pela Unidade de Desvios de Recursos Públicos da Polícia Federal no Rio Grande do Sul”.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Novo comandante da Brigada defende uma “polícia para sociedade democrática”

Foto: Ramiro Furquim/Sul21


Samir Oliveira, em Sul21
O novo comandante-geral da Brigada Militar (BM) no Rio Grande do Sul, coronel Fábio Duarte Fernandes, entende que é preciso “fazer uma transposição para a polícia da sociedade democrática”. À frente da instituição desde o dia 1 de fevereiro, ele defende que a BM conduza atuações comunitárias, sendo o elo entre cidadãos e instituições para a resolução de conflitos. “A política tem que trabalhar na mediação dos conflitos sociais e na diminuição da resolução desses conflitos através da violência”, avalia.
Nesta entrevista ao Sul21, o coronel fala sobre seus projetos para a instituição e avalia a atuação da Brigada em protestos e mobilizações sociais. Para o comandante, os policiais não podem impedir que a população filme suas ações e, durante os protestos, devem procurar dialogar com os manifestantes e propor conciliações com o poder público.
Fábio Fernandes considera que a formação dos policiais já passou por algumas mudanças, mas ainda precisa ser aprimorada, incluindo conteúdos relacionados a Direitos Humanos, Sociologia e Antropologia. “Se não tivermos uma formação adequada, ética e moralmente capaz de inibir qualquer processo violento, não teremos condições de fazer a transição para a polícia da sociedade democrática”, defende.
Natural de Pelotas e morador de Porto Alegre há mais de 40 anos, Fábio Fernandes ingressou na corporação em 1982. Possui passagens pelo batalhão de choque e pelo Corpo de Bombeiros, onde chegou a comandar os regimentos da Fronteira Oeste. Foi coordenador da Guarda Municipal de Porto Alegre durante mais de um ano. É formado em Direito pela UniRitter, com especialização em Segurança Pública e mestrado em Sociologia pela UFRGS. Filiado ao PT e ligado à corrente Democracia Socialista (DS), coordena o núcleo de Segurança do partido no Rio Grande do Sul.
“Não queremos a ideia de que a violência e a criminalidade se reduzem com outras ações de violência protagonizadas pela polícia”
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Sul21 – Quais são os projetos e planos para a corporação?
Fábio – Nosso maior desafio é fazer uma transposição da atual situação da polícia para a polícia da sociedade democrática. É uma polícia forte, que respeite os direitos e as garantias individuais dos cidadãos, que consiga, de uma maneira democrática, compreender o cenário social no qual está envolvida. A capilaridade da Brigada atinge todos os rincões do estado e todas as camadas sociais. O desafio é trazer essa nova percepção da polícia comunitária à instituição, buscando uma ostensividade maior e a construção de uma cidadania plena, para que as pessoas possam viver melhor, com mais segurança e sociedade. A polícia tem que ajudar na construção de uma política de paz social. A política tem que trabalhar na mediação dos conflitos sociais e na diminuição da resolução desses conflitos através da violência.
Sul21 – Como está a implantação do policiamento comunitário?
Fábio – Temos uma determinação do governo no sentido de ampliar a participação da Brigada nos territórios de paz. Hoje são dez no estado. Alguns concentram cerca de 60% dos índices de violência e criminalidade das cidades. Precisamos interagir com essas comunidades para reduzir a violência. A polícia comunitária tem um perfil diferenciado: o policial é visto como um cidadão de paz, não de guerra. Não queremos a ideia de que a violência e a criminalidade se reduzem com outras ações de violência protagonizadas pela polícia. Queremos que o policial seja uma referência para uma comunidade, que ela possa confiar na policia e ver nela uma visão de agente da cidadania e da paz social.
Sul21 – Como funciona um território da paz? Fábio – Temos as relações com as comunidades. É importante que a polícia propicie liberdade de trânsito nos territórios. As relações entre a polícia e as lideranças comunitárias são muito importantes. As políticas públicas do estado devem chegar aos territórios pacificados e a polícia é uma referência para propiciar isso. (Em Porto Alegre, os territórios da paz estão nos bairros Santa Teresa, Rubem Berta, Lomba do Pinheiro e Restinga. No RS, nos municípios de Caxias do Sul, Canoas, Vacaria, Passo Fundo e Rio Grande, com instalação ainda em andamento). A polícia precisa propiciar segurança para que os serviços públicos se instalem nesses territórios, em questões como meio ambiente, pontos de cultura, teatro. Através da relação comunitária, a polícia se espraia de uma maneira mais eficiente.
