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sábado, 28 de junho de 2014

A batalha do Stonewall Inn e os dias heroicos que criaram o Dia Internacional do Orgulho LGBT

Milton Ribeiro, em Sul21

Nos anos 1950 e 60, os gays, lésbicas, travestis e transexuais (LGBT) norte-americanos enfrentavam um sistema legal mais anti-homossexual do que os de alguns países do leste europeu. Porém, nos últimos anos da década de 60, tais políticas repressoras começaram a ser contestadas. Era uma época de mudanças e muitos movimentos sociais tornaram-se subitamente visíveis, como, por exemplo, o Movimento dos Direitos Civis Afro-americanos, a contracultura hippie e as manifestações contra a Guerra do Vietnam. Estes movimentos, juntamente com o ambiente liberal do bairro de Greenwich Village, serviram como catalisadores para os conflitos que ocorreram em Stonewall.
Os conflitos de Stonewall foram uma série de violentas manifestações protagonizadas por membros da comunidade LGBT contra uma batida policial que teve lugar nas primeiras horas da manhã de 28 de junho de 1969, no bar Stonewall Inn, na Christopher Street, no Village de Nova York. O fato é considerado um marco do movimento e, até hoje, marca o Dia Internacional do Orgulho LGBT. Mas voltemos ao Stonewall.
O bar
O bar
Numa época em que poucos estabelecimentos aceitavam receber pessoas abertamente homossexuais, o Stonewall Inn era conhecido por ser popular entre as pessoas mais pobres e marginalizadas das comunidades gay e lésbica. Também era o local das drag queens, travestis, transsexuais, dos prostitutos, prostitutas e sem-teto. As batidas policiais neste gênero de estabelecimentos eram rotina nos Estados Unidos da década de 60. Durante as sessões, os frequentadores normalmente recebiam castigos físicos de forma indiscriminada, mas, naquela manhã no Stonewall, os oficiais perderam o controle da situação.
A única foto conhecida que foi tirada dentro do Stonewaal antes dos distúrbios
A única foto conhecida que foi tirada dentro do Stonewall antes dos distúrbios
Os fatos
Toda vez que a polícia chegava próxima do bar, o porteiro dava o sinal e o barman ligava todas as luzes do teto como um sinal para que todos se preparassem. Naquele verão de 1969, as batidas policiais tornaram-se cada vez mais frequentes, porém, na noite de 28 de junho, quatro policiais à paisana tiveram acesso ao bar sem que o porteiro pudesse acionar o alerta.
Era 1h20 da madrugada quando os policiais se anunciaram. Alguns dos 200 presentes no Stonewall entraram em pânico e tentaram fugir, mas outro policiais já tinham fechado portas e janelas.
Nada saiu conforme o planejado. O procedimento padrão era o de alinhar os frequentadores a fim de verificar suas identidades. As policiais mulheres tiravam os vestidos dos clientes a fim de checarem seu sexo. Todas as drag queens, travestis e pessoas consideradas “homens caracterizados como mulheres”  e vice-versa eram presas. Só que, naquela manhã, as pessoas recusaram-se a obedecer os oficiais. Ninguém quis identificar-se.
Então, a polícia decidiu levar todos para a delegacia. A drag queen Maria Ritter, que era conhecida como homem em sua família, lembrou: “Meu maior medo era de que eu ia ser presa. Meu segundo maior medo era que minha imagem sairia em um jornal ou em uma reportagem na televisão e eu estava com um vestido de minha mãe”.
A situação ficou tensa, estimulada pelo comportamento da polícia, que começou a ofender algumas lésbicas enquanto as revistavam.
Na porta do bar, uma multidão assistia à batida policial. Lá de dentro vinham sons de gritos e de prováveis espancamentos. Na verdade, o nível de confrontação no Stonewall chegara ao ponto de alguns clientes do bar começarem uma “performance” especial para os policiais. Ouviram-se aplausos vindos do bar. Quando o primeiro camburão chegou, a multidão começou a vaiar. Alguém gritou “Gay Power!”.
Cercado: um cliente do Stonewall Inn em apuros
Cercado: um cliente do Stonewall Inn em apuros
A batalha
O grito foi complementado por  sua antítese. Um oficial saiu do bar empurrando violentamente uma travesti, que lhe respondeu com uma violenta “bolsada” em pleno rosto. Logo depois, uma mulher foi arrastada para fora do bar, reclamando que suas algemas estavam muito apertadas. O policial que a arrastava respondeu golpeando-a na cabeça com um cassetete. Ela não apenas conseguiu permanecer em pé como olhou para a multidão e gritou: “Por que vocês não fazem alguma coisa?”. Para a surpresa geral, mas principalmente da polícia, uma multidão veio em solidariedade aos habitués do Stonewall Inn. Voavam pedras, moedas e garrafas de cerveja. O escritor Edmund White, frequentador do bar, lembra que todos estavam muito agitados. “Não tínhamos slogans nem atitudes, só cerveja e uma imensa raiva”.
Pedras e tijolos eram atirados contra os policiais
Pedras e tijolos eram atirados contra os policiais
A multidão tentou virar o camburão. Os policiais investiram contra as pessoas, o que só serviu para incitá-las ainda mais. Rapidamente, a polícia via-se em uma luta contra aproximadamente 500 pessoas, que começaram a arremessar tijolos de uma construção próxima. Os policiais jamais imaginaram que teriam de correr para o Stonewall a fim de se protegerem dos moradores do bairro.
Das janelas dos edifícios próximos, as pessoas jogavam quaisquer objetos em chamas. Parquímetros foram arrancados da calçada para servir de aríete contra as portas dos carros policiais. Depois de 45 minutos de violenta luta, chegaram mais policiais. A ordem era de prender qualquer um, mas era quase impossível capturar alguém.
Os policiais recém-chegados foram dispostos em uma linha que impedia a saída de pessoas da confusão sem passar por eles. Então, os clientes do bar começaram a zombar deles, formando uma linha paralela que os encarava. A polícia, enfurecida, avançou, batendo no que encontrasse pela frente. Um erro. A multidão não recuou, antes respondeu virando carros e fazendo barricadas contra a polícia. Em menor número e surpreendida pelo ódio da multidão, a polícia começou a fugir. A luta continuou até às 4h da madrugada. Ninguém dormiu.
As duas linhas paralelas começam a se romper: nenhuma disposição para recuar
As duas linhas paralelas começam a se romper: nenhuma disposição para recuar
Durante toda a manhã seguinte, as pessoas visitaram o muito danificado Stonewall Inn, tentando entender o que tinha acontecido.
Parte da matéria do dia seguinte no New York Times de 29 de junho
Parte da matéria do dia seguinte no New York Times de 29 de junho
A noite seguinte
A notícia se espalhou e, na noite seguinte, a multidão voltou à Christopher Street em muito maior número. Alguns eram “veteranos” da noite anterior; outros eram meros turistas; e a maioria veio para brigar. O que houve foi que, pela primeira vez na história de Nova Iorque, gays trocavam carinhos a céu aberto. De mãos dadas, abraçavam-se e beijavam-se. Nada de esconderijos ou bares, nada de armários.
O início da segunda noite
O início da segunda noite
Quando a noite caiu em 29 de junho, a multidão ainda crescia. Então, a polícia de choque voltou. A multidão tratou de queimar cada lata de lixo, novos carros foram capotados e para-brisas quebrados. Quando alguém era levado ela polícia, a multidão recuperava rapidamente o refém. Mesmo em ruínas, o Stonewall Inn permaneceu todo o tempo aberto. A violência foi novamente até a madrugada. Mas a sensação era nova: era a de que algo tinha mudado para a comunidade LGBT.
Cinco noites depois: o início da convivência na esquina da Waverly Place com Christopher Street | Foto: Larry Morris (NY Times)
Cinco noites depois: o início da convivência na esquina da Waverly Place com Christopher Street | Foto: Larry Morris (NY Times)
A influência
A chuva impediu os tumultos nos dias seguintes e a vida parecia voltar ao normal, mas o movimento dos direitos dos homossexuais tinha nascido. Em 28 de junho de 1970, no aniversário do início dos motins de Stonewall, “O Dia da Libertação de Christopher Street”, foi comemorado com um desfile do Stonewall até a 6ª Avenida em direção ao Central Park. Foi a primeira Parada do Orgulho Gay na história dos EUA. Desfiles também foram realizados em Los Angeles e Chicago. Boston, Dallas, Milwaukee, Londres, Paris, Berlim Ocidental e Estocolmo seguiram o exemplo em 1971. E em 1972, Atlanta, Buffalo, Detroit, Washington, Miami, Filadélfia e San Francisco uniram-se ao movimento.
A primeira Marcha do Orgulho Gay em 1970, na cidade de Nova Iorque
A primeira Marcha do Orgulho Gay em 1970, na cidade de Nova Iorque
Dois anos depois do conflito, já havia organizações dos direitos dos homossexuais estabelecidas em quase todas as grandes cidades dos Estados Unidos, Canadá e Europa Ocidental. Em 1973, a Associação Americana de Psiquiatria retirou a homossexualidade da seu manual das doenças mentais. Até hoje, a Christopher Street é considerada a “rua LGBT” de Nova York, e o Stonewall Inn recebe bandeiras de arco-íris em sua fachada para afirmar seu status de “local do nascimento do movimento moderno de libertação gay e lésbico”.
Em 1994, para marcar o 25º aniversário do episódio, o desfile de 28 de junho foi do Village em direção à sede da ONU e depois do Central Park. Estima-se que mais de um milhão de pessoas compareceram. Em 1999, o Stonewall Inn foi colocado no National Register of  Historic Places. E em junho de 2011, pouco antes do 42º aniversário do conflito, o Estado de Nova Iorque legalizou o casamento gay. Milhares de pessoas acorreram a uma festa espontânea no único lugar que serviria para comemorar qualquer coisa relacionada ao Orgulho Gay: o pequeno bar em um quarteirão tranquilo de Christopher Street.
A festa de 2011: casamento gay
A festa de 2011: casamento gay

