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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O falso amanhecer da economia mexicana

Se não houver mobilização popular a favor de mudanças econômicas, os custos do ajuste pesarão outra vez sobre os ombros do povo mexicano.

Ariel Noyola Rodríguez* - Contralínea/Carta Maior
Presidencia de la República Mexicana / Flickr
Em menos de seis meses, os meios de comunicação enterraram completamente o denominado “momento do México”. Faz alguns dias, em entrevista realizada pelo jornal El Universal, o presidente do Banco Central do México, Agustín Carstens, admitiu pela terceira vez consecutiva que os acontecimentos relacionados à falta de segurança e à violência (como o desaparecimento de 43 estudantes normalistas de Ayotzinapa) influenciam de maneira direta nas expectativas de empresários sobre a economia nacional; a certeza e a confiança, afirmou ele, são os elementos fundamentais na hora de tomar decisões, tanto do lado do investimento quanto do consumo.
 
E, enquanto no começo de 2014, o Ministério da Fazenda e do Crédito Público havia estimado um crescimento de 3.9%, posteriormente, diminuiu esse número para 2.7%, e depois reduziu novamente para uma média entre 2.1 e 2.6%, basicamente a metade da primeira estimativa. De janeiro até novembro, a pesquisa dos analistas do setor privado, aplicada pelo Banco do México baixou as estimativas do crescimento em 10 ocasiões consecutivas e já começa a realizar modificações em seus prognósticos para 2015.
 
Os “motores externos”, por sua vez, já não conseguem até o momento impulsionar a economia mexicana. A política monetária restritiva do Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos; os riscos crescentes de deflação na zona do euro; a queda inesperada da atividade econômica no Japão; o aumento da desaceleração no Continente Asiático e a drástica diminuição dos preços das matérias primas, especialmente as cotações do petróleo, foram extremamente prejudiciais para as economias denominadas “emergentes”. Junto disso, a alta da divisa norte-americana, graças a sua posição privilegiada de “reserva de valor” em momentos críticos para a economia mundial, continuará contribuindo de forma elementar no próximo ano na desvalorização das moedas da periferia capitalista.
 
No final de 2014, o peso mexicano havia perdido 10% de seu valor frente ao dólar para cotação em um mínimo de 14.457 pesos até o fechamento da presente coluna, seu nível mais baixo em mais de dois anos e meio. Surpreendentemente, em 8 de dezembro de 2014, o Banco Central do México e o Ministério da Fazenda e do Crédito Público emitiram um comunicado para detalhar o início de um plano imediato para deter a queda da moeda. “O Banco Central do México oferecerá diariamente 200 milhões de dólares a um tipo de câmbio mínimo equivalente ao tipo de câmbio FIX, determinado no dia útil imediatamente anterior, conforme as disposições do Banco do México, mais 1.5%”, indicou a Comissão de Câmbios. Com isso, o governo mexicano pretende prover de liquidez o mercado de câmbio e reduzir as turbulências do sistema financeiro. A medida se aplicou pela última vez em 30 de novembro de 2011, quando o Banco Central do México começou a injetar 400 milhões de dólares diariamente, a cada vez que o tipo de câmbio caísse 2% em relação ao dia útil anterior. A medida foi cancelada em 9 de abril de 2013.
 
A queda do preço do petróleo, por sua vez, constitui uma grave ameaça para os países com dependência energética pela via das importações e, mais ainda, para economias como a do México, cujas finanças públicas estão estreitamente vinculadas à renda do petróleo. Na primeira semana de dezembro de 2014, o preço do barril em sua modalidade Brent alcançou 66,77 dólares, quando vinculadas a mezcla mexicana (MME) foi cotada em 58 dólares: os níveis mais baixos desde outubro de 2009.
 
De acordo com as estimativas do banco de investimentos americano Morgan Stanley, os preços poderiam cair até um mínimo de 43 dólares. É preciso destacar que a queda das cotações obedece não unicamente à menor demanda das economias asiáticas (China e Índia) e às operações especulativas nos mercados de derivados de petróleo (Nova York, Londres e Dubai), mas fundamentalte, são o resultado de uma tendência deflacionária de enormes proporções e de fôlego que atravessa cada vez mais espaços da economia mundial.
 
