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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Após 4 anos, Marcelinho continuou apoiando Dilma, e eu também

NORDESTE, NORDESTES, por Wilson Gomes

Esperei até a madrugada para ver se algum dos profundos analistas políticos de televisão arrumavam algum argumento sofisticado para explicar o êxito eleitoral de Dilma e, consequentemente, o fracasso de Aécio. Até agora, nada que supere o rés do chão da reação visceral dos torcedores políticos derrotados, registrada no Twitter, no Facebook e no WhatsApp: quem decidiu a eleição foi o programa bolsa família, quem elegeu Dilma foi o Nordeste. São dois argumentos e um só ao mesmo tempo, uma vez que para a percepção eleitoral disseminada nordestinos e beneficiários do bolsa família são praticamente sinônimos. Aliás, beneficiários de bolsa família são nordestinizados, para fins da equação que explica tudo. Aécio mesmo já havia dito que Minas tinha o seu próprio e particular Nordeste, no norte do estado, cheio dependentes dos programas do governo. E hoje muitos insistiram que "os bolsa família" do Rio e de Minas é que melaram o jogo no Sudeste. Tudo nordestino, claro.
Por fim, o meu arjumentista preferido, Diogo Mainardi, enunciou no Manhattan Connection o que tantos desejavam dizer: "O Nordeste sempre foi retrógrado e bovino. É uma região atrasada, pouco educada, pouco instruída" que sustenta eleitoralmente a fraude que é PT. Todos assentiram. Então, estamos combinados que foi o Nordeste, sua pobreza, sua dependência, o seu atraso, suas faltas de inteligência e discernimento e a sua falha moral a eleger Dilma, certo? A depender do aluvião de insultos aos nordestinos que foram despejados em sites de redes sociais (até mesmo por outros nordestinos) esta noite, não há sequer dúvida disso.
Será? O que dizem os fatos? Dilma Rousseff foi eleita com exatos 54.500.287 votos. Mas, vejam só, os habitantes do antigo Nordeste só lhe conseguiram dar 17.650.817 de votos. Ora, isso representa apenas 32,4% dos votos com que ela se elegeu, meus amigos. Falta ainda ainda 67,6% nessa conta. De onde vieram? O Nordeste é bovino e atrasado, "o câncer do Brasil", numas das mais amáveis expressões das mais retuitadas nesta noite simpática, mas Minas, Rio, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande Sul são lugares civilizadíssimos, não é mesmo? Vejam que nem incluí o Espírito Santo na equação, uma vez que do ES se duvida da pureza sudestina. Fiquei só com a nata, para não haver dúvida. Pois não é que dos nordestinos desses estados avançadíssimos vieram 25.715.896 votos? Pois é isso mesmo: SP, MG, RJ, PR, SC e RS, estados de puríssimas castas, deram a Dilma 47,2% dos seus votos. Contra apenas 32,4% do NE bovino, comprado à base de bolsas-esmola.
Sendo assim, gostaria de dar boas-vindas aos novos nordestinos. Aos 26,7 milhões de nordestinos das melhores castas do Sul e do Sudeste, mas também aos outros 11,1 milhões de nordestinos dos demais estados brasileiros, que se juntam esta noite aos 17,6 mi de nordestinos mal nutridos e educados do velho Nordeste, que ousaram desafiar os outros 48,4% de brasileiros e preferiram votar em Dilma Rousseff. E, o que é ainda mais atrevido e imperdoável, atreveram-se a vencê-los numa eleição justa e limpa.
A estupidez humana não conhece limites, meus amigos. Ainda mais em tempos sombrios.