Para finalizar, uma última informação: em 76 países do mundo a homossexualidade ainda é considerada crime. Em 7 deles a pena prevista é a de morte.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Maria do Rosário: "Direitos Humanos não são seletivos"

'Rolezinho não é caso de polícia', diz ministra


A ministra Maria do Rosário, da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, disse que "rolezinho não é caso de polícia, é caso de presença da juventude" nesta sexta-feira, 17, em Porto Alegre, ao final da solenidade de inauguração de um Centro de Referência em Direitos Humanos. "Ainda que (os shopping centers) sejam lugares privados, eles são lugares para onde o público é convidado a ir; as pessoas não podem ser separadas nesses lugares entre aquelas que têm dinheiro para consumir e aquelas que não têm", justificou.
No discurso que fez durante a solenidade, a ministra reconheceu que ainda há violência praticada por agentes públicos no País. "No Brasil nós não negamos o quanto nos envergonha a manutenção de violência de Estado e das violações de direitos humanos que ocorrem em nosso País em cada unidade da federação", admitiu. "Ocorre que o primeiro passo para a superação dessa violência é justamente o reconhecimento de que estamos diante dela", afirmou, enumerando providências tomadas nos últimos anos para combater o trabalho análogo ao da escravidão e proteger direitos das crianças, adolescentes e mulheres.
Presídios
Ao tratar de assassinatos ocorridos dentro de presídios, Maria do Rosário considerou "bárbaras" as mortes ocorridas dentro do Complexo de Pedrinhas, no Maranhão, e disse que ninguém pode, no âmbito da federação, dizer-se isento de responsabilidades com fatos que acontecem dentro casas prisionais de qualquer Estado. "Os Estados tem responsabilidades de gestores e a União deve solidariamente ajudar a construir soluções para os graves problemas que vivemos".
Posteriormente, ao falar com jornalistas, a ministra revelou que, entre 2011 e 2013, enviou 31 comunicados à governadora do Maranhão, Roseana Sarney, sobre a situação do Complexo de Pedrinhas. "Eu vejo que podemos ter uma atuação melhor não apenas no Estado do Maranhão, mas também nos demais Estados", afirmou, lembrando que o governo federal, além dos alertas, pode disponibilizar recursos para projetos de melhoria da situação.
Homofobia
Tanto no discurso quanto na entrevista, Maria do Rosário fez referências à morte do adolescente Kaique Augusto Batista dos Santos, em São Paulo, registrada como suicídio pela polícia e contestada pela família, que acredita na hipótese de homicídio. "Consideramos que há indícios claros de homofobia", disse a ministra, que destacou que um centro de referência como o inaugurado em Porto Alegre está apoiando a família.
A ministra aproveitou o tema para criticar a demora para aprovação, no Congresso, do projeto de lei que torna crime a discriminação ou o preconceito contra a orientação sexual das pessoas. "É um absurdo que o Brasil ainda não tenha uma legislação que criminalize a homofobia", ressaltou. Lembrada pelos repórteres que entre os grupos que se opõem à proposta também estão aliados do governo de Dilma Rousseff, Maria do Rosário disse que "não interessa" se são da base ou não. "Quando falamos de direitos humanos não falamos em base aliada ou adversários, nós falamos de direitos humanos e direitos humanos não são seletivos", prosseguiu. "Não é possível que alguém seja vítima de violência por ser homossexual". 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Autor da "cura gay" quer punir quem paga por sexo

joão campos cura gay
Deputado João Campos (PSDB) foi o autor do projeto da cura gay, rejeitado no Congresso
 (Jornal O Hoje – Goiânia)

O deputado federal João Campos (PSDB-GO) quer, em seu novo projeto, punir as pessoas que pagam por sexo. O mesmo deputado é o autor do polêmico projeto da “cura gay”.
De acordo com o deputado, a intenção não é punir a profissional do sexo, que “é vítima dessa situação”.
— Nós vamos punir quem comercializa o serviço de sexo, quem paga por isso. Nós sabemos que a sociedade tem uma reprovação a essa atividade.