No caso do México, as conseqüências de uma queda de mais de 40% do preço do barril já saltam à vista. Em primeiro lugar, os preços atuais do combustível estão muito abaixo de 83 dólares, a base tomada para o Plano Orçamentário 2015. Os programas de cobertura, assim como os fundos de capitalização são insuficientes para conter as violentas flutuações dos preços em médio prazo. Em segundo lugar, as perspectivas de alta rentabilidade dos empresários (nacionais e estrangeiros), como conseqüência das reformas constitucionais e secundárias em matéria energética, colocaram em uma situação grave e, com isso, os projetos de investimento que eventualmente emanaria da Ronda I poderiam ficar no esquecimento.  
 
Em suma, a campanha midiática em torno de um novo amanhecer da economia mexicana, impulsionada em um primeiro momento pelos conglomerados do capital transnacional, se mostrou uma farsa absoluta. A “disciplina fiscal” e o alto nível de “confiança macroeconômica” contrastam com a queda nas expectativas de crescimento, extrema volatilidade do tipo de cambio e o aumento exponencial da dívida pública há mais de dois anos do início da gestão de Enrique Peña Nieto. Se não houver uma mobilização popular organizada a favor de uma mudança de rumo em matéria econômica, os custos do ajuste pesarão outra vez sobre os ombros do povo do México.
 
*Colunista da revista Contralínea (México). Contato: noyolara@gmail.com.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O que escreveu Lila Downs sobre os mortos em Ayotzinapa (e outros tantos desparecidos no Mèxico)

Foto: Yo canto porque se escucha.

Lila Downs @LilaDowns
“He visto que algunos han escrito preguntando sobre Ayotzinapa en estos días. Yo comparto indignación,tristeza y enojo por lo que pasa en nuestro país! ¡Creo que será mejor unirnos para vencer al enemigo! En vez de atacarnos a los que tenemos fe en nuestro país y queremos un cambio. Para aquellos que quieren dividirnos, les cuento: Yo no fui televisada, porque dentro del Grammy separan las categorías no comerciales y lo transmiten por internet. En esta ocasión no tuvimos una participación de Raíz en Grammy latino porque a la Niña Pastori, y a Soledad no les dieron la visa, por lo tanto no tuvimos intervención musical en la gala televisada, ya que el sindicato de músicos en EEUU. no lo permite”, aclaró.
“A mi me indigna, me da rabia, vivos se los llevaron, y vivos los queremos, y así lo he anunciado en nuestros conciertos, así como un escrito en anteriores días. Son 43 estudiantes que no aparecen, y aunque algunos lo han tomado como símbolo, he visto que son muchos más, desde los 90s no he visto que se encuentre la justicia para muchas mujeres desparecidas en la frontera y en otros lugares del país, ¡que este caso terrible es la gota que derramó el vaso, que buscamos justicia en un sistema que no ha funcionado desde hace ya mucho tiempo, y que lo sabemos, pero que hasta ahora muchos mas lo están expresando!”.
“En mi experiencia, he visto que las opiniones diferentes nos dividen y perdemos fuerza, no perdamos de vista quienes somos compañeros, y cuales son nuestras preocupaciones, en vez de criticar, hay que aportar ideas de cómo podemos cambiar. Cómo vamos a cambiar el sistema de justicia para que si funcione y como podemos elegir líderes que no se vuelvan corruptos a nivel nacional, estatal y municipal.
“Desde que empecé a componer temas, lo hice con la preocupación de contar las historias de mi realidad, también de las cosas que pasan en mi país, y algunas canciones como perro negro y sale sobrando, me acompañaban, y me daban fuerzas, en ese entonces, muchos no me conocían, pero eso no me desanimo,
Aunque muy de vez en cuando he contado con apoyo de la radio y televisión, (por razones que ustedes bien conocen), a pesar de eso seguimos intentando y luchando para pelear por la cultura y la identidad por que creemos que eso nos da fuerza, como individuo, como comunidad y como nación.
Hemos caminado (en nuestra familia musical) con el apoyo de todos ustedes, quienes creen en la búsqueda de la verdad, de la expresión de la identidad y de la fuerza del arte”, escribió.

domingo, 9 de novembro de 2014

Lila Downs homenajea a las víctimas de la violência en Mèxico

De:AGENCIA REFORMA/FIDEL ORANTES


En su próximo disco, Lila Downs le rendirá tributo a todos los muertos y víctimas de la situación de violencia del País, como los 43 normalistas de Ayotzinapa presuntamente asesinados.

"La inspiración para el disco ha sido un tema bastante duro, que son los muertos. Ha sido una reflexión, te das cuenta de que tu vida es así como muy acelerada y pensar en la muerte es bien importante", dijo.

