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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Morre no Rio o filósofo marxista Leandro Konder




ViniciusLisboa - Repórter da Agência Brasil
 Brasil Edição: Stênio Ribeiro

O filósofo marxista Leandro Konder morreu hoje (12), em casa, aos 78 anos, de acordo com informação do Departamento de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), onde Konder lecionava na pós-gradução.
A editora Boitempo, para a qual coordenou a coleção Marxismo e Literatura, com Michael Lowy, emitiu nota em que afirma que Konder sofria do Mal de Parkinson há muitos anos. Nascido em Petrópolis, na região serrana, em 1936, Konder foi forçado a sair do Brasil pela ditadura militar, em 1972, depois de ser preso e torturado, e se exilou na Alemanha e na França.
O filósofo só retornou ao país seis anos depois, e começou a dar aulas na PUC na década de 1980, quando também entrou para o corpo docente do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense. Formado em direito, Konder doutorou-se em filosofia no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de janeiro, em 1987.
Autor de mais de 20 livros, o filósofo contou sua biografia em Memórias de um Intelectual Comunista (2008), da Editora Civilização Brasileira, em que se serviu de anotações pessoais reunidas desde que tinha 14 anos.
O velório está marcado para às 15h de amanhã (13), no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, zona portuária do Rio.

terça-feira, 6 de maio de 2014

El 5º Regimiento,música da Guerra Civil Espanhola, por Lila Downs

El 5.º Regimiento de Milicias Populares, generalmente denominado Quinto Regimiento, fue un famoso cuerpo militar de voluntarios de la II República Española durante los primeros meses de la Guerra Civil Española.1 Fue un cuerpo de élite del ejército republicano aún conformado sólo por milicias que se forjó por iniciativa del Partido Comunista de España y las Juventudes Socialistas Unificadas (JSU). Cuando esta milicia dejó de existir, muchos de sus antiguos miembros pasaron a integrarse en la 1.ª Brigada Mixta,2 o en la 11.ª División 


terça-feira, 8 de outubro de 2013

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Morreu o lendário general vietnamita Giap


O general Giap (ao fundo), com Ho Chi MIn AFP
O general Vo Nguyen Giap, herói da independência vietnamita, artífice da derrota francesa na batalha de Dien Bien Phu, morreu esta sexta-feira. Tinha 102 anos.
Vo Nguyen Giap, o último dos dirigentes históricos do Vietname comunista que desaparece, tornou-se uma lenda depois de liderar vitoriosamente as tropas do país em batalhas contra a França e os Estados Unidos. Em 1953 derrotou as forças francesas em Dien Bien Phu, acontecimento "fundador" do Vietname independente e marco final da dominação francesa na Indochina.
Durante a guerra do Vietname, Giap liderou a luta das forças norte-vietnamitas contra as tropas norte-americanas e do Vietname do Sul. Em 1968 desencadeou a que ficou conhecida como Ofensiva do Tet, uma acção considerada decisiva para a retirada dos Estados Unidos e a consequente tomada da capital do Sul, Saigão, a 30 de Abril de 1975.
"Quando era jovem, sonhava ver um dia o meu país livre e unificado", disse mais tarde, numa entrevista à televisão PBS. "Naquele dia, o meu sonho tornou-se realidade."
Apesar da popularidade, a sua influência diminuiu após a morte de Ho Chi Minh, o líder que conduziu o Vietname à independência, em 1969. Quando se deu a reunificação já não chefiava as forças armadas do então Vietname do Norte. Mas foi ministro da Defesa até 1980 e manteve cargos até ao início da década de 1990. É a mais popular e mais emblemática figura popular do Vietname moderno depois do fundador do Partido Comunista vietnamita, Ho Chi Min.
“É uma personagem mítica e heróica para o Vietname", disse à AFP o investigador  Carl Thayer.
Considerado um dos grandes estrategas militares da História, Vo Nguyen Giap, nascido a 25 de Agosto de 1911, inspirou combatentes de todo o mundo e foi autor de trabalhos sobre estratégia.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Morre aos 90 anos o historiador marxista Jacob Gorender

Brasília - Morreu nesta terça-feira em São Paulo, aos 90 anos, (11) Jacob Gorender, um dos mais importantes historiadores marxistas brasileiros.
Sua principal obra como historiador foi a tese “O Escravismo Colonial” de 1978, onde apresenta sua teoria para a compreensão da história colonial e imperial brasileira com base na apresentação do escravismo colonial, um modo de produção historicamente novo.
 
Assista o documentário da TV Câmara: Jacob Gorender: A esquerda Revelada
 
 
Entre seus trabalhos também se destacam "A burguesia brasileira" (1981) e "Combates nas trevas" (1987).
Gorender nasceu em Salvador em 20 de janeiro de 1923 e ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB) ainda estudante, durante a II Guerra Mundial, na Itália, onde integrou a Força Expedicionária Brasileira (FEB).
Deixou o PCB na década de 60 para fundar o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Em 1964, após o Golpe Militar no Brasil, Gorender foi preso e passou para a clandestinidade política.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

‘Homenagem a meu pai é demagógica’, diz filha de Prestes

Anita Leocádia Prestes rejeitou convite para participar de sessão especial do Senado que devolve simbolicamente o mandato do líder comunista


Anita Leocádia Prestes contesta homenagem ao líder comunista Luiz Carlos Prestes e diz que o pai não estaria de acordo com o atual governo e as medidas aprovadas pelos parlamentares Foto: Marco Fernandes/CoordCOM/UFRJ / Divulgação
Anita Leocádia Prestes contesta homenagem ao líder comunista Luiz Carlos Prestes e diz que o pai não estaria de acordo com o atual governo e as medidas aprovadas pelos parlamentares Foto: Marco Fernandes/CoordCOM/UFRJ / Divulgação
Daniel Fernandes, em Terra

