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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Rede: um não-partido, que não-decide pra ajudar os tucanos

W. Fedman, ex-tucano, pede alternãncia... no Governo Federal!
A tal "Rede" é uma grande farsa, de gente que fala de nova política, mas, no dizer de Erundina, deseduca e despolitiza o povo. O nível de demagogia e desfaçatez da Rede consegue superar até mesmo o PPS, com sua moral seletiva e seus princípios de ocasião.
Agora, o não-partido não-fundado por Marina consegue a proeza de "decidir" não apoiar a reeleição do atual governo sem dizer que apoia a oposição (LEIA). A base da não-decisão é a defesa da alternância no poder. O incrível é que o mesmo critério não valeu para o apoio à 6ª (!!!) eleição seguida para os tucanos de São Paulo (antigo, ou nem tão antigo, ninho de W. Feldman). Pra fundamentar sua decisão, o não-partido fez uma consulta por telemarketing! Ou seja, o famoso processo de decisão coletivo não passa de contatos telefônicos, seguido de uma reunião de cúpula que decide tudo. 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Ministro suspende propaganda de Marina por ofensa à Dilma e ao PT

Ministro Herman Benjamin do Superior Tribunal de Justica STJ toma posse no cargo de membro substituto do TSE.

Em decisão individual, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin deferiu liminar para suspender propaganda eleitoral da Coligação Unidos pelo Brasil, da candidata Marina Silva, por conter ofensa de caráter pessoal à candidata Dilma Rousseff e à Coligação Com a Força do Povo, capitaneada pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Na referida propaganda, a coligação da candidata Marina Silva alega que eventual corrupção no âmbito da Petrobras tem financiado a base aliada dos partidos que apoiam a Coligação com a Força do Povo.  Afirma, ainda, que a candidata Dilma Rousseff foi chamada a responder perante o Tribunal de Contas da União pelo prejuízo causado pela negociação envolvendo a refinaria de Pasadena, uma vez que, na época, ela fazia parte do Conselho de Administração da Petrobras.
Na ação contra a peça, a Coligação Com a Força do Povo e a candidata a reeleição Dilma Rousseff sustentaram que na mídia veiculada no dia 29 de setembro, as representadas não se limitaram a tecer críticas de natureza política, mas buscaram veicular informação sabidamente inverídica em prejuízo à honra e à imagem da candidata, atribuindo-lhe responsabilidade inexistente.
Alegaram, ainda, que a propaganda ofende a coligação que tem o PT como um de seus integrantes, uma vez que o acusa de sustentar sua base no Congresso com dinheiro da corrupção, imputando conduta criminosa à agremiação.
No mérito da representação, que será julgada pelo plenário da Corte, a Coligação com a Força do Povo requer direito de resposta com a concessão de tempo não inferior a um minuto correspondente a cada peça de propaganda.
Liminar
Ao decidir, o ministro Herman Benjamin reconheceu que houve excesso no teor da propaganda e ofensa aos partidos que compõem a coligação. “No caso dos autos, ao menos em juízo de cognição sumária, próprio desta fase processual, entendo que há ofensa de caráter pessoal ao PT e partidos da base aliada, bem como exploração indevida de dado que ainda é sigiloso (delação premiada), ou seja, cujo teor o público geral não conhece”, enfatizou em seu voto.
Segundo o ministro, embora o escândalo da Petrobras venha sendo amplamente divulgado na mídia,  não se tem notícia de que a candidata Dilma Rousseff tenha sido responsabilizada pelo Tribunal de Contas da União em relação à compra da refinaria.
Lembrando que o direito de resposta é cabível nas hipóteses em que candidatos, partidos e coligações forem atingidos, ainda que de forma indireta, por conceito, imagem ou afirmação caluniosa, difamatória, injuriosa ou sabidamente inverídica, Herman Benjamin afirmou que a suspensão da propaganda é uma medida prudente.
“Ante o exposto, defiro a liminar, a fim de determinar a suspensão imediata da propaganda eleitoral atacada, sob pena de fixação de multa diária”, concluiu o relator.
MC/FP
Processo relacionado: Rp 143090

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Pregação de Marina é o "sermão do evangélico confuso"

Não conheço Marina Silva pessoalmente e, provavelmente, nunca conhecerei. O fato é que minha preocupação não é com a pessoa de Marina, mas no que ela passou a representar. Procurando material para refletir, me dei ao trabalho de escutar esse pequeno trecho da pregação de Marina.
É importante destacar que não é um discurso de ódio que fala mais sobre o diabo do que sobre Deus. Ponto pra Marina. O problema é que o que observamos é uma confusão, uma encheção de linguiça que revela bem que a aparente articulação verbal de Marina é, na verdade, a dificuldade de fechar um raciocínio com objetividade. Já vi pregadores fazerem falas muito tocantes. Independente da crença, são capazes de falas articuladas, com início, meio e fim e fundamentação teológica e oratória sofisticada. Não é o caso de Marina. 
Aos 3 min. e 14s ela fala "só pra concluir" e a pregação invereda por um caminho tortuoso. Sem quê nem por quê, Marina tenta explicar por que sobraram pães e não sobraram peixes em um dos episódios de multiplicação (sim, há duas versões diferentes). Por algum motivo, o pão representa a palavra e o peixe "representam(sic) as estruturas". As palavras vão se repetindo e trocando de posição nas frases de modo variado. 
O que me incomoda não é tanto a religiosidade da Marina (isso é coisa dela), mas o modo como se evidencia a exploração política dessa condição. Soma-se a isso, a confusão entre o fundamentalismo (Cristo fez o milagre da multiplicação) versus a leitura simbólica (pão é a palavra, peixe a estrutura). Essa leitura de conveniência e  parece ser a base do contorcionismo retórico e conceitual da ex-senadora. Vasculhando outros videos sobre a vida de Marina, não se vê a tal história de só ter um ovo em casa. Aliás, o que aparece é que a família era pobre, mas, segundo ela própria, tinha plantação de milho e criação de porcos.
Enfim não conheço Marina e nem vou conhecer. É provável que ela seja uma pessoa maravilhosa para aqueles que gostam dela e de quem ela gosta. A mim, não encanta mais
.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Paulo Bornhausen e Marina Silva se reúnem e gravam juntos

