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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Para Fortunati, greve é um acordo entre categoria e empresas de transporte


Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Da Redação, Sul21
O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, disse ter certeza que a greve dos rodoviários trata-se de um locaute  – combinação entre empresa e categoria — para forçar pressionar o aumento das tarifas.
A declaração foi feita em coletiva concedida nesta terça-feira (28). Fortunati chegou a esta conclusão depois de uma conversa com o presidente do Sindicato das Empresas de Ônibus de Porto Alegre (Seopa), Luiz Mário Magalhães Sá.
“É uma greve combinada entre empresários e rodoviários, tive certeza agora ao ouvir representante da ATP”, avaliou.
Apesar de não possuir provas quanto do acerto entre as partes, Fortunati disse ter se surpreendido com a greve e que nunca viu tanta dificuldade em colocar a frota de ônibus em circulação na cidade.
A categoria quer um reajuste de 14%. As empresas ofereceram um repasse de 5,56%.
Para Fortunati, empresas estão tendo má vontade política
Ainda durante a entrevista, Fortunati foi categórico ao afirmar que se não há renovação de frota a falta de negociação entre patronal e categoria para por fim à greve é “má vontade política”.
Ele lembrou que a redução da tarifa para R$ 2,80 ocorreu porque houve isenção de encargos trabalhistas e de impostos, sem que houvesse prejuízo nos itens das planilhas.
Fortunati disse ser um absurdo ter apenas 30% da frota circulando pelas ruas de Porto Alegre. A Prefeitura ingressou com ação na Justiça para que as empresas e rodoviários coloquem 50% da frota na rua nos horário normais e 70% no horário de pico.
Confira os eixos que são atendidos durante a greve:
Carris (100 veículos)
Linhas que vão circular: T1; T2, T2A; T3; T4; T5; T6; T7; T8; T9; T11; 343 – Campus Ipiranga
Avenidas que vão atender: como são linhas transversais, atenderão a diversas vias das zonas Leste, Norte e Sul.
Conorte (116 veículos)
Linhas que vão circular: 662 – Rubem Berta; 661 – Jardim Leopoldina; 656 – Passo das Pedras; 637 – Chácara das Pedras; 704 – Humaitá; 718 – Ilha da Pintada; 631 – Parque dos Maias; 621 – Nova Gleba; 613 – Elisabeth; TR62 – Troncal Baltazar; 520 – Triângulo/24 de Outubro; 624 – São Borja; 632 – Fátima; B51 – Parque/Postão
Avenidas que vão atender: Assis Brasil, Baltazar de Oliveira Garcia, Manoel Elias, Aj Renner, Ilhas, Plínio Brasil Milano, Cristovão Colombo, Benjamin Constant, Farrapos
Unibus (95 veículos)
Linhas que vão circular: 398 – Pinheiro; 398.2 – Pinheiro/Azenha; 441 – Antônio de Carvalho; 341 – Bento/ Antônio de Carvalho; 491 – Passo Dorneles/Safira; 494 – Rubem Berta/Protásio;
Avenidas que vão atender: Bento Gonçalves, Protásio Alves, Antônio de Carvalho e João de Oliveira Remião, João Pessoa, Azenha
STS (125 veículos)
Linhas que vão circular: 165 – Cohab; 171 – Ponta Grossa; 173 – Camaquã; 184 – Juca Batista; 188 – Assunção; 209 – Restinga; 210 – Restinga Nova; 211 – Restinga Velha; 267 – Lami; 268 – Belém Novo; 314.1 – Restinga/Puc/3ª Perimetral; 260 – Belém Velho/Oscar Pereira; 284.3 – Belém Velho/Rincão/Azenha; 289 – Rincão/Oscar Pereira

Avenidas que vão atender: Edgar Pires de Castro, Juca Batista, Serraria; Cavalhada, Cel. Marcos, Wenceslau Escobar, Oscar Pereira, Borges de Medeiros, João Pessoa, Azenha

sábado, 28 de dezembro de 2013

Artistas protestam contra perda de sala no Atelier Livre de Porto Alegre

Secretaria Municipal da Cultura quer dar outro uso a laboratório de artes visuais

Artistas protestam contra perda de sala no Atelier Livre de Porto Alegre Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Abrigado no Centro Municipal de Cultura, o Atelier Livre é um lugar para experimentações artísticasFoto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
A perda de uma sala destinada a experimentações artísticas no Centro Municipal de Cultura, ainda que temporária, gera protestos de integrantes do Atelier Livre de Porto Alegre.
A destinação da área que funciona como laboratório de artes visuais do ateliê para abrigar uma central telefônica levou a manifestações contrárias de professores e alunos da entidade em e-mails e redes sociais por considerarem a medida uma perda estrutural e de prestígio.
O Atelier Livre é uma escola de arte da prefeitura que oferece cursos práticos, teóricos e realiza atividades como exposições e palestras em diversas salas do centro cultural. A transferência do setor de telefonia para uma delas, chamada Sala X e utilizada por artistas para criar e expor trabalhos desde 2007, tem como objetivo liberar espaço para a coordenação de dança do município, localizada no mesmo prédio. A central seria deslocada para lá em março e permaneceria nesse local pelo período de construção de um anexo no centro de cultura. Depois dessa obra, em um período que pode levar entre seis meses e um ano, seria possível reabrir o laboratório.
– Não queremos perder a sala porque ela contribui para o trabalho didático do ateliê, e muitas vezes o que é temporário se estende – declara a professora Ana Luz Pettini.
Na quinta-feira, a diretora do Atelier Livre, Eleonora Fabre, chegou a informar que a reconfiguração havia sido suspensa. Porém, na manhã de sexta, foi chamada à Secretaria Municipal da Cultura e avisada de que a sala deverá ser destinada à telefonia. A decisão tem sido interpretada por alunos e professores como um desprestígio ao setor de artes visuais.
– Sou obrigada a acatar as determinações da secretaria. Mas não se trata apenas da perda de um lugar físico, e sim de um espaço institucional do ateliê – sustenta Eleonora.
O secretário-adjunto da Cultura, Vinícius Cáurio, afirma que está disposto a discutir o assunto. Mas afirma que, hoje, a transferência temporária é a melhor saída para aumentar a área dedicada à dança.
– As diferentes coordenações da secretaria são coirmãs, e a dança é uma área que está crescendo muito na cidade e tem necessidade de mais espaço para garantir a qualidade do serviço. A mudança é temporária – sustenta Cáurio.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A cidade ruindo: retrato da administração Fortunati

