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sábado, 3 de maio de 2014

Empresa Gaúcha de Rodovias investe R$ 152 milhões nas estradas em 2014

Com o fim dos pedágios privados das praças do Governo do Estado e por meio da criação da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), a população gaúcha, além de ter reduzido seu custo para trafegar, que implica também aumento da competitividade da produção, uma vez que reduz o custo do transporte, ainda pode decidir onde o dinheiro arrecadado será aplicado, com a consolidação de Conselhos Comunitários.

A EGR vem realizando serviços de recuperação de pavimento, manutenção de rotina, restauração de pontes, obras de sinalização e segurança, além do inédito serviço de mapeamento georreferencial das rodovias desde fevereiro de 2013. Para este ano, tem investimentos previstos na ordem de R$ 152.150.000,00 em obras que já estão em curso, como a recém inaugurada passarela sobre a ERS-239, em Parobé. A obra era uma demanda de mais de 20 anos da comunidade local e custou pouco mais de R$ 865 mil. Apesar de haver uma praça concedida durante 15 anos, a obra nunca havia saído do papel.
Entre outros investimentos da EGR em curso, estão as obras na RSC-453 no trecho entre Estrela e Garibaldi e entre Lajeado e Venâncio Aires. São reformas que se iniciaram em março deste ano e fazem parte de uma licitação de melhorias que também envolve a ERS-130, no trecho entre Lajeado e Guaporé, onde as obras também estão em andamento. O investimento é de R$ 29 milhões, e a extensão total abrangida pelo contrato é de 174 quilômetros.
Na ERS-122, entre Caxias e Antônio Prado, as obras de recuperação começaram no final de fevereiro deste ano. De início, a EGR está recuperando os pontos mais críticos (do km 81,4 até o km 83; do km 87 ao km 89; e do km 110 ao 113), mas todo o trecho de 46,48 quilômetros passará por melhorias. Apenas nestes 46,48 km são mais de R$ 20 milhões por 18 meses. Em ambos os casos, as obras incluem restauro do revestimento asfáltico, pintura da sinalização horizontal, manutenção de pontes, além de roçada e manutenção da sinalização lateral.
Além dos investimentos e obras da EGR em curso, o Daer, por meio do Contrato de Conserva e Manutenção (Crema), também tem investimentos, somente na Região da Serra, da ordem de R$ 18.532.007,67, destinados para a conserva das rodovias, além de obras de recuperação de pavimento, projetos e obras de engenharia, recuperação da sinalização, que perfazem um total de R$ 42.601.795,56.
Muitas vezes, as queixas quanto à qualidade das estradas não leva em conta o fato de que estão em obras. Também é muito comum que as obras sejam paralisadas temporariamente devido às condições climáticas.
Já nas estradas de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), como a BR-386 e BR-116, há investimentos de R$ 30 milhões para os próximos dois anos nessas rodovias, em contratos já em curso de serviços de manutenção e recuperação das pistas, incluindo fresagem e substituição asfáltica, capina, roçada, limpeza do sistema de drenagem, recuperação das defensas, dos guarda-corpos e da sinalização vertical. O Dnit também vai duplicar os dois quilômetros restantes da BR-386, entre Estrela e Bom Retiro do Sul.
Mesmo tendo encerrado o processo de devolução das rodovias que estavam sob administração do Governo do Estado há pouco mais de 50 dias, o órgão já fez o levantamento das melhorias no trecho da BR-386, entre Soledade e Lajeado, para obras de reposição de placas e melhoria do asfalto e acostamento.
O Rio Grande do Sul hoje tem o maior Plano de Obras em rodovias da história do Daer, e o atual Governo do Estado tem como prioridade a melhoria e ampliação da condição de trafegabilidade das estradas, associada ao uso de outros modais, como a hidrovia, os aeroportos regionais e a ferrovia, como estratégias de desenvolvimento regional. Dessa forma, o Estado cresce como um todo, sem privilegio de nenhuma região específica.
Veja detalhes das obras contratadas pelo Dnit nas rodovias citadas:
BR-386/ Km 248,2 – Km 388,9 - clique aqui.
BR-116: Km79,5 - 184,8 - clique aqui.
Texto: Assessoria Infraestrutura e Logística
Edição: Redação Secom (51) 3210.4305 

