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sexta-feira, 4 de julho de 2014

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Maucaratismo jornalístico explícito do G1:Viaduto que caiu era "para a Copa"


Viaduto em construção para a Copa do Mundo desaba em Belo Horizonte

Dois caminhões, um carro e um micro-ônibus foram atingidos na queda. Avenida fica no caminho do Mineirão para a Cidade do Galo, concentração da Argentina

Por Belo Horizonte

Um viaduto em construção desabou na tarde desta quinta-feira (3), na Avenida Pedro I, próximo à Lagoa do Nado, região da Pampulha, em Belo Horizonte. Segundo o Corpo de Bombeiros, duas pessoas morreram e 19 ficaram feridas.
Dois caminhões e um carro foram atingidos. Além deles, a estrutura atingiu um ônibus suplementar, linha de transporte público que usa micro-ônibus. O trânsito está interditado no local.
Info DISTÂNCIA do Acidente em BH até o Estádio do Mineirão 2 (Foto: Infoesporte)Três dos feridos foram levados pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital Risoleta Neves, em Venda Nova, próximo do acidente. O estado de saúde não foi divulgado.
Info DISTÂNCIA do Acidente em BH até o Estádio do Mineirão 2 (Foto: Infoesporte)
O viaduto, que sai da Rua Olímpio Mourão e passa sobre a Avenida Pedro I, fazia parte do pacote de obras de mobilidade urbana para a Copa do Mundo, mas não ficou pronto a tempo do Mundial. A via onde ocorreu a queda do viaduto é uma das ligações que liga o centro da capital mineira ao aeroporto de Confins e a Cidade do Galo, local onde a seleção argentina está hospedada durante a disputa da Copa do Mundo. O time argentino passou pelo local no dia da partida contra o Irã, no último dia 21.
Viaduto sobre a Avenida Pedro I desaba (Foto: Reprodução / Globo News)
Viaduto sobre a Avenida Pedro I desaba (Foto: Reprodução / Globo News)
O Mineirão, que já foi palco de cinco partidas do Mundial, está à cerca de 5,5 km do local do acidente. O Gigante da Pampulha ainda vai receber uma das semifinais, programada para a próxima terça-feira, dia 08, às 17h (de Brasília). O vencedor das quartas de final entre Brasil x Colômbia enfrenta quem passar do duelo entre França x Alemanha.

sábado, 21 de junho de 2014

O verdadeiro pecado de Mario Sergio Conti- Paulo Nogueira

Felipão foi o de menos
Felipão foi o de menos
A entrevista com o falso Felipão entra na crônica do jornalismo brasileiro como uma das maiores besteiras já cometidas.
A pergunta que emerge para o autor, Mario Sergio Conti, é a seguinte: em que planeta ele vive?
Mas é algo no terreno da anedota.
Conti tem razão quando diz que ninguém morreu por conta do erro, e nem a bolsa se movimentou, ou coisas do gênero.
Conti, é verdade, vai passar para a história como aquele jornalista do Felipão.
Mas seu real pecado, na carreira, é algo muito mais sério.
Conti, como diretor de redação da Veja, comandou uma das coberturas mais abjetas e mais canalhas do jornalismo nacional: a que levou ao impedimento de Collor.
Ali a Veja mostrou, sem que ninguém percebesse, o que faria depois: o abandono completo do compromisso com os fatos na sede de derrubar inimigos.
É uma opinião que tenho desde sempre, e a compartilhei várias vezes com jornalistas da Abril nos anos em que trabalhei lá – durante e depois  do crime jornalístico feito pela Veja.
A Veja se baseou, essencialmente, em declarações. Mais que tudo, o depoimento envenenado e raivoso de Pedro Collor foi vital no material jornalístico que a revista produziu naqueles dias.
Nasceu da vingança de Pedro a célebre capa cujo título era: “Pedro Collor conta tudo”.
Meu ponto, desde o início, era o seguinte. Imagine que o irmão do presidente dos Estados Unidos batesse na porta do diretor de redação da revista Time e dissesse que tinha coisas hirríveis para contar.
A Time publicaria?
Jamais. Antes, caso achasse que ali coisas críveis, investigaria profundamente as acusações. Só publicaria com provas, primeiro porque de outra forma sua imagem jornalística ficaria arranhada. Depois porque a Justiça americana, ao contrário da brasileira, não aceita blablablás como evidências.
Num caso notável, Paulo Francis chamou diretores da Petrobras de corruptos. Como a acusação foi feita no Manhattan Connection, os executivos puderam processar Francis na Justiça americana, a despeito da pressão de FHC, então presidente, para que não agissem assim.
Os americanos pediram provas a Francis e ele nada tinha além de sua verve. Na iminência de uma multa que talvez o arruinasse, ele se atormentou. Morreu de enfarto durante o processo, e amigos atribuíram o coração quebrado ao pavor da sentença iminente.
Não espanta que, anos depois da queda de Collor, ele tenha sido absolvido no STF por ausência de provas.
Este fato é, em si, uma prova espetacular da inconsistência da cobertura da Veja.
Por trás de tudo, de todas as maldades jornalísticas praticadas pela Veja, estava Mario Sergio Conti, uma das figuras mais amplamente detestadas pelos jornalistas brasileiros.
Mario Sergio posaria, depois, como “derrubador de presidente”, o que não fez bem a sua carreira na Veja.
O dono da Veja, Roberto Civita, também gostou do título de “derrubador de presidente”, e a revista, embora grande, era pequena demais para dois derrubadores.
RC, pouco depois, deu um jeito de mandar embora Conti. (Antes de ser demitido, ele teve a chance de inventar Mainardi como colunista.) Foi uma demissão florida: Conti teve dois anos remunerados ao longo dos quais escreveu Notícias do Planalto, um livro sobre o episódio Collor.
É um livro no qual ele bajulava todos os donos de jornais e revistas, e ao mesmo tempo atacava jornalistas dos quais não gostava, a começar pelo homem a quem devia o cargo de diretor da Veja, JR Guzzo.
Um dia o jornalismo brasileiro haverá de realizar um trabalho arqueológico sobre o caso Collor.
E então se perceberá que a origem do horror em que a Veja se transformou nos últimos anos estava ali, sob as mãos malévolas de Mario Sergio Conti, o cara do Felipão.