Buraco na Rua Doutor Timóteo, em Porto Alegre, deixa o trânsito em duas pistas

Buraco na Rua Doutor Timóteo, em Porto Alegre, deixa o trânsito em duas pistas  Eduardo Rosa/Agencia RBS

Departamento de Esgotos Pluviais fez uma vistoria na terça e deve realizar o conserto na quarta

Buraco fica próximo à Rua Marquês do HervalFoto: Eduardo Rosa / Agencia RBS

Um buraco se abriu na faixa da esquerda da Rua Doutor Timóteo, próximo à esquina da Rua Marquês do Herval, em Porto Alegre, na tarde desta terça-feira. Devido ao buraco, de aproximadamente um metro de circunferência, o trânsito ficou em duas pistas na área.
A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) orienta os motoristas a evitarem a região devido à possibilidade de congestionamento. A Rua Ramiro Barcelos representa a melhor alternativa para o deslocamento. O buraco, no bairro Moinhos de Vento, foi sinalizado com cavaletes e balizador pela EPTC.
Na tarde desta terça-feira, o Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) fez uma vistoria. Na manhã de quarta-feira, os servidores do órgão voltam ao local para arrumar o asfalto e verificar o que provocou o afundamento — relato de pessoas que passavam nas proximidades dá conta de que, com o peso de um automóvel, o buraco se abriu.
No final do mês passado, uma cratera se abriu na mesma rua, causando transtornos no trânsito. O diretor-geral do DEP, Tarso Boelter, explicou na época que asfalto cedeu após o rompimento de tubos que fazem parte do Conduto Álvaro Chaves. Conforme Boelter, as fortes chuvas que caíram na Capital em outubro fizeram grande pressão sobre os tubos do conduto, que são unidos por anéis. Estes teriam rompido, causando o vazamento de água e, consequentemente, o buraco.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Porto Alegre lidera ranking de água contaminada entre 20 capitais

Estudo elaborado pela Unicamp avaliou água de mananciais e água tratada.
Pesquisa encontrou grande presença de 'interferentes endócrinos'.

A qualidade da água distribuída aos moradores de Porto Alegre é a pior entre 20 capitais brasileiras, segundo uma pesquisa elaborada pelo Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), de São Paulo. Divulgado na segunda-feira (23), o estudo coloca a capital gaúcha no topo do ranking, à frente de metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Mesmo assim, ainda é considerada potável e atende os requisitos do Ministério da Saúde.
A pesquisa indica que a água que sai da torneira dos porto-alegrenses possui grande concentração de “interferentes endócrinos”, substâncias que afetam o sistema hormonal de seres vivos, podendo causas sérios danos à saúde, alertam os pesquisadores. Consideradas como “contaminantes emergentes”, aparecem em controles de qualidade, mas não existem portarias ou leis que impeçam o consumo. Porém, se consumidas em larga escala e por longo prazo, podem causar diversas doenças, como diabetes, obesidade e câncer.
·          
Ranking
Capital
Cafeína média (ng/l)
Porto Alegre
2257
Campo Grande
900
Cuiabá
222
Belo Horizonte
206
Vitória
196
A Unicamp coletou amostras de mananciais e de água tratada. O nível de cafeína foi usado como indicador da presença de contaminantes que têm ação estrógena, um efeito semelhante ao do hormônio feminino. Porto Alegre aparece com 2.257 nanogramas de cafeína por litro, bem próximo ao máximo recomendado (2.769 ng/l). O mínimo, segundo a pesquisa, é de 1.342 ng/l. Campo Grande é a segunda colocada, com 900 ng/l, seguida de Cuiabá, Belo Horizonte e Vitória (veja o quadro ao lado).
“A cafeína presente na água é quase toda excretada pela atividade humana. É uma droga muito consumida. A gente consome muito, seja junto a medicamentos, refrigerantes, energéticos”, afirmou o pesquisador Wilson Jardim, que liderou a pesquisa, ao site da Unicamp.
Jardim ressaltou que em mananciais europeus, por exemplo, é difícil encontrar níveis de cafeína acima de 20 ng/l. “Em termos de contaminantes emergentes, no Brasil, bebemos água com qualidade comparável à da água não tratada lá de fora”, comparou.
A avaliação de Jardim é que a qualidade da água no Brasil ainda precisa melhorar muito, principalmente em questões reguladoras. “A portaria 2914 do Ministério da Saúde, que normatiza a qualidade da água potável, é muito estática, e a nossa vida é dinâmica, nossa sociedade é dinâmica. A cada ano, são mais de mil novos componentes registrados”.

domingo, 7 de julho de 2013

Governador Tarso Genro garante apoio do Estado à reconstrução do Mercado Público

Ainda que a RBS tenha protagonizado o castatrofismo e decidido que a responsabilidade pelo incêndio do Mercado Público foi do Corpo de Bombeiros e, em consequência, do Governo do Estado, a reconstrução/restauração da parte destruída do mercado (menos de 30%, pelo que estamos sabendo) ficará a cargo do Governo do Estado e do Governo Federal. Fortunati já foi correndo pedir dinheiro para os outros. Melhor assim. Se deixar por conta do Governo Fortunati, ele entrega para uma empresa qualquer.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Estrepolias na Procempa