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB de Goiás, Otávio Forte, o projeto é inconstitucional. Ele explica que a lei quer proibir uma conduta moralmente reprovada por alguns, mas que os valores morais variam de pessoa para pessoa.
O projeto ainda precisa passar pela Comissão de Justiça e Cidadania antes de ser votado em plenário.
— A Constituição Federal tem como princípio básico o respeito à individualidade de cada cidadão. Cada cidadão tem o direito de ter sua opção de vida.
A lei brasileira não criminaliza a prostituição. O crime é ter vantagem com a exploração sexual de outra pessoa.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Maria do Rosário critica aprovação do projeto "cura gay" e defende criminalização da homofobia

maria do rosario
A Ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, se pronunciou através de rede social sobre o projeto apelidado de "cura gay" aprovado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias CDHM, presidida pelo pastor Marco Feliciano, nessa terça-feira.
"Enquanto presido reunião ordinária do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) que hoje debate uma pauta muito relevante para afirmação dos Direitos Humanos e enfrentamento da violência, com uma resolução para não utilização de armamentos menos letais em manifestações e cumprimento de decisões judiciais, recebo a notícia de que a Comissão da Câmara aprovou o projeto absurdo da chamada cura gay".
Para a ministra, essa movimentação em torno do projeto que a bancada evangélica defende,"trata-se de um movimento absolutamente contrário a esse momento que o Brasil vive, de mobilização social por direitos e contra os fundamentalismos".
"É um retrocesso que o Parlamento brasileiro não pode deixar passar. Faço um apelo aos parlamentares e estarei dialogando com as bancadas para que esse projeto seja rejeitado nas demais comissões da Câmara. O que precisamos no Brasil é de leis para criminalização da homofobia e reconhecimento dos direitos da população LGBT, não de retrocessos como este", ressalta Maria do Rosário.
De: Geledes

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Sobre a "Cura Gay" - Marcos Rolim


Durante 20 anos, John Paulk integrou a direção de uma organização homofóbica dos EUA chamada Exodus e foi apresentado por cristãos fundamentalistas norteamericanos como um “ex-gay”.
Ele se casou com uma “ex-lésbica” e ganhou dinheiro com palestras, entrevistas e participação em centenas de eventos promovidos pela direita religiosa. A “família perfeita” que eles haviam formado era exibida como a prova do poder de Deus de transformar vidas. Em 2001, entretanto, Paulk foi fotografado em um bar gay em Washington, D.C. Sua carreira como “ex-gay” era uma fraude; assim como muitas outras.

A Assembleia Mundial da Saúde retirou a homossexualidade de sua lista de distúrbios mentais em 1990. Três anos depois, com a nova Classificação Internacional de Doenças (CID-10), a homossexualidade deixou de ser considerada patologia. Desde então, para a ciência pelo menos, a homossexualidade é manifestação da diversidade humana, ponto. A Associação Psiquiátrica Americana (APA) sustenta que as posições que anunciam a “cura” da homossexualidade não são orientadas por estudos científicos, mas por grupos religiosos e políticos que se opõem à cidadania de gays e lésbicas. Em 2000, a entidade aprovou posição oficial sobre o tema das “terapias reparadoras” ou de “conversão” (Therapies Focused on Attempts to Change Sexual Orientation - Reparative or Conversion Therapies) assinalando: “nas últimas 4 décadas terapeutas “reparadores” não produziram qualquer pesquisa científica rigorosa que oferecesse substância às alegadas “curas”. (...) A APA recomenda que os profissionais éticos devam abster-se das tentativas de alterar a orientação sexual dos indivíduos, tendo em mente o ditado médico: ‘Primeiro, não fazer mal’ ”.

Esta conclusão sintetiza o consenso científico sobre o tema que amparou posição adotada no Brasil pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), na resolução nº 1, de 23 de Março de 1999, que estabelece normas para a atuação dos psicólogos sobre a orientação sexual. Nada disso, entretanto, interessa aos que foram colonizados pelo dogma e que estão dispostos a oferecer sua ignorância e as maldades decorrentes do preconceito em nome de Deus.

No século XX, há uma tentativa impressionante de “curar” homossexuais. Ela foi oferecida pelos nazistas. Eles começaram, em 1933, incendiando a biblioteca de Magnus Hirschfeld (1868-1935), o pioneiro médico defensor dos direitos dos homossexuais. Depois, promoveram Ernest Rüdin (1874-1952), psiquiatra autor da lei de esterilização dos “portadores de taras e heredomanias”. Nesta linha “terapêutica”, homossexuais foram submetidos a neurocirurgias, enquanto outros tiveram seus testículos extirpados.
A possibilidade de “curar” homossexuais é a mais nova bandeira da bancada evangélica no Brasil. Nulidades como marco feliciano (PCS), joão campos (PSDB) e roberto lucena (PV) lideram mais esta frente de intolerância e apreço pelo ridículo. Não há uma vírgula de amor e compreensão em seu ânimo, apenas o fanatismo dos que foram possuídos pela “verdade” – o mais perigoso de todos os fanatismos, em todos os tempos.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Jovens são agredidos na Cidade Baixa, em Porto Alegre

Polícia já identificou quatro pessoas que fazem parte de grupo que praticou violência

Jovens são agredidos na Cidade Baixa, em Porto Alegre Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal
Chutes e pontapés ficaram marcados no rosto, pescoço e costas Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal
Letícia Costa e Matheus Piovesan
As marcas de agressão no corpo de dois jovens estão registradas em fotografias. São roxos no rosto, no pescoço e nas costas resultantes do preconceito de um grupo de jovens ao ver um casal homossexual abraçado no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre.
O caso aconteceu na madrugada de sábado quando sete pessoas pararam em um bar na Rua José do Patrocínio antes de seguir para uma festa, por volta da 1h30min. Enquanto esperava as amigas irem no estabelecimento, Luan Hoffmann, 19 anos, começou a ser xingado e agredido com chutes e pontapés.
— Estava abraçado no meu namorado e um grupo de nove, dez pessoas chegaram me empurrando e me derrubaram.Meu amigo foi me ajudar e acabou se machucando mais do que eu. Tinha uma menina que ficou nos ameaçando com uma faca — lembra.