 
Anita Leocádia Prestes, filha do principal líder comunista brasileiro Luiz Carlos Prestes, afirmou que não irá à cerimônia realizada em sessão especial no Senado nesta quinta-feira, que restituirá simbolicamente o mandato do político na Casa. “Para mim isso é demagogia”, afirmou Anita, que é professora do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes.
“São 65 anos desde a cassação do PCB (Partido Comunista do Brasil) - o PCB mudou de nome em setembro de 1960, quando passou a se chamar Partido Comunista Brasileiro, alcunha que mantém até hoje. Em 1962, uma dissidência da legenda criou o PCdoB (Partido Comunista do Brasil), que mantém o mesmo nome até os dias atuais - , quase 30 anos desde que o País saiu do regime militar e vive em uma democracia. Por que tanto tempo? Por que só agora?”, questiona Anita.
A professora afirma que o projeto, de autoria do senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), é uma tentativa da classe política “com a imagem suja” de usar o nome do comunista para tentar “limpá-la”. “Estão tão desmoralizados que resolveram apelar para a imagem do Cavaleiro da Esperança (como Prestes passou a ser chamado depois das ações com a Coluna Prestes) para limpá-la. É um ato demagogo”, ataca. “Recusei o convite (para participar da sessão) por protesto e denúncia contra essa demagogia.”
Historiadora com diversos artigos publicados sobre o papel do PCB, de Prestes e dos demais parlamentares comunistas cassados junto de seu pai, Anita é filha do político gaúcho com a alemã Olga Benário, que conheceu na então União Soviética. Após um fracassado levante em 1936 contra o governo Getúlio Vargas, no que ficou conhecido como a Intentona Comunista, Prestes e a mulher foram presos.

Segundo a professora, seu pai não estaria de acordo com o atual governo e os projetos aprovados pelos parlamentares, como o Código Florestal. “Basta analisar a trajetória dele para saber que ele não concordaria com a ausência de políticas favoráveis à reforma agrária, com esse Código Florestal danoso, a flexibilização das leis trabalhistas”, disse.
Cassação do PCB reflete medo de comunistas

 De acordo com a historiadora, a cassação do registro do PCB, que culminou na perda do mandato dos parlamentares eleitos na eleição de 1945 pela sigla, em 1948, é um reflexo do temor vigente na época, gerado pela Guerra Fria – que polarizou a política da União Soviética e Estados Unidos. “Era uma época de extremo anticomunismo no Brasil”, diz Anita.
Em 7 de maio de 1947, em meio ao governo Eurico Gaspar Dutra, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por três votos a dois, cancelou o registro do Partido Comunista Brasileiro, depois que o partido foi alvo de duas denúncias. Uma delas afirmava que o PCB era uma organização orientada pelo comunismo marxista-leninista da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS); que, em caso de guerra com a Rússia, os comunistas brasileiros ficariam contra o Brasil, e que o partido estaria a serviço do governo soviético. A outra afirmava que, logo após seu registro, o partido passou a exercer ações “nefastas”, insuflando a luta de classes, fomentando greves e procurando criar desordem.
Além disso, a denúncia afirmava que o resultado das eleições de 1945 – em que Prestes foi eleito senador e 14 nomes da sigla foram eleitos para a Câmara dos Deputados – demonstrava que o PCB não era brasileiro, "mas dependente do comunismo russo, diante da afirmação do seu chefe de que combateria o governo que fizesse guerra a URSS para reimplantar o fascismo", e que dependia do comunismo russo, o que seria suficiente para provar “a colisão do partido com os princípios democráticos e os direitos fundamentais do homem”, segundo o processo que oficializou a cassação do registro do partido.
“Esse processo foi vergonhoso e demonstrou que o TSE, assim como o governo brasileiro, estava alinhado à política do governo dos Estados Unidos”, afirmou Anita. "O medo do comunismo era muito grande."
 
Com os votos favoráveis às denúncias, o PCB deixou de ser considerado um partido legalmente, e, com a Lei nº 211, de 7 de janeiro de 1948 - que extinguia o mandato dos parlamentares eleitos por partidos que tiveram o registro cassado - Prestes e os 14 deputados federais comunistas perderam seus postos.
Entre os parlamentares cassados havia nomes como o do escritor Jorge Amado e líderes políticos como Carlos Marighela, Maurício Grabóis e João Amazonas.
Os outros deputados cassados foram: Francisco Gomes, Agostinho Dias de Oliveira, Alcêdo de Moraes Coutinho, Gregório Lourenço Bezerra, Abílio Fernandes, Claudino José da Silva, Henrique Cordeiro Oest, Gervásio Gomes de Azevedo, José Maria Crispim e Oswaldo Pacheco da Silva.
Para Anita, restituições simbólicas não corrigem erro
Antes mesmo de o Senado restituir simbolicamente o mandato de Prestes, a Câmara já havia anulado a extinção do mandato dos deputados comunistas, no dia 20 de março deste ano.
Em 18 de abril, em ato semelhante, a Câmara de Vereadores de São Paulo também reconheceu o mandato de membros eleitos para o legislativo municipal que foram alvo da mesma resolução que cassou Prestes e os deputados comunistas.
A medida reconheceu o mandato, entre outros, de Elisa Kauffman Abramovich, tida como a primeira mulher eleita para o legislativo paulistano.
Além dela, também tiveram seus mandatos reconhecidos simbolicamente os vereadores comunistas Mário de Souza Sanches, Orlando Luís Pioto, Adroaldo Barbosa Lima, Antonio Donoso Vidal, Armando Pastrelli, Calil Chade, Itubirdes Bolivar de Almeida Serra, Benedicto Jofre de Oliveira, Benone Simões, Raimundo Diamantino de Souza, Meir Bernaim, Mauro Gattai, Luiz João e Carlos Niebel.
Para Anita, porém, os atos simbólicos não servem como uma correção do passado. “Não corrige nenhum erro. É tarde demais. Não é hora de se fazer isso”, afirmou.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Especialistas alemães prestam consultoria a governo norte-coreano

