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domingo, 15 de dezembro de 2013
sábado, 14 de dezembro de 2013
Figueroa: autor do "Gol Iluminado", leitor de Neruda e admirador de Allende.
Figueroa sugere troca de comando na Fifa
Em entrevista, chileno pede respeito a Falcão e diz que pararia Messi
Por Gazeta Press
| Marinho e Figueroa, a muralha do Internacional em 1976 / Crédito: Foto: Acervo/PLACAR |
O chileno Elias Figueroa sempre foi uma exceção. Quando criança, sofreu com asma e problemas cardíacos. Aos 15 anos, já curado, marcou Didi em um jogo-treino contra a seleção brasileira na Copa do Mundo do Chile-1962. Um dos melhores zagueiros da história, aliava técnica e raça em detrimento da violência. Jogou os Mundiais de 1966, 1974 e 1982, mas nunca conseguiu ganhar uma partida. Fã de Pablo Neruda e Gabriela Mistral, costumava escrever poemas enquanto seus companheiros jogavam baralho.
Em eleição com alta abstenção, moradores de bairros pobres do Chile não votam por falta de dinheiro
De: Opera Mundi
Ir e voltar de ônibus em Santiago, dependendo da região, pode custar até R$ 22; não comparecimento em periferias chega a 60%
Enquanto os candidatos presidenciais reclamam da alta abstenção – na casa dos 50% – no primeiro turno da eleição chilena, moradores de bairros mais pobres de Santiago contam moedas para tentar saber como vão chegar aos locais de votação. Como o comparecimento ao pleito não é obrigatório, muitos deixam de votar por falta de dinheiro para usar o transporte público.
Desde que o país implantou o sistema de voto voluntário, nas eleições municipais de 2012, a taxa de abstenção alcançou ou superou os 50%. Nos distritos de baixa renda, a evasão foi muito maior. Em alguns casos, mais de 60% dos inscritos deixaram de votar. Em comparação, neste ano, o comparecimento de eleitores de bairros mais ricos chegou, na média, a 75%.
A reportagem de Opera Mundi visitou três dos bairros mais vulneráveis de Santiago, conversou com moradores e líderes comunitários sobre os problemas na hora de ir votar e viu que, por mais que muitos queiram depositar seu voto neste domingo (13/12), seja para a ex-presidente Michelle Bachelet, seja para a governista Evelyn Matthei, nem todos têm condições de chegar à urna.
Paola Cornejo/Opera Mundi
Cartaz de Michelle Bachelet na favela La Victoria, em Santiago: falta de dinheiro pra votar ajuda em aumento da abstenção
“Para ir e voltar da escola [onde vota], eu gasto 1200 pesos (equivalente a R$ 5,29), e isso para faz diferença para mim e para muita gente. Dos meus filhos, que também estão empolgados, só vão votar aqueles que têm dinheiro para fazer essa viagem”, contou o vendedor.
Por sua parte, o Servel (Serviço Eleitoral chileno) reconhece que existem problemas com o fato de que as pessoas tenham que votar em colégios distantes de suas residências. O presidente do órgão, Patricio Santa María, falou sobre as dificuldades e aproveitou para comentar a solicitação feita pelo comando de Michelle Bachelet, de transporte gratuito em todo o país no dia da eleição – o que foi negado.
Na favela de La Victoria, uma das mais antigas e mais representativas de Santiago, sobretudo por sua história de enfrentamentos com os militares durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), o sol de 33ºC, que não dá trégua desde o começo de novembro, parece transformar as ruas numa continuação do deserto do Atacama, no norte do país.
Paola Cornejo/Opera Mundi
José Medel, representante da Associação de Moradores de La Victoria: "Conversar é fácil. Convencer é que é o problema"
Na comuna de Cerro Navia, também entre as mais pobres regiões da zona sudoeste de Santiago, outro dirigente de bairro trabalha todos os dias tentando evitar a abstenção em seu setor. Ele também reconhece as dificuldades econômicas que afetam a maioria dos seus vizinhos, mas acha que pode conseguir levar mais gente a votar neste segundo turno que no primeiro.
O preço do voto
Dono de uma pequena barraca que vende bebidas, próximo a um terminal rodoviário, Raúl Gómez Pérez é um histórico eleitor da esquerda no Chile. Aos 72 anos e com dificuldades para se locomover, disse, porém, que este ano não pretende participar das eleições, apesar de torcer pela vitória de Bachelet. “Na minha idade, não é fácil sair de casa, enfrentar o sol de mais de 30ºC que vem fazendo, para ir a uma escola onde tenho que subir três lances de escada para chegar à mesa eleitoral”.