Após agredirem os dois, o grupo fugiu. Hoffmann mora há um ano na Capital, veio fazer um curso de comissário de bordo e nunca havia passado por preconceito em Porto Alegre.
— Pelo que o delegado falou, só fomos um aperitivo para eles — lamenta.
Ainda durante o fim de semana, o delegado Paulo Cesar Jardim, titular da 1ª Delegacia da Polícia Civil e coordenador do Grupo de Combate ao Neonazismo e Segregação Racial no Estado, se deteve em tentar identificar os suspeitos da agressão.
Luan ficou com marca da violência no rostoFoto: Arquivo Pessoal
Nesta segunda-feira, quatro pessoas foram apontadas como parte do grupo. Nesta terça, as amigas de Hoffmann reconheceram três homens por fotografias no sistema. Quando a investigação for concluída, os suspeitos podem ser acusados de crime de homofobia, formação de quadrilha, lesão corporal grave ou até mesmo tentativa de homicídio.
— Não houve provocação, eles apanharam pelo simples fato de serem homossexuais. Ainda não definimos a que grupo os agressores pertencem, mas tudo indica serem neonazistas. Identificamos os suspeitos com base nos depoimentos e conhecimento que já temos, e eles serão chamados para depor — explica o delegado.
Presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh) da Câmara Municipal de Porto Alegre, a vereadora Fernanda Melchionna (PSOL), considera o caso gravíssimo.
— Temos que fazer uma audiência para ver como estão as investigações destes grupos neonazistas, que corriqueiramente fazem agressões contra homossexuais e negros. É a expressão da prática homofóbica — afirma.

De: Zero Hora leticia.costa@zerohora.com.br e matheus.piovesan@zerohora.com.br


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Papa diz que aborto, eutanásia e casamento gay afetam a paz mundial


CIDADE DO VATICANO (AFP) – O Papa Bento XVI ataca o aborto, o casamento gay e a eutanásia na mensagem que será lida no primeiro dia do ano por ocasião da Jornada Mundial da Paz. O texto, divulgado com antecedência pelo Vaticano, afirma que estes atos colocam em perigo a paz mundial.
“Os que trabalham pela paz são os que amam, defendem e promovem a vida em sua integridade. Aqueles que não apreciam suficientemente o valor da vida humana e, em consequência, defendem por exemplo a liberação do aborto, talvez não percebam que, deste modo, propõem a busca de uma paz ilusória. A morte de um ser inerme e inocente nunca poderá trazer felicidade ou paz”, escreveu o Papa na mensagem.
Segundo o pontífice, quem deseja a paz não pode tolerar “atentados e delitos contra a vida”. “Como é possível pretender conseguir a paz, o desenvolvimento integral dos povos ou a própria salvaguarda do ambiente, sem que seja tutelado o direito à vida dos mais frágeis, começando pelos que ainda não nasceram?.”
“Tampouco é justo codificar de maneira sub-reptícia falsos direitos ou liberdades, que, baseados em uma visão reducionista e relativista do ser humano, e por meio do uso hábil de expressões ambíguas encaminhadas a favorecer um suposto direito ao aborto e à eutanásia, ameaçam o direito fundamental à vida”, adverte.
Na mensagem, o Papa elogia os “artesãos da paz” e pede a construção da paz “por meio de um novo modelo de desenvolvimento e de economia”.
Bento XVI afirma que “para sair da atual crise financeira e econômica, que tem como efeito um aumento das desigualdades, são necessárias pessoas, grupos e instituições que promovam a vida, favorecendo a criatividade humana para aproveitar inclusive a crise como uma oportunidade de discernimento e um novo modelo econômico”.
Ele convida os católicos a “atender a crise alimentar, muito mais grave que a financeira” e a apoiar os agricultores para que desenvolvam sua atividade “de modo digno e sustentável”.
O Papa reitera na mensagem que “a paz não é um sonho, não é uma utopia: é possível”.
Leia mais em AFP Movel.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Veja que lixo! Brilhante artigo de Jean Wyllys