La intérprete adelantó que hará colaboraciones con artistas mexicanos e internacionales para la producción del disco, pero se reservó los nombres.

Será para marzo cuando esté listo el álbum, mismo que prevé presentar en mayo.

También señaló que está orgullosa de las manifestaciones que exigen justicia y respuestas claras respecto al caso de Ayotzinapa.


sábado, 8 de novembro de 2014

Os 43 estudantes desaparecidos em Iguala foram assassinados

 Cidade do México , de El Pais

Em uma entrevista à imprensa dada pelo procurador-geral, Jesús Murrllo Karam, informou-se que naquela noite os estudantes detidos pela Polícia Municipal foram entregues a criminosos do Guerreros Unidos, o cartel que controlava Iguala. Eles os conduziram, amontoados em um caminhão e uma caminhonete, até um lixão de Cocula, uma localidade vizinha. Amontoados, feridos, espancados, muitos dos estudantes, talvez até uma quinzena, tenham morrido asfixiados durante o trajeto.
Assim que chegaram ao local, os criminosos, sempre segundo as confissões, foram retirando os estudantes e os interrogando. Queriam saber por que tinham ido a Iguala, por que tinham enfrentado o prefeito e sua mulher. Depois, com frieza avassaladora, matavam-nos. Com os corpos, armaram uma imensa fogueira que alimentaram com madeiras, detritos e pneus. A fogueira, o fogo da barbárie, ardeu durante horas, da madrugada até as 3 da tarde, sem que ninguém visse ou dissesse nada. Depois, por ordem de seus superiores, os criminosos recolheram os restos carbonizados, os quebraram e jogaram em sacos de lixo no rio Cocula. A corrente os levou até destino desconhecido.

De qualquer modo, o relato feito pelo procurador-geral deixa pouco espaço para dúvidas. Sua reconstrução foi acompanhada por imagens e gravações de declarações dos três criminosos que participaram da matança. Com vozes juvenis, como se falassem de transporte de gado, os assassinos confessos descreviam ante as câmeras como eliminaram esses jovens. Sua indiferença produzia calafrios. O assassinato em massa, metódico, horripilante dos 43 estudantes era para eles pouco menos do que uma rotina. Dificilmente o México poderá esquecer suas palavras.Dois desses sacos foram encontrados pela polícia federal. Seus restos estão sendo analisados. Devido a seu estado, segundo a procuradoria, não foi possível efetuar a prova de DNA e, portanto, o último elo da investigação ainda não foi fechado. Para que isso aconteça, o Governo mexicano anunciou que pedirá ajuda aos melhores centros internacionais.

Os restos carbonizados foram quebrados, colocados em sacos de luxo e jogados no rio Cocula
Mas essa reconstrução não dá o caso por encerrado. A 200 quilômetros, ao sul, em Guerrero, os pais, aferrados à esperança das provas de DNA, rejeitaram a morte dos filhos e reduziram o relato oficial a um achado de “seis sacos com cinzas e ossos”. “Já os deram por mortos uma vez, e não estava certo”, afirmou um porta-voz dos parentes.

sábado, 1 de novembro de 2014

Lila Downs, fiel al Día de Muertos

      La cantante agradece que la tradición se siga preservando en el país
    GUADALAJARA, JALISCO (02/NOV/2013).- Ayer durante su actuación en el Auditorio Telmex, Lila Downs se percató que entre el público había muchas "Catrinas" y agradeció que se sigan preservando las tradiciones aunque "nos van comiendo los gringos", dice la cantante. La mujer de raíces oaxaqueñas señala que la festividad del Día de Muertos tiene más importancia para su familia que la propia Navidad.


"Mi mamá me dice que estas fechas eran más importantes que la Navidad porque era el momento en el que uno tenía que reunirse como familia, yo trabajo por lo general, de vez en cuando tenemos la oportunidad de quedarnos en casa, pero se pone el altar con el mole, con el mezcal. Mi papá murió cuando yo era joven, yo tenía 16 años y a él le ponemos su whisky y sus cigarros".


En otros países, nuestra veneración a "La Calaca" causa conmoción porque en algunos lugares no entienden el significado prehispánico y de arraigo que tiene esta tradición, pero en la experiencia de Lila, dice que los extranjeros se han ido acostumbrando a esta idea que nosotros tenemos de la muerte. "Yo creo que les gusta mucho la parte visual, eso es muy festivo alrededor de la muerte, eso es lo que nos salva, es una celebración de recordar a los ancestros".


