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segunda-feira, 3 de novembro de 2014
segunda-feira, 24 de março de 2014
domingo, 23 de março de 2014
Os que foram à "Marcha pela Família", não são burros; são reacionários e inimigos da liberdade de que desfrutam, hoje
A tal "Marcha pela Família" foi um fracasso retumbante do ponto de vista da mobilização. Todavia, está cumprindo a função de criar um clima de ódio e confrontação, juntamente com os colonistas hidrófobos. A mim parece que o papel dessa gente é exibir uma direita tão raivosa, preconceituosa e inimiga dos Direitos Humanos, que torne aceitável uma direita "séria e responsável".
É divertido exibir postagens comprando essa direitalha com burros, mas, de burros, eles não têm nada. São reacionários, inimigos da liberdade e se pudessem, prenderiam e torturariam de novo.
É divertido exibir postagens comprando essa direitalha com burros, mas, de burros, eles não têm nada. São reacionários, inimigos da liberdade e se pudessem, prenderiam e torturariam de novo.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
A direita saindo do Armário. Quem vai encarar? por Wilson Gomes
Como venho anotando por aqui, há meses, há uma nova direita na roda de capoeira do debate público. E tão animadinha e confiante que passa boa parte do tempo chamando a esquerda ao pé do berimbau. Pois é bem isso que faz, por exemplo, este Manifesto, do qual transcrevo abaixo uns segmentos.
"Ninguém precisa da esquerda para fazer uma sociedade ser menos terrível, basta que os políticos sejam menos corruptos (os da esquerda quase sempre foram e são), que técnicos competentes cuidem da gestão pública e que a economia seja deixada em paz, porque nós somos a economia, cada vez que saímos de casa para gerar nosso sustento.
Ela, a esquerda, constrói para si a imagem de 'humanista', de superioridade moral, e de que quem discorda dela o faz porque é mau. Ela está em pânico porque estava acostumada a dominar o debate público tido como 'inteligente' e agora está sendo obrigada a conviver com gente tão preparada quanto ela (ou mais), que leu tanto quanto ela, que escreve tanto quanto ela, que conhece os seus cacoetes intelectuais, e sua história assassina e autoritária. (...)
Mas a esquerda não detém mais o monopólio do pensamento público no Brasil. Não temos mais medo dela." (Luiz Felipe PONDÉ, na Folha de hoje).
Se você é de esquerda e sentiu fogo na venta com a provocação, pense duas vezes no que vai dizer, porque certamente há algumas verdades nos trechos acima. Sim, já houve um tempo em que ser um intelectual de esquerda (aliás, houve um tempo em que "intelectual" era um adjetivo reservado à esquerda) era bem trabalhoso: precisava-se argumentar, explicar pressupostos, fazer distinções, considerar objeções, estudar muito. O ambiente social estava longe de ser amigável e nem os valores nem os princípios de esquerda eram evidentes. A redemocratização brasileira, depois da ditadura militar promovida por um mutirão liderado pela direita fascista, significou o apagão intelectual da direita: ninguém queria assumir o legado de sangue e fracasso da ditadura, ninguém queria se apresentar como herdeiro do falido fascismo à brasileira e mesmo a direita republicana teria que explicar demais para dizer que direita e fascismo não são necessariamente a mesma coisa, isso se achasse alguém disposto a ouvi-la. A direita enrustiu e a esquerda se espalhou no novo ambiente democrático, sem predadores ou concorrentes. Hoje a esquerda (ou as esquerdas, melhor dizendo) tornou-se um bicho gordo e lento, sem reflexo, vivendo da condescendência ambiental, da autocomplacência gerada pelas igrejinhas, dogmática, intelectualmente preguiçosa e intolerante à menor contrariedade.
Demorou trinta anos para que a direita saísse do armário e juntasse número o suficiente para chamar a atenção na arena intelectual. Por enquanto, só estão ciscando e batendo as asas em esforços de autoafirmação. Mas eu só vejo a esquerda atacando os sujeitos, não os argumentos, o que é um péssimo sinal - quem grita e ofende é porque não tem razão. E aí, vão encarar?
De: Wilson Gomes
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Cadê a direita que estava aqui?
