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domingo, 1 de março de 2015

Estourou o cano: mais de 10 mil pessoas tomam as ruas contra falta d'água em SP

Lideranças do movimento foram recebidas por representante do governo e garantiram compromissos da gestão tucana.

Marlene Bergamo/Conta d'Água
Nota da redação: em negociação após o ato, o governo do Estado assumiu quatro compromissos com o movimento. São eles: reeditação do decreto do Comitê de Crise, até então restrito ao governador e prefeitos, para incluir movimentos sociais como o MTST; 

compromisso em formar uma comissão para identificar os locais que tem falta d’água crônica; 

distribuição de caixas d’água nas periferias da Grande São Paulo; 

reunião com Paulo Massato, diretor metropolitano da Sabesp, para discutir a operacionalização da distribuição de cisternas, construção de poços artesianos e envio de caminhões pipas para as regiões mais necessitadas;

compromisso em avaliar os contratos de demanda firme estabelecido com grandes gastadores e apresentar uma resposta até a próxima semana.

___________


Cerco ao Palácio dos Bandeirantes

Índios fazendo a dança da chuva, caminhão-pipa, Alckmin na banheira, 10 mil pessoas e movimento social na sede do governo: assim aconteceu a Marcha pela Água, convocada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Uma maré vermelha invadiu as ruas da zona sul da capital na noite desta quinta-feira (26) protestando contra o que entendem ser negligência do governo em não tomar medidas para conter a crise hídrica que assola o estado, principalmente as periferias.

“Exigimos que o governo minimize o impacto do racionamento que existe – apesar de ele sempre negar – nas periferias. Nós temos creches fechando as portas, escolas suspendendo as aulas, hospitais adiando cirurgias. A periferia está sendo agredida”, afirmou Jussara Basso, coordenadora estadual do MTST. “Sabemos que grandes empresas têm ganhando descontos na conta de água. Não por economia, mas por gasto. Enquanto isso, na periferia, quanto mais for gasto, mais se paga”, completou.

Com representantes da Central Única dos Trabalhadores (Cut), da União Nacional dos Estudantes (Une) e de diversas outras entidades e lideranças políticas, como a ex-candidata à presidência Luciana Genro (Psol), a manifestação seguiu, em um percurso de duas horas, do Largo da Batata, na zona oeste, até o Palácio dos Bandeirantes, na zona sul.

O foco principal das críticas dos manifestantes - a maior parte deles militantes do movimento e moradores da periferia – foi, naturalmente, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que insiste em minimizar um claro racionamento que faz milhares dessas pessoas ficarem sem água por dias.

“O foco é ele [Alckmin], o responsável pela Sabesp, pela gestão hídrica e pela crise”, disse o coordenador nacional do movimento, Guilherme Boulos, que garantiu ainda que a ideia é ocupar as ruas até que suas demandas sejam atendidas.

“Em primeiro lugar, nós queremos um plano emergencial para minimizar o impacto desse racionamento que já ocorre nas periferias. Instalar caixa d’água, cisternas e poços artesianos. Além disso, é necessário ter maior transparência do governo e participação popular no comitê de gestão da crise. O movimento exige ainda o fim imediato dos contratos de demanda firme e nenhum reajuste na tarifa, isso é um absurdo”, explicou.

Ao som do funk “Não vai faltar água”, em que a voz do governador dizendo que não iria faltar água em São Paulo é mixada à um “batidão”, a manifestação chegou ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, onde lideranças do movimento conseguiram entrar e serem recebidas por Edson Aparecido, chefe da Casa Civil.

A Polícia Militar, por sua vez, não mobilizou grande contingente e o ato foi, durante todo o trajeto, pacífico.




Créditos da foto: Marlene Bergamo/Conta d'Água

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Estudantes incendeiam Palácio do Governo de Guerrero, no México

De: El País

Os alunos de magistério, colegas dos 43 estudantes desaparecidos, invadem a sede estatal e ateiam fogo a um dos gabinetes centrais. Não houve feridos


O Palácio Municipal de Chilpancingo em chamas após o ataque. / Y. C. (AFP)