domingo, 4 de maio de 2014

Jornalista da Band irrita marido e colega da TV ao “ostentar” em entrevista

Ricardo Boechat se irrita com entrevista de Ticiana Villas Boas (Reprodução/Band)
A entrevista que Ticiana Villas Boas, 33, deu à revista "Veja" não repercutiu bem nem em sua vida profissional nem na pessoal. Segundo a colunista Fabíola Reipert, seu marido, Joesley Batista, não gostou nada da exposição da esposa no vídeo.
Com um tom desinformado e despreocupado, Ticiana falou sobre seu estilo de vida. "É bom ter dinheiro, não fazer conta, sair para jantar a hora que quiser no restaurante que quiser, poder reformar sempre a casa, ter funcionário na casa. Eu chego em casa, meu carro já está abastecido, meu motorista faz isso. Outro dia me perguntei quanto era o litro da gasolina. Não sabia. Eu poderia comprar uma bolsa toda hora, toda semana, mas eu não faço, eu me coloco limite sobre isso. Eu nunca conversei com o Joesley sobre coisas de casa, qual o limite de gastar aqui", ela declarou.
O marido, dono da Friboi, também se incomodou em ver publicada uma lista de seus bens, como uma casa em Nova York, uma em Angra dos Reis e um jato avaliado em 25 milhões de dólares.
Ricardo Boechat, 61, colega de Ticiana no "Jornal da Band", também não gostou da postura da jornalista. Segundo o colunista Léo Dias, ele faz campanha para que ela seja substituída por Ana Paula Padrão, que está sem contrato e tem chances de voltar à Band. No entanto, há a questão de que a saída de Ticiana poderia acarretar a perda de patrocinadores. Seu marido também é dono da Neutrox, da Seara e dos sabonetes Francis.

Ticiana Villas-Boas, rainha das caretas e da futilidade do jornalismo nacional

Ticiana Villas-Boas, a apresentadora do Jornal da Band, é  rainha das caretas e, agora, comprova ser a rainha da futilidade. É intragável assistir o Jornal da Band diante de tantas caretas, gestos e de modulações de voz da apresentadora. A pessoa é ridícula! E ainda se autodefine coo "bonitona e bem sucedida". Como é que alguém pode se considerar uma jornalista preparada, quando sequer sabe o preço da gasolina que abastece o próprio carro e considera uma ato de limitação ao consumismo não comprar uma bolsa "a cada hora, a cada semana". 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

