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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Wallerstein: o que esperar da era Trump

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Os riscos de desmonte de toda a legislação social nos EUA. O plano fantasioso de aliar-se à Rússia contra a China. O arsenal nuclear nas mãos de alguém imprevisível
Por Immanuel Wallerstein | Tradução: Inês Castilho | Imagem: Edward Steed
A previsão de curto prazo é uma atividade das mais traiçoeiras, que procuro nunca fazer. Prefiro analisar o que está acontecendo em termos da história de longa duração e as prováveis consequências no médio prazo. Contudo, decidi agora fazer previsões de médio prazo, por uma simples razão. Parece-me que todo mundo, em todo lugar, está neste momento focado naquilo que acontecerá no curto prazo. Parece não haver outro tema de interesse. A ansiedade está ao máximo, é preciso lidar com isso.
Começo alertando: penso que 95% das políticas que Donald Trump irá seguir em seus primeiros tempos de governo serão absolutamente terríveis — piores do que esperávamos. Isso já pode ser percebido na indicação de seus principais assessores. Ao mesmo tempo, ele provavelmente enfrentará enormes problemas.
Esse resultado contraditório é consequência do seu estilo político. Se olhamos para trás e observamos como ele chegou à presidência dos Estados Unidos, veremos que foi com certa técnica retórica deliberada, contra todas as probabilidades. Por um lado, ele faz declarações constantes que respondem aos maiores medos dos cidadãos norte-americanos, usando uma linguagem cifrada que os ouvintes interpretam como apoio a políticas que, pensam eles, aliviariam suas muitas dores. Fez isso mais frequentemente em breves tweets ou em comícios públicos fortemente controlados.
Ao mesmo tempo, sempre foi vago sobre quais políticas, precisamente, irá seguir. Suas declarações foram, quase sempre, seguidas de interpretações de seus principais seguidores, frequentemente diferentes e até mesmo opostas. De fato, ele assumiu o crédito por declarações fortes e deixou para outros o descrédito pelas políticas exatas. Foi uma técnica magnificamente efetiva. Levou-o até onde ele está e tudo indica que pretende manter essa política quando estiver no governo.
Seu estilo político tem um segundo elemento. Ele tolerou qualquer interpretação enquanto isso significou apoio a sua liderança. Ao sentir qualquer hesitação quanto ao endosso à sua pessoa, foi ligeiro na vingança, atacando publicamente o ofensor. Exigiu lealdade absoluta, e insistiu em que isso fosse exibido. Aceitou remorsos arrependidos, mas nenhuma ambiguidade com relação à sua pessoa.
Trump parece acreditar que essa mesma técnica lhe será útil em todo o mundo: retórica forte, interpretações ambíguas por um conjunto variado de seguidores principais, e no final políticas muito imprevisíveis.
Ele parece pensar que há apenas dois outros países que importam no mundo, hoje, além dos Estados Unidos – Rússia e China. Como apontaram Robert Gater e Henry Kissinger, está usando a técnica de Nixon ao contrário. Nixon fez um acordo com a China para enfraquecer a Rússia. Trump está tentando um acordo com a Rússia para enfraquecer a China. Essa política parece ter funcionado para Nixon. Funcionará para Trump? Penso que não, porque o mundo de 2017 é muito diferente do mundo de 1973.
Vejamos quais são as dificuldades à frente, para Trump. Em casa, sua maior dificuldade é sem dúvida com os congressistas republicanos, particularmente os da Câmara. Sua agenda não é a mesma que a de Donald Trump. Por exemplo, querem destruir o Medicare. Na verdade, pretendem revogar toda a legislação social do último século. Trump sabe que isso poderia revoltar sua base eleitoral atual, que deseja um Estado de bem-estar social e ao mesmo tempo um governo profundamente protecionista e uma retórica xenófoba.
Trump conta com a intimidação do Congresso para enquadrá-lo. Talvez consiga. Mas então, ficarão evidentes as contradições entre sua agenda pró-ricos e a manutenção parcial do Estado de bem-estar social. Ou então o Congresso prevalecerá sobre Trump e ele achará isso intolerável. O que poderá fazer é uma incógnita. Desde que se conhece por gente, nunca enfrentou esse tipo de situação difícil – até que tenha de fazê-lo.
O mesmo é verdade quanto à geopolítica do sistema-mundo. Nem a Rússia nem a China estão prontas para retroceder minimamente de suas políticas atuais. Por que o fariam? Essas políticas estão funcionando para eles. A Rússia é novamente uma grande potência no Oriente Médio e em toda o antigo mundo soviético. A China está assumindo, devagar e sempre, uma posição de domínio no Norte e no Sudeste da Ásia, e ampliando seu papel no resto do mundo.
Sem dúvida, tanto a Rússia quanto a China passam por dificuldades de tempos em tempos, e ambos estão prontos a, oportunamente, fazer concessões a outros – mas não mais do que isso. Trump descobrirá que não é, internacionalmente, o cão alfa a quem todo mundo deve obediência. E então?
O que ele pode fazer quando suas ameaças sejam ignoradas, é de novo uma incógnita. O que todos temem é que ele venha a agir, precipitadamente, com as ferramentas militares que tem à disposição. Fará isso? Ou será contido por seu círculo de assessores imediatos? Podemos apenas ter esperanças.
Então é isso. A meu ver, o cenário não é favorável, mas também não é sem esperança. Se de alguma forma alcançarmos, neste ano, um ínterim de estabilidade dentro dos Estados Unidos e no sistema-mundo como um todo, então as tendências de médio prazo reassumirão sua primazia. E nesse terreno a história, embora ainda sombria, tem ao menos melhores perspectivas para aqueles que desejam um mundo melhor do que esse que temos atualmente.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Pelo telefone, presidente eleito de Israel se desculpa com Dilma por declaração de porta-voz