domingo, 19 de outubro de 2014

Domingo na Redenção. Olha a roupa do cabo eleitoral tucano


No Rio Grande do Sul, Aécio Neves propõe o fim do Mercosul

Por Sérgio Ruck Bueno  no Jornal Valor Econômico
PORTO ALEGRE - O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, encerrou a agenda desta segunda-feira em Porto Alegre propondo o fim do Mercosul. Em palestra durante o Fórum da Liberdade, promovido pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE), ele classificou o bloco econômico como “coisa anacrônica” que “não está servindo a nenhum interesse dos brasileiros”.
Para o tucano, o Brasil deveria substituir a união aduaneira por uma área de livre comércio que “permita pelo menos fazer parcerias com países com os quais tenhamos complementariedade”.
Aécio também classificou o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) como “paquidérmico” e disse que o número de ministérios seria reduzido à metade em um eventual governo do PSDB. Ao mesmo tempo, prometeu criar uma secretaria especial com a missão de simplificar o sistema tributário, com existência limitada a seis meses.
Ele criticou ainda o “intervencionismo” do governo federal na economia e defendeu as privatizações realizadas no governo do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Estarrecedor! Relatórios do governo Aécio somem do site do TCE-MG

Por , postado em outubro 16th, 2014 | 64 comentários

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Os coxinhas chamam Dilma de “comunista”, o que é uma bobagem.
Dilma é centro-esquerda democrática, a mesma que transformou as principais nações da Europa em economias poderosas, modernas e socialmente justas.
Quem está parecendo a Coréia do Norte é o estado de Minas Gerais, governado pelo grupo de Aécio desde 2002.
O aparelhamento aecista no estado é absolutamente estarrecedor.
Estou chocado. Nem sei por onde começar. Vou trabalhar com itens numerados para não me perder.
1) Quando era governador de Minas, o candidato nomeou a mulher de seu vice, Adriene Andrade, para o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG).
Só aí já temos uma tremenda falta de ética.  O Tribunal de Contas é o órgão que aprova ou desaprova o uso do dinheiro público pelo governador.
Vai vendo.
2) No último debate, Dilma mencionou relatórios presentes no site do TCE. Pois bem, o TCE tirou o site do ar em seguida, e quando voltou, os relatórios tinham desaparecido! Não sou eu que estou dizendo. É a ultratucana Folha de São Paulo.
Acho que nem a Folha tinha ideia do quão provinciano e autoritário é o governo do PSDB em Minas Gerais.
3) Logo após a declaração de Dilma, o TCE-MG, como se estivesse participando da campanha de Aécio, publicou comunicado informando que as contas do governo Aécio Neves (2003-2010) foram aprovadas. Minutos depois, o fato foi divulgado pela assessoria de campanha do tucano.
4) Um detalhe: o vice de Aécio era Clésio de Andrade, dono do instituto Sensus, o mesmo que tem divulgado pesquisas bandidas para favorecer o tucano.
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Marcos Feliciano, o arauto do obscurantismo, também vai de Aécio. Não me representam!

Aécio recebe apoio de Feliciano e outros líderes evangélicos

Aécio recebe apoio de Feliciano e outros líderes evangélicos
O candidato à presidência Aécio Neves (PSDB) esteve, nesta quarta-feira, em um encontro com líderes evangélicos no Centro de São Paulo. Entre os participantes estava Marco Feliciano (PSC), conhecido por, em meio a acusações de racismo e homofobia, ter presidido a Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados no ano passado. As informações são do Estado de S. Paulo.


"Não sei porque não foi divulgado. Foi um mero acaso. Pode ter sido decisão de última hora", explicou aoEstado de S. Paulo José Agripino (DEM-RN), coordenador-geral da campanha tucana à presidência.




segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A memória seletiva e sem-vergonha de Aécio. Wilson Gomes, mais uma vez, brilhante