"O Globo": lixo começa pela capa

A capa d'O Globo do dia 2 de maio é uma peça de campanha anti-Dilma de fazer inveja ao "Daily Bugle" (o jornal que ataca o Homem Aranha seja lá pelo que for). Além de colocar fotos dos adversários da presidenta, estampa uma manchete em que a política de valorização do salário-mínimo aparece como um "custo", um prejuízo para trabalhadores e trabalhadoras. O Globo é um lixo, um panfleto em forma de jornal.



domingo, 16 de março de 2014

Nove coxinhas de jaleco vaiam Dilma e ganham capa no Globo

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Realmente, o Globo é muito “isento” e “imparcial”.
A presidente foi à Araguaína, no interior de Tocantins, inaugurar 1.788 unidades de casas do programa Minha Casa Minha Vida, numa versão mais avançada do programa, onde os imóveis são de “alto padrão”, equipados até com placas de energia solar.
É recebida com euforia por milhares de pessoas, a começar pelos beneficiados e suas famílias.
Aí aparecem nove coxinhas estudantes de Medicina, que protestavam contra o programa Mais Médicos, vaiam a presidente e gritam um lugar comum idiota do udenismo: “PT Corrupção”.
Eu até consegui uma foto dos meninos, onde vimos quatro cartazetes improvisados. Os coxinhas estavam esmagados no meio do povo que aplaudia e escutava a presidente:
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Realmente, é um protesto “enorme”!
O que aparece na capa do Globo?
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Detalhe curioso: no jornal impresso, a matéria fala em “dez estudantes de Medicina”. No site, corrigiram para nove estudantes.
As quase 1.800 casas irão beneficiar mais de 7.000 pessoas. Imagine o impacto social e econômico de uma iniciativa assim numa cidade média?
É interessante assistir à fala da Dilma no evento. Ela se emociona ao lembrar do que lhe disse uma senhora sobre o que representava para ela ter, enfim, uma casa com endereço. Em muitas comunidades pobres, e são centenas de milhares espalhadas pelo Brasil, as casas não tem endereço porque foram construídas de maneira irregular. Não tem cadastro sequer na prefeitura da cidade.
Enquanto isso, Aécio Neves, informa Jorge Bastos Moreno, em sua coluna de hoje, não sai de “certo restaurante de comida japonesa no Rio, na companhia de bacanas”.
Talvez o tucano ganhe o voto dos nove coxinhas de jaleco. Possivelmente serão os únicos votos em Aécio na cidade.
O programa Minha Casa Minha Vida, assim como os Mais Médicos, pela sua magnitude, tornou-se um programa estruturante, sobretudo em sua nova etapa, na qual os conjuntos habitacionais trazem também postos de saúde, escolas e creches.
Isso explica a forte popularidade de Dilma junto à população mais pobre e nas cidades pequenas.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

"Torcidas Organizadas": quem financia essa praga do futebol?

Mesmo sendo colorado, não desejo a maldição das organizadas nem mesmo para o Grêmio. É possível que no Internacional exista coisa parecida, mas é no Grêmio, principalmente por conta da tal "Geral do Grêmio", que se consagrou o financiamento dos clubes a gangs organizadas. É correta a aplicação de normas de segurança preventiva e punição aos arruaceiros, porém, é fundamental cortar a fonte que irriga essas ditas torcidas. Sem dinheiro fácil concedido sabe-se lá com que intenções, será bem mais complicado a turba se deslocar para lá e para cá. 

Cabe, também, aos conselhos deliberativos e fiscais dos clubes zelarem pela boa aplicação dos recursos. Ninguém faz farra sozinho. 

O interessante é ver gente que faz discurso pela ética na política e outras coisas do tipo bancar o financiamento dessa praga que são as ditas "Torcidas Organizadas".

Entre tantas coisas que a gente critica na Zero Hora, essa reportagem, cumpre o papel de informar algo que é de interesse não só dos gremistas, mas de todos os que gostam de futebol (e até dos que não gostam).

Dinheiro farto para as torcidas organizadas

Na Geral do Grêmio, houve quem deixasse de trabalhar para viver do dinheiro repassado pela administração de Paulo Odone, presidente do clube até o fim do ano passado. As torcidas organizadas receberam R$ 1,1 milhão em 23 meses. Nenhuma foi mais beneficiada do que a Geral, cujos líderes assinaram os recibos espalhados por estas páginas ao buscar verba no Estádio Olímpico.
Paulo Germanopaulo.germano@zerohora.com.br
(Arte ZH)

