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domingo, 29 de outubro de 2017

Ladislau: e os bancos sugam a riqueza do mundo




Em vídeo-palestra, autor de “A Era do Capital Improdutivo” expõe os mecanismos que permitem à oligarquia financeira produzir desigualdade máxima, devastar a natureza e inviabilizar a democracia
Vídeo: Ladislau Dowbor | Texto: Ricardo Machado, no site do Instituto Humanitas Unisinos (IHU)

 A estranheza do tempo presente é tão grande que vivemos a época em que é o rabo que balança o cachorro. Quer entender como isso funciona em termos sociais e econômicos? O professor Ladislau Dowbor explica: “O sistema financeiro é de mediação, não produz nada. Então as áreas produtivas se tornam o meio para os especuladores ganharem dinheiro. Por isso eu digo, que é o rabo que balança o cachorro”, brinca Dowbor, ao fazer uma alegoria para demonstrar a centralidade do poder financeiro.
O professor Ladislau Dowbor apresentou seu livro A era do capital improdutivo. A nova arquitetura do poder: dominação financeira, sequestro da democracia e destruição do planeta (São Paulo: Outras Palavras, Autonomia Literária e Fundação Perseu Abramo, 2017), na noite da quinta-feira (19) na Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros, no Instituto Humanitas Unisinos –  IHU em Porto Alegre.
A intereferência do sistema financeiro nas relações sociais gera profundos desequilíbrios. “Na questão ambiental, estamos diante de um desastre porque não estamos acostumados a pensar em longo prazo. Nós temos uma tremendo gap entre nossas capacidades técnicas e nossas capacidades de governança”, pondera Dowbor. “No plano social é inadmissível que oito famílias tenham a metade de recursos financeiros do mundo, sendo que nenhuma delas produz nada, são todas donas de negócios intermediários”, complementa.

Crise civilizacional
A crise financeira mundial instaurada a partir de 2008, não é somente no campo da econômico, mas o reflexo de uma crise civilizacional mais ampla. “A desigualdade não é somente um problema ético, é um problema político. E como respondemos a essa questão? Construindo muros? Colocando barcos no mediterrâneo para as pessoas não chegarem à Europa?”, questiona.
“Nosso problema não é falta de recursos. É um problema de governança. O ser humano é insuperável na capacidade de construir computadores, mas ainda temos pobreza e fome. Inclusive os custos indiretos de não resolver a pobreza são muito maiores do que os necessários para combater essas mazelas”, provoca.
Para Dowbor, a questão de recursos financeiros não é um problema frente os desafios atuais, porque há dividendos financeiros, o único ponto é destiná-los para reduzir o impacto ambiental e social. “A partir de 2008 não mudou nada em termos de estrutura, mas começamos a entender algumas coisas. Stiglitz é um dos que têm estudado os efeitos do desajuste financeiro, onde o capital improdutivo rende mais que o produtivo”, exemplifica.
Estamos, segundo o professor, diante de uma nova ordem de influência das corporações na política, em que elas incidem diretamente nos políticos por lobbies peer-to-peer, entre empresários e ocupantes de cargos eletivos. É esse fenômeno que Stiglitz analisa nos EUA, mas que ocorre de maneira similar no Brasil. “O sistema financeiro está comprando universidades pelo mundo todo, sem falar no Brasil. Há revistas acadêmicas compradas com dinheiro desses grupos. Há compra da mídia do modo clássico e as invasões de privacidade no nível das mídias digitais. Hoje em dia, laboratórios vendem informações de pacientes para seguradoras. As transformações nos regimes de poder são absolutamente radicais”, destaca o conferencista.

O fim do capitalismo democrático
Para o professor, o capitalismo tardio não está perto de fim; o que mostra sinais de esgotamento frente o avanço dos processos de financeirização é o capitalismo democrático. “Não é o fim do capitalismo, mas o fim do capitalismo democrático. Antes eles precisavam de milhares de pessoas, hoje a regra mudou e são as próprias corporações quem decidem o que pode e o que não. Isso porque o sistema financeiro é global e o controle dos bancos centrais são nacionais”, frisa.
Ao refletir sobre os quatro motores que colocam em marcha a economia, Dowbor demonstra porque  nossa engrenagem social emperrou. “O primeiro motor é o da exportação, mas é muito instável porque não controlamos os preços e dependemos do mercado externo. O segundo motor, é o consumo das famílias, que com o desemprego e a instabilidade econômica está travado. Quebrando o segundo motor, que são as famílias, o terceiro, o do mercado produtivo, entra em colapso porque não tem consumo e o juro é muito alto. O quarto motor, o investimento estatal, que deveria ser utilizado para o investimento em estruturas, é usado para o pagamento de juros da dívida para bancos”, pontua Dowbor.
Além disso, o professor lembrou que os juros no Brasil são pornográficos, fruto de agiotagem pura. “Há um mecanismo muito simples, mas eficaz, de desvio dos recursos públicos para os bancos. Isso drena a capacidade financeira do estado. O sistema tributário não corrige, agrava o problema. Ainda tem todo o valor que vai para paraísos fiscais. Esses especuladores não só não investem, como deixam o dinheiro parasitar”, critica.
Por fim, para fugir de um binarismo que em nada contribui com o debate, Dowbor descarta qualquer possibilidade de um debate radicalizado e polarizado. “Nós somos muito grandes e complexos para ficarmos num esquemão ideológico estatal ou privado. Precisamos pensar de maneira diversificada”, sugere e finaliza.

sábado, 16 de setembro de 2017

Os desafios cruciais da era Uber

De: Outras Palavras

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Como evitar que sejamos todos obrigados a leiloar nosso trabalho, por preços e condições cada vez rebaixadas? Criando plataformas alternativas? Ou exigindo ação do Estado?
Por Frank Pascuale, no Boston Review of Books | Tradução: Inês Castilho | Imagem: Hieronymus Bosch, Inferno, 1490 (detalhe)
__Resenha de dois livros:

