Mostrando postagens com marcador Dilma. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dilma. Mostrar todas as postagens

domingo, 22 de maio de 2016

O golpe de Estado de 2016 no Brasil, Por Michael Löwy.

Foto de @losotrosjudios


Vamos dar nome aos bois. O que aconteceu no Brasil, com a destituição da presidente eleita Dilma Rousseff, foi um golpe de Estado.

Golpe de Estado pseudolegal, “constitucional”, “institucional”, parlamentar ou o que se preferir. Mas golpe de Estado. Parlamentares – deputados e senadores – profundamente envolvidos em casos de corrupção (fala-se em 60%) instituíram um processo de destituição contra a presidente pretextando irregularidades contabilísticas, “pedaladas fiscais”, para cobrir défices nas contas públicas – uma prática corriqueira em todos os governos anteriores! Não há dúvida de que vários quadros do PT estão envolvidos no escândalo de corrupção da Petrobras, mas Dilma não… Na verdade, os deputados de direita que conduziram a campanha contra a presidente são uns dos mais comprometidos nesse caso, começando pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (recentemente suspenso), acusado de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão fiscal etc.
A prática do golpe de Estado legal parece ser a nova estratégia das oligarquias latino-americanas. Testada nas Honduras e no Paraguai (países a que a imprensa costuma chamar de “República das Bananas”), ela mostrou-se eficaz e lucrativa para eliminar presidentes (muito moderadamente) de esquerda. Agora foi aplicada num país que tem o tamanho de um continente…
Podemos fazer muitas críticas a Dilma: ela não cumpriu as promessas de campanha e faz enormes concessões a banqueiros, industriais, latifundiários. Há um ano a esquerda política e social cobra uma mudança de política económica e social. Mas a oligarquia de direito divino do Brasil – a elite capitalista financeira, industrial e agrícola – não se contenta mais com concessões: ela quer o poder todo. Não quer mais negociar, mas sim governar diretamente, com seus homens de confiança, e anular as poucas conquistas sociais dos últimos anos.
Citando Hegel, Marx escreveu no 18 de Brumário de Luís Bonaparte que os acontecimentos históricos repetem-se duas vezes: a primeira como tragédia, a segunda como farsa. Isso aplica-se perfeitamente ao Brasil. O golpe de Estado militar de abril de 1964 foi uma tragédia que mergulhou o Brasil em vinte anos de ditadura militar, com centenas de mortos e milhares de torturados. O golpe de Estado parlamentar de maio de 2016 é uma farsa, um caso tragicómico, em que se vê uma cambada de parlamentares reacionários e notoriamente corruptos derrubar uma presidente democraticamente eleita por 54 milhões de brasileiros, em nome de “irregularidades” contabilísticas. A principal componente dessa aliança de partidos de direita é o bloco parlamentar (não partidário) conhecido como “a bancada BBB”: “Bala” (deputados ligados à Polícia Militar, aos esquadrões da morte e às milícias privadas), “Boi” (grandes proprietários de terra, criadores de gado) e “Bíblia” (neopentecostais integristas, homofóbicos e misóginos). Entre os partidários mais empolgados com a destituição de Dilma destaca-se o deputado Jair Bolsonaro, que dedicou o seu voto aos oficiais da ditadura militar e nomeadamente ao coronel Ustra, um torturador notório. Uma das vítimas de Ustra foi Dilma Rousseff, que no início dos anos 1970 era militante de um grupo de resistência armada, e também o meu amigo Luiz Eduardo Merlino, jornalista e revolucionário, morto em 1971 sob tortura, aos 21 anos de idade.
O novo presidente, Michel Temer, entronizado por seus acólitos, está envolvido em vários casos suspeitos, mas ainda não é alvo de investigação
O novo presidente, Michel Temer, entronizado por seus acólitos, está envolvido em vários casos suspeitos, mas ainda não é alvo de investigação. Uma pesquisa recente perguntou aos brasileiros se eles votariam em Temer para presidente da República: 2% responderam que sim…
“Ódio à democracia”
Em 1964, grandes manifestações “da família com Deus pela liberdade” prepararam o terreno para o golpe contra o presidente João Goulart; desta vez, multidões “patrióticas” – influenciada pela imprensa submissa – mobilizaram-se para exigir a destituição de Dilma, em alguns casos chegando a pedir o retorno dos militares… Formadas essencialmente por brancos (os brasileiros são em maioria negros ou mestiços) de classe média, essas multidões foram convencidas pelos média de que, nesse caso, o que está em jogo é “o combate à corrupção”.
O que a tragédia de 1964 e a farsa de 2016 têm em comum é o ódio à democracia. Os dois episódios revelam o profundo desprezo que as classes dominantes brasileiras têm pela democracia e pela vontade popular.
O golpe de Estado “legal” vai transcorrer sem grandes obstáculos, como nas Honduras e no Paraguai? Isso ainda não é certo… As classes populares, os movimentos sociais e a juventude rebelde ainda não deram a última palavra.