segunda-feira, 10 de março de 2014

Após manifestação no Tesourinha, prefeitura de Porto Alegre cancela audiência sobre licitação do transporte

 | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Manifestantes tentaram acessar a quadra do ginásio, onde estavam autoridades que tentavam conduzir a audiência pública | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Samir Oliveira
A audiência pública que deveria debater a licitação do transporte público em Porto Alegre, prevista para ser realizada às 19h desta segunda-feira (10) no Ginásio Tesourinha, durou menos de meia hora. Após o começo do evento, um grupo presente nas arquibancadas começou a arrancar a tela que isolava a quadra do ginásio. Em seguida, este grupo jogou bombas no local, onde estavam as autoridades que conduziam a reunião – dentre elas, o vice-prefeito Sebastião Melo (PMDB) e o diretor-presidente da EPTC Vanderlei Cappellari. Após cerca de meia hora de tentativa de prosseguir com a audiência, a prefeitura acabou cancelando o encontro, declarando, entretanto, ter considerado que a audiência “cumpriu sua função jurídica”, e afirmando que uma nova reunião não será convocada.
Essa foi a segunda tentativa de se realizar uma audiência pública para debater a licitação dos ônibus na Capital. A primeira, no dia 27 de fevereiro, iria ocorrer na Câmara Municipal. Entretanto, a prefeitura acabou cancelando, argumentando que o plenário não poderia comportar todo mundo que desejava participar da reunião. Na ocasião, centenas de pessoas ficaram do lado de fora da Câmara, que teve seus portões fechados desde as 17h – sendo que o encontro só ocorreria às 19h.
 | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Grupo gritava palavras de ordem como: “Eu pago! Não deveria! Transporte público não é mercadoria!” | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Nesta nova tentativa de audiência, a prefeitura elaborou um rigoroso esquema de segurança. Desde as 17h, as pessoas já poderiam ter acesso ao ginásio. Para entrar no Tesourinha, a população precisava realizar um credenciamento, apresentando um documento de identificação com foto. Em seguida, eram encaminhadas para a revista corporal, que incluía, também, a revista de bolsas e mochilas. O processo era feito pela Guarda Municipal. Por conta disso, o ingresso no ginásio era bastante demorado. Quando a audiência teve início, às 19h, ainda havia muita gente do lado de fora esperando para poder entrar.
Assim que a prefeitura anunciou o início da reunião e as autoridades compuseram a mesa, integrantes do Bloco de Luta pelo Transporte Público que estavam na plateia começaram a gritar: “Somos o povo! E o passe livre os ricos vão pagar”, “Prefeito da elite! O povo te demite!” e “Eu pago! Não deveria! Transporte público não é mercadoria!”. Composto por vários grupos de esquerda – dentre partidos políticos como PSOL e PSTU, movimentos como o Movimento Revolucionário Socialista (MRS), organizações anarquistas como a Federação Anarquista Gaúcha (FAG) e coletivos autônomos -, o Bloco entende que a licitação do transporte público para concessão do serviço à iniciativa privada é “uma MANOBRA do prefeito, dos vereadores e dos empresários para manter os privilégios da máfia que tem explorado o transporte na cidade”, conforme o texto que o grupo postou no evento criado no Facebook para convocar os manifestantes até a audiência pública. No comunicado, o Bloco anunciava: “VAMOS BARRAR ESSA AUDIÊNCIA QUE PRIVILEGIA OS LUCROS DOS EMPRESÁRIOS E CONSTRUIR UM PROCESSO DEMOCRÁTICO E POPULAR, RUMO A UM TRANSPORTE 100% PÚBLICO”. O texto ainda critica a audiência pública “pela falta de debate público com a população, pela falta de transparência e por sua distância das demandas populares. A manobra da gestão Fortunati é garantir os interesses e os lucros dos empresários”, expressa.
 | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Guarda Municipal utilizou armas de choque em confronto com manifestantes | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Enquanto um funcionário da prefeitura fazia a leitura das regras que balizariam a realização da audiência, um grupo da plateia começou a puxar a tela verde que isolava a quadra do ginásio. Após arrancar parte da tela, esse grupo pulou o gradil que separa os dois locais e chegou a ingressar na quadra, onde estavam as autoridades. Neste momento, a Guarda Municipal formou um cordão de isolamento e impediu que os manifestantes permanecessem na quadra, fazendo com que dispersassem por diversos pontos do ginásio.