A vingança bate na porta do Estado mexicano de Guerrero. O desaparecimento e provável assassinato de 43 estudantes de magistério em Iguala desencadeou uma onda de fúria de colegas, os normalistas, cujas consequências poucos se arriscam a prever. O resultado aconteceu nesta tarde em um ataque frontal ao símbolo da autoridade do Estado: o Palácio do Governo, na cidade de Chilpancingo. Depois de um cerco de seis horas, o ataque, que terminou sem feridos mas com uma das salas de trabalho centrais incendiada e dezenas de janelas quebradas, confirma a escalada de violência que as autoridades temiam desde o início da crise.
Os contínuos chamados por calma lançados pelo governador, Ángel Aguirre, e suas declarações fora de hora de que os cadáveres encontrados nas valas comuns não correspondiam aos normalistas desaparecidos de nada adiantaram.A incapacidade do Governo de identificar rapidamente os corpos ou de dar uma resposta clara e inequívoca a um enigma que provoca o sofrimento dos pais e colegas dos estudantes há mais de duas semanas, levou a “panela de pressão” a estourar.
Chilpancingo, a capital do Estado de Guerreiro, foi testemunha dessa explosão. Ali, ao meio-dia, cerca de 500 normalistas, acompanhados de alguns padres, estenderam correntes em volta do Palácio do Governo e exigiram um encontro com o governador. Frustrado esse pedido, e depois de serem despejados do prédio com alguns incidentes, a violência se intensificou: os estudantes começaram a atirar pedras e foguetes, depois atearam fogo a carros e, no fim, invadiram algumas salas de trabalho, onde derramaram gasolina e depois puseram fogo. Um dos sete prédios do complexo oficial, correspondente à Secretaria do Governo (do Interior), foi destruído pelo incêndio. Quinhentos agentes da polícia antimotim acompanharam o ataque desde longe. Ao anoitecer, concluída a vingança, os estudantes foram embora em seus ônibus. Em seus movimentos, tiveram o apoio da Coordenadora Estadual de Trabalhadores da Educação de Guerrero e, após o ataque ao Palácio do Governo, atacaram a prefeitura de Chilpancingo. Os bombeiros apagaram o fogo poucas horas depois.
As autoridades temem a possibilidade de novos ataques. Os normalistas formam uma estrutura altamente organizada. De ideologia radical, durante décadas foram fonte de recrutas das guerrilhas do sul. A morte de seus companheiros em Iguala às mãos da polícia municipal e dos pistoleiros do cartel de Guerreiros Unidos, assim como o desaparecimento de outros 43, os mobilizaram como não acontecia havia anos. Nas últimas semanas, enquanto acompanhavam os pais das vítimas nas tarefas de busca, suas “ações” não passaram de montar barreiras em estradas e tomar postos de pedágio. Agora escalaram na escolha dos objetivos.
O alvo escolhido pelos normalistas, o Palácio do Governo, representa para eles a soma dos males que acometem o Estado de Guerrero. Os estudantes acusam o governador, se não de conivência com o narcotráfico, pelo menos de leniência no combate aos traficantes. O governador Aguirre, conhecido como o Cacique de la Costa Chica, representa como ninguém o modo como certos políticos se aferram a seus cargos. Durante 30 anos militou no PRI, onde, como senador, deputado federal e até governador interino, desfrutou das mordomias do poder. Mas a decisão do PRI de descartá-lo como candidato nas eleições de 2011 o levou a passar para o PRD (de esquerda), com todo seu cortejo. Um salto do qual ele saiu vencedor, demonstrando seu enorme conhecimento do terreno político local. Desde então, a deterioração acelerada vivida por Guerrero, o Estado mais violento do México, onde o narcotráfico impôs sua lei, erodiu sua figura profundamente. O massacre de Iguala levou essa degradação ao extremo.
Consciente de que está sentado sobre um barril de pólvora que qualquer palavra ou gesto pode fazer explodir, o próprio Aguirre se manteve em silêncio. Ele deixou a resposta oficial aos incidentes a cargo do secretário do Governo, Jesús Martínez Garnelo, que mostrou atitude conciliadora em relação aos normalistas, insistindo que a prioridade é localizar os desaparecidos.
Diante da possibilidade de que ocorram incidentes novos e maiores hoje, devido à chegada de milhares de normalistas de Michoacán, o Governo estadual distribuiu a tropa antimotim por toda a capital de Guerrero.

sábado, 2 de agosto de 2014

Sininho e o dia seguinte na Terra do Nunca.

Sininho como representação e o desencanto de uma geração adultescente que acreditou na inconsequência como ação de transformação revolucionária da realidade.
Não há como não se enternecer, de alguma forma, com a figura da personagem Sininho. Traz em si a figura da filha adolescente, frágil e radical.
Até o codinome – Sininho – lhe cai apropriadamente bem. Uma personagem que saiu da “Terra do Nunca” da internet e inspira a tropa dos “meninos perdidos” na sua tentativa de alcançar a utopia pela destruição do mundo real.
Sintomático dos dias atuais é que há Sininho e há meninos perdidos, mas não há um Peter Pan. Sininho é a líder dos meninos perdidos.
Mas Sininho é uma ficção. Não é professora, não é sindicalista, não é bailarina, não é socialite. É qualificada ora como “ativista”, ora como “produtora cultural”.
Seu cavalo, Elisa Quadros Sanzi, no entanto, chegou à casa dos trinta, muito provavelmente com formação superior e tendo recebido da família a estrutura necessária para ser, hoje, uma jovem adulta de quem se espera a consequência nas ações.  E a consequência é o que se espera de adultos, mesmo, e talvez principalmente, em ações que busquem a transformação da realidade.
O oposto disso é a principal característica do que chama “movimento” – a inconsequência.
Quem forma esse movimento?
Anarquistas de internet, carbonários anacrônicos, incendiários saídos da Academia ou de histórias em quadrinhos, punheteiros imberbes, a criminalidade comum e os oportunistas de toda ordem.
Isso forma um movimento?
Lênin – Vladimir Ilitch Ulianov, já dizia que batatas dentro de um saco formam um saco de batatas, mas não formam uma organização.
Pena que Sininho e seus amigos não tenham lido “Esquerdismo, doença infantil do comunismo”.
Teriam aprendido com um mestre revolucionário que a transformação do mundo se faz num passo-a-passo onde a revolução não é sequer o primeiro passo, quanto mais o último ou o fim.
A transformação do mundo não é nada divertida. Assemelha-se mais ao trabalho de operários.
Ao invés disso, Sininho e seus amigos retomaram o grito de “não sabemos o que queremos, mas sabemos o que não queremos”. E o que não queremos é o sistema – seja lá o que entendam como sendo “o sistema”.
Nada disso é novo. Quem empunhava essa bandeira aos dezoito anos hoje já está na terceira idade – é provavelmente um aposentado de 65 anos. Isso se sobreviveu a “sexo, drogas e rock and roll”.
Lutar contra o sistema traz em si um dilema a ser resolvido de antemão, quando não um paradoxo. Quando se destrói o sistema, algo deve ser colocado, ou se coloca por si próprio, em seu lugar. E, então, outro sistema se estabelece.
Essa é a lição de Lenin que Sininho e seus amigos não aprenderam.
Na Terra do Nunca não há dia seguinte, logo, não há um sistema a ser substituído por outro sistema. Mas Sininho e seus amigos não estão mais na Terra do Nunca, foram trazidos a força à terra dos homens.
Não admira que estejam todos sem chão diante da responsabilização judicial. O que esses “revolucionários” esperavam das forças da repressão, das forças do partido da ordem? Que se se limitassem a fazer a segurança do playground e os deixassem brincar em paz?
Interessante também é notar que essa geração é ingênua a ponto de não ter percebido o quanto a sua ilusão de transformação radical foi instrumentalizada pelo reacionarismo.
Serviram a quem interessava criar um ambiente de instabilidade que ajudasse a enfraquecer o governo da esquerda democrática para facilitar o retorno ao poder do conservadorismo.
Sininho e os meninos perdidos não são mais úteis a essas forças. Podem ser descartados.
Aprenderão da pior forma que o Judiciário é o lixeiro do sistema ao qual serviram pensando que o estavam combatendo.

