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sábado, 4 de março de 2017

Europa: a curiosa exceção portuguesa

Antonio Costa (à direita), primeiro ministro português, recebe Benoit Hamon, candidato à presidência da França. Os "socialistas" franceses aprenderão algo?
Antonio Costa (à direita), primeiro ministro português, recebe Benoit Hamon, candidato à presidência da França. Os “socialistas” franceses aprenderão algo?
Por Antonio Martins em Outras Palavras

Um governo à esquerda rejeita as políticas de “austeridade”, amplia seu apoio popular e atrai a atenção dos Partidos “Socialistas” da França e Alemanha. Por quê?
Dois pesos pesados da família europeia de partidos “socialistas” prestaram, nos últimos dias, homenagens ao PS português a ao primeiro ministro do país, Antonio Costa. Primeiro, foi a vez do francês Benoit Hamon, que disputará em abril a presidência de seu país. “Fazer minha primeira viagem política a Lisboa foi uma decisão política”, disse ele: “é um país governado pela esquerda, apoiado por uma frente de esquerda, e que abandonou as políticas de ‘austeridade'”. Dias depois, Hamon foi seguido pelo alemão Martin Schulz, que liderará o Partido Social Democrata (SPD) nas eleições parlamentares para formar novo governo, em setembro. Costa é “um excelente amigo”, afirmou, sugerindo que considera a experiência portuguesa uma eventual alternativa à “grande coalizão” que o SPD forma hoje com os conservadores de Angela Merkel. É instrutivo examinar as causas do charme português.
Em novembro de 2015, quando toda a Europa parecia olhar para a direita, Antonio Costa enxergou uma oportunidade em rumo oposto. Nas eleições parlamentares de outubro, a coalizão conservadora Portugal à Frente, que impunha por cinco anos as políticas de cortes de direitos sociais, sofreu forte baque (caiu de 50,4% para 38,6% dos votos) e perdeu a maioria das cadeiras no Parlamento, embora conservando a maior bancada. No PS, Costa ensaiou um giro surpreendente. Aceitou uma aliança com o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista e Os Verdes. Capaz de lhe assegurar maioria, a frente foi, ainda assim, maldita por um setor dos “socialistas”, a quem uma união à esquerda parece sempre um anátema.
Costa manteve-se firme. Seu governo não pratica grandes ousadias, mas interrompeu a espiral rumo ao fundo do poço. O salário mínimo teve discreto aumento, acima da inflação. Anulou-se um aumento de impostos regressivo, que pesava sobre os consumo dos mais pobres. O primeiro ministro defendeu a ideia de que a crise financeira, da qual Portugal padece desde 2008, precisa ser combatida recuperando o emprego e a renda — e não transferindo mais riquezas aos banqueiros.
Os resultados apareceram rapidamente. O índice de desemprego, que chegou a 17% em 2013, deve cair este ano para menos de 10%. O próprio déficit público recuou para 2,1% (contra 11,7% em 2011, auge das políticas de “austeridade”) — uma economia reativada amplia a arrecadação de tributos. A últimas pesquisas registram que Costa tem 66,1% de aprovação entre os eleitores.
A romaria de políticos “socialistas” a Lisboa poderia significar o início de uma virada na Europa? Desde o início da crise de 2008 a esquerda permanece paralisada. O cenário é dominado ou pelos conservadores tradicionais (que aplicam uma “austeridade” sem fim, sempre favorável aos mais ricos), ou pela direita xenófoba e quase-fascista (que denuncia a “austeridade”, mas transforma os imigrantes em bodes expiatórios). Oxalá o giro português de Hamon e Schulz signifique mais que retórica.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O Banco de Portugal expulsa a família Espírito Santo do BES

Uma sucursal do Banco Espírito Santo em Lisboa. / EFE

Primeiro foram retirados da direção do banco e agora perderam o direito a voto. A família Espírito Santo foi expulsa de fato do banco que leva seu nome. O Banco de Portugal tomou esta decisão depois de serem conhecidas perdas de 3,57 bilhões de euros (10,8 bilhões de reais) no último semestre. Em um comunicado emitido na manhã desta quinta, o Banco de Portugal eliminou o direito a voto da família Espírito Santo que, através de seu grupo ESFG, ainda possui 20,1% das ações da entidade. A decisão se refletiu rapidamente nos mercados financeiros: as ações do grupo caíram 45% e as Bolsas reagem com perdas nesta jornada.
O governador Carlos Costa também decidiu “suspender, com efeitos imediatos, os membros dos organismos de administração com responsabilidades em auditoria e gestão de riscos, assim como os titulares dos organismos de fiscalização”. Esta suspensão afeta os atuais administradores Rui Silveira, António Souto e Joaquim Goes, que dirigiam essas áreas. Por enquanto serão substituídos temporariamente até que os acionistas proponham novos gestores na próxima assembléia geral.
O supervisor também decidiu indicar uma comissão de fiscalização composta por pessoas da PriceWaterhouseCoopers até que os acionistas promovam uma substituição dos membros da comissão de auditoria.
A intervenção do Banco de Portugal no coração executivo do Banco Espírito Santo é, independente do nome que seja dado, uma intervenção absoluta do Estado, por causa das perdas do banco e dos indícios de irregularidades nas contas semestrais. Também solicita ao atual administrador, Vítor Bento, que seja apresentado o quanto antes um plano de ampliação do capital já que sua atual proporção está 5% abaixo do mínimo aconselhado pelas autoridades europeias, que é de 9%. Depois da ampliação de capital no dia 16 de junho, o BES informou que a proporção era de 10,3%.
A ação chegou a cair 51%, a maior queda na história da Bolsa de Lisboa.
Especula-se que haverá uma ampliação superior aos 3 bilhões de euros. A pretensão de Bento é que seja inteiramente privada, mas segundo alguns analistas financeiros isso vai ser muito difícil. Merrion Stockbroker descarta a opção “completamente privada”, enquanto que o Credit Sight aposta que a ampliação de capital chegará aos 4 bilhões.
O Banco Central não descarta que depois de finalizada a auditoria em curso poderão surgir indícios de delitos dos membros do antigo conselho de administração, principalmente contra seus dois principais dirigentes, Ricardo Salgado e Amílcar Morais Pires. Tanto o supervisor quanto Bento afirmaram que os responsáveis seriam levados aos tribunais se os atuais indícios forem confirmados.
Com essas perspectivas, às dez da manhã, quando as ações do banco começaram a ser negociadas, a queda foi instantânea. Chegou a cair 51%, cotando a 0,17 euros. Depois se recuperou até chegar a -24%. O BES arrastou todo o setor bancário e a própria Bolsa, mas sobretudo sua sócia Portugal Telecom, com -7%, que possui ao redor de 10% de uma participação que pretende vender, mas que vale cada vez menos.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Roberta Sá canta com Antonio Zambujo celebrando Portugal