Riobaldo, CABRA macho, se apaixonou por Diadorim, que ele julgava ser um homem
Eu havia prometido não responder à coluna do ex-diretor de redação de Veja, José Roberto Guzzo, para não ampliar a voz dos imbecis. Mas foram tantos os pedidos, tão sinceros, tão sentidos, que eu dominei meu asco e decidi responder.
A coluna publicada na edição desta semana do libelo da editora Abril — e que trata sobre o relacionamento dele com uma cabra e sua rejeição ao espinafre, e usa esses exemplos de sua vida pessoal como desculpa para injuriar os homossexuais — é um monumento à ignorância, ao mal gosto e ao preconceito.
Logo no início, Guzzo usa o termo “homossexualismo” e se refere à nossa orientação sexual como “estilo de vida gay”. Com relação ao primeiro, é necessário esclarecer que as orientações sexuais (seja você hétero, gay ou bi) não são tendências ideológicas ou políticas nem doenças, de modo que não tem “ismo” nenhum. São orientações da sexualidade, por isso se fala em “homossexualidade”, “heterossexualidade” e “bissexualidade”. Não é uma opção, como alguns acreditam por falta de informação: ninguém escolhe ser gay, hétero ou bi.
O uso do sufixo “ismo”, por Guzzo, é, portanto, proposital: os homofóbicos o empregam para associar a homossexualidade à ideia de algo que pode passar de uns a outros – “contagioso” como uma doença – ou para reforçar o equívoco de que se trata de uma “opção” de vida ou de pensamento da qual se pode fazer proselitismo.
Não se trata de burrice da parte do colunista portanto, mas de má fé. Se fosse só burrice, bastaria informar a Guzzo que a orientação sexual é constitutiva da subjetividade de cada um/a e que esta não muda (Gosta-se de homem ou de mulher desde sempre e se continua gostando); e que não há um “estilo de vida gay” da mesma maneira que não há um “estilo de vida hétero”.
A má fé conjugada de desonestidade intelectual não permitiu ao colunista sequer ponderar que heterossexuais e homossexuais partilham alguns estilos de vida que nada têm a ver com suas orientações sexuais! Aliás, esse deslize lógico só não é mais constrangedor do que sua afirmação de que não se pode falar em comunidade gay e que o movimento gay não existe porque os homossexuais são distintos. E o movimento negro? E o movimento de mulheres? Todos os negros e todas as mulheres são iguais, fabricados em série?
A comunidade LGBT existe em sua dispersão, composta de indivíduos que são diferentes entre si, que têm diferentes caracteres físicos, estilos de vida, ideias, convicções religiosas ou políticas, ocupações, profissões, aspirações na vida, times de futebol e preferências artísticas, mas que partilham um sentimento de pertencer a um grupo cuja base de identificação é ser vítima da injúria, da difamação e da negação de direitos! Negar que haja uma comunidade LGBT é ignorar os fatos ou inscrição das relações afetivas, culturais, econômicas e políticas dos LGBTs nas topografias das cidades. Mesmo com nossas diferenças, partilhamos um sentimento de identificação que se materializa em espaços e representações comuns a todos. E é desse sentimento que nasce, em muitos (mas não em todos, infelizmente) a vontade de agir politicamente em nome do coletivo; é dele que nasce o movimento LGBT. O movimento negro — também oriundo de uma comunidade dispersa que, ao mesmo tempo, partilha um sentimento de pertença — existe pela mesma razão que o movimento LGBT: porque há preconceitos a serem derrubados, injustiças e violências específicas contra as quais lutar e direitos a conquistar.
A luta do movimento LGBT pelo casamento civil igualitário é semelhante à que os negros tiveram que travar nos EUA para derrubar a interdição do casamento interracial, proibido até meados do século XX. E essa proibição era justificada com argumentos muito semelhantes aos que Guzzo usa contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Afirma o colunista de Veja que nós os homossexuais queremos “ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos”, e pouco depois ele coloca como exemplo a luta pelo casamento civil igualitário. Ora, quando nós, gays e lésbicas, lutamos pelo direito ao casamento civil, o que estamos reclamando é, justamente, não sermos mais tratados como uma categoria diferente de cidadãos, mas igual aos outros cidadãos e cidadãs, com os mesmos direitos, nem mais nem menos. É tão simples! Guzzo diz que “o casamento, por lei, é a união entre um homem e uma mulher; não pode ser outra coisa”. Ora, mas é a lei que queremos mudar! Por lei, a escravidão de negros foi legal e o voto feminino foi proibido. Mas, felizmente, a sociedade avança e as leis mudam. O casamento entre pessoas do mesmo sexo já é legal em muitos países onde antes não era. E vamos conquistar também no Brasil!
Os argumentos de Guzzo contra o casamento igualitário seriam uma confissão pública de estupidez se não fosse uma peça de má fé e desonestidade intelectual a serviço do reacionarismo da revista. Ele afirma: “Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar”. Eu não sei que tipo de relação estável o senhor Guzzo tem com a sua cabra, mas duvido que alguém possa ter, com uma cabra, o tipo de relação que é possível ter com um cabra — como Riobaldo, o cabra macho que se apaixonou por Diadorim, que ele julgava ser um homem, no romance monumental de Guimarães Rosa. O que ele chama de “relacionamento” com sua cabra é uma fantasia, pois falta o intersubjetivo, a reciprocidade que, no amor e no sexo, só é possível com outro ser humano adulto: duvido que a cabra dele entenda o que ele porventura faz com ela como um “relacionamento”.
Guzzo também argumenta que “se alguém diz que não gosta de gays, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei, afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de homossexuais, ou de espinafre, ou de seja lá o que for”. Bom, os gays somos como o espinafre ou como as cabras. Esse é o nível do debate que a Veja propõe aos seus leitores.
Não, senhor Guzzo, a lei não pode obrigar ninguém a “gostar” de gays, negros, judeus, nordestinos, travestis, imigrantes ou cristãos. E ninguém propõe que essa obrigação exista. Pode-se gostar ou não gostar de quem quiser na sua intimidade (De cabra, inclusive, caro Guzzo, por mais estranho que seu gosto me pareça!). Mas não se pode injuriar, ofender, agredir, exercer violência, privar de direitos. É disso que se trata.
O colunista, em sua desonestidade intelectual, também apela para uma comparação descabida: “Pelos últimos números disponíveis, entre 250 e 300 homossexuais foram assassinados em 2010 no Brasil. Mas, num país onde se cometem 50000 homicídios por ano, parece claro que o problema não é a violência contra os gays; é a violência contra todos”. O que Guzzo não diz, de propósito (porque se trata de enganar os incautos), é que esses 300 homossexuais foram assassinados por sua orientação sexual! Essas estatísticas não incluem os gays mortos em assaltos, tiroteios, sequestros, acidentes de carro ou pela violência do tráfico, das milícias ou da polícia.
As estatísticas se referem aos LGBTs assassinados exclusivamente por conta de sua orientação sexual e/ou identidade de gênero! Negar isso é o mesmo que negar a violência racista que só se abate sobre pessoas de pele preta, como as humilhações em operações policiais, os “convites” a se dirigirem a elevadores de serviço e as mortes em “autos de resistência”.
Qual seria a reação de todos nós se Veja tivesse publicado uma coluna em que comparasse os negros com cabras e os judeus com espinafre? Eu não espero pelo dia em que os homens concordem, mas tenho esperança de que esteja cada vez mais perto o dia em que as pessoas lerão colunas como a de Guzzo e dirão “veja que lixo!”.
Jean Wyllys
Deputado Federal (PSOL-RJ)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A "Mensagem da Vanessa" e a submissão ao obscurantismo

A Mensagem da Vanessa (Grazziotin), candidata pcdobista à prefeitura de Manaus concorre ao prêmio de fato mais lamentável do segundo turno das eleições municipais.
Lula, Dilma e outros candidatos progressistas já recuaram diante da pressão do obscurantismo fundamentalista. Calaram-se e eliminaram itens dos programas de governo, mas nunca chegaram ao grau de submissão política e ideológica da senadora Vanessa Grazziotin. Vanessa não se contentou em expressar o respeito às posições dos fundamentalistas, assumiu o discurso deles e hipotecou não apenas sua futura gestão na Prefeitura de Manaus (que não se confirmou), mas o próprio mandato parlamentar, que continua. Por usas próprias palavras, Vanessa renegou a pauta histórica dos movimentos de mulheres e LGBT. Entre as pérolas de Vanessa encontramos: "Creio em Deus", "Creio na premissa de amar a Deus sobre todas as coisas" e "Creio na familia como a célula mater da sociedade".  E segue: "Defendo a boa convivência entre as classes sociais", "Sou contra o aborto", "Me posicionarei contra projetos que afrontem a família", "Não participei do PL 122 (criminalização da homofobia) e não voto nele se for ao senado" e por fim, "Manterei todas as conquistas da comunidade (leia-se benefícios das igrejas) Cristã e Evangélica de Manaus".
Vanessa foi uma decepção. Sua mensagem é um manifesto de rendição da política ao fundamentalismo religioso que, ainda obscurecido pelas disputas PT x PSDB, aparece como uma das mais perigosas tendências políticas para o Brasil.
No fim das contas, a "mensagem" de Vanessa não impediu sua derrota. Pior que perder a eleição é perder a dignidade.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Silas Malafaia diz que vai “arrebentar” Fernando Haddad

Silas Malafaia diz que vai “arrebentar” Fernando Haddad
Silas Malafaia diz que vai “arrebentar” Fernando Haddad
Vale a pena ler na íntegra a matéira publicada no Gospel Prime.
O sujeito é um homofóbico que espalha o ódio e a intolererância para manter seu rebanho unido e vender seus livros, CDs e DVDs, além de utilizar uns 70% do seu tempo de TV para pedir dinheiro. Pra mim, é a expressão contemporânea dos vendilhões do templo.