Além dos problemas com o clima e com a estrutura do colégio eleitoral, Pérez lembrou o empecilho econômico, que também o impede de votar. O voto voluntário impôs um novo sistema de inscrição automática – antes, o eleitor escolhia se queria se inscrever ou não, e, uma vez inscrito, o voto era obrigatório – e essa reforma utilizou um sistema randômico para apontar onde vota cada eleitor. Nesse sistema, muitos eleitores terminaram sendo colocados em colégios eleitorais distantes de suas residências.
Esse caso ainda é um dos menos complicados, já que ele só precisa de uma locomoção para chegar ao local de votação. Alguns santiaguinos que precisam tomar dois transportes para ir e mais dois para voltar chegam a gastar até cinco mil pesos (R$ 22) para poder votar.
Para o sociólogo Axel Callis, do Instituto Impakta, o “preço do voto” é o que marca a diferença na participação observada nos bairros ricos e nos bairros pobres de Santiago. “Essa barreira econômica faz com que tenhamos que questionar se existe realmente um voto voluntário no Chile, se uma pessoa que quer votar não pode fazê-lo porque não tem dinheiro para isso. Temos um sistema que não dá igualdade de condições a todos os eleitores, e isso também afeta o resultado final das urnas”, analisa.
“Foi um pedido feito de última hora, que não permitiu maior gestão. Mas, no futuro, poderemos aperfeiçoar mais esse sistema. Esta é apenas a segunda eleição com voto voluntário. Com o passar dos anos, nós faremos os ajustes que vamos vendo que são necessários”, reconheceu Santa María.
Trabalho de convencimento
Sob esse clima escaldante e seco, José Medel, representante da associação de moradores, tenta conversar e convencer os vizinhos a não deixar de votar neste domingo (15/12). José caminha com calma, se aproxima de um companheiro, depois vai até um portão, onde conversa com uma dona de casa, e, assim, de parada em parada, vai recorrendo todo um setor do bairro. Sempre pergunta como está o ânimo para o dia das eleições, e aproveita para estimular as pessoas a votar.
“Conversar é fácil, mas convencer é que é o problema. Algumas [pessoas] estão inscritas em locais aonde os ônibus não chegam, precisam tomar “coletivos” [taxis com preço e itinerário fixo] ou taxis convencionais, e é um preço que nem todos estão dispostos a pagar por um voto”, explica ele.
Militante comunista, Medel é um eleitor desconfiado de Bachelet. “A maioria das pessoas aqui em La Victoria vota sempre com a esquerda, e se vão a votar o farão por Bachelet, mas esse voto pode se voltar contra ela se não se sua promessa de reformas não se cumprir”, comenta o dirigente comunitário.
Mapuches
Trata-se de Bernardo Cariceo, líder da comunidade mapuche de Cerro Navia, a maior organização de indígenas da zona urbana – cerca de 32% dos mapuches da capital chilena vivem nessa comuna.
Durante o governo de Sebastián Piñera, Bernardo conseguiu que fosse construído um setor de casas populares especialmente para os mapuches, onde vivem 148 famílias. Por essa razão, o dirigente tem trabalhado pela candidatura da governista Matthei nestas eleições. “As pessoas se surpreendem por ver mapuches de direita, mas eu tenho que ser consequente. A senhora Bachelet já foi presidente e utilizou a Lei Antiterrorista contra os mapuches, e o governo de direita nos construiu isso aqui”, diz.
Bernardo diz, porém, que sua preferência atual pela candidatura de direita não representa a totalidade do mundo mapuche. “Somos mapuches das zonas urbanas, com problema diferentes daqueles que vivem nos territórios históricos, no sul do país. Lá, eles são mais desconfiados de todos, porque todos os governos foram violentos com as aldeias. Aqui, temos outros problemas e votamos de acordo com o que a autoridade nos oferece para resolvê-los”.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Documentos comprovam apoio brasileiro ao golpe militar no Chile
De: ZH
Telegramas de embaixador próximo de militares expõem aversão ao presidente socialista e detalhes da logística de apoio ao golpe vitorioso
Na última imagem com vida, Allende (ao centro, com capacete e fuzil) aparece junto a assessores no Palácio de La Moneda sitiado, em 1973Foto: Não se aplica / Banco de Dados
Guilherme Mazui
Antonio Candido da Câmara Canto sabia que uma conspiração militar para derrubar o então presidente do Chile, Salvador Allende, estouraria naquele setembro.
Há exatos 40 anos, tanques e caças bombardearam o Palácio de La Moneda, de onde Allende saiu morto. Foi o início da vitória do golpe que levou o general Augusto Pinochet ao poder. Era 11 de setembro de 1973.
