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segunda-feira, 12 de maio de 2014

A corajosa mãe que enfrentou os nazistas ucranianos

Em: Voltaire.net
Durante una ceremonia solemne dedicada al Día de la Victoria sobre el nazismo, el gobernador de una región ucraniana pisoteó la memoria de los veteranos de la Segunda Guerra Mundial proclamando que Hitler trató de liberar a Ucrania de la esclavitud soviética. Estos son los fascistas y neonazis que gozan del respaldo de la Unión Europea y Estados Unidos. La sociedad civil ucraniana (y europea) comienza a protestar por la imbecilidad y ceguera de sus dirigentes que apoyan a estos extremistas únicamente por razones geopolíticas contra Rusia.
«Hoy recordamos cómo las personas lucharon contra los agresores que trataban de apoderarse de nuestra tierra y esclavizar al pueblo, amparándose en los lemas de la liberación de las tierras presuntamente ocupadas por Hitler», proclamó Yuri Odarchenko, gobernador de la región de Jersón, apelando a sus conocimientos de historia y a «muchos programas de televisión sobre el tema».
«Pero Hitler presentó en primer lugar las consignas de liberar a los pueblos del yugo comunista y de liberar a los pueblos del tirano Stalin», dijo Odarchenko ante los veteranos de la Gran Guerra Patria congregados para recordar a los 27 millones de soviéticos caídos en la lucha contra la Alemania nazi.
Pese a que sus palabras desataron la indignación de la multitud, que empezó a abuchearlo y a gritar «¡Vergüenza!», el político prosiguió con su versión de los hechos hasta que una joven madre con un niño en brazos se acercó a él, le arrancó el micrófono de las manos y lo arrojó al suelo.


domingo, 26 de janeiro de 2014

Ex-escravos lembram rotina em fazenda nazista no interior de SP

Gibby Zobel BBC World Service, Campina do Monte Alegre (SP)



Em uma fazenda no interior de São Paulo, 160 km a oeste da capital, um time de futebol posa para uma foto comemorativa. Mas o que torna a imagem extraordinária é o símbolo na bandeira do time - uma suástica.
A foto, provavelmente, foi tirada após a ascensão nazista na Alemanha, na década de 1930.

"Nada explicava a presença dessa suástica aqui", conta José Ricardo Rosa Maciel, ex-dono da remota fazenda Cruzeiro do Sul, perto de Campina do Monte Alegre, que encontrou a foto, por acaso, um dia.
Mas essa foi, na verdade, sua segunda e intrigante descoberta. A primeira tinha ocorrido no chiqueiro.
"Um dia, os porcos quebraram uma parede e fugiram para o campo", ele disse. "Notei que os tijolos tinham caído. Achei que estava tendo alucinações".
Na parte debaixo de cada tijolo estava gravada uma suástica.
É sabido que no período que antecedeu a Segunda Guerra, o Brasil tinha fortes vínculos com a Alemanha Nazista. Os dois países eram parceiros comerciais e o Brasil tinha o maior partido fascista fora da Europa, com mais de 40 mil integrantes.
Mas levou anos para que Maciel, com o auxílio do historiador Sidney Aguillar Filho, conhecesse a terrível história que conectava sua fazenda aos fascistas brasileiros.

Ação Integralista

Filho descobriu que a fazenda tinha pertencido aos Rocha Miranda, uma família de industriais ricos do Rio de Janeiro. Três deles - o pai, Renato, e dois filhos, Otávio e Osvaldo - eram membros da Ação Integralista Brasileira (AIB), organização de extrema direita simpatizante do Nazismo.
A família às vezes organizava eventos na fazenda, recebendo milhares de membros do partido. Mas também existia no lugar um campo brutal de trabalhos forçados para crianças negras abandonadas.
Aloysio Silva
Aloysio Silva era conhecido apenas pelo número 23
"Descobri a história de 50 meninos com idades em torno de 10 anos que tinham sido tirados de um orfanato no Rio", conta o historiador. "Foram três levas. O primeiro grupo, em 1933, tinha dez (crianças)".

Osvaldo Rocha Miranda solicitou a guarda legal dos órfãos, segundo documentos encontrados por Filho. O pedido foi atendido.
"Ele enviou seu motorista, que nos colocou em um canto", conta Aloysio da Silva, um dos primeiros meninos levados para trabalhar na fazenda, hoje com 90 anos de idade.
"Osvaldo apontava com uma bengala - 'Coloca aquele no canto de lá, esse no de cá'. De 20 meninos, ele pegou dez".
"Ele prometeu o mundo - que iríamos jogar futebol, andar a cavalo. Mas não tinha nada disso. Todos os dez tinham de arrancar ervas daninhas com um ancinho e limpar a fazenda. Fui enganado".
As crianças eram espancadas regularmente com uma palmatória. Não eram chamadas pelo nome, mas por números. Silva era o número 23.
Cães de guarda mantinham as crianças na linha.
"Um se chamava Veneno, o macho. A fêmea se chamava Confiança", conta Silva, que ainda mora na região. "Evito falar sobre esse assunto".
Até as vacas da fazenda recebiam a suástica
Argemiro dos Santos é outro dos sobreviventes. Quando menino, foi encontrado nas ruas e levado para um orfanato. Um dia, Rocha Miranda veio buscá-lo.