Semifinal da Copa do Brasil: R$ 60 mil

A maior quantia que Alemão da Geral buscou no Olímpico entre 2011 e 2012 foi de R$ 60 mil para contratar ônibus que levariam torcedores a Barueri (SP). O Grêmio enfrentaria o Palmeiras, em 21 de junho de 2012, pela semifinal da Copa do Brasil. Responsável por organizar viagens na época, Zóio afirma que oito ônibus partiram de Porto Alegre, cada um locado por R$ 6 mil. Portanto, teriam sobrado R$ 12 mil. ZH ouviu gremistas que pagaram entre R$ 20 e R$ 40 para viajar com a torcida na ocasião, rendendo mais dinheiro à Geral. Alemão contesta: garante que 10 ônibus foram a Barueri e que todo o dinheiro foi investido na viagem.
(Arte ZH)

De avião para Belo Horizonte: R$ 19 mil

Para acompanhar o Grêmio em Belo Horizonte, em um jogo contra o Atlético-MG, em 23 de setembro de 2012, a Geral recebeu R$ 19 mil. Daria para fretar pelo menos dois ônibus, com 44 gremistas em cada veículo.
- Só cinco integrantes da torcida foram para lá, de avião. A passagem de cada um, ida e volta, custou uns R$ 700 - conta Zóio, ressaltando que nunca soube dos R$ 19 mil retirados no Olímpico por Alemão.
Zóio afirma ter visto apenas R$ 6,5 mil. Alemão diz que, além dos gremistas de avião, foram ônibus a BH.
Entre 19 de janeiro de 2011 e 21 de dezembro de 2012, a direção do Grêmio entregou R$ 1,1 milhão para líderes de torcidas organizadas. Mais de 85% do montante foi para os cofres da Geral, dividida no ano passado em dois grupos que se mantêm em guerra até hoje.

Documentos obtidos por Zero Hora comprovam pela primeira vez que um clube gaúcho abasteceu torcidas com subsídios que, em média, passavam de R$ 45 mil por mês. O dinheiro era suficiente para que alguns expoentes da Geral abdicassem de trabalhar e vivessem à custa do repasse de verbas. Afinal, nunca a direção do Grêmio - comandada na época por Paulo Odone - exigiu qualquer prestação de contas ao entregar dinheiro vivo às torcidas.

- Ao oferecer valores às organizadas, o clube fomenta entre os líderes das torcidas uma disputa pelo dinheiro. E com frequência esses líderes apelam para a violência como forma de impor sua autoridade - afirma o promotor José Francisco Seabra Mendes Júnior, da Promotoria do Torcedor do Ministério Público.

Embora na tesouraria do Grêmio a justificativa para os gastos fosse "despesa de viagem da torcida", os chefes da organizada tinham liberdade para usar o dinheiro como quisessem. Parte dos recursos, em vez de ser destinada à contratação de ônibus que transportariam torcedores para acompanhar o time fora de Porto Alegre, costumava ser embolsada por líderes da Geral.

- Era a nossa forma de viver. Achávamos justo que uma parte da grana ficasse conosco, até para podermos nos sustentar - assume Cristiano Roballo Brum, o Zóio, 33 anos, que até o ano passado ocupava o posto de número 2 na hierarquia da organizada.

Em entrevista no dia 6 de dezembro, Zóio afirmou que o lucro era partilhado entre dois líderes de cada grupo da Geral: de um lado, Rodrigo Marques Rysdyk (o Alemão, 35 anos, líder maior da torcida) e seu braço direito, Bruno Pisoni Garcia, o Bruno Cabeludo, 31 anos. De outro, o próprio Zóio e seu aliado mais próximo, Rodrigo Furtado Pedroso, o Dicaprio, 32 anos.

Alemão e Bruno, embora admitam que recebiam dinheiro do Grêmio com frequência, negam ter usado para fins pessoais alguma verba do clube. Ao consultar documentos referentes à última gestão de Odone na presidência, ZH apurou que R$ 310,4 mil foram repassados às organizadas em 2011 e outros R$ 787,2 mil foram entregues em 2012.

Às vésperas de jogos do Grêmio fora de casa, Alemão se apresentava na Central de Relacionamento do Estádio Olímpico para buscar maços de reais acomodados em envelopes pardos. Antes de deixar o estádio com quantias que podiam variar de R$ 2 mil até R$ 60 mil, ele assinava recibos - nove deles ilustram esta reportagem.

Foi Paulo Odone quem inaugurou no Grêmio a política de entregar dinheiro vivo às torcidas. Nas gestões anteriores, no máximo o próprio clube contratava ônibus para as organizadas se deslocarem. Atualmente, na administração de Fábio Koff - eleito no fim do ano passado sob forte oposição da Geral, que fez campanha pela reeleição de Odone -, o repasse de verbas está cortado.