"O assembleiano estará gravando um vídeo para ligar o candidato petista aos ativistas gays
por Leiliane Roberta Lopes  
O pastor Silas Malafaia esteve em São Paulo nesta terça-feira (9) para participar de uma reunião com o candidato à Prefeitura de São Paulo, José Serra (PSDB), que estará concorrendo no segundo turno com o candidato Fernando Haddad (PT), desafeto do líder religioso.
Nessa reunião Malafaia voltou a falar sobre o projeto do “kit gay” que foi elaborado a mando de Haddad que era o ministro da Educação. Ao apoiar Serra, o pastor afirma que quer “arrebentar” o candidato do PT nos resultados das urnas.
“O Haddad já está marcado pelos evangélicos como o candidato do ‘kit gay’. Não vamos dar moleza para ele”, disse Malafaia aos jornalistas depois do encontro.
A diferença entre os dois candidatos no primeiro turno foi pequena, por isso Malafaia não descarta que o petista pode vir a ganhar e se tornar prefeito da capital paulista. “Haddad pode até ganhar, mas não com os votos dos evangélicos”, completou.
“Vou mostrar um encontro dos ativistas gays dizendo no Congresso Nacional que pegariam em armas contra os religiosos e dizer que é isso que ele está apoiando. Vou arrebentar em cima do Haddad.”
A coordenação do PSDB já está tentando fazer contato com as igrejas que apoiaram Gabriel Chalita (PMDB) e Celso Russomanno (PRB) no primeiro turno. Enquanto isso o PT segue na posição de não pedir apoio aos evangélicos.
Malafaia gravará e divulgará na próxima segunda-feira (15) um vídeo com seu apoio ao candidato tucano que também será apoiado pelo Conselho de Pastores de São Paulo, liderado pelo pastor Jabes Alencar que também participou desta reunião."

sábado, 2 de junho de 2012

Bento XVI diz que Estado deve zelar pelo casamento heterossexual

Papa Bento XVI (Foto: EFE/Luca Bruno)

De: Época

Papa defendeu ainda uma "construtiva" colaboração entre o Estado e a Igreja para enfrentar os tempos de crise que atingem parte do planeta neste momento

O papa Bento XVI disse neste sábado (2) que o Estado deve estar a serviço da pessoa e zelar pelo direito da família, "baseada no casamento entre um homem e uma mulher".
O pontífice fez essas declarações durante o encontro que teve com autoridades, empresários, trabalhadores, artistas e educadores da região italiana da Lombardia na sede do arcebispado de Milão, onde se aloja durante sua estada na cidade para presidir o 7º Encontro Mundial das Famílias.
O bispo de Roma destacou que o Estado tem de reconhecer a identidade própria da família, "baseada no casamento entre um homem e uma mulher, aberta à vida", e o direito primário dos pais à livre escolha da educação e formação de seus filhos, "segundo o projeto educacional que considerem válido e pertinente".
"Não se faz justiça à família se o Estado não sustentar a liberdade de educação para o bem comum de toda a sociedade", ressaltou o papa.
Durante o evento, transmitido ao vivo pelo Centro Televisivo Vaticano CTV, o papa afirmou que, embora a concepção do estado confessional esteja superada, suas leis devem encontrar justificativa e força na lei natural, "que é o fundamento de uma ordem adequada à dignidade do ser humano".
"O Estado está a serviço e à tutela da pessoa, de seu bem-estar em seus múltiplos aspectos, começando com o direito à vida, que jamais pode ser suprimido deliberadamente", manifestou.
Bento XVI defendeu uma "construtiva" colaboração entre o Estado e a Igreja, sem que haja confusões sobre o papel de cada um, para enfrentar os tempos de crise que atingem parte do planeta neste momento. Nesse sentido, ele ressaltou a laicidade do Estado e disse que esse aspecto deve garantir a liberdade "para que todos possam propor sua visão da vida comum respeitando os demais e no contexto das leis que prezam pelo bem comum".
O pontífice também fez uma grande apologia à liberdade: "não é um privilégio para alguns, mas um direito para todos, um valioso direito que o poder civil deve garantir".
Ao falar sobre o papel dos líderes mundiais, o papa enfatizou que a principal qualidade de quem governa é a justiça, "virtude pública por excelência, porque impacta no bem de toda a comunidade".
Antes de se reunir com os representantes da sociedade milanesa, o papa manteve um encontro com o cardeal Carlo Maria Martini, de 85 anos. Ainda neste sábado, Bento XVI se deslocará ao parque de Bresso, em Milão, onde se reunirá com as milhares de famílias de todo o mundo - de mais de 100 nações - que participam do evento em uma vigília chamada "Festa do Testemunho"

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Marvel realiza casamento de super-heróis gays

X-men
Kyle Jinadu e Northstar se casam na edição que sai em 20 de junho
23/5/2012 7:50,  Por redação, com Reuters - de Los Angeles
Os personagens do universo X-Men, da Marvel, trocaram as armas pelas alianças para protagonizar o primeiro casamento homossexual entre super-heróis, marcado para junho.
A Marvel disse na terça-feira que Jean-Paul Beaubier, conhecido como Northstar, um canadense de penetrantes olhos azuis e mecha grisalha no cabelo, capaz de se deslocar e voar a velocidade sobre-humana, irá propor casamento a Kyle Jinadu, seu namorado há anos, na revista Astonishing X-Men #50, que foi lançada nesta quarta-feira.
- O Universo Marvel sempre refletiu o mundo além da sua janela, então nos empenhamos em assegurar que os personagens, relações e histórias se baseiem nessa realidade – disse o editor-chefe da Marvel, Alex Alonso, em nota.
- Estamos trabalhando nessa história há mais de um ano, para assegurar que o casamento de Northstar e Kyle reflita a tradição da Marvel de ‘mundo além da sua janela’.
O casório acontecerá na edição seguinte de Astonishing X-Men, que sai em 20 de junho. Algumas lojas especializadas em revistas vão dar festas de casamento nesse dia, segundo a Marvel.
Northstar e Kyle namoram desde 2009, mas a Marvel não promete que eles viverão felizes para sempre. No anúncio das bodas, a editora pergunta: “Será seu caminho até o matrimônio em Nova York suave, ou haverá perigos ocultos virando a esquina?”.
Como se enfrentar malfeitores e salvar o mundo não fosse o bastante.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

No Dia de Combate à Homofobia, a lembrança de Oscar Wilde

De:Para Ler e Pensar
 
OSCAR WILDE
 
Escritor, poeta e teatrólogo irlandês - 1856-1900
Oscar Fingall O'Flahertie Wills Wilde é o nome completo daquele que viria a ser um dos maiores escritores do século XIX. As turbulências e confusões cercam sua vida desde o dia do seu nascimento; uma dúvida até os dias de hoje. A data mais defendida seria 16 de outubro de 1854, mas, existem algumas divergências, sendo que alguns estudiosos afirmam que a data correta seria 15 de outubro de 1856; outros apontam o ano de 1855. Isso se torna irrelevante diante da grandiosidade de sua obra, desenvolvida durante os seus 46 anos de vida.