Engraçado como é a memória da gente, né? Sempre pregando as suas peças. Aécio fala em "crescimento econômico", minha memória volta aos anos noventa e lembra "arrocho salarial". Aécio fala em "tornar o Estado menos aparelhado, valorizando um governo de técnicos e de funcionários públicos", mas o que a danada da minha memória recolhe dos anos 1990 é "corte no orçamento", "demissão de funcionários públicos", "suspensão de aumento salarial do funcionalismo". Aécio fala de "avanço em Ciência e Tecnologia", mas na minha memória se forma a lembrança de um CNPq à beira da falência, de Universidades com a luz e o telefone cortados por falta de pagamento e de todos os meus colegas professores-pesquisadores irremediavelmente pendurados no cheque especial. Aécio fala em "fim da corrupção" e eu lembro dos escândalos da compra de votos para a emenda da reeleição de FHC.
Aécio continua falando, falando e falando...enquanto na minha indócil memória a lateja a palavra-chave mais anos noventa dentre todas, para quem estava no Serviço Público naquela época, "contingenciamento, contingenciamento, contingenciamento".
Acho que esse é o grande problema da candidatura de Aécio para pessoas como eu: a memória. Aécio me lembra a propaganda de um candidato a prefeito de Salvador que adotou o slogan "quem conhece fulano, vota em fulano", quando, na verdade, quem o conhecia não votou nele de jeito algum. Se eu fosse Aécio, não fica remexendo nos "gloriosos" anos 1990, em que, segundo a nova lenda, FHC inventou o mundo e todas as suas virtudes. Meus amigos, não faz mais que duas semanas que FHC foi canonizado; quando terminou o seu segundo mandato, a popularidade não lhe garantiria nem eleição para deputado estadual. Na verdade, nem houve segundo mandato, porque FHC chegou nele tão fraco politicamente e tão anêmico em termos de popularidade que não conseguiu fazer absolutamente nada. Se Serra e Alckmin tivessem podido usar o governo tucano de FHC como vitrine, por que vocês acham que o esconderam esses anos todos? Só agora, que o tempo esmaeceu as lembranças e eleitores que eram muito jovens nos anos 1990 entraram no jogo, é que FHC foi transformado, retoricamente, em um gigante sobre cujos ombros se encontra Aécio.
Eu, infelizmente, tenho esta memória que me castiga. E assim como o PT está sitiado pelo antipetismo, os tucanos enfrentam, uma eleição após a outra, o obstáculo dos eleitores que se lembram dos anos 1990. Eu lembro. Aécio vai ter que se esforçar muito se votos como o meu lhe interessam. O pior é que lhe parece suficiente ser candidato dos antipetistas que decidiram, por alguma revelação divina, que a corrupção é fruto da "vontade política" e que, uma vez empossado um tucano, ela cessará automaticamente no início de janeiro. E para quem tem tristes memórias dos anos 1990 e não crê em estultices como esta, Aécio vai dizer o quê?

Marcos Rolim: Sobre o 2º turno: Aécio não.

O processo eleitoral selecionou a polarização entre PT e PSDB, a mesma dos últimos 20 anos. O resultado impede que a política brasileira seja renovada, obrigando os eleitores a uma opção conservadora. Por conta disto, penso que Marina e a Rede fariam melhor caso se mantivessem a par desta disputa, antecipando uma postura de oposição ao próximo governo. Há, seguramente, muitos aspectos a serem considerados e não parto do princípio de que minha posição esteja correta. O fato é que, neste momento, divirjo em um ponto essencial da posição tomada por Marina que anunciou apoio a Aécio a partir de um diálogo em torno de pontos programáticos importantes, mas que não serão assumidos efetivamente pelo PSDB e por sua composição política.
Pessoalmente, embora com uma visão essencialmente crítica a respeito do governo Dilma, não considero que Aécio seja uma alternativa, nem que represente compromissos mais avançados. Pelo contrário, penso que um governo do PSDB poderá abrir espaços para retrocessos importantes em temas cruciais como as políticas de segurança – com a abordagem do tipo “Lei e Ordem”, o estímulo à violência policial e o incremento da demanda por encarceramento. O tema da redução da idade penal sintetiza uma visão essencialmente repressiva sobre segurança, constituindo um mantra com o qual Aécio e o PSDB articulam o apoio dos setores mais reacionários na área. Apenas isto já seria o suficiente para recusar o caminho proposto por Aécio.
Com esta breve avaliação, registro que votarei em Dilma no 2º turno, como já o fiz em 2010. Os motivos são os mesmos. Temos de um lado uma proposta que, a par dos seus limites políticos e morais, possui um sentido claramente inclusivo que tem beneficiado setores historicamente fragilizados. De outro, temos um campo que é muito mais claramente orgânico aos grandes grupos econômicos e que tende a reduzir o impacto das políticas sociais ao invés de aprofundá-lo: trata-se, então, de evitar o pior. Ponto.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Jean Wyllys não fica no muro e apoia Dilma