Paulo Muzzel
Finalmente a chamada “grande imprensa“ local acordou após uma longa letargia. Estava praticamente “alheia” a uma verdadeira “chuva” de denúncias de irregularidades que vêm sistematicamente ocorrendo no governo Fo-Fo (Fogaça-Fortunati) desde 2005.
Em praticamente todos os órgãos da administração tivemos problemas muito graves. Na Secretaria da Saúde um grande contrato de serviços de vigilância, suspeita-se, tenha sido a causa da “execução” do ex-secretário Eliseu Santos. No DMLU o diretor-geral no primeiro ano de governo foi afastado por denúncia de irregularidades numa grande contratação de serviços de coleta. Na Carris um diretor-presidente foi afastado por denúncia de “acerto” e superfaturamento na pintura de ônibus da Copa. Um caso de ilícito de pequena monta, foram “desviados” algumas (poucas!) dezenas de milhares reais. Rapinagem barata! Na Secretaria da Juventude desvios no programa ProJovem originaram um CPI. O atual secretário de Obras, ex-secretário da Juventude já foi indiciado criminalmente. Continua na SMOV: “daqui não saio, daqui ninguém me tira”. Na SMAM o secretário foi afastado, acusado pela Polícia Federal pelo suposto recebimento de propina. Na Secretaria de Obras (SMOV), os projetos das obras da Copa foram entregues à iniciativa privada (CIERGS). Deu “cacaca” vistoria do Tribunal de Contas constatou um superfaturamento de 14 milhões, montante que seria pago a mais. No maior projeto da Prefeitura, o SócioAmbiental (PISA), escutas suspeitas da Polícia Federal flagraram secretário da Fazenda em conversas “íntimas e pouco convencionais” com empresário de uma grande empreiteira. Resultado: rompimento do conduto Álvaro Chaves. A antiga Secretaria do Planejamento (SPM), hoje de Urbanismo (SMURB) retaliou o plano diretor da cidade: foram mais vinte leis elevando índices construtivos, alturas, taxas de ocupação. Tudo sem estudos prévios, ao sabor das pressões e dos interesses imobiliários e especulativos do momento. Sindicância da Procuradoria do Município (PGM) constatou também recebimento de propinas por servidores e chefias.. O Departamento de Esgotos Pluviais (o DEP) também está sendo investigado, há fortes indícios de graves irregularidades.
Pelo que se vê, os “pecados” do governo Fo-Fo foram e são muitos, demasiados. Com raras e exceções – o SUL 21 e alguns blogs como o RS Urgente do Marco Weissheimer -, que vêm há anos acolhendo e veiculando as denúncias, a briosa imprensa “farroupilha” manteve-se quase sempre muito pouca aguerrida, pouco viu e ouviu. Manteve-se silente. Para não dar na vista, de quando em vez veiculou uma pequena nota, discreta, sem muito destaque registrando o afastamento de um diretor de autarquia, de um presidente de empresa ou de um secretário municipal.
Embora tardiamente, finalmente a imprensa local acordou. Zero Hora nas edições de 25, 26 e 28 deste mês de maio finalmente deu destaque à denúncia de inúmeras irregularidades que vêm ocorrendo na Procempa, a Empresa de Processamento de Dados de Porto Alegre. Matérias de página, longo comentário na página 10 e até um editorial.
As “barbaridades” foram demasiadas: nepotismo, escandalosos programas de saúde pagos irregularmente, desvios de função, altos salários fixados sem critério A empresa chegou em 2008 a ter 62 Cargos em Comissão para apenas 286 servidores concursados: um CC para cada cinco servidores do quadro .A empresa gasta por ano quase 5 milhões com “eles”, os CCs. A Procempa. foi literalmente “loteada” entre três partidos: o PTB, o PMDB e o PDT, virou “casa de acolhimento.
As explicações do seu diretor presidente à imprensa beiram o ridículo. Não teve resposta para as denúncias de ilícitos e desvios e ainda afirmou que no governo Fo-Fo (Fogaça-Fortunati) a Procempa ganhou destaque, até foi incluída no Conselho Político. Só não soube explicar porque a empresa foi afastada do desenvolvimento do maior projeto de informática da Prefeitura, o SIAT, Sistema Integrado de Administração Tributária, entregue a uma empresa privada (a Consult, de Curitiba), com a qual a Prefeitura firmou contratos que totalizam mais de 11 milhões de reais. E o mais grave: o sistema não está funcionando e há fortes indícios de superfaturamento e outras irregularidades que estão sendo investigadas pelo Tribunal de Contas (TCE). O Ministério Público já solicitou à Justiça que determine a sustação dos pagamentos à Consult. A maior evidência do desprestígio da empresa e do seu presidente é que Fortunati, que está nos Estados Unidos visitando o vale do Silício não o incluiu na sua comitiva.
Cabe um registro final de fato singular, difícil de explicar e certamente nada edificante. O presidente contratou sem qualquer processo público de seleção uma profissional de jornalismo, pagando-lhe elevado salário, pasmem, para cobrir as atividades da empresa à distância. Segundo consta ela mora em Florianópolis. Ao se tornar de conhecimento público, o contrato foi cancelado, depois de terem sido pagos quase trezentos mil reais pelos “serviços prestados”. Cabe ao TCE, por dever de ofício, apurar se os serviços foram efetivamente prestados e qual a sua natureza.
Paulo Muzell é economista.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Ser alternativa viável a Dilma; a difícil missão de Eduardo Campos

Eduardo Campos começa a perceber que ser candidato a presidente é um pouco mais difícil do que parece

Tem dificuldades para se viabilizar dentro de seu próprio partido, o PSB.
Dando tiro para tudo o que é lado, procurou de José Fortunati, cuja prefeitura (Porto Alegre-RS) foi recém envolvida em mais um escândalo, ao pastor Silas Malafaia.