Em comemoração ao Dia de Portugal, Roberta Sá fará uma participação especial, ao lado de Mariana Aydar, no show do premiado cantor português Antonio Zambuj, nessa sexta feira em São Paulo. A parceria entre o intérprete português e Roberta é antiga e muito especial. Os dois já dividiram palco em 2008, cantando “Eu já não sei” na entrega de prêmios da Fundação Luso-Brasileira, e em 2010, em um dueto de “Novo Amor”, na linda Lisboa.

Mais um prova da relação de carinho da cantora Roberta Sá e Portugal! O show acontece nessa sexta-feira (13),  às 21h, com entrada gratuita! Portanto, a recomendação é que o público chegue cedo e retire seu ingresso com 30min de antecedência. Saiba mais: Espetáculo em comemoração ao Dia de Portugal Única apresentação de António Zambujo, Mariana Aydar e Roberta Sá Data: 13 de junho (sexta-feira) Retirada dos ingressos: 20:30h / Início do espetáculo: 21:00h SALA SÃO PAULO Endereço: Praça Júlio Prestes, nº 16 – Luz – São Paulo/SP Telefones: (11) 3367-9500 ; (11) 3060-8397 http://www.antoniozambujo.com http://www.marianaaydar.com.br/site/http://www.osesp.art.br/

terça-feira, 6 de maio de 2014

Brasileiro poderá usar Enem para entrar em mais uma universidade portuguesa

Yara Aquino - Repórter da Agência Brasil Edição: Beto Coura
Enem - banner


Mais uma instituição de ensino superior de Portugal, a Universidade da Beira Interior, em Covilhã, aceitará a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para o ingresso de estudantes brasileiros em cursos de graduação. As notas do exame de 2012 e 2013 serão reconhecidas para os cursos que começam no segundo semestre deste ano. A Universidade de Coimbra foi a primeira instituição estrangeira a adotar da nota do Enem como critério de seleção.
O valor pago na graduação pelos estudantes de outros países é R$ 15 mil por ano. Com a opção de alojamento e refeição, o custo chega a R$ 23 mil. De acordo com a universidade, os brasileiros formam uma das maiores comunidades estrangeiras na instituição, com 60 estudantes.
O peso da redação e de cada prova do Enem varia de acordo com o curso escolhido pelo estudante. No site, a universidade explica que a classificação portuguesa utiliza escala  de 0 a 200 pontos e a do Enem, de 0 a 1.000 pontos, por isso, a conversão das classificações será feita dividindo a nota do Enem por cinco.
A universidade tem uma página na internet voltada para brasileiros com a lista dos cursos de graduação disponíveis e a variação dos pesos das provas. Lá estão também as informações sobre os documentos que os candidatos devem apresentar. A universidade fica a 200 quilômetros de Lisboa, e tem cerca de 7 mil alunos e 600 professores.
No Brasil, o Enem seleciona estudantes para instituições públicas de ensino superior pelo Sistema de Seleção Unificada, para bolsas em instituições particulares, pelo Programa Universidade para Todos. Além disso, é pré-requisito para obter financiamento pelo Fundo de Financiamento Estudantil e para o intercâmbio acadêmico pelo Ciência sem Fronteiras. Em 2013, mais de 5 milhões de candidatos fizeram o exame.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

25 maiores fortunas de Portugal equivalem a 10% do PIB

No topo da lista dos mais ricos de Portugal encontra-se Américo Amorim. 

Américo Amorim duplicou a sua fortuna e volta a ser apontado como o homem mais rico de Portugal. Este ano, as 25 maiores fortunas do país perfazem 16,7 mil milhões de euros, segundo avança a revista Exame.




A edição de dezembro da Exame, que estará disponível esta quinta feira, refere que as 25 maiores fortunas do país perfazem, este ano, um total de 16,7 mil milhões de euros, 2,3 mil milhões a mais do que em 2012.

