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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Marina não registra a Rede, mas Itaú sim

No momento em que os marinistas pensavam que estariam criando a sua rede, o Itaú, que tem uma de suas herdeiras entre as fundadoras do não-partido de Marina Silva, cria a sua  Rede. Deve ser apenas mais uma teoria da conspiração, mas que é uma coincidência enorme, isso é

O Itaú apresentou hoje um novo posicionamento e marca de sua unidade de negócios de meios de pagamentos eletrônicos. A Redecard passará a se chamar Rede, em projeto feito pela agência Ana Couto Branding. O novo nome é mais simples e direto, além de permitir a atuação em maior gama de serviços.
A marca nasce como vice-líder de mercado, atrás da Cielo, que domina hoje o meio de pagamentos eletrônicos. Rede, por coincidência, é o nome do partido que Marina Silva tentou criar e foi vetado pelo TSE. Marina tem a herdeira da família Setúbal, dona do Itaú, entre seus mais relevantes colaboradores.
A Rede do Itaú será anunciada daqui a alguns minutos, no intervalo do Jornal Nacional, transmitido pela InterTv Planície, que pertence ao Grupo Folha. O comercial é de autoria da DPZ.
Fonte: Meio&Mensagem

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Os 5 bancos mais cruéis de todos os tempos

Quando um banco toma a sua casa devido a dívidas absurdas que você acumulou, o faz de uma maneira toda formal e condescendente, sem helicópteros blindados sobrevoando a região ou raios antigravidade – o que seria muito mais legal.
No entanto, isso é fichinha para o que essas instituições podem realmente fazer. Os bancos são a coisa mais próxima que temos de uma organização vilã do mundo real. Esquadrões da morte e financiamento de terrorismo são apenas algumas das peripécias já cometidas por esses conglomerados maquiavélicos. Confira:

5. O banco australiano Nugan Hand, que financiava o tráfico e ameaçava matar sua família

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Na teoria, o banco australiano Nugan Hand era um estabelecimento de alta classe. Fundado em 1973 por um advogado e um ex-integrante das Forças Armadas Especiais dos Estados Unidos com apenas mil dólares (cerca de R$ 2 mil) em dinheiro, o negócio rapidamente se expandiu, atendendo às necessidades de militares estadunidenses de alta patente, incluindo dois generais, um almirante e um ex- diretor da CIA.
Deixar suas economias no Nugan Hand, em outras palavras, era como depositar seu salário na Sala de Justiça, se lá eles oferecessem uma tentadora taxa de juros de 16% sobre os depósitos e se o lugar sempre cheirasse a baunilha e odorizadores de ar.
16% de juros?!?!, pensou você. Caramba, como eles podem pagar isso? O que eles estão fazendo com o seu dinheiro para serem capazes de retornar uma taxa tão elevada de juros? Eles devem financiar o tráfico de drogas com o dinheiro do seu salário.
Isso é exatamente o que eles faziam. Essa taxa de juros absurdamente competitiva era, em grande parte, financiada pelo negócio altamente lucrativo de heroína que o banco mantinha. Mike Hand, o ex-integrante das Forças Armadas Especiais, ajudou a lançar o Nugan Hand para dar cobertura aos seus 25 milhões de dólares (55 milhões de reais, sem levar em conta a inflação do período) que ele recebeu de traficantes de drogas, contrabandistas de armas e (possivelmente) da CIA. A agência pode ter usado os serviços do banco para financiar operações secretas na Ásia Oriental.
Durante seus sete anos de negócio, Nugan Hand roubou pelo menos 50 milhões de dólares (110 milhões de reais, novamente sem contar quando esse dinheiro valorizou desde a década de 1970) de seus investidores. E não era como se você pudesse obter suas economias de volta apenas indo no banco e alegando ao caixa que você não concordava como a taxa de manutenção da conta, ou com seu limite do cartão de crédito.
Os donos do lugar ameaçavam esquartejar as esposas dos pobres funcionários e enviar os membros por correio em uma caixa se eles desobedecessem as ordens.
A coisa toda entrou em colapso em 1980, com o suicídio do cofundador Francis Nugan, mas se você está esperando que essa história tenha terminado com alguma justiça rápida e impiedosa, lamentamos: com exceção de Nugan (que, sejamos francos, se autoimpôs a pena de morte), praticamente todos os envolvidos saíram ilesos.
Hand foi visto pela última vez embarcando em um avião com uma barba falsa – e todos os demais altos funcionários se recusaram a depor, que é algo aparentemente permitido se você é rico o suficiente. E, sim, isso também acontece em países desenvolvidos como a Austrália. Pelo jeito, rico é rico em qualquer lugar do mundo.
Quanto aos clientes do banco, eles perderam todo o dinheiro que haviam depositado. Mas, honestamente, se você decide investir em um banco chamado Nugan Hand…