- Nos parece claro que a distribuição indiscriminada de benefícios estimula a criação de feudos poderosos dentro das torcidas - avalia Nestor Hein, vice-presidente de Koff responsável pelo relacionamento com as organizadas.

Boa parte das excursões da Geral para fora do Estado era planejada por Zóio, que mais tarde se tornaria inimigo público de Alemão - em janeiro deste ano, um mês após a pancadaria entre os dois grupos rivais na inauguração da Arena, Zóio invadiu a casa do adversário, em Canoas, para um acerto de contas à base de socos e cadeiradas.

A Zero Hora, simpatizantes da organizada que viajavam com a torcida garantiram ter pago entre R$ 20 e R$ 40 por um lugar nos ônibus - o preço variava de acordo com a importância do jogo. Seria, portanto, mais uma forma de a Geral lucrar. As vendas de assentos ocorriam no antigo Bar dos Borrachos, na Avenida da Azenha.
(Diego Vara/Agencia RBS)

Entrevista

Paulo Odone: "Não era para fazerem o que quisessem com o dinheiro"

Presidente do Grêmio entre 2011 e 2012, período em que as organizadas receberam do clube R$ 1,1 milhão - mais de 85% desse valor foi repassado à Geral -, Paulo Odone diz que preferia dar dinheiro a contratar ônibus para a torcida viajar. O motivo: não envolver o Grêmio em eventuais incidentes nas excursões. Ele admite, no entanto, que recebia denúncias alertando sobre a forma como líderes da Geral usavam os recursos.

os recibos

(Reprodução/Reprodução)
(Reprodução/Reprodução)
(Reprodução/Reprodução)
(Reprodução/Reprodução)
(Reprodução/Reprodução)
(Reprodução/Reprodução)
Recibos obtidos por ZH são assinados por Alemão da Geral e Bruno Cabeludo, líderes da torcida
Eu tinha de me preocupar com o macro do Grêmio e com o esporte. Já chega o que a gente se incomoda com esse troço de torcida. Agora, vou fiscalizar se o cara desviou 200 pilas, 200 mil, 600 mil?
Uma vez, (os líderes da Geral) me pediram dinheiro para oito caras irem de avião a Minas Gerais. Alguém depois veio dizer: ?Não foram oito, foram só dois líderes,e o dinheiro de seis (passagens) eles pegaram.
(Interrompendo) Não tenho esses dados, não tenho esses números. Não fiz nada além de repetir o que era feito na gestão do Duda (ex-presidente Duda Kroeff, que comandou o Grêmio no biênio anterior).
Olha aqui. Em vez de o Grêmio locar um ônibus para a torcida viajar - e assumir a responsabilidade sobre eventuais danos ao veículo -, preferia que o dinheiro fosse dado a eles (líderes das organizadas), para que a responsabilidade ficasse por conta deles. Então, essa diferença é um detalhe. Não vou concordar com a informação de que eu dava dinheiro e o outro (Duda Kroeff) não dava. A questão é a seguinte: a gestão anterior dava condições para a torcida viajar ou não?
Não era para eles fazerem o que quisessem com o dinheiro. Às vezes, me diziam: "Olha, os caras pegaram o dinheiro dos ônibus e não usaram". Mas é a mesma coisa com viagem de avião. Uma vez, (os líderes da organizada) me pediram dinheiro para oito caras irem a Minas Gerais, em uma semifinal que ocorreu lá. Alguém depois veio dizer: "Não foram oito, foram só dois líderes, e o dinheiro de seis (passagens) eles pegaram". Houve essa acusação.
Isso eram denúncias que chegavam a posteriori. Nunca ninguém me disse "olha, está acontecendo isso" ou "vai acontecer". Mas, (contratar ônibus para transportar a torcida) em nome do Grêmio, eu não quis mais fazer. Porque houve uma vez em que a polícia parou um ônibus (que transportava a Geral e foi apedrejado) lá em Curitiba. Eu disse: "Não envolvo mais o Grêmio. O Grêmio não aluga mais ônibus".
Vou dar um exemplo. Quando tem Gre-Nal no estádio do Inter, o Grêmio recebe cortesias (ingressos gratuitos) e repassa para suas organizadas. Quando o Gre-Nal é no estádio do Grêmio, o Inter ganha cortesias e faz a mesma coisa. Eles (líderes da Geral) pediam mil ingressos - e eu não aceitava, eu dava menos, dava 400. O que eles faziam? Eles vendiam parte dos ingressos para pagar a banda que toca com a torcida. Não sei se tu sabes, mas os caras que tocam instrumentos cobram dinheiro, tanto nas torcidas do Inter quanto nas do Grêmio.
Quando dava bronca, eles diziam: "Pô, mas nós temos que pagar a banda". Eu dizia: "Mas como assim?" E isso sempre ocorreu na gestão anterior (de Duda Kroeff) também. Por isso que ocorrem essas brigas. Na inauguração da Arena, eles brigaram com os caras da banda. (Zero Hora apurou que a briga ocorreu entre os dois grupos rivais da Geral; um liderado por Alemão, outro por Zóio). Foi uma briga interna deles.
Mas acho que isso, de darmos dinheiro e eles não usarem (na contratação dos ônibus), ocorreu muito poucas vezes. Eles (líderes da Geral) nos apresentavam os valores dos ônibus para viajar, e a gente pesquisava preços menores. Acabávamos dando metade do que eles pediam. Sempre foi feito isso.
Briga acontece por tudo. Disputa de poder, de liderança, de tudo. Pelo amor de Deus, faz uma matéria completa. Mergulha lá dentro que tu vais ver.
Se eles ficaram com algum dinheiro, foi muito pouco. Porque ninguém dava dinheiro a rodo para eles comprarem as coisas.
Tu estás trazendo um número que eu não conheço. Queres que eu me meta lá dentro, na direção do Grêmio, para olhar? Os caras (da atual gestão, do presidente Fábio Koff) me acusam de tanta coisa, e eu vou lá olhar isso? Entrevista o contador do Grêmio.
Não sei dessas coisas! Eu tinha que me preocupar com o macro do Grêmio e com o esporte. Já chega o que a gente se incomoda com esse troço de torcida. Agora vou fiscalizar se o cara desviou 200 pilas, 200 mil, 600 mil? E tu dizes: "Foi R$ 1,1 milhão, presidente". Porra, eu passei 10 anos tirando o Grêmio do buraco! Eu não conheço esses números.