Nota Oficial
Nesta segunda-feira (11), a presidenta Dilma Rousseff falou por telefone com o recém-eleito presidente de Israel, Reuven Rivlin. Durante a conversa, o novo mandatário israelense pediu desculpas pelas declarações do porta-voz de sua Chancelaria em relação ao Brasil e esclareceu à presidenta que as expressões usadas não correspondem aos sentimentos da população de seu país.
Confira a íntegra da nota:
“A Presidenta Dilma Rousseff recebeu hoje chamada telefônica do recém-eleito presidente de Israel, Reuven Rivlin.
Na conversa dos dois mandatários, o Chefe de Estado israelense apresentou desculpas pelas recentes declarações do porta-voz de sua Chancelaria em relação ao Brasil. Esclareceu que as expressões usadas por esse funcionário não correspondem aos sentimentos da população de seu país em relação ao Brasil. A Presidenta fez referência aos laços históricos que unem os dois países há várias décadas.
Na conversação dos dois dirigentes foi evocada a grave situação atual da Faixa de Gaza. O mandatário israelense afirmou que o país estava defendendo-se dos ataques com mísseis que seu território vinha sofrendo.
A presidenta Dilma afirmou que o governo brasileiro condenara e condena ataques a Israel, mas que condena, igualmente, o uso desproporcional da força em Gaza, que levou à morte centenas de civis, especialmente mulheres e crianças. Reiterou a posição histórica do Brasil em todos os foros internacionais de defesa da coexistência entre Israel e Palestina, como dois Estados soberanos, viáveis economicamente e, sobretudo, seguros.
Manifestando sua esperança de que a continuidade do cessar-fogo e as negociações atuais entre as partes possam contribuir para uma solução definitiva de paz na região, a Presidenta do Brasil enfatizou que a crise atual não poderá servir de pretexto para qualquer manifestação de caráter racista, seja em relação aos israelenses, seja em relação aos palestinos.”
Secretaria de Comunicação Social
Presidência da República

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Brasil mantém condenação "a uso desproporcional da força" por Israel em Gaza

Flávia Albuquerque e Bruno Bocchini – Repórteres da Agência Brasil Edição: Nádia Franco
Brasília - O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, fala sobre política externa brasileira no Senado ( Antonio Cruz/Agência Brasil)
Chanceler reage a críticas israelenses e diz que Brasil não é anão diplomático Antonio Cruz/Agência Brasil
O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, defendeu hoje (24) a posição do governo brasileiro que, em nota divulgada ontem (23), condenou “energicamente o uso desproporcional da força” por Israel em conflito na Faixa de Gaza.
“Condenamos a desproporcionalidade da reação de Israel, com a morte de cerca de 700 pessoas, dos quais mais ou menos 70% são civis, e entre os quais muitas mulheres, crianças e idosos. Realmente, não é aceitável um ataque que leve a tal número de mortes de crianças, mulheres e civis", disse o ministro. "E é sobre esse fato que essa nova nota fala”, ressaltou Figueiredo, após participar, em São Paulo, de evento na Fundação Getulio Vargas.


Ele acrescentou que a última nota do Itamaraty não omite nada que foi dito antes. "Ao contrário,a gente pede o cessar-fogo imediato. Cessar-fogo quer dizer o quê? [Cessarem] os ataques das duas partes. Não há cessar-fogo unilateral, não é isso que a gente pede. A gente pede que as duas partes parem os ataques. Isso permanece.”O ministro lembrou que, na semana passada, o Itamaraty já havia divulgado nota condenando o movimento islâmico Hamas pelos foguetes lançados contra Israel, e também Israel pelo ataque à Faixa de Gaza. “Israel se queixa que, na última nota, não repetimos a condenação que já tínhamos feito. A condenação que já tínhamos feito continua somos absolutamente contrários ao fato de o Hamas soltar foguetes contra Israel. Isso se mantém. Não há dúvida. Não pode haver dúvida disso”, afirmou Figueiredo.