Embaixador do Brasil no Chile desde 1968, hostil ao governo da coalizão esquerdista Unidade Popular e apreciador de cachimbos, ele frequentava os salões do elegante Club de la Unión, em Santiago. Também cavalgava na companhia de oficiais que orquestraram a queda de Allende.
No dia 8 de setembro, três dias antes do golpe, Câmara Canto vaticinou dias difíceis em telegrama para o Itamaraty: "A situação do Chile nunca esteve tão confusa e, ao mesmo tempo, tão crítica".
O alerta do diplomata consta em arquivos guardados no subsolo do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília. Na véspera do envio do telegrama, ele recebera chefes das forças chilenas na festa de comemoração da Independência brasileira na embaixada. A reunião é considerada por historiadores como momento chave da conspiração.
Zero Hora vasculhou o acervo da correspondência entre o Itamaraty e a embaixada de Santiago de janeiro a dezembro de 1973. Nos documentos, Câmara Canto mostra nítida aversão pelo governo Allende. Termos como "milícias vermelhas" e "hordas marxistas" aparecem em meio a análises político-econômicas que anunciam "sombrias perspectivas para o Chile". Em telegrama de janeiro, ele define como "desenfreada demagogia" as críticas de Allende aos Estados Unidos sobre a Guerra do Vietnã.
O embaixador especula sobre a possibilidade de a esquerda "apelar para via armada a fim de manter o processo de socialização no Chile". Os informes ao longo do ano descrevem atentados às representações de países comunistas e conflitos nas ruas da Capital. "Enfim, a série de ocorrências verificadas nos dois últimos dias me levam a acreditar que, dentro de em breve, o caos assenhorar-se-á do país", alertou o diplomata.
A maioria dos telegramas entre os dias 8 e 13 de setembro de 1973 é classificada e indisponível para consulta. Esses documentos provavelmente revelam os bastidores da decisão brasileira de assistir à posse do governo oriundo do golpe — Câmara Canto foi o único embaixador presente. O próprio Pinochet declarou-se surpreso com a rapidez do reconhecimento brasileiro, somente dois dias após a morte de Allende.
No dia 13, o Itamaraty confirma o envio a Santiago, por via aérea, de 3 mil quilos de medicamentos e 14,4 mil quilos de alimentos. O documento detalha o envio de arroz, açúcar, azeite, leite em pó e café, além de plasma sanguíneo, antibióticos, algodão, ataduras e rolo de raio-X.
Em informe de 17 de setembro, Câmara Canto reconhece que há indefinição sobre a devolução do poder aos civis. Ele considera temerosa a possibilidade de eleições, já que as esquerdas poderiam vencer outra vez.
Uma reflexão pertinente sobre a experiência chilena
En esta época deprimida y deprimente,
sería bueno volver la vista
a la ‘Via chilena’ y recordar lo que nos enseñó
La experiencia chilena, la llamada Vía chilena al
Socialismo, tuvo unas consecuencias políticas de gran calado en toda
la izquierda occidental. Se produjeron —podemos sintetizar— tres tipos de
respuesta: primera, la que podríamos llamar de izquierda
revolucionaria, partidaria de la lucha armada, convencida de que la
dicotomía era revolución o fascismo, y de que nunca se podría alcanzar el
socialismo por el mismo camino que se intentó durante los años de la Unidad
Popular en Chile; segunda, la ortodoxa, de matriz soviética,
que aun valorando la posibilidad de que —al menos teóricamente— se pudiera
transitar pacíficamente hacia el socialismo, entendía que había de contemplarse
la utilización de la fuerza para defender las conquistas revolucionarias; y
tercera, la que se nos antoja más innovadora, la que Achille Occhetto, en
sintonía con su predecesor Enrico Berlinguer, denominaría años después, ya en
los años 80, un reformismo fuerte:“un reformismo que no se conforma
con retoques de fachada, sino que interviene sobre las contradicciones de fondo
de la sociedad con propuestas realistas (…), una alternativa democrática y
reformadora que tenga como protagonistas a las fuerzas del progreso”.
Cuarenta años después del fatídico final de la Vía chilena y
25 de estas palabras del comunista italiano, sabemos que el mundo no solo no ha
avanzado hacia el socialismo, sino que la gran superpotencia soviética ya no
existe, y que la gran potencia china, oficialmente un país socialista con el
Partido Comunista como Partido único, es un híbrido del que no se sabe cuál es
realmente ni su modo ni sus relaciones de producción. Dejando de lado la
excepcionalidad norcoreana y el atípico Vietnam, solo Cuba sigue auto
considerándose un país socialista. Han surgido, eso sí, a su estela, algunos
regímenes, singularmente el venezolano o bolivariano y otros que se encuentran
en su cercanía, que se adscriben a un llamado —e indefinido— socialismo
del siglo XXI.
