domingo, 6 de janeiro de 2013

Posse de Genoíno: melancólica, sim; imoral, não

 
A trajetória política e parlamentar de José Genoíno é respeitada por quase todos. Apenas militares e alguns recalcitrantes do partido ao qual Genoíno pertenceu a contestam. Pensei em escrever algo sobre a alardeada posse do deputado. Legal, moral, ilegal, imoral, enfim... Achei a posse melancólica, triste ver um nome cosagrado ficar na suplência e assumir nas condições em que assumiu. Todavia, era um direito seu, enquanto não for cassado seu mandato. Digo mais, se Genoíno reitera sua inocência, por que seria imoral assumir um mandato que obteve nas urnas? Genoíno foi julgado pelo STF, mesmo sem ter foro privilegiado (não era deputado quando os fatos jullgados ocorreram, nem o era no período do julgamento). Aliás, isso ocorreu com outros envolvidos no chamado mensalão. A Procuradoria Geral da República e o Relator do caso se negaram a desmembrar o processo e só julgarem os que fizessem jus , pela Costituição, ao foro privilegiado. Fizeram isso por mera conveniência; para agilizarem o julgamento. Não foi evidente a ilegalidade desse ato?  Enfim, pensei no que escrever e, na falta de mais ideias desisti. Até que encontrei esse artigo de Jânio de Freitas. Assino embaixo.
 
 
Moral ou imoral
 
Sentir a dignidade ultrajada por uma injustiça poderia justificar a decisão de Genoino de defendê-la com um ato político
Seja qual for a verdade a que José Genoino se refere, como razão da sua "consciência serena e tranquila" e a surgir "mais cedo ou mais tarde", sua decisão entre aceitar ou recusar a volta à Câmara é, a meu ver, de apreciação muito menos simples do que pareceu à maioria das opiniões divulgadas.
Pensei cá comigo, como faço nas dúvidas frequentes, em como agiria sob situação semelhante. Não achei resposta segura.
O motivo maior do impasse, entre vários, partiu da firmeza com que Genoino se afirma inocente, desde o início do escândalo. E cada vez com maior emoção.
Calma aí, não são todos os acusados que se dizem inocentes, não. Nem mesmo no caso desse denominado mensalão.
Marcos Valério e Delúbio Soares não o fizeram. Procuraram minimizar parte dos seus atos, justificar outros e negaram alguns, isso sim.
Silvio Pereira cedo preferiu a permuta de confissão por pena branda, a chamada delação premiada: um modo de negar a inocência.
"Legal, mas imoral!", disseram muitos sobre a decisão de Genoino por se empossar. Imoral, moral?
Pois me dei conta de que seria exatamente como defesa de minha moral, se a sentisse injustiçada, que a posse me atrairia.
Uma afirmação altiva do direito da inocência aos direitos a ela inerentes.
Também pensei em sentido oposto. Injustiças indignam e enjoam. Mandar tudo às favas, de um modo à altura da injustiça, também me pareceria possível.
Enfim, sentir a dignidade ultrajada por uma injustiça poderia justificar a decisão de José Genoino de defendê-la, com um ato político e institucional, e à sua convicção de inocência.
Não tenho como saber o que o moveu nem estou questionando a veracidade da inocência ou a culpa imputada. O assunto é outro.
E é o mesmo. A dimensão e o transcurso conturbado do julgamento no Supremo deixaram um ambiente tão excitado e desmedido que mesmo os não facciosos se confundem e incorrem em imprecisões injustas.
A respeito da posse, ouvi por exemplo pela CBN, na quinta-feira, respeitado professor de filosofia dizer que "ficou provado" que José Genoino "assinou um empréstimo com o propósito de lesar o erário público".
Tal propósito, fosse atribuído a Genoino ou ao empréstimo, não foi provado nem esteve sequer próximo disso. No valor de R$ 3 milhões, foi quitado pelo PT em parcelas depois do escândalo.
Genoino está condenado a 6 anos e 11 meses por corrupção passiva e por quadrilha, como presidente do partido em cujo interesse foram feitas as transações montadas por Marcos Valério, o PT e o Banco Rural.
Em alguma parte ou no todo dessa acusação supõe-se que esteja, com a consequente injustiça, a burla da verdade a surgir "mais cedo ou mais tarde".
Se e quando surja, estará dizendo se a posse de José Genoino foi "legal, mas imoral!" ou legal e moral.