Por
falar em eleições, cadê a direita que estava aqui? Terá sido comida
pelo bicho? José Dirceu escreveu hoje que a união Dudu-Marina mostra "o
fracasso da direita no Brasil". Entendo que ele queira falar do fracasso
eleitoral da direita partidária em apresentar candidaturas viáveis e
puro sangue em eleições majoritárias (ufa...cansei).
Fiquei
pensando nisso. De fato, estamos completando 5 mandatos presidenciais
consecutivos no Brasil de governos de centro-esquerda. Ou que vieram da
esquerda para o centro, se vocês preferem assim. Vir para o centro é
normal, pois no centro político sempre se concentra o maior número de
votos, de forma que ninguém ganha eleições ou governa sem ocupá-lo. Mas o
avanço para o centro pode vir da direita ou da esquerda e só insensatos
poderiam dizer de FHC, Lula e Dilma que tenham partido da direita.
Mesmo o PSDB, só se deslocou para a direita e para o lado mais
conservador porque foi empurrado naquela direção quando o
PT se instalou no centro-esquerda e foi se esparramando. Ficasse no
mesmo espectro, o PSDB não teria discurso nem chances eleitorais e como
não foi capaz de tomar de volta este espaço, arredou um bocadinho para o
outro lado. Circunstâncias.
O que resultou desses 20 anos (uma
geração, meus amigos) de ausência de jogadores fortes na direita?
Primeiro, a direita republicana foi desidratando: o maior exemplo são os
Democratas (ex-PFL, ex um monte de coisas), que ficou falando sozinho
contra impostos e controle de gastos. O discurso mostrou-se
eleitoralmente inócuo e o distanciamento do poder político provocou a
síndrome de abstinência de poder político que resultou na fuga de
quadros (ou "ratos", preferem os radicais). Outro exemplo é a ausência de
desafiantes importantes de direita na arena principal. Não é certamente
Aécio Neves
o cara de direita no cenário, como crê Dirceu. Nem o neto de Arraes vai
improvisar no papel. Nem tampouco Marina, que é conservadora, mas de
esquerda, que no Brasil há uma esquerda bem conservadora.
Não
sabemos ainda quais serão os discursos eleitorais de Aécio, Marina e
Eduardo Campos, mas sabemos com certeza que dirão que farão o mesmo que o
PT faz, só que farão melhor e mais limpo. Aécio ainda falará de ajuste
fiscal, para deixar FHC contente, Marina acrescentará o seu monotema
(que vocês sabem qual é) e Eduardo Campos falará de.... (de quê mesmo?
ganha uma pitomba qualquer não pernambucano que saiba o que de peculiar
Dudu acrescenta ao panorama, além dos olhos claros). Em suma, resta ao
eleitor de direita simplesmente votar contra o PT. O antipetismo, pelo
menos no nível da eleição presidencial, é o que restou à direita, para
se distrair e desabafar.
Por
falar em eleições, cadê a direita que estava aqui? Terá sido comida
pelo bicho? José Dirceu escreveu hoje que a união Dudu-Marina mostra "o
fracasso da direita no Brasil". Entendo que ele queira falar do fracasso
eleitoral da direita partidária em apresentar candidaturas viáveis e
puro sangue em eleições majoritárias (ufa...cansei).
Fiquei pensando nisso. De fato, estamos completando 5 mandatos presidenciais consecutivos no Brasil de governos de centro-esquerda. Ou que vieram da esquerda para o centro, se vocês preferem assim. Vir para o centro é normal, pois no centro político sempre se concentra o maior número de votos, de forma que ninguém ganha eleições ou governa sem ocupá-lo. Mas o avanço para o centro pode vir da direita ou da esquerda e só insensatos poderiam dizer de FHC, Lula e Dilma que tenham partido da direita. Mesmo o PSDB, só se deslocou para a direita e para o lado mais conservador porque foi empurrado naquela direção quando o PT se instalou no centro-esquerda e foi se esparramando. Ficasse no mesmo espectro, o PSDB não teria discurso nem chances eleitorais e como não foi capaz de tomar de volta este espaço, arredou um bocadinho para o outro lado. Circunstâncias.