Hace 20 años, Eric Hobsbawm escribió unas palabras que aluden a una
patología que ha afectado y afecta a la izquierda política realmente existente
en Occidente: “A quienes consideran que no sólo es más sencillo sino también
mejor mantener ondeante la bandera roja, mientras los cobardes retroceden y los
traidores adoptan una actitud despectiva, les acecha el grave riesgo de
confundir la convicción con la prosecución de un proyecto político; el
activismo militante con la transformación social y la victoria con la ‘victoria
moral’ (que tradicionalmente ha sido el eufemismo con el que se ha denominado
la derrota); el amenazar con el puño en alto al statu quo con
la desestabilización del mismo o (como sucedió muchas veces en 1968) el gesto
con la acción”.
Es por ello que hoy, cuatro décadas después de la muerte de Salvador
Allende y del inicio de la dictadura que ensangrentó a Chile y que conmovió al
mundo, tanto más al que se identificaba con los valores de la izquierda
política, debiéramos volver a leer aquel proceso chileno.
A quienes hace décadas denostaban la despectivamente llamadademocracia
burguesa, les sorprendió la crueldad insoportablemente desgarradora de
la dictadura (por supuesto burguesa). A quienes hasta hace
poco infravaloraban los avances del Estado llamado del Bienestar, implementado
en los países en los que la izquierda reformista (más o menos) fuerte había
conseguido afianzarse, les sorprende ahora la facilidad con la que los
gobiernos que gestionan la crisis económica y financiera que estamos viviendo
en los países del sur de Europa están desmontando los logros alcanzados. Y
ahora los valoran como nunca antes lo hicieron, incluso hasta convertirlos en
bandera propia.
Estamos en una fase deprimida y deprimente en cuanto a las luchas
políticas por los derechos sociales, por la democratización radical de nuestras
sociedades. Ha ocurrido antes. María José Orbegozo, periodista especializada en
la política italiana, escribía en 1981: “Cuando en octubre de 1973, frente a la
caída de Salvador Allende en Chile, Berlinguer propuso el compromiso
histórico entre las fuerzas mayoritarias (democristianos, socialistas
y comunistas), el secretario general albergaba en su mente un proyecto muy
ambicioso: modificar gradualmente las orientaciones de fondo de dichas fuerzas
políticas y, muy en particular, de la Democracia Cristiana, para acelerarlas a
un encuentro con los comunistas, evitando así el riesgo de una reacción
derechista que, incluso, podría tener el apoyo de las masas”.
El proceso italiano no evolucionó por la senda prevista por los
comunistas de los años 70, ni mucho menos. Pero no es eso lo que nos interesa
ahora. Lo destacable, en nuestra opinión, es la lectura provechosa que se hizo
de la experiencia chilena. Aunque en estos años difíciles debamos ser
necesariamente críticos al evaluar las aplicaciones prácticas de lo que el
proceso chileno enseñó al mundo, particularmente a la izquierda política
reformista, parece poco discutible que se impone y se impondrá siempre la
necesidad de generar amplios consensos que, —parafraseando a Berlinguer—,
permitan construir una democracia de altísima calidad que propicie un Estado
que garantice el pleno ejercicio y el desarrollo de todas las libertades. De
todas. Solo así se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre,
para construir una sociedad mejor.
Joan del Alcàzar es catedrático
de Historia Contemporánea de la Universitat de València.
domingo, 6 de janeiro de 2013
Justiça chilena notifica ex-militares acusados de matar Víctor Jara
O juiz chileno Miguel Vázquez concluiu nesta quinta-feira (03), o
processo pelo qual notificou a sete ex-oficiais de sua condição de
processados pelo assassinato do cantor e compositor Víctor Jara,
cometido em 16 de setembro de 1973, após o golpe militar comandado pelo
general Augusto Pinochet que culminou na morte do então presidente
Salvador Allende no dia 11 de setembro.
Vázquez determinou a prisão preventiva dos militares, que eram tenentes
na época do golpe e responsáveis por centenas de presos políticos
encarcerados no Estádio Nacional de Santiago, transformado em centro de
detenção pela ditadura e rebatizado em 2004 com o nome do cantor.
Prisão
Jara foi detido no dia 12 de setembro, um dia após o golpe, junto a
centenas de alunos, trabalhadores e professores na Universidade Técnica
do Estado (UTE), atual Universidade de Santiago (USACH), em que
trabalhava como docente.
Autor de músicas de protesto e diretor de teatro, Jara foi reconhecido
pelos militares, separado dos demais prisioneiros e submetido a vários
dias de torturas, entre elas queimaduras com cigarros, simulações de
fuzilamento e fratura de suas mãos.