4. O “banqueiro de Deus”, que financiou o terrorismo e uma guerra civil

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Fundado no século 19 com o apoio do Vaticano, o Banco Ambrosiano tinha como missão fornecer uma alternativa aos bancos seculares, porque todos nós sabemos que a única pessoa em quem você pode confiar mais do que um banqueiro é um funcionário de alto escalão da Igreja Católica.
Um século de depósitos sacros mais tarde, eles se tornaram o segundo maior banco privado da Itália. Na realidade, se tratava de mais do que um banco; eles eram uma instituição sagrada. Na década de 1970, o CEO Roberto Calvi era conhecido como “o banqueiro de Deus”. Certamente, com um título desse, nada poderia dar terrível e ironicamente errado.
Exceto que Calvi usava parte do seu tempo no comando do Banco Ambrosiano para a lavagem de dinheiro vindo do tráfico de drogas com a máfia – além de subornar políticos italianos e norte-americanos e vender armas para ambos os lados da Guerra Civil da Nicarágua.
No final das contas, o Banco Ambrosiano ficou grande demais para suas próprias mentiras e as coisas começaram a desmoronar. Uma investigação feita em 1982 revelou que o banco não poderia ser o responsável por cerca de 1,3 bilhões de dólares (2,86 bilhões de reais) em depósitos. Tenha em mente que, enquanto os bancos de hoje usam essa quantidade de dinheiro em champanhe para o café da manhã ou em papel higiênico de folhas de ouro, 1,3 bilhões de dólares em 1982 era basicamente todo o dinheiro que circulava no mundo.
Até mesmo a máfia se assustou com todo o fuzuê que o banco santo estava fazendo. Eles começaram a cortar laços, bem como as gargantas dos envolvidos: um banqueiro de alto escalão foi encontrado morto na Córsega, na França, pouco antes de o secretário de Calvi cometer suicídio. O próprio Roberto Calvi foi encontrado pendurado na Blackfriar Bridge, em Londres, ainda no ano de 1982 – uma morte dada como suicídio (contrariando o senso comum) até que um novo exame em 2003 descobriu que as evidência apontavam, definitivamente, para um assassinato.
Se alguma parte dessa história maluca soa familiar para você, provavelmente é porque trechos do filme “O Poderoso Chefão: Parte III” foram baseadas no escândalo. É isso mesmo: terrorismo, mortes, peculato, guerra, a máfia e o “Poderoso Chefão: Parte III”. Verdadeiramente, o Banco Ambrosiano é responsável por algumas das piores tragédias conhecidas pelo homem.

3. BCCI, o banco internacional que tinha até equipe de execução própria

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O Banco de Crédito e Comércio Internacional foi criado em 1972 e logo se tornou uma das maiores instituições financeiras privadas do mundo, com depósitos de mais de 20 bilhões de dólares (44 bilhões de reais) e clientes como o governo dos Emirados Árabes Unidos. No seu auge, o banco possuía 400 agências em 72 países ao redor do mundo. Porém, como qualquer pessoa que já brincou de subir em árvores quando era pequeno pode constatar, não é porque alguma coisa possui um monte de galhos que você pode confiar nela.
Os bancos são como vômito: eles são muito fáceis de cuidar quando estão contidos em apenas um lugar específico, mas uma vez que se espalham por uma vasta área, todo mundo finge que não está vendo a bagunça em vez de arriscar ter que limpá-la.
O fato de que o BCCI não era responsabilidade de ninguém deu ao banco liberdade para embarcar em uma farra enorme de crimes que faria qualquer jogador de Grand Theft Auto orgulhoso: lavagem de dinheiro para o ditador panamenho Manuel Noriega, intermediação ilegal de vendas de armas nucleares, venda de tecnologia ultrassecreta americana para o Iraque, além do desenvolvimento de um dos maiores esquemas de Ponzi da história. O banco ainda fazia a parte financeira do trabalho sujo de praticamente todos os principais grupos terroristas do mundo.
Eles chegaram ao ponto de montar sua própria equipe de execução chamada The Black Network (A Rede Negra) para cuidar de todos os esquemas de extorsão, sequestro e assassinato – que aparentemente são funções tão essenciais para um banco quanto rastrear a origem do dinheiro depositado na instituição. Quando órgãos reguladores suspeitos dos Estados Unidos se recusaram a lhes conceder uma licença, BCCI apenas deu de ombros e passou a usar uma porção de empresas de fachada e empréstimos fraudulentos para burlar a lei, e voltar às suas práticas do mal.
A gigantesca rede de influência do BCCI manteve o banco consistentemente à frente da lei. Foi necessário que 62 países realizassem sete investigações simultâneas para, finalmente, desmascará-los – e 13 anos para que se descobrisse onde estava o dinheiro. Até agora, ninguém entende perfeitamente todos os esquemas nos quais o BCCI estava envolvido. Porém, ficaríamos chocados se as peripécias do banco não envolvessem algum tipo de raio antigravidade e uma base lunar.

2. O banco Castel & Trust, que roubou as economias do dono da Playboy, dos hotéis Hyatt e da banda Creedence Clearwater

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Castel Bank & Trust era a classe e legitimidade em forma de instituição financeira. O banco não só atraía clientes-celebridades de alto perfil – como a banda Creedence Clearwater Revival, o fundador da revista Playboy, Hugh Hefner, e a cadeia de hotéis Hyatt –, como tinha como sede principal as Bahamas. Tem como ficar mais riqueza do que isso?
No início de 1970, alguém na espécie de Receita Federal dos Estados Unidos (o Internal Revenue Service, ou IRS) percebeu que a rede Hyatt não pagava mais impostos desde que havia aberto sua conta no Castel Bank. Isto é geralmente desaprovado em uma sociedade civilizada, por isso o IRS contratou um investigador particular grisalho chamado Norman Casper para averiguar os fatos (se aprendemos alguma lição com este artigo, é que a contabilidade é muito mais emocionante do que todos nós temos sido levados a acreditar).
Ao longo dos meses seguintes, Casper distraiu seus alvos com mulheres bonitas, enquanto ele fotografava os seus arquivos secretos e reunia inteligência. No final das contas, Casper descobriu que, além de o banco ter agido constantemente como um paraíso fiscal ilegal para clientes como o ex-presidente estadunidense Richard Nixon, a instituição também estava lavando dinheiro para a máfia.
Então, do nada, a CIA interveio e interrompeu a investigação.
Acontece que a “inocente e super ética” CIA havia utilizado o Castel Bank & Trust para canalizar dinheiro para grupos anti-Fidel Castro (ou qualquer outra pessoa com ódio grande o suficiente pelos comunistas). Por fim, ninguém nunca foi processado, mas o banco entrou em colapso e todos os seus clientes perderam seus depósitos, incluindo a banda Creedence Clearwater Revival.