Governador sofre reveses dentro e fora do PSB Cristian Klein * 

O governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), no plano de chegar à Presidência, tem se mexido para todos os lados em busca de uma brecha para se afirmar em meio a uma disputa há tempos polarizada entre o PT e o PSDB. Campos repete a presidente Dilma Rousseff, que já tinha anunciado o projeto de destinar 100% dos recursos dos royalties do petróleo para a educação. O governador seguiu na esteira e decidiu fazer o mesmo com as verbas de Pernambuco.
Eduardo Campos vasculha em cada canto oportunidades de se contrapor aos petistas, dos quais ainda é oficialmente um aliado mas, na prática, comporta-se como adversário. Na propaganda do PSB, dia 25, o governador deixou evidente que partirá para o confronto. A peça de marketing, no entanto, apenas reforça todos os sinais de separação já dados.
Na corrida municipal, no ano passado, o PSB rompeu com o PT em várias cidades e capitais importantes, como Recife e Fortaleza. Neste ano, no Congresso, lançou o deputado Júlio Delgado (MG) à presidência da Câmara e, no Senado, retirou o apoio ao eleito Renan Calheiros (PMDB-AL), da base governista. Nos projetos em tramitação, marca posição contrária mesmo quando um ministro do próprio partido está envolvido na aprovação da MP dos Portos. Na proposta que dificulta a criação de novos partidos, o PSB recorreu ao Supremo Tribunal Federal contra o governo e em defesa de potenciais parceiros em 2014, como o recém-fundido Mobilização Democrática (MD) e a ex-ministra Marina Silva, que está armando sua Rede.
Na arena governamental, Eduardo Campos ainda consegue amealhar alguns apoios. Mas, na arena eleitoral, a tarefa tem sido muito mais difícil. Se na disputa municipal, em 2012, havia milhares de alternativas e prefeituras em jogo, sua tentativa de montar palanques estaduais nas 27 unidades da Federação tem sido frustrada pela enorme falta de opções.
Com o PMDB mais fortemente aliado ao PT, e o chega-pra-lá do PSDB - que também terá candidato presidencial, o senador mineiro Aécio Neves - sobra pouca margem de manobra. Eduardo Campos tem peregrinado pelo país fazendo convites e até agora, ao que tudo indica, sem sucesso.
Já assediou nomes do PT, como o senador Lindbergh Farias, do Rio de Janeiro; do PSDB, a exemplo do prefeito de Manaus e ex-senador Arthur Virgílio; e no PDT buscou o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, que teria recusado a ser seu vice na chapa presidencial. No PMDB do Rio, flerta com o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. A dificuldade é tamanha que o PSB procura filiar gente fora da política e de perfis tão diferentes como a ex-corregedora do Conselho Nacional de Justiça, Eliana Calmon, que também se esquivou de concorrer na Bahia, e o pastor midiático Silas Malafaia, no Rio. Nesta mesma estratégia, em julho de 2011, o PSB "contratou" o empresário José Batista Júnior, o Júnior Friboi, que seria o seu candidato ao governo de Goiás. Mas o partido acaba de perdê-lo para o PMDB. A transferência está marcada para o dia 15 e tem o dedo dos petistas, que exigiram a saída de Júnior da sigla de Eduardo Campos, já que o BNDES possui participação de 30% nas empresas do grupo JBS-Friboi.
Se o governador encontra problemas até em Estados menores, a situação é mais dramática nos grandes colégios eleitorais. Em São Paulo, a melhor perspectiva é de um palanque dividido, no qual o governador tucano Geraldo Alckmin o apoiaria, além de Aécio. Em Minas Gerais, onde o PSB tem o prefeito da capital Belo Horizonte, Marcio Lacerda já disse que não quer concorrer. No Rio, atira-se para todos os lados: Lindbergh, Beltrame, Malafaia. No Paraná, ou divide outro palanque com Aécio ou vai com o deputado federal Rubens Bueno, do MD - um azarão entre os dois principais pré-candidatos: o governador tucano Beto Richa e a ministra Gleisi Hoffmann, do PT.
O cenário mostra como a polarização da disputa nacional desce para os Estados e não tem facilitado o surgimento de uma candidatura de terceira via. Marina Silva, em 2010, conseguiu um bom desempenho, quase 20% dos votos, mas se viabilizou por fora, com um discurso de aura não política, que representou o protesto contra os partidos tradicionais. Eduardo Campos não tem esse perfil e vem de dentro do sistema. Disputa a mesma raia do PT e do PSDB, já consolidados.
Para piorar, o líder do PSB encontra resistência dentro do partido. São contrários à candidatura o governador do Ceará Cid Gomes e o prefeito Alexandre Cardoso, de Duque de Caxias (RJ), terceira maior cidade da sigla na região Sul/Sudeste. Ambos tendem a se desfiliar.
Diante de tantos desafios, destinar 100% dos recursos dos royalties de Pernambuco para a educação acaba sendo a parte mais fácil que Campos pode realizar.

* Matéria publicada no Valor, 03/05/2013.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Secretários do Meio Ambiente são presos em operação da Polícia Federal

Os indiciados são alvo da Operação Concutare, que, de acordo com nota divulgada pela PF, tem o objetivo de reprimir crimes ambientais, crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro | Foto: ABr