No início da confusão, o grupo que era contrário a essas ações ainda estava presente no ginásio e começou a vaiar os manifestantes. Um manifestante que havia pulado o gradil e acessado a quadra tentava dispersar pelas arquibancadas – após a chegada da Guarda Municipal -, mas acabou levando uma surra de vários homens que integravam o grupo que vaiava suas atitudes. Após ser derrubado e apanhar, o rapaz foi conduzido até a saída do ginásio.
 | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Em convocação para ato no Facebook, Bloco disse que licitação é “manobra do prefeito, dos vereadores e dos empresários para manter os privilégios da máfia que tem explorado o transporte na cidade” | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Após o tumulto inicial ter sido controlado, os manifestantes que retornaram às arquibancadas começaram a jogar bombinhas na quadra. Pelo menos quatro destes objetos foram jogados, além de terem sido arremessados garrafas de água e papéis picotados dos cartazes que haviam sido colocados no local.
A prefeitura continuou sustentando a audiência e começou a chamar as pessoas que haviam se inscrito para falar. Pelo menos três pessoas tomaram o microfone, integrantes de associações de bairro da cidade. Uma senhora da Lomba do Pinheiro estava indignada com a ação do grupo que jogava bombas na quadra: “Não é assim que se faz política, gurizada!”, berrou ao microfone.
Com uma nova tentativa de pular o gradil e acessar a quadra, a Guarda Municipal reforçou a presença no local e a prefeitura acabou anunciando o cancelamento da audiência. “Esta audiência está cancelada. Infelizmente, uma minoria que não quis o debate acabou impedindo essa audiência. Ela cumpriu seu papel jurídico”, disse um funcionário da prefeitura ao microfone. Em seguida, o vice-prefeito Sebastião Melo disse, em entrevista, que a prefeitura não irá convocar uma nova reunião. O vice-prefeito entende que não existe tempo hábil, já que, por decisão judicial, a licitação deve ser publicada até o final de março. Conforme nota publicada em seu site, a prefeitura considera que, apesar de não ter ocorrido, essa tentativa de audiência pública cumpriu o que estabelece a Lei de Licitações. Pela norma, o poder público deve realizar pelo menos uma audiência pública para colher contribuições da população antes de fazer uma licitação de um serviço público à iniciativa privada.
Guarda Municipal utiliza armas de choque no confronto com manifestantes
Após o cancelamento da audiência, o clima ficou ainda mais tenso. O confronto entre o grupo que tentava pular o gradil e a Guarda Municipal – cujos agentes não estavam identificados – se intensificou. Enquanto isso, as autoridades presentes na quadra, como o vice-prefeito e diversos secretários municipais, corriam para deixar o local.
 | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Guarda Municipal tentou proteger o acesso à mesa onde estavam o vice-prefeito Sebastião Melo e o diretor-presidente da EPTC Vanderlei Cappellari | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Do lado de fora do Ginásio, a Guarda Municipal fechou as portas assim que estourou a primeira bomba na quadra. Impedida de entrar, a população se revoltou e derrubou os gradis que balizavam o acesso ao Tesourinha. Tanto do lado de dentro como do lado de fora, a Guarda Municipal utilizou, diversas vezes, as armas de choque conhecidas como “tasers”. Na rua, a Brigada Militar – que teve seu efetivo reforçado pela cavalaria – também foi acionada.
A dispersão do ginásio foi bastante tumultuada. Os manifestantes saíram pela Avenida Aureliano de Figueiredo Pinto e foram pela Rua João Alfredo até o Largo Zumbi, onde dispersaram o ato. Entretanto, muitas pessoas ainda estavam dentro do Tesourinha. Também havia gente do lado de fora querendo entrar e entender o que havia ocorrido lá dentro. Pessoas sem uniforme, apenas identificadas com um crachá branco onde estava escrito “organização”, impediam o acesso de quem estava do lado de fora. Em um momento, um dos principais assessores do prefeito José Fortunati (PDT) tentou ingressar no local, mas foi impedido por um sujeito com esse crachá. Ao perceber a situação, outra pessoa argumentou que se tratava de “um secretário do município”. Mesmo assim, o assessor só conseguiu ingressar após a Guarda Municipal liberar sua entrada.
Confira mais fotos do ato desta segunda-feira
 | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
 | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Por Ramiro Furquim/Sul21
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
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Por Ramiro Furquim/Sul21
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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

