terça-feira, 9 de abril de 2013

Será possível usar um smartphone sem culpa?

Há quase duas décadas, fabricantes dos telefones sabem que extração das matérias-primas, no Congo, envolve crimes brutais. Quase nada fizeram
Por George Monbiot, no The Guardian | Tradução: Cauê Ameni
Quem se conecta demais, para de pensar. Os apelos, o imediato, a tendencia de absorver rapidamente o pensamento de outras pessoas, interrompem a abstração profunda, necessária para encontrar seu próprio pensamento. Essa é uma das razões pelas quais ainda não comprei meu smarthphone. Mas é cada vez mais difícil resistir aos avanços tecnológicos. Talvez eu acabe sucumbindo este ano. Por isso, lancei a mim mesmo uma questão simples: posso comprar um smartphone produzido eticamente?
Há dezenas de questões envolvidas na pergunta, como salários de fome, bullying, 60 horas de trabalho semanais nas fabricas, a servidão por dividas a que alguns trabalhadores são submetidos, energia utilizada e resíduos perigosos produzidos. Mas vou focar em apenas um: os componentes usados para fabricar os celulares estariam manchados de sangue de pessoas da região leste da Republica Democrática do Congo? Há 17 anos, grupos rivais e milícias armadas têm lutado pelo domínio dos minerais da região. Entre eles estão os metais críticos para a fabricação de certos aparelhos eletrônicos. Sem tântalo, tungstênio, estanho e ouro, não existiriam smartphones.
Embora estes elementos não sejam a única razão para o conflito, eles ajudam a financiá-lo, sustentando uma guerra que se desdobra em diversos conflitos e que já matou milhões de pessoas – vítimas de mortes diretas, deslocamento populacional, doenças e desnutrição. Milícias rivais forçam a população local a minerar em condições extremamente perigosas, extorquindo minérios e dinheiro de mineradores autônomos. Torturam, mutilam e assassinam quem resiste, espalhando terror e violência – inclusive estupros e sequestro de crianças. Eu não gostaria de participar disso tudo.
Nenhuma dos grupos de ativistas que denunciam o problema querem que as empresas ocidentais parem de comprar os minerais do leste do Congo. A Global Witness e a FairPhone, por exemplo, lembram que a mineração é meio de vida de muitas famílias, num pais onde se tem 82% da população desempregada. Porém, elas também frisam que que a atividade pode ser desassociada da violência: se, e apenas se, as companhias ocidentais assegurarem que não estão comprando minerais das milicias. Pensando no potencial dano a reputação, seria de esperar que as empresas levassem a sério o problema. Mas, exceto em alguns casos, este raciocínio está errado!
Entre os fabricantes, a Nokia parece ter ido mais longe, e seus esforços são bastante impressionante. Desde 2001 – muito antes da maioria das empresas começarem a se preocupar – ela tentou remover, de sua cadeia de fornecedores, o tântalo extraído ilegalmente. Agora, instrui seus fornecedores a mapear a origem dos metais minerados no Congo, antes que cheguem às fábricas. Entretanto, o problema esta longe de ser resolvido: eles me disseram que “não há nenhum sistema confiável na insdustria eletrônica que permita, à companhia determinar as fontes do seu material”. Há seis iniciativas por parte de governos, grupos voluntários e empresas esforçando-se para produzir telefones sem sangue e a Nokia esta envolvida em todos eles.