terça-feira, 22 de julho de 2014

MP-RJ investiga, denuncia e pede prisão de manifestantes e tem gente pondo a culpa no PT

O Ministério Público do Rio de Janeiro, utilizando de poderes de investigação, denunciou manifestantes por formação de quadrilha. O Judiciário aceitou a denúncia e determinou sua prisão. O PT ou o Governo Federal nada têm nada a ver com isso. Eu considero um absurdo prender alguém porque pode ser que esse alguém cometa um crime. Porém, quem está determinando a prisão desses ativistas é o santo Ministério Público (que enxertou a luta contra a PEC-37 nas manifestações de junho) e o judiciário, tão decantado pela condenação, sem provas dos réus do chamado "mensalão". 
O "problema" de se defender a justiça e as garantias individuais, é que essa defesa deve ser vir para todos, não só para aqueles que estão de acordo com o que a gente pensa.
Querem defender a liberdade dos manifestantes? Vão para frente da sede do MP-RJ.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

"Brasil: o paradoxo dos protestos" Artigo em inglês, muito interessante

Graffiti outside the Maracana stadium in Rio de Janeiro stating "Maracana is ours" (photo by Diego von Vacano).
Graffiti outside the Maracana stadium in Rio de Janeiro stating “Maracana is ours” (photo by Diego von Vacano).

Brazil’s protest paradox

We continue our series on politics, political science and the World Cup (here are posts 1234, 5 and 6). Today Thiago Silva and Diego von Vacano (both Texas A&M) put the protests surrounding the World Cup into some context.