"Eles não gostavam de negros", conta Santos, hoje com 89 anos.
"Havia castigos, deixavam a gente sem comida ou nos batiam com a palmatória. Doía muito. Duas batidas, às vezes. O máximo eram cinco, porque uma pessoa não aguentava".
"Eles tinham fotografias de Hitler e você era obrigado a fazer uma saudação. Eu não entendia nada daquilo".
Alguns dos descendentes da família Rocha Miranda dizem que seus antepassados deixaram de apoiar o Nazismo antes da Segunda Guerra Mundial.
Maurice Rocha Miranda, sobrinho-bisneto de Otávio e Osvaldo, também nega que as crianças eram mantidas na fazenda como "escravos".
Em entrevista à Folha de São Paulo, ele disse que os órfãos na fazenda "tinham de ser controlados mas nunca foram punidos ou escravizados".
O historiador Sidney Aguillar Filho, no entanto, acredita nas histórias dos sobreviventes. E apesar da passagem do tempo, ambos Silva e Santos - que nunca mais se encontraram desde o tempo em que viveram na fazenda - fazem relatos muito parecidos e perturbadores de suas experiências.
Argemiro Santos ainda guarda a medalha de ouro que ganhou
Para os órfãos, os únicos momentos de alegria eram os jogos de futebol contra times de trabalhadores das fazendas locais, como aquele em que foi tirada a foto onde se vê a bandeira com a suástica. (O futebol tinha papel fundamental na ideologia integralista.)
"A gente se reunia para bater bola e a coisa foi crescendo", diz Santos. "Tínhamos campeonatos, éramos bons de futebol."
Mas depois de vários anos, ele não aguentava mais.
"Tinha um portão (na fazenda) e um dia eu o deixei aberto", ele conta. "Naquela noite, eu fugi. Ninguém viu".
Santos voltou ao Rio onde, aos 14 anos de idade, passou a dormir na rua e trabalhar como vendedor de jornais. Em 1942, quando Brasil declarou guerra contra a Alemanha, Santos se alistou na Marinha como taifeiro, servindo mesas e lavando louça.
Depois de trabalhar para nazistas, Santos passou a lutar contra eles.
"Estava apenas prestando um serviço para o Brasil", explica. "Não sentia ódio por Hitler, não sabia quem ele era".
Santos saiu em patrulha pela Europa e depois passou um período, ainda durante a guerra, trabalhando em navios que caçavam submarinos na costa brasileira.
Hoje, Santos é conhecido, na comunidade onde vive, pelo apelido de Marujo. E se orgulha de um certificado e uma medalha que recebeu em reconhecimento por seus serviços durante a guerra.
Mas ele também é famoso por suas proezas futebolísticas, jogando como meio de campo em vários grandes times brasileiros na década de 1940.
"Naquela época, não existiam jogadores profissionais, éramos todos amadores", diz. "Joguei para o Fluminense, Botafogo, Vasco da Gama... Os jogadores eram todos vendedores de jornais e lustradores de sapatos".
Hoje, Santos vive uma vida tranquila com a esposa, Guilhermina, no sudoeste do Brasil. Eles estão casados há 61 anos.
"Eu gosto de tocar meu trompete, de sentar na varanda e tomar uma cerveja gelada. Tenho muitos amigos e eles sempre aparecem para bater papo", conta.
As lembranças do tempo difícil que passou na fazenda, no entanto, são difíceis de apagar.

"Quem diz que sempre teve uma vida boa desde que nasceu está mentindo", diz Santos. "Na vida de todo mundo acontecem coisas ruins".

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

"Tomorrow belongs to me"-Cabaret. Um modo de mostrar a psicologia de massas do nazismo

A cena a seguir é uma das mais emblemáticas do excelente "Cabaret" de Bob Fosse. A meu ver, simboliza o modo como a ideologia nazista vai tomando conta das pessoas a partir do apelo à natureza, às belezas da pátria e a um futuro de glória. De início, parece apenas um canto jovial. Como sabemos, os jovens são portadores do futuro, da beleza, da esperança, da força e da pureza. Pouco a pouco cria um movimento de quase todos os presentes aderindo ao canto patriótico e grandiloquente introduzido pela juventude. Ao final da cena, Michael York pergunta ao seu amigo (um membro da burguesia alemã) se ele acha possível controlar aquela gente. Esse é um dos motivos pelos quais quando eu vejo um monte de gente vestindo roupa parecida, cantando as mesmas coisas e supervaloriznado sua pátria (ou seu time, ou seu partido, ou sua cidade...) e valores morais incontestáveis, passo longe.