TCE aponta que faturamento das empresas de ônibus de Porto Alegre superou R$ 481 milhões em 201

Samir Oliveira, em Sul21
O Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul (TCE-RS) disponibilizou a partir da manhã desta quarta-feira (29) em seu site a íntegra do relatório elaborado a respeito da inspeção especial efetuada na Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). A inspeção teve início em 2012, a pedido do Ministério Público de Contas (MPC) e analisou as planilhas de reajuste da passagem de ônibus de Porto Alegre dos anos 2011, 2012 e 2013. O relatório será apreciado pelo pleno do TCE no dia 12 de fevereiro.
Com 531 páginas, o documento publicado no site do TCE-RS traz informações detalhadas a respeito da situação financeira das 12 empresas privadas que operam o setor. É possível verificar, por exemplo, que, em 2011, o faturamento total das empresas foi de R$ 481,4 milhões. Individualmente, a empresa com a maior receita foi a SOPAL, com R$ 74 milhões. A que registrou a menor receita foi a Gazômetro, com R$ 8,8 milhões.
Como elas se agrupam em três consórcios, que operam as regiões Sul (STS), Leste (UNIBUS) e Norte (CONORTE) de Porto Alegre, é possível verificar que o grupo que mais faturou em 2011 foi o STS, com R$ 180,2 milhões; seguido pelo CONORTE, com R$ 157,6 milhões; e o UNIBUS, com R$ 143,6 milhões.
Foto: Reprodução
Receita das empresas que compõem o consórcio CONORTE em 2011 | Foto: Reprodução
O relatório do TCE também informa a respeito da remuneração dos diretores das empresas. O preço da tarifa cobre os salários de três diretores por empresa. E a remuneração deles equivale sempre a cinco vezes o salário dos rodoviários. Como a categoria ganha, atualmente, R$ 1.867,74 os diretores recebem R$ 9.338,70 mil. O custo total dos 36 diretores das 12 empresas privadas em 2013 foi de R$ 336.193,12 mil –  o que representou em 2013 um custo anual de R$ 4 milhões por ano com a remuneração dos diretores das empresas.
Os técnicos do TCE também averiguaram o lucro líquido das empresas e o chamado LAJIDA (Lucro Líquido Ajustado Antes das Receitas/Despesas Financeiras, Tributos sobre o Lucro, Depreciação e Amortização). O LAJIDA corresponde ao lucro das empresas, descontados todos os seus gastos, inclusive a folha de pagamento. Já o lucro líquido é o que efetivamente “sobra” para as empresas e representa o valor do LAJIDA descontado com abatimentos de juros de financiamentos, depreciação das frotas e tributos federais, como o Imposto de Renda.
Foto: Reprodução
Receita das empresas que compõem o consórcio STS em 2011 | Foto: Reprodução
Em 2011, dos 74 milhões que arrecadou com as passagens, a SOPAL registrou um LAJIDA de R$ 15,6 milhões e um lucro líquido de R$ 3,1 milhões. Mas a empresa que registrou o maior lucro líquido daquele ano foi a Sudeste – dos R$ 64 milhões que arrecadou com a venda das passagens, R$ 4 milhões correspondem ao lucro líquido. O LAJIDA da empresa ficou em R$ 13,6 milhões. Algumas empresas chegaram a registrar um LAJIDA que ultrapassa a casa dos R$ 5 milhões, mas um lucro líquido negativo – embora em pequenas proporções.
No relatório, os auditores afirmaram que chegou a ser verificado, nos balanços fiscais de 2010 e 2011, que algumas empresas estavam com dívidas originadas por “passivos tributários renegociados” e “financiamentos para renovação da frota de ônibus”. Os técnicos consideram que “a situação de endividamento deverá colocar as empresas numa necessidade de capitalização caso desejarem participar da licitação dos serviços a ser realizada pelo poder concedente”.