Artigo enviado pelo autor diretamente ao Blog da Boitempo. A tradução, a partir do original em francês, é de Mariana Echalar.

sábado, 22 de novembro de 2014

VEJA GOLPEIA E PLANALTO REAGE: IRÁ FRACASSAR

:
Neste fim de semana, como era de se esperar, Veja tentou, mais uma vez, desferir um golpe contra a presidente Dilma Rousseff; a acusação da vez é a de que ela teria sido avisada, por email, por Paulo Roberto Costa sobre uma saída política para os problemas que envolviam a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco; em nota, o Palácio do Planalto reagiu; "Mais uma vez, Veja desinforma seus leitores e tenta manipular a realidade dos fatos. Mais uma vez, irá fracassar", diz a nota; leia a íntegra

247 - Já ficou manjado, de tão repetitivo. A cada semana, a revista Veja, da Editora Abril, tentará um novo golpe contra a presidente Dilma Rousseff.
Depois de passar pela maior humilhação da história do jornalismo brasileiro, ao ser condenada a publicar um direito de resposta em pleno dia de votação, por tentar, segundo a Justiça, manipular a opinião pública, Veja atacou novamente, neste fim de semana.
A "bomba" é um email de Paulo Roberto Costa para a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em que o ex-diretor da Petrobras trata de restrições do Tribunal de Contas da União às obras da Refinaria Abreu e Lima. Na mensagem, Costa propõe que o tema passe pelo Congresso. Segundo Veja, naquele momento, Dilma poderia ter feito parar o chamado "petrolão".
Em nota, o Palácio do Planalto reagiu. "Depois de tentar interferir no resultado das eleições presidenciais, numa operação condenada pela Justiça eleitoral, Veja tenta enganar seus leitores ao insinuar que, em 2009, já se sabia dos desvios praticados pelo senhor Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobras demitido em março de 2012 pelo governo da presidenta Dilma", diz o texto. "As práticas ilegais do senhor Paulo Roberto Costa só vieram a público em 2014, graças às investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público."
Leia, abaixo, a íntegra da nota do Palácio do Planalto:
NOTA À IMPRENSA
A reportagem de capa da revista Veja de hoje é mais um episódio de manipulação jornalística que marca a publicação nos últimos anos.
Depois de tentar interferir no resultado das eleições presidenciais, numa operação condenada pela Justiça eleitoral, Veja tenta enganar seus leitores ao insinuar que, em 2009, já se sabia dos desvios praticados pelo senhor Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobras demitido em março de 2012 pelo governo da presidenta Dilma.
As práticas ilegais do senhor Paulo Roberto Costa só vieram a público em 2014, graças às investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. 
Aos fatos:
Em 6 de novembro de 2014, Veja procurou a Secretaria de Imprensa da Presidência da República informando que iria publicar notícia, “baseada em provas factuais”, de que a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, recebeu mensagem eletrônica do senhor Paulo Roberto Costa, então diretor da Petrobras, sobre irregularidades detectadas em 2009 pelo Tribunal de Contas da União nas obras da refinaria Abreu e Lima. O repórter indagava que medidas e providências foram adotadas diante do acórdão do TCU. A revista não enviou cópia do e-mail.
No dia 7 de novembro, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República encaminhou a seguinte nota para a revista:
“Em 2009, a Casa Civil era responsável pela coordenação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Assim, relatórios e acórdãos do TCU relativos às obras deste programa eram sistematicamente enviados pelo próprio tribunal para conhecimento da Casa Civil.
Após receber do Congresso Nacional (em agosto de 2009), do TCU (em 29 de setembro de 2009) e da Petrobras (em 29 de setembro de 2009), as informações sobre eventuais problemas nas obras da refinaria Abreu e Lima, a Casa Civil tomou as seguintes medidas: 
a. Encaminhamento da matéria à Controladoria Geral da União, em setembro de 2009, para as providências cabíveis;
b. Determinação para que o grupo de acompanhamento do PAC procedesse ao exame do relatório, em conjunto com o Ministério de Minas e Energia e a Petrobras;
c. Participação em reunião de trabalho entre representantes do TCU, Comissão Mista de Orçamento, Petrobras e MME, após a inclusão da determinação de suspensão das obras da refinaria Abreu e Lima no Orçamento de 2010, aprovado pelo Congresso.
Nesta reunião, realizada em 20 de janeiro de 2010, “houve consenso sobre a viabilidade da regularização das pendências identificadas pelo TCU” nas obras da refinaria Abreu e Lima (conforme razões de veto de 26 de janeiro de 2009). Foi decidido, também, o acompanhamento da solução destas pendências, por meio de reuniões regulares entre o MME, o TCU e a Petrobras.
A partir daí, o Presidente da República decidiu pelo veto da proposta de paralisação da obra, com base nos seguintes elementos:
1) a avaliação de que as pendências levantados pelo TCU seriam regularizáveis;
2) as informações prestadas em nota técnica do MME que evidencia os prejuízos decorrentes da paralisação; e
3) o pedido formal de veto por parte do então Governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
Este veto foi apreciado pelo Congresso Nacional, sendo mantido.
A partir de 2011, o Congresso Nacional, reconhecendo os avanços no trabalho conjunto entre MME, Petrobras e TCU, não incluiu as obras da refinaria Abreu e Lima no conjunto daquelas que deveriam ser paralisadas.
E a partir de 2013, tendo em vista as providências tomadas pela Petrobras, o TCU modificou o seu posicionamento sobre a necessidade de paralisação das obras da refinaria Abreu e Lima”.
A inconsistência da reportagem de Veja é evidente. As pendências apontadas pelo TCU nas obras da refinaria Abreu e Lima já haviam sido comunicadas, em agosto, à Casa Civil pelo Congresso e foram repassadas ao órgão competente, a CGU.
Como fica evidente na nota, representantes do TCU, Comissão Mista de Orçamento do Congresso, Petrobras e do Ministério de Minas e Energia discutiram a solução das pendências e, posteriormente, o Congresso Nacional concordou com o prosseguimento das obras na refinaria.
Mais uma vez, Veja desinforma seus leitores e tenta  manipular a realidade dos fatos. Mais uma vez, irá fracassar.
SECRETARIA DE IMPRENSA
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Estarrecedor! Relatórios do governo Aécio somem do site do TCE-MG