Figueiredo rebateu ainda afirmação do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, que, segundo o jornal The Jerusalem Post, classificou o Brasil de "anão diplomático", apesar de sua posição econômica e cultural.  “O que eu li é que o Brasil é um gigante econômico e cultural, e é um anão diplomático. Eu devo dizer que o Brasil é um dos poucos países do mundo, um dos 11 países do mundo, que têm relações diplomáticas com todos os membros da ONU [Organização das Nações Unidas]. E temos um histórico de cooperação pela paz e ações pela paz internacional. Se há algum anão diplomático, o Brasil não é um deles, seguramente”, reagiu o chanceler.
Segundo Figueiredo, as declarações do porta-voz da Chancelaria israelense não devem, porém, estremecer as relações de amizade entre os dois países. “Países têm o direito de discordar. E nós estamos usando o nosso direito de sinalizar para Israel que achamos inaceitável a morte de mulheres e crianças, mas não contestamos o direito de Israel de se defender. Jamais contestamos isso. O que contestamos é a desproporcionalidade das coisas”, destacou.
O chanceler também defendeu a posição brasileira assumida no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. O Brasil votou favoravelmente à condenação da atual ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza e à criação de uma comissão internacional para investigar todas as violações e julgar os responsáveis.
“A maioria apoiou, inclusive a América Latina inteira. Nós estamos junto da nossa região e apoiamos, neste caso, uma investigação internacional independente para determinar o que aconteceu, o que está acontecendo. Eu acho razoável haver essa investigação internacional independente, e foi a favor disso que nós nos manifestamos.”

domingo, 8 de dezembro de 2013

DEMÉTRIO MAGNOLI DÁ A BOLA FORA DO SÉCULO NA FOLHA

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Entenda a onda de protestos na Ucrânia


Presidente ucraniano apoiado pela Rússia desiste de acordo para estreitar laços com Europa

De: BBC
O Parlamento da Ucrânia rejeitou uma tentativa da oposição de forçar a renúncia do governo nesta terça-feira. O pedido havia sido feito com o apoio de milhares de manifestantes que tomam as ruas da capital para protestar contra a decisão do governo de cancelar um acordo para estreitar os laços do país com a União Europeia.
A oposição havia apresentado uma moção de desconfiança, que obteve 186 votos de parlamentares - 40 a menos que o mínimo necessário.
Os participantes dos protestos querem a renúncia do premiê Azarov e do presidente Viktor Yanukovych, que segundo analistas, é apoiado pela Rússia. O governo ucraniano sofreu forte pressão econômica de Moscou para desistir do acordo com o bloco europeu.Mais cedo o premiê ucraniano Mycola Azarov havia pedido desculpas ao Parlamento pela repressão violenta da polícia aos manifestantes.
Os manifestantes ainda estão nas ruas e cogitam organizar uma greve geral no país.
Entenda a seguir quais são as causas da atual onda de protestos na Ucrânia.
O que causou os protestos?
O gatilho foi a decisão do governo de não assinar uma parceria abrangente com a União Europeia, apesar de anos de negociações destinados a integrar a Ucrânia com os 28 países do bloco.
A decisão foi anunciada em 21 de novembro e causou grande frustração em uma reunião da UE com ex-repúblicas soviéticas no final de novembro.
Milhares de ucranianos favoráveis à adesão à União Europeia tomaram as ruas da capital – em 24 de novembro o número de manifestantes foi estimado em 100.000. Eles exigiam que o presidente Viktor Yanukovych voltasse atrás na sua decisão e retomasse as negociações com o bloco europeu.
Contudo, o mandatário se recusou e os protestos se intensificaram. Agora, os manifestantes exigem a renúncia de Yanukovych e seu gabinete.
Quem são os manifestantes?
Provavelmente o manifestante mais conhecido é Vitali Klitschko, um campeão de boxe que se transformou em líder opositor. Ele lidera um movimento chamado Udar (soco) e planeja concorrer à Presidência em 2015.
Sua principal bandeira de campanha é "um país moderno com padrões europeus" – o que significa, na prática, significa diminuir as relações com a Rússia e estreitar os laços com a União Europeia.
Outro grupo opositor que participa dos protestos é chamado Svoboda (liberdade). O movimento é considerado ultranacionalista e seu líder é Oleh Tyahnybok.
Também tomou parte dos protestoso o ex-premiê polonês e atual líder de oposição Jaroslaw Kaczysnski. Historicamente
A Polônia tem laços históricos com a Ucrânia. O leste ucraniano já foi parte do território da Polônia e os dois países compartilham de fortes laços culturais e religiosos (ambos são católicos).
A maior parte dos ucranianos ocidentais se sentem próximos do Ocidente e suspeitam da Rússia. A Polônia é uma voz forte na União Europeia na luta para incluir a Ucrânia no bloco.
Um dos mais importantes manifestantes ucranianos é Arseniy Yatsenyuk, líder do segundo maior partido ucraniano, chamado Pátria. Ele é aliado de Yulia Tymoshenko, uma ex-premiê atualmente na cadeia cumprindo pena por abuso de poder e principal rival política do presidente Yanukovych.
Por que Yulia Tymoshenko é importante?
Tymoshenko é reconhecida internacionalmente como símbolo da oposição a Yanukovych e virou causa célebre na Europa.
Ela foi presa em 2011 acusada de uso indevido de poder em um acordo sobre gás com a Rússia em 2009. Muitos políticos europeus aceitaram sua versão de que sua condenação a sete anos de prisão foi motivada politicamente.
A Corte Europeia de Direitos Humanos não foi tão longe, mas concluiu que a prisão provisória dela antes do julgamento foi "arbitrária e fora da lei".
A União Europeia determinou a libertação dela como pré-condição para a assinatura do acordo com a Ucrânia – mas Yanukovych resistiu à pressão.
A ex-premiê, que deseja receber tratamento de saúde na Alemanha, defendeu que o acordo fosse assinado mesmo sem sua libertação.
Nos protestos de agora há um forte eco da Revolução Laranja de 2004 na Ucrânia. Tymoshenko foi uma figura importante naquela revolução pró-Ocidente.
Naquela ocasião, a líder também enfrentou Yanukovych. Ele foi retirado do poder em 2004, depois que sua eleição foi julgada fraudulenta. Na época a Russia o apoiou – e ainda apóia.
Até onde vai a influência da Rússia no país?
Para analistas, a decisão do governo de suspender a negociações pela entrada na UE se deve diretamente à forte pressão da Rússia.
A Rússia adotou medidas como inspeções demoradas nas fronteiras e o banimento de doces ucranianos, além de ter ameaçado com várias outras medidas de impacto econômico.
A Ucrânia está em uma longa disputa com Moscou sobre o custo do gás russo. Além disso, no leste do país – onde ainda se fala russo – muitas empresas dependem das vendas para a Rússia.
Yanukovych ainda tem uma grande base de apoio no leste da Ucrânia, onde ocorreram manifestações promovidas por seus aliados.

