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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Podem ficar tranquilos, Alexandre Frota autorizou sua biografia

Aos 50 anos, Frota fala sobre drogas, pornôs e biografia polêmica


Em entrevista exclusiva ao Terra, o ator e diretor diz que passaram cem mulheres em suas mãos só nos filmes pornográficos

Capa da biografia Identidade Frota: A Estrela e a Escuridão 5.0, lançado recentemente Foto: Divulgação
Capa da biografia Identidade Frota: A Estrela e a Escuridão 5.0, lançado recentemente
Foto: Divulgação
  • Mariana Lanza

    "Estou pronto para a Segunda Guerra, a primeira eu venci". É assim que Alexandre Frota encara sua chegada aos 50 anos, completados nesta segunda-feira (14). Para marcar o "divisor de águas" em sua vida, ele lançou recentemente a biografia Identidade Frota: A Estrela e a Escuridão 5.0. "Encontrei respostas para perguntas que até pouco me assombravam", afirmou o ator e diretor, em entrevista exclusiva ao Terra.

Inicialmente contatado por e-mail, o artista mostrou-se brincalhão, sem papas na língua e pronto para criar polêmicas. No entanto, após pedido para que falássemos por telefone, um Frota mais reservado respondeu a algumas questões menos "apimentadas": "não gosto (de falar ao telefone), mas vou abrir essa para você", disse por e-mail. Realmente, é nítido que o artista se sente mais à vontade para escrever o que pensa do que para conversar ao telefone. 

Tanto que expôs diversas intimidades em sua biografia. Nela, o ator conta bastidores do relacionamento com a atriz Cláudia Raia, afirma que já saiu com Marília Gabriela e que teve um caso com Adriana Bombom. Por falar em sexo, Frota diz que sempre tinha relações sob o efeito de cocaína. Tal costume, segundo ele, não faz mais parte de sua realidade. "Sou um cara totalmente limpo. Desafio...vou agora no Delboni (laboratório de medicina diagnóstica) e faço o exame toxicológico. Vai dar negativo, mas posso escolher aleatoriamente dez artistas de cada emissora, incluindo apresentadores e apresentadoras. Muita gente vai cair no exame", garante.

Os altos e baixos fizeram parte da trajetória do artista. Ele ficou nacionalmente conhecido como galã de novelas globais, como Roque Santeiro (1985) e Sassaricando (1987). Também atuou em minisséries e seriados, até que em 2004 assinou contrato com a produtora de filmes pornográficos Brasileirinhas. Ao todo, foram 19 filmes pornôs como ator, nos quais relembrou que cem mulheres passaram em suas mãos. Em um deles, contracenou com a travesti Bianca Soares. "Fui ativo total, foi bom. Ela é bonita, conheço muita gente que pegaria de graça", afirmou Frota, que posou nu quatro vezes para a revista G Magazine.

Atualmente, Alexandre Frota apresenta e dirige o Programa do Frota, na Rede Brasil, e está no elenco do humorístico A Praça É Nossa, do SBT. Além disso, faz parte do time de futebol americano do Corinthians desde 2010, mas já tem data para se aposentar. "Esse ano eu encerro, vou me aposentar no campeonato brasileiro. Estou com 50 anos de idade, jogo com um monte de garotos de 20, então, tenho que saber que tudo tem um limite".

domingo, 17 de março de 2013

Primeiro Dicionário de Políticas Públicas no Brasil pode ser acessado pela internet

políticas públicas verbete livro dicionário

Portal EBC

A Faculdade de Políticas Públicas da UEMG divulgou, no final de 2012, o primeiro dicionário de Políticas Públicas do Brasil(Reprodução)
Capital social, Estado de Direito, Gestor Público,  Esfera Pública...Como reunir os principais conceitos de políticas públicas em um só lugar? A partir desse mote, a Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) divulgou, no final de 2012, o primeiro dicionário de Políticas Públicas do Brasil.
De acordo com nota publicada no site da UEMG, diferentes autores trazem no documento "reflexões significativas  nas diversas áreas em que atuam, sejam elas sociais, políticas e econômicas". O material pode ser útil tanto para estudantes, pesquisadores, quanto para qualquer pessoa interessada na "gestão pública contemporânea e suas relações internas e externas".
A obra foi organizada pelos professores Carmem Lúcia Freitas de Castro, Cynthia Rúbia Braga Gontijo e Antônio Eduardo de Noronha Amabile da Faculdade de Políticas Públicas Tancredo Neves.
O dicionário reúne conceitos teóricos e exemplos práticos. Para consultá-lo online, acesse aqui.
*com informações da UEMG

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

15 sites para baixar livros gratuitamente

reprodução
Páginas oferecem títulos para leitura em diferentes plataformas de graça
Publicado em Catraca Livre