Anúncios machistas. Vale a pena ler

Hoje em dia os publicitários têm muito cuidado ao conceber as suas campanhas. Más experiências anteriores, com anúncios que ofendiam certas pessoas ou classes sociais, fizeram-nos aprender. Conheça alguns cartazes não muito antigos em que o objecto de humilhação era mais de metade da população mundial: a mulher. Humor de mau gosto..
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"Quer dizer que uma mulher consegue abri-lo?"

Publicidade enganadora, agressiva ou subliminar são conceitos que nos soam familiares. Efectivamente, não há muitas regras no mundo da publicidade para além dos limites éticos de quem a concebe e promove. Obcecados com as vendas e os lucros, promotores e publicitários não olham a meios para persuadir os consumidores a comprar os seus produtos. Todos temos memória de algumas campanhas chocantes, mas nem por isso menos eficazes. Até há cerca de 20 anos, mais ou menos, era possível ver em várias campanhas mensagens ofensivas para determinadas pessoas ou grupos sociais. Sempre que necessário recorria-se a conteúdos racistas e sexistas onde o objecto humilhado era frequentemente a mulher.
Esta utilização continuada da mulher em tom depreciativo explicava-se, na lógica fria da publicidade, porque o público alvo eram os homens - eram eles que ganhavam o dinheiro e, consequentemente, o gastavam. Eram, pois, os potenciais compradores, mesmo que os produtos se destinassem às mulheres. As situações criadas e os chavões comerciais dos publicitários serviam-se frequentemente do humor (ainda hoje se servem), mas um humor boçal, primitivo e de mau gosto, em que a mulher fazia literalmente de palhaço.
Felizmente hoje em dia já não é assim. Há mais respeito e cuidado com as mensagens publicitárias que se enquadram na linha do "politicamente correcto". Os publicitários e anunciantes aprenderam, dir-nos-ão. Se nos permitem, duvidaremos de tanta bondade. O que aconteceu simplesmente é que aqueles indivíduos e grupos que antes eram ridicularizados se tornaram também potenciais compradores. As mulheres deixaram de ser empregadas domésticas não remuneradas e abraçaram carreiras profissionais. Ganham os seus salários e gastam-nos, não necessariamente no mesmo que os homens. E os publicitários - e publicitárias - sabem-no bem.

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Toda a mulher tem um problema com a sua figura! Os simpáticos fabricantes de lingerie "Spirella" queriam convencer todos os indivíduos do sexo feminino que as suas linhas não eram... hum... ideais (nenhuma mulher gosta de se ver ao espelho, é sabido). Mas eles tinham a solução: não era necessário ir para o ginásio moldar o corpo; bastava vestir uma das suas peças milagrosas!

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O Chef faz tudo excepto cozinhar - é para isso que servem as mulheres! Este robô de cozinha da Kenwood podia fazer tudo excepto retirar às mulheres o imenso privilégio de cozinhar. Repare-se no ar feliz do casal (na altura não eram precisos psiquiatras).

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Se o seu marido alguma vez descobre... Que ela anda com outro? Não. Simplesmente que não comprou a nossa marca de café. Absolutamente imperdoável.

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Shhh! A mamã está no caminho da guerra! E porquê? Porque as lides domésticas a deixaram cansada e irritável. E então estraga o dia (ou a melhor parte dele) aos machos da casa. Mas se ela usasse o sabonete "New Ivory" acalmava os nervos...

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Sopre-lhe o fumo para a cara e ela segui-lo-á a qualquer parte. Concordamos em absoluto: não há nada mais irresistível do que alguém nos soprar o fumo para a cara, é evidente. Já o slogan Mantenha-a no lugar a que pertence nos deixa algumas dúvidas quando à sua eficácia na venda de sapatos para homem.