Por séculos, a Ucrânia foi dominada por Moscou e muitos russos entendem que o vizinho do leste ainda é vital para seus interesses.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Estrangeiros vêm ao Brasil aprender o idioma nacional

Para atender o crescente aumento de estrangeiros interessados em aprender o idioma, a FAAP dobrou o número de professores nos últimos dois anos. Os alunos chegam de mais de 30 países e saem falando e interagindo em português
Com o aumento da visibilidade do Brasil no cenário mundial, cresce o número de estrangeiros interessados em aprender a língua portuguesa e amplia o mercado profissional para professores brasileiros com formação em Letras.
“Em dois anos, o número de professores de português no Núcleo de Idiomas da FAAP praticamente dobrou”, destaca a Coordenadora Pedagógica Profa. Silvia Burim, lembrando que há alguns anos, esses professores completavam sua carga horária com aulas de inglês ou espanhol, por exemplo, e aulas de língua portuguesa para brasileiros. “Hoje o cenário é outro. É possível afirmar que alguns docentes têm entre 80 e 100% de sua agenda preenchida com aulas de português para estrangeiros”, comemora.
A FAAP recebe alunos de diversas partes do mundo, como Alemanha, Zimbábue, China, Coreia, França, EUA, Canadá, Colômbia e Venezuela, entre outras. Todos chegam ávidos por aprender a língua e conhecer a cultura brasileira. “Funcionários de empresas multinacionais, jornalistas, comentaristas esportivos, esposas de executivos e alunos de intercâmbio vivenciam a nossa cultura através da música, da dança, da culinária e da história do Brasil”, observa a professora.
Em sua opinião, os resultados do aprendizado são surpreendentes. Em média, após um ano de estudo de português, em imersão completa, que fale inglês como primeira ou segunda língua, pode chegar ao nível intermediário, B1, de acordo com o Quadro Europeu de Referência para Idiomas (CEFR – Common European Framework of Reference). Já um falante de espanhol pode chegar ao B2 ou C1 (intermediário- avançado ou avançado), no mesmo período.
O português é a 6ª língua mais utilizada nos negócios
O idioma português está em moda e vem atraindo cada vez mais o interesse dos estrangeiros, que vislumbram oportunidades profissionais. Com aproximadamente, 280 milhões de falantes, o português é a 5ª língua mais falada no mundo, a 3ª no hemisfério ocidental e a mais falada no hemisfério sul da Terra. Em relação aos negócios, é a 6ª língua do mundo mais utilizada, segundo ranking da Bloomberg de 2011. É ainda adotada em 8 países, como língua oficial permanente, ganhando uma dimensão na web que chega a atingir 82 milhões de pessoas.
Em 2004, a FAAP já vislumbrava o crescimento do interesse pelo idioma português, tanto que criou o Núcleo neste mesmo ano, oferecendo o curso para estrangeiros. Até 2012, já formou mais de 1.300 pessoas. Além dos formatos intensivo e extensivo, o Núcleo também oferece aulas personalizadas para empresas multinacionais, oriundas de vários países, que precisam habilitar seus funcionários na língua do local em que eles vão trabalhar.
Para vivenciar a língua, a FAAP vale-se de um contexto bem variado. O programa inclui atividades educativas sobre o país, como a introdução à cultura e à literatura brasileiras, com passeios, gastronomia, futebol e música, por exemplo. “Queremos que o aluno saia do curso entendendo a nossa cultura e interagindo em português”, diz a professora Silvia Burim.