Para ampliar a sua experiência de leitura, o Catraca Livre fez uma lista com 15 sites nacionais e internacionais em que é possível baixar  livros e ler online de maneira legal, sem complicações e, o melhor, de graça.
Ler para aprender, ler para expandir a mente, ler para estimular a memória.  Não importa o porquê você dedica tempo para essa atividade, o que vale é aproveitar todos os seus benefícios, seja no papel ou nos modernos leitores digitais.
Confira as opções de leitura gratuita.
1. Universia – Reúne mais de 1000 arquivos, incluindo biografias de cineastas, textos científicos sobre comunicação e clássicos da literatura universal.
2. Open Library – Projeto que pretende catalogar todos os livros publicados no mundo, já tem 1 milhão de títulos disponíveis para download. Podem ser encontrados livros em cerca idiomas.
3. Brasiliana – O site da Universidade de São Paulo (USP) disponibiliza cerca de 3000 mil livros para download de forma legal. Há livros raros e documentos históricos, manuscritos e imagens.
3. Blog Midia8 – Página reúne mais de 200 links de livros sobre comunicação em português, inglês e espanhol para ler online e fazer download.
4. Casa de José de Alencar – A Biblioteca Virtual do site do pai do romance brasileiro disponibiliza para download gratuito 14 de suas obras, incluindo romances e peças de teatro.
5. Read Print – Essa espécie de livraria virtual oferece mais de 8 mil títulos em inglês para estudantes, professores e entusiastas de clássicos.
6. Biblioteca Digital de Obras Raras – O site idealizado pela Universidade de São Paulo (USP) é direcionado a pesquisadores. Oferece mais de 30 obras completas em diferentes idiomas.
7. Portal Domínio Público - Biblioteca virtual criada para divulgar clássicos da literatura mundial, oferece download gratuito de mais de 350 obras. É possível baixar 21 livros de Fernando Pessoa.
8. Saraiva – A rede de livrarias disponibilizou recentemente 148 livros para download em PDF gratuito. O leitor precisa apenas fazer um cadastro e baixar o aplicativo de leitura para ter acesso ás obras.
9. Biblioteca Nacional de Portugal – Entre os destaques do portal está um site dedicado do escritor José Saramago. Nele, estão disponíveis manuscritos do autor.
10. Machado de Assis – Criado pelo MEC, o site do escritor oferece sua obra completa – em pdf ou html – para leitura online. Estão lá crônicas, romances, contos, poesias, peças de teatro, críticas e traduções.
11. Biblioteca Mundial Digital – Oferece milhares documentos históricos de diferentes partes do mundo. Multilingue, o material está disponível para leitura online.
12. Dear Reader – Esse é um clube virtual que envia por e-mail trechos de livros. Após o cadastro, o usuário passa a receber  diariamente um trecho, cerca de dois a três capítulos de livros.
13. eBooks Brasil – Oferece livros eletrônicos gratuitamente em diversos formatos.
14. Projeto Gutenberg – Tem mais de 100 mil livros digitais que podem ser baixados e lidos em diferentes plataformas eletrônicas.
 15.Unesp Aberta - Criado pela reitoria da Universidade Estadual Paulista “Júlio Mesquita”, o site disponibiliza material pedagógico gratuitamente. Desenvolvidos para os cursos da universidade, o material está aberto s para consulta em diversos formatos.

sábado, 29 de setembro de 2012

CAÇADA A LOBATO

 
Eu tinha oito anos e lembro do dia preciso em que, num almoço de domingo na casa de minha tia-avó, topei com Caçadas de Pedrinho na prateleira da sala. Abri o livro e logo na primeira página fui tomado pelo assombro: que mundo desconcertante, imprevisível e irreverente era aquele? Quando terminei a última página, Monteiro Lobato já tinha conseguido inocular em mim o vírus incurável do prazer da leitura.

Esse mesmo livro, em que valores universais e civilizatórios como os de generosidade, justiça e solidariedade encontram ênfase na escrita genial do autor, está sendo acusado de ser uma obra racista por causa deste trecho: “(...)Tia Anastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou que nem uma macaca de carvão (...)”.

O Ministério da Educação quer que as próximas edições saiam com uma nota explicativa para contextualizar a obra, mas o Instituto de Advocacia Racial (Iara) quer proibir sua distribuição nas escolas públicas. Na terça-feira passada houve uma tentativa frustrada de acordo. Agora o caso vai ao Supremo Tribunal Federal.

Engana-se quem pensa tratar-se de uma discussão sobre racismo. Não. O debate público que o tal Iara deflagrou diz respeito à leitura como forma de conhecimento do mundo. A proposta do MEC, de fazer notas de roda pé para dizer como o leitor deve interpretar um texto, é a negação da leitura como ferramenta insubmissa de descoberta. De que maneira a tutela da inteligência de quem lê pode formar um leitor crítico? A ideia de proibir o acesso das crianças pobres a Lobato é ainda mais perversa, porque lhes retira a ferramenta lúdica de um autor genial para substituí-lo pela mediocridade politicamente correta do recado óbvio e direto.

Monteiro Lobato já fez mea culpa de várias opiniões equivocadas que deu como ativista político e publicista. Discutir suas posições, criticar seus ensaios e cartas é legítimo. Condenar sua obra por causa disso é absurdo. O burguês Balzac expôs as vísceras da falsa moral da burguesia em seus livros. O direitista ultraconservador Nelson Rodrigues escreveu uma obra revolucionária revelando a hipocrisia de sua classe. Uma obra, quando cai nas mãos do leitor, não pertence mais ao escritor, eis a grande magia da liberdade de pensamento.