Platform Capitalism
Nick Srnicek
Polity Books, $49.95 (cloth), $12.95 (paper)
Ours to Hack and to Own
Trebor Scholz and Nathan Schneider
OR Books, $17 (paper)
__
Imagine acordar todo dia aflito por ver se venceu o leilão pra fazer seu trabalho. Na noite anterior, você se inscreveu numa plataforma de trabalho – um site tipo TaskRabbit [em que profissionais oferecem serviços eventuais, sem nenhum direito ou vínculo empregatício] – e por precaução pediu uma remuneração relativamente modesta, ao mesmo tempo em que concordava com uma lista de regras impostas pelos patrões. Qualquer pessoa ao redor do mundo pode concorrer ao emprego. Você espera que seu desempenho no passado lhe dê vantagens suficientes sobre concorrentes menores para justificar a continuidade do seu emprego. Mas você nunca sabe.
Para profissionais estabelecidos, esse cenário soará um pesadelo: a série distópica Black Mirror encontra-se o evangelismo do “direito ao trabalho”. Mas muitos trabalhadores já enfrentam alguma coisa desse tipo. A falsa presunção do “emprego à vontade” – que permite a demissão de trabalhadores “por qualquer razão, ou sem razão nenhuma”, como estabeleceram diversos tribunais – deixa um vasto número de assalariados vulneráveis à súbita rescisão do emprego. Globalmente, a precariedade laboral é muito comum, especialmente para os 60% da população mundial que vivem com menos de 5 dólares por dia.
É claro que há gestores e trabalhadores muito bem avaliados, a quem as empresas tendem a tratar bem. Os sindicatos também barganharam para proteger seus membros de exploração e tratamento arbitrário, e até para exercer algum controle sobre o ritmo enatureza do trabalho. Contudo, plataformas de trabalho como a Uber, a TaskRabbit e a Mechanical Turk, da Amazon tornaram-se sinônimos de trabalhos atomizados em pequenas tarefas. Elas podem muito bem ser o futuro de “recursos humanos”, prometendo a pessoa certa para o emprego certo pelo tempo certo – e não mais. O excelente What’s Yours Is Mine (2015) (Uberização: a nova onda do trabalho precarizado, a ser lançado em outubro, pela Editora Elefante) mostra em detalhes como essas plataformas usaram uma combinação de relações públicas, lobby e táticas agressivas de negócios para abrir seu caminho para o trabalho organizado parecer como o próximo passo na evolução dos negócios. Eles agora estão inspirando outras empresas a desenvolver plataformas internas para organizar o trabalho, inclusive deixando para os algorítmos a admissão de novos empregados e a avaliação dos atuais.
Tanto ativistas como acadêmicos criticaram a “plataformização” como um avanço a mais do poder empresarial sobre os trabalhadores. Mas haverá aqui algum potencial emancipatório, seja para os trabalhadores demandarem melhor pagamento e condições, ou para tomarem as plataformas para si mesmos”? Dois livros recentes jogam luz sobre essa questão e tratam da sustentabilidade da “economia dos bicos” [“gig economy”]. Em Platform Capitalism (“Capitalismo de plataforma”, em tradução livre), o pensador social Nick Srnicek detalha as tendências econômicas que aceleraram o crescimento das plataformas e prevê para onde elas devem ir a partir daqui. Ours to Hack and to Own (“Para hackear e Possuir”, em tradução livre), uma coleção, convida dezenas de pensadores e ativistas a refletir sobre como a forma de cooperativa – que capacita os trabalhadores a governar seus locais de trabalho – poderia humanizar o trabalho organizado digitalmente. Ambos os livros destacam como a tecnologia torna viáveis as plataformas e por que elas promovem a exploração. Também indagam e se o ativismo trabalhista poderia melhorar esses novos empreiteiros digitais.
Uma florescente literatura de negócios utiliza o termo “plataforma” genericamente, designando assim um amplo conjunto de empresas bem sucedidas. A teoria crítica de Srnicek foca no papel das plataformas como intermediárias, que abocanham parte das transações de terceiros e usam os dados coletados a partir dessas interações para antecipar as tendências de negócios. “Ao proporcionar um espaço digital para outros interagirem”, explica Srnicek, “as plataformas posicionam-se de modo a extrair dados”. Dando consistência a essa definição abstrata, Srnicek examina as características particulares de cinco tipos de plataformas:
Tipo de Platforma
Exemplos
Função Princial
Plataformas de PublicidadeGoogle, FacebookAnúncios
Platformas de NuvemAmazon Web Services; SalesForceProgramas e Computadores usados para negócios digitais
Plataformas IndustriaisGE, SiemensProgramas e Computadores para acelerar a racionalização e monitoramento da atividade industrial
Platformas de ProdutosSpotifyTransformam bens tradicionais em serviços e captam dinheiro de assinaturas
Plataformas de BicosUber, AirbnbEvitam possuir ativos críticos e transferem riscos a compradores e vendedores
As plataformas agem como o governo de um certo mercado, e suas taxas podem ser vistas como impostos sobre os participantes, para os quais elas providenciam pedidos, divulgação e outros serviços. Como os Estados, cuja meta é o monopólio do uso legítimo da força, as plataformas aspiram a um monopólio comercial no “espaço” que consideram próprio. Graças a economias de escopo e escala, um grande fornecedor de bens expõe-se a muito menos riscos de ser prejudicado por outros fornecedores, a partir do momento em que atinge uma certa massa crítica. Uma nova plataforma de vendas de varejo, por exemplo, pode cobrar dos comerciantes uma comissão menor do que a da Amazon. Mas por que um vendedor perderia tempo montando uma loja na plataforma iniciate, quando não tem a menor garantia de que os clientes aparecerão?
Conscientes da impossibilidade, muitas start-ups potenciais nem mesmo tentam destruir gigantes digitais. Quem o faz podem aprender do modo mais difícil que tentar capturar até mesmo um pequeno nicho do império das megaplataformas pode provocar uma retaliação esmagadora. Por exemplo, o varejista online Diapers.com, de cuidados com o bebê, entrou na mira da Amazon logo que se tornou moderadamente bem sucedido. Embora tenha tentado competir no início, mais tarde cedeu, tornando-se mais uma parte do império empresarial de Jeff Bezos.
Esse padrão tende a se repetir, à medida em que a economia digital se consolidar. Os investidores estão tratando o “Stories”, do Facebook, como um matador do Snapchat. Bastou que a Amazon registrasse uma marca para entrega de kit-refeições para provocar a queda das ações da rival Blue Apron. A concentração na indústria financeira acelera essas tendências: investidores institucionais possuem 80% de todas as ações das 500 corporações que compõem o índice Standard & Poors. Significa que basta o pânico de alguns gestores de fundos para provocar uma fuga de capitais das pequenas empresas, em direção às gigantes que, é previsível, vão se tornar seus predadores.
Esse comportamento cria mais uma vantagem para grandes plataformas. Ele reduz o custo do capital usado para investir em capital ou assumir o controle de outras firmas. As megaplataformas adquirem rivais em ritmo veloz. Usam seu domínio de dados como alavanca para gerar grandes lucros; e estes ganhos transformam-se em maior dominação dos mercados publicitários. É a dinâmica do autorreforço: mais dados significam melhores resultados e mais serviços direcionados, que por sua vez atraem uma base maior de clientes — o que oferece oportunidades ainda melhores de coletar dados. Uma vez que uma massa crítica de usuários está capturada, a plataforma dominante pode abocanhar uma fatia maior dos ganhos tanto do consumidor como do produtor. Por exemplo, sob pressão de investidores, interessados em reduzir suas perdas operacionais, a Uber aumentou a porcentagem que cobra dos motoristas e reduziu a remuneração de parte deles, com base em avaliações algorítmicas sobre suas habilidades. O mesmo modelo está agora afetando os serviços do Google (à medida em que os anúncios escondem outras informações), e as políticas de privacidade do Facebook (que se tornam mais notoriamente parciais à medida que se expande a dominação desta rede social).
Mas embora o Facebook saiba muito bem o que a maioria de seus usuários não está a ponto de deixá-lo, passando a postar fotos de bebês e convites para festas de aniversário no LinkedIn, Srnicek prevê alguns problemas no caminho das grandes plataformas. Ele acredita que elas irão lutar cada vez mais no território umas das outras, tentando roubar clientes em busca do santo graal do captador de dados: perfis perfeitos de qualquer pessoa ou entidade, o que possibilita previsões precisas de quanto exatamente ele/ela está querendo pagar por um bem ou serviço. As batalhas sobre dados e propriedade de algorítimos também se intensificarão. As acusações da Google de que a Uber roubou tecnologias altamente secretas carros sem motorista mostra quão feroz pode tornar-se essa competição.
A grande questão relacionada às “guerras de plataforma” é se elas irão enfraquecer suficientemente essas megacorporações para que novas se infiltrem – ou apenas acelerar o desenvolvimento, no Ocidente, de algo como a megaplataforma da China, WeChat. Como explica Connie Chan, o WeChat possibilita aos usuários “chamar um taxi, pedir entrega de comida, comprar ingressos de cinema, jogar games, fazer o check in de um voo, mandar dinheiro para amigos, acessar monitores de atividade física, agendar consulta com médico, acessar dados bancários, pagar a conta d’água, reconhecer músicas, buscar um livro na livraria local, encontrar estrangeiros perto de você, acompanhar notícias de celebridades, ler artigos de revistas e ainda doar para obras de caridade” — tudo em um aplicativo. Imagine, digamos, a fusão da Microsof, Apple, Google e Amazon em uma enorme empresa (MAGA), pronta a eliminar os últimos reminiscentes da economia compartilhada, em uma “economia da ocupação”. Tal empresa poderia exercer um poder enorme: com acesso sem precedentes aos consumidores, seria um ator indispensável e poderia usar essa posição de poder para forçar grandes barganhas com outras empresas. Por outro lado, se esses Golias não se fundirem ou cooperarem, acabarão perdendo muito tempo lutando entre si; Então os Davis, ainda que almejem uma pequena fatia de participação no mercado, poderão alcançá-los.