La intérprete de "La Cumbia del mole" que es una fiel promotora de la idiosincrasia nacional sigue emocionándose cada vez que personas de otras latitudes se alegran con nuestras tradiciones, ella siente una responsabilidad y trata de compartirla con los elementos que incorpora a su indumentaria y sus espectáculos musicales.

Precisamente sobre la diversidad cultural que hay en México, Lila reconoce que la música sigue creciendo al fusionarse con otros géneros y que otros cantautores y músicos siguen labrándose un camino para expresar su sentir. "Hay tantos géneros que los queremos mucho, a la gente le encanta lo suyo, lo que se hace en el Norte, el Centro y el Sur del país. Hay generaciones nuevas donde están saliendo bandas extraordinarias como de mi tierra (Oaxaca), de Chiapas, la marimba, instrumentos indígenas que tienen otra afinación".

Dice que le gustaría mucho venir a Jalisco para hacer un taller ya que considera que nosotros somos muy musicales, "siempre me inspiran mucho". Ahora que hizo un dueto con Los Ángeles Azules, y a la pregunta de si le gustaría hacer uno con Vicente o Alejandro Fernández, oriundos de esta tierra, Downs dice que le pedirá a La Virgen de Zapopan para que le conceda el milagro.

Na sequência, Lila Downs na primeira vez em que cantou "El son de los difuntos"

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Día de los Muertos, o carnaval do México


No México, o Dia dos Mortos é uma celebração de origem indígena. Há relatos que os astecas,maiaspurépechasnáuatles e totonacas praticavam este culto. Os rituais que celebram a vida dos ancestrais se realizavam nestas civilizações pelo menos há três mil anos. Na era pré-hispânica era comum a prática de conservar os crânios como troféus, e mostrá-los durante os rituais que celebravam a morte e o renascimento.  As festividades eram presididas pela deusa conhecida como a "Dama da Morte" (do espanhol:Dama de la Muerte) - atualmente relacionada à La Catrina, esposa de Mictlantecuhtli, senhor do reino dos mortos.
É uma das festas mexicanas mais animadas, pois, segundo dizem, os mortos vêm visitar seus parentes. Ela é festejada com comida, bolos, festa, música e doces preferidos dos mortos.
Para os antigos mexicanos, a morte não tinha as mesmas conotações da religião católica, na qual as idéias de inferno e paraíso servem para castigar ou premiar. Pelo contrário, eles acreditavam que os caminhos destinados às almas dos mortos era definido pelo tipo de morte que tiveram, e não pelo seu comportamento em vida.


Desta forma, as direções que os mortos poderiam tomar são:
Tlalocan, o paraíso de Tláloc, deus da chuva. A este lugar iam aqueles que morriam em situações relacionadas com água: os afogados, os que morriam atingidos por raios, os que morriam por doenças como a gota ou hidropsiasarna oupústula, bem como as crianças sacrificadas ao deus. O Tlalocan era um lugar de descanso e abundância. Embora os mortos fossem geralmente cremados, os predestinados ao Tlalocan eram enterrados, como as sementes, para germinar.



Omeyocan. paraíso do sol, governado porHuitzilopochtli, o deus da guerra. Neste lugar chegavam apenas os mortos em combate, os escravos que eram sacrificados e as mulheres que morriam no parto. Estas mulheres eram comparadas a guerreiros, que já haviam combatido uma grande batalha - a de dar à luz - e as enterravam no pátio do palácio, para que pudessem acompanhar o sol desde o nascente até o poente. Sua morte provocava tristeza e alegria, já que, graças à sua coragem, o sol as levava como companheiras. Dentro da tradição centro-americana, o fato de habitar o Omeyocan era uma honra.

Mictlan, destinado a quem morria de morte natural. Este lugar era habitado por Mictlantecuhtli eMictecacíhuatl, senhor e senhora da morte. Era um lugar muito escuro, sem janelas, de onde era impossível sair.
O caminho para o Mictlan era tortuoso e difícil, pois para lá chegar, as almas deviam caminhar por diferentes lugares durante quatro anos. Ao longo deste tempo, as almas chegavam ao Chignahuamictlán, onde descansavam ou desapareciam as almas dos mortos. Para percorrer este caminho, o difunto era enterrado com um cão, o qual o ajudaria a cruzar um rio e chegar perante Mictlantecuhtli, a quem deveria entregar, como oferenda, trouxas de gravetos e jarras de perfume, algodão, fios coloridos e cobertores. Aqueles que iam ai Mictlan recebiam quatro flechas e quatro trouxas de fios de algodão.