2. Alexandre Soares dos Santos: 2190,3 milhões de euros (2070 milhões de euros em 2012)
3. Família Guimarães de Mello, 1673 milhões de euros (700,1 milhões de euros em 2012)
4. Belmiro de Azevedo: 1210,7 milhões de euros (680,9 milhões de euros em 2012)
5. António da Silva Rodrigues: 642, 9 milhões de euros (entrada direta na lista das 10 maiores fortunas)
6. Fernando Figueiredo dos Santos: 574,9 milhões de euros (542,3 milhões de euros em 2012)
7. Maria Isabel dos Santos: 574,9 milhões de euros (542,3 milhões de euros em 2012)
8. António Mota: 537,8 milhões de euros (entrada direta na lista das 10 maiores fortunas)
9. Família Alves Ribeiro: 505,2 milhões de euros (650,8 milhões de euros em 2012)
10. Maria do Carmo Espírito Santos Silva: 497,4 milhões de euros (entrada direta na lista das 10 maiores fortunas)

Este valor corresponde a 10% do produto interno bruto (PIB), sendo equivalente a todo o dinheiro que o Estado português foi buscar aos mercados com a emissão de dívida a curto prazo este ano.
“Os tempos podem ser de crise, mas as maiores fortunas nacionais continuam a crescer”, avança a revista.
No topo da lista dos mais ricos de Portugal encontra-se Américo Amorim que, tendo conseguido duplicar a sua fortuna em apenas um ano, com a subida de flecha do preço das ações que detém na Galp Energia, no Banco Popular e na Corticeira Amorim, voltou a conquistar o primeiro lugar do pódio, destronando Alexandre Soares dos Santos, agora em segundo lugar. A sua fortuna, avaliada em 4,5 mil milhões de euros, é superior ao esforço de austeridade exigido para este ano.
Ainda que tenha descido na classificação, Soares dos Santos viu a sua fortuna aumentar de 2,1 para 2,2 mil milhões de euros.
Em terceiro lugar surge a família Guimarães de Mello, com uma fortuna de 1,7 mil milhões de euros.
Belmiro de Azevedo, do Grupo Sonae, mantém o quarto lugar ranking, com uma fortuna de 1,2 mil milhões de euros, o dobro do valor apurado em 2012.
Maria Isabel dos Santos, uma das principais acionistas do Grupo Jerónimo Martins, volta a ser identificada como a mulher mais rica de Portugal, subindo do 9.º lugar para o 7.º lugar, com uma fortuna de 574,9 milhões de euros.
Nos primeiros dez lugares do ranking surge ainda Maria do Carmo Espírito Santo Silva, com uma fortuna avaliada em 497,4 milhões de euros.
Lista das 10 maiores fortunas de Portugal:
1. Américo Amorim: 4503,6 milhões de euros (1955,9 milhões em 2012)
2. Alexandre Soares dos Santos: 2190,3 milhões de euros (2070 milhões de euros em 2012)
3. Família Guimarães de Mello, 1673 milhões de euros (700,1 milhões de euros em 2012)
4. Belmiro de Azevedo: 1210,7 milhões de euros (680,9 milhões de euros em 2012)
5. António da Silva Rodrigues: 642, 9 milhões de euros (entrada direta na lista das 10 maiores fortunas)
6. Fernando Figueiredo dos Santos: 574,9 milhões de euros (542,3 milhões de euros em 2012)
7. Maria Isabel dos Santos: 574,9 milhões de euros (542,3 milhões de euros em 2012)
8. António Mota: 537,8 milhões de euros (entrada direta na lista das 10 maiores fortunas)
9. Família Alves Ribeiro: 505,2 milhões de euros (650,8 milhões de euros em 2012)
10. Maria do Carmo Espírito Santos Silva: 497,4 milhões de euros (entrada direta na lista das 10 maiores fortunas)



terça-feira, 19 de novembro de 2013

Cristiano Ronaldo comanda e classifica Portugal para a Copa de 2014

De: Gazeta Esportiva

A vaga para a Copa de 2014 estava em jogo. Ibrahimovic e Cristiano Ronaldo entraram em confronto novamente para defender as camisas da Suécia e de Portugal, respectivamente, nesta terça-feira, às 17h45 (de Brasília). Na Friends Arena, em Solna, a seleção portuguesa levou a melhor e, com três de CR7, fez 3 a 2 nos suecos e se classificou para o Mundial no Brasil.
Apesar dos suecos precisarem do resultado, a seleção lusa foi responsável por dominar o primeiro tempo com as melhores jogadas. Cristiano Ronaldo buscou o jogo e quase abriu o marcador em duas oportunidades. Com a desvantagem no placar, a Suécia chegou poucas vezes ao ataque e teve dificuldades de executar lances ofensivos.
No segundo tempo, a partida mudou de panorama e ficou equilibrada. Ibrahimovic marcou duas vezes e virou o placar para a Suécia. Mas o dia era mesmo de Cristiano Ronaldo, o craque do Real Madrid fez dois gols e garantiu a vitória e a classificação dos portugueses para a Copa do Mundo de 2014.
O jogo –Mirando a vaga na Copa do Mundo de 2014, Portugal, mesmo com vantagem no resultado, começou bem a partida. Aos 14 minutos do primeiro tempo, João Moutinho cobrou falta, Bruno Alves cabeceou dentro da pequena área e o goleiro Isaksson executou belíssima defesa.
AFP
Com três gols, Cristiano Ronaldo foi o destaque do confronto entre craques
O lusos marcavam firme e mantiveram a maior posse de bola. Aos 35 da etapa inicial, João Pereira avançou pela direita em direção à pequena área. Cristiano Ronaldo tentou o chute direto, mas a bola vou por cima das redes do goleiro sueco. Três minutos depois, CR7 avançou pela direita e executou um cruzamento perfeito para Hugo Almeida. Livre para o cabeceio, o atacante desperdiça e manda a bola para a linha de fundo.
A Suécia respondeu apenas aos 41 minutos do primeiro tempo. Ibrahimovic recebeu na entrada da grande área e tocou para Kallstrom. O jogador tentou o chute após o domínio e o goleiro Rui Patrício executou boa defesa em uma de suas primeiras participações na partida.
Na volta para o segundo tempo, a partida voltou equilibrada, mas foi Portugal quem abriu o placar. Aos cinco minutos, João Moutinho lançou em profundidade para Cristiano Ronaldo. O jogador dominou, avançou para a grande área e ficou cara a cara com o goleiro. O craque tirou de Isaksson e mandou para o fundo das redes.
Aos 22 minutos veio o empate sueco. Em cobrança de escanteio, o craque Ibrahimovic subiu mais alto e mandou para o gol. Aos 26, Ibra cobrou falta na entrada da grande área, a bola foi direto para o canto direito do goleiro Rui Patrício.
A resposta dos portugueses não tardou. Aos 31, Hugo Almeida lança em profundidade para CR7. O craque avançou sozinho e mandou um chute cruzado para o fundo das redes suecas. Dois minutos depois, João Moutinho tocou na entrada da grande área para Cristiano Ronaldo. O jogador dominou e concluiu pelo lado direito para deixar Portugal à frente do placar novamente.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Bloco: "No negócio PT/Oi, quem fica a perder é o país"