Da Redação, Sul21
O secretário do Meio Ambiente do Estado, Carlos Niedersberg, o secretário municipal do Meio Ambiente, Luiz Fernando Záchia, e o ex-secretário do Meio Ambiente, Berfran Rosado foram presos na madrugada desta segunda-feira (29) em uma operação da Polícia Federal.
Eles são alvo da Operação Concutare, que, de acordo com nota divulgada pela PF, tem o objetivo de reprimir crimes ambientais, crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro. A operação está cumprindo 29 mandados de busca e apreensão e de prisão temporária expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Até o momento, 16 pessoas já foram presas.
Segundo a PF, os indiciados – um grupo criminoso formado por servidores públicos, consultores ambientais e empresários – atuam na obtenção e na expedição de concessões ilegais de licenças ambientais e autorizações minerais junto aos órgãos de controle ambiental.
Conforme a nota, os investigados serão indiciados por corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, crimes ambientais e lavagem de dinheiro. O nome de todos os presos será divulgada ainda na manhã desta segunda-feira.
As ordens judiciais estão sendo cumpridas nas cidades de Porto Alegre, Taquara, Canoas, Pelotas, Caxias do Sul, Caçapava do Sul, Santa Cruz do Sul, São Luiz Gonzaga, no Rio Grande do Sul, e em Florianópolis, em Santa Catarina.
Em Tel Aviv, o governador Tarso Genro anunciou o afastamento do secretário Carlos Niedersberg. O prefeito José Fortunati também afastou temporariamente o secretário Záchia.
Leia na íntegra a nota divulgada pela Polícia Federal sobre a operação Concutare:
“Porto Alegre/RS – A Polícia Federal deflagrou na manhã de hoje, 29 de abril, a Operação Concutare, com o objetivo de reprimir crimes ambientais, crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro.
A operação iniciou em junho de 2012 e identificou um grupo criminoso formado por servidores públicos, consultores ambientais e empresários. Os investigados atuam na obtenção e na expedição de concessões ilegais de licenças ambientais e autorizações minerais junto aos órgãos de controle ambiental.
Cerca de 150 policiais federais participam da Operação para executar 29 mandados de busca e apreensão e de prisão temporária expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. As ordens judiciais estão sendo cumpridas nos municípios de Porto Alegre, Taquara, Canoas, Pelotas, Caxias do Sul, Caçapava do Sul, Santa Cruz do Sul, São Luiz Gonzaga, no Rio Grande do Sul, e em Florianópolis, Santa Catarina.
A operação foi denominada Concutare, termo com origem no latim, que significa concussão. Os investigados serão indiciados por corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, crimes ambientais e lavagem de dinheiro, conforme a participação individual de cada envolvido.
As investigações foram conduzidas pela Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente e ao Patrimônio Histórico (DELEMAPH) e pela Unidade de Desvios de Recursos Públicos da Polícia Federal no Rio Grande do Sul”.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Boneco do mascote da Copa estaria intacto, afirma delegado

Secretário extraordinário da Copa ficou surpreso com a informação, que teria sido dada por funcionários da Opus

De: Zero Hora

Boneco do mascote da Copa estaria intacto, afirma delegado Diego Vara/Agencia RBS
Largo Glênio Peres ficou sem réplica de mascote da Copa do Mundo Foto: Diego Vara / Agencia RBS
A maior polêmica da história recente de Porto Alegre _ o embate ideológico ocorrido após a derrubada do Tatu-Bola da Copa do Mundo de 2014 e posterior repressão policial aos manifestantes que protestavam contra o boneco _ pode ter sido uma discussão vazia. Literalmente. O tatu gigante teria apenas sido esvaziado, num acidente, e não danificado, como se supunha. Informações preliminares recebidas pela Polícia Civil apontam que o símbolo tem condições de ser reutilizado.
Ou seja, os militantes políticos que desejavam remover o bonecão teriam apanhado da BM sem terem inutilizado o alvo da sua ira. Mesmo que a intenção dos manifestantes fosse caçar o tatu, irados que estavam com o patrocínio da Coca-Cola exposto na área pública em frente à prefeitura, ela não se concretizou. O protesto seria pelo fato de um local público ter se tornado palco de publicidade de uma multinacional.
O boneco inflável de sete metros de altura, mascote da Copa do Mundo de 2014, foi retirado do Largo Glênio Peres após o confronto entre manifestantes e Brigada Militar (BM) na noite do dia 2. Quem diz que ele pode não ter sido danificado é o delegado Hilton Müller, titular da 17ª Delegacia de Polícia Civil da Capital. Conforme ele, um exame preliminar do tatu-bola de plástico não aponta danos.
— A princípio, o boneco não está destruído ou sequer danificado. Um funcionário da Opus Promoções, que nos entregou o tatu gigante para perícia, acredita que ele apenas tenha sido desinflado. Talvez até de forma acidental — afirma Müller.
Conforme esse funcionário da Opus explicou ao delegado, o tatu é inflado por meio de um motor interno que lhe injeta ar, uma espécie de ventilador ligado na energia elétrica.
Esse cabo teria sido desconectado, de propósito ou sem querer. Müller entregou o boneco à Opus para que o especialista faça um relatório formal e completo sobre as condições do tatu-bola. O documento ainda não foi entregue. Nem a Opus e nem a proprietária do boneco, a Vonpar (fabricante gaúcha da Coca-Cola) se pronunciaram oficialmente a respeito.
O secretário extraordinário da Copa, Urbano Schmitt, foi pego de surpresa pelo informe de que o tatu estaria intacto. Ele já tinha sondado, oficialmente, a Coca-Cola sobre a possibilidade de que o boneco fosse substituído por outro.
— Ainda aguardo perícia, não sou operador do boneco. O prefeito José Fortunatti tinha até desistido de receber outro boneco. Se esse estiver intacto, vamos reutilizá-lo. Talvez exposto num lugar mais seguro — pondera Schmitt.

O secretário diz que a cogitação de importar um novo boneco, feita pela prefeitura, foi baseada nas informações preliminares do incidente.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

MP investiga suspeita de uso da máquina pública para fins eleitorais em Porto Alegre