Rentabilidade chega a quase 20%, enquanto reajuste da tarifa deveria remunerar as empresas em até 6,33%
O relatório do TCE também identificou que a rentabilidade que as empresas obtêm com o aumento da passagem costuma ficar acima do percentual definido pela planilha de reajuste. No processo que elevou a tarifa em 2012, foi utilizada a frota total das empresas no cálculo – e não apenas a frota operante, como passou a determinar o TCE a partir de 2013. Neste reajuste, ficou expresso que a remuneração das empresas ficaria em 6,33% do total arrecadado com as passagens reajustadas.
Foto: Reprodução
Receita das empresas que compõem o consórcio UNIBUS em 2011 | Foto: Reprodução
Entretanto, os auditores verificaram que, em alguns casos, o percentual chegou a 19,19% – como ocorreu com a empresa Gazômetro. O segundo maior percentual de rentabilidade foi da SOPAL, com 13,38%. Os auditores elencam pelo menos dois fatores para o fenômeno: a metodologia equivocada do cálculo do Percurso Médio Mensal (PMM), que incluiu a frota reserva das empresas; e as decisões de gestão adotada pelos administradores privados, que podem ter feito com que o rendimento tenha sido superior ao previsto na planilha tarifária.
“Neste contexto, em que as empresas estão realizando lucros superiores à previsão tarifária, estão contidos os maiores ganhos em função do PMM que, conforme descrito acima, é realizado em função da Frota Total, quando a Metodologia que distribui melhor os ganhos de produtividade do sistema prescreve que seja utilizada a Frota Operante”, expõe o documento.
Receita com publicidade não é contabilizada pelas empresas
O relatório do TCE também evidencia que as empresas privadas não contabilizam em seus balanços financeiros o dinheiro que recebem com a publicidade que é exposta na parte traseira dos ônibus. Essa omissão é considerada ilegal, pois, pela legislação municipal, é determinado que os relatórios possuam rubricas para receitas publicitárias e sua aplicação – de acordo com a lei, esse dinheiro deve ser utilizado para custear o plano de saúde dos trabalhadores rodoviários.
Foto: Reprodução
Rentabilidade das empresas de acordo com a planilha tarifária de 2012 | Foto: Reprodução
As empresas do setor negociam toda a publicidade que é veiculada nos ônibus através da empresa LZ Comunicação Visual Ltda. Pelo serviço, a agência fica com 70% da verba e os 30% restantes são destinados ao plano de saúde dos rodoviários.
O TCE apurou que, incluindo a empresa pública que opera o setor, a Carris, em 2011 o plano de saúde dos rodoviários teve um investimento de R$ 912.469,08. O que significa que esse valor corresponde a 30% da receita publicitária do ano – ou seja, a receita total com publicidade de todas as empresas, incluindo a Carris, foi de R$ 3.041.536,60 em 2011. Neste ano, a agência LZ recebeu, pelo serviço, R$ 2.129.094,52.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Mais de cinquenta ônibus foram queimados em SP no mês de janeiro

Nesta terça-feira (28) foram três ônibus queimados na zona sul da capital. Motoristas não vão até o ponto final e os passageiros precisam seguir a pé.