1. O Hong Kong e Shanghai Banking Corporation e sua impunidade crônica

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O Hong Kong e Shanghai Banking Corporation foi fundado no século 19 para dar conta dos lucros britânicos do comércio do ópio. E, tendo em vista que a China tinha vários milhões de viciados em ópio e os britânicos respondiam a todas as tentativas de banir a droga assassinando qualquer um que olhasse entranho para eles, os lucros eram consideravelmente altos. Mas, veja bem, isso é tudo história antiga, certo? Não é como se você tivesse um pequeno cartão em sua carteira agora que diz HSBC nele… Ó, espere.
Se você já conversou com alguém do serviço de clientes do banco sobre a “taxa anual” deles, não deve ser nenhuma surpresa descobrir que o HSBC se fundou em séculos de assassinatos por lucro. Em 2012, investigadores revelaram que a instituição havia ajudado a financiar o terrorismo internacional e o tráfico de drogas no México durante décadas.
Tampouco foi algo ocasional. Esta é a extensão da familiaridade do HSBC com os cartéis: em um dado momento, o banco considerou ampliar as janelas de seus caixas porque os blocos de dinheiro que o banco recebia eram grandes demais para passar através dos buracos normais (problemas de Primeiro Mundo…). Por isso, o Cartel Sinaloa, responsável por dezenas de milhares de assassinatos apenas na década passada, fez um favor aos seus velhos amigos e começou a usar caixas de dinheiro personalizadas, planejadas especificamente para caber nas janelas dos caixas do HSBC. Muita consideração por parte deles, né?
Então, se um dos maiores bancos do mundo atualmente é tão descaradamente corrupto, por que ninguém nunca prendeu os envolvidos nos crimes? A resposta é simples: eles já foram presos. Muitas e muitas vezes. Mas são ricos demais para dar a mínima.
Quando o HSBC foi pego pela terceira vez, as autoridades ficaram mais rigorosas e aplicaram uma multa impiedosa de 1,9 bilhão de dólares (4,18 bilhões de reais). Impressionante, não?
Não. Este é o lucro de cerca de cinco semanas para o HSBC.
Mais uma vez, ninguém foi preso pela lavagem de dinheiro descarada. Eles não ficaram de castigo, nem mesmo foram mandados para o seu quarto sem jantar – eles só tiveram a mesada suspensa por um mês. Isso não ensinaria uma criança mimada a não roubar, muito menos serviria de lição para uma grande instituição financeira aprender que apoiar assassinos em massa não é rentável.
Quando perguntado por que essas pessoas podem andar em total liberdade pelos Estados Unidos e sem nenhuma repercussão, um dos assistentes de procurador-geral dos EUA explicou: “Se decidíssemos apresentar acusações criminais, o HSBC quase certamente perderia sua licença bancária nos EUA, o futuro da instituição estaria ameaçado e todo o sistema bancário seria desestabilizado”.
É isso aí: vindo diretamente da boca do próprio governo dos EUA, os bancos podem fazer o que quiserem porque eles têm o nosso dinheiro. Se você está pensando em cancelar seu cartão HSBC devido a essas revelações, bem, temos certeza de que eles vão chorar até secar a água do corpo por causa disso. E talvez decidam arranjar algumas janelas maiores para que caixas extra-grandes de lencinho de papel possam passar por elas.

domingo, 21 de julho de 2013

Obra do Santander é flagrada com trabalho escravo

Banco, no entanto, não foi responsabilizado. Esse foi o terceiro caso de infrações trabalhistas na mesma construção, localizada em Campinas (SP)
Por Stefano Wrobleski, em Repórter Brasil
Vinte e sete trabalhadores foram resgatados em condições análogas às de escravo nas obras de um data center do banco Santander em Campinas, no interior de São Paulo. O flagrante aconteceu em março, mas o relatório da fiscalização só foi finalizado esta semana. O documento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) reúne as medidas tomadas contra a construtora Machado & Machado, uma das empresas contratadas pelo banco que empregava as vítimas.

Trabalhadores foram resgatados da obra do data center do Santander (Foto: Fernanda Forato)
Trabalhadores foram resgatados da obra do data center do Santander (Foto: Fernanda Forato)
A fiscalização encontrou os funcionários da Machado & Machado em condições degradantes de trabalho, o que caracterizou a escravidão. Dentre as infrações, os empregados eram submetidos a jornadas extensivas, com a realização diária de até oito horas extras acima das oito permitidas pela legislação, além de longos períodos sem descanso semanal. Um dos resgatados chegou a trabalhar por trinta dias sem folga.
 