Por , postado em outubro 16th, 2014 | 64 comentários

ScreenHunter_5229 Oct. 16 11.35


Os coxinhas chamam Dilma de “comunista”, o que é uma bobagem.
Dilma é centro-esquerda democrática, a mesma que transformou as principais nações da Europa em economias poderosas, modernas e socialmente justas.
Quem está parecendo a Coréia do Norte é o estado de Minas Gerais, governado pelo grupo de Aécio desde 2002.
O aparelhamento aecista no estado é absolutamente estarrecedor.
Estou chocado. Nem sei por onde começar. Vou trabalhar com itens numerados para não me perder.
1) Quando era governador de Minas, o candidato nomeou a mulher de seu vice, Adriene Andrade, para o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG).
Só aí já temos uma tremenda falta de ética.  O Tribunal de Contas é o órgão que aprova ou desaprova o uso do dinheiro público pelo governador.
Vai vendo.
2) No último debate, Dilma mencionou relatórios presentes no site do TCE. Pois bem, o TCE tirou o site do ar em seguida, e quando voltou, os relatórios tinham desaparecido! Não sou eu que estou dizendo. É a ultratucana Folha de São Paulo.
Acho que nem a Folha tinha ideia do quão provinciano e autoritário é o governo do PSDB em Minas Gerais.
3) Logo após a declaração de Dilma, o TCE-MG, como se estivesse participando da campanha de Aécio, publicou comunicado informando que as contas do governo Aécio Neves (2003-2010) foram aprovadas. Minutos depois, o fato foi divulgado pela assessoria de campanha do tucano.
4) Um detalhe: o vice de Aécio era Clésio de Andrade, dono do instituto Sensus, o mesmo que tem divulgado pesquisas bandidas para favorecer o tucano.
- See more at: http://www.ocafezinho.com/2014/10/16/estarrecedor-relatorios-do-governo-aecio-somem-do-site-do-tce-mg/#sthash.qCLLh4NW.dpuf

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Marcos Rolim: Sobre o 2º turno: Aécio não.