Por sua vez, as crianças mortas tinham um lugar especial, chamado Chichihuacuauhco, onde se encontrava uma árvore da qual os ramos pingavam leite para as alimentar. As crianças que chegavam lá voltariam à Terra quando sua raça fosse destruída. Desta forma, da morte nasceria a vida.



O Dia de los Muertos é comemorado no dia 1º e 2 de novembro.


Publicado em Roulets

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

México: Autoridades devem investigar desaparecimento de 43 estudantes que voltavam de manifestação

©Amnistia Internacional Mexico
©Amnistia Internacional Mexico
Em 26 de setembro, 43 estudantes desapareceram após terem sido atacados a tiros pela polícia e depois por indivíduos não identificados em Guerrero, México. Até hoje o paradeiro dos estudantes permanece desconhecido.
Os jovens estudavam em uma Escola Normal Rural, em Guerrero, e tinham viajado para Iguala para participar de um protesto relacionado à educação no país. Em um determinado momento, no caminho de volta, a polícia abriu fogo contra os ônibus que levavam os estudantes.
Seis pessoas foram mortas e 20 ficaram feridas. Cerca de 25 estudantes foram presos pela polícia, alguns conseguiram escapar. 43 foram sequestrados e permanecem desaparecidos.
Os assassinatos, a privação arbitrária da liberdade e a situação das pessoas desaparecidas e feridas constituem violações graves dos direitos humanos que não devem permanecer impunes.
Uma investigação do caso foi iniciada. No entanto, devido ao histórico de investigações fracassadas, impunidade e corrupção, incluindo a infiltração de elementos do crime organizado na polícia, a Anistia Internacional teme que o trabalho de investigação possa ter sido comprometido.
Parentes dos estudantes desaparecidos relataram à Anistia Internacional que falta sensibilidade, cortesia e respeito no trato com eles por parte dos investigadores estaduais designados para o caso.
Este tipo de abuso agrava as violações de direitos humanos que os familiares vivem e desencoraja as famílias a avançar em suas reivindicações por justiça.
A Anistia Internacional exige que a Procuradoria Geral da República do México faça uma investigação completa, imediata e imparcial do caso, descubra o paradeiro dos estudantes, dê apoio e mantenha os familiares dos estudantes informados do andamento da investigação.
Este caso não é único no México, onde os sequestros e desaparecimentos são uma prática comum em um contexto em que as autoridades muitas vezes se mostram coniventes com gangues criminosas.
Mais de 26 mil pessoas foram desaparecidas no México entre 2006 e 2012, a maioria das quais pelas mãos das forças de segurança ou de gangues criminosas. No entanto, a falha na investigação dos casos de desaparecimentos forçados no país impede que os verdadeiros números sejam conhecidos.
O caso de repete
Em dezembro de 2011, os estudantes que protestavam em uma estrada próxima à capital do estado de Guerrero foram atacados pelas polícias estadual e federal, resultando na morte de dois estudantes.
Pelo menos 24 pessoas foram torturadas e sofreram outros maus-tratos. Os policiais e superiores responsáveis pelos abusos nunca foram responsabilizados, incentivando o clima de impunidade.
Saiba mais:
Relatório “Confronting a nightmare: Disappearances in Mexico”, sobre desaparecimentos no México, em inglês ou espanhol.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Estudantes incendeiam Palácio do Governo de Guerrero, no México

De: El País

Os alunos de magistério, colegas dos 43 estudantes desaparecidos, invadem a sede estatal e ateiam fogo a um dos gabinetes centrais. Não houve feridos


O Palácio Municipal de Chilpancingo em chamas após o ataque. / Y. C. (AFP)