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Mas seriam as pequenas plataformas de alguma forma melhores que as gigantes — que agora sugam dados, oportunidades e lucros para o último titã pantagruélico do capitalismo? Em trabalho anterior com Alex Williams, Srnicek duvidou da eficácia de intervenções locais, de pequena escala, para mudar para melhor a política ou a economia. Eram de opinião de que a “política das bases” horizontalista, do tipo Occupy, faz pouco para humanizar padrões globais de exploração e subordinação. Srnicek e William também não tinham muita fé na força das moedas locais ou da produção em pequena escala para disputar com conglomerados multinacionais.
Em Platform Capitalism, Srnicek acredita que a plataformatização é um bom presságio para o localismo. Ele argumenta que, ao invés de tentar construir mais alternativas cooperativas às plataformas, a esquerda deveria tentar regular os gigantes (e até mesmo considerar sua nacionalização):
Alguns argumentam que precisamos lutar contra essas tendências monopolísticas construindo plataformas cooperativas. No entanto, todos os problemas tradicionais das cooperativas agravaram-se devido à natureza monopolista das plataformas… O Estado, em contraste, tem o poder de controlar plataformas. Decisões antitruste podem romper os monopólios, os regulamentos locais podem prevenir ou mesmo proibir as plataformas exploradoras, as agências governamentais podem impor novos controles de privacidade e ações coordenadas contra a evasão fiscal podem devolver às mãos públicas o controle sobre o capital. Ao invés de apenas regular plataformas corporativas, deveriam ser feitos esforços para criar plataformas públicas – plataformas cuja propriedade e controle são da sociedade. (E, ressalte-se, independentes do aparato de vigilância do Estado.)… Talvez hoje devamos coletivizar as plataformas.
Mas enquato Srnicek acredita que as plataformas cooperativas estão condenadas de saída, Ours to Hack and to Own apresenta várias cooperativas de consumo, produção, trabalho e mistas que se tornaram estáveis e bem sucedidas. A relação inclui o Stocksy (um banco de dados coletivo de fotógrafos, que vende permissão para o uso das imagens) e o Fairmondo (um mercado online alemão de propriedade de seus usuários, com um conselho de administração eleito por seus empregados).
Ainda assim, a escala é uma vantagem poderosa. O Fairmondo oferece mais de 2 milhões de itens para venda, muito menos que os 480 milhões disponíveis na Amaon. Como podem os cooperativistas de plataforma esperar que a população rompa seus hábitos de consumo, em favor de empresas que podem, ao menos em seu início, ser mais lentas e mais custosas?
Trebor Scholz e Nathan Schneider oferecem uma perspectiva prática e realista em Ours to Hack and to Own. Eles reconhecem que as “grandes companhias que reinam na internet não estão dominando apenas devido a uma boa ideia e um fundador carismático; elas crescem em ecossistemas que lhes dão suporte, incluindo investidores, advogados, governos simpáticos e escolas de tecnologia”. Com esse insight, as visões de Srnicek e as plaformas cooperativistas convergem. Se os governos tivessem, por exemplo, forçado megaempresas como Apple e Uber a pagar impostos, elas não teriam sua enorme vantagem sobre as novatas. A regulação ocupa um espaço entre o liberalismo total e a nacionalização; ambos os livros reconhecem seu valor.
O ensaio da socióloga digital Karen Gregory sobre escolas de produção de códigos, em Ours to Hack and to Own, oferece também uma avaliação realista sobre a relação entre os padrões de vida dos trabalhadores e seu poder. Karen argumenta: ainda que a capacidade de codificação seja democratizada por plataformas cooperativas, os trabalhadores ainda precisarão organizar-se para demandar uma parcela mais justa da receita da empresa. Além disso, a história do trabalho mostra o quão rapidamente experimentos nobres em governança trabalhista podem ficar deformados – pense, por exemplo, em como o capital assumiu controle sobre os fundos de pensão dos sindicatos, com ajuda de leis do Estado.
Claro: o que o Estado tira, ele também pode dar. Novas combinações de regulação e desregulação podem tornar o mundo de negócios mais seguro para plataformas de cooperação. Por exemplo, o SELC, Centro Legal de Economias Sustentáveis (Sustainable Economies Law Center, cuja fundadora Janelle Orsi é colaboradora de Ours to Hack and to Own) interveio numa batalha na Califórnia sobre a desregulamentação dos restaurantes. Chefes queriam servir refeições em suas próprias casas; decretos locais sobre serviços de alimentação frequentemente os impediam de fazê-lo. Se o Estado simplesmente oferecesse tal possibilidade, empresas como a OpenTable ou TaskRabbit poderiam tirar vantagem do repentino de mão de obra para tornar-se a plataforma para refeições feitas em casa. Mas o SELC está, ao contrário, pressionando por “uma legislação exigindo que qualquer web, no mercado da comida feita em casa, seja ou uma cooperativa, ou uma organização sem fins lucrativos“. Isso ajudaria a assegurar uma governança mais democrática sobre as plataformas de restaurantes domésticos, ou uma margem maior de rendimentos para cozinheiros e garçons (ao invés de capitalistas de risco, comerciantes e outros estrategistas generosamente pagos para ajudar as plataformas com fins de lucro).
Uma questão, contudo, continua aberta para os cooperativistas de plataforma, especialmente se elas passam a controlar um alto percentual de um dado mercado (seja local ou nacional). Quando terminam os direitos dos trabalhadores e começam as prerrogativas da comunidade? Por exemplo, imagine uma cooperativa de táxi bem sucedida, que desbanque o Uber e decida definir um piso para motoristas (com base, digamos, no custo do seguro, combustível e pagamento do carro para o motorista típico). As autoridades antitruste interviriam para forçar os motoristas a competir um com o outro? A própria ideia de motoristas independentes cooperativando-se para concordar em não trabalhar em certas condições, ou não aceitar salário abaixo de certo nível, conspira para manter altos os preços. Os cooperativistas da plataforma precisarão planejar cuidadosamente para evitar intervenções aqui.
Um precedente positivo para plataformas de cooperação podem ser os conselhos profissionais que definem as pessoas aptas a exercer profissões como Direito e Medicina. Os fundamentalistas de livre mercado há muito irritam-se com os padrões mínimos definidos por entidades quase-governamentais para a licença de médicos ou exigências de educação contínua para enfermeiras. Usaram a lei antitruste para tentar desmantelar políticas de autorização para exercício da profissão, argumentando que os médicos conspiram para excluir competidores. Para o ultraliberal fundamentalista, os pacientes merecem a liberdade de contratar charlatões, e o licenciamento médico é uma conspiração contra a liberdade. Felizmente, a Suprema Corte dos EUA não adotou essa abordagem e defendeu, ao contrário, que os regimes de licenciamento profissional são imunes de ataques de antitruste enquanto foram autorizados por governos do Estado e sujeitos a controle governamental ativo. Cortes e agências de regulação sensíveis poderiam ajudar a equilibrar os direitos e responsabilidades de ambos — trabalhadores e consumidores — quando as plataformas cooperativistas tornarem-se mais populares.
A regulação e jurisprudência resultantes podem tornar-se bem complexas. Mas obras como Platform Capitalism e Ours to Hack and to Own poderiam convencer os leitores atentos de que atual economia digital, precariamente regulada, não é sustentável. Sujeitar os assalariados a um leilão nacional (ou mesmo global) de salários e condições de trabalho, para ver quem oferece trabalho mais eficiente e barato, é uma receita de exaustão e pobreza. É também um prelúdio para a deflação e o colapso econômico, uma vez que o trabalho precário provoca um revival, no século 21, do paradoxo da poupança destrutiva, de Keynes. Por que deveríamos nos sujeitar ao risco de salários em constante declínio, insuficientes até para o consumo essencial? E à medida em que essa penúria se generalize, como evitar o encolhimento de economias inteiras?
Não sei como responder a essas questões – e suspeito que os paladinos da economia digital nem sequer começaram a lidar com elas. Mas as perspectivas sinistras que se esboçam no horizonte ressaltam a importância desses dois livros, que evidenciam os aspectos políticos do trabalho. Nem o capitalismo de plataforma nem o cooperativismo de plataforma são consequência inevitável de forças econômicas naturais. O equilíbrio relativo de cada depende de como aplicamos (ou mudamos) leis sobre impostos, trabalho, regulação, ação antitruste e outras. Um trabalho melhor é possível – mas apenas se o exigirmos coletivamente.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Consumo: as falsas opções do brasileiro