De: Sul 21

Líderes partidários ligados à coligação de Manuela D'Ávila apresentaram publicamente a denúncia em coletiva | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Samir Oliveira
O Ministério Público (MP) do Rio Grande do Sul irá investigar uma denúncia de utilização da máquina pública para fins eleitorais em Porto Alegre. O promotor eleitoral Mauro Rochemback iniciou a investigação nesta segunda-feira (1), após receber a denúncia da coligação Juntos por Porto Alegre (PCdoB, PSD, PSB, PSC e PHS), da candidata Manuela D’Ávila.
Na sexta-feira (28), todos os 36 vereadores receberam um envelope contendo uma denúncia anônima de uma moradora do bairro Rubem Berta, que estava indignada com a forma como havia sido conduzida uma reunião do Orçamento Participativo (OP) na região. O encontro havia acontecido na quarta-feira (26) e, na ocasião, conselheiros do OP e assessores da prefeitura prometeram o encaminhamento de obras na região e pediram votos ao prefeito José Fortunati (PDT) e a Cássio Trogildo (PTB) – que se licenciou da Secretaria de Obras e Viação (Smov) para concorrer a uma vaga na Câmara Municipal.
A moradora encaminhou aos parlamentares uma gravação de mais de 40 minutos de toda a reunião. Nesta terça-feira (2), os líderes partidários da coligação de Manuela D’Ávila concederam uma coletiva à imprensa para anunciar o caso e entregar cópias da gravação aos jornalistas.
“Vivemos de política a cada dois anos”, diz assessor da Smov
O chefe da Assessoria Comunitária da Smov, Antônio Olímpio Guimarães Filho, conhecido como Toninho, esteve na reunião do Orçamento Participativo do dia 26 de setembro para pedir votos para o prefeito José Fortunati e para seu chefe, o secretário Cássio Trogildo – que está licenciado da pasta para concorrer ao cargo de vereador.
Na reunião, com cerca de 60 moradores do Rubem Berta, Toninho promete o asfaltamento de uma rua do bairro. “Vocês podem ter certeza que na semana que vem vamos estar trabalhando”, assegurou. De fato, a obra em questão começou nesta terça-feira (2).
Em seu pronunciamento, Toninho fez referência a várias obras que, segundo ele, teriam sido tocadas por determinação do “secretário Cássio”. Ele não poupou elogios ao chefe. “Ele atende a todos que vem procurar. Vivemos de política a cada dois anos. Quem está no governo, quem não é concursado, se disser que não vive de política, é mentira”, diz o assessor comunitário da Smov, acrescentando que é por esse motivo que ele foi na reunião “anunciar um serviço que em alguns dias vamos estar realizando”.
"Se é asfalto por voto, o caderno do OP pode ser rasgado", diz carta anônima que acompanhava material entregue a vereadores de Porto Alegre: "Mesmo no anonimato, peço muito a ajuda de vocês" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Toninho demonstra bastante confiança na reeleição do prefeito José Fortunati. “Daqui a dois anos vamos voltar aqui para poder dizer para vocês que vamos continuar fazendo mais. Tanto o Fortunati como prefeito, como o Cássio, que vai retornar para a Secretaria de Obras. É que nem se diz: quando o cliente é bem atendido, ele retorna para a casa. E nós vamos ser bem reconhecidos pela sociedade, vamos retornar para a Smov e vamos fazer mais por vocês”, assegurou.
No encerramento de sua fala, o assessor da prefeitura demonstra ainda mais confiança e diz que o prefeito vencerá no primeiro turno. “Quando vocês menos esperarem, as máquinas vão estar aqui trabalhando. Fortunati fez e está fazendo. E, juntamente com o Cássio, vão fazer muito mais. As pesquisas já estão mostrando mais de 47% de aprovação do eleitorado. Isso quer dizer que vai ter vitória no primeiro turno. As eleições vão acabar logo, logo”, conclui Toninho. As últimas palavras do seu pronunciamento são os números eleitorais de Fortunati e de Cássio Trogildo.
Conselheiro do OP distribui material de campanha durante a reunião
O conselheiro Maurício Melo, do Orçamento Participativo, foi o mais empolgado cabo eleitoral do prefeito e de Cássio Trogildo na reunião de quarta-feira (26). Apesar de ser uma reunião para discutir as demandas dos moradores no OP, ele disse que estava lá como “amigo” do secretário licenciado da Smov. “Estamos aqui como amigos do Cássio”, argumentou, citando, em sua fala, o chefe da Assessoria Comunitária da Smov, Antônio Guimarães Filho, o Toninho.
O pronunciamento de Maurício Melo foi, o tempo inteiro, dedicado à eleição de Cássio Trogildo. “Com a ajuda de vocês, o Cássio vai se eleger o vereador mais votado dessa cidade”, conclamou.
Em seguida, Maurício Melo fez referência ao material de campanha do candidato, que estava sendo distribuído na reunião do OP. “Aqui tem uma prestação de contas, como secretário, do que o Cássio fez. É a política diferenciada, primeiro eu vou fazer, primeiro eu vou plantar para colher na comunidade. Então é isso, é uma política diferente”, elogiou.
O tom de ato de campanha prevaleceu o tempo inteiro na reunião. “Quero pedir para vocês, pessoal, saiam daqui hoje e entrem nessa campanha do Fortunati e do Cássio. Entrem nessa campanha a fundo, com os parentes, levem o material, que vocês vão fazer parte de uma história de mudança aqui no Rubem Berta. O Cássio vai voltar para a Secretaria de Obras, se Deus quiser e se a comunidade quiser”, exaltou.
"Estão usando máquina pública como nunca antes em Porto Alegre", denunciou Nelcir Tessaro (PSD), vice na chapa de Manuela | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
O conselheiro do OP terminou seu discurso pedindo que os moradores do bairro colocassem materiais de campanha do secretário licenciado da Smov em suas casas. “Aqui tem a faixinha para aqueles que puderem colocar na frente da sua casa. Ou vão pedir para botar no vizinho. Levem as faixinhas. Tem aqui o materialzinho, nos ajudem”, solicitou.
Comerciante também faz campanha durante reunião e oferece alimentos à população
A reunião com integrantes do OP ocorreu a pedido do comerciante Alcindo Lintener. Em seu discurso, ele se mostrou um animado cabo eleitoral do prefeito José Fortunati e de Cássio Trogildo.
“Precisamos nos mobilizar, convocar os familiares, precisamos nos mobilizar de verdade para trazer essas duas figuras para o desenvolvimento de Porto Alegre, para o crescimento da nossa cidade”, conclamou.
Conhecido como Lu, Alcindo disse, no pronunciamento, que colocou salsichão e pãozinho à disposição dos moradores na reunião. “Para encerrar, muito obrigado pela presença de vocês aqui, muito obrigado pela presença de todos. E quem quiser participar, eu botei ali um salsichãozinho, eu botei ali um pãozinho, para sair daqui com o estômago forrado. E depois é só alegria”, animou-se.
“Há indícios de uso da máquina administrativa” reconhece promotor eleitoral
O promotor eleitoral Mauro Rochemback já ouviu toda a gravação da reunião do Orçamento Participativo denunciada ao Ministério Público e reconhece que há indícios de utilização da máquina pública para conquista de votos. “Os indícios do uso da máquina administrativa estão ali. Foi uma reunião envolvendo funcionário de uma secretaria pedindo votos”, observa.
O promotor já instaurou um procedimento investigativo e garantiu que começará nesta quarta-feira (3) a expedir ofício intimando as pessoas que participaram da reunião a deporem. Mauro Rochemback disse que não tem como avaliar, ainda, se a denúncia pode atingir a candidatura de José Fortunati à reeleição. “Ainda não tenho a dimensão da investigação. Há referência ao prefeito, as pessoas pedem votos para os dois”, explicou, em referência ao secretário licenciado de Obras e Viação, Cássio Trogildo.
O promotor disse que não há tempo para impedir a candidatura de Cássio, mas assegurou que, se for comprovado o uso da máquina pública, sua investigação poderá impedir a diplomação do petebista, caso ele consiga ser eleito.

