quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Intensivo em CPI

Minha memória prodigiosa foi buscar argumentos prós e contra CPIs. Então, decidi montar um pequeno guia para quem quiser utilizar-se desses argumentos. A grande vantagem desse instrumento é que ele funciona independentemente dos motivos da CPI, dos requerentes e da esfera de governo a ser investigada.

Quem tiver alguma sugestão.. fique à vontade.


Governo

Oposição

A CPI vai atrapalhar o estado.

A população precisa ser esclarecida para o bem do estado

A CPI vai atrapalhar os funcionamento das atividades do legislativo que precisa votar questões importantes

É perfeitamente possível combinar o funcionamento da CPI com as atividades normais do legislativo

O governo é o principal interessado na apuração da verdade (depois da CPI instalada)

O governo não deseja a apuração porque tem responsabilidade com os fatos investigados

A oposição quer fazer uso político da CPI

A CPI será conduzida com isenção e privilegiando os aspectos técnicos

A CPI não tem um objeto definido (antes da CPI ser instalada)

O requerimento aponta fatos que têm relação entre si

Se querem investigar, que se investigue tudo, inclusive de governos anteriores (depois da CPI instalada)

A CPI precisa ter um foco determinado

Os fatos já estão sendo investigados pelo MP e pela polícia (antes da CPI ser instalada)

As investigações da CPI poderão colaborar com as investigações em andamento, além de ser uma prerrogativa do parlamento

O MP e a polícia já encaminharam seus resultados e devemos esperar pela justiça

Há questões relacionadas que não foram alvos de investigação e precisam ser esclarecidas

A CPI está fazendo pré-julgamento

Figuras públicas não podem se eximir de prestar esclarecimentos

A oposição faz questionamentos inoportunos e improcedentes

Ninguém pode ser cerceado de fazer questionamentos

A oposição tem coisas mais importantes para fazer

A CPI é um direito das minorias


Política brasileira: a coisa de sempre


Li que o PSOL adiou a decisão sobre sua candidatura à presidência para analisar a possibilidade de apoiar Marina Silva. Soube que o PV vai retirar de seu programa questões como a descriminalização da maconha e aborto. Marina é evangélica, criacionista, condena o aborto e a legalização da maconha. O PV, até agora, pensava diferente. Nada que não possa ser esquecido em nome de um bom desempenho eleitoral. Isso o PT aprendeu há algum tempo. Cada partido aprende esas coisas no seu tempo.
Esse é o Brasil. Tudo na mesma. O PSOL não tem nenhuma relação ideológica com o PV, ou com Marina. Porém, está disposto a fazer um casamento que condena para outros em nome de... em nome de que mesmo?
O PV não prima pela consistência nas ideias. Politicamente vai de Cesar Maia (de cuja gestão participou no Rio) a Luciana Genro (sua candidata à Prefeitura de Porto Alegre); de Gabeira a Zequinha Sarney sem nenhum problema.
O PT provoca fenômenos interessantes. Consegue unir uma fauna ao redor de Lula e outra contra si próprio.
Esses movimentos dariam uma tese fabulosa, o que está além da minha capacidade. Por isso, sigo em frente com uma de minhas máximas preferidas: Quem pouco se ilude, nunca se decepciona.

Marina na direita?


Minha opinião sobre a candidatura Marina Silva continua a mesma. Porém, acho injusto o número de críticas à candidatura querendo jogá-la para a direita depois de trinta anos de militância no PT. O PT, no longíquo ano de 1982 e durante mais um tempo, foi acusado de “servir à direita” porque não encontrava no PMDB uma visão que representasse sua visão de Brasil. Brizola criou o termo “esquerda que a direita gosta”, porque não aceitava que o PT segui-se um caminho independente. Portanto, é bom que os petistas interpretem o movimento pró-Marina com com instrumentos mais sofisticados que os utilizados em panfletagens e reuniões de animação dos apoiadores. O PT não é dono da verdade. Embora eu vá votar na sucessora indicada pelo Lula, não quer dizer que tudo o mais não preste. Quem tem estômago para aturar Sarney, não pode usar o fígado para hostilizar Marina.