A Coreia do Norte pretende abrir ainda este ano suas fronteiras para investidores estrangeiros. Consultores alemães ajudam Pyongyang a planejar nova etapa econômica.
Segundo informações divulgadas pelo jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), as lideranças norte-coreanas têm planos concretos de abrir a economia do país para investidores estrangeiros. Para isso, o governo do país conta com a consultoria de economistas e advogados alemães.
"Há um plano-diretor. Eles querem abrir [o mercado] ainda este ano ", diz o jornal ao citar um dos profissionais envolvidos no projeto. O interesse do país, ainda isolado economicamente do resto do mundo, recai sobretudo na modernização da legislação que regulamenta os investimentos em território nacional.
Modelo vietnamita
Pyongyang não pretende, contudo, simplesmente copiar o modelo chinês de zonas econômicas especiais destinadas a investidores financeiros, escreve o jornal alemão. "Eles se interessam mais pelo modelo vietnamita, no qual escolhe-se determinadas empresas para investir no país", explica um dos envolvidos ao FAZ. Segundo o diário, o especialista entrevistado, cujo nome não foi divulgado, é professor de uma renomada universidade alemã e já prestou consultoria a outros governos asiáticos no passado.
Até agora, a Coreia do Norte vinha tentando atrair investidores provenientes apenas da China, que se interessam sobretudo pelas enormes reservas de matéria-prima do país. De acordo com o jornal, há no momento um número cada vez maior de empresas japonesas, sul-coreanas e ocidentais interessadas em investir na Coreia do Norte.
"Mas os militares não irão querer abrir mão do controle", avalia um economista alemão, que já viajou diversas vezes à Coreia do Norte e prestou também consultoria ao governo do país. Ele suspeita que os projetos de reformas não venham a ser, por isso, realizados.
Kim Jong Un: sérias intenções
Em seu primeiro discurso do ano, o governante Kim Jong Un anunciou na última terça-feira (02/01) uma "mudança radical" na política do país, tendo mencionado inclusive uma possível reunificação com a Coreia do Sul.
Segundo ele, "é importante acabar com o confronto entre o Norte e o Sul". O chefe de governo acrescentou ainda que 2013 será um ano "de grande invenções e transformações". Sua principal meta é a melhoria das condições de vida no país, concluiu.
SV/dpa/afp/FAZ
De: DW

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Cientista político Carlos Nelson Coutinho morre aos 70 anos no Rio

Professor da UFRJ, ele foi vítima de um câncer nesta quinta-feira (20).
Docente é autor de elogiada tradução do clássico 'O capital', de Karl Marx.

Do G1 RJ
Morreu na manhã desta quinta-feira (20), no Rio de Janeiro, o cientista político Carlos Nelson Coutinho, aos 70 anos, vítima de um câncer. A informação foi publicada no site da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde o baiano, natural de Itabuna, dava aulas.
O corpo do cientista será velado nesta quinta no átrio do Palácio Universitário, no Campus da Praia Vermelha, na Zona Sul, e cremado nesta sexta (21), no Cemitério do Caju, na Zona Norte.
Coutinho, é autor de elogiada tradução para o português do clássico "O capital", de Karl Marx e se tornou reconhecido internacionalmente no meio acadêmico como um dos maiores especialistas no pensamento dos filósofos György Lukács, nascido na Hungria, e do italiano Antonio Gramsci.
Entre seus livros publicados, estão "Gramsci, um estudo sobre seu pensamento político" e "A democracia como valor universal".
Formou-se em filosofia na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e se dedicou à crítica cultural nos anos 60 e 70, e foi militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e, mais tarde, do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

domingo, 17 de junho de 2012

Grécia: Syriza reconhece derrota e reafirma oposição à austeridade



Chefe da esquerda radical Alexis Tsipras lança seu voto em um centro de votação em Atenas. Foto: AP
Alexis Tsipras lança seu voto em um centro de votação em Atenas Foto: AP
De: Terra e BBC
Alexis Tsipras, dirigente do partido esquerdista Syriza, reconheceu sua derrota nas eleições deste domingo na Grécia, mas assegurou que seguirá rejeitando o pacto de austeridade com a União Europeia como principal partido da oposição.


"Embora o Syriza não seja o partido mais votado, é a primeira força da oposição contra o memorando" (de austeridade), anunciou o jovem dirigente progressista, advertindo que exercerá uma oposição forte e reiterou que acabar com as políticas de poupança é a única saída para a Europa.
Com 26,4% dos votos, segundo a apuração ainda em progresso, o Syriza foi a segunda força mais votada, a apenas quatro pontos dos conservadores do Nova Democracia.
Tsipras indicou que seu partido lutou para que o país e a Europa mudassem de rumo e ressaltou que o resultado eleitoral mostra que há uma consistente oposição entre os eleitores às políticas de austeridade.
"Em um mês e meio o povo desaprovou o memorando em duas ocasiões. E o governo não pode fazer o que quer sem levar o povo em conta", disse em alusão também às eleições do último dia 6 de maio.