O processo eleitoral selecionou a polarização entre PT e PSDB, a mesma dos últimos 20 anos. O resultado impede que a política brasileira seja renovada, obrigando os eleitores a uma opção conservadora. Por conta disto, penso que Marina e a Rede fariam melhor caso se mantivessem a par desta disputa, antecipando uma postura de oposição ao próximo governo. Há, seguramente, muitos aspectos a serem considerados e não parto do princípio de que minha posição esteja correta. O fato é que, neste momento, divirjo em um ponto essencial da posição tomada por Marina que anunciou apoio a Aécio a partir de um diálogo em torno de pontos programáticos importantes, mas que não serão assumidos efetivamente pelo PSDB e por sua composição política.
Pessoalmente, embora com uma visão essencialmente crítica a respeito do governo Dilma, não considero que Aécio seja uma alternativa, nem que represente compromissos mais avançados. Pelo contrário, penso que um governo do PSDB poderá abrir espaços para retrocessos importantes em temas cruciais como as políticas de segurança – com a abordagem do tipo “Lei e Ordem”, o estímulo à violência policial e o incremento da demanda por encarceramento. O tema da redução da idade penal sintetiza uma visão essencialmente repressiva sobre segurança, constituindo um mantra com o qual Aécio e o PSDB articulam o apoio dos setores mais reacionários na área. Apenas isto já seria o suficiente para recusar o caminho proposto por Aécio.
Com esta breve avaliação, registro que votarei em Dilma no 2º turno, como já o fiz em 2010. Os motivos são os mesmos. Temos de um lado uma proposta que, a par dos seus limites políticos e morais, possui um sentido claramente inclusivo que tem beneficiado setores historicamente fragilizados. De outro, temos um campo que é muito mais claramente orgânico aos grandes grupos econômicos e que tende a reduzir o impacto das políticas sociais ao invés de aprofundá-lo: trata-se, então, de evitar o pior. Ponto.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Jean Wyllys não fica no muro e apoia Dilma

Carta para além do muro (ou por que Dilma agora)

