
Há quem se encante com Dubai. Eu acho aquela cidade um horror. Uma prova de como o gênio humano pode submeter a natureza a seus caprichos e ao seus gostos mais esdrúxulos. A cidade é artificial em tudo, inclusive na riqueza que parecia possuir.
Os adoradores brasileiros de Dubai louvam o poder do mercado imobiliário e seu potencial. Na verdade, aquele monstrengo pós-moderno que chamam de cidade é fruto de investimentos estatais. Os devotos do dubaísmo se encantavam, também, com o que achavam ser uma capacidade fabulosa da cidade atrair turistas e empreendimentos. Na discussão sobre o Pontal do Estaleiro, o Dr. Goulart e o narrador Haroldo de Souza se destacaram pela sua fé dubaísta.
Tudo isso está caindo com a moratória do "Dubai World". Pode ser superado, é possível, um dia, mas a queda já mostra a fragilidade do sonho do urbanismo especulativo.
A população que disse não às construções na orla foi mais precavida e inteligente.