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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Conselho dos Direitos da Mulher critica aprovação do Estatuto do Nascituro

Heloisa Cristaldo
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O Conselho Nacional dos Direitos da Mulher se manifestou hoje (6) contra a proposta do Estatuto do Nascituro (PL 478/2007), aprovada ontem pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.
Em nota, o conselho informou que o Estatuto do Nascituro viola os direitos das mulheres e descumpre garantias constitucionais de previsão e indicação de fonte orçamentária. “É lamentável que as mulheres sejam, mais uma vez, vítimas da legitimação da violência perpetrada contra elas. O projeto dificulta o acesso das mulheres aos serviços de aborto previsto em lei, nos casos de risco de vida à gestante, de estupro e de gravidez de feto anencéfalo”, diz a nota.

O substitutivo ao Projeto de Lei (PL) 478/2007 aprovado ontem prevê, entre outros pontos, o direito ao pagamento de pensão alimentícia, equivalente a um salário mínimo, às crianças concebidas de violência sexual. A proposta segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O debate da proposta foi acompanhado por defensores dos direitos das mulheres, contrários ao projeto, e manifestantes contrários ao aborto e defensores da proposta. As duas partes lotaram a sala da comissão e exibiram faixas e cartazes pró e contra a matéria. O substitutivo, aprovado anteriormente na Comissão de Seguridade Social e Família, modificou o projeto original e ressalvou o direito de aborto em caso de gravidez resultante de estupro, atualmente permitido pelo Código Penal.
Edição: Fábio Massalli

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Aborto na visão de Carl Sagan

Em tempos de discussão sobre aborto, cabe ler o que pensava o cientista Carl Sagan.
No encerramento de artigo sobre o tema, o cientista afirma:
"E por que razão, exatamente, deve a respiração (ou a função renal, ou a resistência à doença) justificar protecção legal? Se um feto demonstra que pensa e sente, mas não consegue respirar, será legítimo matá-lo? Damos mais valor à capacidade de respirar do que à de pensar e sentir? Os argumentos de viabilidade não podem, a nosso ver, determinar com coerência quando é que é permissível abortar. É preciso outro critério. Mais uma vez pomos à consideração a proposta de que esse critério seja o do primeiro sinal de pensamento humano."
Leia o artigo completo clicando AQUI.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Papa diz que aborto, eutanásia e casamento gay afetam a paz mundial


CIDADE DO VATICANO (AFP) – O Papa Bento XVI ataca o aborto, o casamento gay e a eutanásia na mensagem que será lida no primeiro dia do ano por ocasião da Jornada Mundial da Paz. O texto, divulgado com antecedência pelo Vaticano, afirma que estes atos colocam em perigo a paz mundial.
“Os que trabalham pela paz são os que amam, defendem e promovem a vida em sua integridade. Aqueles que não apreciam suficientemente o valor da vida humana e, em consequência, defendem por exemplo a liberação do aborto, talvez não percebam que, deste modo, propõem a busca de uma paz ilusória. A morte de um ser inerme e inocente nunca poderá trazer felicidade ou paz”, escreveu o Papa na mensagem.
Segundo o pontífice, quem deseja a paz não pode tolerar “atentados e delitos contra a vida”. “Como é possível pretender conseguir a paz, o desenvolvimento integral dos povos ou a própria salvaguarda do ambiente, sem que seja tutelado o direito à vida dos mais frágeis, começando pelos que ainda não nasceram?.”
“Tampouco é justo codificar de maneira sub-reptícia falsos direitos ou liberdades, que, baseados em uma visão reducionista e relativista do ser humano, e por meio do uso hábil de expressões ambíguas encaminhadas a favorecer um suposto direito ao aborto e à eutanásia, ameaçam o direito fundamental à vida”, adverte.
Na mensagem, o Papa elogia os “artesãos da paz” e pede a construção da paz “por meio de um novo modelo de desenvolvimento e de economia”.
Bento XVI afirma que “para sair da atual crise financeira e econômica, que tem como efeito um aumento das desigualdades, são necessárias pessoas, grupos e instituições que promovam a vida, favorecendo a criatividade humana para aproveitar inclusive a crise como uma oportunidade de discernimento e um novo modelo econômico”.
Ele convida os católicos a “atender a crise alimentar, muito mais grave que a financeira” e a apoiar os agricultores para que desenvolvam sua atividade “de modo digno e sustentável”.
O Papa reitera na mensagem que “a paz não é um sonho, não é uma utopia: é possível”.
Leia mais em AFP Movel.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A "Mensagem da Vanessa" e a submissão ao obscurantismo