A vingança bate na porta do Estado mexicano de Guerrero. O desaparecimento e provável assassinato de 43 estudantes de magistério em Iguala desencadeou uma onda de fúria de colegas, os normalistas, cujas consequências poucos se arriscam a prever. O resultado aconteceu nesta tarde em um ataque frontal ao símbolo da autoridade do Estado: o Palácio do Governo, na cidade de Chilpancingo. Depois de um cerco de seis horas, o ataque, que terminou sem feridos mas com uma das salas de trabalho centrais incendiada e dezenas de janelas quebradas, confirma a escalada de violência que as autoridades temiam desde o início da crise.
Os contínuos chamados por calma lançados pelo governador, Ángel Aguirre, e suas declarações fora de hora de que os cadáveres encontrados nas valas comuns não correspondiam aos normalistas desaparecidos de nada adiantaram.A incapacidade do Governo de identificar rapidamente os corpos ou de dar uma resposta clara e inequívoca a um enigma que provoca o sofrimento dos pais e colegas dos estudantes há mais de duas semanas, levou a “panela de pressão” a estourar.
Chilpancingo, a capital do Estado de Guerreiro, foi testemunha dessa explosão. Ali, ao meio-dia, cerca de 500 normalistas, acompanhados de alguns padres, estenderam correntes em volta do Palácio do Governo e exigiram um encontro com o governador. Frustrado esse pedido, e depois de serem despejados do prédio com alguns incidentes, a violência se intensificou: os estudantes começaram a atirar pedras e foguetes, depois atearam fogo a carros e, no fim, invadiram algumas salas de trabalho, onde derramaram gasolina e depois puseram fogo. Um dos sete prédios do complexo oficial, correspondente à Secretaria do Governo (do Interior), foi destruído pelo incêndio. Quinhentos agentes da polícia antimotim acompanharam o ataque desde longe. Ao anoitecer, concluída a vingança, os estudantes foram embora em seus ônibus. Em seus movimentos, tiveram o apoio da Coordenadora Estadual de Trabalhadores da Educação de Guerrero e, após o ataque ao Palácio do Governo, atacaram a prefeitura de Chilpancingo. Os bombeiros apagaram o fogo poucas horas depois.
As autoridades temem a possibilidade de novos ataques. Os normalistas formam uma estrutura altamente organizada. De ideologia radical, durante décadas foram fonte de recrutas das guerrilhas do sul. A morte de seus companheiros em Iguala às mãos da polícia municipal e dos pistoleiros do cartel de Guerreiros Unidos, assim como o desaparecimento de outros 43, os mobilizaram como não acontecia havia anos. Nas últimas semanas, enquanto acompanhavam os pais das vítimas nas tarefas de busca, suas “ações” não passaram de montar barreiras em estradas e tomar postos de pedágio. Agora escalaram na escolha dos objetivos.
O alvo escolhido pelos normalistas, o Palácio do Governo, representa para eles a soma dos males que acometem o Estado de Guerrero. Os estudantes acusam o governador, se não de conivência com o narcotráfico, pelo menos de leniência no combate aos traficantes. O governador Aguirre, conhecido como o Cacique de la Costa Chica, representa como ninguém o modo como certos políticos se aferram a seus cargos. Durante 30 anos militou no PRI, onde, como senador, deputado federal e até governador interino, desfrutou das mordomias do poder. Mas a decisão do PRI de descartá-lo como candidato nas eleições de 2011 o levou a passar para o PRD (de esquerda), com todo seu cortejo. Um salto do qual ele saiu vencedor, demonstrando seu enorme conhecimento do terreno político local. Desde então, a deterioração acelerada vivida por Guerrero, o Estado mais violento do México, onde o narcotráfico impôs sua lei, erodiu sua figura profundamente. O massacre de Iguala levou essa degradação ao extremo.
Consciente de que está sentado sobre um barril de pólvora que qualquer palavra ou gesto pode fazer explodir, o próprio Aguirre se manteve em silêncio. Ele deixou a resposta oficial aos incidentes a cargo do secretário do Governo, Jesús Martínez Garnelo, que mostrou atitude conciliadora em relação aos normalistas, insistindo que a prioridade é localizar os desaparecidos.
Diante da possibilidade de que ocorram incidentes novos e maiores hoje, devido à chegada de milhares de normalistas de Michoacán, o Governo estadual distribuiu a tropa antimotim por toda a capital de Guerrero.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Independência do México: 204 anos

Hoje, comemoram-se os 204 anos da Independência do México. Um país de cultura riquíssima e encantadora que vive o drama de estar na fronteira dos EUA.
Parabéns, México lindo e querido, terra de Zapata, Frida Kahlo, Diego Rivera e Lila Downs
"México Lindo e Querido" é uma bela canção de exaltação ao México; uma espécie de Aquarelas do Brasil mexicana. Cantada por vári@s artistas mexican@s, ficou muito bonita

sábado, 21 de junho de 2014

Frida Khalo é a mexicana mais conhecida do mundo, segundo o MIT. A segunda é... Lila Downs