“Na polícia comunitária, o policial é a referência do cidadão, é um agente da paz capaz de auxiliar na resolução de conflitos interpessoais”
Sul21 – Como esses territórios estão estruturados? Fábio – Hoje temos um limitador de veículos e pessoal alocados nesses territórios. No final de abril, estaremos formando cerca de dois mil policiais para todo o estado e aportaremos efetivos nesse processo. Já pedimos ao grupo que coordena os territórios da paz a construção de bases comunitárias dentro dos locais para que possamos ter essa referência. Temos que trabalhar também com as relações intra-familiares. Vamos ampliar as patrulhas sobre a Lei Maria da Penha. Inicialmente, será uma para cada território. Na polícia comunitária, o policial é a referência do cidadão, é um agente da paz capaz de auxiliar na resolução de conflitos interpessoais.
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Sul21 – Como solucionar o déficit no efetivo da Brigada Militar?
Fábio – Até o início de 2011, a evasão era de mil policiais por ano na instituição, devido a aposentadorias, mortes, troca de profissão, etc. A maioria se aposenta e permanece na folha de pagamento. Esse índice foi reduzido, hoje está em torno de 700 policiais. Nossa proposta é ingressar cerca de mil novos policiais por ano. Estamos formando mais de 2 mil policiais e temos uma proposta de realizar concurso para contratar mais 2 mil. O que precisamos fazer é criar mecanismos de gestão, tanto operacionais quanto administrativos, para minimizar a necessidade de recursos humanos. O serviço da polícia é extremamente interpessoal. Temos a expectativa de reduzir o quadro de servidores militares que realiza tarefas administrativas. Muitas delas podem ser realizadas por servidores civis.


Sul21 – Qual é, hoje, o efetivo da Brigada? Fábio – Temos um efetivo de 23 mil homens na ativa. Uma previsão legal é de 33 mil, mas esse patamar nunca foi atingido. A sociedade precisa fazer algumas reflexões sobre esse tema. Por exemplo, a cidade de Rio Grande está recebendo muitos trabalhadores de fora do estado em função do progresso da região. As empresas precisam adotar uma política de assistência social a essas pessoas, que vêm de lugares distantes e se afastam de suas famílias. A tendência de essa pessoa ingressar em um processo depressivo e utilizar álcool e drogas é muito grande. Se as empresas não derem atenção à saúde mental de seus funcionários, os problemas irão cair no colo da polícia.
Sul21 – É muito comum alguns setores da sociedade associarem a noção de segurança pública à presença de policiais nas ruas. Esse raciocínio é correto? Fábio – Temos que trabalhar de uma maneira científica. Existem cidades no mundo que não possuem polícia, são totalmente vigiadas por câmeras e as pessoas se sentem seguras. A presença do policial propicia uma sensação de segurança, mas se tivermos mecanismos de gestão para dar eficiência ao atendimento das ocorrências, não fará diferença se tiver um ou mil policiais. É importante a presença física e visual do policia.
“A Brigada é a única do país que se divide entre nível médio e de nível superior. Talvez tenhamos que fazer readequações na carreira”
Sul21 – A carreira de policial é atrativa? Fábio – O último concurso teve 22 mil inscritos e 2,5 mil aprovados. O atual governo apresentou uma proposta de 104% de reajuste em quatro anos. Dentro da conjuntura financeira do estado, foi um passo importante. E precisamos fazer o debate sobre as adequações da carreira. A Brigada é a única do país que se divide entre carreira de nível médio e de nível superior. No nível médio, o ingresso ocorre como soldado e vai até o nível de tenente. E no nível superior, ingressa-se como capitão e se evolui até a patente de coronel. Talvez tenhamos que fazer algumas readequações na carreira de nível médio.
