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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

La Tour Eiffel 1889

Confira aqui imagens da construção do edifício mais famoso de Paris, a Torre Eiffel, que teve sua inauguração em 1889. Construída para marcar o centenário da Revolução Francesa, a Torre é um ícone que atrai todos os anos milhares de turistas. Estes que pagam para subir o monumento que possui três níveis, tudo para ter o direito de ver a cidade inteira e se deliciar com lojas e restaurantes.
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Mais imagens Tour Eiffel

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Uma outra Paris

Uma outra cidade

A Paris actual não é a mesma urbe em que Victor Hugo situou os seus Misérables. Essa Paris foi demolida em meados do século dezanove, e foi então que dois fotógrafos fizeram o seu retrato da capital francesa. Um captou os bairros antigos nos seus derradeiros momentos, o outro foi o primeiro a registar a estranha cidade subterrânea.
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Willy Ronis, Os amantes da Bastilha, Paris
© espólio de Willy Ronis

Paris tem uma notável relação com a Fotografia, começando pelo cognome de cidade luz. Este terá começado por ser uma associação figurativa (a capital francesa era o centro da revolução cultural do Iluminismo) no séc. XVIII, e terá posteriormente passado a ter uma asserção literal quando foi aí instalada a primeira grande rede de iluminação pública a gás.
Depois, muitas são as imagens de Paris que entraram no imaginário popular por via fotográfica, cujo exemplo máximo será talvez “Le baiser de l'hôtel de ville” de Robert Doisneau, imagem de 1950 em que um casal se beija numa larga e movimentada via parisiense.
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Robert Doisneau, Le baiser de l'hôtel de ville, Paris, 1950
© espólio de Robert Doisneau

Por último, há que ter em conta o facto de nela se terem passado alguns dos episódios mais marcantes da invenção do processo fotográfico, estando sediados aí (ou ao seu redor) alguns dos pioneiros mais marcantes, como Louis-Jacques Mandé Daguerre, Hippolyte Bayard e Abel Niepce de Saint-Victor.
Porém, a Paris dos pioneiros da Fotografia era uma cidade bastante diferente daquela que temos em mente hoje. As ruas que Daguerre e Bayard percorriam enquanto matutavam nos sais de prata, eram as de uma pólis de raiz medieval que até ao século doze se fora improvisando e construindo, consumindo a pedra das construções da cidade romana que a precedeu. E que partir de então se continuará a expandir, movida sobretudo por inércia, e não tanto por planos, e de uma forma estranhamente autofágica. Esgotada a fonte das construções romanas, os parisienses escavaram as entranhas da cidade, em pedreiras subterrâneas que alimentaram com gesso e calcário, durante séculos, o fulgor construtivo da capital francesa. Sem controlo e sem projecto, as galerias alastraram-se por quilómetros, criando uma verdadeira cidade debaixo da cidade.
Nem sempre seguros, nem sempre cuidados, os subterrâneos revelaram-se por vezes uma fonte de catástrofe. Pequenos desabamentos prenunciaram o enorme colapso de 27 de Julho de 1778, em a rua Boyer foi engolida pelo próprio solo. Perante o sucedido, Luís XVI (exacto, o que mais tarde perderá a cabeça na guilhotina) ordena a criação do corpo de inspectores das pedreiras liderado pelo arquitecto do rei, Charles Axel Guillaumot. É iniciado então um trabalho gigantesco, que incluirá a inspecção, inventariação e cartografia das galerias, o escoramento das instáveis pedreiras e a criação de acessos adicionais para facilitar as vistorias e a conservação. Para facilitar a orientação, Guillaumot ordena a identificação das galerias e túneis, mandando gravar nos seus extremos o nome da rua correspondente no plano superior.
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Joseph-Siffred Duplessis, Retrato de Luís XVI, 1776
imagem da Wikipedia Commons

A Paris subterrânea torna-se um espelho viário da Paris das Luzes. E será assim até que, aquando da instauração do Segundo Império, em meados do século dezanove, se reunem as condições políticas e as ambições de Napoleão III e do prefeito do Sena, o Barão Georges-Eugène Haussmann, que juntos levarão a cabo o que, por várias vezes, havia sido antes defendido – a construção de uma nova Paris. A velha Paris, de ruas caóticas e estreitas, insalubre, não era aceitável para os que defendiam que a capital deveria reflectir no seu traçado e construção a racionalidade da Modernidade. Pesou também a velha rivalidade com os ingleses que, por essa altura, já haviam dotado Londres de um conjunto de Parques Públicos e de um amplo sistema de esgotos. Assim, de 1853 em diante, iniciar-se-á a destruição e o renascimento da capital, trabalho que verdadeiramente só será concluído no final desse século, bem depois do estertor do segundo Império e do afastamento do barão.
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Henri Lehmann, Retrato do barão Georges-Eugène Haussmann, cerca de 1860
colecções do MUSÉE CARNAVALET, Paris, França

Na década de 60 de oitocentos, quando os trabalhos estavam verdadeiramente a começar, foi contratado o fotógrafo Charles Marville para registar, para memória futura, a Paris em vias de desaparecer. Charles Marville, pseudónimo de Charles François Bossu, um pintor, gravador e ilustrador nascido em 1813, que mudara de mister aquando do aparecimento da fotografia, havia-se destacado da grande quantidade de fotógrafos da época ao se ter especializado na fotografia de obras de Arte e de Arquitectura, primeiro utilizando a técnica de negativos em papel salgado, depois chapas de vidro com colódio húmido.
Em 1858, inicia uma ligação formal com o município de Paris, fotografando o Bois de Boulogne, o recentemente renovado parque real, que se tornara um dos locais preferidos da burguesia parisiense. Este trabalho é, na prática, o início da enorme série de fotografias relacionada com a renovação da cidade, e como vimos, durante a década seguinte realizará cerca de 400 fotografias das ruas e becos que serão arrasados pela programada acção de Haussmann (que aliás lhe encomendará igualmente o retrato da nova cidade, numa outra sequência de imagens, que incluirá desde as novas igrejas e avenidas aos pitorescos urinóis).
O fotógrafo oficial do município fará assim uma abrangente recolha visual da Paris mutante do segundo império, mas o que mais nos impressiona é o corpo de imagens da cidade condenada. A ele devemos a fonte que permite as reconstruções cinematográficas realistas da cidade, em séries ou filmes. Graças a ele podemos, com propriedade, imaginar as ruas de Les misérables, de Vitor Hugo, onde Jean Valjean deambula (no meu caso, por falta de imaginação, Valjean parece-se sempre com Gérard Depardieu).
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Charles Marville, Bois de Boulogne, Paris, 1858
coleccções da National Gallery of Art, Washington, E.U.A