Conheça a letra da música (tradução mais ou menos)

O sol de verão no prado é quente.
O veado na floresta corre livre.
Mas se reúnem para saudar a tempestade.
O amanhã pertence a mim.
O ramo do linden é frondosa e
Verde,
Reno dá o seu ouro para o mar.
Mas em algum lugar uma glória aguarda invisível.
O amanhã pertence a mim.

O bebê em seu berço  fechando os olhos
Abraça a flor a abelha.
Mas em breve, diz um sussurro;
"Levanta-te, levanta-te",
O amanhã pertence a mim

Oh Pátria, Pátria,
Mostra-nos o sinal
Seus filhos esperam para ver.
A manhã vai chegar
Quando o mundo será meu.
O amanhã pertence a mim!

sábado, 9 de novembro de 2013

A descoberta de um autêntico tesouro nazista na Alemanha

BARBARA GINDL/EFE
Os nomes nos quadros deixaram os policiais e a perícia atônitos: Matisse, Picasso, Chagall, Renoir, Dürer, Beckmann, entre muitos outros.
Flávio Aguiar/Carta Maior


Há muitas histórias – a maioria lendárias – sobre tesouros nazistas ocultos. Elas vão desde barras de ouro em fundos de lagos a fantásticas somas de dinheiro transportadas para a América do Sul via Lisboa.
 
Mas agora, na semana em que se “comemora” o 75º. aniversário da Krystallnacht – noite dos cristais, pogrom contra sinagogas e lojas judaicas – veio à luz o que parece ser, de fato, a descoberta de um autêntico tesouro amealhado a partir da coleta de peças de arte feitas pelos nazistas, inclusive pelo próprio Führer.
 
A revista Focus foi a primeira a revelar que algum tempo atrás as autoridades policiais haviam descoberto cerca de 1500 pinturas guardadas secretamente na casa de um certo Cornelius Gurlitt, um cidadão que vivia completamene isolado, como um ermitão, sem família nem amigos.
 
Cornelius Gurlitt chamara a atenção de autoridades alfandegárias ao viajar num trem de Zurique para Munique, em 2010, com 9 mil euros nos bolsos. Transportar 9 mil euros através da fronteira sem declará-los não é crime nem contravenção. Mas o que chamou a atenção foi o fato de Gurlitt não ter conta em banco, nem seguro saúde, nem jamais ter declarado renda para o fisco. Apesar disto era proprietário de um apartamento razoável e levava uma vida aparentemente confortável.
 
Ao inspecionar seu apartamento já em 2012 as autoridades decobriram nada mais nada menos que 1285 quadros sem moldura, 121 com moldura, entre pinturas a óleo, aquarelas, desenhos e litografias, cuidadosamente armazenados e em bom estado, por trás de montes de pacotes tetra de suco e de comida enlatada dos anos 80. Os nomes nos quadros deixaram os policiais e a perícia chamada depois atônitos: Matisse, Picasso, Chagall, Renoir, Dürer, Toulouse-Lautrec, Canaletto, Beckmann, Munch, entre muitos outros. Segundo se acredita Cornelius chegou a vender alguns dos quadros para se manter.
 
Tudo o que se segue é ainda objeto de investigação, mas os indícios são muito contundentes sobre a veracidade do que vai se contar.
 
Tudo começou em 1934, na cidade de Zwickau, onde um diretor de museu perdeu seu emprego por ter ascendência judaica: Hildebrand Gurlitt, o pai de Cornelius. Apesar desta primeira queda em desgraça, Hildebrand conseguiu se recuperar graças a seus conhecimentos no mundo e no mercado de artes. Já nesta época Hitler desejava criar um “Führersmuseum” em  Linz, na Áustria, perto de sua cidade natal, Braunau am Inn. Uma das principais seções do museu seria dedicada àquilo que os nazistas consideravam como “arte degenerada”, em geral de modernistas, mas também de judeus, comunistas, e outros seres “indesejáveis”. E Gurlitt tornou-se um dos encarregados de coletar obras para este fim.
 
As “coletas” eram feitas através de confisco ou de compras – em geral a preço reduzido, no caso de obras vendidas, por exemplo, por proprietários judeus que desejavam fugir dos fascistas, muitas vezes literalmente “comprando” a sua liberdade através destas vendas rebaixadas. As obras assim coletadas foram reunidas provisoriamente num “Sonderauftrag”, na cidade de Dresden, enquanto se esperava a construção do museu em Linz.
 
Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, a construção do museu foi postergada e depois postergada para sempre, com a derrota dos nazistas. Hildebrand declarou que as obras que ele coletara foram todas transportadas para Dresden, e acabaram destruídas no bombardeio de 15 de fevereiro de 1945, que arrasou o centro da cidade com bombas explosivas e incendiárias. E a coisa ficou por isso mesmo, inclusive porque em 1956 Hildebrand morreu num acidente de carro, deixando o filho, Cornelius, como o único herdeiro.
 