A sentença judicial aponta que o cantor foi “agredido fisicamente, de
forma permanente, por vários oficiais”. No dia 16 de setembro, os
prisioneiros foram retirados do estádio, com exceção de Jara e de Littré
Quiroga Carvajal, que era diretor da empresa estatal de ferrovias
durante o governo de Allende (1970-1973). Ambos foram levados ao
subterrâneo e executados a tiros.
Jara recebeu 44 disparos e tinha vários ossos fraturados, segundo
determinou o informe da autópsia realizada logo que seu corpo foi achado
na parte posterior do Cemitério Geral de Santiago, onde foi deixado
pelos militares.
Durante o julgamento, o recruta Víctor Pontigo, ajudante dos oficiais
acusados, detalhou o momento da morte do cantor. “Eu levei Victor Jara
para falar com os tenentes e depois de umas três horas escutei disparos,
perguntei ao recruta José Cáceres de onde vinham os disparos e ele me
disse que haviam matado Víctor Jara”, relatou.
Autores
A decisão apontou Pedro Barrientos Nuñez e Hugo Sánchez Marmonti como
autores de homicídio qualificado e Souper Onfray, Raúl Jofré González,
Edwin Dimter Bianchi, Nelson Hesse Mazzei e Luis Bethke Wulf como
cúmplices. Seis deles já foram detidos e alojados no Batalhão de
Polícia Militar número 1 de Santiago. Jofré e Luis Bethke se entregaram
voluntariamente ao tribunal e os demais estão detidos desde
quarta-feira (02) no batalhão.
Núñez, que vive nos Estados Unidos desde 1990 e é alvo de uma ordem
internacional de captura e pedido de extradição por parte do juiz.
Barrientos é apontado
sábado, 22 de dezembro de 2012
Os pôsters da Unidade Popular chilena
por Mariana Carolo
No começo da década de 1970, ocorreu no Chile o que parecia ser a
concretização de uma velha utopia política. Após unirem-se, os partidos
de esquerda, congregados na chamada Unidade Popular, conseguiram eleger
um presidente, o médico Salvador Allende.
Salvador Allende
Em seu mandato, Allende e equipe colocaram em prática um programa que
previa a redistribuição da renda, a nacionalização das grandes
indústrias, a reforma agrária etc. Era um socialismo pacífico e
democrático se tornando realidade. Não por acaso, vários dos indivíduos
que fugiam das ditaduras que então assolavam a América Latina rumaram
para o Chile. Já que, migrando para lá, eles escapariam da repressão de
seus países e, ainda por cima, participariam de uma experiência que
enxergavam como única...
Porém, vivia-se a época da Guerra Fria e, logo, as medidas da
Unidade Popular começaram a ser vistas como uma "ameaça vermelha" à
integridade da nação. Assim, devido ao temor de o Chile se tornar uma
nova Cuba, em 11 de setembro de 1973, as Forças Armadas, comandadas por
Augusto Pinochet, mergulharam o país em um regime militar que durou 17
anos. Foi apenas em 1990 que os chilenos respiraram novamente ares
democráticos.
Para melhor entendermos o que foi a Unidade Popular, vale a pena
conhecer os pôsters publicitários de quando governaram. Com frases de
efeito e composições coloridas e interessantes, tais peças nos contam um
pouco mais sobre quando a esquerda latino-americana acreditou que
estava construindo outro mundo. Veja algumas das propagandas
institucionais abaixo:
Leia em obvious
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Suprema Corte o do Chile decide investigar morte de Pablo Neruda
Pablo Neruda foi assassinado?
Diz-se que o crime perfeito não existe. Como ainda não se sabe se isso é verdade ou não, a decisão da Suprema Corte chilena de investigar a morte do prêmio Nobel de literatura Pablo Neruda durante a ditadura de Pinochet pode ser o mais novo exemplo de como o tempo não foi o suficiente para encobrir um assassinato.
O escritor Pablo Neruda, membro do Partido Comunista chileno e Prêmio Nobel em 1971, está entre os poetas de língua espanhola mais lidos no mundo. Milhões de pessoas foram atraídas por “Vinte poemas de amor e uma canção desesperada”. Quando Neruda morreu, duas semanas depois do dia 11 de setembro de 1973, data do golpe de estado que tirou do poder o presidente eleito Salvador Allende, a maioria acatou o motivo da morte como sendo derivado de uma aceleração do desenvolvimento do câncer de próstata diagnosticado um ano antes. O poeta era amigo de Allende e teve sua famosa casa em Isla Negra, no litoral chileno, na época a cerca de duas horas da capital Santiago, invadida pelos militares. Foi também em Isla Negra onde Neruda escreveu suas memórias, que terminam com uma condenação amarga ao golpe do general Augusto Pinochet.