A Mensagem da Vanessa (Grazziotin), candidata pcdobista à prefeitura de Manaus concorre ao prêmio de fato mais lamentável do segundo turno das eleições municipais.
Lula, Dilma e outros candidatos progressistas já recuaram diante da pressão do obscurantismo fundamentalista. Calaram-se e eliminaram itens dos programas de governo, mas nunca chegaram ao grau de submissão política e ideológica da senadora Vanessa Grazziotin. Vanessa não se contentou em expressar o respeito às posições dos fundamentalistas, assumiu o discurso deles e hipotecou não apenas sua futura gestão na Prefeitura de Manaus (que não se confirmou), mas o próprio mandato parlamentar, que continua. Por usas próprias palavras, Vanessa renegou a pauta histórica dos movimentos de mulheres e LGBT. Entre as pérolas de Vanessa encontramos: "Creio em Deus", "Creio na premissa de amar a Deus sobre todas as coisas" e "Creio na familia como a célula mater da sociedade".  E segue: "Defendo a boa convivência entre as classes sociais", "Sou contra o aborto", "Me posicionarei contra projetos que afrontem a família", "Não participei do PL 122 (criminalização da homofobia) e não voto nele se for ao senado" e por fim, "Manterei todas as conquistas da comunidade (leia-se benefícios das igrejas) Cristã e Evangélica de Manaus".
Vanessa foi uma decepção. Sua mensagem é um manifesto de rendição da política ao fundamentalismo religioso que, ainda obscurecido pelas disputas PT x PSDB, aparece como uma das mais perigosas tendências políticas para o Brasil.
No fim das contas, a "mensagem" de Vanessa não impediu sua derrota. Pior que perder a eleição é perder a dignidade.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Estupro pela vontade de deus

Richard Mourdock
A declaração soa bizarra, mas o argumento é coerente. A Igreja Católica diz a mesma coisa e muitos de seus integrantes tem o mesmo entendimento, apenas o expressam de modo mais sofisticado.
Repito, o raciocínio é coerente: a vida surge na concepão e é um dom de deus, seja do jeito que for. Logo, tem que ser preservada, independente do modo como é concebida.
Se eu fosse religioso, não seria intolerante, mas seria fundamentalista. Ou as coisas acontecem pela vontade de deus, ou não acontecem. Se uma criança nasce pela vontade de deus, o estupro também seria pela vontade dele? Parece óbvio que sim. Alguém pode alegar que os seres humanos têm o livre arbítrio. Se isso é verdade, é de se perguntar se alguma mulher deseja ser estuprada, ou gerar um feto anencéfalo.  Em ambos os casos, os fundamentalismos religiosos não aceitam a interrupção da gravidez. Portanto, Mourdock não emite uma opinião excepcional, ele opina conforme o pensamento, tanbém, de grande parte da população brasileira. Isso é que preocupa.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Uruguai é vanguarda em uma América Latina ainda conservadora