Publicado em: museografo

Frida Kahlo, la mexicana más famosa
Un grupo de expertos del Instituto Tecnológico de Massachussets (MIT) desarrolló un método llamado Pantheon que busca definir a las figuras más relevantes en términos de producción cultural en el mundo. El sistema se actualiza en tiempo real de acuerdo con los cambios en los parámetros que mide: la base más importante es la enciclopedia en línea Wikipedia.

mit

El índice de popularidad histórica desarrollado por este método pone en primer sitio a Frida Kahlo. Su biografía aparece en 112 ediciones distintas de Wikipedia y en los últimos cinco años ha sido vista por más de 24 millones de visitantes; la mayoría en países de habla no inglesa.

diego rivera frida kahlo orangerie paris exposición 2

La surrealista, cuya popularidad global ha ido en ascenso desde los años ochenta del siglo pasado, es el decimonoveno pintor más conocido del mundo, de 178 considerados en el estudio. Kahlo es, por mucho, la figura mexicana con más biografías en Wikipedia. La segunda mujer mexicana más popular es la cantante Lila Downs con 103 sitios, pero sólo han sido vistos 320 mil veces en cinco años.

museo casa estudio frida diego 3

Los diez personajes mexicanos más populares son Frida Kahlo, el emperador azteca Moctezuma II, el revolucionario Emiliano Zapata, el músico Carlos Santana y el actor Anthony Quinn, quienes ocupan del segundo al quinto lugar. En sexto lugar aparece el empresario Carlos Slim, le siguen el premio Nobel de Literatura, Octavio Paz, Pancho Villa, Antonio López de Santa Anna y Porfirio Díaz.

octavio paz centenario 8

Lila Downs, ainda como "Lila del Monte", em início de carreira, cantando em um casamento

"Lo vas a pagar muy caro", típica música mexicana e que, definitivamente, não combina com um casamento. talvez no México, combine.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Lila Downs:Não ao milho transgênico

Lila Downs participa de campanha com grande repercussão para a economia e a cultura do México. Se for aceito no México, o milho transgênico contaminará as espécies nativas e matará um dos fundamentos da cultura mexicana, trazendo pobreza para  a maioria. Grande Lila!

sábado, 10 de maio de 2014

Gafanhoto multicolorido encontrado no México é batizado em homenagem a Lila Downs



Um gafanhoto que foi recentemente descoberto na beira de uma estrada de montanha perto de Oaxaca, no México pela University of Central Florida (UCF) cientistas hoje leva o nome  Liladownsia fraile, em homenagem à cantora e ativista Ana Lila Downs Sánchez. 
Os cientistas batizaram a nova espécie como reconhecimento aos esforços da cantora para preservar a cultura indígena e seu pendor por usar trajes coloridos, locais como parte de suas performances. 
A ideia partiu de, Paolo Fontana,  um dos cientistas envolvidos na pesquisa, que é fã de Lila Downs. 