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Há milhares de rótulos nos supermercados, mas dez corporações vendem 60% a 70% do que você compra. Quais são? E por que tanta concentração?
Talvez passe despercebido àqueles que vão ao supermercado que um conjunto pequeno de grandes transnacionais concentra a maior parte das marcas compradas pelos brasileiros. Dez grandes companhias – entre elas Unilever, Nestlé, Procter & Gamble, Kraft e Coca-Cola – abocanham de 60% a 70% das compras de uma família e tornam o Brasil um dos países com maior nível de concentração no mundo. O que sobra do mercado é disputado por cerca de 500 empresas menores, regionais.
Quer um exemplo dessa concentração? Quando um consumidor vai à seção de higiene pessoal de um estabelecimento comercial e pega nas gôndolas um aparelho de barbear Gilette, um pacote de absorventes Tampax e um pacote de fraldas Pampers, ele está comprando três marcas que integram o portfólio da gigante norte-americana Procter & Gamble – que também é dona dos produtos Oral-B, para dentes.
O poder da Unilever
Uma dona de casa vai uma vez por mês ao supermercado fazer as compras para sua família: ela, o marido e duas crianças. Para a cozinha, ela compra Knorr, Maizena, suco Ades e a maionese Hellmann’s. Para a limpeza da casa, sabão em pó Omo e Brilhante. Compra ainda Comfort para lavar a roupa. Passa na área de cosméticos e pega o desodorante Rexona para seu marido, e sabonete Lux para ela. Compra pasta de dente Closeup, a marca preferida da filha.
Quase ao sair do supermercado, o filho liga e diz que quer sorvete. Ela compra picolés Kibon. Todas as marcas adquiridas por ela pertencem à Unilever, que em 2013 foi o maior investidor no mercado publicitário do Brasil, com R$ 4,5 bilhões aplicados. Omo possui 49,1% de participação de mercado em sua categoria, segundo pesquisa do instituto Nielsen em 2012.  A Hellmann´s detém mais de 55% do mercado. A Unilever vende cerca de 200 produtos por segundo no Brasil.
unilever
Mercado de bebidas
ambev
O que o refrigerante Coca-Cola, o energético Powerade, o suco Del Vale, a água Crystal e o chá Matte Leão têm em comum? Eles são marcas da Coca-Cola, que apenas no segmento de refrigerantes detém cerca de 60% do mercado nacional. E sabe quando está um dia de calor e você quer tomar uma cerveja? Há uma grande chance de que ela seja produzida pela Ambev, que concentra cerca de 70% do mercado com produtos como Brahma, Antarctica, Skol e Bohemia. A companhia Brasil Kirin (ex-Schincariol) possui pouco mais de 10%, e o Grupo Petrópolis, cerca de 10%.