Agora a descoberta do acervo levanta uma série de questões. A primeira  é, obviamente, o que fazer com ele. A questão é complexa. É necessário identificar e catalogar cada obra, para tentar saber sua procedência. Além das compras e dos confiscos forçados – hoje declarados ilegais – também houve “arte degenerada” retirada de museus. No caso de haver herdeiros vivos, a lei alemã e as leis internacionais prevêm a devolução das obras. Até o momento, há uma única pesquisadora fazendo este trabalho o que, aliás, é motivo de crítica na mídia alemã e europeia, pois ele deveria envolver uma equipe numerosa para agilizá-lo.
 
Outra questão é a de levantar se de fato Cornelius vendeu parte, ainda que pequena, das obras que “herdou” do pai, e se este também vendera algo. Se for este o caso, quem comprou? Em que circunstâncias? Dificilmente foram vendas regulares, a operação deve ter sido feita no “paralelo”. Como recuperar estas obras? Haverá como e porque acusar  os compradores de crime de receptação? As penas continuam sendo muito severas para tais atividades, sobretudo se envolvem os tempos do nazismo. Hoje não é mais o caso, mas na Holanda, por exemplo, logo depois da guerra, ter vendido “tesouros nacionais” aos nazistas era crime passível de pena de morte (v. o excelente livro de Frank Wynne, “Eu fui Vermeer: a lenda do falsário que enganou os nazistas”. No Brasil, Cia. das Letras, 2008).

Finalmente, há a questão do que fazer com Cornelius que, no momento, saiu de sua casa para destino ignorado. Ele está com 80 anos e, além de guardar irregularmente estas obras, apresenta sintomas de alguma perturbação emocional. Consta que enquanto os policiais vasculhavam a sua casa, em 2012, ele ficou fechado num quarto escuro. Seu único comentário teria sido: “vocês poderiam ter esperado que eu morresse. Iriam ficar com as obras de qualquer jeito”.
Créditos da foto: BARBARA GINDL/EFE

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Ninguém quer o corpo do criminoso nazista Erich Priebke

Três dias depois de sua morte, em Roma, aos 100 anos, o criminoso nazista alemão Erich Priebke continua suscitando controvérsia devido ao repúdio do Vaticano, da Argentina, da Alemanha e da Prefeitura de Roma em realizar seu funeral.
O enterro do capitão das SS, condenado em 1998 à prisão perpétua pela participação na morte de 335 civis italianos, ainda não pôde ser resolvido. A maior matança cometida pelos nazistas na Itália ficou conhecida como massacre das Fossas Ardeatinas, e ocorreu em Roma, em março de 1944.
O procurador e amigo de Priebke, Paolo Giachini, que tentou de todos os meios organizar uma cerimônia pública, recebendo como resposta um categórico não, anunciou à imprensa italiana que nesta segunda será realizada uma cerimônia de despedida de forma privada e discreta na residência romana onde cumpria prisão domiciliar.
O advogado, que esperava cremar o corpo de Priebke no cemitério militar alemão de Pomezia, perto de Roma, não poderá fazer isso porque o falecido oficial nazista não morreu em combate, explicaram à AFP fontes da entidade.
A possibilidade de enviar os restos mortais de Priebke para a Alemanha, seu país de nascimento, também tem sido examinada.
"Pode ser cremado na Alemanha", explicaram fontes do Ministério de Relações Exteriores alemão.
"Mas o governo não tem motivo, nem razões para se pronunciar sobre o assunto, já que ninguém apresentou uma solicitação oficial. É uma decisão que os familiares devem tomar", acrescentaram.
O diretor do Centro Simon Wiesenthal, organização que zela para que os criminosos nazistas respondam por seus crimes, propôs que o corpo do oficial nazista seja enviado para a Alemanha para ser cremado.
Em entrevista ao jornal italiano La Stampa, Efraim Zuroff, diretor do centro Wiesenthal, declarou que "o melhor é enviar o corpo para a Alemanha para que seja cremado", mas tudo parece indicar que também não será possível essa opção.
Detido na Argentina em 1994 após ter vivido tranquilamente nesse país por mais de 40 anos, extraditado e julgado na Itália, Priebke jamais pediu desculpas ou manifestou algum arrependimento por seus atos.
"A Alemanha tem as leis adequadas para evitar que os funerais e a incineração se transformem em uma festa de neonazistas", destacou Zuroff.
A cremação do capitão das SS "é uma solução eficaz", disse após lembrar que o corpo de Hitler também foi cremado.
"Com esse gesto se destrói tudo o que representa o nazismo", avaliou.
Para o presidente da comunidade judaica de Roma, Riccardo Pacifici, celebrar o funeral na capital italiana "é algo inconcebível, porque aqui cometeu o crime mais atroz".
"Não é justo que o enterrem em Roma, deve voltar para a Alemanha, para Berlim", destacou.
Giachini lançou uma verdadeira campanha para que seja enterrado na Itália e torná-lo símbolo da extrema direita europeia.
O advogado divulgou, inclusive, uma desconcertante entrevista-testamento de Priebke no qual ele defende seu passado e assegura que "o Holocausto" foi inventado pelos vencedores da Segunda Guerra Mundial.
"A fidelidade ao próprio passado faz parte das nossas convicções", sustenta na entrevista.
Depois de ter anunciado o sepultamento do oficial em Bariloche, sul da Argentina, o que não foi permitido pelo governo daquele país, Giachini pressionou para que seja enterrado na Itália, "um direito", disse em entrevista à televisão.
Militantes de extrema direita, entre eles os fascistas do movimento "Militia", tentaram levar coroas de flores ao edifício onde vivia o criminoso nazista e deixaram uma legenda pintada em sua homenagem com a suástica, que foi rapidamente apagada por ordem da prefeitura.
Atos que alimentam o clima de tensão na capital, já que em 16 de outubro se comemora o 70º aniversário da deportação de mil judeus do gueto de Roma para o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, dos quais 16 sobreviveram.
O prefeito de Roma, Ignazio Marino, advertiu que não autorizará o enterro de Priebke, mesmo que a lei preveja que todo morto seja enterrado no lugar onde faleceu.
"Farei o que for para impedir que Priebke seja sepultado em Roma", disse, a Cidade Eterna é uma "cidade antinazista e antifascista".
O chefe de polícia de Roma, Fulvio della Rocca, proibiu por razões de segurança que se celebrem demonstrações públicas pela morte de Priebke em toda a província.
De: Terra

