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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Unicef: pobreza infantil atinge 76,5 milhões em países ricos desde 2008

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Dados estão em relatório lançado nesta quinta-feira; segundo o documento, número de crianças vivendo na pobreza em nações desenvolvidas aumentou em 2,6 milhões; Portugal teria perdido 8 anos em progresso de renda.
Nos Estados Unidos a pobreza infantil aumentou. Foto: Unicef/NYHQ2014-1955/Pirozz
Cerca de 2,6 milhões de crianças entraram abaixo da linha da pobreza em países ricos desde 2008. Os dados estão em relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, lançado nesta quinta-feira.
Segundo estimativas, o número de crianças vivendo na pobreza em países desenvolvidos atingiu 76,5 milhões.
Crise econômica
O relatório Crianças da Recessão: o impacto da crise econômica no bem-estar de crianças em países ricos leva em conta se os níveis de pobreza infantil aumentaram ou caíram desde 2008 em nações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico e da União Europeia.
O documento, que também incluiu nações de média e baixa rendas, aponta a proporção de jovens entre 15 e 24 anos que não estão estudando nem trabalhando ou em treinamento.
A pobreza infantil cresceu em 23 dos 41 países analisados desde 2008. Na Irlanda, Croácia, Letônia, Grécia e Islândia, as taxas cresceram acima de 50%.
Renda
De acordo com o relatório, a renda média em famílias com crianças na Grécia em 2012 caiu para níveis de 1998. Isto significa o equivalente a perda de 14 anos em progresso de renda.
Por esta medida, Portugal perdeu oito anos, assim como Itália e Hungria. Irlanda, Luxemburgo e Espanha perderam uma década.
O Unicef afirma que a recessão foi especialmente dura com os jovens entre 15 e 24 anos. Na União Europeia, 7,5 milhões de jovens entraram na classificação de sem estudo, trabalho ou treinamento.
Nos Estados Unidos, a pobreza infantil cresceu em 34 dos 50 estados desde o início da crise. Em 2012, 24,2 milhões de crianças estavam vivendo na pobreza, um aumento de 1,7 milhão desde 2008.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Coreia do Norte diz que vai suspender programa nuclear em troca de comida

Gigante com pés de barro
De: Folha.com
A Coreia do Norte concordou em suspender o lançamento de mísseis de longo alcance, testes nucleares e enriquecimento de urânio em sua principal plataforma em troca de um pacote de ajuda alimentar, anunciou nesta quarta-feira o Departamento de Estado dos EUA.
A agência de notícias estatal norte-coreana, KCNA, confirmou a oferta de uma moratória nuclear.
A porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland, disse que o governo de Pyongyang vai permitir a entrada de inspetores da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) para inspecionar e monitorar a desativação do reator de Yongbyon.
Foi anunciado também um encontro entre EUA e Coreia do norte para acertar os detalhes do envio de 240 mil toneladas de alimento ao país comunista.
A KCNA afirmou que a Coreia do Norte tomou a decisão em resposta a um pedido dos EUA com "a intenção de manter a atmosfera positiva" pelo que foi descrito como "conversas entre o Norte e os EUA de alto nível".
O primeiro contato dos EUA com o governo norte-coreano desde a ascensão do novo líder do país de regime comunista, Kim Jong-un, aconteceu na semana passada.
O representante especial dos EUA para a Coreia do Norte, Glyn Davies, esteve em Pequim nos dias 23 e 24 de fevereiro para discuitr com representante dos governos norte-coreanos a não-proliferação nuclear, a ajuda alimentar à Coreia do Norte e outros temas que causam tensões regionais.
As negociações de Pequim tinham por objetivo persuadir a Coreia do Norte a retornar às negociações com as seis partes, que foram abandonadas em abril de 2009.
O programa de enriquecimento, divulgado pela primeira vez em novembro de 2010, pode fornecer a Pyongyang um caminho alternativo para a fabricação de bombas atômicas, em adição ao seu programa de plutônio de longa data.
A Coreia do Norte realizou testes nucleares em 2006 e 2009 e acredita-se que tenha plutônio em quantidade suficiente para produzir de seis a oito armas nucleares.

TENSÃO

No domingo (26), Coreia do Sul e os Estados Unidos deram início a um de seus maiores exercícios militares anuais em território sul-coreano apesar das ameaças da Coreia do Norte, que declarou que seu povo e seu Exército estariam "preparados para uma guerra" contra os dois países.
Cerca de 200 mil soldados sul-coreanos e 2.900 americanos participarão, até 9 de março, de uma série de simulações "de natureza defensiva" chamada Key Resolve. Os exercícios acontecerão nas bases do Exército dos EUA na Coreia do Sul, informou um porta-voz do Comando das Forças Conjuntas de ambos os países.
Através de sua imprensa estatal, Pyongyang qualificou as manobras dos aliados como "uma violação imperdoável à soberania e à dignidade" da Coreia do Norte, que "está em período de luto" correspondente aos cem dias posteriores à morte do líder Kim Jong-il.
A agência de notícias oficial da Coreia do Norte, a KCNA, acrescentou que "o Exército e o povo" norte-coreanos "estão plenamente preparados para lutar em uma guerra" contra a Coreia do Sul e os EUA.
No sábado (25), Pyongyang havia ameaçado começar uma "guerra santa" devido ao exercício dos aliados, que segundo o regime comunista representa uma "provocação".