Do site de Paulo Bornhausen
marina
Convidado por Marina Silva, o candidato a senador Paulo Bornhausen (PSB) esteve na noite de domingo em São Paulo, onde se reuniu com a candidata a presidente e gravou um programa ao seu lado.
Descontraída, Marina recebeu a sós Bornhausen durante cerca de uma hora. Enquanto se preparavam para gravar, falaram da campanha no Brasil e em Santa Catarina e acertaram os detalhes de uma visita da presidenciável ao Estado, em meados de setembro.
No estúdio, ao gravarem, Marina pediu para ressaltar diante das câmeras a liderança de Bornhausen como parlamentar em ações como o Ficha Limpa. E reforçou o pedido de voto ao candidato a senador.
Longe das câmeras, Bornhausen frisou que Santa Catarina já está ao lado de Marina, conforme revelam as pesquisas. E ela respondeu:
“Quero ir a Santa Catarina contigo. Vamos marcar o dia”.
A agenda de Marina em Santa Catarina ainda não está montada. Mas é provável que, ao lado de Bornhausen, a candidata cumpra agenda em Florianópolis. Se houver tempo para mais uma cidade, Marina pode ir ao sul, provavelmente Criciúma.
Como secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Bornhausen liderou uma série de ações em Santa Catarina que impressionaram a equipe de campanha de Marina. Programas como o Economia Verde Solidária – que apoia projetos de reciclagem por cooperativas de baixa renda – vão de encontro ao eixo de sustentabilidade que norteia o programa do PSB para a presidência.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Marina agrada a ruralistas ao propor mudança nas regras sobre trabalho escravo

Candidata do PSB propõe nova redação de artigo do Código Penal; ruralistas enxergam chance de retirar expressões como “jornada exaustiva” e “condições degradantes”

Ao propor uma “nova redação” para o artigo 149 do Código Penal, que trata das condicionantes que caracterizam o trabalho escravo no Brasil, o programa da candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, abre uma janela para o desejo da bancada ruralista de conseguir no Congresso uma mudança nas regras que tratam do tema.
A proposta de nova redação consta do programa de governo detalhado, apresentado por Marina, há cerca de um mês, o mesmo que gerou polêmica em relação ao plano de dar independência ao Banco Central e recuos da candidata em relação à criminalização da homofobia e apoio ao casamento gay. Marina aponta que a direção da mudança deve ser no sentido de dar mais clareza ao artigo, no entanto, não indica que mudanças pretende defender.
“Propor nova redação para o Artigo 149 do Código Penal, de modo a tipificar de forma mais precisa o crime de submeter alguém à condição análoga à de escravo”, diz o texto divulgado pela campanha entre as propostas publicadas na página 205, do capítulo 6, que trata do Eixo “Cidadania e Identidades”.
DIVULGAção/PSB
Ao lado do governador e candidato à reeleição pelo Espírito Santo, Renato Casagrande, Marina Silva faz campanha em Vitória (18/09)