domingo, 23 de junho de 2013

Jandira Feghali: Grupos fascistas pagos jogaram bombas nos próprios manifestantes

 
Em São Paulo, jovens fazem saudação nazista na manifestação da quinta-feira 20. No Rio de Janeiro, agressões a quem portava uma bandeira de partido político ou movimentação social
por Conceição Lemes
Na última quarta-feira 19, deputados federais do Rio de Janeiro divulgaram uma carta aberta aos manifestantes sobre os atos que tomaram as ruas de várias cidades do Estado:
Nós, deputados federais do Rio de Janeiro, sentimo-nos estimulados e saudavelmente cobrados por essas manifestações que tomam as ruas das nossas cidades. Aos milhares que, mobilizados pela internet, saem para as passeatas, transitando do virtual para o presencial, dizemos: VOCÊS NOS REPRESENTAM! Inclusive quando questionam o padrão rebaixado da política movida a interesses menores e também distante de ideias e causas.
Temos orgulho de nossos mandatos políticos e queremos colocá-los à disposição das justas demandas por transportes públicos eficientes, redução das tarifas, educação e saúde pública de qualidade, ética na política, transparência e prioridade social nos orçamentos públicos. As grandes lutas sociais de nossa história, que alcançaram vitórias concretas, tiveram a participação de organizações partidárias vinculadas ao povo.
Entre os signatários, a deputada Jandira Feghali, do PCdoB, que me concedeu esta entrevista.
Viomundo – Na quinta-feira 20, houve atos de violência e depredações em alguns pontos da cidade do Rio de Janeiro. Os manifestantes continuam representando- a?
Jandira Feghali – Mantenho a mesma posição de apoio, pois a grande maioria da manifestação não tem nada a ver com a confusão que aconteceu. Majoritariamente ela continua agindo de maneira democrática, com bandeiras justas pela educação, saúde, mobilidade urbana, contra o fundamentalismo em relação à diversidade.
Viomundo – E a destruição de patrimônios históricos do Rio?
Jandira Feghali – Aí está o problema. Existem dois grupos minoritários, que estão quebrando, destruindo, partindo para a violência, que nós não apoiamos. Acredito que também a sociedade e os manifestantes também não os apoiam.
Viomundo – Quais seriam?
Jandira Feghali – Um é o anarco-punk, que desde o início sabíamos que existe e está presente em vários lugares. Seus integrantes acham que os símbolos do capital e do poder tem de ser depredados, destruídos. Daí os ataques a bancos, assembleias legislativas, patrimônios históricos. Eles acham que uma revolução se faz assim.
Existe outro grupo que, no Rio de Janeiro, só ficou mais explícito na manifestação da última quinta-feira. É um grupo fascista, de direita, que atacou não apenas as poucas bandeiras de partidos e entidades, tocando-lhes fogo, rasgando-as, mas que jogou bombas nos próprios manifestantes, machucando muitos. Eles são nitidamente pagos e organizados. Isso é grave e nos preocupa, pois podem partir para agressões mais pesadas e gerar uma tragédia.
Viomundo – Como a senhora sabe que são grupos pagos?
Jandira Feghali – Eles foram identificados por pessoas de entidades democráticas. Eram caras que usavam jaqueta e gravata, davam ordem para agredir aqui, ali, acolá. Não jogaram bombas em bancos, prédios, polícia. Jogaram no carro de som da manifestação, diretamente nas lideranças, nos ativistas, que estavam celebrando. Eles acabaram produzindo uma série de confusões para dentro da passeata.
São típicos grupos de fascistas. São pagos para gerar confusão entre os manifestantes e gerar uma mídia antipartidária, antidemocrática. Repito: acho isso muito grave e tem de ser denunciado abertamente por nós, pois fere o estado democrático de direito, a livre liberdade de manifestação.
Viomundo – O que acha de bandeiras de partidos e movimentos sociais terem sido destruídas e militantes de partidos agredidos?
Jandira Feghali –Nós não estamos na época da ditadura em que as pessoas eram proibidas de se manifestar. Os partidos são parte da luta democrática. Aliás, essa liberdade de estarmos nas ruas como hoje é também consequência da luta dos partidos, que perderam militantes na ditadura e lutaram para que houvesse essa liberdade de manifestação.
Portanto, os partidos são parte do processo. Ninguém quer tutelar nada. Eu acho que não tem de ter a tutela de absolutamente ninguém. E o movimento tem que ser amplo, suprapartidário mesmo, com os movimentos sociais.
Nós queremos que essas manifestações legítimas de desejos tenham vitórias, conquistas concretas, nas bandeiras importantes. Mas não queremos que isso seja confundido com bandeiras da direita, atrasadas, contra a liberdade de expressão e de manifestação de partidos políticos, de LGTB, do movimento negro ou de uma juventude que não milita em partido.
Viomundo – O que fazer agora?
Jandira Feghali – Nós não podemos admitir que atos fascistas, provocatórios, que se expressam através de movimentos organizados e pagos, possam gerar alguma tragédia, algum mártir. Ou confundir o processo que está se dando nas ruas. Nós temos de denunciar isso. Também temos de excluir esse esse comportamento fascista para que a beleza do que foi para as ruas movimento possa avançar de maneira democrática.
Os jovens têm que ficar antenados para se definir de forma ampla. Precisam aprender que a liberdade e a democracia são os maiores bens da sociedade brasileira.