O que resultou desses 20 anos (uma geração, meus amigos) de ausência de jogadores fortes na direita? Primeiro, a direita republicana foi desidratando: o maior exemplo são os Democratas (ex-PFL, ex um monte de coisas), que ficou falando sozinho contra impostos e controle de gastos. O discurso mostrou-se eleitoralmente inócuo e o distanciamento do poder político provocou a síndrome de abstinência de poder político que resultou na fuga de quadros (ou "ratos", preferem os radicais). Outro exemplo é a ausência de desafiantes importantes de direita na arena principal. Não é certamente Aécio Neves o cara de direita no cenário, como crê Dirceu. Nem o neto de Arraes vai improvisar no papel. Nem tampouco Marina, que é conservadora, mas de esquerda, que no Brasil há uma esquerda bem conservadora.
Não sabemos ainda quais serão os discursos eleitorais de Aécio, Marina e Eduardo Campos, mas sabemos com certeza que dirão que farão o mesmo que o PT faz, só que farão melhor e mais limpo. Aécio ainda falará de ajuste fiscal, para deixar FHC contente, Marina acrescentará o seu monotema (que vocês sabem qual é) e Eduardo Campos falará de.... (de quê mesmo? ganha uma pitomba qualquer não pernambucano que saiba o que de peculiar Dudu acrescenta ao panorama, além dos olhos claros). Em suma, resta ao eleitor de direita simplesmente votar contra o PT. O antipetismo, pelo menos no nível da eleição presidencial, é o que restou à direita, para se distrair e desabafar.
Fiquei pensando nisso. De fato, estamos completando 5 mandatos presidenciais consecutivos no Brasil de governos de centro-esquerda. Ou que vieram da esquerda para o centro, se vocês preferem assim. Vir para o centro é normal, pois no centro político sempre se concentra o maior número de votos, de forma que ninguém ganha eleições ou governa sem ocupá-lo. Mas o avanço para o centro pode vir da direita ou da esquerda e só insensatos poderiam dizer de FHC, Lula e Dilma que tenham partido da direita. Mesmo o PSDB, só se deslocou para a direita e para o lado mais conservador porque foi empurrado naquela direção quando o PT se instalou no centro-esquerda e foi se esparramando. Ficasse no mesmo espectro, o PSDB não teria discurso nem chances eleitorais e como não foi capaz de tomar de volta este espaço, arredou um bocadinho para o outro lado. Circunstâncias.
O que resultou desses 20 anos (uma geração, meus amigos) de ausência de jogadores fortes na direita? Primeiro, a direita republicana foi desidratando: o maior exemplo são os Democratas (ex-PFL, ex um monte de coisas), que ficou falando sozinho contra impostos e controle de gastos. O discurso mostrou-se eleitoralmente inócuo e o distanciamento do poder político provocou a síndrome de abstinência de poder político que resultou na fuga de quadros (ou "ratos", preferem os radicais). Outro exemplo é a ausência de desafiantes importantes de direita na arena principal. Não é certamente Aécio Neves o cara de direita no cenário, como crê Dirceu. Nem o neto de Arraes vai improvisar no papel. Nem tampouco Marina, que é conservadora, mas de esquerda, que no Brasil há uma esquerda bem conservadora.
Não sabemos ainda quais serão os discursos eleitorais de Aécio, Marina e Eduardo Campos, mas sabemos com certeza que dirão que farão o mesmo que o PT faz, só que farão melhor e mais limpo. Aécio ainda falará de ajuste fiscal, para deixar FHC contente, Marina acrescentará o seu monotema (que vocês sabem qual é) e Eduardo Campos falará de.... (de quê mesmo? ganha uma pitomba qualquer não pernambucano que saiba o que de peculiar Dudu acrescenta ao panorama, além dos olhos claros). Em suma, resta ao eleitor de direita simplesmente votar contra o PT. O antipetismo, pelo menos no nível da eleição presidencial, é o que restou à direita, para se distrair e desabafar.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Filho de empresário de transporte vandaliza Prefeitura de Sampa!
Estudante de arquitetura é detido sob suspeita de apedrejar prefeitura
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GIBA BERGAMIM JR. LÉO ARCOVERDE, DE SÃO PAULO. FSP
A Polícia Civil prendeu o jovem identificado como Pierre Ramon Alves de Oliveira, 20, que aparece em imagens como um dos integrantes do grupo que destruiu a entrada da Prefeitura de São Paulo durante os protestos contra o aumenta da tarifa na terça-feira (18).
O rapaz é estudante de arquitetura de uma universidade privada e filho de um empresário da área de transportes. A polícia diz que ele não é ligado a nenhum partido político nem ao Movimento Passe Livre e não tem antecedentes criminais.