Conservadores lideram votação na Grécia

Samaras afirmou que Grécia vai manter seus compromissos
O partido de centro-direita Nova Democracia deve conseguir uma vitória por pouca diferença de votos em relação ao esquerdista Syriza nas eleições realizadas neste domingo na Grécia.
Com 60% dos votos apurados, as estimativas do Ministério do Interior afirmam que o Nova Democracia conseguiu 30,1% dos votos (ou 130 cadeiras no Parlamento), o Syriza obteve 26,5% dos votos (70 cadeiras), e o socialista Pasok, 12,6% (33 cadeiras).
O líder do Nova Democracia, Antonis Samaras, pediu que todos os partidos se juntem a um governo de salvação nacional e acrescentou que a Grécia vai cumprir seus compromissos.
"O povo grego escolheu hoje pela permanência no caminho europeu e na zona do euro. Não haverá mais aventuras. O lugar da Grécia na Europa não será colocado em dúvida", disse Samaras.
"Os sacrifícios do povo grego vão levar o país de volta à prosperidade."
O líder do Syriza, Alexis Tsipras, afirmou que Samaras deve tomar a liderança na tentativa de formação de um governo de coalizão.
Segundo o correspondente da BBC em Atenas Mark Lowen, estas declarações de Samaras sugerem que ele quer continuar com o programa de cortes de gastos exigidos pelos credores internacionais da Grécia.
A eleição parlamentar deste domingo na Grécia era vista por muitos analistas como um referendo sobre a permanência do país na zona do euro. Este foi um dos assuntos que dominaram a campanha política no último mês.
O outro assunto, que está interligado com a permanência da Grécia na zona do euro, foram os pacotes de ajuda financeira recebidos pelo país nos últimos dois anos.
A Grécia recebeu ajuda internacional de 110 bilhões de euros, em 2010, e 130 bilhões de euros, no ano passado. O dinheiro foi usado para que o país conseguisse pagar suas dívidas, mas grande parte da população está descontente com as condições do acordo, que exige medidas duras de redução de gastos públicos.
A Nova Democracia apoia os pacotes de ajuda financeira, assim como Pasok, mas defende a renegociação de alguns termos. Já o Syriza é fortemente contra as medidas de austeridade.

Coalizão

O líder do Nova Democracia, Antonis Samaras, disse depois da divulgação dos resultados parciais, que quer formar um governo o mais rápido possível.
Se as projeções estiverem corretas, o Nova Democracia deve conseguir formar uma coalizão com o partido socialista Pasok e se beneficiar de uma regra que dá ao partido que lidera a votação mais 50 assentos no Parlamento, que tem um total de 300.
Outro correspondente da BBC em Atenas, Matthew Price, afirma que este governo ainda será relativamente fraco e deve tentar negociar os termos do pacote de ajuda financeira.
O Nova Democracia também poderá convidar um pequeno partido de esquerda, o Esquerda Democrática, para se juntar à coalizão e refletir um pouco da desaprovação dos gregos em relação a esta ajuda financeira, segundo Mark Lowen.
Alexis Tsipras, do Syriza, depois de depositar seu voto na urna (AFP/Getty)
Alexis Tsipras e seu partido, o Syriza, conseguiram muitos votos, mas ficaram em segundo lugar
No entanto, de acordo com o correspondente da BBC, o Syriza conseguiu muitos votos e deve conseguir muitas cadeiras no Parlamento, o que deve dificultar a situação da futura coalizão de governo.

Prazos e renegociações

O ministro do Exterior da Alemanha, Guido Westerwelle, disse neste domingo que a Grécia deve manter seus acordos com os credores internacionais, mas sugeriu que o governo grego tenha mais tempo para cumprir estes acordos.
"Não pode haver mudanças substanciais nos acordos, mas eu consigo imaginar voltar a negociar os prazos", disse.
Já para Angel Gurria, diretor da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o novo governo grego deveria ter uma chance de renegociar pelo menos parte do acordo de resgate.
"Se esta é a condição para que a Grécia fique [na zona do euro] e siga em diante, eu diria que é provavelmente algo que deveria ser tentado", afirmou Gurria.
Os gregos haviam eleito seus representantes no mês passado, mas nenhum partido conseguiu formar um coalizão para governar e por isso a nova eleição foi convocada para este domingo.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Partido Verde alcança vitória histórica em eleições regionais alemãs

Winfried Kretschmann está perto de ser o primeiro governador verde da Alemanha
Verdes mais que dobram seus votos nas eleições de Baden-Württemberg e da Renânia-Palatinado e integrarão coalizões de governo nos dois estados. Partido de Merkel perde bastião que governa desde 1953.