Aécio representa uma coligação de partidos de ultradireita, com uma base ainda mais conservadora que a do governo Dilma no Parlamento.
por Jean Wyllys — Na Carta Capital
O muro não é meu lugar, definitivamente. Nunca gostei de muros, nem dos reais nem dos imaginários ou metafóricos. Sempre preferi as pontes ou as portas e janelas abertas, reais ou imaginárias. Estas representam a comunicação e, logo, o entendimento. Mas quando, infelizmente, no lugar delas se ergue um muro, não posso tentar me equilibrar sobre ele. O certo é avaliar com discernimento e escolher o lado do muro que está mais de acordo com o que se espera da vida. O correto é tomar posição; posicionar-se mesmo que a posição tomada não seja a ideal, mas a mais próxima disso. Jamais lavar as mãos como Pilatos – o que custou a execução de Jesus – ou sugerir dividir o bebê disputado por duas mães ao meio.
Sei que cada escolha é uma renúncia. E, por isso, estou preparado para os insultos e ataques dos que gostariam que eu fizesse escolha semelhante às suas.
Por respeito à democracia interna do meu partido, aguardei a deliberação da direção nacional para dividir, com vocês, minha posição sobre o segundo turno. E agora que o PSOL já se expressou, eu também o faço.
Antes de mais nada, quero dizer que estou muito feliz e orgulhoso pelo papel cumprido ao longo de toda a campanha por Luciana Genro. Jamais um(a) candidato(a) presidencial tinha assumido em todos os debates, entrevistas e discursos – e, sobretudo, no programa de governo apresentado – um compromisso tão claro com a defesa dos direitos humanos de todos e de todas. Luciana foi a primeira candidata a falar as palavras “transfobia” e “homofobia” num debate presidencial, além de defender abertamente o casamento civil igualitário, a lei de identidade de gênero e a criminalização da homofobia nos termos em que eu mesmo a defendo; mas também foi a primeira a defender, sem eufemismos, as legalizações do aborto e da maconha como meios eficazes de reduzir a mortalidade da população pobre e negra, a taxação das grandes fortunas, a desmilitarização da polícia e outras pautas que considero fundamentais. O PSOL saiu da eleição fortalecido.
Agora, no segundo turno, a eleição é entre os dois candidatos que a população escolheu: Dilma Rousseff e Aécio Neves. E eu não vou fugir dessa escolha porque, embora tenha fortes críticas a ambos, acredito que existam diferenças importantes entre eles.
A candidatura de Aécio Neves – com o provável apoio de Marina Silva (e o já declarado apoio dos fundamentalistas MAL-AFAIA e Pastor Everaldo; do ultrarreacionário Levy Fidélix; da quadrilha de difamadores fascistas que tem por sobrenome Bolsonaro e do PSB dos pastores obscurantistas Eurico e Isidoro) – representa um retrocesso: conservadorismo moral, política econômica ultraliberal, menos políticas sociais e de inclusão, mais criminalização dos movimentos sociais, mais corrupção (sim, ao contrário do que sugere parte da imprensa, o PT é um partido menos enredado em esquemas de corrupção que o PSDB), mais repressão à dissidência política e menos direitos civis.
Mesmo com todos as críticas que eu fiz, faço e continuarei fazendo aos governos do PT, a memória da época do tucanato me lembra o quanto tudo pode piorar. Por outro lado, Aécio representa uma coligação de partidos de ultradireita, com uma base ainda mais conservadora que a do governo Dilma no Parlamento. Esse alinhamento político-ideológico à direita entre Executivo e Legislativo é um perigo para a democracia.
Vocês, que acompanham meus posicionamentos no Congresso, na imprensa e aqui sabem o quanto eu fui crítico, durante esses quatro anos, das claudicações e recuos do governo Dilma e do tipo de governabilidade que o PT construiu. Mas sabem, também, que tenho horror a esse antipetismo de leitor da revista marrom, por seu conteúdo udenista, fundamentalista religioso, classista e ultraliberal em matéria econômico-social. Considero-o uma ameaça às conquistas já feitas, que não são todas as que eu desejo, mas existem e são importantes, principalmente para os mais pobres. As manifestações de racismo e classismo que vi nos últimos dias nas redes sociais contra o povo nordestino, do qual faço parte como baiano radicado no Rio, mais ainda me horrorizam.
Por isso, aderindo à posição da direção nacional do PSOL, que declarou “Nenhum voto em Aécio”, eu declaro que, neste segundo turno das eleições, eu voto em Dilma e a apoio, mesmo assegurando a vocês, desde já, que farei oposição à esquerda ao seu governo (logo, uma oposição pautada na justiça, na ética, nas minhas convicções e no republicanismo), apoiando aquilo que é coerente com as bandeiras que defendo e me opondo ao que considero contrário aos interesses da população em geral e daqueles que eu represento no Congresso, como sempre fiz.
Hoje, antes de dividir estas palavras com vocês, entrei em contato com a coordenação de campanha da presidenta Dilma para antecipar minha posição e cobrar, dela, um compromisso claro com agendas mínimas que são muito caras a mim e a todas as que me confiaram seu voto.
E a presidenta Dilma, após argumentar que pouco avançou na garantia de direitos humanos de minorias porque, no primeiro mandato, teve de levar em conta o equilíbrio de forças em sua base e priorizar as políticas sociais mais urgentes, garantiu que, desta vez, vai:
1. fazer todos os esforços que lhe cabem como presidenta para convencer sua base a criminalizar a homofobia em consonância com a defesa de um estado penal mínimo;
3. fazer todos os esforços que lhe cabem como presidenta para mobilizar sua base no Legislativo para legalizar algo que já é uma realidade jurídica: o casamento CIVIL igualitário (ela ressaltou, contudo, que vai tranquilizar os religiosos de que jamais fará qualquer ação no sentido de constranger igrejas a realizarem cerimônias de casamento; a presidenta deixou claro que seu compromisso é com a legalização do CASAMENTO CIVIL – aquele que pode ser dissolvido pelo divórcio – entre pessoas do mesmo sexo);
4. realizar maior investimento de recursos nas políticas de prevenção e tratamento das DSTs/Aids, levando em conta as populações mais vulneráveis à doença;
5. dar maior atenção às reivindicações dos povos indígenas, conciliando o atendimento a essas reivindicações com o desenvolvimento sustentável;
6. e implementar o Plano Nacional de Educação (PNE) de modo a assegurar a todos e todas uma educação inclusiva de qualidade, sem discriminações às pessoas com deficiências físicas e cognitivas, LGBTs e adeptos de religiões minoritárias, como as religiões de matriz africana.
Por tudo isso, sobretudo por causa desse compromisso, eu voto em Dilma e apoio sua reeleição.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Começa a surgir o “voto contra as trevas”