No Facebook, o jovem diz ser adepto de artes marciais, como Muay Thai e Jiu-Jitsu, das quais ele compartilha páginas oficiais. Fotos na rede social mostram Oliveira abraçado com amigos, pouco antes dos atos de vandalismo na prefeitura.
Por volta das 17h desta quarta-feira, o jovem prestava depoimento no Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado). A polícia confirmou que era ele após ouvir testemunhas e confrontar a foto dele com as que constam na página dele em redes sociais.
Após o depoimento do jovem, a polícia deve pedir a prisão temporária dele por dano a patrimônio público e formação de quadrilha. A Folha, porém, apurou com policiais, que Ramon não era líder do grupo, e apenas acompanhou manifestantes que atacaram a prefeitura.
"O menino é trabalhador. Ajuda o pai em uma empresa familiar. É universitário, não se trata de um criminoso", disse um investigador. O rapaz, que não tem passagem pela polícia, está acompanhado de um advogado. A Folha ainda não acesso a ele.
| Joel Silva/Folhapress | ||
| Manifestante Pierre Ramon usa grade para quebrar os vidros da prefeitura |
Vestido com uma camisa branca, ele usava uma máscara que protege dos efeitos de gás lacrimogêneo no momento do protesto. Porém, ele abaixou a máscara várias vezes, mostrando o rosto. Ramon não foi, porém, o primeiro a atacar a prefeitura. A Folha estava no local no momento do ato e entrevistou alguns dos agressores. Vários jovens começaram a atirar pedras ao mesmo tempo. Ramon usou uma barreira metálica para quebrar vidros da entrada.
O protesto de ontem começou de forma pacífica na praça da Sé, mas um grupo mais exaltado atravessou a grades que faziam o isolamento na frente da prefeitura e atiraram objetos contra os guadas-civis que faziam um cordão na frente do prédio. Ao menos dois guardas ficaram feridos.
Houve ainda pichações ao prédio da prefeitura e bandeiras hasteadas na frente do prédio foram arrancadas. Mais tarde, um grupo de pessoas ainda depredou e saqueou lojas da região central. Até a madrugada, ao menos, 63 pessoas tinham sido detidas.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Os limites da pátria - Mauro Santayana
É difícil saber se a Sra. Marina Silva é uma pessoa ingênua e de boas
intenções, ou se optou, conscientemente, por defender os interesses das
grandes potências que, sob o comando de Washington, exercem o solerte
condomínio econômico do mundo e pretendem o absoluto império político.
Há uma terceira hipótese que, com delicadeza, devemos descartar:
desmesurada ambição de poder, sem as condições concretas para obtê-lo e
exercê-lo.
Os admiradores lembram sempre sua origem modesta, o que não quer
dizer tudo, mas não podem, com a mesma convicção, dizer que ela tenha
mantido, ao longo da carreira, o que os marxistas chamam “consciência de
classe”. Suas alianças são estranhas a esse sentimento. Ela se tornou
uma figura homenageada pelos grandes do mundo, mas, sobretudo, do eixo
Washington-Londres. Se ela mantivesse a consciência de classe,
desconfiaria desses mimos. Para dizer a verdade, nem mesmo seria
necessária a consciência de classe: bastaria a consciência de pátria.
Os tempos mudam, os interesses de conquista e domínio permanecem, com
sua própria dinâmica e solércia. Os limites intransponíveis da razão
política são os da pátria. Todos os devaneios são admissíveis, menos os
que comprometam a soberania nacional. Não são apenas os estrangeiros que
adoçam os sonhos da defensora da natureza. São também brasileiros ricos
e conservadores que, é claro, procuram dividir a cidadania, para que
fiéis servidores políticos mantenham sua posição no Parlamento e nos
outros poderes.
Há informações de que grande acionista de banco poderoso se
encarregou das despesas do espetáculo de lançamento do partido de dona
Marina, que não quer ser chamado de partido. E não se esqueça de que
quem sempre a financiou é um industrial enriquecido com a biodiversidade
amazônica.
COINCIDÊNCIAS
Não há coincidências em política. Os mentores da Sra. Silva querem
que seu movimento, como ela anunciou, não seja de direita, nem de
esquerda, e muito menos de centro – que é o equilíbrio pragmático entre
as duas pontas do espectro. É interessante a ilogicidade da proposta.