For over a year now, many Brazilians have been protesting the country’s hosting of the 2014 World Cup. This is understandable as Brazil entered a recession last year and inequality remains widespread. However, viewed in a broader context, the protests are paradoxical, because Brazil has enjoyed very significant social and economic improvements since the country bid for the event in 2003. The principal reason for the protests has more to do with the fact that this global event is a unique opportunity to air domestic policy disagreements in a way that will receive wide media attention rather than the expenditures on the World Cup itself.
 As one of the authors of this article arrived in Sao Paulo on June 5, metro workers carried out a paralyzing strike.  Sometimes these protests have been violent and have often blamed the government for hosting the 2014 World Cup instead of focusing on social services. Yet, as we see in Figure 1 below, the government has never spent as much on social welfare as in the past decade. 
Note: The values are adjusted for monthly inflation in the country by the IPCA (National Consumer Price Index). The values, originally in Reais (Brazilian currency), were converted to US dollars according to the exchange rate on May 30 2014 (R$1.00 = $0.44). Source: Developed by the authors based on Institute of Applied Economic Research data (IPEA, 2012).
Note: The values are adjusted for monthly inflation in the country by the IPCA (National Consumer Price Index). The values, originally in Reais (Brazilian currency), were converted to US dollars according to the exchange rate on May 30 2014 (R$1.00 = $0.44).
Source: Developed by the authors based on Institute of Applied Economic Research data (IPEA, 2012).
One can see from Figure 1 that the two social program areas with the highest levels of expenditure by the federal government in 2010 were health and education ($30.3 billion and $20 billion respectively). The total social program expenditures in 2010 in the four areas analyzed reached $84.3 billion (the overall social program spending by the Brazilian government in the same year was $280.9 billion).
At the same time, as we can see in Figure 2 below, the Brazilian unemployment rate reached its lowest level last year according to the analysis we carried out (for the period 1995-2014).
* The information for 2014 represents the average value of the first three months of 2014. Source: Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE, 2014).
* The information for 2014 represents the average value of the first three months of 2014.
Source: Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE, 2014).
Moreover, poverty has been reduced very significantly since 2003 (the year that Luis Inácio Lula da Silva of the Workers’ Party became president). There is a downward trend in both general poverty and extreme poverty rates in Brazil, with the lowest rates in the last year considered in this study (15.96 and 5.3 percent respectively).
* There is no information for the years 2000 and 2010. The values in the chart for these years are the mean between the previous and following year.  Notes: The extreme poverty line considered here is an estimate of the value of a food basket with minimum calories required to adequately support a person, based on recommendations by the International Labor Organization (ILO). The poverty line, in turn, is an estimate of the value of two food baskets with minimum calories required to adequately support a person, based on the recommendations of the ILO.  Source: Developed by the authors from IBGE data.
* There is no information for the years 2000 and 2010. The values in the chart for these years are the mean between the previous and following year.
Notes: The extreme poverty line considered here is an estimate of the value of a food basket with minimum calories required to adequately support a person, based on recommendations by the International Labor Organization (ILO). The poverty line, in turn, is an estimate of the value of two food baskets with minimum calories required to adequately support a person, based on the recommendations of the ILO.
Source: Developed by the authors from IBGE data.
Much has been made in the protests about the supposedly high levels of government spending on the World Cup at a time when there is a need for social program expenditures. However, the actual amount spent by the Brazilian government on the World Cup, especially on stadiums, is very small relative to the total amount of social program costs.  Figure 4 shows a breakdown of the World Cup investments by the government.
Note: The values, originally in Reais (Brazilian currency), were converted to US dollars according to the rate on May 30 2014 (R$1.00 = $0.44). These values represent the total amount invested by federal, state, and municipal governments and private entities.  Source: Determined by the authors from official data available through the ‘Access to Information Portal’ of the Brazilian Government.
Note: The values, originally in Reais (Brazilian currency), were converted to US dollars according to the rate on May 30 2014 (R$1.00 = $0.44). These values represent the total amount invested by federal, state, and municipal governments and private entities.
Source: Determined by the authors from official data available through the ‘Access to Information Portal’ of the Brazilian Government.
Total investments in the 2014 FIFA World Cup  by the Brazilian government amounts to $11.2 billion. According to official data, these investments were provided by federal, state and municipal governments, as well as private entities. Also, according to public official information, the Brazilian federal government spent $1.76 billion specifically on the construction of stadiums.
Now let’s look at social program expenditures in the same period.  Between 2010 (the year that the investments on the World Cup and for the construction of stadia began) and the beginning of 2014, the Brazilian federal government invested $363 billion in health and education (the two social sectors that receive the greatest amount of investment by the government).
So, comparing expenditures on the World Cup and investments by the federal government on health and education, we can see that the former represents only 3 percent of the total of the latter two expenditures (the total of all forms social spending is $385.4 billion). Protestors claim that the government is spending too much on stadiums while neglecting health and education. Perhaps, but stadiums are only about 0.5 percent of the total amount invested in these two social sectors in the past four years.
Source: Determined by the authors based on information extracted from the ‘Access to Information Portal’ of the Brazilian Government.
Source: Determined by the authors based on information extracted from the ‘Access to Information Portal’ of the Brazilian Government.
We must also recall that the federal investment in stadiums (as we mentioned, $1.76 billion) was done via BNDES, the Brazilian Development Bank and reflects only a small percentage of the total invested by the bank in 2010, which was $260 billion. Additionally, revenue from the 2013 FIFA Confederations Cup amounted to $3.88 billion, according to a study by the Institute of Economic Research Foundation (FIPE-USP).  Revenue expected from this World Cup are estimated at $12 billion according to the same study.
The protestors’ ire is understandable given inequality and poverty in Brazil. Perhaps any spending on items such as soccer stadiums is too much in that context. Yet, it may also be that the protests are less about these expenditures per se than that they use the World Cup as an opportunity to draw attention to problems that have little to do with soccer’s main tournament.
Despite significant progress over the past decades, and according to a United Nations report released in 2012, Brazil has one of the highest levels of income inequality in the world. The country is considered the fourth most unequal nation in Latin America in terms of income distribution. This high inequality, as well as anger at corruption (both of which predate the World Cup), ought to be the main targets of the protests, not the global soccer event. Income disparities and graft are probably the root reasons why protests are taking place.
The protestors are likely taking advantage of a high-visibility event to attract media attention to Brazil’s perennial structural problems.  Another contributing factor may be Brazilians’ perception of FIFA as imposing and arrogant. The core problems of a contracting economy and rising inflation, which are not dependent on the World Cup, are the real source of the wrath of those marching in the streets of cities like Rio and Sao Paulo.
Thiago Silva is a doctoral student in the political science department at Texas A&M University and has a master’s degree in political science from the University of Sao Paulo, Brazil. His research interests include democratization processes, along with comparative legislative and economic voting in developing democracies.  
Diego von Vacano is associate professor of political science at Texas A&M. He is a political theorist, also interested in Latin American politics. He is currently doing research on the Brazil World Cup 2014 and on immigrants in Sao Paulo. He is the author of “The Art of Power and The Color of Citizenship.” 
Note: A few minor corrections were made after publications.
“Perhaps, but stadiums are only about 0.4 percent of the total amount invested…”  was corrected to “Perhaps, but stadiums are only about 0.5 of the total amount invested…” This was also corrected in figure 5.
” with the lowest rates in the last year considered in this study (5.96 and 5.3 percent respectively).” was corrected to “” with the lowest rates in the last year considered in this study (15.96 and 5.3 percent respectively).”
“Between 2010 [...] the Brazilian federal government invested $374 billion in health and education (the two social sectors that receive the greatest amount of investment by the government).”. The correct is: ” [...] the Brazilian federal government invested $363 billion in health and education.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Ticiane Pinheiro é o exemplo de uma elite cada vez mais desavergonhada

MTST ironiza Ticiane Pinheiro: “Pra que discutir com madame?” Apresentadora da TV Record ficou presa no trânsito por causa da manifestação feita pelos Sem Teto e criticou ato por Redação — publicado 23/05/2014 16:47, última modificação 23/05/2014 16:50 inShare Reprodução MTST responde Ticiane Pinheiro: “Pra que discutir com madame?” Grupo publicou fotomontagem para mostrar que só o closet da apresentadora é maior do que um barraco de ocupação.
MTST responde Ticiane Pinheiro: “Pra que discutir com madame?”