Carta para além do muro (ou por que Dilma agora)

Aécio representa uma coligação de partidos de ultradireita, com uma base ainda mais conservadora que a do governo Dilma no Parlamento.
por Jean Wyllys — Na Carta Capital
O muro não é meu lugar, definitivamente. Nunca gostei de muros, nem dos reais nem dos imaginários ou metafóricos. Sempre preferi as pontes ou as portas e janelas abertas, reais ou imaginárias. Estas representam a comunicação e, logo, o entendimento. Mas quando, infelizmente, no lugar delas se ergue um muro, não posso tentar me equilibrar sobre ele. O certo é avaliar com discernimento e escolher o lado do muro que está mais de acordo com o que se espera da vida. O correto é tomar posição; posicionar-se mesmo que a posição tomada não seja a ideal, mas a mais próxima disso. Jamais lavar as mãos como Pilatos – o que custou a execução de Jesus – ou sugerir dividir o bebê disputado por duas mães ao meio.
Sei que cada escolha é uma renúncia. E, por isso, estou preparado para os insultos e ataques dos que gostariam que eu fizesse escolha semelhante às suas.
Por respeito à democracia interna do meu partido, aguardei a deliberação da direção nacional para dividir, com vocês, minha posição sobre o segundo turno. E agora que o PSOL já se expressou, eu também o faço.
Antes de mais nada, quero dizer que estou muito feliz e orgulhoso pelo papel cumprido ao longo de toda a campanha por Luciana Genro. Jamais um(a) candidato(a) presidencial tinha assumido em todos os debates, entrevistas e discursos – e, sobretudo, no programa de governo apresentado – um compromisso tão claro com a defesa dos direitos humanos de todos e de todas. Luciana foi a primeira candidata a falar as palavras “transfobia” e “homofobia” num debate presidencial, além de defender abertamente o casamento civil igualitário, a lei de identidade de gênero e a criminalização da homofobia nos termos em que eu mesmo a defendo; mas também foi a primeira a defender, sem eufemismos, as legalizações do aborto e da maconha como meios eficazes de reduzir a mortalidade da população pobre e negra, a taxação das grandes fortunas, a desmilitarização da polícia e outras pautas que considero fundamentais. O PSOL saiu da eleição fortalecido.
Agora, no segundo turno, a eleição é entre os dois candidatos que a população escolheu: Dilma Rousseff e Aécio Neves. E eu não vou fugir dessa escolha porque, embora tenha fortes críticas a ambos, acredito que existam diferenças importantes entre eles.
A candidatura de Aécio Neves – com o provável apoio de Marina Silva (e o já declarado apoio dos fundamentalistas MAL-AFAIA e Pastor Everaldo; do ultrarreacionário Levy Fidélix; da quadrilha de difamadores fascistas que tem por sobrenome Bolsonaro e do PSB dos pastores obscurantistas Eurico e Isidoro) – representa um retrocesso: conservadorismo moral, política econômica ultraliberal, menos políticas sociais e de inclusão, mais criminalização dos movimentos sociais, mais corrupção (sim, ao contrário do que sugere parte da imprensa, o PT é um partido menos enredado em esquemas de corrupção que o PSDB), mais repressão à dissidência política e menos direitos civis.
Mesmo com todos as críticas que eu fiz, faço e continuarei fazendo aos governos do PT, a memória da época do tucanato me lembra o quanto tudo pode piorar. Por outro lado, Aécio representa uma coligação de partidos de ultradireita, com uma base ainda mais conservadora que a do governo Dilma no Parlamento. Esse alinhamento político-ideológico à direita entre Executivo e Legislativo é um perigo para a democracia.
Vocês, que acompanham meus posicionamentos no Congresso, na imprensa e aqui sabem o quanto eu fui crítico, durante esses quatro anos, das claudicações e recuos do governo Dilma e do tipo de governabilidade que o PT construiu. Mas sabem, também, que tenho horror a esse antipetismo de leitor da revista marrom, por seu conteúdo udenista, fundamentalista religioso, classista e ultraliberal em matéria econômico-social. Considero-o uma ameaça às conquistas já feitas, que não são todas as que eu desejo, mas existem e são importantes, principalmente para os mais pobres. As manifestações de racismo e classismo que vi nos últimos dias nas redes sociais contra o povo nordestino, do qual faço parte como baiano radicado no Rio, mais ainda me horrorizam.
Por isso, aderindo à posição da direção nacional do PSOL, que declarou “Nenhum voto em Aécio”, eu declaro que, neste segundo turno das eleições, eu voto em Dilma e a apoio, mesmo assegurando a vocês, desde já, que farei oposição à esquerda ao seu governo (logo, uma oposição pautada na justiça, na ética, nas minhas convicções e no republicanismo), apoiando aquilo que é coerente com as bandeiras que defendo e me opondo ao que considero contrário aos interesses da população em geral e daqueles que eu represento no Congresso, como sempre fiz.
Hoje, antes de dividir estas palavras com vocês, entrei em contato com a coordenação de campanha da presidenta Dilma para antecipar minha posição e cobrar, dela, um compromisso claro com agendas mínimas que são muito caras a mim e a todas as que me confiaram seu voto.
E a presidenta Dilma, após argumentar que pouco avançou na garantia de direitos humanos de minorias porque, no primeiro mandato, teve de levar em conta o equilíbrio de forças em sua base e priorizar as políticas sociais mais urgentes, garantiu que, desta vez, vai:
1. fazer todos os esforços que lhe cabem como presidenta para convencer sua base a criminalizar a homofobia em consonância com a defesa de um estado penal mínimo;
3. fazer todos os esforços que lhe cabem como presidenta para mobilizar sua base no Legislativo para legalizar algo que já é uma realidade jurídica: o casamento CIVIL igualitário (ela ressaltou, contudo, que vai tranquilizar os religiosos de que jamais fará qualquer ação no sentido de constranger igrejas a realizarem cerimônias de casamento; a presidenta deixou claro que seu compromisso é com a legalização do CASAMENTO CIVIL – aquele que pode ser dissolvido pelo divórcio – entre pessoas do mesmo sexo);
4. realizar maior investimento de recursos nas políticas de prevenção e tratamento das DSTs/Aids, levando em conta as populações mais vulneráveis à doença;
5. dar maior atenção às reivindicações dos povos indígenas, conciliando o atendimento a essas reivindicações com o desenvolvimento sustentável;
6. e implementar o Plano Nacional de Educação (PNE) de modo a assegurar a todos e todas uma educação inclusiva de qualidade, sem discriminações às pessoas com deficiências físicas e cognitivas, LGBTs e adeptos de religiões minoritárias, como as religiões de matriz africana.
Por tudo isso, sobretudo por causa desse compromisso, eu voto em Dilma e apoio sua reeleição.