Sul21 – Quais? Fábio – Existe um debate em torno da formação, questiona-se se o policial ingressa na categoria com formação média ou superior. Na minha opinião, é preciso fazer pesquisas científicas para determinar essa possibilidade. No último concurso, dos 2,5 mil aprovados, 160 tinham curso superior. É um debate que temos que fazer dentro da instituição e que vai resultar em adequações na estrutura da carreira.
Foto: Ramiro Furquim/Sul21


Sul21 – Como o senhor avalia a formação proporcionada pela academia de polícia? Fábio – O policial talvez seja o único profissional que pode atuar de forma isolada e que porta armas. Se não tivermos uma formação adequada, ética e moralmente capaz de inibir qualquer processo violento, não teremos condições de fazer a transição para a polícia da sociedade democrática. O curso tem em torno de oito meses. A Brigada tem uma boa formação, mas temos que pontuá-la mais na área das ciências humanas, com Sociologia e Antropologia e Psicologia. O policial tem um universo de atuação menos positivista e mais social. Existem algumas adequações que precisamos fazer. Pela legislação, o oficial precisa ser bacharel em Direito. Sou professor na academia e propus desafio aos tenentes-coronéis que são meus alunos, perguntando a eles qual a importância da participação da universidade na formação policial. É um debate importante. Hoje, a Brigada qualifica seus recursos humanos, tem autonomia para fazer isso. Numa vinculação com universidades, não sei com funcionaria.
“O policial não tem inimigo, tem um cidadão em desvio de conduta. Não precisa ser abatido, morto, violentado ou agredido”
Sul21 – A formação mudou bastante desde que o senhor ingressou na polícia? Fábio – Sim. Ingressei em 1982, quando ainda não existia a Constituição de 1988 e o país vinha em uma situação de ditadura. As disciplinas eram mais vinculadas a questões militares, naquela ideia de eficiência que vêm das Forças Armadas, que relaciona a eficiência da ação com a morte do inimigo. O policial não tem inimigo, tem um cidadão em desvio de conduta. Não é um inimigo da sociedade, não precisa ser abatido, morto, violentado ou agredido para que se demonstre eficiência. Pelo contrário, quando mais o policial respeitar os direitos e garantias do cidadão, mais forte ele será, em termos de instituição. A educação policial mudou e queremos mudá-la cada vez mais. Os direitos humanos estão no currículo da formação, mas precisamos avançar muito. Não estou dizendo que a Brigada seja a plena respeitadora dos direitos humanos, mas, talvez, dentre as policiais do país, seja uma das que mais dialoga com essa questão.


Sul21 – As mudanças de governo interferem na linha da formação policial? Fábio – Há momentos em que o governo tende para um lado ou para outro e isso afeta a formação. Precisamos compreender isso. A qualidade da Brigada é conseguir promover ciclos de formação nos quais as adequações são mantidas e a linha-mestra se mantém como uma coluna vertebral. Isso dita o perfil da instituição para a sociedade.
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Sul21 – Como o senhor avalia a atuação da Brigada Militar em protestos? Recentemente, no caso do Tatu Bola, houve uma repressão bastante grande e diversos casos de violência policial foram registrados. Fábio – De uma maneira geral, no último período, a Brigada tem demonstrado muita sabedoria. Entendemos o movimento social como algo legítimo. Temos que garantir que as pessoas possam se manifestar em segurança. A proposta da instituição é de dialogar com os movimentos e trabalhar com eles as limitações e respeitos e garantias de pessoas ligadas a protestos ou contrárias a eles. Estamos apurando o caso do Tatu Bola, ainda não temos o resultado do inquérito policial. É importante que a sociedade faça reflexões sobre esse episódio.
“Quando os manifestantes se dirigem ao Tatu Bola, não é o mascote que estão atingindo, é o símbolo que ele representa. Precisamos compreender isso”
Sul21 – Que reflexões? Fábio – A segurança pública não conseguiu identificar uma liderança específica deste movimento. Quando há lideranças, fica mais fácil de se trabalhar. Mas naquele episódio não havia uma liderança plenamente identificada. Isso prejudicou a relação da polícia com o movimento. E eles esperaram mais de 11 horas pelo atendimento do governante. É importante que o gestor público receba os movimentos e ouça as pessoas que se manifestam e querem chegar a algum denominador comum. É importante que a polícia também faça essa leitura e consiga mediar, induzindo o gestor a receber os manifestantes. Isso distensiona as relações e estabelece uma dimensão equilibrada entre as partes.