Na época, Manuel Araya tinha 20 anos e tinha sido designado pelo Partido Comunista como assistente privado e motorista de Neruda. Ele contou à Al Jazeera que um dia antes de o livro ser terminado, ele acompanhou o escritor e sua esposa Matilda à Clínica Santa Maria, em Santiago.
O então embaixador mexicano no Chile confirmou mais tarde a informação passada por Araya de que Neruda pretendia viajar ao México para fazer oposição ao governo de seu país a partir do exterior. Ele confirmou também que o governo mexicano havia enviado um avião para buscar ele e outros futuros exilados no Chile. O problema foi que a junta militar não pretendia facilitar a concessão de um passe de salvo-conduto para o escritor. Ele era o cidadão chileno mais conhecido mundialmente depois de Allende e os militares tinham certeza de que ele causaria problemas ao regime no exterior.
Por isso – segundo Araya – a ideia era levar Neruda ao hospital para que se pudesse argumentar problemas de saúde e assim conseguir um passe de salvo-conduto humanitário. O plano funcionou e o passe foi emitido. No entanto, o poeta nunca saiu vivo da clínica.
Quase 40 anos passaram desde sua morte. Porém, quando Manuel Araya conta sua história, parece que ele ainda está vivendo ela. Ele afirma que, enquanto retornava com a esposa de Neruda à Isla Negra para pegar uma mala do poeta, recebeu uma ligação de Neruda. “Ele parecia realmente aborrecido e me disse que alguma coisa tinha acontecido, que o médico entrou em seu quarto enquanto ele dormia e injetou algo em seu estômago que o fez começar a passar mal imediatamente. Ele, de repente, sentiu muito calor, ficou vermelho, teve febre e pediu para que voltássemos à clínica”, descreve.
Quanto Araya voltou, a polícia secreta já esperava para prendê-lo. Ele foi levado ao Estádio Nacional de Santiago, onde centenas de pessoas contrárias à ditadura foram presas e torturadas. Foi lá onde ficou sabendo da morte de Neruda, poucas horas depois de ter recebido a injeção.
Araya afirma que sempre teve certeza de que o escritor tinha sido assassinado, mas não se atreveu a dizer nada até 1990, quando o Chile voltou a ser uma democracia. Na época, ninguém acreditava no ex-motorista. A esposa de Neruda morreu nessa época. Ainda que em suas memórias ela tenha escrito que “Pablo não estava pronto para morrer ainda”, não havia nada de conclusivo.
Mas quando histórias igualmente “inacreditáveis” de assassinos de alto escalão do regime militar do Chile foram provadas, o advogado Eduardo Contreras começou a levar a versão sobre a morte de Neruda a sério. Afinal, em um primeiro momento, poucos acreditaram em Carmem Frei, filha do ex-presidente Eduardo Frei, quando ela alegou, em 1982, que seu pai tinha sido envenenado na mesma clínica onde o poeta morreu. O ex-presidente cristão democrata teve forte influência tanto no país como no exterior e, mesmo tendo aprovado inicialmente o golpe militar, começou uma campanha pela resistência contra a ditadura antes de morrer.
Há dois anos, seis pessoas foram presas e acusadas de assassinato do ex-presidente depois da descoberta de traços de veneno durante a exumação do corpo. A investigação também apontou a existência de uma rede secreta de armas químicas desenvolvidas pelo regime de Pinochet que era usada em larga escala para eliminar “inimigos”. As drogas também eram vendidas a outros países sob ditaduras militares.
No caso de Neruda, pode ser que não seja fácil provar o assassinato. Segundo Eduardo Contreras, depois de cerca de 40 anos, é provável que a identificação de traços de veneno seja muito difícil, já que seu corpo – enterrado voltado para o oceano em Isla Negra – está, provavelmente, em grau avançado de decomposição. Porém, Contreras contou à Al Jazeera que podem haver outros indicativos de asssassinato incluindo documentos perdidos e inconsistências no relatório da autópsia.
“O câncer de Neruda ainda estava em estágio inicial”, afirma. “O hospital diz que ele morreu em estado catatônico, mas, na verdade, ele chegou até mesmo a sair de casa alguns dias antes de morrer e recebeu inúmeras visitas enquanto planejava sua viagem para o México”.
Contreras também afirma que pessoas que trabalharam na Clínica Santa Maria sabiam que o poeta tinha sido assassinado. “Algumas me contaram. Mas ainda tinham muito medo de serem mais explícitas. Espero que essas pessoas percam seu medo enquanto os culpados ainda estão vivos”, desabafa.