Dizer que Caçadas de Pedrinho forma leitores racistas é um insulto a mim e aos meus dois filhos, que descendemos de um escravo alforriado. Meu tataravô, de alcunha Mané Capitão, saiu do cativeiro para tropear burros de Sorocaba a Gravataí. Em sua memória, repudio toda forma de ameaça à liberdade de escolha.

sábado, 30 de junho de 2012

Ilustrações de Salvador Dalí para Alice no País das Maravilhas

por
Ilustrações feitas por Salvador Dalí, em 1969, para uma versão de Alice no País das Maravilhas são digitalizadas.
Alice no País das Maravilhas é uma das mais famosas obras literárias do mundo. Escrita por Lewis Carrol e publicada em 4 de julho de 1865, a obra encanta leitores de todas as idades.
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Até hoje a obra de Carrol é publicada em várias versões pelo mundo, sem falar nas várias adaptações para o cinema e desenhos animados, existem até jogos de vídeo game com a personagem Alice.
Recheada de detalhes, um dos elementos que contribuíram para o sucesso da obra foram as ilustrações de John Tenniel.
O que pouca gente sabe é que existe uma edição especial de Alice no País das Maravilhas, ilustrada por Salvador Dalí.
Publicado por New York’s Maecenas Press-Random House em 1969, o livro foi distribuído como o livro do mês. Hoje é uma das obras mais procuradas pelos admiradores de Dalí.
A edição traz 12 gravuras, uma para cada capítulo do livro. E uma gravura original assinada.
Para nosso deleite essas ilustrações foram digitalizadas pela William Bennett Gallery.
Deleitem-se.

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Uma cópia do livro está a venda por $12,900 no Amazon. Se você se interessar veja no vídeo abaixo os detalhes da obra de arte que você levará pra casa.



Leia mais: obvious

sábado, 26 de maio de 2012

Historicismo circense, ineditismo farsesco

Por Álvaro Nunes Larangeira: Observatório da Imprensa

Em vez de rede, a rede. Ao invés da dúvida, a credulidade. Da prova, o ilusório. O jornalismo de orelha e o historicismo circense têm extrapolado em pretensão e petulância. Assoberbam-se às custas da comodidade das telas e da maciez das cadeiras e poltronas. Aproveitando-se da corriqueira relutância ao desgastante exercício da certificação, satisfazem os incautos com releases cevados a louvamentos e adulações ao compadrio e mecenato, divertem os ingênuos com o ilusionismo dos guias do tipo politicamente incorretos e majoritariamente falaciosos e agora pretendem engambelar o leitorado por meio do ineditismo farsesco e da himenoplastia documental. Ah!, tenham dó. Pelo menos dos nossos neurônios.
A última pérola da dupla diz respeito ao livro Getúlio 1882-1930 – Dos anos de formação à conquista do poder, o primeiro volume da trilogia do jornalista Lira Neto sobre o ex-presidente Getúlio Vargas, lançado pela Companhia das Letras agora em maio. A apresentação do remake biográfico do paradigmático personagem da história política brasileira parece tomada pela euforia bipolar. “A biografia mais completa já escrita sobre um político brasileiro”, anuncia o vídeo da editora. A gana pela revelação teofânica, obsessão do ethos do jornalismo auricular, é externada pelo colunista Lauro Jardim, da revista Veja: “Um Getúlio Vargas surpreendente emerge das páginas de Getúlio”.
O ineditismo esvaíra-se muito antes
E o paranoico afã pela originalidade legitimadora da investigação é exposto sob forma intimidativa. “Desafio qualquer pessoa a mostrar onde estão as citações ao inquérito original. Os documentos estavam intactos nos arquivos, fui o primeiro a manuseá-los”, provoca o autor (ver aqui), referindo-se ao pretendido caráter de inusitado pela publicação do discurso proferido por Getúlio Vargas como orador da turma na formatura na Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre e pelo manuseio dos processos de Ouro Preto (MG) e Palmeira das Missões (RS), nos quais haveria, de acordo com Carlos Lacerda, envolvimento do político gaúcho em dois assassinatos, um em cada cidade.
Ora, então vejamos. O início do texto lido pelo bacharelando Getúlio em 25 de dezembro de 1907 diz o seguinte, na ortografia original: “Eis nos chegados ao termo da jornada. Atomos perdidos no mundo dos phenomenos, uniu-nos a transitoriedade d'um instante para a realisação d'um grande ideal” (ver aqui). Na página 141 do capítulo “Orador dos estudantes e jornalista de O Debate”, do segundo volume de Getúlio Vargas e o seu tempo – um retrato com luz e sombra, publicado em 1994, o biógrafo Fernando Jorge transcreve a primeira parte da fala na solenidade da colação de grau: “Eis-nos chegados ao termo da jornada. Átomos perdidos no mundo dos fenômenos, reuniu-nos a transitoriedade de um instante para a realização de um grande ideal.”
Teria Fernando Jorge obtido fragmentos textuais idênticos aos da formatura em algum centro espírita? Nada disso, foi naquele mesmo arquivo intacto ao qual Lira Neto se referira. Até porque o ineditismo do texto esvaíra-se muito tempo antes. “Um de seus biógrafos fora ao Rio Grande do Sul em busca de dados. Entrevistara vários colegas e contemporâneos, descobrira vários documentos ainda inéditos, entre eles o discurso de formatura”, revelaria Alzira Vargas do Amaral Peixoto em 1960, na página 11 do livro Getúlio Vargas, meu pai. Quase duas décadas depois Alzira entregaria a documentação ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Fundação Getulio Vargas.
“Nenhuma grande novidade”
Circunstância semelhante ocorre no caso Ouro Preto. O barbante da almejada originalidade rompe-se à força da verificação. O jurista Augusto de Lima Júnior redige todo o capítulo “Austeridade intrépida”, em Serões e Vigílias: páginas avulsas, baseado no processo que o pai, o magistrado Augusto Lima, ajuizou. À página 42, na obra lançada em 1952, Lima Júnior comenta:
“Êsse processo famoso, desde que o Sr. Getulio Vargas assumiu o poder no Brasil tem sido consultado com freqüência por interessados em encontrar nêle material adequado a retaliações políticas”.
Permaneceriam virginais à espera do toque do midas Lira Neto os autos do processo do assassinato do estudante paulista Carlos de Almeida Prado em junho de 1897, envolvendo os irmãos Vargas – Viriato, Protásio e até Getúlio, então com 15 anos? Talvez, em algum conto de fadas.
Boris Fausto, autor de Getúlio – o poder e o sorriso, da coleção Perfis brasileiros, organizada pela própria Companhia das Letras, e responsável pelo texto da contracapa do Getúlio 1882-1930 – Dos anos de formação à conquista do poder,foi mais sensato. Em comentário à Folha de S.Paulo, o historiador elogiou a narrativa detalhista de Lira Neto e a fartura de informações do volume e fez a ressalva derradeira: o livro não traz “nenhuma grande novidade” (Ambivalência de Getúlio atraiu biógrafo, ilustrada, E4, 17 maio 2012). Portanto, alcandorar-se pelo pioneirismo do material documental, e deste modo ser propagado pelo jornalismo de orelha, só é razoável se houver o suporte da prova. Senão, nem o Barão de Munchausen levará fé.
***
[Álvaro Nunes Larangeira é jornalista, professor da Universidade Tuiuti do Paraná e organizador, com o historiador Décio Freitas, de Getúlio Vargas – A Serpente e o Dragão: dissertações acadêmicas (Sulina, 2003)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O centenário de Contos Gauchescos, de Simões Lopes Neto