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"Se alguma vez partisses as unhas 14 vezes a limpar um forno saberias porque eu quero tanto este que se limpa sozinho." A mensagem deste anúncio era duplamente negativa. Por um lado transmitia a ideia de que a mulher era uma criatura desajeitada e fútil, obcecada com as suas unhas; por outro, de que o seu lugar era na cozinha. Ao afirmar Cuide da sua casa enquanto cuida do seu peso, o segundo anúncio pretendia apenas vender vitaminas. Certo.

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Quanto mais a mulher trabalha, mais bonita se torna! - desde que seja trabalhar em casa, claro, porque sempre É bom ter uma mulher por casa.

Leia mais: Obvious

sábado, 5 de janeiro de 2013

Sobre o olhar infantil, por Seyfettin Dincturk

Prazer, sou Seyfettin Dincturk. Sou um fotógrafo de rua bastante realista. E este é meu registro, sobre o olhar infantil.

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"Prazer, sou Seyfettin Dincturk. Mas podem me chamar de Sey, Seyf, Seyfo ... Como quiserem. Eu sou Fotógrafo, realista, retrato a rua, as pessoas e seus rostos, sou um fotógrafo de rua." Seyfettin Dincturk
Assim Seyfettin Dincturk se apresenta e através de suas lentes Dincturk , retrata expressões, olhares, vidas, sorrisos...
Ele consegue de forma clara e precisa nos transmitir exatamente o que olhar quer dizer. Uma visão realista de quem anda pelas ruas, ou seja qualquer um de nós.
Nesta série, Dincturk, retrata a expressão infantil, seus olhares, sonhos, frustrações, medos, perdas, alegrias e sorrisos. Simplesmente focando sua lente em seus olhos, desta forma, nos proporcionando uma série de imagens realistas, impactantes e profundamente belas.
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Fonte: www.incturk.deviantart.com

Rapper que filmou PMs morre na 1ª chacina do ano

247 - São Paulo já tem sua primeira chacina este ano. Seis pessoas morreram e outras três ficaram feridas em crime nesta sexta-feira (4/01), por volta das 23h. Entre elas, o rapper Laércio da Silva Grima, mais conhecido como Dj Lah. Ele era integrante do grupo Conexão do Morro e filmou, em novembro passado, cinco policiais matando um servente de pedreiro que já estava rendido e desarmado. Uma outra testemunha desse crime, que não teve até o momento seu nome revelado, também morreu na chacina desta madrugada.
Cinco pessoas morreram ainda no local. De acordo com testemunhas, assim que desceram do veículo, os assassinos gritaram "polícia" e começaram a atirar. Quando a PM chegou, os atiradores já haviam fugido e as vítimas que sobreviveram haviam sido socorridas a hospitais da região.
O governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), garantiu que nenhuma hipótese será descartada durante a investigação do crime. “Tudo vai ser investigado com profundidade, rigor, até prender os criminosos. E a polícia já está trabalhando com vários indícios desde a madrugada”, afirmou.
De: 247