Com a passagem do centro de decisão da Portugal Telecom para o Brasil, "o Governo vai ficar a ver o investimento a sair do país sem poder controlá-lo", declarou a deputada bloquista Mariana Mortágua. O governo português não sabe se o Estado vai perder receitas fiscais, enquanto o governo brasileiro vê com bons olhos uma nova empresa global com sede no Rio.
A venda da golden share permitiu a saída do controlo da PT, integrada numa nova empresa dirigida por Zeinal Bava a partir do Rio de Janeiro. Foto José Sena Goulão/Lusa
A fusão da Portugal Telecom e da brasileira Oi irá dar origem a uma nova empresa, a CorpCo, após um aumento de capital de 2,7 mil milhões de euros. No fim do processo, os atuais acionistas da PT ficarão com 38,1% do capital da futura empresa liderada por Zeinal Bava.
O ministro brasileiro das Comunicações comentou o memorando assinado pelos dirigentes das duas empresas, afirmando que a decisão já era esperada. Em declarações à Folha de São Paulo, Paulo Bernardo sublinhou que a sede da nova empresa será no Rio de Janeiro, com maioria de capital brasileiro. "Eles me ligaram ontem, parece que têm planos de fazer uma grande capitalização e grandes investimentos, mas precisamos examinar o que disseram hoje na conferência. Vamos examinar, chamar a direção [da empresa] para saber melhor os planos", afirmou o ministro ao diário paulista. O investimento estatal brasileiro na Oi é liderado pelo BNDES, o banco público de investimento, que detém em conjunto com fundos de pensões de outras empresas públicas 38% da acionista maioritária da Oi. E tal como os restantes acionistas, também vão participar neste aumento de capital.  
Para o secretário de Estado dos Transportes e Telecomunicações, Sérgio Monteiro, "independentemente do que aconteça no futuro, a decisão é de dois grupos de investidores privados, no mercado livre, concorrencial e aberto que procura extrair o máximo de valor da dimensão que os dois mercados em conjunto têm". Em declarações citadas pela agência Lusa, o governante disse que "o Governo não tem nem tinha de ter nenhuma intervenção ativa nem passiva" no negócio da fusão entre PT e Oi. Questionado sobre o impacto da operação nas receitas fiscais em Portugal, Sérgio Monteiro afirmou que ainda ninguém no Governo fez as contas ao que o país pode perder com a passagem do controlo da PT para fora de Portugal.
Bloco: "O Governo não pode lavar as mãos neste processo"
Para a deputada bloquista Mariana Mortágua, neste negócio "quem fica a perder é o país". "O Governo não pode lavar as mãos neste processo, já que teve responsabilidades ao apoiar a privatização e vendeu a golden share que nos dava algum poder sobre esta decisão. Não pode por isso lavar as mãos e dizer que é um negócio privado", declarou aos jornalistas em reação ao anúncio da fusão PT/Oi e às palavras do Secretário de Estado.
"Soubemos hoje que a Portugal Telecom vai deixar de ser portuguesa", declarou a deputada, antevendo que "juntamente com a mudança do centro de decisão, haja uma transferência óbvia de investimento, inovação, postos de trabalho" da PT. Para Mariana Mortágua, esta operação  veio comprovar "que os monopólios naturais, as empresas que são cruciais para o Estado, não podem ser privatizadas".  
Comissão de Trabalhadores: "A PT vai passar a ser uma unidade de negócios da Oi"
Ouvido pela Rádio Renascença, um membro da Comissão de Trabalhadores da Portugal Telecom afirmou não ter dúvidas "de que, a prazo vai haver redução de efectivos, uma pressão muito grande para redução de custos e retirada de direitos aos trabalhadores”.
“Estamos a ser confrontados com a fusão de uma grande empresa de dimensão continental com uma empresa mais pequena de um país periférico da Europa, chamada Portugal Telecom. Os centros de decisão vão ser deslocados de Lisboa para o Brasil e a PT vai passar a ser uma unidade de negócios da Oi”, explica Francisco Gonçalves.
O membro da CT da PT vai mais longe, dizendo que como "a Oi no Brasil está organizada por regionais, dada a sua dimensão, vai passar a ter mais uma regional, chamada Portugal Telecom, do outro lado do Atlântico".

terça-feira, 23 de julho de 2013

Amália Rodrigues, voz do amor e da revolução

Amália Rodrigues é uma das mais belas vozes da história humana. Essa cantora portuguesa foi incomparável no cantar o sentimento. É a grande expressão do Fado, patrimônio de Portugal e da humanidade.
Salve Amália, salve a música!
O vídeo mostra Amália cantando a música que embalou a Revolução dos Cravos, num tempo em que os artistas não tinham vergonha em assumirem posições políticas.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Brasil e Portugal assinam acordo para reconhecimento de diploma de engenheiros e arquitetos