Rede: um não-partido, que não-decide pra ajudar os tucanos

W. Fedman, ex-tucano, pede alternãncia... no Governo Federal!
A tal "Rede" é uma grande farsa, de gente que fala de nova política, mas, no dizer de Erundina, deseduca e despolitiza o povo. O nível de demagogia e desfaçatez da Rede consegue superar até mesmo o PPS, com sua moral seletiva e seus princípios de ocasião.
Agora, o não-partido não-fundado por Marina consegue a proeza de "decidir" não apoiar a reeleição do atual governo sem dizer que apoia a oposição (LEIA). A base da não-decisão é a defesa da alternância no poder. O incrível é que o mesmo critério não valeu para o apoio à 6ª (!!!) eleição seguida para os tucanos de São Paulo (antigo, ou nem tão antigo, ninho de W. Feldman). Pra fundamentar sua decisão, o não-partido fez uma consulta por telemarketing! Ou seja, o famoso processo de decisão coletivo não passa de contatos telefônicos, seguido de uma reunião de cúpula que decide tudo. 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Gilmar reafirma sua parceria com Veja e suspende direito de resposta

O Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, acaba de conceder liminar à revista Veja, para suspender o direito de resposta obtido pelo PT junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Com a medida - previsível - Gilmar consolida uma parceria histórica com a revista, conforme se poderá conferir no post "A Operação Banqueiro e como se uniram as duas maiores fábricas de dossiês da República".