Milton Ribeiro, em Sul21

Não é à toa que Contos Gauchescos faz parte da lista de leituras obrigatórias para o vestibular da UFRGS nos últimos anos. Ele ali está na justa companhia de José Saramago (História do Cerco de Lisboa), Guimarães Rosa (Manuelzão e Miguilim) e de outros. E de outros menores, deveria dizer. Claro, a lista da UFRGS não é garantia de qualidade — por exemplo, lá não estão Erico nem Dyonélio –, mas serve como comprovação de que o pequeno volume de 19 contos narrados por Blau Nunes está bem vivo.
Contos Gauchescos (1912) é o segundo livro de João Simões Lopes Neto (1865-1916), que também escreveu Cancioneiro Guasca (1910), Lendas do Sul (1913) e Casos do Romualdo (1914). O autor viveu 51 anos e publicou apenas quatro livros. Talvez sejam muitos, se considerarmos a colorida vida do autor.

Casa onde residiu Simões Lopes Neto em Pelotas.
Hoje abriga o Instituto João Simões Lopes Neto (Rua Dom Pedro II, 810)

Simões Lopes Neto nasceu em Pelotas, na estância da Graça, filho de uma tradicional família da região, proprietária de muitas terras. Aos treze anos, foi para o Rio de Janeiro a fim de estudar no famoso Colégio Abílio. Retornando ao Rio Grande do Sul, fixou-se para sempre em Pelotas, então uma cidade rica para os padrões gaúchos. Cerca de cinquenta charqueadas formavam a base de sua economia. Porém, engana-se quem pensa que Simões andava de bombacha. Seus hábitos eram urbanos e as histórias contadas nos Contos Gauchescos eram baseadas em reminiscências, histórias de infância e, bem, a verdade ficcional as indica como de autoria de Blau Nunes, não? A epígrafe da obra deixa isto muito claro: À memória de pai. Saudade. Mas voltemos ao autor.
Sua vida em Pelotas não foi nada monótona. Abriu primeiro uma fábrica de vidro e uma destilaria. Não deram certo. Depois criou a Diabo, uma fábrica de cigarros cujo nome gerou protestos da igreja local. Seu empreendedorismo levou-o ainda a montar uma empresa para torrar e moer café e a desenvolver uma fórmula à base de tabaco para combater sarna e carrapatos. Fundou também uma mineradora. Nada deu muito certo para o sonhador e inventivo João, que foi também professor e tabelião, mas ao fim e ao cabo apenas sobreviveria como jornalista em Pelotas, conseguindo com dificuldades publicar seus livros e folhetins, assim como montar suas peças teatrais e operetas. Este faz-tudo faleceu em total pobreza.
A primeira edição de Contos Gauchescos foi publicada em 1912. Se o ano é este, a data exata da publicação parece ter sido perdida. Na primeira página do volume é feita a apresentação do vaqueano Blau Nunes, que o autor afirma ter sido seu guia numa longa viagem pelo interior do Rio Grande do Sul.
PATRÍCIO, apresento-te Blau, o vaqueano. Eu tenho cruzado o nosso Estado em caprichoso ziguezague. Já senti a ardentia das areias desoladas do litoral; já me recreei nas encantadoras ilhas da lagoa Mirim; fatiguei-me na extensão da coxilha de Santana, molhei as mãos no soberbo Uruguai, tive o estremecimento do medo nas ásperas penedias do Caverá; já colhi malmequeres nas planícies do Saicã, oscilei entre as águas grandes do Ibicuí; palmilhei os quatro ângulos da derrocada fortaleza de Santa Tecla, pousei em São Gabriel, a forja rebrilhante que tantas espadas valorosas temperou, e, arrastado no turbilhão das máquinas possantes, corri pelas paragens magníficas de Tupanciretã, o nome doce, que no lábio ingênuo dos caboclos quer dizer os campos onde repousou a mãe de Deus…
(…)
Genuíno tipo – crioulo – rio-grandense (hoje tão modificado), era Blau o guasca sadio, a um tempo leal e ingênuo, impulsivo na alegria e na temeridade, precavido, perspicaz, sóbrio e infatigável; e dotado de uma memória de rara nitidez brilhando através de imaginosa e encantadora loquacidade servida e floreada pelo vivo e pitoresco dialeto gauchesco.
(…)
Querido digno velho!
Saudoso Blau!
Patrício, escuta-o.
 