Gilberto Costa
Correspondente da Agência Brasil/EBC
Lisboa – A presidenta Dilma Rousseff assinou, nesta tarde, com o presidente Cavaco Silva, acordo de cooperação entre Brasil e Portugal para agilizar o reconhecimento recíproco de títulos universitários de engenheiros e arquitetos. Também foi firmado memorando de entendimento para que pesquisadores brasileiros participem de projetos no Centro de Inovação em Biotecnologia de Cantanhede, na região portuguesa de Coimbra.
O acordo de cooperação atende a uma reclamação constante dos portugueses e vinha sendo cobrado pelo governo de Portugal, após a falta de aplicação de entendimento entre entidades universitárias dos dois países sobre o tema, assinado em agosto do ano passado. Dilma Rousseff e Cavaco Silva se reuniram no Palácio de Belém, sede da Presidência da República.
Ao final do encontro, os dois presidentes fizeram um comunicado conjunto à imprensa, no qual Dilma Rousseff agradeceu ao presidente Cavaco Silva pelo empenho de Portugal à eleição do embaixador brasileiro Roberto Carvalho de Azevêdo, de 53 anos, para a direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Dilma destacou ainda a cooperação dos dois países na área de educação e de ciência e tecnologia. Ela deu como exemplo, além do memorando que garante a presença de brasileiros em Cantanhede, o acordo para que pesquisadores brasileiros tenham acesso ao laboratório de nanotecnologia da cidade de Braga. “Esses dois eventos são exemplos concretos do patamar de relacionamento na área de educação”, declarou.
A presidenta ainda agradeceu a hospitalidade com que os brasileiros são tratados pelos portugueses. Segundo Dilma, em Portugal, “em cada esquina, se vê um parente, e a gente se enxerga neste país”.
Por sua vez, Cavaco Silva salientou que a cooperação entre Brasil e Portugal “pode se estender a todos os domínios”. O presidente português também fez questão de incentivar investimentos brasileiros e disse desejar que a viagem de Dilma Rousseff “contribua para alertar os empresários brasileiros para as potencialidades de Portugal”.
Mais uma vez, Cavaco Silva veio a público manifestar apoio à pretensão brasileira de ocupar vaga permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e ao estabelecimento de acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul.
Dilma encontra-se neste momento em reunião a portas fechadas com o primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho. Hoje à noite, ela ainda participa da cerimônia de entrega do Prêmio Camões ao escritor moçambicano Mia Couto e de jantar oferecido pelo presidente Cavaco Silva no Palácio Nacional de Queluz. A presidenta se despede de Portugal às 23h30 de Lisboa – 19h30 de Brasília.
Edição: Davi Oliveira

domingo, 3 de março de 2013

Portugueses protestam contra a "Troika"

Linda manifestação do povo de Portugal contra a "Troika". Um grande povo, do qual devemos ter orgulho de descender. A gente nem se lembra que eles nos colonizaram por tanto tempo. A "culpa" não é do povo português, a responsabilidade foi do sistema colonial. Acho que os brasileiros deveriam ter orgulho de terem ascendência de uma gente tão consciente da importância de sua terra e do valor de seus expoentes.Um grande povo. Uma história incrível. Um país, hoje, vilipendiado pelo capitalismo globalizado.
Há quem lamente que os holandeses não tenham conseguido se manter no Nordeste e lembrem que muitos dos holandeses que ocuparam aquele território construiram N. York. "Esquecem" que muitos dos holandeses expulsos do nordeste brasileiro foram para a atual África do Sul e construíram o "Apartheid". Devemos, sim, te rorgulho da ascendência portuguesa. Um pequeno país, o primeiro Estado-Nação europeu, que construiu um império por todo o mundo. A noção de dominação colonial é algo que temos hoje, mas na época era o caminho natural dos europeus. Vale a pena conhecer Portugal. Hoje, como em 1974, lutam pelo justo e pelo bem.

domingo, 23 de setembro de 2012

Após protestos, Portugal suspende aumento de contribuição social

 
De: DW
Sob pressão de manifestações em todo o país, governo português recua quanto ao seu plano de reajuste de 11% para 18% da Taxa Social Única. Decisão, porém, pode ameaçar acordos que garantiram pacote de ajuda ao país.
Enquanto milhares de pessoas protestavam diante do Palácio de Belém, sede da presidência portuguesa, o presidente Aníbal Cavaco Silva e o Conselho português de Estado (órgão político de consulta) chegavam a um acordo sobre a chamada Taxa Social Única (TSU).
Após oito horas de negociações, os conselheiros anunciaram que o governo prometeu estudar alternativas para o já anunciado aumento das contribuições sociais.
Em outras palavras, o governo português não vai implementar as novas e polêmicas medidas de austeridade no país diante de tamanha impopularidade. As medidas haviam sido anunciadas há duas semanas e atendem a compromissos assumidos pelo governo de Portugal com os países europeus ao receber o pacote de ajuda financeira.
Muita indignação
Ainda de acordo com o Conselho, o governo pretende se reunir o mais rapidamente possível com empregadores e sindicatos, a fim de discutir saídas. Lisboa havia anunciado um reajuste na contribuição do seguro social único de 11% para 18% para os trabalhadores e, na expectativa de criar novas vagas de emprego, um corte de 23,75% para 18% para os empregadores.
Isso vem gerando uma série de protestos indignados da população há dias. A oposição socialista já ameaça não mais apoiar o rumo adotado pelo governo para lutar contra a crise econômica.
Presidente Cavaco Silva reunido com o Conselho de Estado Presidente Cavaco Silva reunido com o Conselho de Estado
Mais tempo
Altamente endividado, Portugal vem dependendo das parcelas da ajuda financeira repassadas pelos países-membros da zona do euro e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Em 2011 o país tomou 78 bilhões de euros emprestados.
Em contrapartida, Portugal se viu obrigado a adotar drásticas medidas de contenção de gastos e reformas. Desde então a economia está debilitada e as taxas de desemprego chegaram a 15%. Credores de Portugal concederam ao país um ano a mais para conseguir sanear suas contas públicas.
MSB/afp/rtr
Revisão: Carlos Albuquerque

terça-feira, 19 de junho de 2012

Brasileiros dizem que não dá mais para ficar em Portugal

Luís Carrasquinho aconselha na sede da OIM em Portugal.
Luís Carrasquinho aconselha na sede da OIM em Portugal. (swissinfo)
Por Filipa Soares, swissinfo.ch