Esse irlandês, nascido em Dublin, era filho de um médico, Sir William Wilde, morto em 1876 e uma escritora, Jane Francesca Elgee, árdua defensora do movimento da Independência Irlandesa, fazendo com que desde criança Oscar Wilde estivesse sempre rodeado pelos maiores intelectuais da época.


Criado no Protestantismo, Oscar Wilde foi um aluno brilhante, sobretudo nos estudos das grandes obras clássicas gregas e pelos seus altos conhecimentos dos idiomas. Estudante na Portora Royal School de Enniskillem, onde ingressou em 1865, ganhou vários prêmios por esse seu destaque, inclusive no Trinity College, em Dublin, e no Magdalen College, Oxford, onde ingressou em 1874, saindo 4 anos depois. Nessa mesmo época, em 1878, ganhou o prêmio Newdigate, com a clássico "Ravena".


Desde cedo, sobressaía-se entre os demais estudantes, tanto pela sua inteligência quanto pelo temperamento forte e anticonvencional, levando-se em consideração a alta moralização dos costumes no século XIX. Mantinha sempre um ar de superioridade por onde ia, mas, sua forte personalidade e seu brilho natural sobrepunham-se a isso, tornando-o figura indispensável.


Em 1882, foi convidado para ir aos Eatados Unidos e palestrar sobre o seu recém criado Movimento Estético, onde se tornou o principal divulgador das idéias de renovação moral. Defendia o 'belo' como única solução contra tudo o que considerava denegrir a sociedade da época. Esse Movimento, que contava também com toda a nova geração de intelectuais britânicos, visava transformar o tradicionalismo na época Vitoriana, dando um tom de vanguarda ás artes.


No ano seguinte, 1883, vai para Paris, explorando todo o mundo literário francês, o que acaba por enfraquecer seu Movimento. Nesse período, no qual conquistou vários títulos, começou a publicar suas obras, pequenos escritos com inspiração clássica.


Em seguida, retorna para a Inglaterra, onde casa-se com Constance Lloyd, filha de uma advogado de renome em Dublin. Muda-se para Chelsea, notoriamente um bairro de artistas, com grande influência cultural. Teve 2 filhos, Cyril em 1885, e Vyvyan no ano seguinte.


Mesmo após ao casamento, manteve-se muito conhecido e requisitados em todas as rodas literárias, honrado com todos os compromissos aos quais era convidado. Tornou-se realmente uma pessoa indispensável e comentada aos eventos sociais, espalhando glamour e comentários por onde passava. Possuía uma aparência elegante, que atraia os olhares: vestia-se elegante e extravagantemente bem, com roupas e adereços que, segundo suas próprias palavras, sempre refletiam o que de mais íntimo existia dentro de si.


Continuando com suas obras, a seguinte foi "Vera", um texto teatral bem sucedido, publicado em 1880. Após esta, publicou uma coletânea de poemas. Chegou a ter 3 peças em cartaz simultaneamente nos teatros ingleses, fato notável tanto na época, como nos dias de hoje.


Em 1887 e 1888, foram lançados vários contos e novelas, como "O Príncipe Feliz", "O Fantasma de Canterville" e várias outras histórias, todas fantasiosas demais, chegando a ser comparadas com Contos de Fadas, mas, como toda a amargura que residia no coração de Oscar Wilde.


Durante toda sua vida, rumores iam sendo criados em torno da suposta vida irregular que ele teria, o que dava à sua figura, um ar de encantamento e atração ainda maior. Podia-se dizer que era amado por uns, repudiado por outros. Alguns estudiosos consideram que essa má fama chegou a atrapalhar sua carreira literária, mas, seus admiradores provam que era justamente o contrário, Oscar Wilde tinha a mistura perfeita de petulância e doçura.


Seu período literário mais produtivo foi 1887-1895.


Em 1891, lançou o que viria a ser sua obra prima, a obra que o colocaria para sempre no hall dos grandes escritores, "O Retrato de Dorian Gray". Livro que retrata a decadência moral humana, "O Retrato..." fez o escritor tornar-se ainda mais admirado e famoso.


No entanto, no seu apogeu literário, começaram a surgir os problemas pessoais. O que antes eram apenas boatos, passou a se concretizar, dando início á decadência pessoal daquele grande homem.


Suas atitudes, já um tanto quanto audaciosas para a época, ainda desafiariam muito mais a moralidade aristocrática inglesa. Rumores sobre seu homossexualismo, severamente condenado por lei na Inglaterra, apareceram, não podendo mais serem negados por ele.


Conhece o Lord Alfred Douglas (ou Bosie, como era apelidado), pivô de todo seu drama amoroso. O pai de Lord Douglas, Marquês de Queensberry, sabendo do envolvimento do filho com o escritor, envia carta á Oscar Wilde no Albermale Club, onde o ofende e recrimina toda e qualquer relação que ele venha a ter com o jovem Lord, dizendo "A Oscar Wilde, conhecido Sodomita". O escritor decidi processar o Marquês por difamação.
Em seguida, tenta mudar de idéia e desistir do processo, visto que muitas rumores pairavam sobre sua própria conduta. Mas, é tarde demais, e as provas concretas da sua desregrada vida sexual começam a aparecer e um novo processo é instaurado contra ele. Entre as provas, a mais contundente é uma carta enviada por Wilde para o jovem Lord, peça chave no julgamento:
"January 1893, Babbacombe Cliff  
A 6 de abril começa o primeiro dos processos contra ele., no Tribunal de Old Bailey.

Em 11 de abril, é transferido da Prisão de Bow Street, onde estava encarcerado, para a de Holloway, como réu de crime inafiançável.


Em 1885, a sentença é decretada: Oscar Wilde foi condenado por sua relação dúbia com o Lord e suas práticas homossexuais à 2 anos de cárcere. Segue-se uma transcrição das palavras do Juiz, onde ele diz, entre outras coisas, qual seria a penalidade para o literato:
Depois desse incidente, toda sua fama e sucesso financeiro começa a desmoronar. Suas obras e livros são recolhidos das livrarias, assim como suas comédias tiradas de cartaz. O que lhe resta, acaba sendo leiloado para suas despesas do processo judicial.
Mesmo condenado, Wilde não abaixaria sua cabeça e declararia á todos que quisessem ouvir, o que se passava dentro de si:
"O amor que não ousa dizer o nome' nesse século é a grande afeição de um homem mais velho por um homem mais jovem como aquela que houve entre Davi e Jonatas, é aquele amor que Platão tornou a base de sua filosofia, é o amor que você pode achar nos sonetos de Michelangelo e Shakespeare. É aquela afeição profunda, espiritual que é tão pura quanto perfeita. Ele dita e preenche grandes obras de arte como as de Shakespeare e Michelangelo, e aquelas minhas duas cartas, tal como são. Esse amor é mal entendido nesse século, tão mal entendido que pode ser descrito como o `Amor que não ousa dizer o nome' e por causa disso estou onde estou agora. Ele é bonito, é bom, é a mais nobre forma de afeição. Não há nada que não seja natural nele. Ele é intelectual e repetidamente existe entre um homem mais velho e um homem mais novo, quando o mais velho tem o intelecto e o mais jovem tem toda a alegria, a esperança e o brilho da vida à sua frente. Que as coisas deveriam ser assim o mundo não entende. O mundo zomba desse amor e às vezes expõe alguém ao ridículo por causa dele."
(Essas foram as palavras do literato em seu primeiro julgamento, em 26 de abril de 1895.)