De acordo com Nei Messias Vieira, procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) que acompanhou a operação, os salários eram atrasados com frequência e só eram pagos depois que a construtora recebia do Santander, o que ocorria até o quinto dia útil de cada mês. “Isso é comum na construção civil. A subcontratação é tão excessiva que chega a empresas de porte tão pequeno que, por isso, não têm capital de giro”, disse. Segundo Djalma Pirillo, advogado da Machado & Machado, esse foi o primeiro contrato da empresa de “valor expressivo e de longa duração”. “A maioria das obras é de curta duração, com serviços iniciados no começo do dia e concluídos no final da tarde”, declarou.
De acordo com o auditor fiscal do trabalho João Batista Amâncio, que participou da operação, o canteiro de obras do data center tinha uma área de mais de um milhão de metros quadrados, com diversos prédios em construção, e contava com mais de 700 trabalhadores contratados por “dezenas” de empresas: “Para se ter uma ideia, só uma das empresas contratadas pelo Santander havia subcontratado outras dez empresas”.
Outra infração da Machado & Machado, que atingiu ao menos dez pessoas, foi a retenção de carteiras de trabalho por mais de 48 horas, tempo máximo permitido por lei para anotações pelo empregador. Em alguns casos, os empregados já haviam sido demitidos há mais de uma semana e só tiveram seus documentos devolvidos quando a fiscalização chegou ao local.
 
 
Lixo em alojamento de obra do data center do Santander, em Campinas (SP). Foto: MPT
Alojamento estava em péssimo estado de higiene (Foto: MPT)
Alojamento degradante
Entre os resgatados, doze trabalhadores eram de outros estados e dormiam em alojamento que estava em estado precário de manutenção, o que agravou as condições degradantes de trabalho. Segundo a fiscalização, o local não possuía água filtrada e estava em péssimo estado de conservação e higiene, com todos os cômodos, incluindo a cozinha, sendo usados como quartos. Além disso, era constante a presença de porcos e cabras no alojamento, que entravam para se alimentar dos restos de comida. Segundo o procurador, o MPT já havia recebido denúncias sobre irregularidades em alojamentos de outras empresas da obra, mas a fiscalização foi concentrada na Machado & Machado “porque as denúncias mais recentes apontavam para ela”. Ainda de acordo com Nei, queixas contra as demais construtoras não puderam ser apuradas pela falta de auditores fiscais e procuradores do trabalho que afeta a região.
Logo depois da fiscalização, a Machado & Machado assinou um Termo de Ajuste de Conduta com o MPT se comprometendo a cumprir a legislação trabalhista e pagou todas as verbas rescisórias, que chegaram a R$ 73 mil. Quanto aos autos de infração requeridos pelo MTE, o advogado da empresa alega que “a maioria das acusações não tem procedimento” e está questionando-as na Justiça.
De acordo com o auditor fiscal, o Santander não foi responsabilizado pelos trabalhadores em condições análogas às de escravo porque “não havia nenhuma infração que justificasse [a responsabilização] do ponto de vista legal, ainda que a contratação seja moralmente condenável”. Em nota, o banco afirma que “não tolera o desrespeito às boas e necessárias práticas corporativas pelas quais todas as organizações estão obrigadas a zelar”. “Para garantir o cumprimento das normas legais, o banco contratou uma empresa especializada em segurança do trabalho, intensificou as vistorias aos alojamentos utilizados pelas fornecedoras e aumentou a frequência dos treinamentos e palestras de esclarecimento e orientação quanto à segurança e ao cumprimento de normas”, declarou. A obra foi concluída em maio.
Essa foi a terceira vez que irregularidades trabalhistas foram flagradas pelos auditores fiscais. Da última, em fevereiro de 2012, o engenheiro responsável pela obra chegou a ser preso por desrespeitar sistematicamente as interdições feitas pelo MTE.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Se aumentar a Selic, o BC perderá o bonde


Implantado no início dos anos 2000 , o sistema de metas inflacionárias – adotado pelo Banco Central – fez parte do aparato institucional global destinado a colocar a política econômica sob controle estrito do mercado.
O modelo funciona assim:
  1. BC e mercado trabalham em torno de um mesmo modelo econômico de previsão da inflação.
  2. Nesse modelo, o fator expectativa é dominante. Define-se uma meta de inflação. Se o mercado acha que a inflação futura pode subir, a resposta do BC é aumentar a taxa básica de juros da economia. Com isso, interfere em todo o sistema de taxas, derrubando a demanda agregada e o emprego, até que as expectativas convirjam para a meta.
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O sistema despertou críticas em muitos países, por subordinar a política monetária exclusivamente às metas de inflação, deixando de lado outras preocupações, com emprego, crescimento etc. E deixando de lado ferramentas clássicas de controle da demanda, como compulsório (percentual dos depósitos bancários em poder do BC) e atuações diretas sobre o crédito.
No caso brasileiro, as distorções foram muito piores. Tem-se um mercado de opiniões cartelizado – dominado por poucas consultorias e departamentos econômicos atuando em dobradinha com a imprensa financeira – que passaram a deter um controle absurdo sobre as expectativas..
Durante anos de juros, a inflação poderia aumentar, não pelo efeito inócuo da Selic, mas devido ao terrorismo exarado por essa aliança. Criou-se uma resistência enorme a qualquer queda de juros.
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A partir de 2011, o BC e o Ministério da Fazenda resolveram encarar o desafio de desarmar a armadilha dos juros altos.
Esse desafio deu-se em algumas frentes. A primeira foi o fim do mito da elevação automática da Selic a qualquer soluço da inflação. Em agosto de 2011, contra a opinião maciça do mercado o BC reduziu a Selic. Mesmo assim, a inflação caiu nos meses seguintes.
A segunda foi o uso dos bancos públicos para derrubar os spreads bancários e instituir a competição.
Até agora, o jogo foi vitorioso. As taxas cederam, criou-se uma competição efetiva no mercado de crédito ao consumidor e, a queda nas taxas chegou até o mercado de longo prazo dos financiamentos habitacionais, graças ao recurso da portabilidade – a possibilidade do cliente trocar de banco levando seu financiamento.
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Ao lado de Sérgio Werlang, o atual presidente do BC Alexandre Tombini foi um dos pais da implantação do sistema de “metas inflacionarias” – um trabalho de fôlego na época, antes de se entender as contraindicações.
Talvez tenha sido esse sentimento que enfrentasse o mercado em 2011, mas sem ter tido a coragem de desarmar a armadilha das metas inflacionárias.
Teve uma vitória retumbante mas não desarmou a armadilha das metas inflacionárias.
Agora tem-se a inflação sendo pressionado por um conjunto de fatores com pouca relação com excesso de demanda. Mas o terrorismo do mercado, as seguidas insinuações sobre a suposta falta de independência do BC e falta de vontade de enfrentar as pressões inflacionarias aparentemente balançaram Tombini.
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Se elevar a Selic o BC terá piscado. Haverá uma sinalização geral para o sistema bancário deixar de lado a disputa pela baixa dos juros e spread.
Nem em dois mandatos o governo Dilma conseguirá repetir a articulação que garantiu queda de juros e spread.

