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quarta-feira, 26 de março de 2014

Ucrânia aumentará preço do gás em 50% para a população

Medida foi exigida pelo FMI, para ajuda financeira a Kiev.

Aumento para os industriais será de 40%

Ucrânia irá aumentar em 50% o preço do gás à população a partir do dia 1º de maio, uma medida impopular exigida pelo FMI para fornecer ajuda financeira a Kiev, indicou nesta quarta-feira (26) o operador de gás nacional.
Para os industriais, o aumento será de 40% e se aplicará a partir de 1º de junho, informou Yuri Kolbuchin, um dos diretores da companhia de gás nacional Naftogaz, citado pela imprensa ucraniana. O governo espera firmar ainda nesta quarta-feira um acordo com o Fundo Monetário Internacional.
Em: G1

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Pussy Riot v. Vladimir Putin: uma luta religiosa?

publicado em recortes por
Maria Aliokhina, 24 anos, Nadezhda Tolokonnikova, 22, e Iekaterina Samutsevich, 29, foram presas depois de terem ocupado a Catedral de Cristo Salvador, em Moscovo, e cantado uma "oração punk".
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As três jovens russas que cantaram uma música anti-Putin numa catedral ortodoxa – a letra suplica à Virgem Maria que afaste Putin do poder – começaram a ser julgadas no dia 30 do mês passado.
Antes da sua detenção, Tolokonnikova era uma estudante de Filosofia, Alekhina estudou jornalismo e escrita criativa e estava envolvida em organizações religiosas de caridade e causas ambientais. Samutsevich, a mais velha dos três, tem uma licenciatura em programação de computadores. Estas jovens são membros de um grupo maior - também apelidado de Pussy Riot - com um programa dito "radical" patrocinado por ideias de esquerda que variam amplamente desde o anti-autoritarismo ao feminismo. As suas ações envolvem flash mobs em locais públicos e concertos com músicas em protesto.
Em janeiro deste ano, o grupo invadiu a Praça Vermelha, um local usado durante a Rússia czarista para anunciar decretos do governo, e executou uma canção intitulada “Putin Chickens Out”. Todos os oito ativistas foram presos por protestos ilegais mas acabaram por ser libertos. O grupo cita figuras como Michel Foucault e Julia Kristeva entre as suas muitas fontes de inspiração, assim como a banda americana de punk-rock Bikini Kill e o movimento “riot grrrl”, dos anos 90. Tolokonnikova e Alekhina são mães de crianças pequenas, com quem não estão desde a sua prisão.
As Pussy Riot, que aparecem sempre mascaradas (a intenção é a de sugerir que qualquer pessoa pode ser uma Pussy Riot), juntaram-se no final de setembro de 2011, logo após o presidente Vladimir Putin anunciar que pretendia candidatar-se a um terceiro mandato. Impulsionadas pelas teorias feministas escolheram um nome destinado a levantar as sobrancelhas e combater noções preconcebidas sobre mulheres e política.
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A Igreja Ortodoxa, acusando-as de blasfémia, pediu que fossem severamente condenadas, pelo que poderão, caso sejam culpadas, passar (imagine-se!) até sete anos na prisão (ainda que a acusação do Ministério Público peça só três). Não é difícil perceber a motivação política (e a mensagem altamente repressiva) subjacente a este julgamento. A banda foi acusada de vandalismo, desordem pública e de "actos de ódio religioso" na catedral mas também na Praça Vermelha onde deram um concerto não autorizado que fez parte de uma manifestação anti-Putin. Na manifestação, à medida que cantavam, as mulheres foram retirando a roupa, acabando em lingerie. A acusação destas mulheres é mais do que um acto de injustiça e de crueldade absurdas, é um sinal de que o Estado russo continua a censurar e reprimir os cidadãos que vê como muito avant-garde. Putin tem dito muitas vezes que a modernização é o objetivo do seu regime, mas a sua política vai descaradamente deslizando em direção a algo flagrantemente anti-moderno (e anti-ocidental) e mesmo medieval.
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Além disso, este caso ilustra uma fusão – muito pouco desejada num regime dito democrático – entre política e religião, traduzida na crescente dependência (vá, “lealdade mútua”) de Putin da Igreja Ortodoxa Russa. As semelhanças entre o líder político e o patriarca da Igreja Ortodoxa Russa são assustadoramente semelhantes: cada um deles preside a um "reino" fortemente centralizado e extremamente hierarquizado e ambos são intolerantes face a desafios à sua autoridade. A Igreja Ortodoxa Russa é, em geral, profundamente conservadora, com fortes traços xenófobos e declaradamente anti-ocidental. Nos últimos anos, o clero de topo foi segurando as rédeas às suas opiniões de modo a não comprometer o Estado e a sua retórica de modernização. Mas, como o próprio governo começou a reprimir os ativistas anti-governo deixará de haver necessidade de quaisquer rédeas ao conservadorismo social. Bem, os perigos do fundamentalismo religioso são bem conhecidos…
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Mais de 200 figuras russas da cultura e das artes assinaram uma carta manifestando a sua indignação com esta paródia da justiça e mais de 41 mil soldados russos subscreveram a dita carta. Em São Petersburgo, Petr Pavlensky, artista russo, coseu a boca em protesto contra a prisão das ativistas e segurou um cartaz dizendo que "a atuação das Pussy Riot foi uma repetição da ação de Jesus Cristo (Metódio 21:12-13)." A passagem deste cartaz é uma famosa cena em que Jesus expulsa os comerciantes e mercadores da igreja. Madonna recentemente passou em digressão pela Rússia e aproveitou para defender a libertação das Pussy Riot. Claro que uma organização ligada à Igreja Ortodoxa já veio pedir às autoridades para cancelarem os dois concertos da cantora na Rússia, acusando Madonna de interferir com os assuntos internos do país e de tentar influenciar os tribunais. Outros artistas internacionais - como Jarvis Coker, dos Pulp, Alex Kapranos, dos Franz Ferdinand, Johnny Marr, dos Smiths e a cantora folk Corinne Bailey Rae - já se manifestaram contra as acusações "grotescas" feitas a este grupo.
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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Cadernos escolares com retrato de Stalin geram polêmica