A resposta da Apple foi menos detalhada e persuasiva. Para dar uma ideia de quão complexo se tornou o problema, ela descobriu que seus metais são fornecidos por 211 fundições, generosamente distribuídas ao redor do planeta. Qualquer um deles poderia estar usando minerais apreendidos por milicias no Congo. Mas o fato a Apple ter mapeado sua própria cadeia de abastecimento é um bom sinal.
Dois anos atrás, a Motorola lançou um programa — aparentemente confiável — cuja finalidade é comprar tântalo de regiões sem conflito no Congo. Este tipo de projeto, que começa pela longa cadeia de fornecedores, garante uma renda para a população local, assegurando que as milicas armadas não tenham tanto lucro com a venda de seu celular. É difícil entender por que nem todos os fabricantes possam participar.
As outras empresas, escondem-se atrás da suas associações comerciais, e fazem de tudo para minar esse tipo de esforço. Há dois meses, entrou em vigor uma nova decisão da lei norte-americana Dodd Frank, que obriga as empresas a descobrir se os minerais comprados no Congo financiam grupos armados. Ela deveria ter sido aprovada antes, mas o lobby corporativo atrasou em 16 meses sua votação. Graças a um grande esforço, as empreas, que passaram 17 anos ignorando o tema, poderão continuar a fugir de suas responsabilidades por mais dois – desde que afirmem não saber a origem do material que compram.
Mesmo este período de “adaptação” não foi suficiente para elas. Três grupos de lobby — a Câmara Nacional da Indústria [National Association of Manufacturers], Câmara Norte-americana de Comércio [US Chamber of Commerce] e a Mesa Redonda dos Negócios [Business Roundtable] estão pressionando judicialmente o governo norte-americano a deixar a nova lei de lado. A Global Witness tem apelado para que certas empresas – entre as quais, Caterpillar, Dell, Honeywell, Motorola, Siemens, Toyota, Whirlpool e Xerox – afastem-se de tal lobby – porém, sem sucesso…
Suspeita-se que algumas empresas estejam “usando do anonimato oferecido pelas associações para tentar corroer a lei”, enquanto fazem declarações públicas sobre sua suposta gestão ética. Não tive tempo de me aprofundar nessa questão: talvez passamos destrinchá-la colaborativamente. Vamos contatar as os fabricantes de telefone para saber se pertencem a esses grupos de lobby; e questionar se vão denunciar publicamente a ação judicial e suspender a participação no lobby, até que a iniciativa seja descartada. Isso seria um bom teste para saber até onde eles realmente chegam.
Ainda não tomei minha decisão. Existe todas as outras questões a investigar, incluindo a vida extremamente curta desse telefones (uma pesquisa que fiz no twitter sugere que a maioria das pessoas substitui seus aparelhos depois de um a quatro anos). Talvez eu espere até a FairPhones fabricar um aparelho. Ou talvez eu não me importe em ter um smartphone. Poderia me contentar com menos imediatismo, menos acessibilidade e um pouco mais espaço para pensar.