sábado, 9 de março de 2013

SÓCIO DO ITAÚ PREGA DESEMPREGO CONTRA INFLAÇÃO


Fórmula de Ilan Goldfajn, ex-diretor do Banco Central no governo de Fernando Henrique, além de desemprego inclui depressão do consumo das famílias e ajuste para baixo nos aumentos de salários; tudo para conter a inflação; "Talvez seja necessário, hoje, desaquecer por um tempo o consumo e o mercado de trabalho", registra economista-chefe do Itaú Unibanco em artigo no jornal O Estado de S. Paulo; capaz de ser promovido entre sua turma...
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Marco Damiani – Foi para isso que Ilan Goldfajn estudou economia: "Não está claro se há consciência na sociedade de que para a manter a inflação sob controle possa ser necessário temporariamente reduzir o consumo e desaquecer o mercado de trabalho".
É assim que o ex-diretor do Banco Central no governo de Fernando Henrique Cardoso e atual economista-chefe e sócio do banco Itaú Unibanco, como se apresenta nesta terça-feira 5, no jornal O Estado de S. Paulo, termina seu artigo na página 2 do matutino.
Antes deste fecho, Goldfjan acentua:
"O fator conjuntural é que a indústria, percebendo esse processo estrutural de oferta menor e demanda maior de trabalho, tem retido os trabalhadores, em vez de dispensá-los, na esperança de uma retomada mais intensa da economia (esse fenômeno é chamado "poupança de trabalho"), como alertei neste espaço há mais de um ano".
O trecho acima está no penúltimo parágrafo do artigo de Goldfjan. Como se o verdadeiro, direto e sem rodeios incentivo à indústria a desempregar não tivesse ficado claro, mais acima o economista insiste na questão de fabricar desemprego:
"O problema é que a retomada dos investimentos, em particular, tem ocorrido de forma lenta, enquanto o consumo e o mercado de trabalho continuam robustos". É ele quem diz que o mercado de trabalho "robusto" faz parte do problema. Mais à frente, Godfjan deixa ainda mais clara sua posição:
"Apesar do baixo crescimento projetado, espera-se que a taxa de desemprego continue baixa, mantendo o mercado de trabalho apertado e o aumento dos salários reais. Boas notícias para um lado da economia, mas, por outro, dificultam o combate à inflação".
O economista propõe, assim, e mais de uma vez, que o melhor remédio para conter a inflação, neste momento, é mandar trabalhadores embora de seus atuais empregos. Inclui-se ele no caso clássico daqueles que praticam uma teoria econômica que, se não houvesse o povo, esse elemento que, para Goldfajn, atrapalha, daria grande resultados. 
Talvez em seu próximo artigo, o economista proponha mais claramente acabar com o povo, já que no atual ele 'só' defende a miséria, a fome e a desesperança, decorrências do desemprego.
Antes dos trechos já citados, o economista abre da seguinte forma o sétimo parágrafo do artigo destacado no Estadão:
"Na atual conjuntura talvez seja necessário desaquecer temporariamente tanto o consumo, adequando-o, no curto prazo, à oferta mais restrita, quanto o mercado de trabalho, para permitir ajustar os aumentos de salários ao crescimento da produtividade do trabalho".
Sem medo de errar, a pretexto de ensinar como se combate a inflação, o economista que participou do governo tucano, é sócio e economista-chefe do Itaú Unibanco ministra no Estadão, por escrito, uma aula pronta e acabada de como se fabricar uma recessão, provocar desemprego sobre milhões de brasileiros e deprimir o consumo que prejudicaria todo o parque industrial nacional. 
Um verdadeiro gênio de orelhas peludas e cumpridas. Capaz de, pelos ensinamentos recitados, ser promovido na sua turma de patriotas.