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TEXTO-MEIO
Quer um chocolate?
Na hora dos desenhos, uma criança se senta à frente da televisão e pede para a mãe alguma coisa para comer. Uma vez no mês, ela decide trocar as frutas por doces.
A mãe então oferece algumas opções: um chocolate Suflair ou um Kit Kat? Um chá Nestea ou um Nescau? Um Chambinho ou iogurte Chandelle? Uma bolacha Tostines ou Negresco? No fundo, ele está perguntando à criança qual marca e linha de produtos da Nestlé ela quer, porque todas acima citadas pertencem à gigante suíça.
Segundo pesquisa do instituto Mintel*, de fevereiro de 2014, “o mercado de chocolate no Brasil é altamente concentrado, com participação conjunta das três empresas principais no valor de venda de 80%”. A Mondelez, surgida da cisão da Kraft Food e que em seu portfólio reúne marcas como a Lacta, detém 35%. A Nestlé detém 22%, enquanto a Garoto, de propriedade da mesma Nestlé, detém 23%.
Empresas brasileiras também concentram mercado
A BRF – nascida da união entre Sadia e Perdigão – é líder em vários segmentos das gôndolas: está presente em 28 das 30 categorias de alimentos perecíveis analisadas pelo instituto Nielsen, como massas, congelados de carne, margarinas e produtos lácteos. A BRF está na mesa de aproximadamente 90% dos 45 milhões de domicílios do Brasil. Ela é responsável por 20% do comércio de aves no mundo. Em pizzas, a empresa detém 52,5% do mercado e 60% do de massas congeladas no país.
Outra empresa brasileira com grande presença na mesa dos brasileiros e de outros países é a JBS, dona de várias marcas conhecidas, como Friboi, Seara, Swift, Maturatta e Cabana Las Lilas. Com essa variedade de produtos e a presença em 22 países de cinco continentes (entre plataformas de produção e escritórios), ela atende mais de 300 mil clientes em 150 nações.
brf
Governo brasileiro incentivou concentração empresarial
Para alguns economistas, tem havido um aumento da presença do Estado na economia brasileira, um movimento que ganhou força no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando o BNDES passou a conceder financiamentos a juros mais baixos para promover as chamadas “campeãs nacionais”.
Nesse caso, foi estimulada a fusão entre as operadoras de telefonia Brasil Telecom e a Oi, e a criação da BRF, fruto da união entre Sadia e Perdigão. Esse movimento de empresas brasileiras mais fortes no exterior cria gigantes, mas não necessariamente essa liderança traz vantagens para os consumidores brasileiros, que continuam com poucas opções quando vão ao supermercado. Será que essa ação do Estado beneficiou o consumidor final?
Em paralelo, as empresas estatais têm ganhado peso. No setor bancário, CEF e Banco do Brasil estão entre as cinco maiores instituições do país, sendo que a Caixa é líder em financiamento habitacional, e o BB, no setor agrícola. Em energia, a Petrobras é a maior empresa do setor, enquanto a Eletrobrás detém a liderança em geração de energia elétrica.
Mas essa concentração de poder nas empresas públicas é diferente das privadas. Um exemplo está no setor de energia, em que a Petrobras tem tido uma política de reajuste dos preços dos combustíveis alinhada à política de inflação do governo federal. Empresas estatais bem administradas poderiam render bons lucros, que se tornariam dividendos para o governo federal, que, por sua vez, com esse dinheiro dos lucros, poderia investir em setores essenciais, como saúde e educação.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O Banco de Portugal expulsa a família Espírito Santo do BES