 

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Em Moscou têm aparecido à venda os cadernos escolares com uma foto do líder soviético Josef Stalin na capa, emitidos como parte de uma série intitulada " Os grandes nomes da Rússia ". Stalin é apresentado no retrato cerimonial em uniforme militar com todas as ordens e condecorações. As autoridades e líderes públicos estão condenando a iniciativa, mas nada podem fazer.
Os cadernos com o retrato de Stalin na capa apareceram nas livrarias juntamente aos outros, dedicados à Imperatriz Catarina II, o fundador do espaço prático, académico Serguei Korolev, o herói da Guerra Patriótica de 1812, o comandante Mikhail Kutuzov, o herói da Grande Guerra Patriótica de 1941- 1945, o mariscal Georgi Zhukov, o compositor Serguei Rakhmaninov, entre outros.
Os cadernos da série com imagem de Stalin não serão retirados da venda, disse à RIA Novosti o diretor da companhia fabricante Alt, Artem Bilan, apesar de terem provocado uma reação oficial negativa, particularmente por parte de alguns memros da Câmara Pública (órgão consultivo do presidente russo), que condenou a promoção do ditador. Em particular, um membro da CP, Sergei Volkov, disse à RIA Novosti que o aparecimento da imagem de Stalin nos cadernos podia ser equiparado à imagem de uma suástica.
O conhecido apresentador de TV, Nikolai Svanidze, conta que a imagem de Stalin em cadernos escolares é inválida por a criança poder aceitar Stalin como um herói. As autoridades de Moscou também reagiram negativamente. Mas o deputado da Assembleia da capital, Viktor Krugliakov, explicou que o controle sobre emissão dos cadernos está fora da competência do Ministério da Educação e Ciência. Segundo ele, no país não há uma lei que proíba o comércio da mercadoria com a imagem de Stalin.
"A Câmara Pública não é um órgão legislativo da Federação Russa, e expressa a opinião pessoal dos representantes da CP. E, acho, que é completamente contrária ao ponto da vista da maioria dos cidadãos russos, que há vários anos reconheceram Stalin uma das figuras mais destacadas da história da Rússia no âmbito do projeto de TV Grandes Nomes da Rússia", comentou Bilan.
De acordo com Bilan, esses cadernos é um produto de sucesso comercial e educacional, uma vez que  dá sucintas, concisas e objetivas informações sobre o que era Stalin e porque entrou na história do país e o que fez para ele.
Na capa dedicada a Stalin são apresentadas as fotos, por exemplo, com imagem de um cartão de polícia czarista para Jósef Dzhugashvili, apelidado de "Koba". Há imagens de Stalin fotografado com Maxim Gorky e com lendário piloto Valeri Chkalov. Também há fotografias do Gulag com os prisioneiros e as torres de campo.
No ensaio aponta-se que Stalin era uma figura controversa, não apenas no âmbito da história da Rússia, mas também mundial. Fala-se das repressões de Stalin, que chamam-se de terror. Apresentam-se evidências de que durante o sua ditadura 640.000 pessoas foram mortas e cerca de dois milhões e meio  presos no Gulag- um sistema de campos de trabalhos forçados para criminosos, presos políticos e qualquer cidadão em geral que se opusesse ao regime da União Soviética. Além disso, reconhece-se que Stalin promoveu uma poderosa indústria, os sistemas de saude público e educação e transformou o Exército soviético em um dos mais fortes do mundo, capaz de vencer fascismo de Hitler.
A figura de Stalin se está tornando cada vez mais atrativa para juventude russa por falta de uma forte ideia nacional, é que tinha ele, conseguindo unir várias nações em uma força, capaz de realizar grandiosas tarefas. Além disso, a geração que tinha sofrido as repressões da ditadura stalinista está morrendo e como fala um provérbio russo o que " sai da vista, fica longe do coração".
A empresa Alt, fundada em 1998 — é uma das principais fabricantes nacionais de produtos de papelaria.