 

sábado, 15 de março de 2014

Para ser coerente, é preciso defender o "Bloco de Lutas" da arbitrariedade que eles apoiam contra os outros

Pois  não é que a Polícia Civil resolveu indiciar um pessoal do "Bloco de Lutas" por formação de milícia? A quebradeira no Palácio da Justiça (e que se estendeu por outros prédios públicos e privados) foi atribuída a sete pessoas. Dois caras do PSTU, um do PSOL, uns do Utopia e Luta e outros anarquistas. Não vi o inquérito, mas diz-se que não há provas de que os indiciados tenham cometido os crimes de que são acusados. Coerentemente, não posso aceitar que pessoas sejam acusadas de cometerem algum crime sem que se prove que foram elas que, concretamente, o cometeram. Não interessa que elas achem que o aconteceu foi merecido. NINGUÉM, repito, NINGUÉM, pode ser condenado por um crime sem que haja provas cabais contra el@. Em minha singela opinião, não havia provas contundentes contra Zé Dirceu ou Genoíno. Ambos (entre outros) foram condenados por uma decisão política. Ocorre que, agora, a tal "sociedade", exige que seja feito algo contra os quebradores das tais "jornadas de junho". A Polícia, a quem cabe investigar os fatos e imputar crimes às pessoas, resolveu que há sete pessoas diretamente responsáveis por aquela zona toda e os enquadrou, de maneira inédita, no crime de formação de milícia.
Agora, os que aplaudiram a ação abusiva contra Dirceu e Genoíno, se acham injustiçados. Na minha singela opinião (de novo) não houve formação de milícia, do mesmo modo que no caso do chamado "mensalão", não houve formação de quadrilha. Os que comemoraram a condenação dos "mensaleiros do PT", protestam contra o abuso da polícia, que cumpria missão determinada pelo Judiciário, não pelo Piratini. Acusam o Governo do Estado de agir contra os movimentos sociais, pois seu mandatário (o governador) é o chefe maior da Polícia. Ora, a subordinação da Polícia ao Governador deve ser administrativa, não política. Do contrário, @ governante definiria o que a Polícia deveria ou não investigar, o que seria uma atitude anti-republicana.
Enfim, cabe aos indiciados mostrarem que não cometeram os atos de que estão sendo acusados. Torço, com toda a sinceridade do meu coração, que ninguém seja responsabilizado por algo que não fez, pelo simples motivo de ter o "domínio do fato". 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Protestar contra a Copa do Mundo? Não, obrigado

     Que bom. Fique aí.
Que bom. Fique aí.