Futebol inglês não respeitará um minuto de silêncio para Thatcher

Já na segunda-feira, após a morte da Dama de Ferro, o clássico entre Manchester City e Manchester United não teve o minuto de silêncio, a Premier League decidiu não recordá-la de forma pública para que não houvesse contestação dos torcedores
Ficará a critério de cada clube fazer a homenagem à ex-premier, ficando livre para poder lembrar de Thatcher da forma que acharem mais conveniente. A ex-primeira ministra participou de mudanças drásticas no futebol britânico nos anos 1980, na época o futebol era uma ameaça ao governo tanto quanto os grevistas de sindicatos, e acabou sofrendo duras sanções por parte do governo.

“Incitar a violência e o ódio é ilegal”, diz Maria do Rosário sobre Feliciano

Foto: Elza Fiúza/ABr
Da Redação
A ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, afirmou nesta segunda-feira (8) que a Câmara dos Deputados deve encontrar uma solução para o caso do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), que preside a Comissão de Direitos Humanos desde março. De acordo com ela, o pastor incita a violência e o ódio, o que é “ilegal.”
“A Câmara certamente encontrará uma solução, ou o próprio Ministério Publico, porque incitar a violência e o ódio no Brasil é uma atitude ilegal, é uma atitude inconstitucional e as autoridades também estão sujeitas às responsabilidades da lei”, ressaltou Maria do Rosário em discurso feito no lançamento de uma exposição no Congresso Nacional sobre o Holocausto.
“Jamais uma etnia, uma religiosidade, uma forma de existência pode perceber-se superior às demais formas de existência humana. Estamos vendo aqui, em uma exposição sobre o Holocausto, o resultado do ódio, da intolerância e do desrespeito humano ao próximo, seja do ponto de vista étnico ou religioso”, disse.
A ministra também afirmou que as declarações do pastor precisam ser pensadas pelas autoridades, apesar de o governo não ter o costume de interferir nesse tipo de situação. “Sem dúvidas, as declarações que motivam a intolerância devem ser pensadas com muita responsabilidade pública por todas as autoridades publicas e por todo o país, porque o Brasil conquistou a convivência entre os diferentes como grande aspecto da democracia brasileira e dos direitos humanos”, garantiu.
“É lamentável que a cada dia nos deparemos com mais um pronunciamento, mais uma intervenção que incita o ódio, a intolerância, o preconceito. Já ultrapassa as barreiras de uma comissão da Câmara dos Deputados, diz respeito a todos nós como brasileiros e brasileiras”, completou.
Desde que assumiu a presidência da comissão, no início de março, Marco Feliciano passou a ser alvo de manifestações devido a comentários considerados racistas, homofóbicos e sexistas. Ativistas de movimentos sociais, principalmente envolvidos com o movimento gay, pedem que ele renuncie. Ele nega que seja preconceituoso e afirma que não vai renunciar.
Foto: Antônio Cruz/ABr
Vídeo de culto envolve Feliciano em mais uma polêmica 
Começou a circular neste domingo (7) à noite um vídeo do pastor durante um culto evangélico no qual ele diz que o cantor John Lennon foi morto por “afrontar a Deus”. “Ninguém afronta a Deus e sobrevive para debochar”, declarou.
Feliciano disse que a morte de Lennon foi uma espécie de justiça divina, e que os três tiros que o atingiram teriam sido disparados em nome do “Pai, do Filho e do Espírito Santo”. “Eu queria estar lá no dia em que descobriram o corpo dele. Ia tirar o pano de cima e dizer: ‘me perdoe John, mas esse primeiro tiro é em nome do Pai, esse é em nome do Filho e esse é em nome do Espírito Santo’”, afirmou.
Em seguida, ele citou uma declaração que o músico teria dado, que teria sido o motivo pelo a “vingança divina” caiu sobre Lennon. “John Lennon estava olhando para as câmeras e disse: ‘Nós Beatles somos uma nova religião’. A minha bíblia diz que Deus não recebe esse tipo de afronta e fica impune”, disse.
De acordo com a assessoria de imprensa do deputado, as imagens são de um culto realizado em 2005, mas o vídeo foi postado no Youtube neste domingo.
De: Sul21 Com informações do G1, do Terra e do Estadão

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Bobby Sands. O jovem morto pela instransigência de Thatcher

BOBBY SANDS (1954-1981)

Em 8 de Maio de 1981, milhares de irlandeses ocuparam as ruas de Belfast (Irlanda) acompanhando o caixão que transporta o do jovem Bobby Sands.
Sands era  militante desde os dezoito anos do Irish Republican Army (IRA) e cumpria uma pena de catorze anos por envolvimento num atentado à bomba, que sempre negou. Mesmo preso, foi eleito ao Parlamento Inglês.
A greve de fome foi a forma de luta encontrada por dez prisioneiros ligados ao IRA que reivindicavam serem reconhecidos como presos políticos. Bobby Sands foi o primeiro a morrer.
A então Primeira-Ministra Margaret Thatcher foi intransigente e, um a um, os prisioneiros foram moreendo de fome, diante de protestos no mundo inteiro e da estupefação, inclusive, de cidadãos ingleses.
Bobby Sands, resistiu 66 dias, até morrer de fome aos 27 anos, na prisão de Long Kesh.
A história dos militantes irlandeses mortos na greve de fome sob o governo da Srª Tatcher pode ser conhecida no emocionante filme "Mães em Luta"
 
 
Com informações de: She and Bob McGee

Britânicos comemoram nas ruas morte de Margaret Thatcher

Houve celebrações da morte da ex-premiê em Londres e na Escócia.
Polêmica, Thatcher era chamada de Dama de Ferro devido ao pulso firme.