 Fernando Brito, Tijolaço

terceiravia
Ao contrário do que se passou em 2010, ao menos aqui no Rio de Janeiro, surge uma reação eleitoral interessante.
Gente que estava resistente a votar em Dilma Rousseff, por decepção ou críticas (algumas muito justificadas) ao PT, está migrando para um “voto útil”.
Contra o que está vendo surgir por detrás da candidatura Marina Silva, mais do que a ela, pessoalmente.
O neoliberalismo selvagem e a teocracia medieval.
Gente que não quer o Itaú no Banco Central nem Silas Malafaia como chefe da Inquisição.
Porque percebem que Marina não tem um partido, nem estruturas políticas, mas patrocinadores que vêem nela um instrumento para a projeção de seus poderes.
Nem mesmo a tal “Terceira Via”, desmoralizada desde que Tony Blair virou coadjuvante de George Bush, é capaz de encobrir que é ela, agora, o cavalo de Tróia que o conservadorismo oferece ao povo brasileiro.
Recheado, claro, de tudo o que ele abomina: a paralisia do país, o autoritarismo e a intolerância.
A campanha, agora, ganha ares de segundo turno, com o fim de Aécio Neves, inapelavelmente devorado pelo apoio e cumplicidade da mídia com Marina Silva.
Cumplicidade que se expressa, de forma mais que evidente, com o encobrimento da origem escusa do avião que mudou radicalmente os rumos da campanha eleitoral.
Mas os fatos reais, estes teimosos, acabam desnudando quais são os verdadeiros  santos do altar de Marina.
Os que ela não chuta, como chutou, ao longo de sua vida, o PT, o PV e, agora, a comunidade LGBT.
Marina Silva é o Tea Party tropical.
Todo o poder para os bancos, os grandes empresários, a mídia.
Governar com os melhores, não é?

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Bonner levou bronca de Fátima Bernardes na entrevista com Dilma em 2010


Fátima Bernardes precisou interceder em 2010 para que o embate entre William Bonner e Dilma Rousseff não se transformasse em discussão de botequim

A entrevista de Dilma Rousseff para o Jornal Nacional na noite desta segunda-feira se transformou no assunto mais comentado nas redes sociais entre os brasileiros. A razão da expressiva repercussão está na postura adotada por William Bonner.
O âncora do principal telejornal da TV Globo interrompeu a atual presidente e candidata à reeleição 21 vezes em um período de pouco mais de 15 minutos. Enquanto o chefe de jornalismo do ‘JN’ era elogiado e criticado por internautas, analistas políticos afirmaram que Bonner jamais foi tão incisivo com um entrevistado – muito embora não tenha aliviado com Aécio Neves e Eduardo Campos.
Já na primeira pergunta, o apresentador repetiu 7 vezes a palavra ‘corrupção’ para questionar Dilma sobre os escândalos envolvendo seus ministérios. O embate entre ele e a presidente durou 7 minutos e 15 segundos.
Patrícia Poeta, espectadora, teve participação discreta, apesar do dedo em riste na face de Dilma para condenar ‘o problema da saúde’ nos governos do PT.

Filme que se repete?

A título de curiosidade e de comparação, Pragmatismo Político resgatou um trecho da entrevista de Dilma Rousseff na bancada do Jornal Nacional durante as eleições de 2010.
O vídeo mostra que o comportamento de Bonner não sofreu mudanças significativas de quatros anos para cá, só que a sua insistência em não permitir que a então candidata petista concluísse sequer uma frase parece ter constrangido sua companheira de bancada e esposa, Fátima Bernardes, que atravessou a fala do marido com o intuito de evitar que aquele embate se transformasse em discussão de botequim.
Relembre:

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Pelo telefone, presidente eleito de Israel se desculpa com Dilma por declaração de porta-voz