Campanha de Fortunati diz que denúncia é “última tentativa da oposição”
Coordenador da campanha de José Fortunati, o deputado federal Vieira da Cunha (PDT) assegura que não há utilização da máquina pública para fins eleitorais por parte da prefeitura. Ele diz que a denúncia feita pela candidatura de Manuela D’Ávila é “infundada”.
Vieira da Cunha: "a denúncia é infundada e tem motivações políticas" | Foto: Leonardo Prado /Ag.Câmara
“A denúncia é infundada e tem motivações políticas. É uma última tentativa da oposição, que sabe que será derrotada. O Toninho estava no direito de fazer campanha, tenho absoluta convicção de que não houver uso da máquina pública para arrecadar votos”, declarou em entrevista ao Sul21.
Em nota divulgada pela campanha do prefeito, Vieira disse que o asfaltamento da rua em questão no bairro Rubem Berta seguiu os trâmites legais do Orçamento Participativo. “A obra em questão foi solicitada pela Associação Comunitária dos Moradores do Residencial Rubem Berta em agosto de 2011, passou por todas as instâncias de participação popular e desde 30 de setembro está programada para ser realizada, inclusive com publicação no portal da prefeitura”, justificou.
A reportagem tentou contato com Cássio Trogildo, mas seu telefone estava desligado

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Prefeito de Porto Alegre registra BO contra blogueiro após questionamentos sobre primeira-dama

Na mesma medida em que cresce a influência e a força da nova mídia alternativa, especialmente dos espaços de comunicação que têm surgido na internet, crescem também e se espalham pelo Brasil as tentativas de cercear a liberdade dos ativistas que usam a web para fazer jornalismo e política. Repetem-se processos judiciais movidos por empresas, políticos e até mesmo por jornalistas contra outros jornalistas e blogueiros. E, na maioria das vezes, não são processos movidos efetivamente em defesa da imagem do processante, mas sim utilizados como instrumento de pressão contra a liberdade de imprensa e de expressão, como forma de estrangulamento dos pequenos veículos e como tentativa de calar quem pensa e age de forma independente.
Nesta quinta-feira o prefeito de Porto Alegre e candidato à reeleição, José Fortunati (PDT), registrou um boletim de ocorrência contra o jornalista Marco Aurélio Weissheimer, do blog RS Urgente, talvez o mais importante blog político do Rio Grande do Sul. Postagem do blogueiro explica que a acusação é de “‘espalhar denúncias na rede social contra a primeira-dama Regina Becker’, segundo nota divulgada nesta quinta-feira pela coligação ‘Por Amor a Porto Alegre’. Conforme a mesma nota, Fortunati me acusa de ‘atacar sua esposa’, acusando-a de ser um ‘cargo de confiança fantasma na Assembleia Legislativa’.
Weissheimer esclareceu na mesma postagem: “A acusação é falsa e caluniosa, representando, além disso, uma tentativa de intimidação e de ameaça à liberdade de expressão. O texto em questão é um artigo de opinião de Paulo Muzell (‘Caça aos fantasmas’ de ZH: O que o jornal não disse), publicado no dia 17 de agosto de 2012, que não acusa a primeira dama Regina Becker de ser ‘cargo de confiança fantasma’, mas simplesmente questiona o suposto acúmulo de trabalhos desempenhadas pela primeira dama na Prefeitura”.
A leitura do artigo questionado por Fortunati deixa claro que a acusação realmente não procede. Se a totalidade do texto de Muzell dá a entender, sim, que a situação empregatícia da primeira-dama poderia ser ilegal – ou ao menos imoral –, não há ali “acusação de ser um cargo de confiança fantasma”. O que há, sim, é o relato factual das funções acumuladas por Regina, a dúvida sobre a possibilidade de acumular-se aquelas funções, e a crítica ao jornal Zero Hora, que fez extensas reportagens sobre irregularidades na contratação de Cargos de Confiança e não chegou a investigar a situação da primeira-dama, uma situação pelo menos questionável jornalisticamente.
Além disso, o RS Urgente buscou a versão dos envolvidos, como é relatado ao final do artigo de Muzell, possibilitando que explicações razoáveis sobre o caso fossem dadas e, quem sabe, derrubassem as dúvidas do articulista sobre a regularidade da contratação da primeira-dama no gabinete de um deputado do mesmo partido do prefeito.
A intenção de Fortunati é clara, um Boletim de Ocorrência registrado nesse contexto age unicamente para desencorajar novas denúncias e críticas a aspectos direta ou indiretamente relacionados à sua gestão. O ataque à liberdade de expressão e o desrespeito à liberdade de opinião precisam ser, pelo contrário, alvos de novas denúncias e de novas críticas. Denúncias e críticas que certamente não serão publicadas na velha mídia, no jornal Zero Hora, por exemplo. É um tipo de liberdade não interessa a esse setor da mídia. É a mídia realmente independente que deve fazer esse debate. É ela, em seu conjunto, quem está sendo atacada. A ação acerta no RS Urgente, mas mira em todos nós.