Uma sucursal do Banco Espírito Santo em Lisboa. / EFE

Primeiro foram retirados da direção do banco e agora perderam o direito a voto. A família Espírito Santo foi expulsa de fato do banco que leva seu nome. O Banco de Portugal tomou esta decisão depois de serem conhecidas perdas de 3,57 bilhões de euros (10,8 bilhões de reais) no último semestre. Em um comunicado emitido na manhã desta quinta, o Banco de Portugal eliminou o direito a voto da família Espírito Santo que, através de seu grupo ESFG, ainda possui 20,1% das ações da entidade. A decisão se refletiu rapidamente nos mercados financeiros: as ações do grupo caíram 45% e as Bolsas reagem com perdas nesta jornada.
O governador Carlos Costa também decidiu “suspender, com efeitos imediatos, os membros dos organismos de administração com responsabilidades em auditoria e gestão de riscos, assim como os titulares dos organismos de fiscalização”. Esta suspensão afeta os atuais administradores Rui Silveira, António Souto e Joaquim Goes, que dirigiam essas áreas. Por enquanto serão substituídos temporariamente até que os acionistas proponham novos gestores na próxima assembléia geral.
O supervisor também decidiu indicar uma comissão de fiscalização composta por pessoas da PriceWaterhouseCoopers até que os acionistas promovam uma substituição dos membros da comissão de auditoria.
A intervenção do Banco de Portugal no coração executivo do Banco Espírito Santo é, independente do nome que seja dado, uma intervenção absoluta do Estado, por causa das perdas do banco e dos indícios de irregularidades nas contas semestrais. Também solicita ao atual administrador, Vítor Bento, que seja apresentado o quanto antes um plano de ampliação do capital já que sua atual proporção está 5% abaixo do mínimo aconselhado pelas autoridades europeias, que é de 9%. Depois da ampliação de capital no dia 16 de junho, o BES informou que a proporção era de 10,3%.
A ação chegou a cair 51%, a maior queda na história da Bolsa de Lisboa.
Especula-se que haverá uma ampliação superior aos 3 bilhões de euros. A pretensão de Bento é que seja inteiramente privada, mas segundo alguns analistas financeiros isso vai ser muito difícil. Merrion Stockbroker descarta a opção “completamente privada”, enquanto que o Credit Sight aposta que a ampliação de capital chegará aos 4 bilhões.
O Banco Central não descarta que depois de finalizada a auditoria em curso poderão surgir indícios de delitos dos membros do antigo conselho de administração, principalmente contra seus dois principais dirigentes, Ricardo Salgado e Amílcar Morais Pires. Tanto o supervisor quanto Bento afirmaram que os responsáveis seriam levados aos tribunais se os atuais indícios forem confirmados.
Com essas perspectivas, às dez da manhã, quando as ações do banco começaram a ser negociadas, a queda foi instantânea. Chegou a cair 51%, cotando a 0,17 euros. Depois se recuperou até chegar a -24%. O BES arrastou todo o setor bancário e a própria Bolsa, mas sobretudo sua sócia Portugal Telecom, com -7%, que possui ao redor de 10% de uma participação que pretende vender, mas que vale cada vez menos.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

OIT estima que trabalho forçado gera US$ 150 bilhões de lucro por ano

Blog do Sakamoto

Relatório divulgado pela Organização Internacional do Trabalhonesta segunda (19), estima que o trabalho forçado na economia privada gera lucros anuais ilegais de 150,2 bilhões de dólares. A entidade havia estimado, em 2012, em cerca de 20,9 milhões o número de trabalhadores sob essas condições em todo o mundo (22% por exploração sexual forçada, 68% por outros tipos de exploração do trabalho e 10% por trabalho imposto pelo Estado) e é com base nessa quantidade que a estimativa de lucro foi feita.
“Profits and Poverty: The Economics of Forced Labour” [Lucros e Pobreza: Aspectos Econômicos do Trabalho Forçado] afirma que dois terços desse total (ou seja, 99 bilhões) sejam oriundos da exploração sexual comercial, enquanto 51,2 bilhões vêm da exploração com fins econômicos – que inclui agropecuária, extrativismo, indústria, comércio, trabalho doméstico, entre outras atividades.
As estimativas, feitas através de extrapolações com base em dados regionais, não foram produzidas para cada país.
“O trabalho forçado é nocivo para as empresas e para o desenvolvimento, mas sobretudo para suas vítimas. Este relatório imprime um novo caráter de urgência aos nossos esforços para erradicar o quanto antes esta prática altamente rentável, mas fundamentalmente nefasta”, afirmou em nota divulgada à imprensa o diretor geral da entidade Guy Ryder.
De acordo com dados divulgados pela OIT:
- Mais da metade das vítimas de trabalho forçado são mulheres e meninas, principalmente na exploração sexual comercial e trabalho doméstico;
- Homens e meninos são, sobretudo, vítimas de exploração econômica, na agricultura e mineração;
- 34 bilhões de dólares em lucros ficam com a construção civil, indústria, mineração e serviços;
- 9 bilhões de dólares ficam com a agricultura, incluindo silvicultura e pesca;
- 8 bilhões de dólares são economizados em residências privadas que ou não pagam ou pagam menos que o devido aos trabalhadores domésticos submetidos ao trabalho forçado.

Lucro anual do trabalho forçado por região
Ásia-Pacífico: US$  51,8 bilhões de dólares
Economias Desenvolvidas e União Europeia: US$  46,9 bilhões
Europa Central, Sudeste Europeu e Comunidade dos Estados Independentes: US$ 18 bilhões
África US$ 13,1 bilhões
América Latina e Caribe: US$ 12 bilhões
Oriente Médio: US$  8,5 bilhões
Mundo: US$ 150,2 bilhões

Lucro anual por vítima de trabalho forçado por região
Economias Desenvolvidas e União Europeia: US$ 34,8 mil
Oriente Médio: US$ 15 mil
Europa Central, Sudeste Europeu e Comunidade dos Estados Independentes: US$ 12,9 mil
América Latina e Caribe: US$ 7,5 mil
Ásia-Pacífico:  US$ 5 mil
África US$ 3,9 mil

Crises de renda e pobreza estão entre os principais fatores que levam ao trabalho forçado. Falta de educação formal, analfabetismo, gênero e migrações são listados como fatores de risco e de vulnerabilidade. Entre as medidas voltadas a combatê-los, o relatório aponta:
- Reforçar os pisos de proteção social a fim de evitar que os lares pobres contraiam empréstimos abusivos no caso de uma perda imprevista de renda;
- Investir na educação e na formação profissional para incrementar as oportunidades de emprego dos trabalhadores vulneráveis;
- Promover um enfoque da migração baseado nos direitos a fim de prevenir o trabalho clandestino e os abusos contra os trabalhadores migrantes;
- Apoiar a organização dos trabalhadores, inclusive nos setores e indústrias vulneráveis ao trabalho forçado.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Ucrânia aumentará preço do gás em 50% para a população

Medida foi exigida pelo FMI, para ajuda financeira a Kiev.