sábado, 22 de junho de 2013

A farsa trágica dos gestos de Hitler

Uma farsa trágica

Em 1925, o fotógrafo Heinrich Hoffmann, colaborador muito próximo de Adolf Hitler, registou-o a seu pedido enquanto ensaiava, como se fosse uma farsa, poses para usar nos comícios. Estas imagens funcionam hoje como evidência da construção de uma imagem orientada para conquistar o poder. Uma farsa que se revelou trágica.
Autor não identificado, Heinrich Hoffmann durante o investigação de crimes de guerra nazis, 1945.jpg
Autor não identificado, Heinrich Hoffmann durante o investigação de crimes de guerra nazis, 1945
Arquivos da
Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos da América

Heinrich Hoffmann, como muitos outros, não entrou para o palco da História desempenhando um papel principal. Foi definitivamente um actor secundário, porém importante, no desenrolar dos acontecimentos que marcaram o século vinte.
Nascido em 1885, este alemão tornar-se-ia fotógrafo por influência familiar, trabalhando inicialmente no estúdio do seu pai, e mais tarde, a partir de 1908, estabelecendo-se por conta própria na capital da Baviera, Munique.
Se a sua condição de fotógrafo, por si só, não foi suficiente para lhe garantir uma entrada nos manuais de História (não foi um dos mestres dessa vertente artística, era apenas um comercial e competente profissional), a sua opção pela cidade bávara acabaria por ser decisiva.
Será aí que, em 1920, no meio da efervescência política da Alemanha do pós primeira guerra mundial, no período normalmente designado por República de Weimar, que se cruzará com um dirigente de um pequeno e quase desconhecido partido radical, o NSDAP (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei), partido a que prontamente adere. A liderança do partido revelara até então alguma desconfiança relativamente à forma como era representada, e Hoffmann será decisivo em inverter essa postura, convencendo o dirigente e ideólogo do Partido, Adolf Hitler, a o nomear fotógrafo oficial.
A desconfiança inicial de Hitler em relação à imagem não advinha de a ela ser avesso, ou de não lhe encontrar valor. Pelo contrário, o futuro líder alemão fora na juventude um aspirante a pintor, tendo falhado uma muito desejada admissão na Escola de Belas-Artes de Viena, na Áustria, o seu país natal. E enquanto político, seria paradoxalmente um agente muito moderno, próximo da actualidade, pela forma como manipulou a imagem na criação da sua persona pública, embora com toda uma linguagem corporal e um imaginário que hoje nos são muito arcaicos.
Adolf Hitler, então o início da sua trajectória política, esforçava-se por, primeiro, criar estabelecer um domínio sólido sobre o NSDAP, e depois, partir para o controle do país. Para isso, cedo intuiu que precisava de associar os seus dotes de oratória, e o seu discurso de uma natureza excessiva e populista, a uma postura e a uma gestão de imagem que lhe dessem estrutura e credibilidade.
E aí, Heinrich Hoffmann foi determinante, sendo seu primeiro grande aliado nessa batalha das imagens (mais tarde segui-lo-iam outros, nomeadamente a cineasta Leni Riefenstahl). Toda as representações fotográficas do líder seria controladas por Hoffmann e pelo próprio Hitler, visando uma uniformidade e eficácia comunicativa que é inegável. Este controle rígido e exclusivo foi aliás um fantástico negócio para ambos, na medida em que qualquer uso da imagem do líder nazi implicava o pagamento de direitos, e em que, uma vez conquistado o poder, a imagem de Adolf Hitler se tornou omnipresente, estando em tudo, desde da imprensa até aos selos de correio.
Este empreendimento comunicacional nada tinha de documental. A imagética nazi era um tremendo exercício teatral, a naturalidade não era um objectivo. As situações, as posturas, os tons, tudo era, em grande parte, uma falsidade friamente ensaiada.
A prova maior desta evidência, consiste num conjunto de imagens, feitas pelo fotógrafo a pedido de Adolf Hitler, em 1925. Nelas, o futuro ditador aparece num ensaio de poses para usar em aparições públicas, e que visavam obter um reflexo mais distanciado do que aquele que obteria num espelho, uma visão mais próxima daquilo que seria visível pelos assistentes aos seus comícios.
As imagens serviram para apurar a sua técnica de postura, e uma vez analisadas por Hitler, este solicitou a Hoffmann que as destruísse. O seu objecto estava atingido, e não era suposto serem publicadas, uma vez que não transmitiam um versão de si que Hitler considerasse digna.
Ordem que Hoffmann, um dos mais próximos e fiáveis colaboradores do dirigente nacional-socialista, não cumpriu, fosse por cálculo, fosse por esquecimento.