domingo, 7 de julho de 2013

Brasil cobra esclarecimentos aos Estados Unidos sobre espionagem


Coletiva do ministro das Relações Exteriores Antônio Patriota, em Paraty
Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Coletiva do ministro das Relações Exteriores Antônio Patriota, em Paraty Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Polícia Federal e Anatel vão investigar se empresas brasileiras permitiram que a NSA tivesse acesso às redes locais
Em Paraty, o chanceler Antônio Patriota disse que governo recebeu a notícia com grave preocupação
Fernanda Krakovics, Francisco Leali e Leonardo Cazes: O Globo
 
 
BRASÍLIA e PARATY - O governo brasileiro cobrou, neste domingo, explicações dos Estados Unidos sobre a espionagem de cidadãos e empresas brasileiras pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA na última década, segundo documentos coletados pelo ex-técnico Edward Snowden, aos quais O GLOBO teve acesso. O Ministério das Relações Exteriores pediu esclarecimentos ao embaixador dos EUA Thomas Shannon e já acionou a embaixada em Washington para fazer o mesmo diretamente ao governo americano. O Itamaraty também vai entrar com uma moção na Organização das Nações Unidas (ONU) pedindo aperfeiçoamento da segurança cibernética para evitar esse tipo de abuso por parte de um país. Polícia Federal e Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) vão investigar se empresas sediadas no Brasil permitiram que a NSA tivesse acesso às redes de comunicações locais.
O governo brasileiro também trabalha com a hipótese de os EUA terem monitorado telefonemas, troca de mensagens e dados na internet por meio de interceptação de satélites de cabos submarinos.
- O mais provável é que o monitoramento seja feito pelos cabos submarinos e satélites. Nas transmissões internacionais e ligações, a maioria dos cabos passa pelos Estados Unidos - disse o ministro das Comunicações. - Temos muita preocupação com essas notícias, especialmente com o possível relacionamento com empresas brasileiras. Se isso realmente ocorreu, configura crime contra a legislação brasileira e a Constituição. Nossa Constituição assegura o direito à intimidade e privacidade. Se tiver empresa brasileira mancomunada com empresas estrangeiras para quebrar sigilo telefônico e de dados, é um absurdo - disse o ministro Paulo Bernardo (Comunicações).
Mas, apesar de abrir investigação sobre as empresas, o governo não acredita que a espionagem tenha ocorrido dessa forma. O Itamaraty também quer aperfeiçoar a legislação do setor, aprovando o marco civil da internet, em tramitação no Congresso. O Ministério da Justiça trabalha em um anteprojeto de lei para proteção de dados individuais.
No início da tarde deste domingo, o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, convocou a imprensa em Paraty, onde acontece a Feira Literária Internacional, e disse, em declaração oficial, que o governo recebeu a notícia com grave preocupação.
“O governo brasileiro recebeu com grave preocupação a notícia de que as comunicações eletrônicas e ligações telefônicas de cidadãos brasileiros estariam sendo objeto de espionagem por órgãos de inteligência americanos. Solicitamos esclarecimentos ao governo americano por intermédio da embaixada do Brasil em Washington e através do embaixador americano no Brasil”, dizia a nota.
A reação foi articulada pela presidente Dilma Rousseff, na manhã deste domingo, em reunião no Palácio da Alvorada com os ministros Paulo Bernardo (Comunicações), Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Ideli Salvatti (Relações Institucionais), José Eduardo Cardozo (Justiça), Aloizio Mercadante (Educação) e Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência).
OAB defende que a denúncia deva ser levada à ONU
Em outra frente, o líder do PSOL, deputado Ivan Valente (SP), pretende apresentar um requerimento, no máximo até terça-feira, convidando o embaixador americano para dar explicações na Comissão de Relações Exteriores da Câmara. No Senado, o líder do partido, senador Randolfe Rodrigues, também fará a solicitação.
- A soberania nacional exige cobrança drástica da conduta inaceitável e invasora do governo norte-americano - afirma Ivan Valente. - As ruas devem execrar e repudiar a atitude de “polícia de mundo” dos Estados Unidos.
Contatado pela agência internacional de notícias Associated Press, o porta-voz da embaixada americana em Brasília, Dean Chaves, limitou-se a dizer que o caso seria comentado apenas pelo governo em Washington. Repercutindo a revelação de O GLOBO, a agência também entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores brasileiro, que por meio de seu porta-voz, Tovar Nunes, disse que se a espionagem for comprovada “seria algo sumamente grave”, ao qual o governo brasileiro “responderia de acordo com a gravidade”.
Já o presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado, defendeu que a denúncia de espionagem deve ser levada à ONU. Ele comparou a espionagem feita pelos Estados Unidos com os “pesadelos” do Big Brother no livro “1984”, de George Orwell, onde todos os cidadãos eram vigiados o tempo todo.
- A denúncia é séria e deve ser discutida no âmbito das Nações Unidas para apurar responsabilidades. Revive o pior dos pesadelos do “Big Brother“ de George Orwell, com ingredientes mais fortes, se considerarmos o desenvolvimento tecnológico de espionagem das nações mais poderosas. Estamos todos, literalmente, vulneráveis, expostos, sem saber a quem recorrer e com uma sensação de impunidade insuportável - disse o presidente da OAB.
Brasil é um dos alvos prioritários do sistema americano
Como mostrou O GLOBO na edição deste domingo, o Brasil, com extensas redes públicas e privadas digitalizadas, operadas por grandes companhias de telecomunicações e de internet, aparece destacado em mapas da agência americana como alvo prioritário da espionagem no tráfego de telefonia e dados (origem e destino), ao lado de nações como China, Rússia, Irã e Paquistão. É incerto o número de pessoas e empresas espionadas no Brasil, mas há evidências de que o volume de dados capturados pelo sistema de filtragem é constante e em grande escala.
Para facilitar sua ação global, a NSA mantém parcerias com as maiores empresas de internet americanas. No último 6 de junho, o jornal britânico “The Guardian” informou que o software Prism permite à NSA acesso aos e-mails, conversas online e chamadas de voz de clientes de empresas como Facebook, Google, Microsoft e YouTube.
Outro programa é o Fairview, que viabilizou a coleta de dados em redes de comunicação no mundo todo. É usado pela NSA, segundo a descrição em documento a que O GLOBO teve acesso, numa parceria com uma grande empresa de telefonia dos EUA. Ela, por sua vez, mantém relações de negócios com outros serviços de telecomunicações, no Brasil e no mundo. Como resultado das suas relações com empresas não americanas, essa operadora dos EUA tem acesso às redes de comunicações locais, incluindo as brasileiras.
 