O estado alemão de Baden-Württemberg, um reduto que a União Democrata Cristã (CDU) governa de forma ininterrupta desde 1953, passará para as mãos da oposição social-democrata e verde, de acordo com resultados preliminares das eleições regionais deste domingo (27/03) na Alemanha. Também o estado vizinho da Renânia-Palatinado, que até agora é governado pelo Partido Social Democrata (SPD), passará a ser governado por uma coalizão entre social-democratas e verdes, segundo prognósticos das emissoras de televisão.
De acordo com os resultados preliminares, a CDU, partido da chanceler-federal Angela Merkel, obteve em Baden-Württemberg 39% dos votos e perdeu 5,2 pontos percentuais em relação às eleições de 2006. O Partido Verde deu um salto, alcançando mais de 24% (frente a 11,7% em 2006). O SPD perdeu 2,1 pontos percentuais para fechar em 23,1%.
Dessa forma, verdes e social-democratas contam com a maioria necessária para desbancar os conservadores do governo de Stuttgart depois de quase 60 anos, e um político verde, o candidato Winfried Kretschmann, pode encabeçar pela primeira vez um governo regional na Alemanha. Essa hipótese é provável, pois o SPD afirmou antes das eleições que aceitaria ser a força minoritária numa coalizão com os verdes, caso estes obtivessem mais votos que os social-democratas.
Os liberais, tradicionalmente fortes neste estado próspero e conservador do sudoeste alemão, perderam quase a metade de seu apoio eleitoral e conseguiram a duras penas a representação parlamentar mínima, com 5,2% dos votos.
Fukushima enfraquece Merkel
O debate em torno do uso de energia nuclear, desencadeado após o acidente na central japonesa de Fukushima, dominou a campanha. A virada do governo Merkel, que anunciou uma moratória no plano de prolongar a vida dos reatores no país foi considerada por muitos eleitores como uma manobra eleitoral.
As eleições em Baden-Württemberg eram consideradas a prova de fogo para Merkel e seus parceiros liberais na série de sete eleições regionais que encerram em setembro com a votação na cidade-estado de Berlim. A derrota em Baden-Württemberg foi um duro golpe para a centro-direita de Merkel, que também perdeu em outros estados, a Renânia do Norte-Vestfália e Hamburgo.
A sorte também deu as costas para a CDU e seus aliados liberais na Renânia-Palatinado. Nesse estado, os social-democratas conseguiram se manter no poder, mas terão que se aliar aos verdes para seguir governando, de acordo com os prognósticos.
O número de votos do SPD, do governador Kurt Beck, caiu para 35,8% (diante dos 45,6% em 2006), enquanto os verdes regressaram ao Parlamento de Mainz triplicando seus votos de 2006, de 4,6% para 15,4% nas eleições deste domingo, resultado que também se interpreta como resposta ao acontecimentos no Japão.
A CDU de Merkel subiu para 35,3%, mas lhe faltou um aliado, já que o Partido Liberal ficou fora do Parlamento regional, com apenas 4% dos votos (frente a 8% em 2006). O partido A Esquerda fracassou no intento de superar o mínimo necessário de 5% em ambos os Parlamentos regionais. 
FF/dpa
Revisão: Alexandre Schossler

domingo, 6 de maio de 2012

Socialista François Hollande é eleito presidente da República francesa

França
Novo presidente da França, o socialista François Hollande
François Hollande, do Partido Socialista, foi eleito neste domingo président da República da França. Hollande derrotou Sarkozy no segundo turno das eleições presidenciais com 51,9 % dos votos, contra 48,1 %, segundo as estimativas feitas pelo instituto Ipsos para o jornal Le Monde“, a France Télévisions e a Radio France a partir dos primeiros boletins de apuração.
Depois de François Mitterrand, em 1981 e em 1988, François Hollande é o segundo presidente socialista da Quinta República francesa, fundada em 1958.
Os demais institutos deram resultados semelhantes : TNS Sofres (52% para Hollande) ; Ifop (52,7%) ; Harris (52,1%) e CSA (51,8%).
Multidões se reúnem dioante da sede do PS, no tradicional Bairro Latino e na histórica Praça da Batilha, onde manifestam entusasmo pela vitória dos socialistas. A derrota de Sarkozy é vista pelas principais forças de esquerda, entre elas o Partido Comunista, agrupadas na Frente de Esquerda, como um passo importante para inicar o enfrentamento às políticas neoliberais e conservadoras que levaram a França à beira do abismo.
Com informações do Le Monde e Le Figaro online

terça-feira, 24 de abril de 2012

O que é possível esperar dos socialistas franceses?


As propostas de François Hollande são modestas e precisas. Não há um enunciado revolucionário nem de ruptura total. O que há, ao invés disso, é um bom senso regulador. A esquerda mais ardente achará que é muito pouco, que os estragos do liberalismo merece outra resposta. Outros dirão que o próprio fato de poder falar e a existência de medidas detalhadas em um programa é um grande passo. Até onde pode ir o socialismo francês? O artigo é de Eduardo Febbro.

Paris - Socialdemocracia e mercado...uma dupla que já foi antagônica, tornou-se depois aliada e agora está à beira de um divórcio anunciado. Mito, manipulação ou verdade ? A perspectiva anunciada pelas pesquisas de opinião de uma vitória do candidato socialista François Hollande nas eleições presidenciais francesas coloca a interrogação sobre a relação entre socialdemocratas e mercados após dez anos ininterruptos de governos liberal conservadores.

No ato de lançamento de sua candidatura, François Hollande pronunciou uma frase que ninguém esperava, uma espécie de machadinha de guerra cravada no coração do do liberalismo predador : « meu adversário, meu verdadeiro adversário, não tem nome, rosto ou partido. Nunca apresentará sua candidatura e, por conseguinte, não sairá eleito. No entanto, esse adversário governa. Esse adversário é o mundo das finanças.