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Ministro suspende propaganda de Marina por ofensa à Dilma e ao PT

Ministro Herman Benjamin do Superior Tribunal de Justica STJ toma posse no cargo de membro substituto do TSE.

Em decisão individual, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin deferiu liminar para suspender propaganda eleitoral da Coligação Unidos pelo Brasil, da candidata Marina Silva, por conter ofensa de caráter pessoal à candidata Dilma Rousseff e à Coligação Com a Força do Povo, capitaneada pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Na referida propaganda, a coligação da candidata Marina Silva alega que eventual corrupção no âmbito da Petrobras tem financiado a base aliada dos partidos que apoiam a Coligação com a Força do Povo.  Afirma, ainda, que a candidata Dilma Rousseff foi chamada a responder perante o Tribunal de Contas da União pelo prejuízo causado pela negociação envolvendo a refinaria de Pasadena, uma vez que, na época, ela fazia parte do Conselho de Administração da Petrobras.
Na ação contra a peça, a Coligação Com a Força do Povo e a candidata a reeleição Dilma Rousseff sustentaram que na mídia veiculada no dia 29 de setembro, as representadas não se limitaram a tecer críticas de natureza política, mas buscaram veicular informação sabidamente inverídica em prejuízo à honra e à imagem da candidata, atribuindo-lhe responsabilidade inexistente.
Alegaram, ainda, que a propaganda ofende a coligação que tem o PT como um de seus integrantes, uma vez que o acusa de sustentar sua base no Congresso com dinheiro da corrupção, imputando conduta criminosa à agremiação.
No mérito da representação, que será julgada pelo plenário da Corte, a Coligação com a Força do Povo requer direito de resposta com a concessão de tempo não inferior a um minuto correspondente a cada peça de propaganda.
Liminar
Ao decidir, o ministro Herman Benjamin reconheceu que houve excesso no teor da propaganda e ofensa aos partidos que compõem a coligação. “No caso dos autos, ao menos em juízo de cognição sumária, próprio desta fase processual, entendo que há ofensa de caráter pessoal ao PT e partidos da base aliada, bem como exploração indevida de dado que ainda é sigiloso (delação premiada), ou seja, cujo teor o público geral não conhece”, enfatizou em seu voto.
Segundo o ministro, embora o escândalo da Petrobras venha sendo amplamente divulgado na mídia,  não se tem notícia de que a candidata Dilma Rousseff tenha sido responsabilizada pelo Tribunal de Contas da União em relação à compra da refinaria.
Lembrando que o direito de resposta é cabível nas hipóteses em que candidatos, partidos e coligações forem atingidos, ainda que de forma indireta, por conceito, imagem ou afirmação caluniosa, difamatória, injuriosa ou sabidamente inverídica, Herman Benjamin afirmou que a suspensão da propaganda é uma medida prudente.
“Ante o exposto, defiro a liminar, a fim de determinar a suspensão imediata da propaganda eleitoral atacada, sob pena de fixação de multa diária”, concluiu o relator.
MC/FP
Processo relacionado: Rp 143090

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Pregação de Marina é o "sermão do evangélico confuso"