Esses dias estava passando pelo largo da Epatur, em Porto Alegre, e me deparei com um cartaz do movimento anarquista que dizia: Não vai ter copa.
Além disso, vejo com certa frequência aqueles chavões bizarros (“imagina na Copa”) que já pegaram, são ditos aos quilos e estão inseridos no odioso senso comum de parte da população brasileira.
A principal crítica se refere aos vultuosos gastos com a organização do evento, de aproximadamente R$ 28 bilhões, como se todo esse dinheiro fosse utilizado única e exclusivamente para a construção de estádios.
Vamos fazer uma leve discriminação desses 28 bilhões:
R$ 8,9 bilhões estão sendo gastos em obras de mobilidade urbana, como a construção de BRT’s, metrôs e melhorias no transporte público;
R$ 8,4 bilhões em aeroportos.
R$ 1,9 bilhão em segurança.
R$ 7,5 bilhões serão gastos em estádios;
R$ 1,3 será investido em desenvolvimento turístico, portos, telecomunicações e etc.
Ou seja, dos R$ 28 bilhões gastos/investidos com a Copa, a maior parte será utilizado em obras que serão de grande utilidade para a população.
Do total, R$ 5,6 bi são de investimentos privados, o que reduziria a utilização de recursos públicos, a título de financiamento ou gasto, para cerca de R$ 22 bilhões.
Mas a copa do mundo não é só despesa. Muito pelo contrário, é um investimento muito lucrativo para o país (e para as grandes empresas, é claro), tanto no aspecto financeiro quanto nas questões que transcendem às questões econômicas.
De acordo com estudos realizados por instituições como a FGV Ernest Young, a Copa do Mundo dará um retorno financeiro que poderá variar entre R$ 142 e 183 bilhões de reais entre geração de emprego, turismo, impostos, consumo e etc. Investe 28 e retorna 180. Mau negócio?
Fugindo das questões financeiras, esses mesmos estudos apontam que a Copa trará maior visibilidade internacional do Brasil, com a consolidação da imagem do país no exterior, reconhecimento pela capacidade de organizar um evento desse porte, maior exposição de produtos e serviços para o mundo e maior aproveitamento do potencial turístico, além do fortalecimento da alta estima da população brasileira, a exemplo do que ocorreu em países anfitriões das últimas edições, como a África do Sul e, principalmente, a Alemanha em 2006. Essa última merece uma atenção especial nesse sentido.
Esses dias estava assistindo um documentário norte-americano sobre Resistência Alemã, com enfoque na famosa e fracassada Operação Valquíria. Nesse documentário, além de contar detalhes dos movimentos de resistência, falou-se de um tema complicado no qual o povo alemão enfrentou no pós-guerra, pelo menos até 2006 com a realização da Copa do Mundo na Alemanha, que é a da sua alta estima dizimada pelas bizarrices nazistas da 2ª guerra mundial.
Até então, qualquer demonstração de patriotismo era vista como algo negativo (não que não seja em alguns casos) em razão da vergonha que a maioria do povo alemão sentia e sente pelo passado de atrocidades praticadas pelos Nazistas. Se nós entoarmos por aí o famosoeu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor, não teremos qualquer problema com isso. Já na Alemanha, existem até mesmo movimentos para mudar o Deutschlandlied, o Hino Nacional da Alemanha, em razão de entenderem que uma de suas estrofes“Deutschland, Deutschland, über alles” (Alemanha, Alemanha, acima de tudo) exacerba o nacionalismo, além do fato de que essa exaltação ter sido (e ser) muito popular entre os nazistas (e neonazistas).
Esse é um dilema que o povo alemão enfrenta – Se eu for alemão demais vão pensar que sou nazista –  e que a realização da Copa do Mundo no país ajudou e ajuda a superar e que, de acordo com o professor de História Contemporânea da Universidade de Berlim, Paul Nolte, “esse orgulho não tem precedente no passado recente. A nova geração não tem vergonha de ser patriota”.
A nossa eterna síndrome de vira-latas também vai nesse sentido e é possível que acabe, ou diminua, se realizarmos uma grande Copa do Mundo, apesar da enorme torcida contrária de alguns.
Ao contrário do que esse texto pode parecer, não acho que as críticas à realização da Copa sejam inúteis ou infundadas. As desapropriações de imóveis em periferias para a realização de algumas obras foram ilegais e truculentas. Não discordo nem minimizo esses fatos. Essa questão foi muito mal conduzida e planejada pelos prefeitos das cidades sedes e estes deveriam responder pelo crime de responsabilidade.
Alguns gastos podem ter sido superfaturados. Porém, os Tribunais de Contas e o Ministério Público devem exercer suas funções constitucionais para investigar autuar e punir qualquer conduta ilegal.
A corrupção é um problema crônico em nosso país. Não tenho como afirmar mas, como disse anteriormente, é provável que haja algum superfaturamento das obras da copa. Porém, sendo assim, toda e qualquer obra ou serviço público deveria ser alvo de protestos pois, independente da realização da Copa, sempre houve e sempre haverá corrupção no Brasil ou em qualquer lugar do mundo. Não é exclusividade nossa.
E o problema não é a Copa do Mundo, é o sistema como um todo.
Protestar contra a Copa (ou seus gastos), nessa altura do campeonato, é insano para quem diz que se preocupa justamente com dinheiro público. E ela já está aí, não há como voltar atrás.
Mas, supondo que se volte atrás e que o Brasil não realize a copa. Já pensaram no enorme prejuízo que seria dado aos cofres públicos? Aí sim seria dinheiro posto fora e nenhum real dos quase R$ 200 bi previstos retornaria ao país.
O momento histórico de ser contra  já passou. O Brasil se candidatou como sede da Copa do Mundo no ano de 2003. Ou seja, há 11 anos.  A Suíça pensou em ser sede dos Jogos Olímpicos de 2022 e o povo de lá foi contra. Resultado?  Retiraram a candidatura.
É quase a mesma coisa de ser contra a contratação de determinado jogador para o seu time. Depois que assinou o contrato, amigo, é apoiar e torcer que o Perivaldo vire Pelé.
Mas isso tem explicação. Alguns movimentos ligados ao campo da esquerda mais sectária em conjunto com setores da grande imprensa, andam de mãos dadas, ainda que não saibam disso (ou saibam) com o claro intuito de desestabilizar o Governo Federal visando as eleições de outubro. A Copa do Mundo é apenas um pretexto.
A maioria da população, mesmo com os protestos, apoia a realização da Copa do Mundo no Brasil, ainda que esse apoio tenha diminuído com as manifestações do ano passado.
Protestar contra a Copa? Não, obrigado.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Esforço para transformar Copa em fracasso é lamentável e prejudica o país - Paulo M. Leite