Do G1, em São Paulo

Homem segura cartaz comemorando morte de Tatcher em Glasgow (Foto: David Moir/Reuters)Homem segura cartaz comemorando morte de Thatcher em Glasgow (Foto: David Moir/Reuters)
Grupos de pessoas se reuniram em Londres e em Glasgow, na Escócia, entre outros lugares, para celebrar nas ruas, abertamente, a morte da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, ocorrida nesta segunda (8).
As comemorações mostram como a ex-premiê, importante figura política que mudou o Reino Unido, diminuindo drasticamente o papel do Estado, é polêmica ainda hoje.
Uma celebração improvisada acontecia em Brixton, na zona sul de Londres, cenário de intensos distúrbios sociais na década de 1980.
"Thatcher em si representa muito do que o povo odeia que aconteceu na Grã-Bretanha nos últimos 20, 30 anos", disse o designer gráfico Ben Windsor, de 40 anos, ao lado de um homem que segurava um cartaz com uma caricatura grosseira da baronesa e as palavras "júbilo, júbilo".
Sob o olhar de policiais, outros manifestantes chegaram com latas de cerveja e garrafas de vinho, gritando "ela está morta!".
No começo da noite, 199 mil pessoas já haviam "curtido" o site isthatcherdeadyet.co.uk ("Thatcher já morreu?"). O site havia recebido uma atualização em grandes letras maiúsculas: "SIM".
A página incentivava os visitantes a festejarem a morte de Thatcher, e oferecia a trilha sonora.
"Margaret Thatcher morreu. A senhora não vai voltar", dizia o site. A frase fazia um trocadilho com um famoso discurso em que ela, reagindo a pedidos de moderação do seu Partido Conservador, disse que "a senhora não é de recuar".
Thatcher, que foi primeira-ministra entre 1979 e 1990, adotou radicais políticas direitistas que, embora vistas como modernizadoras por muitos, alienaram outros tantos, que a viam como uma destruidora de empregos e de setores econômicos tradicionais.
As palavras de ódio dedicadas a ela, 23 anos após o fim do seu governo, mostram que muitos não a esqueceram nem perdoaram.
"A melhor notícia que eu recebi no ano todo", disse uma pessoa no Facebook, dizendo-se ex-mineiro.
No bairro de Belgravia, uma garrafa de leite foi deixada na porta da casa dela, numa alusão ao corte no fornecimento de leite a escolas primárias, adotada por ela quando ministra da Educação, na década de 1970.
Britânicos comemoram nas ruas morte de Margaret Thatcher. Houve celebrações da morte da ex-premiê em Londres e na Escócia. (Foto: Carl Court/AFP)Britânicos comemoram nas ruas morte de Margaret Thatcher. Houve celebrações da morte da ex-premiê em Londres e na Escócia. (Foto: Carl Court/AFP)
Pessoas se reúnem para celebrar a morte de Tatcher (Foto: Carl Court/AFP)Pessoas se reúnem para celebrar a morte de Thatcher (Foto: Carl Court/AFP)
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Vinho e fotos de Tatcher durante a celebração em Londres (Foto: Carl Court/AFP)Vinho e fotos de Thatcher durante a celebração em Londres (Foto: Carl Court/AFP)