Ainda assim, a poesia estava em suas veias e escreve mais duas obras: "A Balada do Cárcere de Reading", baseado na execução do ex-sargento Charles T. Woolridge dentro da Prisão de Reading e "De Profundis", uma longa carta ao Lord Douglas.
Wilde era o prisioneiro C-33 do presídio de Reading. E, enquanto estava preso, mais especificamente no ano de 1896, aconteceu um fato curioso: naquela madrugada de 3 de fevereiro, ele diz ter uma visão. Era o espírito de sua mãe que aparecia para ele. "Eu a convidei para sentar, mas ela só balançou a cabeça", disse o escritor.  No dia seguinte, ele recebe a notícia da morte de sua mãe.

Foi libertado em 19 de maio de 1897 e transferiu-se para a França, onde adotou o pseudônimo de Sebastian Melmouth, usando esse nome inclusive para o seu registro no   Hotel d´Alsace, onde passou a maior parte do resto dos seus dias. Mesmo após sua libertação, continua a manter contato com Lord Douglas, mas, sua relação já não era mais tão íntima. E, mesmo antes do julgamento, haviam dúvidas sobre o tamanho da intimidade entre os dois.


Após toda essa decadência, mais física, econômica do que moral, conhece a pobreza, e tudo o que de pior ela pode trazer. Vive isolado em hotéis baratos, destruindo-se através do absinto, cuja cor lhe rendeu frases célebres.


Não mais veria seus filhos, que chegaram a ter a atitude absurda de trocar de nomes, visto à vergonha que seu pai teria "impingido" ás suas vidas. Sua ex-mulher morreria em 1899.


Oscar Wilde, espirituoso e brilhante escritor, morreu de meningite e uma infecção no ouvido chamada "cholesteotoma" (doença muito comum antes do advento dos antibióticos) em um quarto barato de um hotel de Paris, ás 9 hrs 50 mins do dia 30 de novembro de 1900. Morreu sozinho, mas, não desmoralizado, pois havia deixado insubstituível obra que, mesmo depois de 1 século, ainda é admirada e relembrada, tamanho á sua genialidade. Suas últimas palavras foram "Esse papel de parede é horrível! Alguém precisa trocá-lo!", referindo-se ao papel de parede do quarto de hotel onde se encontrava.
O dramaturgo jaz no cemitério Père Lachaise, o mais célebre de Paris, onde estão os túmulos de outras 105 grandes personalidades do mundo, como Balzac, Chopin, Alan Kardec, La Fontaine e Molière. Seu túmulo fica no número 83 da Avenue Carette, entre a Transversal 3 e a Avenue Circulaire. Porém, esse não é o lugar onde ele foi inicialmente enterrado. Em 1900, ele foi sepultado no pequeno cemitério de Bagneux. As únicas pessoas que compareceram ao seu enterro foram seu amigo Robert Boss, que certa vez fez divulgação de alguns manuscritos de Wilde e Lord Douglas.
Lord Douglas, ironicamente, arca com todas as despesas do funeral do escritor e depois disso, casa-se, porém, não foi feliz em sua nova união, separando-se mais tarde. Sua vida pregressa com Oscar Wilde o impede de ter a custódia dos filhos. Ele acaba seus dias ainda rememorando a lembrança do escritor; recordações que deixa evidente em seu livro de memórias, escrito em 1938, Without Apology (Sem Desculpas), onde faz um balanço de toda a sua vida.
(Éditions Ferni, Géneve - Otto Pierre, Editores - Rio de Janeiro)
CITAÇÕES
"Quem quiser nascer tem que destruir um mundo. Destruir no sentido de romper com as tradições mortas e os fatos passados. Ser é ousar ser."
A morte é nascimento, é angustia e medo ante uma renovação aterradora."
"A vida é demasiado curta para cerregarmos os erros dos outros."
"Muitos imaginam que o excesso de jovialidade compensa o vazio do seu espírito."
"Só as pessoas superficiais tem necessidade de vários anos para se libertarem das suas emoções. Aquele que é senhor de si mesmo sabe impor silêncio ao seu desgosto, assim como sabe inventar novos prazeres."
"Certas criaturas têm a mania de dar bons conselhos precisando tanto deles para si... É o que chamo de cúmulo da generosidade."
" Nenhum homem é rico o bastante para comprar seu passado."
"O egoísmo não consiste em vivermos conforme os nossos desejos, mas sim em exigirmos que os outros vivam da forma que nós gostaríamos. O altruísmo consiste em deixarmos todo o mundo viver do jeito que bem quiser."
"A felicidade de um homem casado depende das mulheres com as quais não se casou."
"O maior castigo que o destino aplica ao homem casado é ver que sua mulher sempre acaba por se parecer com sua sogra."
"Para entendermos os outros, precisamos fortalecer a nossa própria personalidade."
"A única coisa de que podemos ter certeza acerca da natureza humana é que ela muda."
'Um homem que não tem pensamentos individuais é um homem que não pensa."
"A vida não é regida pela vontade ou pela determinação. A vida é um conjunto de nervos, fibras e células que se formam lentamente, onde se esconde o pensamento e a paixão sonha os seus sonhos."
"Um primeiro contato que começa com um elogio transformar-se-á certamente em real amizade. Assim, ela nasce da forma mais bonita."
" Em uma palavra, a Vida é o melhor, ou antes, o único discípulo da arte."
"Desconfiem de mulher que confessa a sua verdadeira idade. Uma mulher que diz isto, poderá dizer qualquer coisa."
"A alma nasce velha e se torna jovem. Eis a comédia da vida. O corpo nasce jovem e se torna velho. Eis a tragédia da alma."
"Não pode haver amizade entre homem e mulher. Pode haver paixão, hostilidade, adoração, amor, mas não amizade."
"Sempre podemos reconhecer pelo olhar se um homem tem ou não encargos domésticos que lhe pesam. Já reparei numa expressão de profunda tristeza nos olhos de inúmeros homens casados."
"É tão fácil converter os outros. É tão difícil converter a nós mesmos."
"Uma idéia que não é perigosa não merece ser chamada de idéia."
"Quando o homem chega a idade de fazer o mal, deveria também ter bastante idade para fazer o bem."
"A única coisa necessária é o supérfluo."
"Quando somos ditosos, sempre somos bons; porem quando somos bons, nem sempre somos ditosos."
 
- A caridade cria uma multidão de pecados.
(Oscar Wilde - Soul of Man under Socialism)