Publicado em: Isto É


Acabo de ler um desses panfletos eletrônicos campanha contra a Copa de 2014. 
Procuram atemorizar o turista dizendo que somos um dos países com maiores índices de assassinato do mundo.Também temos uma polícia extremamente violenta. Também temos uma educação ruim, uma saúde pública péssima, um transporte urbano idem.
São problemas reais, é óbvio. Mas a atitude é de torcida organizada pelo fracasso. Não se procura fazer um debate racional para encontrar soluções e alternativas. O esforço é produzir um fiasco inesquecível, atitude que só prejudica o Brasil.  
O nome disso é guerra psicológica. Não é um movimento pela razão mas que procura a política pela emoção. 
Janio de Freitas escreveu um artigo de mestre a respeito, na Folha de ontem. Quero abordar alguns aspectos do mesmo
tema. 
Teremos  muita guerra psicológica, em 2014, para que, justamente no país do futebol, a Copa do Mundo venha a se tornar um  problema político. 
Josep Blatter, o presidente da FIFA, será endeusado quando começar a falar mal do governo federal. Vai passar de demônio a santo em 24 horas. Será por isso que ele já começou a fazer críticas ao governo brasileiro? Justo quem.  
Olhando a situação com frieza, o ambiente não deveria ser este. 
Começando pelo futebol pois, salvo segundo aviso, é disso que se trata. 
A verdade é que, ao  contrário do que se anunciou durante todos estes anos, os estádios – novos e reformados – vão  ficar prontos no prazo necessário para os jogos. 
São estádios modernos, seguros, confortáveis. Depois que entrarem em uso regular, a 
ocorrência de tragédias como a de Joinville e outras cenas de violência que marcam os campeonatos tradicionais. 
Só para dar um pouco de realidade ao debate. Compare as obras da Copa com o Metrô paulista, por exemplo. 
Tudo aquilo que se diz contra os estádios se demonstra -- até com ajuda da Justiça Suiça - no metrô paulista. Os atrasos duram anos. O superfaturamento bate recordes. E então? Cadê a indignação? 
Quando o Brasil ganhou o direito de organizar a Copa, o país fez uma festa. 
Quem não gostou da ideia ficou em silêncio.
Alguém disputou a eleição de 2010 falando mal da Copa? Não me lembro. Nem candidato a síndico de prédio se atrevia a tanto.
Salvo casos patológicos de desprezo pelas necessidades da maioria da população, quem não queria a Copa como 
proposta esportiva, dizendo que o país teria outras prioridades – esta era minha opinião na época -- admitia a vantagem keynesiana. Era uma forma de apontar uma perspectiva de investimentos em larga escala, no país inteiro, nos anos seguintes.  
Depois da crise mundial de 2008, quando o capitalismo entrou em depressão em escala mundial, a Copa de 2014 se tornou uma benção em vários lugares. Ajudou a manter o crescimento e o emprego de quem não teria outra chance de arrumar trabalho.
 
Na dúvida, dê uma volta no país e converse com pessoas da vida real.
 
O problema é a psicologia.
 
A maioria dos brasileiros concorda -- racionalmente, com base em dados objetivos e também por experiência própria -- que poucas vezes e trabalhou com tanto empenho para distribuir a renda e melhorar a vida dos mais pobres como aconteceu depois 
da chegada de Lula no Planalto.
Neste ponto, é um governo de valor histórico. 
A terapia emocional de massas quer nos convencer do contrário. Embora tenha chegado ao Planalto em 2003, procura-se criminalizar o condomínio Lula-Dilma pela omissão de seus adversários ao longo da história. É por isso que se fala muito do futebol.
E procura-se esconder o drama do metrô. Aliás: deu para notar que os atrasos do metrô geram menos protesto do que as críticas a demora relativa nas obras da Copa? 
Qual é mesmo prioridade? 
O esforço da terapia é esse: mudar prioridades sociais e transformar a Copa num drama político.
Adversário de tantas ditaduras do século XX, David Rousset deixou uma frase muito útil para se enfrentar grandes operações contra as democracias: 
 -- As pessoas normais não sabem que tudo é possível. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A "Matanza de Tlatelolco", no México, completa 46 anos

A "Matanza de Tlatelolco", ocorrida em 2 de outubro de 1968, foi um episódio sangrento da história do México. Um protesto pacífico de estudantes transformou-se em um massacre perpetrado pelas forças armadas. 
Tlatelolco localiza-se na chamada "Praça da Três Culturas". Nessa praça, encontram-se monumentos da cultura asteca, espanhola e do México moderno. A praça onde ocorreu o massacre, hoje, possui um marco identificando o local. Quando visitei esse espetacular sítio histórico, o guia não foi capaz de se referir sobre o que aconteceu naquela praça. Ao que parece, a "Matanza de Tlatelolco" ainda causa impacto no México. 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Catedral, museu e agências são depredadas em protesto


Manifestação contra governo Tarso reuniu cerca de 200 pessoas em Porto Alegre
Protesto ocorreu nesta quinta-feira
Crédito: Samuel Maciel
Manifestantes encapuzados quebraram, no início da noite desta quinta-feira, uma agência do Banco do Brasil e uma do Itaú, no Centro de Porto Alegre. Metade dos ativistas protestou com o rosto coberto com touca ninja, de acordo com o relato visual da reportagem da Rádio Guaíba. Sob escolta da Brigada Militar e Batalhão de Choque, o grupo deixou a Prefeitura e, ao passar pelo condomínio onde mora o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, queimou um boneco e parte do tapume que protegia o prédio, na rua Jerônimo Coelho.

Os participantes protestaram em frente ao Palácio Piratini e alguns integrantes atiraram pedras contra a Catedral Metropolitana, quebrando algumas vidraças. O grupo também queimou as bandeiras que ficam junto ao Museu Júlio de Castilhos, na rua Duque de Caxias, além de destruírem vidros do prédio. Na avenida Borges de Medeiros, também foi depredado parte dos vidros da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE).