Lyuba Lulko Pravda. Ru

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Washington aposta no comunista Zyuganov

 
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Há pouca dúvida que Washington prefere Vladimir Putin não ganhar as presidenciais, mesmo que isso signifique uma restauração comunista, acredita o diretor do Instituto Americano na Ucrânia e consultor na advocacia pública internacional e nos assuntos governamentais, Anthony T. Salvia, num artigo publicado no jornal The Jerusalem Post. Respondendo à pergunta feita  por ele mesmo: "Quem prefere Washington?  Putin ou Zyuganov", o autor opta claramente pelo líder do Partido Comunista, Gennadi Zyuganov.
" Washington tem a intenção de deslegitimar o actual governo russo, mesmo que isso resulte em um regime comunista", disse. "Onde Geoestratégia está em causa, a Rússia deve ser estrategicamente limitada e, assim, reduzida por meio de desmembramento (o modelo jugoslavo), ou mudada através de uma revolução laranja que leve à criação de um regime aliado no Kremlin (o modelo ucraniano). Afinal, é impossível cercar completamente a China (claramente é um objectivo dos EUA geoestratégico, tendo em conta o envio recentemente anunciado das forças americanas para a Austrália), se primeiro não certificarmos uma completa submissão da Rússia", disse.
Neste sentido, segundo Salvia o único que possa competir com Putin na eleição, é Gennadi Zyuganov, o líder do segundo poder político na Rússia, que recebeu quase 20 por cento dos votos nas últimas eleições parlamentares e aumentou significativamente a presença do partido na Duma de Estado. Neste caso, o autor está ciente do fato de que Zyuganov, é claro, é uma figura de transição, e Washington vai usar a sua vitória nas eleições "para alcançar a meta de longo prazo para bloquear Rússia com o objectivo de eliminá-la da arena mundial como um jogador independente ".
Salvia não tem nenhuma dúvida na capacidade de retirar em seguida o líder comunista. "No caso (improvável) de Zyuganov vencer em março, Washington poderia juntar o apoio entre o público americano e seus aliados europeus (incluindo Geórgia e Ucrânia -Red) contra os interesses russos, apontando à ameaça vermelha", disse.
De acordo com o analista político Serguei Markov, os americanos não pela primeira vez publicamente manifestam o seu apoio para Zyuganov. Em março deste ano, conhecido por suas declarações antirussos, vice-presidente americano, Joe Biden, se reuniu em Moscou com representantes do Partido Comunista. "Eu, quando vim nos anos 70 à URSS, nem podia imaginar que um dia iria apoiar os comunistas e desejar que ganhem ..., disse Biden, segundo Markov. Markov explicou que o problema não é tanto Zyuganov, como Putin.
"Elites americanos querem derrotar Putin, e eles não se importam em quem vai lhe causar danos. Eles não gostam que Putin representa a consolidação das forças antiamericanas, então estão dispostos a usar qualquer um, para atacar Putin. E embora sejam muito negativos a próprio Zyuganov, estão esperando de lidarem com isso mais tarde"- disse Markov ao Pravda. Ru .
"O sistema global mundial assinou a Putin uma sentença de morte. E o fato de que os analistas americanos chegaram a uma discussão séria sobre apoio de Zyuganov, cuja ideologia é mais antiocidental do que a de Putin, significa que os americanos prestam pouca atenção às palavras, mas muita aos actividades. Putin enfrentou bem o colapso da Rússia, está retornando com uma agenda patriótica, retendo a onda interna da propaganda pró-americana, realizada por agentes de influência, e não lhes faz concessões. É por isso que a sua volta é um grande desafio para os Estados Unidos e o mundo ocidental", comentou ao Pravda. Ru outro analítico, líder do Movimento Internacional a favor da União Euroasiática, Aleksandr Dugin.

Lyuba Lulko Pravda.Ru.