Sul21 – Isso já acontece na prática? Fábio - Não é de graça que há mais de dois anos a polícia não tem nenhum conflito com os sem-terra no Rio Grande do Sul. E o MST consegue buscar suas reivindicações, sendo contemplado ou não em suas demandas. Isso faz parte da proposta de uma polícia para uma sociedade democrática. Temos que utilizar o poder conferido pela sociedade à polícia para promover a construção entre gestores públicos e movimentos, evitando fatos como os do Tatu Bola. Não é gratificante para a instituição se envolver em um episódio desses. Não é isso que queremos. Queremos que governantes, movimento social e polícia possam dialogar e construir soluções de maneira harmônica. O papel da polícia é dar condições para que se construa o diálogo entre os agentes em conflito. Por isso, a educação policial é fundamental. Por vezes, quem tem que desempenhar esse papel é o soldado e, para ele, pode ser muito pesado fazer essa mediação.


Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Sul21 – O que a instituição pode tirar de lição a partir do episódio do Tatu Bola? Há registros de agressões, inclusive verbais, e de ameaças feitas por policiais a manifestantes.
Fábio – O não recebimento do movimento pelos gestores gerou instabilidade. Quando os manifestantes se dirigem ao Tatu Bola, não é o mascote que estão atingindo, é o símbolo que ele representa. Precisamos compreender isso. Se o coordenador daquela operação tivesse solicitado ao prefeito que dialogasse com o movimento, talvez esse episódio todo não tivesse acontecido.
Sul21 – Neste episódio, mas também em muitos outros, os policiais agrediram quem estava filmando a ação e tentaram impedir registros fotográficos ou imagens. Qual a orientação para a tropa diante de uma situação em que o brigadiano está sendo filmado em sua abordagem? Fábio - O que foi veiculado nas redes sociais só foi possível porque estamos no século 21. Em outros tempos, talvez a polícia surrupiasse essas informações e reprimisse sua propagação. Que bom que hoje isso não é mais possível. É uma questão de controle social e integra um processo novo na sociedade, onde a polícia não pode mais buscar esconder isso das pessoas. Queremos nos debruçar sobre o caso do Tatu Bola e tirar dele os ensinamenots mais adequados para a instituição.
“O cidadão tem o direito de filmar a ação da polícia, não há problema nisso. Nós, policiais, temos que estar preparados para isso”
Sul21 – Para a corporação, é positivo ou negativo permitir a filmagem de abordagens policiais? Fábio - Quando se está fazendo a filmagem de uma ocorrência, se está revelando circunstâncias que, às vezes, as próprias pessoas abordadas não gostariam que fossem reveladas. É uma divisão difusa entre direitos e deveres, direitos e garantias. O cidadão tem o direito de filmar a ação da polícia, não há problema nisso. Nós, policiais, temos que estar preparados para isso. Entretanto, o cidadão que está sendo abordado pela ação também tem o direito de não se deixar filmar. É preciso mensurar isso. A filmagem pode ser boa para a polícia, mas não sei se é boa para o cidadão envolvido na ação. Como fica a privacidade dele? Não é o caso do Tatu Bola, por exemplo. Mas a polícia não pode se sentir ameaça porque alguem a está filmando. A polícia precisa respeitar os limites sociais para que possa exercer o poder de coerção e fiscalização que a sociedade lhe impõe. O cidadão poderá filmar uma ação e o policial precisa estar preparado para isso. É uma mudança cultural difícil de se realizar. É um desafio que temos que implementar, até para dar segurança ao servidor, orientando que aquele ato que o cidadão está praticando, a filmagem, não é algo que vá prejudicar sua carreira ou ser utilizado de forma sorrateira e incompreensível.
Sul21 – Um caso que foi filmado e gerou bastante repercussão foi o do policial que baleou um cidadão no Trensurb. O sujeito estava com uma faca na mão. Fábio - Não sei o que gerou instabilidade no policial para que ele agisse daquela forma. A priori, parece que ele exacerbou na ação. Mas eu não sei o que pode ter deflagrado aquele processo. Ele pode ter se sentido acuado. Não acredito que tenha atirado naquela pessoa por iniciativa própria, deve ter se sentido acuado e reagido. Talvez a reação tenha sido desproporcional. Precisamos preparar melhor os policiais, em termos de formação e capacitação, para que possamos atingir patamares em que a polícia seja capaz de dar uma resposta eficaz em casos como esse.