Uruguai é vanguarda em uma América Latina ainda conservadora. 17448.jpegDe: Pravda.ru
Com a aprovação na última quarta (17) de uma lei que permite o aborto com poucas restrições, o Uruguai - que também debate a legalização da maconha - assume a vanguarda da liberalização das políticas sociais em uma região com forte influência católica.
Na América Latina, só Cuba e Cidade do México autorizam a interrupção voluntária da gravidez, que também é legal na Guiana e em Porto Rico. Todos os vizinhos do Uruguai o proíbem e a chegada de governos progressistas ainda não pôs o tema na agenda política.
A descriminalização do aborto volta a pôr em foco o Uruguai, um país com 3,3 milhões de habitantes que nos últimos meses já chamou atenção com uma proposta polêmica para legalizar a produção e a comercialização da maconha, ainda em estudo no Parlamento.
Além disso, nos últimos seis anos o Uruguai também foi o pioneiro da região ao legalizar a união civil de casais homossexuais (2007) e a adoção de crianças por casais do mesmo sexo (2009). Este ano, o governo também habilitou a mudança de nome e sexo e a entrada de homossexuais nas Forças Armadas.
A descriminalização do aborto e o avanço na legislação sobre os direitos dos homossexuais "é uma tendência que mostra que o Uruguai está se posicionando à frente de outros países latino-americanos que, muito provavelmente, seguirão o curso do que está ocorrendo no Uruguai", disse Felipe Arocena, sociólogo e doutor em Ciências Humanas.
Para Arocena, este momento pode ser uma reedição do ocorrido no começo do século 20, quando o Uruguai como Estado laico desde 1917 foi o primeiro da América do Sul a admitir o divórcio pela vontade exclusiva da mulher (1913) ou a permitir o voto feminino (em um plebiscito local de 1927). Também foi um dos primeiros a abolir a pena de morte (1907).
Nessa época também foram aprovadas avançadas normas trabalhistas, como a lei de 8 horas (1915) e de Previdência Social, na década de 1920.
"Parece que estamos retomando a linha que tinha sido um pouco deixada de lado. E estamos saindo do congelador que foi a ditadura (1973-1985), quando todos os avanços nos direitos humanos passaram por um processo de congelamento", sustentou.
Nesta tradição pode ter influência o fato de que "o peso da Igreja é bem menor do que ainda é em outros países", sustentou.
"O Uruguai se coloca na vanguarda da América Latina e isso tem a ver, em parte, também com o fato de ser o país mais laico da América Latina", avaliou a senadora governista Constanza Moreira.
Enquanto no Uruguai a Arquidiocese de Montevidéu manifestou, em um comunicado, "sua profunda dor e repúdio" contra a lei que descriminaliza o aborto, em Lima o cardeal Juan Luis Cipriani, nome do Opus Dei na região, clamou diante de uma imagem de Jesus Cristo para que "afaste a praga do aborto do mundo".
Para o senador Jorge Saravia, o único da oposição a votar pela lei do aborto, "se o Uruguai pretende estar no primeiro mundo, também tem que estar no primeiro mundo na concepção filosófica de alguns temas que o primeiro mundo solucionou".
"O Uruguai tem sido bastante vanguardista em aspectos como o direito da mulher e a legislação social em geral, e agora há algumas iniciativas que são relativamente vanguardistas. Mas é estranho porque também não é um país vanguardista. É um país com uma estrutura muito conservadora e uma média de idade muito elevada e envelhecida", avaliou, por sua vez, Rafael Bayce, doutor em Sociologia e Ciência Política.
"Mas houve em todas as épocas algumas correntes políticas, dentro dos partidos, com tendências progressistas, que têm conseguido certas maiorias conjunturais", disse.
Com AFP
http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=ceccbaaff99be20a857e00767f70b481&cod=10466

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Negras e pobres são mais vulneráveis ao aborto com risco

Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil
 
Brasília – Uma série de pesquisas realizadas no Brasil mostra que as desigualdades social e racial típicas do país desde a época colonial marcam também a prática do aborto. “As características mais comuns das mulheres que fazem o primeiro aborto é a idade até 19 anos, a cor negra e com filhos", descreve em artigo científico inédito a antropóloga Débora Diniz, da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis), e o sociólogo Marcelo Medeiros, também da UnB e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O texto, relativo a uma etapa da Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), será publicado em julho na Revista Ciência e Saúde Coletiva, da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Pública (Abrasco). A edição traz um dossiê sobre o aborto no Brasil, produzido com pesquisas feitas para o Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Diniz e Medeiros coordenaram, entre agosto de 2010 e fevereiro de 2011, levantamento com 122 mulheres entre 19 e 39 anos residentes em Belém, Brasília, Porto Alegre, no Rio de Janeiro e em Salvador.
Segundo os autores, a diferenciação sociorracial é percebida até no acompanhamento durante o procedimento médico. “As mulheres negras relatam menos a presença dos companheiros do que as mulheres brancas”, registram os pesquisadores. “Dez mulheres informaram ter abortado sozinhas e sem auxílio, quase todas eram negras, com baixa escolaridade [ensino fundamental] e quatro delas mais jovens que 21 anos”.
Os dados confirmam resultados encontrados pelos dois pesquisadores em 2010, quando verificaram, por meio de pesquisa de urna (método em que a entrevistada não se identifica no questionário que preenche e deposita em caixa vedada), que “o aborto é comum entre mulheres de todas as classes sociais, cuja prevalência aumenta com a idade, com o fato de ser da zona urbana, ter mais de um filho e não ser da raça branca”.
Conforme a pesquisa de 2010, 22% das mulheres brasileiras de 35 a 39 anos, residentes em áreas urbanas, já fizeram aborto. No levantamento, o aborto se mostrou mais frequente entre mulheres com menor nível de escolaridade, independentemente da filiação religiosa. “Esses dados demonstram que o aborto é prática disseminada, apesar da sua ilegalidade, constituindo-se questão para a saúde pública”, comenta Wilza Vieira Villela, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que pesquisou o aborto induzido entre as mulheres com HIV/aids.
Da mesma forma, o artigo de Rebeca de Souza e Silva, do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp, confirma a tese de que a desigualdade social afeta o acesso à prevenção da gravidez e também a qualidade do aborto. De acordo com seu estudo comparativo entre mulheres casadas e solteiras residentes na cidade de São Paulo, “as solteiras recorrem proporcionalmente mais ao aborto provocado (…). Contudo, as mais pobres, com menor escolaridade e maior dificuldade de acesso às benesses do mundo moderno, continuarão pagando alto preço – que pode ser a própria vida – pela opção de provocar um aborto”.
Souza e Silva defende a legalização do aborto, por entender que o problema “só será resolvido se o acesso aos serviços de qualidade for equitativo” e que “a ilegalidade traz consequências negativas para a saúde das mulheres, pouco coíbe essa prática e perpetua a desigualdade social, uma vez que os riscos impostos pela tal ilegalidade são vividos, sobretudo, pelas mulheres menos escolarizadas, geralmente as mais pobres, e pelas que não têm acesso aos recursos médicos para o aborto seguro”.
Para Estela Aquino, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (Ufba), “as restrições legais não coíbem a prática [do aborto] no país, mas reforçam desigualdades sociais, já que as mulheres mais pobres fazem o aborto de modo inseguro, gerando hospitalizações desnecessárias e representando riscos à saúde”.
No Brasil, o aborto voluntário é ilegal e tipificado como crime no Código Penal. O aborto é autorizado em caso de estupro e de risco de morte da mulher. Neste semestre, o Supremo Tribunal Federal confirmou  jurisprudência praticada em vários tribunais que já permitiram a interrupção da gravidez de fetos anencéfalos (malformação no tubo neural, no cérebro).
Edição: Juliana Andrade e Graça Adjuto

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Anencefalia

“A incolumidade física do feto anencéfalo que, se sobreviver ao parto, o será por poucas horas ou dias, não pode ser preservada a qualquer custo, em detrimento dos direitos básicos da mulher” (Marco Aurélio Mello)

terça-feira, 10 de abril de 2012

Supremo julga aborto de anencéfalos nesta quarta

De: Vermelho

Está marcado para esta quarta-feira (11) o julgamento da ação que pede a descriminalização do aborto de anencéfalos, no Supremo Tribunal Federal (STF). A ação chegou à Corte em 2004.

Um feto anencéfalo não tem cérebro e já foi comprovado que a mortalidade desses fetos após o nascimento é de 100% dos casos. Portanto, a anencefalia é uma condição que não permite a vida. Sob esta condição submeter uma mulher a esta gravidez é submetê-la a um sofrimento.

A mudança na lei permitirá que uma mulher possa interromper uma gravidez de um anencéfalo e será uma prova de respeito a autonomia da mulher escolher se quer levar adiante os nove meses desta gravidez.