Há muitos anos que o socialismo europeu não recorria ao seu fundo de valores históricos. Em resposta a isso, a direita francesa, com seu candidato à frente, Nicolas Sarkozy, saiu a contar a história do lobo : se os socialistas ganharem, haverá « caos », os mercados se lançarão contra o país com « ataques especulativos » e a França terminará « de joelhos’. Com esses anúncios escatológicos, os liberais procuraram ressuscitar os medos que se apoderaram dos mercados no dia seguinte à vitória do falecido presidente socialista François Miterrand, em maio de 1981. Afuguentados pelo famoso « programa comum » da esquerda, os capitais correram apavorados e a bolsa de Paris perdeu em quatro dias 17,1% de seu valor.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Cadernos escolares com retrato de Stalin geram polêmica

 

Cadernos escolares com retrato de Stalin geram polêmica. 16764.jpeg
Em Moscou têm aparecido à venda os cadernos escolares com uma foto do líder soviético Josef Stalin na capa, emitidos como parte de uma série intitulada " Os grandes nomes da Rússia ". Stalin é apresentado no retrato cerimonial em uniforme militar com todas as ordens e condecorações. As autoridades e líderes públicos estão condenando a iniciativa, mas nada podem fazer.
Os cadernos com o retrato de Stalin na capa apareceram nas livrarias juntamente aos outros, dedicados à Imperatriz Catarina II, o fundador do espaço prático, académico Serguei Korolev, o herói da Guerra Patriótica de 1812, o comandante Mikhail Kutuzov, o herói da Grande Guerra Patriótica de 1941- 1945, o mariscal Georgi Zhukov, o compositor Serguei Rakhmaninov, entre outros.
Os cadernos da série com imagem de Stalin não serão retirados da venda, disse à RIA Novosti o diretor da companhia fabricante Alt, Artem Bilan, apesar de terem provocado uma reação oficial negativa, particularmente por parte de alguns memros da Câmara Pública (órgão consultivo do presidente russo), que condenou a promoção do ditador. Em particular, um membro da CP, Sergei Volkov, disse à RIA Novosti que o aparecimento da imagem de Stalin nos cadernos podia ser equiparado à imagem de uma suástica.
O conhecido apresentador de TV, Nikolai Svanidze, conta que a imagem de Stalin em cadernos escolares é inválida por a criança poder aceitar Stalin como um herói. As autoridades de Moscou também reagiram negativamente. Mas o deputado da Assembleia da capital, Viktor Krugliakov, explicou que o controle sobre emissão dos cadernos está fora da competência do Ministério da Educação e Ciência. Segundo ele, no país não há uma lei que proíba o comércio da mercadoria com a imagem de Stalin.
"A Câmara Pública não é um órgão legislativo da Federação Russa, e expressa a opinião pessoal dos representantes da CP. E, acho, que é completamente contrária ao ponto da vista da maioria dos cidadãos russos, que há vários anos reconheceram Stalin uma das figuras mais destacadas da história da Rússia no âmbito do projeto de TV Grandes Nomes da Rússia", comentou Bilan.
De acordo com Bilan, esses cadernos é um produto de sucesso comercial e educacional, uma vez que  dá sucintas, concisas e objetivas informações sobre o que era Stalin e porque entrou na história do país e o que fez para ele.
Na capa dedicada a Stalin são apresentadas as fotos, por exemplo, com imagem de um cartão de polícia czarista para Jósef Dzhugashvili, apelidado de "Koba". Há imagens de Stalin fotografado com Maxim Gorky e com lendário piloto Valeri Chkalov. Também há fotografias do Gulag com os prisioneiros e as torres de campo.
No ensaio aponta-se que Stalin era uma figura controversa, não apenas no âmbito da história da Rússia, mas também mundial. Fala-se das repressões de Stalin, que chamam-se de terror. Apresentam-se evidências de que durante o sua ditadura 640.000 pessoas foram mortas e cerca de dois milhões e meio  presos no Gulag- um sistema de campos de trabalhos forçados para criminosos, presos políticos e qualquer cidadão em geral que se opusesse ao regime da União Soviética. Além disso, reconhece-se que Stalin promoveu uma poderosa indústria, os sistemas de saude público e educação e transformou o Exército soviético em um dos mais fortes do mundo, capaz de vencer fascismo de Hitler.
A figura de Stalin se está tornando cada vez mais atrativa para juventude russa por falta de uma forte ideia nacional, é que tinha ele, conseguindo unir várias nações em uma força, capaz de realizar grandiosas tarefas. Além disso, a geração que tinha sofrido as repressões da ditadura stalinista está morrendo e como fala um provérbio russo o que " sai da vista, fica longe do coração".
A empresa Alt, fundada em 1998 — é uma das principais fabricantes nacionais de produtos de papelaria.

Lyuba Lulko Pravda. Ru

sábado, 7 de janeiro de 2012

Por que Yoani procura Dilma?