Não conheço Marina Silva pessoalmente e, provavelmente, nunca conhecerei. O fato é que minha preocupação não é com a pessoa de Marina, mas no que ela passou a representar. Procurando material para refletir, me dei ao trabalho de escutar esse pequeno trecho da pregação de Marina.
É importante destacar que não é um discurso de ódio que fala mais sobre o diabo do que sobre Deus. Ponto pra Marina. O problema é que o que observamos é uma confusão, uma encheção de linguiça que revela bem que a aparente articulação verbal de Marina é, na verdade, a dificuldade de fechar um raciocínio com objetividade. Já vi pregadores fazerem falas muito tocantes. Independente da crença, são capazes de falas articuladas, com início, meio e fim e fundamentação teológica e oratória sofisticada. Não é o caso de Marina. 
Aos 3 min. e 14s ela fala "só pra concluir" e a pregação invereda por um caminho tortuoso. Sem quê nem por quê, Marina tenta explicar por que sobraram pães e não sobraram peixes em um dos episódios de multiplicação (sim, há duas versões diferentes). Por algum motivo, o pão representa a palavra e o peixe "representam(sic) as estruturas". As palavras vão se repetindo e trocando de posição nas frases de modo variado. 
O que me incomoda não é tanto a religiosidade da Marina (isso é coisa dela), mas o modo como se evidencia a exploração política dessa condição. Soma-se a isso, a confusão entre o fundamentalismo (Cristo fez o milagre da multiplicação) versus a leitura simbólica (pão é a palavra, peixe a estrutura). Essa leitura de conveniência e  parece ser a base do contorcionismo retórico e conceitual da ex-senadora. Vasculhando outros videos sobre a vida de Marina, não se vê a tal história de só ter um ovo em casa. Aliás, o que aparece é que a família era pobre, mas, segundo ela própria, tinha plantação de milho e criação de porcos.
Enfim não conheço Marina e nem vou conhecer. É provável que ela seja uma pessoa maravilhosa para aqueles que gostam dela e de quem ela gosta. A mim, não encanta mais
.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Paulo Bornhausen e Marina Silva se reúnem e gravam juntos

Do site de Paulo Bornhausen
marina
Convidado por Marina Silva, o candidato a senador Paulo Bornhausen (PSB) esteve na noite de domingo em São Paulo, onde se reuniu com a candidata a presidente e gravou um programa ao seu lado.
Descontraída, Marina recebeu a sós Bornhausen durante cerca de uma hora. Enquanto se preparavam para gravar, falaram da campanha no Brasil e em Santa Catarina e acertaram os detalhes de uma visita da presidenciável ao Estado, em meados de setembro.
No estúdio, ao gravarem, Marina pediu para ressaltar diante das câmeras a liderança de Bornhausen como parlamentar em ações como o Ficha Limpa. E reforçou o pedido de voto ao candidato a senador.
Longe das câmeras, Bornhausen frisou que Santa Catarina já está ao lado de Marina, conforme revelam as pesquisas. E ela respondeu:
“Quero ir a Santa Catarina contigo. Vamos marcar o dia”.
A agenda de Marina em Santa Catarina ainda não está montada. Mas é provável que, ao lado de Bornhausen, a candidata cumpra agenda em Florianópolis. Se houver tempo para mais uma cidade, Marina pode ir ao sul, provavelmente Criciúma.
Como secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Bornhausen liderou uma série de ações em Santa Catarina que impressionaram a equipe de campanha de Marina. Programas como o Economia Verde Solidária – que apoia projetos de reciclagem por cooperativas de baixa renda – vão de encontro ao eixo de sustentabilidade que norteia o programa do PSB para a presidência.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Marina agrada a ruralistas ao propor mudança nas regras sobre trabalho escravo

Candidata do PSB propõe nova redação de artigo do Código Penal; ruralistas enxergam chance de retirar expressões como “jornada exaustiva” e “condições degradantes”

Ao propor uma “nova redação” para o artigo 149 do Código Penal, que trata das condicionantes que caracterizam o trabalho escravo no Brasil, o programa da candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, abre uma janela para o desejo da bancada ruralista de conseguir no Congresso uma mudança nas regras que tratam do tema.
A proposta de nova redação consta do programa de governo detalhado, apresentado por Marina, há cerca de um mês, o mesmo que gerou polêmica em relação ao plano de dar independência ao Banco Central e recuos da candidata em relação à criminalização da homofobia e apoio ao casamento gay. Marina aponta que a direção da mudança deve ser no sentido de dar mais clareza ao artigo, no entanto, não indica que mudanças pretende defender.
“Propor nova redação para o Artigo 149 do Código Penal, de modo a tipificar de forma mais precisa o crime de submeter alguém à condição análoga à de escravo”, diz o texto divulgado pela campanha entre as propostas publicadas na página 205, do capítulo 6, que trata do Eixo “Cidadania e Identidades”.
DIVULGAção/PSB
Ao lado do governador e candidato à reeleição pelo Espírito Santo, Renato Casagrande, Marina Silva faz campanha em Vitória (18/09)