A modificação é encarada pelos ruralistas como um espaço para suprimir duas condicionantes expressas na lei para caracterizar o trabalho escravo: a submissão de trabalhadores à “jornada exaustiva” ou a “condições degradantes” de trabalho.
Essas duas expressões entraram na legislação brasileira em dezembro de 2003, por meio da Lei 10.803, que modificou a antiga redação do Código Penal. Na época, o texto previa como condicionantes apenas as práticas de “trabalho forçado” e “servidão por dívida”, consideradas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Na época, a própria OIT enxergou a mudança um avanço com o para tipificar melhor as práticas modernas de escravidão.
A proposta de Marina está redigida de forma idêntica ao que foi proposto pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na segunda edição do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-2) elaborado em 2002. Naquela época, era prioridade do governo e de movimentos de combate ao trabalho escravo inserção das condicionantes mais modernas que pudessem caracterizar de forma mais precisa o crime.
Após o avanço obtido com a aprovação da modificação, em 2003, esta reivindicação passou a ser pauta prioritária dos ruralistas.
A campanha tucana, inclusive, já denunciou a campanha de Marina por ter plagiado as propostas do PNDH-2.
Defesa
Por sua vez, a campanha de Marina, informou que, a retomada da proposta no programa de governo não tem a ver com “nenhuma reivindicação que resulte no relaxamento do que prevê o Artigo 149. “Ao afirmar que a Coligação Unidos pelo Brasil vai ‘propor nova redação para o Artigo 149 do Código Penal, de modo a tipificar de forma mais precisa o crime de submeter alguém à condição análoga a de escravo’, o Programa de Governo quer tornar mais clara e inequívoca a tipificação do referido artigo”, informou a campanha por meio de sua assessoria.
“A proposta, portanto, não visa atender a nenhuma reivindicação que resulte no relaxamento do que prevê o Artigo 149. Pelo contrário, o Programa de Governo firma um compromisso explícito com o propósito de aprimorar e aperfeiçoar as conquistas da cidadania no Brasil”, informou a campanha.
Proposta
A intenção de retroceder dos ruralistas, no entanto, está expressa em propostas de lei defendidas em projetos que tramitam atualmente no Congresso. A aposta da bancada, que conta com mais de 200 deputados e 13 senadores está depositada atualmente na aprovação do projeto de lei 3842, de 2012, de autoria do deputado Moreira Mendes (PSD-RO), que propõe a nova redação sem as condicionantes “jornada exaustiva” e “condições degradantes”.
O projeto foi apensado à proposta de número 5016, de autoria do ex-senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que já tramitava no Senado e na Câmara.
“Estamos trabalhando isso no Congresso. Não concordamos com a atual redação”, reclamou deputado Luís Carlos Heinze (PP-RS), coordenador da Frente Parlamentar Agropecuária, nome oficial da bancada ruralista. A bancada, de acordo com o deputado, já se prepara para tentar aprovar a proposta após as eleições.
“Estamos trabalhando isso aí, inclusive com a colaboração do senador Pedro Taques (PDT-MT), que é procurador. Depois das eleições vamos tentar resolver isso no Congresso”, informou Heinze. “Da forma que a lei hoje está redigida, até se o empregador mantiver uma doméstica em casa, sem janela para a rua, poderá ser autuado por trabalho escravo”, argumentou.
O senador Pedro Taques, que é candidato ao governo de Mato Grosso com o apoio de Marina, disse concordar com a proposta inserida no programa de governo da candidata do PSB. “É necessário mudar isso. Sou a favor”, destacou Taques.
De acordo com o projeto, proposta dos ruralistas, o artigo passaria a ter a seguinte redação “Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, trabalho forçado ou obrigatório, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou obrigatórios mediante ameaça, coação ou violência, quer restringindo a sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador”, propõe o texto.
Os ruralistas alegam que a presença das condicionantes “jornada exaustiva” e “condições degradantes” na legislação confere “insegurança jurídica” para o empregador no Brasil, apesar de estar em vigor no a instrução normativa do Ministério do Trabalho, que caracteriza cada condicionante expressa na lei.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Sitie "Muda Mais" acusa Marina Silva de censura

















247 - O site Muda Mais, coordenado pelo jornalista Franklin Martins, acaba de 

divulgar uma nota sobre a decisão judicial que determina sua retirada do ar. 
Marina foge do debate e quer calar o Muda Mais
O Muda Mais acredita que o amplo debate de ideias, posicionamentos e propostas é crucial para a democracia. Acreditamos também que a internet é o meio mais democrático e criativo de fazer o debate politico eleitoral. É o canal de comunicação que quebrou o monólogo da grande mídia, permitindo a milhares de pessoas que expusessem suas vozes e opiniões, antes abafadas. E esse poder de comunicação digital deve ser usado com discernimento, respeito e compromisso com a verdade.
Por isso mesmo, o Muda Mais sempre teve o caráter de levar o debate para as redes, se baseando na honestidade dos fatos, em uma boa apuração e na checagem das informações que servem ao diálogo franco e aberto. Uma de nossas principais diretrizes é a disputa no campo político entre projetos de país, sem agressões pessoais ou infundadas a ninguém, ataques desrespeitosos ou mentiras. Nossa postura tem sido, inclusive, a de apontar boatos e artificialidades construidas - mesmo quando elas agem em benefício da nossa candidata. 
Temos lado, e sempre deixamos isso claro: defendemos, baseados em informações verdadeiras, o projeto de país em que acreditamos, e apontamos as incongruências dos projetos de nossos adversários. Esse foi o tipo de debate que estabelecemos com Aécio, com Eduardo Campos e, agora, com Marina Silva.
Fomos pegos de surpresa com a postura de Marina Silva e sua tentativa de censura ao Muda Mais. Justamente da candidata que afirma ser representante da nova política, que fala em democratizar o debate público e que, assim como Dilma,  tem na internet um importante espaço de participação. Foi, no entanto, justamente Marina Silva quem deu uma prova de que não quer o debate, ao entrar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com um pedido para retirada do Muda Mais do ar.
Vamos proceder à defesa jurídica de todos os pontos que foram questionados, e não vamos deixar que posturas anti-democráticas nos calem. É importante que todos saibam, inclusive nossos adversários: não se cala a internet - a produção, o  acesso a informações na web e seu caráter democrático . O Muda Mais carrega em si o espírito da rede. Não se cala a verdade, ela vai continuar circulando pela Internet, entre os militantes e entre aqueles que reconhecem a revolução social que o Brasil trilhou nos últimos 12 anos, sob os governos de Lula e Dilma.
Vamos continuar fazendo o contraponto na política. Marina precisa entender que na democracia ninguém fala sozinho. Tentar calar o Muda Mais é tentar calar o debate político.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Como as ideias de conselheiro de Marina podem doer no bolso do brasileiro