FOME

Dese janeiro, milhares de caminhões chineses transportaram arroz para a Coreia do Norte, que sofre com uma falta crônica de alimentos, anunciou Do Hee-Yoon, membro da Coalizão de Cidadãos pelos Direitos Humanos, Pessoas Sequestradas e Refugiados Norte-Coreanos, um grupo com sede em Seul.
Os comboios de caminhões chineses com arroz entraram na Coreia do Norte depois que Pequim aceitou, segundo a imprensa japonesa, conceder uma ajuda em alimentos a Pyongyang.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Como os “mercados livres” matam milhões todos os anos

O ano de 2008 foi marcado por uma crise alimentar que arrastou mais 200 milhões de pessoas para a fome, revertendo os resultados de uma década de avanços na luta contra a fome.

O ano de 2008 foi marcado por uma crise alimentar que arrastou mais 200 milhões de pessoas para a fome, revertendo os resultados de uma década de avanços na luta contra a fome.
A crise mostrou-nos de forma cruel o resultado da crescente instabilidade deste mundo em que vivemos, marcado pela entrega da produção a mercados financeiros voláteis, pela precarização das relações laborais e pelas alterações climáticas. Quando se juntam todos estes factores de instabilidade, temos um ciclo de pobreza e uma sucessão de crises ambientais, económicas e sociais que se acumulam, complementam e reforçam. Os factores de instabilidade não desapareceram, pelo que se espera de novo um aumento da fome no mundo.
O ano que passou ficou empatado com 2005 no lugar do ano mais quente de sempre. Dezanove países registaram temperaturas recordes, um número sem precedentes, com o Paquistão a registar a temperatura mais elevada alguma vez medida na Ásia. O ano de 2010 marcou também um novo recorde de extremos climáticos, destacando-se as inundações no Paquistão e na Austrália e a onda de calor na Rússia. As consequências destes desastres “naturais” sem precedentes também se fazem sentir na produção alimentar dos países afectados, tendo alguns países, como a Rússia, banido as exportações de cereais.
Quando um país sofre uma quebra significativa na sua produção alimentar, apenas poderá evitar uma diminuição na quantidade de calorias ingerida pelos seus habitantes se tiver recursos para importar alimentos. A mesma catástrofe climática terá, portanto, um impacto muito diferente num país rico ou num país pobre. Mas nos anos recentes há um factor ainda mais importante do que a variação da produção na determinação de quantos seres humanos morrem à fome por ano: a especulação com os preços.
O segundo semestre de 2010 foi marcado por um enorme aumento na especulação com bens alimentares essenciais. Num período sem grandes mudanças na procura ou na oferta mundiais, o custo dos bens alimentares subiu em 32%, de acordo com a FAO. No mesmo período, o preço do trigo aumentou em 70%, apesar de os stocks mundiais se terem mantido estáveis. Em cada mês deste semestre, o aumento do índice de preços dos alimentos registou um novo recorde, um cenário que se repetiu em Janeiro deste ano.
Na raiz deste pico na especulação com commodities está a crise financeira. De cada vez que uma bolha especulativa rebenta, o preço da maior parte dos activos desce a pique, pelo que os especuladores ficam com muito dinheiro na mão sem ter muitas opções rentáveis onde o aplicar. A consequência é um aumento na especulação com activos cujo rendimento seja mais seguro, nomeadamente os baseados em bens energéticos ou alimentares. Assim, não só o laço entre produtores e consumidores de alimentos é quebrado pelo jogo bolsista como os custos de produção de alimentos se encontram à mercê das flutuações do mercado de petróleo. No fim, temos um mundo em que se torna cada vez mais ténue a relação entre o preço final dos alimentos e as flutuações nas variáveis climatéricas, como a temperatura e a pluviosidade.
Para Olivier De Schutter, Relator Especial das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, a especulação com bens alimentares foi a principal causa da crise alimentar de 2007-08. As ONGs de desenvolvimento resumem o problema com uma fórmula simples: não é uma questão de não ter que comer mas antes de não ter dinheiro para comprar comida. Estamos claramente perante uma manifestação extrema da desigualdade no acesso aos recursos naturais.
No centro de toda esta miséria, estão as grandes multinacionais que dominam grande parte da produção alimentar. As políticas seguidas pelas instituições internacionais nas últimas décadas, como a Revolução Verde, a abertura das fronteiras dos países do Sul, o reforço dos subsídios agrícolas nos países do Norte e as medidas de liberalização do sector agrícola, tiveram como resultado a destruição de grande parte do aparelho produtivo baseado na agricultura de pequena escala e a sua substituição pela agricultura intensiva de grande escala.