Especialistas alemães prestam consultoria a governo norte-coreano

A Coreia do Norte pretende abrir ainda este ano suas fronteiras para investidores estrangeiros. Consultores alemães ajudam Pyongyang a planejar nova etapa econômica.
Segundo informações divulgadas pelo jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), as lideranças norte-coreanas têm planos concretos de abrir a economia do país para investidores estrangeiros. Para isso, o governo do país conta com a consultoria de economistas e advogados alemães.
"Há um plano-diretor. Eles querem abrir [o mercado] ainda este ano ", diz o jornal ao citar um dos profissionais envolvidos no projeto. O interesse do país, ainda isolado economicamente do resto do mundo, recai sobretudo na modernização da legislação que regulamenta os investimentos em território nacional.
Modelo vietnamita
Pyongyang não pretende, contudo, simplesmente copiar o modelo chinês de zonas econômicas especiais destinadas a investidores financeiros, escreve o jornal alemão. "Eles se interessam mais pelo modelo vietnamita, no qual escolhe-se determinadas empresas para investir no país", explica um dos envolvidos ao FAZ. Segundo o diário, o especialista entrevistado, cujo nome não foi divulgado, é professor de uma renomada universidade alemã e já prestou consultoria a outros governos asiáticos no passado.
Até agora, a Coreia do Norte vinha tentando atrair investidores provenientes apenas da China, que se interessam sobretudo pelas enormes reservas de matéria-prima do país. De acordo com o jornal, há no momento um número cada vez maior de empresas japonesas, sul-coreanas e ocidentais interessadas em investir na Coreia do Norte.
"Mas os militares não irão querer abrir mão do controle", avalia um economista alemão, que já viajou diversas vezes à Coreia do Norte e prestou também consultoria ao governo do país. Ele suspeita que os projetos de reformas não venham a ser, por isso, realizados.
Kim Jong Un: sérias intenções
Em seu primeiro discurso do ano, o governante Kim Jong Un anunciou na última terça-feira (02/01) uma "mudança radical" na política do país, tendo mencionado inclusive uma possível reunificação com a Coreia do Sul.
Segundo ele, "é importante acabar com o confronto entre o Norte e o Sul". O chefe de governo acrescentou ainda que 2013 será um ano "de grande invenções e transformações". Sua principal meta é a melhoria das condições de vida no país, concluiu.
SV/dpa/afp/FAZ
De: DW

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Lavagem de dinheiro faz Itália vetar cartões no Vaticano

Turistas não podem usar na Santa Sé
cartões de crédito e de débito
O Banco Central da Itália vetou o uso de cartões de crédito e débito no Vaticano porque a instituição financeira da Santa Sé é suspeita de estar sendo usada por alguns de seus correntistas para lavagem de dinheiro. Entre eles estariam terroristas, traficantes e mafiosos. Uma fonte do governo italiano disse à Reuters que a medida foi necessária porque o Banco do Vaticano não respeita a regulamentação para impedir a lavagem de dinheiro. “Ele [o banco] não segue a legislação internacional bancária e financeira, além de não ter uma supervisão adequada.” O Banco do Vaticano, obviamente, não apoia as atividades de criminosos, e é por isso que há suspeita de que ele resiste em adotar a transparência para não revelar a destinação de recursos e o fluxo financeiro da  Santa Sé, que é o menor Estado do mundo. Além disso, se vier à luz os nomes e as organizações criminosas que supostamente usam o sistema financeiro do Vaticano, haveria uma maior perda de credibilidade do Igreja Católica e do papa Bento 16, que vive a pregar moralidade para o mundo. O bloqueio dos pagamentos eletrônicos, que começou em dezembro, dará prejuízo de milhões de dólares ao Vaticano, porque os turistas que visitam seus museus e igrejas só podem usar dinheiro vivo, não havendo portanto a facilidade de pagamento proporcionada pelos cartões. As pressões internacionais para que o Banco do Vaticano adote balanços objetivos, sem camuflagens, aumentaram em 2012, quando o Conselho da Europa descobriu enormes brechas nas contas do Instituto para as Obras da Religião, que é o nome oficial da instituição financeira. Entre outras irregularidades, existem correntistas ocultos. O Vaticano já tinha tentado colocar em ordem a contabilidade do seu banco no início da década de 80, contando com a colaboração do italiano Roberto Calvi, conhecido como “banqueiro de Deus”. Em 1982, Calvi foi encontrado morto em Londres, enforcado na Ponte Blackfriars. Até hoje a causa da morte não foi desvendada. Com informação da CNN, entre outras fontes

Leia mais em Paulopes

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Imperdível! Adquira o vol. I das memórias de Kim Il Sung por apenas R$ 60,00


De volta para o futuro: Johnny be good. Cena antológica

De Volta Para O Futuro - Johnny B. Goode por reginaldogomes no Videolog.tv.