São Paulo, SP
Na noite desta terça-feira (28), os motoristas dos ônibus que vão pra zona sul de São Paulo tiveram medo de seguir viagem. Alguns paravam em qualquer ponto e os passageiros eram obrigados a descer e seguir a pé até em casa.
Os motoristas diziam que a ordem de retornar para a garagem veio da empresa. A insegurança aumentou depois que um ônibus foi queimado durante a tarde na mesma avenida. Outros dois ônibus também foram atacados na região.
Três homens e cinco menores foram levados para a delegacia. Segundo a polícia, eles disseram que cometeram os atos de vandalismo para protestar contra a morte de um amigo. 
Desde o dia primeiro até hoje, 56 ônibus foram atacados na Grande São Paulo. Só na capital paulista 28 foram incendiados, um por dia.
Cada ônibus custa cerca de R$ 500 mil. Normalmente, eles não têm seguro contra vandalismo, mas o sindicato das empresas diz que o maior prejuízo é outro. “A população fica sem esse ônibus, em algumas linhas nós não conseguimos repor em um tempo ideal”, afirma Francisco Christóvam, presidente do Sindicato das Empresas de ônibus de SP.
As empresas de ônibus dizem que em nenhum caso o vandalismo estava relacionado à qualidade do transporte e cobra a ação da polícia.
Por meio de nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que todos os casos de ônibus queimados estão sendo investigados com o firme objetivo de prender os responsáveis.

Prefeitura tem 30 dias para iniciar licitação de transporte em Porto Alegre

Justiça aceitou pedido do MP que alega irregularidade no serviço da Capital

A prefeitura de Porto Alegre tem 30 dias para iniciar um processo de licitação para concessões ou permissões do serviço de transporte coletivo da Capital. A decisão foi comunicada pelo Tribunal de Justiça da tarde desta quinta-feira (30), mas foi assinada na quarta-feira pelo desembargador Carlos Roberto Canibal, relator do processo.
Na hipótese de descumprimento da decisão, foi fixada uma multa de R$ 5 mil por dia. Canibal determinou que o município publique o edital em no máximo 30 dias e o processo deve ser concluído em, no máximo 120 dias, a partir da publicação.

A ação civil pública contra a prefeitura e a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) foi ajuizada pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público em dezembro de 2013, mas no início do mês a 2ª Vara da Fazenda Pública negou o pedido de liminar para a que a licitação fosse feita de forma imediata. Na ação, o MP sustenta a inconstitucionalidade e a ilegalidade das permissões precárias do serviço de transporte coletivo da capital gaúcha.
Conforme a promotora Luciana Maria Ribeiro Alice, que assina a ação, o transporte coletivo de Porto Alegre não atende às exigências de eficiência e conforto, justificando inúmeras reclamações de usuários, insatisfeitos com a qualidade do serviço prestado.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Para Fortunati, greve é um acordo entre categoria e empresas de transporte


Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Da Redação, Sul21
O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, disse ter certeza que a greve dos rodoviários trata-se de um locaute  – combinação entre empresa e categoria — para forçar pressionar o aumento das tarifas.
A declaração foi feita em coletiva concedida nesta terça-feira (28). Fortunati chegou a esta conclusão depois de uma conversa com o presidente do Sindicato das Empresas de Ônibus de Porto Alegre (Seopa), Luiz Mário Magalhães Sá.
“É uma greve combinada entre empresários e rodoviários, tive certeza agora ao ouvir representante da ATP”, avaliou.
Apesar de não possuir provas quanto do acerto entre as partes, Fortunati disse ter se surpreendido com a greve e que nunca viu tanta dificuldade em colocar a frota de ônibus em circulação na cidade.
A categoria quer um reajuste de 14%. As empresas ofereceram um repasse de 5,56%.
Para Fortunati, empresas estão tendo má vontade política
Ainda durante a entrevista, Fortunati foi categórico ao afirmar que se não há renovação de frota a falta de negociação entre patronal e categoria para por fim à greve é “má vontade política”.
Ele lembrou que a redução da tarifa para R$ 2,80 ocorreu porque houve isenção de encargos trabalhistas e de impostos, sem que houvesse prejuízo nos itens das planilhas.
Fortunati disse ser um absurdo ter apenas 30% da frota circulando pelas ruas de Porto Alegre. A Prefeitura ingressou com ação na Justiça para que as empresas e rodoviários coloquem 50% da frota na rua nos horário normais e 70% no horário de pico.
Confira os eixos que são atendidos durante a greve:
Carris (100 veículos)
Linhas que vão circular: T1; T2, T2A; T3; T4; T5; T6; T7; T8; T9; T11; 343 – Campus Ipiranga
Avenidas que vão atender: como são linhas transversais, atenderão a diversas vias das zonas Leste, Norte e Sul.
Conorte (116 veículos)
Linhas que vão circular: 662 – Rubem Berta; 661 – Jardim Leopoldina; 656 – Passo das Pedras; 637 – Chácara das Pedras; 704 – Humaitá; 718 – Ilha da Pintada; 631 – Parque dos Maias; 621 – Nova Gleba; 613 – Elisabeth; TR62 – Troncal Baltazar; 520 – Triângulo/24 de Outubro; 624 – São Borja; 632 – Fátima; B51 – Parque/Postão
Avenidas que vão atender: Assis Brasil, Baltazar de Oliveira Garcia, Manoel Elias, Aj Renner, Ilhas, Plínio Brasil Milano, Cristovão Colombo, Benjamin Constant, Farrapos
Unibus (95 veículos)
Linhas que vão circular: 398 – Pinheiro; 398.2 – Pinheiro/Azenha; 441 – Antônio de Carvalho; 341 – Bento/ Antônio de Carvalho; 491 – Passo Dorneles/Safira; 494 – Rubem Berta/Protásio;
Avenidas que vão atender: Bento Gonçalves, Protásio Alves, Antônio de Carvalho e João de Oliveira Remião, João Pessoa, Azenha
STS (125 veículos)
Linhas que vão circular: 165 – Cohab; 171 – Ponta Grossa; 173 – Camaquã; 184 – Juca Batista; 188 – Assunção; 209 – Restinga; 210 – Restinga Nova; 211 – Restinga Velha; 267 – Lami; 268 – Belém Novo; 314.1 – Restinga/Puc/3ª Perimetral; 260 – Belém Velho/Oscar Pereira; 284.3 – Belém Velho/Rincão/Azenha; 289 – Rincão/Oscar Pereira