Não há um número, certo ou aproximado, relativo aos imigrantes brasileiros que têm vindo a abandonar Portugal, mas a Organização Internacional para as Migrações (OIM) não tem dúvidas que são bastantes. A saída de cidadãos brasileiros intensificou-se nos últimos anos. A crise é a explicação apontada pela OIM e pelos imigrantes que entrevistámos.

Bernadete, Bruno, Josias e Ronaldo (nome fictício) deixaram o Brasil há alguns anos para trabalhar em Portugal. Quando chegaram não tiveram dificuldades em encontrar emprego, mas o país de acolhimento entrou em crise e alguns deles estão, agora, sem trabalho. Ponderam regressar ao Brasil. O mesmo acontece com os que estão empregados…
Ronaldo chegou a Portugal há onze anos. Arranjou logo trabalho, algo que deixou de ter há cerca de um ano e meio. Na falta de um emprego fixo, este operário da construção civil vai fazendo “uns biscates”, enquanto a mulher “faz bolos por conta própria”. O que os dois recebem não dá pagar todas as despesas de uma família com quatro filhos: “É impossível! Só vamos acumulando dívida”. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a água e a luz, que já foram cortadas mais do que uma vez. Para conseguirem que seja restabelecida a ligação, depois de cada corte, colocam como titular outro familiar.
“Eu já tentei o que podia e não teve jeito. Agora, a esperança é voltar para o Brasil e ver se as coisas melhoram. Em princípio, está melhor do que aqui”, sublinha Rogério, cuja data de regresso “é para ontem”. Em Terras de Vera Cruz, a família tem casa própria, perspectivas de trabalho e parentes, que, em caso de necessidade, podem ajudar.

Com o Brasil no horizonte

BernadetePelissari está em Portugal há quase dez anos
BernadetePelissari está em Portugal há quase dez anos (swissinfo
Bernadete Pelissári também está desempregada. Deixou o trabalho que tinha em Janeiro, por inadaptação, mas agora está a ter dificuldades para encontrar novo emprego.  “Quando vou às entrevistas tem muitas pessoas à espera. Tem sido mais complicado do que antes. Antes saía de um trabalho e entrava logo noutro”, realça a brasileira que está em Portugal há quase dez anos.
A imigrante acredita que vai encontrar um emprego, mas já tem no horizonte o regresso ao Brasil no próximo ano. “Conheço muita gente que está a pensar voltar, que tem uma expectativa muito boa do Brasil, porque aqui está bem cotado, bem falado. A gente ouve falar que lá está melhor”, destaca.
Após oito anos em terras lusas, Bruno Nascimento decidiu que “está na altura de voltar” ao Brasil, mesmo, se ao contrário de Ronaldo e Bernadete, tem trabalho num restaurante perto do Porto. O imigrante de 26 anos soube através dos media que “o Brasil está muito bom” e pensou que tinha chegado a hora de ajudar os negócios dos pais “a crescer”.

Salário “não é compatível” com as despesas

A pujança da economia brasileira contrasta com a crise em que Portugal mergulhou. “O negócio aqui está ficando cada vez pior. Quando cheguei era bem diferente. A gente conseguia juntar um dinheiro. Na época boa, consegui mandar muito dinheiro para o Brasil. Hoje, temos que largar muitas coisas que fazíamos para poder juntar algum”, lamenta Bruno, considerando que trabalhar em Portugal já não compensa no caso dos imigrantes.
 Josias Oliveira também tem trabalho em Portugal, “mas actualmente não está dando mais para ficar”. É que o salário “não é compatível” com as despesas de aluguer, água, telefone, electricidade, combustíveis e impostos. Este cozinheiro, que chegou a Portugal há quase quatro anos, está, por isso, a pensar regressar ao Brasil. Como data-limite traçou Maio do ano que vem. Para já, não tem perspectivas de emprego. Ele, a mulher e dois dos três filhos vão apenas “com a cara e a coragem”, tal como quando chegaram a Portugal. O outro filho deve continuar em território luso: “Ele está a trabalhar. Para um solteiro talvez dê, com um quartinho”.
 A swissinfo.ch contactou o Consulado-Geral do Brasil no Porto, que remeteu quaisquer questões sobre o retorno dos imigrantes brasileiros para o Ministério das Relações Exteriores. Brasília não respondeu às informações que solicitámos por e-mail.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A Intrigante Capela dos Ossos