Heinrich Hoffmann, ensaio gestual de Hitler, Alemanha, 1925
Heinrich Hoffmann, ensaio gestual de Hitler, Alemanha, 1925. Arquivos da Bayerischen Staatsbibliothek, Munique, Alemanha

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Heinrich Hoffmann, ensaio gestual de Hitler, Alemanha, 1925. Arquivos da Bayerischen Staatsbibliothek, Munique, Alemanha

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Heinrich Hoffmann, ensaio gestual de Hitler, Alemanha, 1925. Arquivos da Bayerischen Staatsbibliothek, Munique, Alemanha


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Heinrich Hoffmann, ensaio gestual de Hitler, Alemanha, 1925. Arquivos da Bayerischen Staatsbibliothek, Munique, Alemanha

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Heinrich Hoffmann, ensaio gestual de Hitler, Alemanha, 1925.Arquivos da Bayerischen Staatsbibliothek, Munique, Alemanha

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Heinrich Hoffmann, ensaio gestual de Hitler, Alemanha, 1925. Arquivos da Bayerischen Staatsbibliothek, Munique, Alemanha

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Heinrich Hoffmann, ensaio gestual de Hitler, Alemanha, 1925. Arquivos da Bayerischen Staatsbibliothek, Munique, Alemanha

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Heinrich Hoffmann, ensaio gestual de Hitler, Alemanha, 1925. Arquivos da Bayerischen Staatsbibliothek, Munique, Alemanha

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Heinrich Hoffmann, ensaio gestual de Hitler, Alemanha, 1925. Arquivos da Bayerischen Staatsbibliothek, Munique, Alemanha

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Heinrich Hoffmann, ensaio gestual de Hitler, Alemanha, 1925. Arquivos da Bayerischen Staatsbibliothek, Munique, Alemanha

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Heinrich Hoffmann, ensaio gestual de Hitler, Alemanha, 1925. Arquivos da Bayerischen Staatsbibliothek, Munique, Alemanha

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Heinrich Hoffmann, ensaio gestual de Hitler, Alemanha, 1925. Arquivos da Bayerischen Staatsbibliothek, Munique, Alemanha

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Heinrich Hoffmann, ensaio gestual de Hitler, Alemanha, 1925. Arquivos da Bayerischen Staatsbibliothek, Munique, Alemanha

A teatralidade exagerada que acompanhava os discursos inflamados de Adolf Hitler, e que agora nos parece tão evidente e estranha, não escapou decerto aos seus contemporâneos. O actor e realizador Charles Chaplin mordazmente caricaturizou os seus trejeitos em "The Great Dictator" ("O Grande Ditador", em Portugal e no Brasil), em 1940.
Charles Chaplin no filme The Great Dictator, EUA, 1940.jpg
Charles Chaplin no filme "The Great Dictator", E.U.A., 1940Wikimedia commons