Às vezes é difícil mesmo tentar entender para onde vai o plano da Marina Silva e para quem ela pretende governar. Por meio da entrevista do seu conselheiro econômico, Eduardo Giannetti, concedida ao Valor(link is external), vamos explicar o que ela pretende fazer caso chegue à presidência.
Como na construção de um prédio sólido, quando se retira a coluna errada, tudo corre o risco de desabar. Com as políticas públicas do governo não é diferente. Por exemplo, quando retiramos o subsídio do governo para que elas aconteçam, elas acabam. Por isso é tão contraditório quando a candidata Marina diz que não quer acabar com o Minha Casa Minha Vida, mas seu plano de governo se mostra contrário à política de subsídio.
Em primeiro lugar, Giannetti quer revisar as prioridades no orçamento e, como já dissemos, reduzir o crédito subsidiado no Brasil. Em bom português, isso significa a diminuição do crédito, o que afetaria diretamente as diversas políticas do governo para o crescimento da indústria, agricultura, construção civil e atingiria, principalmente, os consumidores de baixa renda.
E se quem não é um beneficiário do Minha Casa Minha Vida ou do Plano Safra ainda acha que não tem nada a ver com isso, devemos lembrá-lo(a) que a ação de Marina significa, necessariamente, dar mais poder aos bancos privados. E eles podem exercer este poder de diversas maneiras, como através do aumento da taxa de juros, por exemplo. E sobre isso, o próprio Giannetti disse na entrevista que "reduzir o juro tem que ser o objetivo de longo prazo". Longo. Prazo. Mas até lá, quem vai ser o prejudicado?
E se você ainda não está convencido da agressão que será a implantação dessa política econômica da Marina para o brasileiro, lembre-se que sempre pode piorar: Giannetti parece planejar fazer doer agora no bolso do povo, sob a promessa de que tudo vai melhorar, mas nem ele mesmo garante quando tudo daria certo.
 "Os compromissos assumidos serão cumpridos, mas condicionados à evolução fiscal", disse ele, que explica que os compromissos sociais assumidos no programa de governo dependerão da evolução da arrecadação, do PIB, da gestão... Ou seja, vai depender de muita coisa. E então, SE houver evolução fiscal, eles cumprirão suas promessas. Mas SE não ocorrer como esperado, o brasileiro, ainda por cima, vai ter sofrido em vão. 
O alinhamento político do discurso de Giannetti com a agenda neoliberal fica patente ao se analisarem as palavaras utilizadas por ele durante a entrevista ao Valor (como se pode ver na nuvem de tags que ilustra o post). O conselheiro econômico de Marina não mencionou nem uma única vez as palavras emprego, salário ou trabalho. Povo, então, nem pensar. Esse é mais um indicativo de que, quaisquer que sejam as reais preocupações da equipe econômica da candidata, o interesse do trabalhador não está entre elas. 
Quando diretamente perguntado sobre se o "ajuste econômico" que propõe causaria desemprego e queda de renda, Giannetti pinta um quadro irreal da situação atual, afirmando que o desemprego é uma realidade no país. Não é segredo para ninguém  que o Brasil vive situação de pleno emprego, com as menores taxas de desemprego de toda a série histórica. Comprometer-se com a geração e manutenção de empregos, no entanto, não parece ser prioridade para o assessor econômico.
Giannetti também deixou claro que a indústria brasileira (e, consequentemente, os milhões de empregos gerados por ela) não é prioridade de seu governo. Assinalou que "a indústria deve se preparar para uma operação desmame. Ela está acostumada a chorar e ser atendida". Dilma já havia sinalizado para o risco de Marina reduzir a indústria naval a pó, e as afirmações de  Giannetti parecem indicar o mesmo caminho. 