Aumento para os industriais será de 40%

Ucrânia irá aumentar em 50% o preço do gás à população a partir do dia 1º de maio, uma medida impopular exigida pelo FMI para fornecer ajuda financeira a Kiev, indicou nesta quarta-feira (26) o operador de gás nacional.
Para os industriais, o aumento será de 40% e se aplicará a partir de 1º de junho, informou Yuri Kolbuchin, um dos diretores da companhia de gás nacional Naftogaz, citado pela imprensa ucraniana. O governo espera firmar ainda nesta quarta-feira um acordo com o Fundo Monetário Internacional.
Em: G1

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

TCE aponta que faturamento das empresas de ônibus de Porto Alegre superou R$ 481 milhões em 201

Samir Oliveira, em Sul21
O Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul (TCE-RS) disponibilizou a partir da manhã desta quarta-feira (29) em seu site a íntegra do relatório elaborado a respeito da inspeção especial efetuada na Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). A inspeção teve início em 2012, a pedido do Ministério Público de Contas (MPC) e analisou as planilhas de reajuste da passagem de ônibus de Porto Alegre dos anos 2011, 2012 e 2013. O relatório será apreciado pelo pleno do TCE no dia 12 de fevereiro.
Com 531 páginas, o documento publicado no site do TCE-RS traz informações detalhadas a respeito da situação financeira das 12 empresas privadas que operam o setor. É possível verificar, por exemplo, que, em 2011, o faturamento total das empresas foi de R$ 481,4 milhões. Individualmente, a empresa com a maior receita foi a SOPAL, com R$ 74 milhões. A que registrou a menor receita foi a Gazômetro, com R$ 8,8 milhões.
Como elas se agrupam em três consórcios, que operam as regiões Sul (STS), Leste (UNIBUS) e Norte (CONORTE) de Porto Alegre, é possível verificar que o grupo que mais faturou em 2011 foi o STS, com R$ 180,2 milhões; seguido pelo CONORTE, com R$ 157,6 milhões; e o UNIBUS, com R$ 143,6 milhões.
Foto: Reprodução
Receita das empresas que compõem o consórcio CONORTE em 2011 | Foto: Reprodução
O relatório do TCE também informa a respeito da remuneração dos diretores das empresas. O preço da tarifa cobre os salários de três diretores por empresa. E a remuneração deles equivale sempre a cinco vezes o salário dos rodoviários. Como a categoria ganha, atualmente, R$ 1.867,74 os diretores recebem R$ 9.338,70 mil. O custo total dos 36 diretores das 12 empresas privadas em 2013 foi de R$ 336.193,12 mil –  o que representou em 2013 um custo anual de R$ 4 milhões por ano com a remuneração dos diretores das empresas.
Os técnicos do TCE também averiguaram o lucro líquido das empresas e o chamado LAJIDA (Lucro Líquido Ajustado Antes das Receitas/Despesas Financeiras, Tributos sobre o Lucro, Depreciação e Amortização). O LAJIDA corresponde ao lucro das empresas, descontados todos os seus gastos, inclusive a folha de pagamento. Já o lucro líquido é o que efetivamente “sobra” para as empresas e representa o valor do LAJIDA descontado com abatimentos de juros de financiamentos, depreciação das frotas e tributos federais, como o Imposto de Renda.
Foto: Reprodução
Receita das empresas que compõem o consórcio STS em 2011 | Foto: Reprodução
Em 2011, dos 74 milhões que arrecadou com as passagens, a SOPAL registrou um LAJIDA de R$ 15,6 milhões e um lucro líquido de R$ 3,1 milhões. Mas a empresa que registrou o maior lucro líquido daquele ano foi a Sudeste – dos R$ 64 milhões que arrecadou com a venda das passagens, R$ 4 milhões correspondem ao lucro líquido. O LAJIDA da empresa ficou em R$ 13,6 milhões. Algumas empresas chegaram a registrar um LAJIDA que ultrapassa a casa dos R$ 5 milhões, mas um lucro líquido negativo – embora em pequenas proporções.
No relatório, os auditores afirmaram que chegou a ser verificado, nos balanços fiscais de 2010 e 2011, que algumas empresas estavam com dívidas originadas por “passivos tributários renegociados” e “financiamentos para renovação da frota de ônibus”. Os técnicos consideram que “a situação de endividamento deverá colocar as empresas numa necessidade de capitalização caso desejarem participar da licitação dos serviços a ser realizada pelo poder concedente”.
Rentabilidade chega a quase 20%, enquanto reajuste da tarifa deveria remunerar as empresas em até 6,33%
O relatório do TCE também identificou que a rentabilidade que as empresas obtêm com o aumento da passagem costuma ficar acima do percentual definido pela planilha de reajuste. No processo que elevou a tarifa em 2012, foi utilizada a frota total das empresas no cálculo – e não apenas a frota operante, como passou a determinar o TCE a partir de 2013. Neste reajuste, ficou expresso que a remuneração das empresas ficaria em 6,33% do total arrecadado com as passagens reajustadas.
Foto: Reprodução
Receita das empresas que compõem o consórcio UNIBUS em 2011 | Foto: Reprodução
Entretanto, os auditores verificaram que, em alguns casos, o percentual chegou a 19,19% – como ocorreu com a empresa Gazômetro. O segundo maior percentual de rentabilidade foi da SOPAL, com 13,38%. Os auditores elencam pelo menos dois fatores para o fenômeno: a metodologia equivocada do cálculo do Percurso Médio Mensal (PMM), que incluiu a frota reserva das empresas; e as decisões de gestão adotada pelos administradores privados, que podem ter feito com que o rendimento tenha sido superior ao previsto na planilha tarifária.
“Neste contexto, em que as empresas estão realizando lucros superiores à previsão tarifária, estão contidos os maiores ganhos em função do PMM que, conforme descrito acima, é realizado em função da Frota Total, quando a Metodologia que distribui melhor os ganhos de produtividade do sistema prescreve que seja utilizada a Frota Operante”, expõe o documento.
Receita com publicidade não é contabilizada pelas empresas
O relatório do TCE também evidencia que as empresas privadas não contabilizam em seus balanços financeiros o dinheiro que recebem com a publicidade que é exposta na parte traseira dos ônibus. Essa omissão é considerada ilegal, pois, pela legislação municipal, é determinado que os relatórios possuam rubricas para receitas publicitárias e sua aplicação – de acordo com a lei, esse dinheiro deve ser utilizado para custear o plano de saúde dos trabalhadores rodoviários.
Foto: Reprodução
Rentabilidade das empresas de acordo com a planilha tarifária de 2012 | Foto: Reprodução
As empresas do setor negociam toda a publicidade que é veiculada nos ônibus através da empresa LZ Comunicação Visual Ltda. Pelo serviço, a agência fica com 70% da verba e os 30% restantes são destinados ao plano de saúde dos rodoviários.
O TCE apurou que, incluindo a empresa pública que opera o setor, a Carris, em 2011 o plano de saúde dos rodoviários teve um investimento de R$ 912.469,08. O que significa que esse valor corresponde a 30% da receita publicitária do ano – ou seja, a receita total com publicidade de todas as empresas, incluindo a Carris, foi de R$ 3.041.536,60 em 2011. Neste ano, a agência LZ recebeu, pelo serviço, R$ 2.129.094,52.