Liverpool x Grêmio, 26/1/2011

(Diego Vara/Agencia RBS)
No início da gestão Odone, Geral ganha R$ 32,5 mil para viajar ao Uruguai: confronto com a polícia

Grêmio x Canoas, 24/1/2013

(Reprodução/Reprodução)
Os dois grupos que disputam o comando da Geral promovem tumulto no entorno do Olímpico

Gre-Nal, 28/8/2011

(Valdir Friolin/Agencia RBS)
Na arquibancada do Olímpico, membros da Geral brigam com outra organizada gremista, a Máfia

Grêmio x Fluminense, 28/7/2013

(Diego Vara/Agencia RBS)
Após membro da Geral ser agredido pela BM, conselheiros ligados à torcida partem para o ataque

Inauguração da Arena, 8/12/2012

(REPRODUÇÃO TV/REPRODUÇÃO TV)
Zóio, na época o número 2 na hierarquia da torcida, lidera pancadaria contra o grupo do líder Alemão
Quebraram tudo. Eu fiquei em estado de choque, minha pressão baixou muito. E ouvi os caras comentando que aquilo era só o começo.
Funcionária do Bar Preliminar relata confusão envolvendo membros de torcidas organizadas do Grêmio na noite de 6 de novembro.
(Débora Silveira, Especial)

Entrevista

"Me sustento com trabalhos temporários" diz Alemão, líder da Geral

Rodrigo Rysdyk, líder da Geral conhecido como Alemão (à direita na foto), reconheceu sua assinatura nos recibos do Grêmio que comprovam o repasse de verbas à organizada durante a gestão Odone. Garantiu, no entanto, jamais ter embolsado parte do dinheiro. Acompanhado de Ney Martins Neto - que, como ele, é conselheiro do clube, além de membro da Geral -, Alemão comentou os confrontos com o grupo de Zóio (à esquerda).

Torcida ganha força política a cada eleição do clube

Nunca uma torcida organizada foi tão influente no Estado como a Geral do Grêmio. Capaz de decidir votações no Conselho Deliberativo, o crescimento político da Geral desperta cada vez mais interesse entre postulantes à presidência do clube.