sábado, 6 de setembro de 2014

PSB diz que Campos é quem administrava o avião. O deboche à Justiça continua

renatothiebaudAutor: Fernando Brito, Tijolaço

O PSB, até agora, não resolveu fazer a sua “delação premiada” e informar à Justiça como Eduardo Campos e Marina Silva obtiveram o jato executivo que terminaria por matar o candidato do PSB no acidente do dia 13, em Santos.
O administrador financeiro da campanha e  tesoureiro Renato Thièbaut comunicou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o próprio candidato geria pessoalmente as principais doações recebidas, informa o Correio Braziliense. Segundo ele, “o candidato geria algumas tratativas de sua campanha, em especial doações em valores estimáveis, sendo certo que detinha pessoalmente o controle, documentação e informações sobre as mesmas”.
Ou seja, é uma confissão de que o arranjo da compra do jatinho foi feito pessoalmente por Eduardo Campos, como aliás está claro desde que se divulgou, no dia seguinte ao acidente, que ele testou pessoalmente a aeronave dias antes da entrada do dinheiro de contas-fantasmas e de empresários na conta da AF Andrade, o grupo falido de usineiros paulistas a quem pertencia (ou pertence) a aeronave.
Thièbaut não é um simples contador.
Ele foi chefe de Gabinete de Eduardo Campos no Governo de Pernambuco e saiu com ele do governo para a campanha. É um personagem que tinha a confiança total do ex-governador, inclusive em negócios muito altos e  pouco claros, como o que lhe vale uma investigação no Tribunal de Contas da União por possíveis desvios de recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia, sobre o qual o PSB mantinha, até o ano passado, controle total.
O PSB segue debochando da Justiça Eleitoral e da inteligência dos brasileiros.
Diz agora que os pilotos é que “anotavam” as horas de vôo, para depois fazer-se uma “conta de chegar” e declarar como doação.
Os pilotos eram contratados dos donos do avião?Ou do PSB?
“Bota aí que foi só meia hora voando”…
A única coisa verdadeira no que diz é que Eduardo Campos participou pessoalmente da compra do avião e sua entrega imediata para a campanha dele e de Marina.
O resto é “por fora”, sem documentos, contratos e responsabilidades.
Inclusive a de indenizar, que o irmão de Campos agora quer atirar sobre os cofres públicos.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Não é invenção. O Clube Militar, antro do reacionarismo militar brasileiro apoia Marina

Confiram vocês mesm@s, entrando no site AQUI 
UM FIO DE ESPERANÇA
As surpresas que o destino nos reserva são assustadoras. Tudo corre num determinado sentido quando, de repente, um acontecimento totalmente inesperado muda nossa história, nossa vida.
O terrível acidente aéreo que, no meio de agosto (sempre agosto) ceifou a vida do Senador Eduardo Campos, candidato à Presidência da República, bem como as da tripulação e de assessores que o acompanhavam, mudou em duas semanas todo o panorama e as previsões para as eleições de outubro, em nível federal e estadual.
Subitamente elevada à condição de presidenciável, a até então candidata a Vice Presidente, Marina da Silva, foi talvez a pessoa diretamente mais atingida pelas consequências da tragédia.
Relembremos.
Tendo obtido 20 milhões de votos nas últimas eleições presidenciais, em 2010, Marina despontou como um fenômeno eleitoral, séria pretendente ao cargo nas próximas eleições.
Para conseguir ser apontada como candidata, procurou fundar um partido próprio, a Rede de Sustentabilidade, ou simplesmente Rede. No entanto, a burocracia – e os problemas reais ou criados pelos cartórios para o reconhecimento de centenas de milhares de firmas necessárias para a criação de um partido – terminaram por impedir que o mesmo viesse à luz no prazo legal para permitir o registro de seus candidatos.
Assim, sem uma sigla que a apresentasse, Marina teve que se contentar em aderir ao PSB, que já apontara Eduardo Campos como candidato a Presidente da República. Ela teve, então, que limitar-se à Vice Presidência.
A morte do cabeça da chapa do PSB a menos de dois meses das eleições determinou sua substituição por Marina, que imediatamente decolou nas pesquisas de intenção de votos.
Atualmente, já empata com Dilma Roussef no primeiro turno e vence folgadamente por dez pontos percentuais no segundo turno.
Na verdade, a nova candidata incorporou o desejo vago de mudanças que levou o povo às ruas em junho do ano passado. Que tipo de mudança, isso já é outro problema.
Não tendo ainda sido atacada pelos demais candidatos – pois sua candidatura não foi, inicialmente, percebida como grande ameaça – navega em mar calmo e vento muito favorável, enquanto o tempo, cada vez mais curto, corre a seu favor.
Sua figura messiânica, suas declarações vagas, suas promessas iniciais muito generosas, mas fora do alcance do cofre nacional, acenam com uma “nova política” misteriosa, mistura de propostas esquerdistas e ambientalistas, entre as quais maior participação direta, governar com pessoas e não com partidos, participação direta popular no governo, por meio de plebiscitos e consultas populares (cheiro de bolivarianismo), criação de conselhos do povo (cheiro dos sovietes petistas), orçamento participativo etc.
Cálculos preliminares orçam suas promessas – entre as quais 10% do orçamento para a saúde, outros 10% para a educação, aumento da bolsa esmola, do efetivo da Polícia Federal – em quase 100 bilhões de reais por ano, cuja origem não é esclarecida.
Seu calcanhar de Aquiles é o fraco apoio político, pois na verdade não tem o apoio firme de nenhum partido. Seus apoiadores são aqueles interessados em pegar carona em sua súbita popularidade, sem nenhum compromisso com a realidade política durante seu possível governo.
Mas uma excelente candidata não será, necessariamente, uma excelente Presidente.
No governo, terá que descer das nuvens “sonháticas” onde flutua e lutar na arena do dia a dia da Praça dos Três Poderes, enfrentando as feras insaciáveis que fazem as leis, sempre cobrando algum preço político por seu apoio.
Na verdade, os políticos temem o populismo de suas propostas e os desvios que promete adotar, para evitar o isolamento de seu governo pelos partidos, percebendo uma ameaça de autoritarismo na ideia de governar sem os mesmos. Será real isso ou será apenas uma ameaça para angariar apoios mais fortes dos partidos, que seriam enfraquecidos com um governo mais populista?
Dona de um discurso inatacável, é a favor de tudo que é bom e contra tudo que é ruim. Como, aliás, todos os candidatos.
Ser uma incógnita camaleônica é uma vantagem, pois o que é conhecido da política e dos políticos é rejeitado pelos eleitores.
A esperança de algo novo e diferente, que rompa com a tradição negativa representada pelos atuais homens públicos, parece impulsionar a subida de Marina nas pesquisas eleitorais.
A desilusão popular procura o novo. As mudanças podem ser para melhor ou para pior, desde que interrompam a malfadada corruptocracia instalada no poder pelo lulopetismo.
Como está não pode continuar. Há expectativa de que novos rumos e novos governantes tragam melhores dias e maior esperança para os eleitores desiludidos.
É um fio de esperança, mas parece que as pessoas a ele se agarram com fé, apostando no futuro para esquecer o presente.
Gen Clovis Purper Bandeira – Editor de Opinião do Clube Militar

