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sábado, 15 de março de 2014

Para ser coerente, é preciso defender o "Bloco de Lutas" da arbitrariedade que eles apoiam contra os outros

Pois  não é que a Polícia Civil resolveu indiciar um pessoal do "Bloco de Lutas" por formação de milícia? A quebradeira no Palácio da Justiça (e que se estendeu por outros prédios públicos e privados) foi atribuída a sete pessoas. Dois caras do PSTU, um do PSOL, uns do Utopia e Luta e outros anarquistas. Não vi o inquérito, mas diz-se que não há provas de que os indiciados tenham cometido os crimes de que são acusados. Coerentemente, não posso aceitar que pessoas sejam acusadas de cometerem algum crime sem que se prove que foram elas que, concretamente, o cometeram. Não interessa que elas achem que o aconteceu foi merecido. NINGUÉM, repito, NINGUÉM, pode ser condenado por um crime sem que haja provas cabais contra el@. Em minha singela opinião, não havia provas contundentes contra Zé Dirceu ou Genoíno. Ambos (entre outros) foram condenados por uma decisão política. Ocorre que, agora, a tal "sociedade", exige que seja feito algo contra os quebradores das tais "jornadas de junho". A Polícia, a quem cabe investigar os fatos e imputar crimes às pessoas, resolveu que há sete pessoas diretamente responsáveis por aquela zona toda e os enquadrou, de maneira inédita, no crime de formação de milícia.
Agora, os que aplaudiram a ação abusiva contra Dirceu e Genoíno, se acham injustiçados. Na minha singela opinião (de novo) não houve formação de milícia, do mesmo modo que no caso do chamado "mensalão", não houve formação de quadrilha. Os que comemoraram a condenação dos "mensaleiros do PT", protestam contra o abuso da polícia, que cumpria missão determinada pelo Judiciário, não pelo Piratini. Acusam o Governo do Estado de agir contra os movimentos sociais, pois seu mandatário (o governador) é o chefe maior da Polícia. Ora, a subordinação da Polícia ao Governador deve ser administrativa, não política. Do contrário, @ governante definiria o que a Polícia deveria ou não investigar, o que seria uma atitude anti-republicana.
Enfim, cabe aos indiciados mostrarem que não cometeram os atos de que estão sendo acusados. Torço, com toda a sinceridade do meu coração, que ninguém seja responsabilizado por algo que não fez, pelo simples motivo de ter o "domínio do fato". 