Acompanho Yoani Sánchez e o debate que se trava entre os defensores do regime cubano e seus adversários sobre o caráter pessoal e as posiçõe políticas da blogueira. A notícia mais recente sobre as atividades de Yoani é seu apelo à Presidenta Dilma para que interceda junto ao governo cubano para que possa vir ao Brasil e retornar a Cuba sem sofrer represálias.
Olhando os comentários sobre a notícia já se percebem os alinhamentos e a troca de elogios entre os pró e ocntra Yoani. Alguns, acham que, sendo uma direitista fianciada pela CIA para falar mal de Cuba, Yoani não deve ser aceita no Brasil. Outros, cobram coerência de Dilma em relação à vinda da blogueira. A viagem seria para acompanhar o lançamento de um filme sobre liberdade imprensa em Cuba e em Honduras (alguns veículos já inventaram que é sobre liberdade de imprensa em Cuba e no BRASIL!)
A questão, do meu singelo ponto de vista, deve ser colocada de outra forma: o que Dilma tem a ver com a vinda de Yoani? Acho que ela tem o direito de vir ao Brasil e voltar à Cuba. Tem o direito de vir e falar o que bem entender. Quem for contra que proteste contra ela e pronto.
O que torna o caso mais complicado é que, diferente de outras pessoas em outros países, Yoani está proibida de sair de Cuba. Ainda assim, o que Dilma deve fazer? Pedir que Yoani seja liberada apenas para vir ao Brasil? Colocar a Presidenta na "saia justa" como estão dizendo alguns veículos só faz sentido para criar um conflito entre Dilma e um país amigo.
Não aceito que um governo impeça seus cidadãos de visitarem outros países exceto na condição de convidados. Não aceito que um governo proíba que seus cidadãos visitem um país determinado (como ocorre nos EUA em relação a Cuba). Se Yoani vier/viesse ao Brasil, eu não iria, mas haveria muita cobertura da mídia brasileira, que é inimiga de Cuba. Mas alguém já pensou em proibir que José Serra ou FHC viajassem ao exterior e falassem mal do Governo?
Esclareço de antemão que deploro a prisão de Guantánamo, a prisão política dos cinco cubanos nos EUA, a possibilidade de prisão por tempo indeterminado e a pena de morte praticada nos EUA (e em qualquer outro país). Ainda assim, se alguém ler esta postagem achar que sou um incorrigível centrista ou direitista...paciência

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Briga de foice

Pra quem acha que é só a Veja e época que estão detonando como  nonagenário PC do B, leiam a nota do Comitê Central do PCB, publicada no Pravda (o jornal do Lênin):

O programa institucional do PcdoB, exibido na televisão na última quinta-feira, revela sem disfarce seu reformismo e oportunismo, além de sua falta de escrúpulos. Assistimos uma grosseira falsificação da história.

Se nosso Partido fosse legalista, poderíamos reclamar no Procon, no TSE, na justiça comum, contra a tentativa de seqüestro da história do PCB: propaganda enganosa, falsidade ideológica, estelionato político, apropriação indébita.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Arquivos do filósofo Walter Benjamin apresentados em Paris pela primeira vez

O filósofo Walter Benjamin (1892-1940), um dos nomes mais importantes da história da filosofia na primeira metade do século XX, deixou um tesouro de pensamentos e imagens salvos graças a seus amigos, e que estão sendo apresentados, a partir de hoje, e pela primeira vez, no Museu de Arte e História do Judaísmo de Paris, 71 anos depois de sua morte na fronteira franco-espanhola.
Walter Benjamin foi um dos principais filósofos do século 20Os arquivos deste pensador berlinense, autor, entre outros livros, de "A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica" (1936), existem graças à correspondência com os amigos, entre eles os filósofos Theodor Adorno, Hanna Arendt e Gershom Scholem; o dramaturgo Bertolt Brecht e o escritor Herman Hesse.
Partia de um pensamento que incorporava a influência romântica a um certo messianismo de origem judaica. Nos anos 1920, passou somar a estes fatores o Materialismo Histórico, aproximando-se, então, da chamada Escola de Frankfurt.
Walter Benjamin foi um dos principais filósofos do século 20
A influência de Nietzsche também é claramente perceptível. Sua projeção literária começou com a tese de doutorado: A Crítica de Arte no Romantismo Alemão (1919), seguindo-se, mais tarde As Teses sobre o Conceito de História (1940) - escritas no mesmo ano de seu suicídio, para escapar aos captores fascistas. Postumamente, em 1982, foram publicados os textos reunidos na coletânea Passagens, relativa ao período situado entre os anos 1927 e 1940.
São consideradas inúmeras as influências deixadas por Walter Benjamin na filosofia, na política e na arte contemporânea. A singular combinação de um pensamento messiânico com o Materialismo Histórico, por exemplo, leva à possibilidade de enxergar em Benjamin, tal como propôs Michael Löwi, um precursor da teologia da libertação - o movimento religioso observado na América Latina nas últimas décadas do século XX). Dessa forma, em Benjamin, o Messias seria capaz a própria humanidade oprimida, em sua luta pela libertação.
Os angustiosos anos de ascensão do nazismo obrigaram-no, em 1933, a exiliar-se em Paris. Mas Benjamin, como mostra uma célebre fotografia de Gisele Freund, preparava, na Biblioteca Nacional, suas futuras obras, entre elas as teses "Sobre o conceito de história", e um livro ambicioso "Paris, capital do século XIX" sobre as galerias, arcadas e paisagens da cidade.
Quando as tropas nazistas invadiram a capital francesa, em junho de 1940, Benjamin empreendeu viagem para o posto fronteiriço de Port Bou; planejava cruzar os Pirineus, atravessar a Espanha e embarcar em Lisboa para Nova York. Ao que parece, suicidou-se com uma dose de morfina, em 26 de setembro, ante o temor de que grupos franquistas o devolvessem à França ocupada.
Os manuscritos, fotografias, arquivos, catálogos, cadernos e postais apresentados em Paris "são um testemunho de seus esforços para continuar escrevendo em circunstâncias hostis", diz um dos curadores da exposição, Ermund Wizisla.
Os textos enviados a seus amigos "são frutos da árvore do cuidado, cujas raízes crescem em meu coração e as folhas em teus arquivos", diz em uma carta ao amigo Scholem, quem emigrara para a Palestina, em 1923.
"Recolher seus textos dispersos seria uma tarefa quase impossível, se não fossem suas precauções e a lucidez de seus amigos", acrescentou Wizisla.
A obra de Benjamin é "um audaz projeto de história, arte e pensamento", diz o curador da exposição, lembrando que o filósofo também costumava estabelecer conexões iluminadoras: Chaplin e Kafka.
"Chaplin é chave para entender Kafka, na medida em que Chaplin oferece situações onde as condições do excluído e do deserdado, e a eterna dor humana se encontram ligadoa de maneira única às circunstâncias mais especiais da existência hoje em dia, o regime do dinheiro, a grande cidade, a polícia... em Kafka, todo acontecimento é, ao mesmo tempo, imemorável e uma notícia de última hora", escreveu.
Os arquivos Walter Benjamin fazem parte atualmente de um instituto da Fundação para a Promoção da Ciência e da Cultura de Hamburgo e da Academia de Artes de Berlim, a cidade de sua infância.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Karl Marx, o edifício mais longo do mundo