Abaixo, a íntegra do artigo de Ilan Goldfajn no Estadão:
Combater a inflação, mexer no emprego
05 de março de 2013 | 2h 06

Ilan GoldFajn *

A inflação subiu no Brasil e com ela, as preocupações do governo. O discurso recente tem enfatizado o compromisso no combate à inflação. Melhor assim. É necessário transmitir a ideia de que há um guardião da inflação para evitar aumentos contínuos de preços. Se subirem muito, caem as vendas, perde-se mercado. É a âncora da economia. Mas não há almoço grátis, o combate à inflação requer estar disposto a abrir mão de coisas valiosas. A sociedade está preparada para (temporariamente) reduzir o consumo e desaquecer o mercado de trabalho para reduzir a inflação?
Ninguém gosta de fazer essa opção. Às vezes nem é necessário. A maioria dos países vizinhos na América Latina está crescendo fortemente, com inflação em queda (o Peru cresce 6,3%, com inflação de 2,6%; o Chile, 5,6%, com 1,5% de inflação; o México, 3,9%, com inflação de 3,6%, etc.). É que uma vez que a inflação é combatida a estabilidade econômica e a melhora na produtividade favorecem o crescimento forte com baixa inflação.
Mas no Brasil as opções estão mais difíceis. Recentemente tem ocorrido o inverso dos nossos vizinhos: inflação em alta e crescimento tímido. O Banco Central (BC), na última ata, chamou a atenção para as "limitações pelo lado da oferta". O problema não é a falta de consumo, que tem crescido de forma robusta. É necessário produzir a um custo menor (mais produtividade) para crescer sem pressionar a inflação. Nesse caso, estímulos ao consumo não resolvem e podem até exacerbar o problema, pois distanciam a demanda do que pode ser ofertado sem inflação crescente.
Muitas vezes as soluções parecem caminhar na direção correta, mas podem não resolver o problema. Por exemplo, a desoneração de impostos na economia é um objetivo nobre a perseguir. Afinal, a alta e complexa carga tributária da economia brasileira é um gargalo ao crescimento. No curto prazo, os subsídios e o corte de impostos de fato podem reduzir os preços e ajudar a combater a inflação. Contudo, ao longo do tempo, se as desonerações e os menores preços estimularem ainda mais o consumo, sem correspondente aumento da oferta, o problema inflacionário persistirá.
Apesar da redução da tarifa de energia elétrica, que teve impacto relevante no índice de fevereiro, a inflação não tem cedido como desejado. Neste início de ano a inflação continuou elevada: no acumulado em 12 meses deve oscilar entre 6,2% e 6,6% até o final do terceiro trimestre, quando pode começar a recuar. A pressão dos alimentos tende a ser revertida, ao menos parcialmente, e a queda do preço das commodities agrícolas no mercado internacional pode ajudar. Porém observa-se uma maior disseminação no aumento de preços. O mercado de trabalho aquecido tem gerado aumentos de salários que, repassados aos preços, têm provocado resistência à queda da inflação.
Na atual conjuntura talvez seja necessário desaquecer temporariamente tanto o consumo, adequando-o, no curto prazo, à oferta mais restrita, quanto o mercado de trabalho, para permitir ajustar os aumentos de salários ao crescimento da produtividade do trabalho. Nesse caso, as desonerações apenas adiariam a necessidade desses ajustes para adiante.
Pode-se argumentar que a desaceleração do consumo e/ou do mercado de trabalho não seja necessária. Bastaria controlar as expectativas no curto prazo para evitar reajustes defensivos de preços, desonerar alguns preços no curto prazo, ganhando tempo para que haja uma reação pelo lado da oferta: mais produção baseada em mais investimentos. Os investimentos levariam, ao longo do tempo, a aumentos de produtividade que permitiriam a adequação da economia aos salários atuais (e ao forte mercado de trabalho).
O problema é que a retomada dos investimentos, em particular, tem ocorrido de forma lenta, enquanto o consumo e o mercado de trabalho continuam robustos. Em 2012 a economia cresceu 0,9% e o investimento no mesmo ano teve queda de 4%. O consumo das famílias e os gastos do governo continuaram crescendo firmes, 3,1% e 3,2%, respectivamente.
Projeta-se uma retomada modesta do ritmo de crescimento do produto interno bruto (PIB), de 3% em 2013. Apesar do baixo crescimento projetado, espera-se que a taxa de desemprego continue baixa, mantendo o mercado de trabalho apertado e aumento dos salários reais. Boas notícias para um lado da economia, mas, por outro, dificultam o combate à inflação.
Um parêntese aqui. A combinação de crescimento modesto do PIB com mercado de trabalho aquecido tem deixado os analistas perplexos. Em geral, o crescimento do emprego e o do PIB caminham juntos. Nesse caso, dois fatores estruturais e um conjuntural criaram o aparente paradoxo. De um lado, o padrão de crescimento demográfico é tal que o ritmo de entrada dos jovens no mercado de trabalho é cada vez menor, limitando a oferta de trabalhadores disponíveis para a economia. O que algumas décadas atrás era abundante hoje é escasso. Por outro lado, a composição atual do crescimento do PIB no Brasil é mais intensa em mão de obra, pois o setor de serviços cresce mais e contrata mais gente. 
O fator conjuntural é que a indústria, percebendo esse processo estrutural de oferta menor e demanda maior de trabalho, tem retido os trabalhadores, em vez de dispensá-los, na esperança de uma retomada mais intensa da economia (esse fenômeno é chamado de "poupança de trabalho"), como alertei neste espaço há mais de um ano. O resultado desse paradoxo é o que observamos: mercado de trabalho forte e pressões inflacionárias, mesmo com PIB fraco.
Pleno emprego, salários altos e consumo forte têm sido valiosos para a economia brasileira. A inflação sob controle também é um valor. Não está claro se há consciência na sociedade de que para manter a inflação sob controle possa ser necessário temporariamente reduzir o consumo e desaquecer o mercado de trabalho.

* Ilan GoldFajn é economista-chefe e sócio do Itaú-Unibanco.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

O revelador lamento do dono do Itaú

Setúbel
Setúbal
O bilionário americano Warren Buffett pediu a Obama que parasse de mimar os ricos; no Brasil, nossos Buffetts parecem querer ser ainda mais mimados.