Nota Oficial
Nesta segunda-feira (11), a presidenta Dilma Rousseff falou por telefone com o recém-eleito presidente de Israel, Reuven Rivlin. Durante a conversa, o novo mandatário israelense pediu desculpas pelas declarações do porta-voz de sua Chancelaria em relação ao Brasil e esclareceu à presidenta que as expressões usadas não correspondem aos sentimentos da população de seu país.
Confira a íntegra da nota:
“A Presidenta Dilma Rousseff recebeu hoje chamada telefônica do recém-eleito presidente de Israel, Reuven Rivlin.
Na conversa dos dois mandatários, o Chefe de Estado israelense apresentou desculpas pelas recentes declarações do porta-voz de sua Chancelaria em relação ao Brasil. Esclareceu que as expressões usadas por esse funcionário não correspondem aos sentimentos da população de seu país em relação ao Brasil. A Presidenta fez referência aos laços históricos que unem os dois países há várias décadas.
Na conversação dos dois dirigentes foi evocada a grave situação atual da Faixa de Gaza. O mandatário israelense afirmou que o país estava defendendo-se dos ataques com mísseis que seu território vinha sofrendo.
A presidenta Dilma afirmou que o governo brasileiro condenara e condena ataques a Israel, mas que condena, igualmente, o uso desproporcional da força em Gaza, que levou à morte centenas de civis, especialmente mulheres e crianças. Reiterou a posição histórica do Brasil em todos os foros internacionais de defesa da coexistência entre Israel e Palestina, como dois Estados soberanos, viáveis economicamente e, sobretudo, seguros.
Manifestando sua esperança de que a continuidade do cessar-fogo e as negociações atuais entre as partes possam contribuir para uma solução definitiva de paz na região, a Presidenta do Brasil enfatizou que a crise atual não poderá servir de pretexto para qualquer manifestação de caráter racista, seja em relação aos israelenses, seja em relação aos palestinos.”
Secretaria de Comunicação Social
Presidência da República