No entanto, a forma como essa teatralidade era lida era bastante diferente. Nas primeiras décadas do século vinte, o "underacting" não era uma estratégia muito apreciada, quer no teatro, quer no cinema. O cinema era inicialmente mudo, e a ausência de som implicava a transformação do acto de representar em algo mais próximo da actividade de um mimo do que de uma interpretação natural. Quem assistia a um discurso de Hitler, ou a um filme de um discurso seu, estava familiarizado com aquela forma exagerada de representação, e estava de alguma forma mais predisposto a ser cativado por ela.
Esta familiaridade acabou por ser algo trágica, e ajuda a explicar a relativa facilidade com que Hitler chegou ao poder e assumiu um domínio absoluto. Para grande parte da elite alemã, Hitler era um personagem algo ridículo, mas não verdadeiramente preocupante. De algum modo, a consciência da teatralidade dos seus comícios levava-os a crer que o ódio e o carácter primário das ideias que defendia eram, no fundo, um papel que representava para chegar a chanceler, mas que não seria verdadeiramente para levar a sério. Mesmo entre os membros da comunidade judaica alemã, muitos partilhavam desse ponto de vista, menorizando o perigo.
Mas a História veio provar o quanto estavam enganados. Hitler (e Hoffmann, nas suas secundárias funções) eram actores que acreditavam verdadeiramente no enredo que interpretavam.
Em obvious

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Sem partido, sem partido! Veja o que isso significa

"A divisão da nação em grupos com visões irreconciliáveis, sistematicamente trazida pelas falsas doutrinas de esquerda, significa a destruição da base de uma possível vida comunitária... Somente a criação de uma verdadeira sociedade nacional, acima dos interesses e diferenças entre partidos e classes, pode pernamentemente remover a fonte da qual essas aberrações se alimentam..."
A. Hitler

domingo, 21 de abril de 2013

RS é o segundo Estado que mais baixa conteúdos neonazistas na internet

Trabalho de pesquisadora estima que há 42 mil simpatizantes da ideologia no Rio Grande do Sul

RS é o segundo Estado que mais baixa conteúdos neonazistas na internet Ver Descrição/Ver Descrição

Um estudo estima que o sul do Brasil abrigue mais de 100 mil simpatizantes na internet de uma ideologia que condenou à morte milhões de pessoas, precipitou o mundo em uma guerra mundial e virou sinônimo de intolerância em todo o planeta. Apenas no Rio Grande do Sul, onde estaria concentrado o segundo maior polo de neonazistas do Brasil, haveria 42 mil seguidores das ideias de Adolf Hitler, conforme a pesquisa que monitorou o crescimento dessas facções de extrema-direita na web.
Um trabalho de monitoramento da internet realizado pela pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e antropóloga Adriana Dias detectou um crescimento de quase 170% no número de páginas virtuais com conteúdo neonazista em português, espanhol ou inglês entre 2002 e 2009 — de 7,6 mil para 20,5 mil. Além disso, fez uma análise sobre a origem de internautas que baixavam um número expressivo (superior a cem) de materiais de cunho discriminatório.
O cruzamento de informações permitiu à especialista estimar o número de simpatizantes do ideário extremista no Brasil. Os Estados do Sul lideram o ranking da intolerância, cujo topo é ocupado por Santa Catarina e seguido por Rio Grande do Sul e Paraná. Características culturais e históricas podem ter relação com a a maior prevalência dos grupos de ódio nessa região, de forte imigração europeia. Os seguidores da cartilha neonazista costumam defender a "superioridade" da raça branca sobre as demais e perseguição a negros, judeus e homossexuais.
Os dados compilados pela pesquisadora indicam ainda que há comunidades de orientação neonazistas em 91% das 250 redes sociais monitoradas pela antropóloga, e que o número de blogs sobre o assunto cresceu mais de 550% no período. Além de refletirem o crescimento da própria internet nos últimos anos, esses números sugerem que a facilidade para troca de informações de maneira relativamente anônima segue atraindo fanáticos — e fornecem uma pista sobre o perfil de quem propaga a violência no mundo virtual.
— Geralmente, eles atendem ao proselitismo na juventude. O jovem em busca de uma causa acaba recebido pelo grupo, que o convence de que o negro ou o judeu tomou seu espaço no mercado de trabalho, na universidade, etc. — explica Adriana Dias, em entrevista à Agência Brasil.
O presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Jair Krischke, confirma que o perfil dos neonazistas no Estado hoje é formado principalmente por jovens, muitas vezes com nível socioeconômico razoável ou elevado:
— Um problema sério é que a grande maioria dessas pessoas que entram nos sites são jovens. Isso é uma falha nossa como sociedade. Não estamos dando aos jovens motivações, valores superiores. É uma falha da escola, da igreja, das famílias, dos partidos políticos que não estão dando perspectivas a eles.
Maior presença na redeConfira o avanço no número de páginas da internet com conteúdo nazista
2002: 7.600
2003: 8.100
2004: 9.485
2005: 11.036
2006: 12.191
2007: 13.421
2008: 15.601
2009: 20.502
Variação de 2002 a 2009: 169,8%
Mapa da intolerânciaConfira o número estimado de simpatizantes de ideais nazistas no Brasil, com base em usuários na internet que fazem downloads de conteúdos da ideologia:
Santa Catarina: 45 mil
Rio Grande do Sul: 42 mil
São Paulo: 29 mil
Paraná: 18 mil
Distrito Federal: 8 mil
Minas Gerais: 6 mil

Fonte: antropóloga Adriana Dias