Isto é o Brasil, pensei depois de ler a matéria que o Financial Times fez com o banqueiro Roberto Setúbal, 57 anos, do Itaú. (Ela passou o dia na seção Essencial.)
Setúbal se queixou.
As coisas, segundo ele, não estão funcionando. Não consegui entender o queixume. O FT registra que o Itaú lucrou mais de 6 bilhões de reais no ano passado.
O FT também nota a situação financeira das três famílias que controlam o Itaú: Setúbal, Villela e Moreira Salles. Dos 40 bilionários brasileiros listados pela Forbes, nove são de uma das três famílias do Itaú. Mais de 20% dos bilionários brasileiros têm, portanto, um vínculo com o Itaú.
O Diário tem alma escandinava, como tem sido dito aqui. O Diário aprecia, assim, o capitalismo com responsabilidade social, tal como praticado na Escandinávia. Isso se traduz em sociedades libertárias, em que “não existem extremos de riqueza e nem de miséria”, para usar a grande divisa de Rousseau. E em gente feliz: todas as listas de felicidade no mundo são lideradas pelos países escandinavos: Dinamarca, Suécia, Finlândia, Noruega e Islândia.
Na Escandinávia, lamentos como o de Roberto Setúbal causariam estranheza. Como alguém com tamanho acúmulo de privilégios pode reclamar assim? Sequer erguer o Itaú é obra dele: Setúbal, como a maioria dos grandes empresários nacionais, herdou o negócio do pai, Olavo. Meritocracia, se a havia, estava ali, com o velho Olavo.
Seu imenso patrimônio pessoal mostra que a herança foi taxada em termos nada escandinavos.
E mesmo assim ele está queixoso.
No mundo inteiro, há um clamor em relação aos impostos (baixíssimos) pagos por grandes corporações mediante malabarismos fiscais classificados na Inglaterra como “imorais”, ainda que legais.
Recentemente, consumidores ingleses iniciaram boicotes contra a Starbucks depois que foi divulgada a informação de que, desde que se instalou no Reino Unido, a empresa praticamente não pagou nada de impostos.
Foram publicados, entre os britânicos, os impostos pagos por outras multinacionais, como Google e Amazon. Baixíssimos, graças a expedientes como declarar o faturamento em paraísos fiscais.
Em Davos, o premiê inglês David Cameron – um conservador absolutamente pró-negócios — disse que a prioridade dos governos, em 2013, deve ser o cerco a manobras de evasão de impostos. (Algum dos enviados da mídia tradicional escreveu isso? Medalhões como Merval e Rossi foram a Davos. Contaram isso? Não os li, mas apostaria que não.)
Escritórios de advocacia especializados em trambiques legais foram nomeados, na Inglaterra, para constrangê-los, e impedidos de realizar qualquer negócio com o governo.
Esta é a floresta.
Na árvore brasileira, o que está se fazendo? O Itaú, de Setúbal: quanto pagou de impostos sobre o lucro? Na Escandinávia seria algo na faixa dos 50%, uns 3 bilhões de reais. E no Brasil, alguém sabe?
É estranho o Brasil. Poucas coisas envolvem tanto o interesse público quanto os impostos, sobretudo os dos superricos e os das grandes corporações. E em poucas coisas há uma ausência tão completa de transparência quanto nisso.
Você constrói hospitais, escolas, estradas, portos como esse dinheiro.
Alguns meses atrás, a seção Radar, da Veja, publicou uma disputa judicial entre a Receita e a Globo na casa de mais de 2 bilhões de reais.
Se isso não é notícia, o que é? Mas nada. Nem a mídia foi verificar o que era, exatamente, e nem a Receita trouxe informações aos brasileiros.
Não há muito tempo, Warren Buffett, o bilionário americano, disse (em vão) a Obama que o governo deveria parar de “mimar” ricos como ele. Buffett notou que, proporcionalmente, sua secretária pagava mais imposto do que ele.
Sucessivas administrações brasileiras mimaram demais nossos equivalentes a Buffett, com enorme prejuízo do resto da população. Dessa aberração derivou uma das sociedades mais vexatoriamente desiguais do mundo.
Os lamentos de Setúbal sugerem que os nossos Buffetts clamam não pelo fim dos mimos – mas por sua eternização.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Lavagem de dinheiro faz Itália vetar cartões no Vaticano

Turistas não podem usar na Santa Sé
cartões de crédito e de débito
O Banco Central da Itália vetou o uso de cartões de crédito e débito no Vaticano porque a instituição financeira da Santa Sé é suspeita de estar sendo usada por alguns de seus correntistas para lavagem de dinheiro. Entre eles estariam terroristas, traficantes e mafiosos. Uma fonte do governo italiano disse à Reuters que a medida foi necessária porque o Banco do Vaticano não respeita a regulamentação para impedir a lavagem de dinheiro. “Ele [o banco] não segue a legislação internacional bancária e financeira, além de não ter uma supervisão adequada.” O Banco do Vaticano, obviamente, não apoia as atividades de criminosos, e é por isso que há suspeita de que ele resiste em adotar a transparência para não revelar a destinação de recursos e o fluxo financeiro da  Santa Sé, que é o menor Estado do mundo. Além disso, se vier à luz os nomes e as organizações criminosas que supostamente usam o sistema financeiro do Vaticano, haveria uma maior perda de credibilidade do Igreja Católica e do papa Bento 16, que vive a pregar moralidade para o mundo. O bloqueio dos pagamentos eletrônicos, que começou em dezembro, dará prejuízo de milhões de dólares ao Vaticano, porque os turistas que visitam seus museus e igrejas só podem usar dinheiro vivo, não havendo portanto a facilidade de pagamento proporcionada pelos cartões. As pressões internacionais para que o Banco do Vaticano adote balanços objetivos, sem camuflagens, aumentaram em 2012, quando o Conselho da Europa descobriu enormes brechas nas contas do Instituto para as Obras da Religião, que é o nome oficial da instituição financeira. Entre outras irregularidades, existem correntistas ocultos. O Vaticano já tinha tentado colocar em ordem a contabilidade do seu banco no início da década de 80, contando com a colaboração do italiano Roberto Calvi, conhecido como “banqueiro de Deus”. Em 1982, Calvi foi encontrado morto em Londres, enforcado na Ponte Blackfriars. Até hoje a causa da morte não foi desvendada. Com informação da CNN, entre outras fontes