Comissão Nacional da Verdade faz balanço positivo de 2012

Luciano Nascimento Repórter da Agência Brasil
Brasília Depois de sete meses de atividades, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) encerra 2012 com um balanço positivo de suas atividades. A avaliação é do coordenador da comissão, o ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles.
Instalada em maio deste ano, a comissão foi criada para apurar graves violações aos direitos humanos, praticadas por agentes públicos entre 1946 e 1988, com ênfase no período da ditadura militar (1964-1985), de modo a garantir o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional.
Nos deslocamos a vários estados, debatemos com a sociedade civil, com governos municipais, estaduais, com o objetivo de criar uma grande rede permanente e de proteção da democracia, para que nunca mais tenhamos essa vivência ditatorial, disse Fonteles à Agência Brasil.
Formada por sete integrantes, a comissão tem o poder legal de requisitar informações e documentos do Poder Público, com qualquer classificação de sigilo. Também tem a prerrogativa de convocar para entrevistas pessoas que eventualmente guardem alguma relação com os fatos e circunstâncias examinados e determinar perícias e diligências para coleta ou recuperação de informações, documentos e dados. Segundo Fonteles, o órgão ainda não encontrou resistência ao seu trabalho.
Durante os primeiros meses de atividade, a comissão promoveu 11 audiências públicas em nove estados para ouvir o depoimento de pessoas que foram perseguidas pela ditadura, dos advogados de presos políticos e dos agentes que estavam a serviço da ditadura. Colhemos muitos depoimentos emocionantes e também tivemos a participação de muitas pessoas durante essas audiências, disse.
A fim de facilitar o resgate histórico do período da ditadura, a CNV tem estimulado a criação de comissões com o mesmo fim, no âmbito dos estados e da sociedade civil, que têm contribuído com informações e documentos sobre o período. Enviamos correspondência a todos os governadores e às casas legislativas solicitando a criação de comissões nos estados, disse Fonteles.
Até este mês, os estados de Alagoas, São Paulo, Pernambuco, do Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Maranhão criaram ou estão implantando as comissões da Verdade. O Rio de janeiro já aprovou a criação da sua. Fonteles acredita que Minas Gerais e a Bahia formem as suas comissões em breve. Também estamos estimulando a criação de comissões no âmbito da sociedade civil, e temos recebido o apoio de organizações como a OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] e universidades, completou.
De acordo com a assessoria da CNV, mais de 40 comissões de instituições da sociedade civil têm auxiliado nas investigações, como a da OAB, da Federação Nacional dos Jornalista (Fenaj) e de universidades como a de Brasília (UnB) e a Universidade de São Paulo (USP), ainda em processo de implantação.
Para Fonteles, três momentos servem para mostrar o resultado positivo do trabalho da comissão até o momento: a retificação no atestado de óbito do jornalista Vladimir Herzog, a entrega de documentos sobre o desaparecimento do deputado Rubens Paiva e sobre a participação de militares no atentado do Riocentro, em 1981, além da devolução simbólica dos mandatos dos deputados cassados durante a ditadura. São momentos simbólicos que representam muito bem as arbitrariedades da ditadura, lembrou o ex-procurador.
Entre os assuntos abordados pela comissão estão a busca de informações sobre torturados, mortos e desaparecidos no regime militar, a Guerrilha do Araguaia, a Operação Condor, as violações de direitos de indígenas e, no campo, o papel da igreja durante a ditadura e a perseguição a militares que se opuseram ao regime, entre outros.
Em novembro, a comissão divulgou na internet vários textos sobre esses e outros assuntos. "Os textos são uma primeira devolução da comissão à sociedade sobre o período da ditadura," disse Fonteles.
A CNV tem até o fim do primeiro semestre de 2014 para entregar um relatório circunstanciado - contendo todos os tipos de informações sobre a atuação do grupo - com os resultados das investigações. O ex-procurador avalia que o trabalho da comissão será um instrumento que ajudará o Brasil a se consolidar como Estado Democrático de Direito. A grande missão [da comissão] é suscitar em todos os brasileiros a grande verdade que se encontra na vivência democrática. Portanto, ela reafirma o combate sistemático a um Estado ditatorial militar, para que nunca mais tenhamos essa experiência da tortura, de desaparecimento, concluiu.
Edição: Tereza Barbosa