domingo, 19 de janeiro de 2014

McDonalds do Queens expulsa idosos que demoravam para comer

McDonalds no quiere a clientes por más de 20 minutos 
La medida se aplicó en una sucursal de Nueva York donde varios adultos mayores pasaban mucho tiempo
El Universal
La empresa de comida rápida colocó un anuncio en una sucursal de Queens, -vecindario de Nueva York- en el que se especificia que la gente no debe pasar más de 20 minutos en las mesas, de acuerdo con The New York Times.
Esta medida fue impuesta porque un grupo de ancianos de origen coreano -algunos superan los 70 años- solían reunirse en el restaurante para pasar hasta dos horas platicando diariamente en la sucursal.
La crítica hacia el grupo de comensales es que sólo pedían ordenes de papas fritas o pequeños menús, pero pasaban mucho tiempo sentados, lo que molestó a la cadena y sus trabajadores, publicó por su parte Los Angeles Times.
Incluso McDonalds mandó llamar a la policía para desalojar al grupo de adultos mayores, quienes externaron su descontento y aseveraron que 20 minutos son insuficientes para relajarse y tomar un café.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Papa tira d. Odilo de comissão que monitora o Banco do Vaticano

Outros três cardeais foram substituídos; Francisco já avisou a pessoas próximas que, se não conseguir reformar a instituição, envolvida em escândalos, vai fechá-la
Jamil Chade - O Estado de S. Paulo
GENEBRA - Em um ato para dar início a uma verdadeira reforma no Banco do Vaticano, o papa Francisco tirou da cúpula da instituição financeira o cardeal de São Paulo, d. Odilo Scherer. Outros três cardeais também foram substituídos, no que está sendo considerado na Santa Sé como a principal demonstração de Francisco de que a reforma será profunda. A pessoas próximas a ele, o argentino já avisou: se não conseguir reformar o banco, vai fechar a instituição.


Mandato de d. Odilo foi renovado pelo papa Bento XVI - Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão
Mandato de d. Odilo foi renovado pelo papa Bento XVI
D. Odilo fazia parte do grupo de cardeais que atuava para monitorar as atividades da Instituição para Obras Religiosas, o nome oficial do Banco do Vaticano. Considerado um dos fortes candidatos no conclave de 2013, d. Odilo tinha o apoio dos setores mais conservadores do Vaticano.
Dias antes de deixar o poder, o então papa Bento XVI renovou o mandato do brasileiro e dos demais cardeais do órgão de supervisão por mais cinco anos. Entre as funções do grupo está justamente a nomeação do presidente do banco.
Mas, próximo de cumprir um ano no Vaticano e adotando a austeridade como sua bandeira, Francisco optou por rever a grupo e colocou em seu lugar outros cardeais vistos como aliados em sua busca por reformar a Santa Sé.
Quatro dos cinco cardeais no organismo foram substituídos. Saíram os cardeais Tarcisio Bertone, Telesphore Toppo of Ranchi e Domenico Calcagno, além de d Odilo. O único que permaneceu foi o francês Jean Louis Tauran.
No lugar desse grupo, o papa nomeou o cardeal de Toronto, Thomas C. Collins, Pietro Parolin, Christoph Schonborn de Viena e considerado como um reformador, e o cardeal Santos Abril Castello, amigo do papa.
O grupo liderado por Bertone foi alvo de duras críticas nos últimos anos por não conseguir conter uma série de escândalos financeiros no Banco do Vaticano, inclusive com suspeitas de lavagem de dinheiro do crime organizado.
Em junho, o papa criou uma comissão para estudar uma reforma na instituição. Pela primeira vez em mais de cem anos, a entidade publicou um balanço anual de suas contas.
Na avaliação do papa, o Vaticano deve voltar a se concentrar em sua missão religiosa e, para isso, uma limpeza em sua estrutura precisaria ocorrer. Uma dessas revisões seria repensar a função do Banco do Vaticano.


Tempos atrás, D. Odilo escreveu "O Poder Corrompe", cobrando apuração do caso do "mensalão". Agora, cegou a vez de ele se explicar

Obs do blogueiro: Dom Odilo escreveu "O Poder Corrompe", cobrando a apuração do chamado mensalão. Agora chegou a a vez da eminência se explicar.