Capa da edição pocket da L&PM

Após esta apresentação — de pouco mais de duas páginas na edição pocket da L&PM — , está pronto o cenário para os 19 contos (ou “causos”) que o narrador Blau Nunes contará a seu patrício. Blau é o protagonista de algumas histórias, em outras é um assistente interessado que banha os fatos de intensa subjetividade. E aqui chegamos ao que o livro apresenta de mais original: o trabalho de linguagem de Simões Lopes Neto. Os contos são “falados”, são “causos” contados por Blau e a linguagem acaba por ser uma representação da fala popular misturada a uma inflexão erudita — certamente a de Simões — , transformando-se numa terceira forma de expressão. Numa belíssima terceira forma de expressão. Sabemos que o leitor do Sul21 já está pensando em Guimarães Rosa e tem toda a razão. Rosa confessou que seu texto tinha muito da influência de Simões. O gaúcho abriu as portas para as grandes criações do autor de Grande Sertão: Veredas e esta afirmativa não é a do ufanismo vazio que procura gaúchos em navios adernados, mas uma manifestação de consistente orgulho.
E, assim como nos livros de Rosa, a linguagem de Simões Lopes Neto talvez soe estranha à princípio, apesar de que o estranhamento é muito menor do que aquele com que se depara o leitor do mineiro. Se lá Rosa cria palavras utilizando seu enciclopédico conhecimento etimológico, se lá utiliza-se até de línguas eslavas; aqui Simões transforma o sotaque da região onde nasceu. Há os adágios populares, há os muitos gauchismos do campo e da cidade e há as expressões típicas da fronteira, recheadas de espanholismos. A memória de Blau Nunes é a memória geral do pampa narrando os acontecimentos principais de sua história que, em mosaico, formam uma visão subjetiva da região e de sua gente. Era 1912, não havia regionalismo, estávamos a 10 anos da Semana de Arte Moderna e 4 anos após o falecimento e Machado de Assis. Estamos, pois, falando da literatura de um pioneiro.
Ilustração de uma edição de Contos Gauchescos
Mas Simões Lopes Neto não trabalha apenas a linguagem, é um escritor que sabe criar constante subtexto. Ou seja, há as palavras, mas há um grande contador de histórias trabalhando-as, jogando informações subjacentes que reforçam ou contradizem o que está sendo contado. Isto pode ser sentido no pequeno conto O negro Bonifácio e no tristíssimo No Manantial — segundo e terceiro contos da coleção. A propósito, no CD Ramilonga, Vitor Ramil fez uma homenagem a No Manantial. A frase que é dita no início da canção é a primeira do conto e a que a encerra — Vancê está vendo bem, agora? — está próxima ao final do conto. É uma justa homenagem. Talvez No Manantial seja o melhor conto escrito por autor gaúcho até o surgimento de Sergio Faraco. Apenas em 1937, com a publicação de Sem rumo e Porteira fechada (1944), de Cyro Martins, e de O Continente (Erico Verissimo, 1949), a literatura do RS produziria outras grandes figuras ficcionais gaúchas. Dizia Tolstói: Se queres ser universal começa por pintar a tua aldeia. E Blau Nunes, na condição de narrador e protagonista dos Contos Gauchescos, é um gaúcho de qualquer latitude.

Marcelo Spalding, em excelente artigo análogo a este, finaliza citando a definição de Italo Calvino para o que seria um clássico. De seu artigo, roubamos duas frases de Calvino que, a nosso ver, cabem tão adequadamente a Contos Gauchescos que não há razão para não citá-las. Segundo Calvino, um clássico é uma obra que provoca incessantemente uma nuvem de discursos críticos sobre si, mas continuamente as repele para longe. Mais: clássicos seriam livros que, quando mais pensamos conhecer por ouvir dizer, quando são lidos  se revelam novos, inesperados, inéditos. E, avançando no perigoso terreno do tradicionalismo gaúcho, arriscamos dizer que a ligação com o, em sua maioria, tosco movimento, acaba por prejudicar o autor de Contos Gauchescos. O fato de haver inclusive uma Medalha Simões Lopes Neto faz com que muitos leitores do RS o associem ao MTG e deixem de entrar em contato um autor muito sofisticado. Pois o homem que desejava livrar-nos da sarna e dos carrapatos produziu grande literatura.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Bagno defende em livro a 'gramática do português brasileiro'

gramatica-capa-iEm "Gramática Pedagógica do Português Brasileiro", o pesquisador em linguística Marcos Bagno compila o que os leitores de Caros Amigos conhecem de seu trabalho através da coluna que mantém na revista. Bagno defende a libertação da língua praticada no Brasil das regras seculares do português de Portugal e uma gramática que contemple os modos do falar brasileiro.
O livro, publicado pela editora Parábola, já está nas livrarias. Na entrevista abaixo, elaborada pela educadora Solange Americano, formada em letras pela USP e que atua no programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), Bagno descreve um pouco o que está na obra.