Como seria o hipotético governo de Marina Silva. Uma reflexão de Igor Grabois

Desculpem o texto longo, mas foi necessário.
Um resumo das propostas de governo da candidata Marina Silva, de acordo com o seu programa oficial de governo e declarações da própria candidata e de seus assessores, ainda não desmentidas:
1) Restauração do tripé econômico, a saber, câmbio flutuante, metas de inflação e superávit primário. Meta de inflação a 3% ao ano.

2) Independência do Banco Central. A direção do Banco Central terá mandato próprio, bem como o controle das políticas monetária e cambial. Essas políticas saem das atribuições do Presidente da República.



3) Os bancos públicos cederão espaço para os bancos privados. BB e CEF não baixarão juros para não concorrer com Bradesco, Itaú e Santander.
4) Fim do crédito “direcionado”. Ou seja, fim da obrigatoriedade dos bancos dirigirem recursos para o crédito imobiliário e fim dos empréstimos de longo prazo do BNDES.
5) Deixa o pré-sal em banho-maria e investe em energia solar, eólica, etanol e geotermal.
6) Conteúdo nacional obrigatório nas indústrias naval e automotiva terá data pra acabar.
7) Terceirização das relações de trabalho sem regulação.
8) Relegar à Justiça do Trabalho um papel meramente arbitral. E as demandas judiciais trabalhistas individuais são consideradas um estorvo nas relações de trabalho.
9) Para a causa LGBTT, apenas o que o STF definiu.
10) Cobrança de mensalidades nas universidades públicas.
11) Alinhamento com EUA e União Européia. Encostar os Brics, a Unasul e o Mercosul.
12) Manutenção da anistia aos torturadores.
13) Fim da reeleição, com mandatos de cinco anos. Eleições gerais de vereador a presidente em um dia só.

Vamos supor que a candidata Marina se eleja e aplique seu programa de governo. Vejamos as conseqüências.

O tripé para os marineiros é sagrado. Podemos, com certeza, esperar um aumento da taxa básica de juros Selic logo na primeira reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom. 



Abaixar a Selic significa expansão do crédito, da demanda, da economia. Aumentar a Selic serve para restringir crédito, demanda e esfriar a economia. Tudo isso para segurar os aumentos de preço. Teoricamente. A taxa Selic remunera os títulos da dívida pública. Os donos desses títulos, brasileiros e estrangeiros, ganham muito dinheiro quando a Selic aumenta. Os bancos são detentores de títulos da dívida pública e intermediam as compras desses títulos e ganham comissão por isso. A taxa Selic tem haver com o que os detentores de títulos públicos aceitam receber e o que o governo se dispõe a pagar, mais do que com a inflação. 
Algumas conseqüências do aumento de juros. A dívida do governo aumenta. O governo tem que pagar juros mais caros. Para isso ele tira dinheiro do orçamento, o tal do superávit primário. Maiores juros, maior superávit. Portento, menos dinheiro para saúde, educação, reforma agrária, cultura, políticas sociais, obras de infraestrutura. Todo o resto do programa de governo – educação integral, verba pra saúde – vira letra morta.
Como o Banco Central será independente, a taxa Selic vai determinar as prioridades do governo. Os companheiros de viagem da candidata – Gianetti, Lara Rezende, Itaú – não nos deixam mentir.
Os juros das dívidas dos EUA e da União Européia estão próximos de zero. Mesmo que aumentem, ainda serão muito menores dos praticados aqui. Juros mais altos vão atrair mais aplicadores estrangeiros. Captam barato no exterior e aplicam caro aqui. A entrada de dólares aumenta. O dólar tende a ficar barato frente ao real. Como o câmbio do tripé é flutuante, o dólar vai ficando cada vez mais barato. Dólar barato, mercadoria importada barata. Real caro, mercadoria produzida aqui cara. Os importados deslocam de vez a indústria brasileira. O fim da exigência do conteúdo nacional completa o serviço.
Escantear o pré-sal gera duas conseqüências: os 10% do PIB para a educação vão para as calendas gregas e a gasolina ficará mais cara. A Petrobrás dirige seus principais esforços no pré-sal. A Petrobrás fez empréstimos em função das receitas do pré-sal. Sem pré-sal, a Petrobrás, pra não quebrar, aumenta o preço da gasolina. Produz um brutal choque inflacionário. E a indústria naval e de equipamentos, um abraço.
Com o dólar barato, sem a exigência do conteúdo nacional e sem pré-sal, a indústria mergulha em uma crise sem precedentes. Vai demitir. Com o aumento do desemprego, os trabalhadores perdem poder de negociação de salários. Como a dona candidata promete liberar geral a terceirização, não é preciso fazer muitos exercícios para ver as conseqüências.
Depois de esmagar a indústria com o câmbio e com a redução da demanda, via desemprego e arrocho salarial, tira-se o oxigênio do crédito, já que o crédito “direcionado” será extinto. A bufunfa dos bancos sai do crédito imobiliário, o BNDES é manietado, e o dinheiro vai para a dívida pública para render nas taxas mais altas da Selic.
E o pior, ao se ler o programa da candidata, os trabalhadores desempregados e arrochados terão acesso limitado à Justiça do Trabalho.
Indústria e emprego serão destruídos como conseqüência da política econômica marinista. A política energética contribuiria para o quadro marinesco. Gasolina cara faria a alegria dos usineiros. Os canaviais avançariam sobre os biomas do cerrado, da Amazônia e da mata atlântica. Energias solar e eólica ainda são caras e pouco eficientes. Igualar o pré-sal a essas modalidades de geração, ou seja, retirar a prioridade do pré-sal, tornará a energia mais cara como um todo, além de reduzir a oferta energética. Mas isso não seria problema, frente à redução da atividade econômica.
Com o choque de juros, das tarifas de energia e do preço da gasolina, os elementos para a aceleração inflacionária estariam dados. E os remédios recessivos para combater essa mesma inflação completariam o cenário de estagflação, que os tucanos dizem que estamos vivendo.
Soma-se ao horror econômico o ataque aos direitos humanos e sociais, prenunciados na questão LGBTT e na anistia aos torturadores. E como as eleições serão todas de cinco em cinco anos, com uma provável prorrogação dos mandatos, haveria tempo para produzir a terra arrasada.