sábado, 22 de dezembro de 2012

Empresa brasileira já é a quarta distribuidora de armas nos EUA

Gaúcha Forjas Taurus avança no mercado americano e busca expandir vendas globais

22 de dezembro de 2012 | 18h 00
Roberto Simon - O Estado de S.Paulo
O Brasil tem um papel cada vez mais importante no mercado armamentista dos EUA: a marca gaúcha Forjas Taurus tornou-se a quarta maior distribuidora de armas no país da National Rifle Association, ao lado de gigantes como Smith&Wesson. Um em cada cinco revólveres comprados por americanos em 2012 veio da fabricante brasileira, que hoje vende mais nos EUA do que no próprio Brasil.
Massacre de Newtown motivou programa de venda voluntária de armas da polícia de New Jersey - Mel Evans/AP
Mel Evans/AP
Massacre de Newtown motivou programa de venda voluntária de armas da polícia de New Jersey
Essa rápida expansão no território americano é parte de uma estratégia maior da holding Taurus, que nos últimos anos vem adotando uma estratégia mais agressiva para ampliar exportações. Segundo a diretora de relações com investidores, Doris Wilhelm, no topo da lista de destinos cobiçados pela empresa está África e América Central – segundo a ONU, as duas regiões do mundo com maior número de mortes por arma de fogo.
A lei militar brasileira impede que a indústria bélica nacional revele o número de armas exportadas, tampouco os destinos exatos das vendas. Divulgam-se apenas "blocos geográficos" para onde vão esses produtos. Em 2012, 55% das armas da Taurus foram vendidas ao "bloco norte-americano" (EUA, Canadá e México). A empresa tinha uma receita líquida de US$ 409 milhões em 2009. Este ano, impulsionada pelas exportações, ela deve fechar nos US$ 700 milhões.
Doris afirma que os EUA são o maior mercado da Taurus e o único em que a esmagadora maioria das vendas é para pessoas, e não forças estatais de segurança pública e militar. "Estamos falando de um mercado de consumo: civis americanos comprando armas como hobby, esporte, caça e defesa pessoal. A cultura americana é ‘outro bicho’. A Segunda Emenda (da Constituição) garante o direito de portar armas e defender sua propriedade."
A empresa brasileira tem uma fábrica no norte de Miami desde 1983. No ano passado, comprou por US$ 10 milhões a Heritage Manufacturing, especializada em réplicas de armas do velho oeste, usadas em uma modalidade conhecida como "plinking" – tiro ao alvo com latinhas em locais abertos, ao clássico estilo cowboy do deserto.
New York Times afirmou na terça-feira que a Taurus seria uma possível compradora da fabricante do fuzil AR-15 Bushmaster, usado no massacre de Newtown. A companhia brasileira diz que a informação é "meramente especulativa".
Nos dois dias úteis após a tragédia, as ações da Taurus caíram cerca de 10%. Segundo analistas, o mercado "teme" a aprovação de restrições a esse comércio.
Mas, como as demais empresas do setor de armamento nos EUA, a Taurus acabou beneficiada pela débâcle econômica de 2008 e pela polarização política no governo Barack Obama. O motivo é psicológico: em meio à sensação de insegurança, americanos tradicionalmente compram mais armas. O pânico após o furacão Katrina fez com que 2005 fosse o ano mais lucrativo às empresas do setor.
Top 4. Segundo Matthias Nowak, pesquisador do centro Small Arms Survey (SAS), com sede na Suíça, o Brasil é desde 2001 o quarto maior exportador das chamadas "armas pequenas", categoria que abrange revólveres, pistolas, submetralhadoras, fuzis de assalto, entre outros. O País é colocado atrás apenas de EUA, Itália e Alemanha e à frente da Rússia, maior herdeira da indústria bélica soviética.