terça-feira, 22 de julho de 2014

Políticos gaúchos lançam comitê suprapartidário de apoio à reeleição de Dilma

De: Sul21

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Estiveram presentes autoridades de dez partidos | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Débora Fogliatto
Prefeitos, vice-prefeitos, deputados e lideranças políticas do  Rio Grande do Sul realizaram nesta terça-feira (22) a primeira reunião do comitê suprapartidário de apoio à reeleição da presidenta Dilma Rousseff (PT). O encontro aconteceu em formato de almoço, no restaurante Copacabana, em Porto Alegre,  e contou com a presença de nomes do PT, PMDB, PDT, PSB, PR, PROS, PCdoB, PSB, PCB e PP.
A reunião durou cerca de uma hora e meia, com discursos das principais lideranças dos partidos e clima tranquilo, de harmonia entre os presentes. “Cabe a nós construir uma eleição vitoriosa para Dilma no Rio Grande do Sul, lembrando que na passada perdemos aqui. Temos uma grande responsabilidade”, falou o presidente do PT gaúcho, Ary Vanazzi, fazendo a abertura das falas.
O partido que contou com mais representantes no encontro foi o PDT, que nacionalmente apoia a reeleição de Dilma, mas no âmbito estadual lançou a candidatura de Vieira da Cunha ao governo. Três autoridades falaram representando o partido, sendo a primeira delas o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, que informou que irá a Brasília tratar com os prefeitos que apoiam a reeleição de Dilma no âmbito nacional. Em sua breve fala, ele elogiou a “Copa das Copas” e disse que fará “o possível para que campanha de Dilma percorra o Rio Grande do Sul”.
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Alceu Barbosa, prefeito de Caxias: “Sou PDT, mas voto na Dilma” | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
O prefeito de Caxias do Sul, segunda maior cidade do Estado, Alceu Barbosa, também do PDT, falou em seguida, destacando a importância de políticos de partidos aliados à Dilma conviverem entre eles e com o PT, “com respeito, convivência e solidariedade”. “Sou PDT, mas voto na Dilma. Temos que ter cuidado com isso porque questões locais não podem nos afastar de objetivos maiores”, afirmou, sugerindo que se consiga apoio de mais prefeitos do PMDB e PP. Já Miguelina Vecchio, presidente do PDT Mulheres, apontou a necessidade de se reiterar as políticas desenvolvidas pela presidente em relação aos direitos das mulheres.
Também estiveram presentes partidos menores que não contam com nomes em prefeituras, como PR, PROS e PTC. O representante do PR, Coronel Bonette, que concorreu ao cargo de vice-prefeito na chapa do deputado estadual Adão Villaverde (PT) nas eleições de 2012, destacou que a eleição de Dilma é “causa que está dando certo”.
Caleb Oliveira, do PROS, fez um discurso apaixonado sobre os anos do governo nacional do PT, lembrando que o Brasil atualmente “está situado entre as grandes nações do mundo”. “É verdade que o Brasil não começou há 12 anos, mas também é verdade que o Brasil de hoje é muito diferente do que era 12 anos atrás. E precisa continuar nesses trilhos”, ponderou.
O jornalista André Machado, representando o PCdoB, que concorre a uma vaga na Câmara Federal, seguiu pelo mesmo caminho, afirmando que muitos jovens do país não conheceram o Brasil antes das ações feitas pelo PT e que é preciso “mostrar que o ProUni, o Minha Casa, Minha Vida não existiam antes. Vamos lutar pela reeleição de Tarso e Dilma, e pela necessidade de salvar nosso país do retrocesso”.
Partidos que não apoiam Dilma nacionalmente marcaram presença
Koiti Tamura, presidente do PTC gaúcho, destacou que regionalmente o partido está com a presidenta, embora a direção nacional tenha optado por apoiar Aécio Neves (PSDB). O mesmo foi mencionado por deputado Carlos Busato, do PTB, em relação ao seu partido. “Nós criamos uma crise no partido contra a decisão de apoiar Aécio, então o PTB do Rio Grande do Sul e de Pernambuco decidiram manter seu apoio a Dilma”, afirmou. No Estado, o PTB é um dos mais fortes nomes a compor o governo e apoiar a reeleição do governador Tarso Genro. “Nós nunca vimos tanto investimento nesse Estado. Então, como questão de fidelidade e reconhecimento, não podemos deixar de apoiar Dilma”, destacou.
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Busato: “Nunca vimos tanto investimento nesse Estado” | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
No PMDB, a Executiva nacional deixou em aberto para que os estados apoiem quem preferirem na campanha pela presidência, e o prefeito de Alegrete Erasmo da Silva participou da reunião para reiterar o apoio do partido à Dilma no Rio Grande do Sul. Ele mencionou que a presidenta tem grande apoio na Fronteira Oeste do Estado, o que também foi mencionado por Luiz Henrique Antonello, prefeito de Rosário do Sul, que representou o PSB.
“Ela foi a Uruguaiana e visitou os afetados pela enchente, ocasião em que foi muito bem recebida pela população, assim como Tarso”, destacou Antonello. Ele ainda se mostrou crítico à candidatura de Eduardo Campos, representante do PSB na disputa pela presidência, dizendo que após a eleição gostaria de ver o partido “retomar seu rumo e voltar para onde sempre esteve: ao lado dos trabalhadores”.
O PP teve dois representantes: Salmo Dias de Oliveira, prefeito do município de Rio dos Índios, no norte do Estado, e a vice-prefeita de Canoas, Beth Colombo. Quem falou em nome do partido foi Oliveira, que fez uma fala mais moderada e menos entusiasmada que os que o precederam, demonstrando “respeito muito grande pela forma democrática que o povo brasileiro pode viver hoje em dia”. Segundo ele, embora o partido tenha lançado Ana Amélia como candidata ao governo estadual, nacionalmente “os pequenos municípios precisam destacar a forma como fomos tratados, que mudou a vida do povo”.
Jairo, Pont e Collares encerram as falas 
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Collares: “A direita e a esquerda enfrentam-se de forma violenta no mundo todo” | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Três importantes nomes da política estadual foram os últimos a falar no encontro comitê. Jairo Jorge, prefeito de Canoas, 4ª maior cidade do Rio Grande do Sul e a maior com um governo do PT, destacou o “momento de união” que estava acontecendo. “Estamos olhando aqui para aquilo que nos une, queremos mais mudanças e mais futuro”, afirmou. O deputado estadual e ex-presidente do PT Raul Pont destacou a criação do banco dos BRICS e o fortalecimento da Unasul, na semana passada, como forma de o Brasil se destacar no cenário mundial.
Muito aplaudido, o ex-governador e ex-prefeito Alceu Collares (PDT), aos 86 anos, fez um discurso animado em que criticou o neoliberalismo, lembrando que “Os Estados Unidos e a Europa estão perdendo o jogo da História, não tem mais de onde arrancar recursos financeiros”. Daí vem a importância de reeleger Dilma, segundo ele. “A direita e a esquerda se enfrentam de forma violenta no mundo todo. Precisamos eleger Dilma pelo projeto de nação”, afirmou. Para ele, há ainda definições claras de direita e esquerda, e o avanço da extrema-direita na Europa é preocupante. “Não caiam na conversa fiada de que não existe mais esquerda e direita A esquerda quer transformação, emprego, justiça e igualdade”, colocou.
Durante os discursos, os políticos aproveitaram o almoço no restaurante e confraternizaram. Após o ato, tiraram uma foto em conjunto para simbolizar o evento. Segundo Ary Vanazzi, ocorrerão nove encontros regionais do comitê no próximo mês e na quinta-feira (24) uma comissão irá a Brasília articular a vinda da presidenta ao Estado, que deve acontecer no mês de agosto.