domingo, 15 de setembro de 2013

Gilberto Maringoni: Black Blocs, cobrir o rosto é o de menos

Black Blocs concentrados em frente à Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/ABr
por Gilberto Maringoni
A esquerda não pode, em hipótese alguma, ser condescendente com as ações dos Black Blocs.
Assim como é imperativa a condenação da violência policial, deve-se igualmente negar qualquer aprovação a táticas individualistas, desagregadoras e isolacionistas de grupelhos que se valem de manifestações para desatar sua bílis colérica sobre orelhões, lixeiras e vitrines de lojas.
Qual o programa dito radical dos Black Blocs?
Nenhum, pois os Black Blocs não são radicais. Fazem ações epidérmicas, levianas e superficiais.
Radical quer dizer ir à raiz das questões. Qual a radicalidade de se juntar meia dúzia de garotos hidrófobos e depredar a fachada de um banco? Em que isso penaliza o sistema financeiro?
Baixar em um ponto as taxas de juros é algo muito mais eficiente e danoso à especulação do que as travessuras de meninos e meninas pretensamente rebeldes que cobrem os rostos para parecerem malvados ou misteriosos.
Aliás, qual a finalidade de máscaras e rostos ocultos, além do desejo infantil de um dia ser Batman, Zorro ou National Kid e sair por aí saltando sobre prédios e vivendo aventuras espetaculares? De se ter uma identidade secreta, na qual de dia enfrenta-se uma vidinha besta e à noite, na calada, devolve-se anonimamente à sociedade o mal que se esconde nos corações humanos, como dizia o Sombra em voz gutural?
O pior é que as peripécias dos blocos de blaques isolam os protestos da população que a eles poderia aderir e reduz o ímpeto das mobilizações à idéia de baderna pura e simples. Que acaba sendo complementar à violência policial. Ambas se justificam e se explicam.
Trotsky tem um texto admirável chamado “Porque os marxistas se opõem ao terrorismo individual”, escrito em 1911 e que está no link do pé da página. Ali, o revolucionário russo opõe a consequente manifestação coletiva a ações estrepitosas de poucos indivíduos tomados de fúria aleatória.
O seguinte trecho tem a precisão de um compasso:
Para nós o terror individual é inadmissível precisamente porque apequena o papel das massas em sua própria consciência, as faz aceitar sua impotência e volta seus olhos e esperanças para o grande vingador e libertador que algum dia virá cumprir sua missão.
E mais adiante, completa:
Nos opomos aos atentados terroristas porque a vingança individual não nos satisfaz.
Os Black Blocs têm uma ação deletéria. Acabam justificando a violência policial para um grande número de potenciais participantes de mobilizações de protesto. Exacerbam o reacionarismo existente na sociedade e transformam movimentos sociais em sinônimo de vandalismo. Animam pit bulls existentes nos aparelhos de segurança, como o boçal que atende pelo nome de capitão Bruno, da tropa de choque de Brasília.
Os Black Blocs não organizam nada, não querem nada.
E podem fazer com que manifestações maciças virem nada.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Protestos contra o aumento da passagem, mais uma opinião


Por motivos genéticos e intuitivos, sou favorável a protestos. Em qualquer situação é preciso respeitar as pessoas que se movimentam para contestar a ordem. É a contestação da ordem que faz o mundo andar. Desde a criação do vale-transporte, as mobilizações contra os preços das passagens de ônibus perderam força. Afinal, para uma grande parte da população trabalhadora, o gasto com o transporte passou a ser uma parte fixa da sua remuneração; o restante cabaoe empregador.
O fato é que o transporte público em Porto Alegre está ficando cada vez pior. Ao que parece, apesar do incômodo, muitos usuários acabaram assimilando as longas filas e as viagens apertadas como coisas normais de quem pega ônibus. Assim, o potencial de protesto  arrefece e a maioria dos usuários vota no candidato que têm mantido essa situação degradante.

Militantes da bandeira preta

Não é à toa que os estudantes saíram às ruas. Eles são menos dependentes de um patrão que cobra pontualidade e são jovens, momento da vida em que as inconformidades com a vida se manifestam mais vigorosamente. Sou a favor dos protestos, mas não sou condescendente com os "militantes da bandeira presta". Pelas imagens que vi, os protestos eram incisivos, mas a ação completamente descolada da realidade de atacar o prédio da Prefeitura (que não tinha nada a ver com a situação) partiu dos militantes que se identificam com a bandeira preta. Minoritários ao extremo, essas pessoas vivem "surfando" na onda das mobilizações de massa. Intolerantes, arrogantes e autoritários, contestam qualquer autoridade e não se submetem à direção de entidades, no caso, o DCE da UFRGS. Sou solidário às manifestações contra o aumento das passagens. Elas têm sido as maiores mobilizações  dos últimos tempos em Porto Alegre. Contesto a repressão, mas não me peçam para avalizar os "militantes da bandeira preta". Aliás, eles também estão pouco se lixando comigo.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Primeiro, prenderam os anarquistas...


Preocupante a notícia de que a polícia gaúcha resolveu invadir a sede da FAG (Federação Anarquista Gaúcha) e apreender o material que os caras tinham contra a Yeda. Uma ação policial dessas, contra um movimento que não possui grandes recursos parece coisa de quem quer deixar avisado que "não vai deixar passar nada".
A sede de vingança da Rainha de Copas não tem limites.