Para analistas, são essas as "verdadeiras armas de destruição em massa" – as que mais provocaram mortes no mundo. Segundo o centro suíço, os últimos dados disponíveis são de 2009 e indicam que o Brasil exportou US$ 382 milhões dessas armas. Mas Nowak acredita que a cifra real seja muito maior e critica a falta de informações públicas.
Bruno Langeani, do Instituto Sou da Paz, também reclama da falta de transparência e afirma que "não há mais sentido" em vetar a divulgação dessas exportações, pois vários compradores revelam os números.
"Ao investir no fortalecimento da indústria bélica nacional, o governo Dilma Rousseff torna ainda maior a necessidade de transparência", defende.
No ranking do SAS que avalia o acesso à informação sobre essas exportações em cada país, o Brasil tem hoje nota 7,5 em uma escala crescente de o a 25. Em 2009, era de 8,5; em 2006, era 9.
Empresa busca expansão na África e América Central. Com uma nova estratégia para diversificar exportações, a Taurus está de olho em mercados de regimes africanos em transição política e países da América Central em luta contra o narcotráfico. Essas regiões têm o maior índice de homicídios por armas de fogo do mundo, segundo o escritório da ONU para controle de drogas e crime (UNODC). ONGs como a brasileira Sou da Paz temem que parte das armas acabe nas "mãos erradas".
A Taurus diz fornecer armas para governos, de acordo com as normas do Exército e submetida ao direcionamento político do Itamaraty. "Se a arma vai parar em outro destino, nós não temos o menor controle sobre isso. Cabe ao Itamaraty julgar que o governo não é confiável", diz Doris Wilhelm, da Taurus. 

sábado, 7 de julho de 2012

Deputado paraguaio negocia instalação de base militar norte-americana


López Chavez afirmou que representantes do Pentágono visitaram o Paraguai dias após a destituição de Fernando Lugo
Por: do Opera Mundi

São Paulo – O presidente da comissão da Defesa Nacional, Segurança e Ordem Interna da Câmara de Deputados do Paraguai, José López Chavez, anunciou nesta sexta-feira (06/07) que negocia a possibilidade de instalar uma base militar norte-americana em território paraguaio. Ele afirma que manteve conversas com generais dos Estados Unidos sobre o assunto.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o deputado afirmou que representantes do Pentágono visitaram o Paraguai dias após a destituição de Fernando Lugo da Presidência do país. López Chávez é aliado do general Lino Oviedo, líder da Unace (União Nacional de Cidadãos Éticos), partido de centro-direita que não faz parte da bancada governista. Os militares norte-americanos teriam ido a Assunção para conversas sobre programas de cooperação.
De acordo com o presidente da comissão paraguaia, a ideia é instalar a base no vilarejo de Mariscal Estigarribia, perto da fronteira com a Bolívia. López Chávez justificou o pedido alegando que a Bolívia está realizando uma corrida armamentista e que o Paraguai precisa proteger essa área pouco povoada do país.
Em 2005, houve um intenso debate em Assunção sobre a conveniência de permitir uma base no local. Na época, o presidente era Nicanor Duarte Frutos, do Partido Colorado. Na ocasião, uma resolução autorizou a presença e livre trânsito de 500 marines norte-americanos. Entretanto, no governo Lugo, a proposta de criação da base foi arquivada.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Mais uma do camarada Koba!