O promotor público designado especialmente para o caso deve emitir um pedido de exumação em breve, apesar da oposição violenta da Fundação Neruda, que administra os museus nas três casas que pertenceram ao autor, incluindo Isla Negra.
Mesmo que teorias conspiratórias devam ser tratadas com cautela, independentemente do resultado do inquérito, parece que o regime de Pinochet tinha, no mínimo, meios e motivos para precipitar a morte de um dos poetas mais famosos do mundo.
Lucia Newman
Tradução de Helena Gertz
Acesse o original aqui
domingo, 27 de maio de 2012
Gael Garcia Bernal protagoniza No,filme sobre a ditadura no Chile
Na maioria das vezes, quando se pensa em um filme sobre ditadura as cenas que vêm à cabeça são as de tortura e violência extrema. Mas esse tema inesgotável encontrou novo fôlego no filme do chileno Pablo Larraín, de 35 anos. Em No, o diretor relembra o plebiscito ocorrido em 1988, que questionava o povo quanto a continuidade do governo de Augusto Pinochet.
O longa está sendo exibido em uma mostra paralela à
competição oficial em Cannes, chamada de Quinzena dos Realizadores, que
já revelou nomes como Michael Haneke e Sofia Coppola. Na história, Rene
Saavedra (Gael García Bernal) vive um publicitário de sucesso convidado a
cuidar da campanha pelo “Não”, pedindo a saída definitiva de Pinochet
do seu cargo.
Na época, o ditador convocou a opinião pública depois de sofrer muita pressão internacional, como bem contextualiza o filme. Em 5 de outubro de 1988, os chilenos foram às urnas e com o resultado de 44,01% para o ˜Sim" e 55,99% para o "Não", ele se vê obrigado a deixar o poder.
Seu chefe, partidário do então presidente, assume a campanha pelo “Sim” e a partir daí o filme mostra o contexto histórico e social da época através desta corrida publicitária. Além de trabalhar o assunto da ditadura fugindo do convencional, Larraín rodou o filme em suporte de vídeo U-matic 3/4, usado no final dos anos 1980. As cores e texturas se parecem com as imagens da televisão na época confundindo realidade e ficção.
No poderia tranquilamente estar na lista da competição oficial no lugar de longas controversos como o egípcio After the Battle, ou de Paradies: Liebe (Paraíso: Amor), do austríaco Ulrich Seidl. Depois de Tony Manero e Post Mortem, outras duas produções bem-sucedidas, Larraín comprova ser um dos grandes do cinema atual na América Latina, merecendo cinco minutos de aplausos em pé do público em Cannes.
Fonte: Bravo!
Na época, o ditador convocou a opinião pública depois de sofrer muita pressão internacional, como bem contextualiza o filme. Em 5 de outubro de 1988, os chilenos foram às urnas e com o resultado de 44,01% para o ˜Sim" e 55,99% para o "Não", ele se vê obrigado a deixar o poder.
Seu chefe, partidário do então presidente, assume a campanha pelo “Sim” e a partir daí o filme mostra o contexto histórico e social da época através desta corrida publicitária. Além de trabalhar o assunto da ditadura fugindo do convencional, Larraín rodou o filme em suporte de vídeo U-matic 3/4, usado no final dos anos 1980. As cores e texturas se parecem com as imagens da televisão na época confundindo realidade e ficção.
No poderia tranquilamente estar na lista da competição oficial no lugar de longas controversos como o egípcio After the Battle, ou de Paradies: Liebe (Paraíso: Amor), do austríaco Ulrich Seidl. Depois de Tony Manero e Post Mortem, outras duas produções bem-sucedidas, Larraín comprova ser um dos grandes do cinema atual na América Latina, merecendo cinco minutos de aplausos em pé do público em Cannes.
Fonte: Bravo!
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Chile elimina expressão 'ditadura militar' de livros escolares
![]() |
| Próximo passo: canonização |
O governo do Chile eliminou a expressão "ditadura militar" dos textos escolares para se referir à gestão de Augusto Pinochet (1973-1990), substituindo o termo por "regime militar", como confirmou o novo ministro de Educação, Harald Beyer. As informações são da agência Ansa
"Geralmente é mais usada a expressão regime militar", justificou Beyer, assegurando que o novo conceito está de acordo com o resto do mundo onde "as expressões são mais gerais".
A mudança, adotada em uma sessão extraordinária do Conselho Nacional de Educação, estipula que as crianças do primeiro ao sexto ano aprendam que no Chile houve um "regime militar" entre 1973 e 1990.