O país, neste hipotético governo, estaria alinhado com os EUA e União Européia, colocando a articulação com os Brics e a integração latino-americano em plano secundário. Resta saber o que os grandes irmãos do norte fariam com o imenso depósito de recursos naturais em que nos tornaríamos
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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Em novo recuo, Marina agora defende Anistia a torturadores da ditadura


POR BERNARDO MELLO FRANCO

Tão obcecada pela presidência, Marina não disfarça maios nada

Do Painel desta quinta (04):
Antes era assim Mais uma para a lista dos vaivéns de Marina. A candidata, que agora se diz contra a revisão da Lei da Anistia, pensava o contrário antes de disputar a Presidência. Ela defendia a punição de militares acusados de torturar na ditadura.
Agora é assado Em 2008, Marina escreveu em artigo na Folha: “A tortura é crime hediondo, não é ato político nem contingência histórica. Não lhe cabe o manto da Lei da Anistia”. Ontem, em sabatina no portal G1, declarou que é contra rever a lei.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Começa a surgir o “voto contra as trevas”

 Fernando Brito, Tijolaço

terceiravia
Ao contrário do que se passou em 2010, ao menos aqui no Rio de Janeiro, surge uma reação eleitoral interessante.
Gente que estava resistente a votar em Dilma Rousseff, por decepção ou críticas (algumas muito justificadas) ao PT, está migrando para um “voto útil”.
Contra o que está vendo surgir por detrás da candidatura Marina Silva, mais do que a ela, pessoalmente.
O neoliberalismo selvagem e a teocracia medieval.
Gente que não quer o Itaú no Banco Central nem Silas Malafaia como chefe da Inquisição.
Porque percebem que Marina não tem um partido, nem estruturas políticas, mas patrocinadores que vêem nela um instrumento para a projeção de seus poderes.
Nem mesmo a tal “Terceira Via”, desmoralizada desde que Tony Blair virou coadjuvante de George Bush, é capaz de encobrir que é ela, agora, o cavalo de Tróia que o conservadorismo oferece ao povo brasileiro.
Recheado, claro, de tudo o que ele abomina: a paralisia do país, o autoritarismo e a intolerância.
A campanha, agora, ganha ares de segundo turno, com o fim de Aécio Neves, inapelavelmente devorado pelo apoio e cumplicidade da mídia com Marina Silva.
Cumplicidade que se expressa, de forma mais que evidente, com o encobrimento da origem escusa do avião que mudou radicalmente os rumos da campanha eleitoral.
Mas os fatos reais, estes teimosos, acabam desnudando quais são os verdadeiros  santos do altar de Marina.
Os que ela não chuta, como chutou, ao longo de sua vida, o PT, o PV e, agora, a comunidade LGBT.
Marina Silva é o Tea Party tropical.
Todo o poder para os bancos, os grandes empresários, a mídia.
Governar com os melhores, não é?

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Freio no pré-sal sugerido por Marina seria catastrófico para o Extremo Sul

Mário Magalhães











Caso não tenha mudado de novo seu programa lançado na sexta-feira _no sábado recuou em passagens sobre direitos LGBT_, a candidata Marina Silva (PSB) propõe mesmo frear com pé de chumbo a política nacional de investimento no pré-sal.