3 de outubro é a data comemorativa da reunificação das Alemanhas divididas no pós-guerra. Há exatos 21 anos houve essa junção, ou, como muitos dizem, a anexação da Alemanha Oriental pela Ocidental, depois da derrota da União Soviética e a derrocada dos regimes comunistas no leste europeu.
A reunificação, portanto, seria um processo ainda em curso, e que levará anos e gerações. De qualquer modo, 3 de outubro é um dia de festa na Alemanha e particularmente em Berlim, a cidade destruída pela guerra e depois fraturada pelo Muro, esse grande equívoco histórico do regime comunista.
Seja como for, há um dado interessante a ser lembrado. A primeira Alemanha a se constituir legalmente foi a Ocidental. A criação da Alemanha Oriental foi uma reposta a este gesto “separatista”, ambas gestadas ainda na década de 40.
A primeira proposta séria de reunificação das Alemanhas partiu de quem? Do camarada Koba, aliás, Josef Stalin, imaginem! (Ossip Koba era o nome de guerra do camarada nos tempos de clandestinidade no Partido Comunista). Foi feita num documento chamado de “Nota de Março”, em 1952, através do chanceler Andrei Gromyko. Stain propunha às potências ocidentais a criação de uma só Alemanha, unificada e desmilitarizada.
Ao longo do ano a proposta acabou rejeitada, à luz da doutrina mantida, sobretudo, pelos Estados Unidos a partir de um documento identificado pela sigla NSCR 68 (National Security Council Report 68), de 1950 (ainda ao tempo de Truman como presidente), mas também à luz do medo atávico da França e da Inglaterra de uma Alemanha unida. Também colaborou para a rejeição a avaliação de que uma Alemanha unificada, desmilitarizada e neutra na Guerra Fria que já galopava pelo mundo acabaria sendo inevitavelmente atraída para a órbita soviética.
A proposta de Stalin colocou a política norte-americana diante de um dilema. A primeira face do dilema era a de que ele poderia estar fazendo uma mera jogada para a platéia mundial, e assim encurralar os Estados Unidos num canto do ringue, além de caracteriza-los como “inimigos eternos” da unidade alemã. Stalin propunha uma Alemanha, livre, com liberdade de imprensa, pluripartidarismo (!), eleições livres, liberdade religiosa, etc. Também propunha que um ano depois da adoção da proposta as potências vencedoras da Segunda Guerra (o Brasil também foi um vencedor da Segunda Guerra, mas não era uma potência...) deveriam retirar seus exércitos do território alemão. Além disso, a Alemanha deveria ter acesso irrestrito ao mercado internacional – e não deveria ter alianças militares.
A segunda face, porém, foi trazida à baila por James Warburg, banqueiro norte-americano nascido na Alemanha, num depoimento perante o senado em Washington, ainda no mês de março, logo após Gromyko ter entregado a famosa nota aos representantes das potências ocidentais. Warburg, que fora conselheiro de Roosevelt (embora se afastasse dele por causa de certas medidas do New Deal...) e era membro do Conselho de Relações Exteriores, afirmou que uma das dúvidas do governo norte-americano era a de que Stalin poderia muito bem não estar blefando ao fazer a proposta.
Isso poderia trazer muito mais incômodo para a posição norte-americana que, na época, à luz do NSCR 68, privilegiava a consolidação das posições militares ao invés da ação diplomática. A principal objeção norte-americana à proposta era a de que uma Alemanha livre deveria ter a liberdade de integrar a OTAN, cuja criação datava de 1949, e fora acelerada a partir de 1950 com a deflagração da Guerra da Coréia.
A proposta também não teve acolhida na Alemanha Ocidental (criada em maio de 1949, meses antes da criação da Alemanha Oriental, que foi uma retaliação), pois a orientação do então chanceler Konrad Adenauer (democrata-cristão) era privilegiar a integração daquela ao Ocidente. Durante 1950 houve uma troca de mensagens cada vez mais irritadas entre a União Soviética e as potências ocidentais, até que finalmente a proposta foi considerada definitivamente fora do jogo.
Noam Chomsky é citado como um dos que considera que Stalin provavelmente não estava blefando com sua proposta. É muito possível que não estivesse mesmo, pois um estado-tampão (como ficou sendo, mal comparando, o Uruguai entre o Brasil e a Argentina no século XIX...) neutro entre a órbita soviética e o ocidente seria melhor do que a permanente linha de confronto entre as duas Alemanhas. Stalin não deixava de ter razão, como muito bem demonstrou a crise de 1961, quando quase eclodiu um confronto armado entre blindados soviéticos e norte-americanos no ponto conhecido como “Checkpoint Charlie”, cujas conseqüências seriam terríveis em escala mundial).
Até hoje se debate se a adoção da proposta de Stalin teria sido melhor ou não. Vá se saber! Mais uma do camarada Koba!
Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.