Como é possível dissociar a ideologia da política e, ainda mais, a
ideologia do viver cotidiano?
Esquerda e Direita existem na vida dos homens desde as primeiras
tribos nômades, e são facilmente identificáveis na postura solidária de
alguns e no egoísmo de outros. Sempre que pensamos em igualdade, somos,
menos ou mais, de esquerda; sempre que pensamos na superioridade, de
qualquer natureza, de uns sobre os outros, estamos na direita. Mais
ainda: idéia é a imagem que construímos previamente na consciência, seja
a de um objeto, seja a de uma conduta social e política.
Não é possível viver sem um lado. A doutrina da mal chamada Rede
(apropriação apressada e ingênua do mundo da internet, que é um meio
neutro) oferece essa aporia: é um partido sem partido, uma realidade sem
geometria, uma ideia sem ideia.
(do Blog do Santayana)
terça-feira, 10 de julho de 2012
A ascensão do “anti-intelectualismo” nos EUA
Do OperaMundi
| Livros "semitas" sendo queimados em Berlin |
Professores são o principal alvo de ofensiva da extrema-direita norte-americana contra "ideias subversivas e comunistas"
A classe intelectual está mais uma vez sob ataque nos Estados Unidos. Por trás dessa recente ofensiva ronda o fantasma do “Macartismo”, período de intensa patrulha anticomunista que começou de forma bastante semelhante nos anos 1950. Os alvos preferenciais também eram integrantes da sociedade com ideias “subversivas”.
Hoje, o “anti-intelectualismo” é uma prática em ascensão na sociedade norte-americana, particularmente em estados onde a extrema-direita é maioria. O exemplo mais recente aconteceu em Tucson, no Arizona, possivelmente o mais intolerante em relação aos imigrantes, quando uma junta escolar baniu das bibliotecas escolares os livros da escritora chilena Isabel Allende – mesmo ela vivendo há mais de 40 anos na Califórnia e naturalizada norte-americana.
Segundo Michael Hicks, membro da junta escolar, os livros da escritora foram banidos porque não são “compatíveis com os valores da sociedade”. Ele confessa que nunca leu a obra de Allende. “Não me interessa o que dizem [os livros]. Mas sei que não são bons para os nossos alunos”, disse Hicks recentemente em entrevista ao programa “The Daily Show”.
Allende não está sozinha. Escritores e editores como Junot Díaz, Jonathan Kozol, Rudolfo Anaya, Sandra Cisneros, James Baldwin, Howard Zinn, Rodolfo Acuña, Ronald Takaki, Jerome Skolnick e Gloria Anzaldúa também viram seus livros banidos. Até, A Tempestade, de William Shakespeare, desapareceu das estantes escolares.
A decisão em Tucson obedece a uma lei aprovada pelo congresso estadual do Arizona, que proíbe o ensino de estudos que “promovam a derrubada do governo dos Estados Unidos, o ressentimento contra raças ou classes sociais, estejam orientados para alunos de um determinado grupo étnico e alimentem a solidariedade entre raças em vez do tratamento dos estudantes como indivíduos”. O curioso neste caso é que Tucson, uma cidade com forte imigração latina, proibiu justamente autores da região.
Outra vítima foi a professora Brooke Harris, do Michigan, demitida após pedir autorização para uma campanha em favor da família de Trayvon Martin, jovem negro assassinado por um latino na Flórida em fevereiro – o caso teve repercussão internacional. O diretor do sistema escolar justificou a demissão com o argumento de que Harris era paga para ensinar, “não para realizar atividades políticas”.
Em 2010, um tribunal de apelações em Cincinnati, Ohio, confirmou o desligamento de uma professora do ensino secundário. Shelley Evans Marshall recomendou aos alunos para que estudassem a lista da Associação Norte-americana de Bibliotecas com os “100 livros Banidos e mais questionados” (pelos extremistas), e escrevessem um ensaio sobre a censura.
Ela foi despedida depois que alguns pais protestaram, em particular porque ela recomendou a leitura de livros como Siddhartha, de Hermann Hess e Como matar um rouxinol, de Harper Lee. Também causou furor Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, que descreve uma sociedade futura onde uma polícia intelectual se dedica a queimar livros “proibidos”, como nas fogueiras da Idade Média ou da Alemanha Nazista.