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domingo, 22 de julho de 2012

Ricos brasileiros têm quarta maior fortuna do mundo em paraísos fiscais

terça-feira, 19 de junho de 2012

Ajuda a países pobres financia empresas de países ricos

Estudo revela que metade do valor doado pela comunidade internacional para iniciativas privadas em países pobres vai para empresas da OCDE

Em convenções mundiais sobre desenvolvimento e ajuda humanitária, como o 4º Fórum para Efetividade da Ajuda Humanitária, que ocorreu no ano passado, os governos repetem sempre a mesma coisa: que a maneira mais eficaz e justa de administrar a ajuda internacional é deixar nas mãos dos governos que recebem o auxílio financeiro.
Mas uma nova pesquisa mostra que os governos doadores acabam muitas vezes investindo dinheiro público em empresas privadas – muitas delas sediadas nos mesmos países ricos.
Um novo relatório publicado pela Rede Europeia para Dívidas e Desenvolvimento (Eurodad, na sigla em inglês) examinou cerca de US$ 30 bilhões de investimentos no setor privado voltado para o desenvolvimento nos países mais pobres do mundo.
As doações foram feitas por governos europeus, pelo Banco Europeu de Investimento (BEI) e pelo Banco Mundial, entre outros.
Quase metade desses investimentos foi para empresas dos países que fazem parte da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), cujos 34 membros reúnem mais da metade da riqueza mundial.
O estudo mostrou que muitas destas empresas contratadas são grandes corporações e suas subsidiárias. Cerca de 40% estão listadas em alguma das maiores bolsas de valores do mundo.
Dentre os 15 maiores investimentos do BEI e da Corporação Financeira Internacional do Banco Mundial (IFC, na sigla em inglês), dois foram para empresas sediadas no Reino Unido: Helios Towers e Vodafone Ghana. Ao mesmo tempo, apenas 25% das empresas financiadas pelo EIB e pelo IFC estão sediadas em países em desenvolvimento.
Até em paraísos fiscais
A pesquisa da Eurodad também descobriu que muitos dos grandes investimentos em ajuda internacional estão indo, na verdade, para empresas sediadas em paraísos fiscais.
O relatório foi além. Descobriu que 50% da ajuda dada pelo BEI foi enviada por meio de intermediários do setor financeiro. Esses intermediários financeiros incluíam bancos, hedge funds e fundos privados com sistemas de relatório extremamente opacos.
O resultado? É muito difícil de acompanhar como o dinheiro está sendo investido.
“Investimentos em empresas privadas onde são necessários e apropriados podem ser valiosos, mas há pouca evidência de que doadores e instituições internacionais têm um plano claro. Muito do dinheiro público acaba financiando empresas de países ricos. Muito pouco vai para nutrir o setor privado dos países mais pobres do mundo”, diz Jeroen Kwakkenbos, analista financeiro da Eurodad e autor do relatório.
Em conclusão, o relatório da Eurodad prevê que até 2015 um terço de todo o financiamento de governos de países ricos destinado a países em desenvolvimento irá acabar nas mãos de empresas do setor privado. O relatório pode ser baixado na íntegra, em inglês, através deste link.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Santander é líder no ranking de reclamações do Banco Central


Santander é líder no ranking de reclamações do Banco Central
Foto: PAULO VITOR/AGÊNCIA ESTADO

 No último ano, índice de queixas de correntistas dobrou; realização de débitos não autorizados nas contas correntes é o maior problema

247 – Em sua atividade no varejo, o Banco Santander no Brasil chegou hoje ao topo do ranking das instituições financeiras com o maior índice de reclamações de clientes, feito pelo Banco Central. Um reconhecimento nada abonador. Entre outubro de 2010 e outubro de 2011, apesar das garantias de assessores do banco de que há grande preocupação interna com o atendimento na rede de agências, o volume de reclamações praticamente dobrou, saltando do índice 0,56, apurado pelo Banco Central, para o de 1,02 por 100 mil clientes, atualmente. Os números foram divulgados hoje pelo BC em Brasília. Em setembro, o Santander exibia um índice de 0,84 de reclamações, o que reforça a impressão de que a qualidade do serviço prestado está em queda.
O maior volume das reclamações de clientes (29,5% das queixas registradas) é quanto a débitos não autorizados em suas contas correntes. Abaixo do Santander, entre os bancos com mais de um milhão de clientes reclamados, aparecem Itaú (índice 0,77), Banco do Brasil (0,62), Bradesco (0,43) e HSBC (0,34).
O Banco Central tem autoridade para punir as instituições financeiras por qualquer descumprimento de normas emanadas da autoridade monetária, inclusive as que dizem respeito ao atendimento ao cliente bancário. As punições previstas em lei não se limitam à abertura de Processo Administrativo, passando pela advertência e multa, podendo chegar, inclusive, à penalidade máxima de inabilitação para trabalhar no mercado financeiro.