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domingo, 4 de maio de 2014

Si va a llegar el día que me abandones Prefiero, corazón, que sea ésta noche

A miragem mexicana, por J. Luis Fiori

POR 
JOSÉ LUÍS FIORI

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Comunidades indígenas, entre as mais afetadas pela pobreza absoluta. No México, ela aumentou para 51,3% na última década, quando caíram fortemente os salários
Elogio a modelo liberal mexicano é ideológico e cego. Resultados sociais e econômicos são muito piores que no Brasil “intervencionista”
Por José Luís Fiori
Poucas pessoas inteligentes – fora da Inglaterra – ainda prestam atenção nas notícias da monarquia inglesa e da sua família real, em pleno século XXI. Mas o mesmo não se pode dizer da City, centro financeiro de Londres, e dos seus dois principais órgãos de imprensa e divulgação – o Financial Times, e o The Economist – que seguem tendo importância decisiva na formação das opiniões e dos consensos ideológicos entre as elites liberais e conservadoras do mundo. A escolha dos seus temas e o uso de sua linguagem nunca é casual. Como no caso recente do seu entusiasmo pelo México e seu modelo de desenvolvimento liberal – e seu ataque, cada vez mais estridente, ao “intervencionismo” da economia brasileira. Uma tomada de posição compreensível do ponto de vista ideológico, mas que não vem sendo confirmada pelos fatos.
Em 1994, o México assinou o Tratado de Livre Comercio da América do Norte (Nafta), junto com os EUA e Canadá. Nos últimos 20 anos, tem sido absolutamente fiel ao livre-cambismo, incluindo sua adesão a Aliança do Pacífico, e à inciativa norte-americana da Parceria Trans-Pacífica – TPP. Por outro lado, nesse mesmo período, o México praticou uma política macroeconômica e financeira rigorosamente ortodoxa – em particular na última década – mantendo inflação baixa, cambio flexível, taxas de juros moderadas e amplo acesso ao crédito. Mesmo assim, depois de duas décadas, o balanço dessa experiência ultraliberal deixa muito a desejar1.
Como era de prever o comercio exterior do país cresceu significativamente no período e passou – em termos absolutos – de 60 bilhões de dólares, em 1994, para US$ 400 bi, em 2013. Mas nesse mesmo período, a economia mexicana teve um crescimento médio anual pífio, de 2,6%, sendo o crescimento per capita de apenas 1,2%. O emprego industrial cresceu de forma setorial e vegetativa, e mesmo nas “maquiladoras”, foi de apenas 20% – algo em torno de 700 mil novos postos de trabalho. A participação dos salários permaneceu em trono de 29% da renda nacional, e a pobreza absoluta da população mexicana aumentou significativamente. Por fim, ao contrário do que havia sido previsto, a economia mexicana não se integrou nas “cadeias globais de produção”. A produtividade média da economia praticamente só cresceu de forma segmentada e vegetativa, e o “investimento direto estrangeiro” (o principal “prêmio” anunciado em troca da abertura da economia) não teve nenhuma alteração significativa.
Esse balanço fica ainda mais decepcionante quando se compara o desempenho do “modelo mexicano”, com o “modelo intervencionista” da economia brasileira, no período entre 2003 e 2012. Segundo dados publicados pelo Banco Mundial2, e pelos Ministérios do Trabalho dos dois países, os números e as diferenças são realmente chocantes. Nesse período, a crescimento médio anual do PIB brasileiro, foi de 4,21%; o do México, de 2,92%. O crescimento total a economia brasileira foi de 42,17%; o do México, de 29,29%. As exportações brasileiras cresceram a uma taxa anual de 6,59%; as do México, a uma taxa de 5,35%. O crescimento total das exportações brasileiras foi de 65,95%; o do México, de 53,35%. As importações brasileiras cresceram a uma taxa média anual de 17,33%; as do México, a 6,75%. O crescimento total das importações no Brasil foi de 173,32%; no México, de apenas 67,54%.
Por outro lado, a renda per capita brasileira cresceu a uma taxa anual de 2,84% e a do México, 1,42%. O crescimento total da renda no Brasil foi de 28,4%, e no México foi de 14,26%. E a participação dos salários na renda chegou a 45% , no Brasil, contra 29% no México. Nesse mesmo período, o Brasil criou 16 milhões de novos empregos formais, e o México 3,5 milhões; e a pobreza absoluta foi reduzida a 15,9%, no Brasil, e aumentou para 51,3%, no México. Por fim, (pasme-se), entre 2002 e 2012, o “investimento direto estrangeiro” cresceu, no Brasil, de US$ 16,59 bilhões, para US$ 76,11 bilhões de dólares. No México, caiu de US$ 23,932 bilhões, em 2002, para U$ 15,455 bilhões, em 2012! Só para encerrar a comparação, em 2103 a economia brasileira cresceu 2,3%, (uma das maiores taxas entre as grandes economias do mundo), enquanto a economia mexicana cresceu 1,1%.
Fluxos de Investimento Direto Externo (em dólares)
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Clique para ver maior. Fonte: International Monetary Fund. Disponível em: http://data.worldbank.org/indicator/BX.KLT.DINV.CD.WD/countries/BR-MX?display=graph em 27/04/2014
Isto posto, o elogio do México deve ser considerado um caso de má fé, fundamentalismo ideológico, ou estratégia internacional? As três coisas ao mesmo tempo. Mas o que importa é o que dizem os números, e a conclusão é uma só: na última década, o “modelo mexicano” de abertura liberal, integração com os EUA, e livre comércio teve um desempenho extraordinariamente pior do que o “modelo intervencionista”, “heterodoxo” e “fechado” (segundo Financial Times The Economist) da economia brasileira, junto com seu projeto de integração do Mercosul.