domingo, 7 de abril de 2013

A agonia do Estadão

A verdade é que muita árvore foi derrubada à toa pelo jornal dos Mesquitas.
Bye
Bye
O Estadão está virtualmente morto.
Está cumprindo todas as excruciantes etapas da agonia dos jornais (e das revistas) na era da internet: demissões, demissões, demissões. Menos páginas, borderôs menores.
E futuro nenhum.
Pode ser que, em breve, o Estadão circule duas ou três vezes por semana, como está acontecendo com tantos jornais no mundo.
A Folha, em outras circunstâncias, vibraria. Na gestão Frias, um dos dogmas na Barão de Limeira era que apenas um jornal sobreviveria em São Paulo.
Semimorto o Estado, ficaria a Folha, portanto.
Mas os problemas da Folha são exatamente os do Estado. Pela extrema má gestão dos Mesquitas, eles apenas estão levando mais cedo o Estadão ao cemitério.
Lamento, evidentemente, cada emprego perdido por jornalistas que tiveram o azar de estar na hora errada na redação errada sob a administração errada derivada da família proprietária errada. (Os demitidos, importante que eles se lembrem disso,  terão a oportunidade de respirar ares mais enriquecedores, sobretudo na mídia digital.)
Mas o jornal, em si, não deixará saudade.
Qual a contribuição do Estadão ao país?
O golpe de 1964, por exemplo. O Estadão, como o Globo, tem um currículo impecável quando se trata de abraçar causas ruins e misturar genuínos interesses privados com interesses públicos fajutos.
Ainda hoje, moribundo, gasta suas últimas reservas na defesa de um país em que o Estado (governo)  deve servir de babá para uma minoria que, no poder, fez do Brasil um dos campeões mundiais em desigualdade.
Que colunista se salva? Quem oferece uma visão alternativa? Quem quer um país melhor, menos injusto?
Dora Kramer? Pausa para risada.
Os editorialistas mentalmente decrépitos que davam conselhos à Casa Branca mas jamais conseguiram cuidar do próprio quintal? Nova pausa.
Articulistas como Jabor? Pausa mais longa, porque é gargalhada.

O Estadão pertence a um mundo em decomposição, e cujo passamento não deixa ninguém triste.
Combateu o mau combate. Perdeu, e se vai. Poderia ter ido antes. Muitas árvores teriam sido poupadas.

sábado, 6 de abril de 2013

Secretaria de Direitos Humanos envia força-tarefa para investigar assassinato de moradores de rua em Goiânia

Wellton Máximo Repórter da Agência Brasil

Brasília – A Secretaria de Direitos Humanos enviou hoje (6) uma força-tarefa para investigar o assassinato de moradores de rua em Goiânia. Na madrugada de hoje, um garoto de 11 anos e um adulto foram mortos a pauladas, elevando para 26 o número de casos registrados desde agosto do ano passado na região metropolitana da cidade.
De acordo com o secretário nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Gabriel Rocha, os números mostram uma onda de homicídios de moradores de rua na capital goiana. “Há uma política de extermínio em curso”, disse em entrevista à Agência Brasil. Segundo ele, depoimentos recolhidos por entidades locais de apoio aos moradores de rua indicam a suspeita de participação de agentes públicos em pelo menos parte dos assassinatos.
Encabeçada por Gabriel Rocha, a missão é composta por sete coordenadores federais, entre os quais representantes da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, da Coordenação-Geral dos Centros de Referência em Direitos Humanos e do Comitê Intersetorial da Política da População em Situação de Rua. A força-tarefa avalia se permanece na cidade só hoje ou se fica até a próxima terça-feira (6), quando a Câmara Municipal promoverá uma audiência pública sobre os homicídios.
“Existem notícias de várias testemunhas que põem sob suspeita o envolvimento de agentes públicos nos assassinatos. Isso nos preocupa bastante”, destacou. Segundo Rocha, das 26 mortes apuradas, 25 ocorreram em Goiânia. Uma foi registrada em Aparecida de Goiânia, cidade ao sul da capital do estado.
Citando dados da Secretaria Municipal de Assistência Social de Goiânia, Rocha informou que existem 900 moradores de rua na cidade, dos quais a maioria vem do interior do estado em busca de tratamento de saúde ou para fugir de situações de violência familiar. Segundo ele, as drogas podem não ser o motivo principal dos assassinatos. “De acordo com a prefeitura, somente 30% dos moradores de rua têm envolvimento com entorpecentes. Essas estatísticas são importantes para direcionar as políticas para essa parcela da população.”
Hoje, a missão pretende ouvir moradores de rua que testemunharam assassinatos e se reunir com representantes do Ministério Público e da Polícia Civil de Goiás para pedir a apuração imediata dos casos. Também estão previstos encontros com representantes da prefeitura, do governo do estado e com entidades sociais como pastorais de rua e o Centro de Referência em Direitos Humanos da cidade, operado em parceria com padres jesuítas.