A lei não obrigará que nenhuma mulher faça o aborto, mas permitirá que as mulheres tenham o direito de decidir se querem ou não levar adiante essa gravidez, respeitando o princípio da autonomia.

Em 2004, o ministro relator Marco Aurélio concedeu liminar autorizando a interrupção da gravidez quando a deformidade fosse atestada por laudo médico. A justificativa era de que, “diante de uma deformação irreversível do feto, há de se lançar mão dos avanços médicos tecnológicos, postos à disposição da humanidade não para simples inserção, no dia a dia, de sentimentos mórbidos, mas, justamente, para fazê-los cessar”.

Três meses depois, por maioria de votos, o plenário do STF decidiu cassar a liminar concedida pelo relator. Em 2008 foram realizadas audiências públicas nas quais foram ouvidos representantes do governo, especialistas, entidades religiosas e da sociedade civil.

Um levantamento realizado naquele mesmo ano comprovou a aprovação popular pelo aborto nesses casos. A pesquisa, realizada pelo Ibope, a pedido dos movimentos Católicas pelo Direito de Decidir e a Anis, Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, voltada para a pesquisa, assessoramento e capacitação em bioética na América Latina, ouviu 2.002 pessoas em todos os estados e Distrito Federal.

Dos entrevistados, 70,5% da população geral e 72,2% dos declarados católicos disseram concordar que a mulher grávida de um feto anencéfalo pode escolher se interrompe ou não a gestação; para 77% é obrigação do Estado atender às mulheres; para 71% obrigar uma mulher a manter até o final a gestação de um feto com essa anomalia, contra sua vontade, é uma forma de tortura. Entre os católicos, o número sobe para 72,5%. Já para 77,6%, os hospitais públicos têm o dever de atender a mulher que optar pela interrupção da gravidez nesses casos, índice que aumenta para 78,7% entre católicos.

"Nossos úteros não são caixões! Pelo aborto legal e seguro! Pela vida das mulheres!", defendem as organizações de mulheres como a Universidade Livre Feminista.

Documentário

Conheça um caso real e triste de uma gestação de feto anencéfalo que tão pode ser interrompida. "Uma História Severina" mostra a crueldade de se obrigar uma mulher a levar a gravidez de anencéfalo até o fim.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Para bispo, ministra da Secretaria das Mulheres é 'mal-amada e irresponsável'

Dom José Benedito Simão

Presidente da Comissão da Vida da CNBB em SP, d. Simão ataca Eleonora
10 de fevereiro de 2012  Chico Siqueira, especial para o Estado

ARAÇATUBA - O bispo de Assis (SP), d. José Benedito Simão, presidente da Comissão pela Vida da regional Sul 1 (Estado de São Paulo) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), disse ao Estado que a nova ministra da Secretaria de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, "é uma pessoa infeliz, mal-amada e irresponsável", que "adotou uma postura contra o povo e em favor da morte" ao defender o aborto em declarações dadas à imprensa. Informada, a ministra não quis comentar as críticas feitas pelo bispo.

"Recebo com muita indignação as palavras da nova ministra, cuja pasta tem uma grande responsabilidade em favor da vida da mulher", afirmou d. José – para quem a ministra abriu uma polêmicas que pode criar um confronto entre Igreja e governo. "Ela é infeliz, mas ninguém precisa ficar sabendo. Seu discurso mostra que ela pode estar reabrindo feridas que estavam cicatrizando", disse ainda o bispo, referindo-se aos debates ocorridas no fim do governo Lula sobre aborto no Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH-3). "Ela tem obrigação de apresentar programas que gerem vida, e não morte. Deve falar em defesa da mulher, em defesa da vida, mas se posicionou a favor do homicídio, ao defender o aborto", protestou.

O bispo também reclamou das declarações da ministra sobre as preferências sexuais de sua filha, afirmando que ela "deveria tomar mais cuidado para não dar mau exemplo para nossos adolescentes".