Explicações
Desde a chegada de Barack Obama à Casa Branca, membros dessas elites reacionárias e extremistas políticos decretaram o fim de uma “pureza” ideológica que, até então, controlava os EUA. Muitos vêem Obama como um símbolo dessa ameaça e o “antiintelectualismo” transformou-se, de repente, em uma espécie de “antiobamismo”.
A reforma do sistema de saúde, de repente, virou um “ato antiamericano”, pois teria um verniz“socialista” por favorecer as classes mais pobres e limitar o enriquecimento das companhias de seguros.
“Deus fez o mundo à sua semelhança. Devemos acabar com aqueles quem se opõem a Ele banindo todos esses livros e estudos maltrapilhos que atentam contra a pureza da família”, disse recentemente o pastor evangelista Mattew Simmons, conhecido animador dos comícios do “Tea Party”.
O deputado pela Flórida, Allen West, "acusou" os colegas de serem comunistas. “Há uma rede de membros do Partido Comunista, infiltrada em todos os comitês. Eles não querem o retorno de valores da América; preferem nos levar em direção ao socialismo e a um mundo ateu”, disse West.
Os EUA “têm uma longa historia de antiintelectualismo, é algo que faz parte da nossa cultura e vida política. Somos experts em difundir mensagens contra todos aspectos da vida política e social dos EUA que não nos agradam”, comentou no Huffington Post o escritor e professor de antropologia da Universidade de West Chester, Paul Stoller.
"Vivemos em um país que suspeita dos ‘nerd’, dos sonhadores e dos intelectuais inovadores que guiam Volvos, gostam de comida francesa e bebem cappuccinos. Mas no fundo, são noções artificiais que nos levam a uma ignorância muito perigosa”, acrescentou o intelectual.
Postado por
Sérgio Pecci
terça-feira, 5 de junho de 2012
Marine Le Pen chama Madonna de velha e ameaça processo
| Marine Le Pen. Foto: Pascal Rossignol/REUTERS |
De: 247
Em estreia da turnê "MDNA" em Tel Aviv, cantora mostrou a presidente da Frente Nacional com uma suástica tatuada na testa
05 de Junho de 2012 às 05:44
Opera Mundi - Bastaram dois segundos em que a imagem da
líder da extrema-direita francesa Marine Le Pen apareceu com uma
suástica no rosto, durante a estreia da turnê mundial "M.D.N.A" da
cantora norte-americana Madonna, em Tel Aviv, Israel, para acender a ira
da ex-candidata da Frente Nacional às eleições presidenciais.
Em entrevista ao tabloide Daily Mail nesta segunda-feira (04/05), a
líder conservadora chamou Madonna de "cantora velha" e prometeu
processá-la caso a performance seja repetida em shows da turnê em
território francês. "Nós entendemos como cantoras velhas, que precisam
de pessoas falando sobre elas, vão a tais extremos. Se ela fizer isso na
França no mês que vem, eu estarei esperando", ameaçou Le Pen.
Madonna tem shows marcado para abril nos estádios de Paris e no
Riviera, na cidade de Nice. Também em resposta à exibição da artista,
membros da Frente Nacional prometeram se unir a Le Pen caso a cantora
insista em mostrar a imagem na França. "Nós não somos um partido nazista
e não queremos ser retratados como tal . Se você acusa a Frente
Nacional de ser racista ou anti-semita, você está acusando 5% dos
eleitores da França, que votaram em nós nas últimas eleições. Se Madonna
repetir a performance na França, ela será certamente levada a
julgamento", disse uma fonte ao Daily Mail, que não quis ser
identificada.
Marine Le Pen se comprometeu a reformar a Frente Nacional depois que
assumiu a liderança do partido no ano passado, quando seu pai Jean-Marie
Le Pen deixou o posto. Jean-Marie Le Pen é um conhecido político
condenado por racismo e antissemitismo na Justiça da França e que negava
o acontecimento do holocausto, durante a Segunda Guerra Mundial.
A filha tem liderado a legenda com ideias menos radicais, mas
frequentemente defende limitações à imigração de muçulmanos para
diminuir a influência da cultura islâmica na França. Ela ganhou 18% dos
votos no primeiro turno das últimas eleições presidenciais.
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