Caros Amigos - O livro derruba  o  mito de que falamos todos a mesma língua no Brasil esclarecendo que monolinguismo e homogeneidade linguística são bem diferentes. O que  caracteriza o português brasileiro contemporâneo?
Marcos Bagno: O português brasileiro contemporâneo é como qualquer outra língua viva contemporânea: uma língua em constante mutação, instável, sempre em processo de se fazer e refazer. Toda e qualquer língua viva é sempre uma língua que “está”, nunca uma língua que “é”, porque nós falantes não paramos de modificar nossas línguas o tempo todo. Num país gigantesco como o nosso, com situações sociais tão diversificadas, climas, etnias, economias diferentes etc., a língua também é diversificada, heterogênea, variável e mutante.
CA - O que deve vir primeiro: o estudo da língua ou o domínio da escrita e leitura?
MB - Sem dúvida nenhuma, o domínio da leitura e da escrita, ou seja, o letramento. Saber ler e escrever com competência e criatividade é o conhecimento mais importante para a plena conquista da cidadania numa sociedade republicana e democrática. O estudo da língua, o estudo específico e técnico da língua, deve ser deixado para depois que a pessoa tiver um bom grau de letramento. Além disso, no processo de aprendizagem da leitura e da escrita é inevitável que a pessoa estude também o funcionamento da língua, reflita sobre ele, intua as regras. Mas isso pode ser feito sem análise sintática e sem decoreba de nomenclatura.
CA - O que seria uma política linguística para o Brasil?
MB - Seria uma política com dois focos, um para o interior e outro para o exterior. Para o interior do Brasil, ela deveria contemplar o ensino do português brasileiro urbano de prestígio, contemporâneo, tal como ele já vem sendo descrito pela pesquisa linguística brasileira nos últimos quarenta anos. É perfeitamente possível, hoje, elaborar material didático de boa qualidade usando o que já sabemos, e sabemos muito, da gramática real do português brasileiro. Temos de produzir, portanto, dicionários e gramáticas afinados com essa realidade do português brasileiro, reconhecendo o português brasileiro como uma língua independente do português europeu, com sua própria história e sua própria gramática e seu próprio léxico.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

200 anos de Charles Dickens

Com uma propriedade literária admirável e uma forma narrativa inteligente e bem humorada, suas personagens eram a voz do povo e, por isso, o povo o levou ao status de um dos melhores e mais respeitados literatos de todos os tempos.
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Em 2012 se comemora o 200° aniversário de Charles Dickens. Não é preciso ser leitor de Dickens para conhecê-lo. É preciso ser leitor de Dickens se você gostar de boa literatura, simples assim. Mas, com absoluta certeza você que nunca leu Dickens, o conhece. Um dos mais célebres autores britânicos - só perde para Shakespeare em número de obras reproduzidas no teatro, no cinema e na televisão - construiu seu nome escrevendo sobre a sociedade britânica da era vitoriana, o que resultou num dos mais extraordinários acervos literários de todos os tempos. Claro que eu acho isso, eu acho sua escrita plausível o suficiente para usar a palavra “extraordinária”. O fato é que Dickens era realmente bom com as palavras. E, além de seu talento com a pena, ele revolucionou a literatura, introduzindo a crítica social no estilo. Por isso, Charles Dickens jamais foi esquecido, pois é atual ainda hoje.
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Dickens foi muito corajoso e inteligente. Era um jovem que enxergava o mundo em palavras, ansioso em expressar seus pontos de vista acerca da realidade ao seu redor. E aos 23 anos o fez. Escreveu, criticou. E com grande maestria ao introduzir à sua prosa, o humor – refinado, sarcástico, mas temperado. Sabia que assim conseguiria atenção.
Começou sua carreira como jornalista e criava sketches sociais, retratando a sociedade da época, ainda com o pseudônimo “Boz”. Pouco tempo depois escreveu a hilária série “The Posthumous Papers of the Pickwick Club”, um grande sucesso na época pelo seu viés cômico, mas ainda muito discreto no que se refere a sua mais intensa característica, a crítica social.
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Seu primeiro forte ataque contra a sociedade da era vitoriana foi com sua novela “Oliver Twist", em 1838. O romance foi publicado semanalmente por meio de folhetins. O modelo de publicação caiu no gosto do povo que ficava ansioso pelo desfecho da estória na semana seguinte. E, assim, aconteceu com várias de suas obras.
No anos que seguiram o jovem Dickens produziu feito uma máquina, mas pensante. Vieram, então “Nicholas Nickleby” (1839) e “Old Curiosity Shop” (1841). Em 1943 publicou o célebre: “A Christmas Carol" – uma das obras mais traduzidas, adaptadas e conhecidas ao redor do mundo, fazendo de Ebenezer Scrooge a mais famosa personagem do Natal de todos os tempos. A temática natalina rendeu mais cinco livros. Em 1848 publicou "Dombey and Son", dando ênfase à Revolução Industrial que abocanhava a sociedade e os costumes vitorianos.
Seu mais famoso romance veio em seguida, em 1949, “David Copperfield”. Um obra autobiográfica, inspirada nas cenas, lembranças, ideais e esperanças do próprio Dickens. E vieram logo “Bleak House” (1852) e “Hard Times: For These Times” (1853).
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Apesar de nunca cair no desgosto do público, que o lia com voracidade e grande expectativa, por causa de sua escrita carismática, a partir de 1854 os romances de Dickens ganharam força com dois grandes sucessos “Little Dorrit” (1856) – recentemente adaptada em seriado pela britânica BBC e “A Tale of Two Cities” (1859) – se passa no período da revolução francesa, desde então é um dos livros mais vendidos ao redor do mundo. Em 1860 sua carreira tem um novo, e último, auge com o épico “Great Expectations” – também ocupa o posto de uma das obras mais adaptadas da história. Depois vieram “Our Mutual Friend” (1865) e “The Mystery of Edwin Drood” (1870) – incompleto por causa de sua morte no mesmo ano. Foi sepultado no "Poets' Corner", na Abadia de Westminster.
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Casa onde passou metade de sua vida e morreu, no condado de Kent, Inglaterra.
Embora suas estórias sempre acabem por um viés otimista e ideal, Dickens retratava o problema, sua pena manchava o cerimonioso sistema britânico, sua pena feria a política, a sociedade, a burguesia e incomodava muitos dos ímpetos humanos, ultrapassando, assim, a crítica social e culminando numa literatura reflexiva, numa forma de escrita das mais sofisticadas e acessíveis já conferidas até hoje.
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Nova moeda criada no Reino Unido para comemorar o 200 º aniversário de seu nascimento, em 7 fevereiro de 1812. Na face, a cabeça da Rainha, à direita, e no reverso a imagem de Charles Dickens, feita a partir de alguns dos títulos de seus romances mais famosos.