Panfletos. D. José, de 61 anos, ficou conhecido em janeiro de 2010, quando divulgou panfletos chamando Lula de "novo Herodes", por levar adiante o PNDH 3. Os panfletos voltaram a circular em outubro, em plena campanha presidencial de segundo turno, mas foram apreendidos em uma gráfica do Cambuci, em SãoPaulo. A gráfica informou que a encomenda lhe fora feita pela diocese de Guarulhos.

Em outro trecho da entrevista de ontem, o bispo de Assis disse que vai seguir de perto os pronunciamentos da ministra. "Vamos acompanhar seu trabalho. Se os discursos forem nessa mesma linha (de defesa do aborto), vamos tomar algumas medidas de protesto, que podem ser panfletos ou manifesto público", acrescentou. E concluiu dizendo que "foi uma escolha infeliz do governo de Dilma", que poderia ter escolhido "uma pessoa mais responsável e equilibrada, mas colocaram essa pessoa para reacender temas polêmicos e complexos e reabrir feridas que estavam se fechando".
Fonte: Estadão

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Aborto de fetos anencéfalos. Sim ou não?

O portal do Senado Federal está fazendo uma enquete sobre o projeto (PLS 227, de 2004) que permite o aborto de fetos anencéfalos. O NÃO está vencendo de modo retumbate.
Eu votei sim. 
Aproveitando que, ontem, foi o dia de Carl Sagan, peço que aqueles que lerem este post leiam um artigo de Carl Sagan sobre o tema, clicando aqui. Depois, votem. Vá direto para a enquete clicando aqui.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Estatuto do Nascituro ?

Li   no Blog Trezentos e achei interessante reproduzir.
A Marcha Mundial das Mulheres repudia com indignação o Projeto de Lei (PL) de autoria do Deputado Luiz Bassuma (PV-BA) e Miguel Martini (PHS-MG), que propõe instituir o Estatuto do Nascituro. O PL passa a considerar sujeito pleno de direito o óvulo fecundado, ou seja, o concebido e não nascido passa a ter mais direitos do que a mulher.
Tal PL pretende ainda legalizar, a violência sexual, especialmente o estupro que sofrem as mulheres. Tornando inadmissível o aborto conseqüente desta violação e instituindo o pagamento de auxilio para sustentação do nascido até os 18 anos. A Bolsa Estupro, como é conhecida pelos movimentos de mulheres, reforçará que a punição recairá sobre a própria mulher. A bolsa terá que ser paga pelo agressor e caso não o faça o ônus recairá sobre o Estado.
Afora a hipocrisia, se destaca a pretensão do legislador em querer determinar quando começa a vida, coisa que nem a ciência ousou fazer. Ao analisar os dispositivos desta proposta cai por terra o discurso de proteção da vida, pois não se vê nada além do que já tratam as legislações vigentes, sobre direitos de personalidade, direito de saúde e patrimoniais dos recém nascidos.
Caso aprovado fica proibido ainda qualquer manifestação que trate do assunto Aborto, cerceando o direito do debate quesito fundamental na democracia.
Entendemos que a proposta do Estatuto do nascituro deve ser rechaçada, pois ela significa mais um dos ataques dos conservadores, machistas e opressores:
- Condena as mulheres à submissão, mantendo-as expostas à violência;
- Reflete a omissão do legislativo diante do aborto como elemento de preservação da vida das mulheres e de garantia da autonomia;
- Golpeia a democracia, a igualdade e a justiça, atingindo bens e valores construídos historicamente.
O avanço rumo à aprovação do chamado ‘Estatuto do Nascituro’, deve ser visto como ameaça aos direitos das mulheres. Nele, estão reunidas as pautas mais retrogradas e de submissão, ostentadas pelo patriarcado e as instituições que o perpetuam, ao longo dos séculos: controle sobre o corpo das mulheres, a institucionalização da violência sexual e o domínio sobre o destino das mulheres.
Direito ao nosso corpo. Legalizar o aborto!
Marcharemos até que todas sejamos inteiramente LIVRES!
MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES
Minha opinião sobre o início da vida e a possibilidade de aborto segue a opinião de Carl Sagan. Leia aqui.