Coreia do Norte e Albânia

Enver Hoxha
Kim Il Sun
Eu assumo: há muitos anos atrás, acreditei em algo chamado Albânia Socialista. Naquele país, funcionaria o modelo socialista preconizado por Marx, Engels e Lênin (e Stálin, vejam só). O bloco soviético (Cuba incluída), era formado por países subordinados ao social-imperialista da antiga URSS; a China liderava outro bloco de traidores do socialismo. Enfim, era um mundo muito particular, dividido em três blocos: o social-imperialista soviético; o revisionista chinês e o capitalista. Diferente de tudo isso, a Albânia era  um exemplar único de socialismo forte e vigoroso, sustentando-se com suas próprias forças e com um povo heróico e com avançada consciência socialista (que chegou a impressionar o sábio Florestan Fernandes), conduzido pela luz de seu grande líder Enver Hoxha.
No fim das contas, quando a Albânia caiu, a consciência socialista mostrou-se uma máscara. Imediatamente o povo foi às ruas comemorar e carregar bandeiras do Estados Unidos.  Após isso, a pobre Albânia tranformou-se em uma das bases do crime organizado na Europa. O que sempre é um argumento para mostrar como "antes era melhor".
Disso tudo, retirei, entre outras lições, que imagens de povo na rua saudando líderes carismáticos não são suficientes para convencer sobre a correção ou não de qualquer regime político. Uma das tragédias da humanidade é, precisamente, a de ter, ao longo da história, tantos facínoras idolatrados pelas massas.
Enver Hoxha era o Kim-Il-Sung albanês. A sacralização de líderes políticos é o caminho para o enterro dos ideais que, um dia, eles representaram. Ouço a defender a Coreia do Norte alguns que sustentavam a solidez do regime criado por Enver Hoxha, que repudiaram os "vândalos" que se revoltaram contra ele e, depois, assistiram estarrecidos a derrocada do sistema albanês. É incrível, algumas pessoas não aprendem com a sua própria história, tampouco com a história da humanidade. Eu aprendo, todos os dias.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Chico Xavier e a Ditadura Militar

Nunca fui fã do Chico Xavier. Os seus milhões de adoradores certamente estão se lixando para a minha opinião. O vídeo abaixo, no entanto, ultrapassou todas as minhas piores expectativas com relação a este senhor.
Assista o vídeo clicando AQUI

Nota pública sobre o julgamento do assassinato de líderes extrativistas no Pará

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e a Secretaria de Diretos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) consideram justa a condenação dos executores dos líderes extrativistas José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, assassinados há dois anos no Pará. Mas, ao mesmo tempo, consideram grave que nenhum mandante tenha sido responsabilizado até o momento.
Saudamos a decisão imediata do Ministério Público de oferecer recurso diante da absolvição do acusado de ser o mandante do crime. Estamos conscientes de que um crime dessa natureza costuma ser motivado por interesses que vão além das pessoas que, de forma vil, o executam. Por este motivo, acreditamos que a Justiça só será plena com a responsabilização igualmente firme, por parte do Poder Judiciário, dos autores intelectuais ou mandantes da execução.
O casal assassinado era assentado da reforma agrária, se dedicava à produção sustentável de castanha na reserva ambiental Praialta-Piranheira, rica em madeira de lei, e defendia a exploração sem destruição da mata.
A absolvição do mandante desse crime traz como conseqüência a sensação de impunidade no que se refere a homicídios de trabalhadores na zona rural. E, ainda, prejudica a luta de trabalhadores que defendem a geração de renda com preservação da floresta.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e a Secretaria de Diretos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) seguirão acompanhando os desdobramentos do caso.
Brasília, 5 de abril de 2013
Maria do Rosário Nunes, ministra de Estado-Chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
Pepe Vargas, ministro do Desenvolvimento Agrário