Um dos mais famosos sítios dedicados ao artista, aqui.

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O maior tesouro dos Estados Unidos: a Biblioteca do Congresso

publicado em recortes por diana ribeiro 
 
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© Biblioteca do Congresso, Fachada. Foto de: CJStumpf (Wikicommons).
A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, em Washington, é a instituição cultural mais antiga do país e a biblioteca mais completa do mundo. Criada em 1800 pelo então presidente John Adams, possui actualmente cerca de cento e quarenta milhões de obras em pelo menos quatrocentos e setenta idiomas, muitas das quais verdadeiros tesouros - por exemplo, os diários manuscritos de George Washington ou um exemplar da bíblia de Gutenberg. Com o advento das novas tecnologias, parte do seu património já está a ser digitalizado e, portanto, tornar-se-á acessível a qualquer leitor.
O centro de Washington alberga um dos grandes tesouros norte-americanos: a Biblioteca do Congresso. Considerada a maior e mais completa biblioteca do mundo, já resistiu a dois incêndios e à consequente perda de milhares de livros. No entanto, a sua colecção – que foi sendo reposta ao longo dos tempos - distribui-se actualmente por mil quilómetros de estantes e está a ser digitalizada com o objectivo de se tornar acessível a todos.
A Biblioteca foi criada a 24 de Abril de 1800 através de um decreto oficial assinado pelo então presidente John Adams. O “Acto do Congresso” transferia, assim, a sede do governo de Filadélfia para Washington. Na nova capital, o governo destinou cinco mil dólares para a compra de livros necessários ao funcionamento do Congresso, e a um espaço que fosse capaz de armazená-los.
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© Biblioteca do Congresso, Galeria do Tesouro. Foto de: Andreas Praefck (Wikicommons).
Inicialmente a biblioteca fica instalada no Capitólio. Porém, quando as tropas inglesas invadem o território em 1814, um primeiro incêndio destrói não só o edifício como também os três mil exemplares que este continha até à data. Num golpe de sorte, em menos de um ano a sua colecção ganha 6.487 livros: o ex-presidente Thomas Jefferson, com várias dívidas para pagar, vende a sua biblioteca pessoal. Passara mais de cinquenta anos a coleccionar obras sobre os Estados Unidos e referentes a todos os temas científicos.
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© Biblioteca do Congresso, Interiores. Foto de: Diliff (Wikicommons).
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© Biblioteca do Congresso, Interiores. Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).
Em Dezembro de 1851, um segundo incêndio põe fim a trinta e cinco mil livros e raridades como os retratos dos cinco primeiros presidentes norte-americanos pintados por Gilbert Stuart, um retrato original de Cristóvão Colombo e estátuas de George Washington, Thomas Jefferson e Marquês de la Fayette.
Actualmente, a biblioteca é gerida por quatro mil bibliotecários que, para além da organização e preservação do seu património, se dedicam a manter a filosofia iniciada por Thomas Jefferson: o carácter universal do conhecimento só é possível se acreditarmos na importância de todos os temas. Foi nessa base que Rand Spofford, bibliotecário entre 1864 e 1897, a transformou numa instituição nacional, estabelecendo a lei dos direitos autorais pela qual todos os que publicassem teriam de enviar à biblioteca dois exemplares do seu trabalho. Por conseguinte, houve uma entrega massiva de livros, mapas, folhetos, fotografias e músicas e, claro, uma escassez de estantes para os guardar.
Em 1873, o Congresso autoriza então um concurso para novas propostas a fim de alargar a biblioteca. Em 1886, o projecto de Washington John e J. Paul Pelz é posto em prática e constrói-se um impressionante edifício baseado na arquitectura renascentista. O seu interior começa a ser decorado com esculturas e pinturas de vários artistas norte-americanos. A 1 de Novembro de 1897, a Biblioteca do Congresso abre oficialmente as suas portas ao público.
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© Biblioteca do Congresso, Escultura de Philip Martiny (1858-1927). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).
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© Biblioteca do Congresso, Cupula da sala de leitura principal. Foto de: Bailey Palblue (Wikicommons).
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© Biblioteca do Congresso, Sala de leitura principal. Foto de: Carol M. Highsmith (Wikicommons).
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© Biblioteca do Congresso, "Evolução do livro - escribas medievais", pintura de: Jonh White Alexander (1856-1915). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).
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© Biblioteca do Congresso, "Evolução do livro - Gutenberg", pintura de: Jonh White Alexander (1856-1915). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).
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© Biblioteca do Congresso, "Tragédia", pintura de: George Randolph Barse (1861-1938). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).
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© Biblioteca do Congresso, "Romance", pintura de: George Randolph Barse (1861-1938). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).
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© Biblioteca do Congresso,"Erótica", pintura de: George Randolph Barse (1861-1938). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).
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© Biblioteca do Congresso, "História", pintura de: George Randolph Barse (1861-1938). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).
Embora só integrantes do Congresso e membros de órgãos do Estado possam aceder detalhadamente às obras, qualquer leitor pode visitá-la. Para isso basta ter mais de 16 anos e o cartão de identificação de leitor. Nas salas de leitura há mais de quarenta milhões de exemplares para consultar, traduzidos em quatrocentos e setenta idiomas. E nas zonas de colecção, verdadeiros tesouros para apreciar. A biblioteca tem uma cópia da bíblia de Gutenberg, os diários manuscritos de George Washington e os primeiros desenhos sobre a Lua de Galileu.
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© Biblioteca do Congresso, Cópia da Biblia de Gutenberg. Foto de: Mark Pellegrini (Wikicommons).
Com o advento das novas tecnologias, o seu património está a ser digitalizado para poder chegar a todos. Mesmo que os livros de papel (futuramente) não sobrevivam, torna-se essencial preservar os principais documentos da humanidade pelo enorme valor histórico que representam. O director da biblioteca afirma estar a ser feito um grande trabalho para colocar o seu acervo virtualmente. Visite o site oficial e faça uma visita à maior esfera de conhecimento do planeta.