A modificação é encarada pelos ruralistas como um espaço para suprimir duas condicionantes expressas na lei para caracterizar o trabalho escravo: a submissão de trabalhadores à “jornada exaustiva” ou a “condições degradantes” de trabalho.
Essas duas expressões entraram na legislação brasileira em dezembro de 2003, por meio da Lei 10.803, que modificou a antiga redação do Código Penal. Na época, o texto previa como condicionantes apenas as práticas de “trabalho forçado” e “servidão por dívida”, consideradas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Na época, a própria OIT enxergou a mudança um avanço com o para tipificar melhor as práticas modernas de escravidão.
A proposta de Marina está redigida de forma idêntica ao que foi proposto pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na segunda edição do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-2) elaborado em 2002. Naquela época, era prioridade do governo e de movimentos de combate ao trabalho escravo inserção das condicionantes mais modernas que pudessem caracterizar de forma mais precisa o crime.
Após o avanço obtido com a aprovação da modificação, em 2003, esta reivindicação passou a ser pauta prioritária dos ruralistas.
A campanha tucana, inclusive, já denunciou a campanha de Marina por ter plagiado as propostas do PNDH-2.
Defesa
Por sua vez, a campanha de Marina, informou que, a retomada da proposta no programa de governo não tem a ver com “nenhuma reivindicação que resulte no relaxamento do que prevê o Artigo 149. “Ao afirmar que a Coligação Unidos pelo Brasil vai ‘propor nova redação para o Artigo 149 do Código Penal, de modo a tipificar de forma mais precisa o crime de submeter alguém à condição análoga a de escravo’, o Programa de Governo quer tornar mais clara e inequívoca a tipificação do referido artigo”, informou a campanha por meio de sua assessoria.
“A proposta, portanto, não visa atender a nenhuma reivindicação que resulte no relaxamento do que prevê o Artigo 149. Pelo contrário, o Programa de Governo firma um compromisso explícito com o propósito de aprimorar e aperfeiçoar as conquistas da cidadania no Brasil”, informou a campanha.
Proposta
A intenção de retroceder dos ruralistas, no entanto, está expressa em propostas de lei defendidas em projetos que tramitam atualmente no Congresso. A aposta da bancada, que conta com mais de 200 deputados e 13 senadores está depositada atualmente na aprovação do projeto de lei 3842, de 2012, de autoria do deputado Moreira Mendes (PSD-RO), que propõe a nova redação sem as condicionantes “jornada exaustiva” e “condições degradantes”.
O projeto foi apensado à proposta de número 5016, de autoria do ex-senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que já tramitava no Senado e na Câmara.
“Estamos trabalhando isso no Congresso. Não concordamos com a atual redação”, reclamou deputado Luís Carlos Heinze (PP-RS), coordenador da Frente Parlamentar Agropecuária, nome oficial da bancada ruralista. A bancada, de acordo com o deputado, já se prepara para tentar aprovar a proposta após as eleições.
“Estamos trabalhando isso aí, inclusive com a colaboração do senador Pedro Taques (PDT-MT), que é procurador. Depois das eleições vamos tentar resolver isso no Congresso”, informou Heinze. “Da forma que a lei hoje está redigida, até se o empregador mantiver uma doméstica em casa, sem janela para a rua, poderá ser autuado por trabalho escravo”, argumentou.
O senador Pedro Taques, que é candidato ao governo de Mato Grosso com o apoio de Marina, disse concordar com a proposta inserida no programa de governo da candidata do PSB. “É necessário mudar isso. Sou a favor”, destacou Taques.
De acordo com o projeto, proposta dos ruralistas, o artigo passaria a ter a seguinte redação “Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, trabalho forçado ou obrigatório, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou obrigatórios mediante ameaça, coação ou violência, quer restringindo a sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador”, propõe o texto.
Os ruralistas alegam que a presença das condicionantes “jornada exaustiva” e “condições degradantes” na legislação confere “insegurança jurídica” para o empregador no Brasil, apesar de estar em vigor no a instrução normativa do Ministério do Trabalho, que caracteriza cada condicionante expressa na lei.