Se algum dia pararmos para pensar se nossa existência é mesmo distinta ou aleatória e o porquê de estarmos nesse planeta e nesse tempo, talvez fosse interessante se pudéssemos observar o interior dessa capela. Ao mesmo tempo assustadora e bonita, sua decoração parece ter sido feita para nos lembrar da nossa condição.
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A Capela dos Ossos é um dos mais conhecidos monumentos de Évora, em Portugal. Está situada na Igreja de São Francisco. Foi construída no sécurlo XVII por iniciativa de três monges que, dentro do espírito da contra-reforma religiosa, de acordo com as normativas do Concílio de Trento, pretendeu transmitir a mensagem da transitoriedade da vida, tal como se depreende do célebre aviso à entrada: "Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos". Fala-se que foi calculado por volta de 5000 ossos, provenientes dos cemitérios, situados em igrejas e conventos da cidade.
Poemas dentro da capela:
Poema sobre as caveiras
As caveiras descarnadas
São a minha companhia,
Trago-as de noite e de dia
Na memória retratadas
Muitas foram respeitadas
No mundo por seus talentos,
E outros vãos ornamentos,
Que serviram à vaidade,
E talvez…na eternidade
Sejam causa de seus tormentos.
Poema sobre a existência
Aonde vais, caminhante, acelerado?
Pára…não prossigas mais avante;
Negócio, não tens mais importante,
Do que este, à tua vista apresentado.
Recorda quantos desta vida tem passado,
Reflete em que terás fim semelhante,
Que para meditar causa é bastante
Terem todos mais nisto parado.
Pondera, que influído d'essa sorte,
Entre negociações do mundo tantas,
Tão pouco consideras na morte;
Porém, se os olhos aqui levantas,
Pára…porque em negócio deste porte,
Quanto mais tu parares, mais adiantas.
Este soneto é atribuído ao Padre António da Ascensão Teles, pároco da freguesia de São Pedro na igreja de São Francisco) entre 1845 e 1848.
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terça-feira, 7 de junho de 2011

Urnas portuguesas revelam a crise no continente

Em Portugal, numa eleição em que houve recorde de abstenção - 41,% quase 4 milhões de eleitores deixaram de votar - os portugueses, motivados pela crise econômica, derrotaram José Sócrates, do Partido Socialista (PS) e deram a vitória a Pedro Passos Coelho, do Partido Social Democrata (PSD) de centro direita. O número de deputados do PS deve cair de 97 para 74 deputados e o PSD ficará com 108 das 230 vagas do parlamento, o que o obrigará fazer acordo para obter maioria.
A exemplo do que ocorre no Peru, a eleição eleição em Portugal também confirma uma tendência (leia mais neste blog), dessa vez no continente europeu. Mas não falo de toda Europa. Na Itália, na França e mesmo na Alemanha, o que chamamos de esquerda - ou melhor, os socialistas e verdes - pode vencer as eleições.
Na verdade, o que está em pauta nas eleições na Europa é a crise econômica. E ela tanto atinge a direita como a esquerda. Daí o resultado contraditório: vence a direita na Grã Bretanha, Espanha e Portugal, mas na Grécia, na Itália, na França e mesmo na Alemanha os resultados podem ser outros, com vitórias para as coalizões de centro esquerda.

Falta de opções

O fenômeno revela a falta de opções dos eleitores, com o fracasso da social democracia que, aos poucos, foi se confundindo com a direita neoliberal e com as soluções de mercado. Sua políticas liquidam, aos poucos, com o Estado de Bem Estar Social - uma conquista de 150 anos dos trabalhadores e dos partidos socialistas da Europa.
Já, na Grécia, na Espanha e em Portugal cresce a mobilização social e a oposição às medidas de austeridade impostas pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) que, até agora, não resolveram a situação de insolvência dos governos e ameaçam a estabilidade social e política dos países. Nesse quadro, chama a atenção a Grécia, à beira da falência.
A situação vai exigir da União Europeia a reestruturação das dívidas dos países - e não a imposição de programas de estabilização que só aumentam a dívida, a recessão, o desemprego e a crise social. Esse quadro, aos poucos, vai fomentando crises políticas e institucionais - com ou sem eleições - com os velhos e os novos governos. Esses, por sua vez, geralmente não têm programas para a crise e só vencem pelo desgaste dos governos socialista, que foram incapazes de se opor à estratégia de ajuste da EU, que só atende aos interesses da Alemanha.
Publicado no Blog do Zé

quinta-feira, 31 de março de 2011

Brasil pode, deve e vai ajudar Portugal

Último país a sofrer os danos da grande crise econômico-financeira global, desencadeada a partir dos Estados Unidos em 2008, e 1º a sair dela, o Brasil retomou e mantém o ritmo de crescimento econômico o que, entre outras razões, lhe dá condições realmente de ajudar Portugal a sair da turbulência em que mergulhou mais fundo nas últimas semanas.
Ajudar, nos termos expostos pela presidenta Dilma Rousseff, na visita encerrada hoje àquele país - abreviada em função da morte do ex-vice-presidente José Alencar. Como a presidenta antecipou é possível negociar a compra de títulos portugueses.
"Nós temos investimentos de Portugal no Brasil, e do Brasil em Portugal, e temos parcerias entre as empresas portuguesas e brasileiras. No caso desses títulos, temos que cumprir os requisitos que dizem respeito ao uso das reservas do Brasil. É uma questão de negociação" explicou a chefe do governo brasileiro.
Nosso país sempre manteve excelentes relações com a nação lusa e a maior atenção conferida agora, se justifica porque, como assinalou a presidenta "o Brasil tem um compromisso com Portugal e sempre vai ter. Queremos ajudar. Portugal não é um parceiro qualquer, é um país com o qual temos uma ligação umbilical, especial. (Por isso), vamos fazer tudo o que for possível, dentro da nossa legislação para ajudá-lo".
A crise portuguesa se acentuou há uma semana quando, já às voltas com seríssimos problemas econômicos, o país viu seu 1º ministro, José Sócrates, renunciar depois que a Assembléia Nacional rejeitou o plano de austeridade apresentado por seu governo, e que previa a redução do déficit público a 2% do PIB até 2013.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Greve Geral em Portugal

A Greve Geral está a ser um grande sucesso, com grandes paralisações em muitos sectores. Na os transportes, hospitais e serviços municipalizados as percentagens são elevadas. A Autoeuropa está completamente parada.
Camiões de transporte de lixo no parque dos Olivais em Lisboa - Foto de Ricardo Robles
 