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sexta-feira, 25 de março de 2011

Perry Anderson escreve sobre Lula

Perry Anderson escreveu um texto sobre Lula. A íntegra pode ser lida em http://www.lrb.co.uk/v33/n07/perry-anderson/lulas-brazil.
Vou ler. Como ando enferrujado no inglês, devo terminar até o final do governo Dilma. Por isso, se alguém traduzir mande pra eu poder ler mais rápido.

sábado, 31 de julho de 2010

A Companhia - submundo da cia

A literatura de espiões sempre foi considerada subliteratura pois, além do clássico jeito de reviravoltas, com postulados seguidos a regras e resolvidos muitas vezes de maneira absurda, também sempre foi campeã de vendas, o que faz com que os críticos literários torçam o nariz. Neste cenário, John Le Carré talvez seja ainda o maior nome mas outros escritores trilham o caminho com brilhantismo.
Um deles é o norte-americano Robert Littell. Seu livro A Companhia, lançado no Brasil pela editora Record, faz juz. Em mais de setecentas páginas, o autor descreve o submundo da Agência Central de Inteligência do governo dos Estados Unidos, a famosa CIA. Desde a sua fundação aos mais recentes eventos que levaram a formação histórica do terrorismo islâmico fundamentalista, Littell cria uma saga de gerações no trabalho da espionagem.
Tudo começa com a Guerra Fria, evidentemente o grande foco do livro, já que a CIA foi fomentada justamente para combater o comunismo. No cenário de Berlim, Feiticeiro, uma lenda entre os espiões norte-americanos cuida de uma caso de exfiltração de um soviético. Porém, as coisas saem do controle e tudo dá errado. Cismado, o Feiticeiro resolve descobrir o que aconteceu, numa trama de traição que levará ao topo da cadeia de comando da agência. Paralelamente, outros personagens desenvolvem seus papéis que desembocam na desastrada ação de levante na Hungria e na suposta invasão da Baía dos Porcos, em Cuba.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Tucanos sem educação


As estripulias do tucanato na gestão da educação parecem não ter fim. Primeiro foram os livros de geografia com mapas incorretos; depois, os livros com termos chulos distribuídos aos alunos. Agora, tem escola sem merenda para os alunos porque o contrato emergencial das cozinheiras não foi renovado. Tudo isso em São Paulo Renato. O ex-ministro da educação de FHC está se notabilizando pelas trabalhadas de sua gestão na Secretatia de Educação Paulista.
Mas Paulo Renato tem seguidores. Dona Mariza Abreu, resolveu mudar as placas do carros recém-adquiridos pela SEC porque as placas tinham o prefixo IPT (!!!). Além disso, decidiu recomendar que não fossem colocados determinados livros distribuídos pelo MEC nas bibliotecas das escolas, por causa do conteúdo impróprio. Mariza tentou criar uma polêmica com o MEC, desviando a discussão que havia chamado a atenção para São Paulo. Essa senhora perdeu completamente o rumo. Pelo que eu li (posso não ter entendido), os livros destinados às bibliotecas e que contrariam a secretária não estão na mesma situação dos livros adquiridos pela Secretaria de Educação de São Paulo. Os livros do MEC vão para as bibliotecas, enquanto, em São Paulo, foram distribuídos aos alunos. É bem diferente. Seria como se a secretária quisesse impedir que as bibliotecas escolares tivessem em seu acervo Dona Flor e seus Dois Maridos, O Crime do Padre Amaro, O Cortiço, entre outras obras, por conteúdo impróprio para crianças e adolescentes.
Dona Mariza deixou claro que não era uma censura e que ela nem poderia fazer isso. Mas... e se pudesse?