Sul21 – Qual a importância da corregedoria da Brigada para que se coíbam as más condutas na polícia? Fábio - A corregedoria, assim como a educação policial e a gestão, é fundamental. A corregedoria tem um papel importante ao não acobertar as condutas. Temos o maior interesse em que as pessoas relatem o que elas consideram um desvio de conduta ou abuso de poder. Temos inúmeros sistemas de disque-denúncia que preservam as pessoas. Nossa idéia é implementar ações capazes de prevenir a violência policial, a corrupção e o tratamento nas relações. Pretendemos trabalhar em conjunto com a Ouvidoria de Segurança Pública e com a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. Já recebemos o deputado Jeferson Fernandes (PT), presidente da comissão, e dissemos que ele possui plena liberdade para nos trazer denúncias.
 Foto: Ramiro Furquim/Sul21


Sul21 – Existe um projeto do ex-deputado Marcos Rolim para a criação de uma corregedoria única para a área da segurança pública, formada por servidores de carreira, não militares, que cuidaria de denúncias da Brigada Militar, da Susepe e da Polícia Civil. Na avaliação dele, isso afastaria a possibilidade de corporativismo no julgamento de casos que, hoje, são apreciados pelas próprias categorias. Fábio - Conheço a proposta do Marcos Rolim, acho que é uma construção plenamente viável. É um debate institucional importante.
“Podemos até ser a favor (da legalização da maconha), desde que haja controle sobre a produção”
Sul21 – Como o senhor avalia a atuação do Corpo de Bombeiros no episódio envolvendo o licenciamento e a fiscalização da boate Kiss, em Santa Maria? Fábio - Nos deslocamos até a cidade imediatamente após tomar conhecimento desse episódio. Todo o aparato dos governos estadual e federal foram colocados à disposição. Temos um coronel apurando todos os problemas que aconteceram e solicitei que o comandante do Corpo de Bombeiros realize uma reunião com os 12 comandos regionais do estado para que se formule uma minuta com alterações que devemos propor nas leis, tratando de adequações e inspeções nos locais. Foi um episódio lamentável, ninguém queria que tivesse acontecido. Precisamos rever posicionamentos e condutas, principalmente no processo legislativo. Tudo o que foi feito pelos bombeiros, até onde eu tenho conhecimento, estava previsto na legislação. Há algumas expressões nas leis, como “preferencialmente”, por exemplo, que colocam a pessoa que executa a fiscalização em uma situação difícil. É isso que precisamos esclarecer e aprimorar.


 Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Sul21 – Como o senhor avalia a eficácia da atuação policial no combate ao tráfico de drogas? É o maior motivo da superlotação das prisões, mas seria mesmo um problema para a polícia resolver?
Fábio - Grande parte dos presos são vinculados ao tráfico. Existe um esforço do atual secretário de Segurança (Airton Michels) para que a polícia seja cirúrgica nesta questão. Não adianta enclausurarmos o pequeno traficante ou o usuário de drogas. É óbvio que temos problemas envolvendo o tráfico que resultam em insegurança pública. Há uma rede de consequências posta diante do uso das drogas. Mas precisamos de políticas públicas que solucionem essas questões. A solução passa mais pela saúde pública do que pela polícia. A polícia não tem a solução para esse problema, tem apenas atuado para minorar os efeitos. A droga é uma questão de saúde pública, não de segurança pública, exceto em relação ao tráfico, principalmente quando envolve a investigação das fronteiras.
Sul21 – A legalização da maconha ajudaria na resolução do problema? Fábio - Podemos até ser a favor, desde que haja controle sobre a produção. Se não houver controle, não existe sistema de saúde ou segurança que dê conta. Na minha opinião, até podemos liberar. Mas não tenho opinião sobre isso, sou um executor, não um legislador. Se esse debate vier para a pauta, é preciso agregar a ele o tema do controle da produção.