Situado em pleno coração de Viena, na Áustria, o Karl Marx Hof, estende-se ao longo de mais de um quilómetro de comprimento e quatro paragens de ónibus. Não é impunemente que é considerado o edifício residencial mais comprido do mundo e um símbolo do poder dos trabalhadores nos anos de ouro do socialismo europeu.

 Karl Marx, o edifício mais comprido do mundo
Quando foi inaugurado, em 1930, o Karl Marx Hof não se distinguia apenas pelo seu enorme comprimento, superior a 1100 metros, nem pela sua altura ou pelos tons fortes de amarelo e vermelho das suas fachadas que contrastavam vivamente com as tímidas vivendas em seu redor. Era também um símbolo de uma política socialista e de uma arquitectura ao seu serviço. O Karl Marx Hof erguia-se insolentemente no meio de uma zona chique da cidade e atrevia-se a oferecer mais de 1300 apartamentos para trabalhadores com instalações sanitárias, água canalizada e varandas! - um luxo a que nenhum operário da época tinha acesso.
Os hof eram edifícios de habitação social construídos pelo governo socialista austríaco durante os anos 20'. Embora se assemelhassem a um quarteirão, não se enquadravam nos processos de loteamento tradicionais, pois eram projectados e edificados de uma assentada, e o seu "miolo" era composto por espaços livres comunitários, geralmente ajardinados. Este tipo de edificações conheceu grande popularidade nos anos que se seguiram e deixou influências profundas no urbanismo moderno.
 Karl Marx, o edifício mais comprido do mundo
O Karl Marx Hof tornou-se o arquétipo deste tipo de edifícios. Foi projectado em 1927 por Karl Ehn para uma área de 15 hectares. Todavia, apenas 18% desta área era destinada a habitação (cerca de 1380 apartamentos para 5000 pessoas), uma vez que o resto consistia em jardins e equipamentos comunitários: uma escola, recreios, lavandarias, serviços médicos, estabelecimentos comerciais e instalações sanitárias. Mesmo assim, a dimensão do conjunto é impressionante, como se pode ver numa fotografia aérea.
Longe dos anos de ouro do socialismo europeu e do poder dos trabalhadores, o enorme edifício sucumbiu com o passar do tempo a diversos problemas sociais e arquitecturais. Alguns dos primeiros locatários que ocuparam com orgulho os modernos apartamentos de 1930 ainda ali residem. O sentido comunitário e o bom relacionamento entre os habitantes perdeu-se. Também os apartamentos se tornaram obsoletos, com as suas áreas reduzidas e infraestruturas degradadas. O Karl Marx hof tornou-se um gueto.
Nos anos 90' foi instaurado um plano de intervenção que incluía obras de reparação da estrutura, substituição de pavimentos, janelas e outros elementos, de modo a ajustar o edifício aos padrões de vida actuais. As habitações restauradas têm vindo a ser ocupadas por jovens em início de vida que não podem pagar alojamentos mais caros noutras zonas da cidade. Alguns tentam organizar actividades colectivas nos espaços livres. A pouco e pouco a vida e o espírito comunitário vão voltando ao maior edifício do mundo...
 Karl Marx, o edifício mais comprido do mundo
 Karl Marx, o edifício mais comprido do mundo
 Karl Marx, o edifício mais comprido do mundo
 Karl Marx, o edifício mais comprido do mundo

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sábado, 8 de outubro de 2011

Che Guevara: herói, mito ou ícone?

Dia 8 de outubro, lembramos o assassinato de Che Guevara. Na real, ele foi capturado dia 8, mas morto, provavelmente dia 9. Pouco importa. O que importa é que o Che, consagrou-se como uma figura simbólica do revolucionarismo dos anos 60. Isso é suficiente.
Che foi um revolucionário na acepção mais estrita do termo. Um cara que deseja e participava de uma revolução. Era cruel? Cheirava mal? Fumava? Cuspia no chão? Tanto faz. Foi um revolucionário e sua iamgem permanece até os dias de hoje.
Não gosto de heróis, pois acabam sendo descontextualizados e elevados à perfeição. Não gosto de mitos, porque fogem do terreno da história. Tornam-se inatacáveis e inquestionáveis. E nada pode ser sacralizado. Prefiro o Che como um ícone. Um  símbolo de coisas boas pelas quais se deve lutar até as últimas consequências. Isso não morre.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Uma nova Internacional Comunista?


O símbolo da Internacional

Procurando algumas informações, acabei encontrando algo inesperado. Uma Interacional Comuista (Estalinista-Hoxhaista)!
Os não iniciados podem não saber o que é. Os já iniciados acharão uma curiosidade, ou mais uma das esquisitices do nosso infidável universo de ideias políticas bizarras.
Por mera curiosidade, acesse ao site, clicando na legenda da imagem ao lado.