O ministro assegurou que, pessoalmente, ele reconhece "que foi um regime ditatorial" mas que existe "um procedimento e que muitos educadores participaram" da decisão.
De acordo com o jornal digital chileno El Dínamo, a proposta prevê a comparação de "diferentes visões sobre a quebra da democracia no Chile, o regime militar e o processo de recuperação da democracia no final do século XX, considerando os distintos atores, experiências e pontos de vista", além do "consenso atual a respeito do valor da democracia".
De: Terra
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Justiça do Chile abre investigação sobre a morte do poeta Pablo Neruda
![]() |
| Allende e Neruda |
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil
Brasília – Depois da exumação dos restos mortais do ex-presidente Salvador Allende (1970-1973) para apurações sobre a causa de sua morte, a Justiça do Chile determinou a abertura de investigações sobre o poeta e Prêmio Nobel de Literatura de 1971, Pablo Neruda, que passou parte da vida no país. Neruda morreu em 23 de setembro de 1973, 12 dias depois do golpe do Estado comandado pelo então presidente Augusto Pinochet (1973-1990).
Para o Partido Comunista (PC) do Chile, Neruda pode ter sido assassinado e não ter morrido em consequência de câncer na próstata, como diz a versão oficial. O juiz Mario Carroza aceitou o pedido para abertura de investigações, encaminhado pelo PC.
A denúncia do partido se baseou em denúncia feita por Manuel Araya, de 65 anos, ex-motorista e secretário particular de Neruda. Araya disse que o poeta pode ter sido envenenado enquanto estava internado, na clínica particular Santa Maria de Santiago, na capital chilena.
O ex-motorista de Neruda disse que viu o poeta receber uma injeção suspeita e que em poucas horas o estado de saúde dele piorou. Para Araya, o governo Pinochet pretendia exilar Neruda no México. A versão foi contestada pela Fundação Pablo Neruda, que administra a obra do poeta.
Porém, a denúncia de Araya teve apoio do ex-embaixador do México no Chile Gonzalo Martinez. O diplomata esteve com Neruda poucos dias antes da morte do poeta e conversou com ele sobre seu asilo na capital mexicana. Segundo Martinez, Neruda estava doente, mas não em estado catatônico, como alegou a equipe médica da clínica.
No último dia 23, foi exumado o corpo de Allende também por ordem de Carroza. O juiz investiga as acusações de que o ex-presidente foi assassinado por militares e que ele não se suicidou. Para o promotor público Eduardo Contreras, as investigações sobre as mortes do ex-presidente e do poeta mostram "vontade de tentar chegar mais perto da verdade."
*Com informações da rede multiestatal de televisão Telesul, com sede na Venezuela, e da rádio pública da França, RFI.
Edição: Juliana Andrade
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Corpo de Allende será exumado para esclarecer causas da morte
Brasília – O representante do Ministério Público do Chile Mário Carroza determinou hoje (15) a exumação dos restos mortais do ex-presidente chileno Salvador Allende (1970-1973). A ordem deve ser cumprida na segunda quinzena do próximo mês. Cercado no Palácio de La Moneda (sede do governo federal) pelas tropas do general Augusto Pinochet, em 1973, Allende morreu aos 65 anos. Há dúvidas se ele foi morto ou suicidou-se.
As informações são da rede de televisão estatal do Chile, TVN, e da agência pública de notícias de Portugal, a Lusa.
Os exames a partir da exumação do corpo têm o objetivo de investigar as causas da morte de Allende. Os restos mortais do ex-presidente serão retirados do Cemitério Geral, em Santiago (capital chilena), e levados para o Instituto Médico Legal. A senadora Isabel Allende, filha do ex-presidente, vai acompanhar as apurações.
O Ministério Público autorizou a exumação a partir de um pedido feito pela família de Allende no momento que foi reaberto o inquérito para determinar o que provocou a morte dele. Pouco depois da morte, foi feita uma autópsia no hospital militar de Santiago. Na ocasião, a versão oficial foi de que ele se matou com um tiro no queixo.
Em janeiro foi reaberto o inquérito de um conjunto que reúne 725 processos envolvendo denúncias de violações de direitos humanos no período da ditadura militar no Chile (1973-1990). O Ministério Público apresentou uma queixa para cada caso específico e os nomes das vítimas foram retirados do relatório da Comissão da Verdade e Reconciliação.
No Chile, a ditadura foi uma das mais violentas da América do Sul. A estimativa de organizações não governamentais é que cerca de 3.100 pessoas morreram ou desapareceram nesse período. A ex-presidenta Michelle Bachelet foi uma das vítimas da ditadura chilena. Ela foi perseguida e teve o pai assassinado.
Edição: Lílian Beraldo
sábado, 11 de setembro de 2010
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