Os dois principais líderes da torcida, Alemão e Bruno Cabeludo, se elegeram conselheiros do Grêmio em setembro - outros 13 membros da organizada também têm cadeira no colegiado. Eles formam o Movimento Grêmio da Torcida (MGT), idealizado por expoentes da Geral que buscam poder de decisão dentro do clube. No último pleito, o grupo definiu a votação para a presidência do Conselho: Milton Camargo só venceu César Pacheco por 13 votos graças ao apoio do MGT.

Atual presidente do Grêmio, Fábio Koff sofreu oposição contumaz da organizada ao se candidatar ao cargo, no fim do ano passado, quando a torcida fez campanha pela reeleição de Paulo Odone. Em 14 de outubro de 2012, antes de um jogo contra o Botafogo, integrantes da Geral impediram que Koff circulasse pelo pátio do Olímpico para interagir com eleitores.

Líderes da organizada contam que a estratégia era segurar o candidato no pórtico de acesso ao estádio, onde provocaram uma troca de socos com apoiadores do futuro presidente. Seis dias depois, na véspera da eleição, cartazes ofensivos contra Koff espalhados pelo entorno do Olímpico acirraram o clima. Bastou o novo presidente assumir para os subsídios repassados à Geral nos tempos de Odone serem cortados.

- Não usamos dinheiro do caixa do Grêmio. Em algumas ocasiões, aproximamos as organizadas de patrocinadores que oferecem ônibus em troca de banners nos veículos - diz o vice-presidente Nestor Hein.
Rodrigo Rysdyk, o Alemão ? Sim, óbvio.
Ney Martins Neto ? Se sobrasse alguma coisa, a gente comprava cerveja, lanche. Ou deixava no caixa da torcida, mandava fazer material, arrumava uma bandeira.
Trabalhei desde pequeno na empresa do meu avô: separava e carregava sucata o dia todo. Até que, em 2004, um assaltante entrou lá e matou meu avô. Os amigos que fiz na torcida nunca me deixaram na mão. Me ajudaram com um bico aqui, um trampo ali, até com dinheiro. Me sustento com trabalhos temporários.
É mentira, não tem como fazer isso. Eu seria afastado da torcida. Se ele (Zóio) fez isso, então foi má-fé dele, não minha. Eu sempre fiz o correto.
Se houve disputa por dinheiro, foi por parte deles. Da minha parte, nunca houve.
Quando o clube não nos dava subsídio para viagens, usávamos para acompanhar o Grêmio. Parte do dinheiro era para confeccionar materiais e gerar um fluxo de caixa para manter a torcida. A direção sabia.
A gente cobrava um valor simbólico, uns R$ 20, para o cara não faltar. Porque, se ele botasse o nome na lista e faltasse, tirava o lugar de outro. Precisávamos encaminhar a lista com antecedência para a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Mas, no fim das contas, todo mundo entrava sem pagar.
O Grêmio usa a imagem da torcida. Fotos da Geral estampam produtos, como cadernos. A campanha para associar torcedores, passando de 3 mil para 40 mil sócios, foi a torcida que fez. A receita do Grêmio aumentou. Gastos com torcida têm retorno para o clube.

Após trégua, grupos voltaram a se enfrentar

Esse mergulho na política do clube contribuiu para a Geral rachar em dois grupos. Enquanto Alemão se dedicava desde 2005 a uma campanha interna para integrantes da organizada se associarem ao Grêmio - e, dessa forma, fortalecer o grupo votante nas eleições -, o número 2 da torcida, Cristiano Roballo Brum, o Zóio, não queria saber de política e continuava reivindicando ingressos gratuitos da direção.

- A nossa rapaziada, liderada pelo Alemão, nem precisava mais dos ingressos porque a maioria já era sócia. E os nossos conselheiros começaram a enfrentar dificuldades dentro do clube. "Vocês já ganham pilhas de ingressos e vêm reivindicar mais coisas no Conselho?", diziam. Só que a turma do Zóio, que é um pessoal mais pobre, de vila, não queria pagar mensalidade, queria viver dos ingressos para sempre - conta um membro da Geral.

O ápice da desavença eclodiu na inauguração da Arena, em 8 de dezembro de 2012, quando Zóio comandou uma pancadaria na arquibancada. Em janeiro deste ano, ele invadiu a casa de Alemão - e, três semanas depois, os dois grupos se enfrentaram no entorno do Olímpico, em uma selvageria que terminou com 31 torcedores proibidos de frequentar estádios.