O Bloco de Luta pelo Transporte Público convocou o protesto. Segundo a página do grupo na rede social Facebook, o ato é para lembrar os 1.000 dias do governo Tarso Genro, classificado pelo movimento como “um governo de conciliação de classe, que ataca os direitos dos trabalhadores”. 

domingo, 23 de junho de 2013

Jandira Feghali: Grupos fascistas pagos jogaram bombas nos próprios manifestantes

 
Em São Paulo, jovens fazem saudação nazista na manifestação da quinta-feira 20. No Rio de Janeiro, agressões a quem portava uma bandeira de partido político ou movimentação social
por Conceição Lemes
Na última quarta-feira 19, deputados federais do Rio de Janeiro divulgaram uma carta aberta aos manifestantes sobre os atos que tomaram as ruas de várias cidades do Estado:
Nós, deputados federais do Rio de Janeiro, sentimo-nos estimulados e saudavelmente cobrados por essas manifestações que tomam as ruas das nossas cidades. Aos milhares que, mobilizados pela internet, saem para as passeatas, transitando do virtual para o presencial, dizemos: VOCÊS NOS REPRESENTAM! Inclusive quando questionam o padrão rebaixado da política movida a interesses menores e também distante de ideias e causas.
Temos orgulho de nossos mandatos políticos e queremos colocá-los à disposição das justas demandas por transportes públicos eficientes, redução das tarifas, educação e saúde pública de qualidade, ética na política, transparência e prioridade social nos orçamentos públicos. As grandes lutas sociais de nossa história, que alcançaram vitórias concretas, tiveram a participação de organizações partidárias vinculadas ao povo.
Entre os signatários, a deputada Jandira Feghali, do PCdoB, que me concedeu esta entrevista.
Viomundo – Na quinta-feira 20, houve atos de violência e depredações em alguns pontos da cidade do Rio de Janeiro. Os manifestantes continuam representando- a?
Jandira Feghali – Mantenho a mesma posição de apoio, pois a grande maioria da manifestação não tem nada a ver com a confusão que aconteceu. Majoritariamente ela continua agindo de maneira democrática, com bandeiras justas pela educação, saúde, mobilidade urbana, contra o fundamentalismo em relação à diversidade.
Viomundo – E a destruição de patrimônios históricos do Rio?
Jandira Feghali – Aí está o problema. Existem dois grupos minoritários, que estão quebrando, destruindo, partindo para a violência, que nós não apoiamos. Acredito que também a sociedade e os manifestantes também não os apoiam.
Viomundo – Quais seriam?
Jandira Feghali – Um é o anarco-punk, que desde o início sabíamos que existe e está presente em vários lugares. Seus integrantes acham que os símbolos do capital e do poder tem de ser depredados, destruídos. Daí os ataques a bancos, assembleias legislativas, patrimônios históricos. Eles acham que uma revolução se faz assim.
Existe outro grupo que, no Rio de Janeiro, só ficou mais explícito na manifestação da última quinta-feira. É um grupo fascista, de direita, que atacou não apenas as poucas bandeiras de partidos e entidades, tocando-lhes fogo, rasgando-as, mas que jogou bombas nos próprios manifestantes, machucando muitos. Eles são nitidamente pagos e organizados. Isso é grave e nos preocupa, pois podem partir para agressões mais pesadas e gerar uma tragédia.
Viomundo – Como a senhora sabe que são grupos pagos?
Jandira Feghali – Eles foram identificados por pessoas de entidades democráticas. Eram caras que usavam jaqueta e gravata, davam ordem para agredir aqui, ali, acolá. Não jogaram bombas em bancos, prédios, polícia. Jogaram no carro de som da manifestação, diretamente nas lideranças, nos ativistas, que estavam celebrando. Eles acabaram produzindo uma série de confusões para dentro da passeata.
São típicos grupos de fascistas. São pagos para gerar confusão entre os manifestantes e gerar uma mídia antipartidária, antidemocrática. Repito: acho isso muito grave e tem de ser denunciado abertamente por nós, pois fere o estado democrático de direito, a livre liberdade de manifestação.
Viomundo – O que acha de bandeiras de partidos e movimentos sociais terem sido destruídas e militantes de partidos agredidos?
Jandira Feghali –Nós não estamos na época da ditadura em que as pessoas eram proibidas de se manifestar. Os partidos são parte da luta democrática. Aliás, essa liberdade de estarmos nas ruas como hoje é também consequência da luta dos partidos, que perderam militantes na ditadura e lutaram para que houvesse essa liberdade de manifestação.
Portanto, os partidos são parte do processo. Ninguém quer tutelar nada. Eu acho que não tem de ter a tutela de absolutamente ninguém. E o movimento tem que ser amplo, suprapartidário mesmo, com os movimentos sociais.
Nós queremos que essas manifestações legítimas de desejos tenham vitórias, conquistas concretas, nas bandeiras importantes. Mas não queremos que isso seja confundido com bandeiras da direita, atrasadas, contra a liberdade de expressão e de manifestação de partidos políticos, de LGTB, do movimento negro ou de uma juventude que não milita em partido.
Viomundo – O que fazer agora?
Jandira Feghali – Nós não podemos admitir que atos fascistas, provocatórios, que se expressam através de movimentos organizados e pagos, possam gerar alguma tragédia, algum mártir. Ou confundir o processo que está se dando nas ruas. Nós temos de denunciar isso. Também temos de excluir esse esse comportamento fascista para que a beleza do que foi para as ruas movimento possa avançar de maneira democrática.
Os jovens têm que ficar antenados para se definir de forma ampla. Precisam aprender que a liberdade e a democracia são os maiores bens da sociedade brasileira.