domingo, 2 de setembro de 2012

Manuélia, a pós-moderna

Quis o destino que a maior expressão da pós-modernidade na política do Rio Grande do Sul (quiçá do Brasil) seja oriunda do PC do B.  O maior problema é que a pós-mdernidade restrita ao cinema, por exemplo, pode ser brilhante (como Tarantino), porém, aplicada à política, a pós-modernidade é o desastre da razão, sucumbindo à irracionalidade.
Manuélia tem praticamente todos os ingredientes da pós-modernidade: dispersão, retórica, imanência, combinação de significantes... enfim. Quem quiser entender a pós-modernidade observe a deputada e terá um exemplo. Talvez venha daí a sua força. Ela está em sintonia com tempos de dispersão, desconstruções, individualismos e outros quetais, que alimentam  a desrazão do mundo de hoje. Manuélia representa o oposto do que significa o PC do B. É admirável que seu meio milhão de votos e a perspectiva de eleição à Prefeitura de Porto Alegre tenham seduzido seus dirigentes e entregue a direção partidária ao domínio de sua personalidade. Ninguém duvida: Manuélia manda no partido. Isso a dispensa de aceitar a diretriz partidária de solidariedade à Coréia do Norte; de referir-se à política como um ato coletivo, para centrar-se na capacidade diferenciada de um "eu" poderoso e capaz de tudo (o super-homem de Nietsche na versão feminina); de suas promessas eleitorais serem justificadas pela realidade.
A gestão Fortunati é ruim, a isso, Manuélia contrapõe uma nova titude e a tecnologia como formas de superar os problemas. O culto ao personalismo e à técnica dispensam a política, pois a solução está nas mãos de alguém capaz de resolver os problemas da população.
A sedução dessa fórmula sobre a população de Porto Alegre é preocupante. Ao contrário do que muitos pensam, é nas classes populares que Manuélia tem mais incidência. Mais ou menos como as seitas pentecostais que seduzem milhares de pessoas com suas promessas e seus rituais elaborados,  hostis ao bom senso, mas cativantes para multidões.
A minha amiga Margarete Moraes chamou a atenção para algo sgnificativo do modo de ver as coisas representado pela candidatura pcdobista: as flores da Manuélia. Espalhar flores pela cidade, constituiu-se numa jogada de marketing intleigente, expondo um símbolo que já pensávamos superado pela trajetória feminista. A delicadeza e a beleza da flor como símbolos do feminino na política. E o pior é que isso parece estar pegando. Manuélia se comunica com a sociedade através de símbolos tão complexos que me escapam, mas que escondem a natureza racional e cruel da política para pintar um quadro irreal onde a vontade pode tudo e a realidade será do modo como nós a desejarmos.
Se alguém perguntar porque eu comento sobre a Manuélia e não sobre o Fortunati respondo: eleitoralmente Fortunati é o adversário comum, mas os exageros de Fortunati já tem um nome - demagogia, os exageros de Manuélia ainda não sei como chamar.
O destino caprichoso pode fazer com que, no futuro, eu vote na pcdobista; que não seja agora.
O que me preocupa não é a vitória de Manuélia, mas a vitória da desrazão que ela representa.

domingo, 1 de julho de 2012

O lixo de Porto Alegre cheira mal e a licitação também

Ata de audiência pública o lixo de Porto Alegre teve cortados questionamentos de participantes
 Em: VideVersus 
A declaração de direcionamento na multimilionária licitação na área do lixo de Porto Alegre foi totalmente suprimida pela administração do prefeito José Fortunatti )PDT) da ata da Audiência Pública, só divulgada oito dias depois da realização do evento pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU). Em 19 de junho de 2012, o DMLU realizou a audiência pública visando o cumprimento de formalidades que a Lei Federal 8.666/93 (Lei das Licitações) exige. O DMLU de Porto Alegre, por decisão do governo Fortunati, pretende contratar uma empresa privada para operar ao mesmo tempo cinco serviços de limpeza urbana. São os cinco maiores serviços de limpeza urbana da cidade. Por consequência são os cinco serviços mais rentáveis para a iniciativa privada, os que oportunizam as maiores receitas as empresas de lixo. São os serviços de coleta de lixo domiciliar, coleta de lixo automatizada ou conteinerizada via robótica, coleta seletiva, coleta de lixo público e transporte de resíduos sólidos urbanos.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

PP vai com Fortunati

Dessa vez eu acertei. Por 63 a 44, o PP decidiu apoiar Fortunati. Com a aproximação do DEM, o prefeito de Porto Alegre está montando uma coligação tremendamente forte.
O PC do B entrou numa luta como quem vai pra uma mesa de jogo e aposta praticamente tudo o que tem. Ou sai milionário, ou sai pobre. Nesse caso, saiu mais pobre. É terrível querer namorar quem não quer namorar a gente. 
Não sei dimensionar o impacto do não apoio do PP a Manuela. Mas se essa aliança era tão importante para viabilizar a vitória, significa que a sua não efetivação, somada ao apoio da sigla ao outro candidato, vai trazer prejuízos. Seria ilógico negar isso, embora o discurso vá tratar de mostrar como é possível vencer mesmo que sem um apoio considerado imprescindível. Não sei o que trouxe mais desgaste (mesmo que localizado) oferecer tudo ao PP, ou ser rejeitado após oferecer tudo.
O fato é que Fortunati está trabalhando para ganhar no primeiro turno. Mas nada está acabado, nem mesmo para a dupla Ana Amélia e Manuela. Nesse caso, mesmo que os pais não  tenham autorizado o namoro, o amor pode não ter acabado.