Embora Zóio esteja afastado da organizada, as duas alas da Geral seguem promovendo tumultos. Na noite de 6 de novembro, antes de Grêmio x Atlético-PR, dezenas de torcedores entraram em confronto e destruíram, com garrafadas e pedradas, parte da fachada do Bar Preliminar, onde se reuniam os aliados de Zóio. Uma funcionária do estabelecimento, na época grávida de oito meses, passou mal:

- Quebraram tudo. Eu fiquei em estado de choque, minha pressão baixou muito. E ouvi os caras comentando que aquilo era só o começo.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Façam como Mônica Waldvogel: não caiam no papo do piloto traficante que quer incriminar gente honesta

A imprensa e o suposto caso de tráfico



(Foto: Divulgação/Polícia Militar)
A imprensa está sendo acusada de minimizar um suposto caso de tráfico internacional que supostamente envolveria parlamentares oposicionistas supostamente ligados a Aécio Neves. Até o insuspeito Zé Simão entrou na onda acusatória:
Pesquisei o assunto com cuidado e posso garantir aos meus leitores que trata-se do mais absolutotrololó. Vamos aos fatos: Gustavo Perrella, deputado estadual mineiro pelo Solidariedade e filho do senador Zezé Perrella, foi traído por um de seus melhores funcionários. Infelizmente, o empregado abusou da confiança - e vocês sabem como está complicada essa gente hoje em dia! - e foi flagrado usando o helicóptero particular de Perrella para transportar quase meia tonelada de pasta de cocaína.
O deputado mineiro foi tão surpreendido com a barbaridade que estava sendo cometida em sua aeronave, que imediatamente acusou o piloto de outro crime: o roubo do helicóptero. Diante do desmentido do funcionário, Perrela subitamente lembrou que havia autorizado aquela viagem através de duas mensagens de celular, e então mudou sua versão. Admitiu que a aeronave não tinha sido roubada e confirmou a liberação do transporte de "insumos agrícolas".
Bom, por que a acusação dirigida a nós da grande imprensa é injusta? Oras, com Dirceu, Delúbio e Genoíno presos, estádios da Copa desabando, e todo o caos político, econômico e social que vivemos, um caso desses automaticamente ganha menor importância. Um simples piloto que trafica drogas escondido do patrão não é e não deve ser um assunto do interesse público.
Eu e outros colegas da imprensa, por exemplo, mal estávamos "acompanhando esse caso":
Entenderam por que não damos tanto destaque ao assunto? Isso é papo de piloto, uma pauta no máximo para o jornalismo especializado em aviação civil, não para quem cobre os acontecimentos políticos do dia a dia.
Perguntam também o que nos levou a abafar um suposto escândalo de 2011 envolvendo a família de Aécio Neves, apenas porque esta é intimamente ligada à família Perrella. Conto-lhes mais este trololó:Tancredo Aladin Rocha Tolentino, primo de Aécio, carinhosamente conhecido como "Quedô", foi preso por chefiar uma quadrilha acusada de vender absolvições para traficantes de drogas, além de ter sido condenado em 97 por crime contra o patrimônio e contra a economia popular. Quase na mesma época, outro primo de Aécio, Rogério Lanza Tolentino, havia sido condenado a 7 anos e 4 meses de prisão por lavagem de dinheiro. Todos esses assuntos não tiveram destaque no Jornal Nacional, não tocaram na CBN e não foram analisadas na A2 da Folha. Claro! As provas contra eles são escassas. Isso fica claro quando constatamos que Quêdo conseguiu um habeas corpus e, logo em seguida, tentou sair candidato à prefeitura de Claudio (MG) pelo PV, quando foi barrado pelo Ficha Limpa.
Poucos sabem, mas Quêdo é uma pessoa muito família, um cara do bem. Organiza as cavalgadas com familiares seus (e dos Perrella) em sua fazenda, comanda a cachaçaria da família Neves em Cláudio (MG) e sempre foi muito querido por todos da região. Quando Aécio caiu do cavalo quebrando 5 costelas, quem estava lá oferecendo o ombro amigo? Ele, o dono da fazenda, o primão Quêdo.
Mas o que o helicóptero de Perrellinha fazendo tráfico internacional tem a ver com Aécio Neves, que indicou Zezé Perrella para o Senado e cujo primo vendia absolvição para traficantes de drogas? Absolutamente nada. Mas, claro, os patrulhadores da pauta alheia insistem em enxergar nuvens nesse céu de brigadeiro. Tudo isso para tirar foco do que realmente interessa: a prisão dos mensaleiros e os escândalos que a envolve. A gente sabe muito bem como se comporta essa gente chicaneira. #AcordaBrazil