Avenidas que vão atender: Edgar Pires de Castro, Juca Batista, Serraria; Cavalhada, Cel. Marcos, Wenceslau Escobar, Oscar Pereira, Borges de Medeiros, João Pessoa, Azenha

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

AGERGS evita redução imediata de passagens na Região Metropolitana


Agergs decidirá sobre redução da passagem metropolitana apenas em 2014 *

Análise da proposta da Metroplan coincidirá com revisão tarifária feita pela Agergs sobre todo sistema de ônibus metropolitano

Álvaro Andrade alvaro.andrade@rdgaucha.com.br


Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Agergs) vai decidir sobre a proposta de redução do preço da passagem de ônibus metropolitano apenas em fevereiro de 2014. A Agergs realiza a última sessão do ano nesta quinta-feira (19), e ainda não recebeu o processo conduzido pela Metroplan. "A proposta precisa ser distribuida para um conselheiro que irá encaminhar o tema para análise técnica e jurídica. Também será necessária audiência pública e assim, a previsão é que o processo leve de 30 a 40 dias para estar apto a ser analisado pelo Conselho Superior da Agência", afirma o presidente da Agergs, Carlos Martins.

A análise da proposta da Metroplan irá coincidir com uma revisão tarifária feita pela Agergs sobre todo sistema de ônibus metropolitano, que pode resultar em revisões para cima, ou para baixo, no valor das passagens. O resultado dessa avaliação será conhecido na primeira quinzena de janeiro.
Entenda
O Conselho Estadual de Transporte Metropolitano aprovou, na manhã desta quarta-feira (18), a proposta da Metropolan para unificar as tarifas dos ônibus dos trajetos do eixo norte da Região Metropolitana, que inclui Novo HamburgoSão LeopoldoSapucaia do SulEsteio eCanoas. Pelo projeto aprovado, a tarifa de deslocamento entre essas cidades passaria a ser única, de R$ 2,65.
Já o valor do deslocamento de qualquer uma dessas cidades para Porto Alegre  - ou da Capital para esses municípios - seria de R$ 3,15. O acordo também prevê melhorias na qualidade do serviço para os usuários.
As empresas ficariam comprometidas a renovar a frota, em pelo menos 20 ônibus por ano. A proposta ainda precisa do aval da Agergs para entrar em vigor.
* O título é o original. Acho que há um engano.