Percentagens de paralisação segundo a CGTP:
Soflusa - 100%
CNE Cimentos Nacionais e Estrangeiros - 100%
Câmaras:
Vila Nova de Famalicão – 100%
Portalegre – 100%
Palmela 100%
Gavião – 100%
Loures – 100%
Avis - 100 %
Coimbra - 100 %
Guimarães – 100%
Coimbra – 100%
Almada - 100 %
Loulé - 100%
Hospitais e outros serviços de saúde:
Universidade de Coimbra – 100%
Pombal – 100%
Peniche – 100%
Instituto de Oncologia de Coimbra – 100%
Capuchos – 100%
Misericórdia de campo maior – 100%
Lar Alcântara Botelho - 100%
Outras empresas:
Isporeco - 100%
EDP - Distribuição energia, sa - 100%
Visteon portuguesa, lda - 100 %
Saint-gobain sekurit portugal s.a -100%
Portucel embalagem sa - 100%
Amorim revestimentos sa - 100 %
Rodoviária entre Douro e Minho - 100%
Imprensa Nacional Casa da Moeda - 100%
Aeroporto de Lisboa - 100%

domingo, 25 de julho de 2010

Portugal é o segundo país mais desigual na Europa

Os índices da desigualdade entre ricos e pobres mostram que pouco ou nada mudou no país nos últimos 20 anos. A não ser o aumento da precariedade, que fez de Portugal o segundo país europeu com mais recibos verdes.
O coeficiente de Gini mede a distribuição dos rendimentos e pouco tem variado no caso português. Era de 36% em 1997 e assim continua em 2008, 6% acima da média da União Europeia. Neste índice, quanto maior o valor, maior a disparidade entre os rendimentos dos mais ricos e dos mais pobres.
Portugal é acompanhado pela Bulgária e Roménia no segundo lugar deste pódio nada invejável, e fica apenas a 2% de distância da Letónia. No outro lado da tabela figura a Eslovénia, quye com 23% é o país europeu com maior equilíbrio na distribuição de rendimentos.
São os rendimentos do trabalho que determinam a desigualdade em Portugal, país onde a diferença entre os salários mais altos e os mais baixos é das maiores na Europa, voltando a disputar as três primeiras posições com a Bulgária e a Letónia. Em 2008, os salários recebidos pelos 20% mais ricos foram mais de seis vezes superiores aos dos 20% mais pobres.
O aumento da precariedade em Portugal também é confirmado pelos estudos comparativos internacionais. Um inquérito do Eurofound concluiu que 75% dos empresários portugueses utilizaram trabalhadores temporários, a recibo verde ou com contrato a prazo. Isto coloca o país no segundo lugar entre 30 países europeus no que respeita ao recurso a recibos verdes e no sétimo maior utilizador de contratos a prazo. Quanto ao trabalho temporário, o resultado do inquérito diz que Portugal ocupa a 12ª posição. Se juntarmos estas três categorias do trabalho precário, os empresário portugueses são os oitavos a nível europeu a recorrer a contratos instáveis.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O emprego jovem em Portugal e a crise europeia

O relatório anual sobre o mercado de emprego da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) diz que mais de metade dos jovens trabalhadores (até aos 24 anos) em Portugal tem um trabalho precário, o que vem confirmar outro estudo, revelado este ano pelo Banco de Portugal e que concluía que em cada dez empregos criados, nove são precários.  Portugal está apenas abaixo da Espanha, Alemanha e Polónia no que respeita à precariedade no emprego jovem.
Já no que respeita ao fosso entre os maiores e os menores salários, apenas a Coreia do Sul ultrapassa Portugal, que se torna assim no segundo país mais desigual da OCDE e com o maior fosso salarial da União Europeia.
A precariedade e os falsos recibos verdes estão em destaque esta quinta-feira na agenda parlamentar. A petição "Antes da Dívida Temos Direitos", com que os trabalhadores a falso recibo verde denunciaram a cobrança de dívidas à segurança social, recolheu mais de doze mil assinaturas e sobe hoje a plenário.
Bloco de Esquerda e PCP apresentarão igualmente iniciativas no sentido de solucionar o problema com que se debatem milhares de trabalhadores precários, alguns dos quais com a conta bancária já penhorada. "Ao não lhes ser reconhecido qualquer contrato laboral, com prejuízo claro dos seus direitos, estes trabalhadores são obrigados a suportar sozinhos a totalidade da contribuição para a Segurança Social, muito embora sejam falsos trabalhadores independentes, premiando, deste modo, as entidades empregadoras que os compeliram a aceitar o estatuto de prestadores de serviços e que assim se demitem das suas responsabilidades sociais mesmo em relação à própria Segurança Social", diz o projecto de lei do Bloco.
O Bloco defende que o Estado deve corrigir esta injustiça e que para isso  "os dados da Segurança Social devem ser cruzados com a Declaração do Modelo 10 ou com a declaração trimestral do IVA, para os contribuintes que facturem mais de € 10 000 anuais, informando, em caso de discrepância de elementos, a Autoridade para as Condições do Trabalho".  Os movimentos que promovem a petição afirmaram em comunicado que "adiar uma resposta a esta situação é comprometer o futuro e as expectativas de milhares de pessoas, é continuar a penalizar milhares de vidas em dificuldades depois de décadas de precariedade ilegal, em nome da protecção dos verdadeiros incumpridores ou de uma qualquer lógica de curto prazo". "O parlamento tem todas as condições para virar uma difícil página com décadas para tantos trabalhadores e tantas trabalhadoras", conclui o texto subscrito pelo FERVE, Precários Inflexíveis, Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e Apre!