O programa praticamente ignora essa mina de ouro. Talvez temerosos de declarar com todas as letras a proposta de liquidar a orientação governamental em vigor, os correligionários de Marina escreveram assim, ao apresentar a plataforma: “3) realinhamento da política energética para focar nas fontes renováveis e sustentáveis, tanto no setor elétrico como na política de combustíveis, com especial ênfase nas fontes renováveis modernas (solar, eólica, de biomassa, geotermal, das marés, dos biocombustíveis de segunda geração); 4) redução do consumo de combustíveis fósseis''.
Nas “Diretrizes de nossa política nacional de energia'', enumerando os eixos de ação, não aparecem as palavras “petróleo'' e “pré-sal''. Apenas uma referência indireta, mas nem tanto: “Reduzir o consumo absoluto de combustíveis fósseis''.
Deixo para quem sabe mais as observações sobre a impossibilidade, ao menos durante décadas, de o Brasil dispensar a energia poluente do petróleo; a evidência de que, se a Petrobras não explorar a camada do pré-sal, outros o farão, sobretudo empresas privadas chinesas, norte-americanas e europeias; os recursos a serem arrecadados com o pré-sal seriam destinados a educação e saúde, portanto a questão não se resume a energia e combustíveis; abrir mão do pré-sal equivale ao sujeito tirar a sorte grande na loteria, mas jogar no lixo o bilhete premiado; sem o pré-sal, Estados como o Rio de Janeiro sofrerão danos devastadores.
Trato de um aspecto mais pontual: se Marina Silva vencer a eleição e aplicar sua proposta de secundarizar a exploração do pré-sal, o Extremo Sul do Brasil regredirá décadas, com aumento do desemprego, depressão econômica e expansão da pobreza.
Refiro-me à região gaúcha do Polo Naval de Rio Grande e São José do Norte. Especialmente, à cidade mais populosa daquelas bandas, Pelotas. O polo criado no governo Lula (a paternidade, no caso, é o de menos) recuperou o território que de uns tempos para cá passou a ser chamado de “Metade Sul'' do Estado do Érico Verissimo,do Lupicínio Rodrigues e do Vitor Ramil.
No século 19, Pelotas talvez tenha sido a cidade mais rica da região Sul do país. A exploração do charque em larga escala gerou fábulas de dinheiro. A economia se baseava em relações escravagistas, com multidões de africanos aprisionados desembarcando dos navios no litoral de Rio Grande. Em mil oitocentos e pouco, para cada branco de Pelotas havia um africano. Até hoje Pelotas e Rio Grande são famosas pelo melhor Carnaval do Estado, reflexo da ampla população e cultura negras nos dois municípios. A fortuna dos barões de Pelotas esteve na origem da fama gay local: os pais abonados enviavam os herdeiros para estudar na França e em Portugal, os rapazes voltavam educados e viraram alvo de comentários dos homens rudes e preconceituosos do seu tempo.
Isso, a farra da dinheirama, acabou no século 20. A economia desse Extremo Sul permaneceu agrária, com os velhos senhores feudais e novos burgueses do campo mantendo uma concentração obscena da, agora menor, riqueza. Enquanto a Serra gaúcha se industrializou e prosperou, Pelotas (que já foi a segunda cidade com mais habitantes no Estado, depois de Porto Alegre) e Rio Grande empobreceram.
Com uma excelente escola técnica federal, uma universidade federal respeitável e outra católica também, nos anos 1970 e 1980 Pelotas passou a formar mão-de-obra qualificada para “exportar'': não havia bons empregos por lá.
Os índices sociais despencaram a níveis de regiões paupérrimas do Nordeste, e a decadência da economia fez estragos em todos os segmentos da vida cotidiana.
A despeito da desigualdade social atávica que persiste, o cenário melhorou com o Polo Naval de Rio Grande. Dezenas de milhares de vagas, boa parte para peões qualificados, foram abertas nos estaleiros e em função deles. Plataformas de petróleo já saíram prontinhas dali, e há expectativa de que para o pré-sal sejam feitas muitas outras. Em Pelotas não há estaleiro, mas muitos trabalhadores moram lá (a uma hora de ônibus), para fugir dos preços exorbitantes dos imóveis em Rio Grande.
O polo tem muitos problemas, e um deles é a ressaca provocada a cada término de plataforma. Os contratos dos trabalhadores são encerrados, até os empregados retomarem seus postos com novas encomendas. O dinheiro que a economia movimenta resultou em aumentos de preços que castigam os mais pobres. Mas é em função do polo que há não somente mais empregos, como ocupações mais bem remuneradas.
Escolas na região passaram a formar técnicos para o polo, empresas foram abertas e se desenvolveram para fornecer de alimentação a equipamentos.
O Polo Naval foi decisivo para a retomada do desenvolvimento regional da Metade Sul. Uma política que leve ao seu fim seria socialmente catastrófica. Com menos investimento no pré-sal e baque na produção de petróleo, os estaleiros fechariam ou reduziriam seus portes.
Os candidatos a governador e senador no Rio Grande do Sul, alguns manjados balaqueiros (marrentos ou contadores de vantagem, em linguagem gaudéria),  terão de se pronunciar sobre as propostas dos candidatos a presidente em relação a petróleo, Polo Naval de Rio Grande e pré-sal.
Quem calar consentirá.