Quanto ao Flávio Arns. Nunca achei esse cara grande coisa, mas o PT do Paraná permitiu que ele, egresso do PSDB, fosse candidato a senador pelo Paraná. A hora de criticar a origem do senador e verificar sua trajetória não era quando ele pediu ingresso no PT? O que me incomoda não é o erro na política, ou as críticas a este ou àquele. O que me incomoda são a ética e os argumentos de conveniência.

Convite para CPI

A Página 10 publicou nota sobre o convite feito para instalação da CPI. Comprovou-se o que foi dito por este modesto opinador. O convite era igual a tantos outros, como foram os casos das CPIs do Detran e dos insumos agrícolas. A surpresa fica por conta da cara de pau da colunista. Ela foi uma das que criticou os termos do convite e, agora, fala na terceira pessoa sobre aqueles que não reclamaram nas ocasiões anteriores.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Ulbra, filantropia e a minha intuição

Sobre essas picaretagem da Ulbra conceder bolsas por indicações de políticos e, o que é muito mais sério, a seus familiares e pessoas que não se encaixavam nos critérios, minha intuição me indica algo que desejo compartilhar com meus dezoito leitores.
Parlamentares são eleitos por pessoas. Entre essas pessoas, há algumas mais necessitadas e outras menos. Além disso, já que a pessoa votou naquele parlamentar, considera-e no direito de solkicitar algo. Afinal, pensa, não vai prejudicar ninguém. Seria o caso de bolsas de estudo. Ora, o parlamentar conhece alguém dentro de uma instituição que dá bolsas para os indicados. Para que passar por entrevistas, preencher fichas e aguardar retornos, se o parlamentar pode indicar e resolver muito mais rápido.
Às vezes poderia acontecer de o parlamentar não conseguir a bolsa, ou, o que seria mais sério, considerar que não é justo que uma pessoa que tenha alguma condição de pagar recebesse uma bolsa que deveria ser destinada a uma pessoa que não tem condição denhuma. Nesse caso, aquele a quem teria sido dito que não seria justo que ele viesse a receber, ficaria indignado. Afinal, não custaria nada. Mas, sempre haveria uma vingança possível. O eleitor que teria ajudado a eleger aquele parlamentar ingrato poderia passar a apoiar outro parlamentar que fosse mais reconhecido. Nesse caso, talvez, fosse possível obter a bolsa.
Ao fim, aquele apoiador que teria apoiado aquele parlamentar que teria conseguido a bolsa ainda se acharia no direito de xingar os políticos que teriam beneficiado a si e aos seus com alguma vantagem em Brasília e dizer: "Esses políticos são todos iguais".
Simples né?

Pontal do Estaleiro. Até que enfim ganhei uma


Finalmente votei para algo que venceu. Faz tempo que meus candidatos perdem. No caso do desarmamento, tomei um vareio. No caso do Pontal foi diferente. Mais do que os aspectos formais e quantitativos, acho que a vitória do NÃO foi uma sinalização sobre a visão de boa parte da cidade sobre os rumos que deseja para o desenvolviemtno de Porto Alegre. O símbolo da vitória é mais importante do que o seu resultado concreto, pois, a partir de agora, a principal referência sobre ocupação da orla é a referência dada pela consulta popular.
É verdade que a especulação imobiliária é incansável e vai continuar tentando, mas, dessa vez, a vitória foi nossa. Quero lembrar, por uma questão de justiça, que foi uma emenda do vereador Ferronanto que complicou, primeiro, a pretensão de lotear a orla entre meia dúzia de ricaços esnobes de Porto Alegre.
Espero que a gente se acostume a chamar o local de POnta do Melo.
Vem mais coisa por aí, eles não descansam... nós também não.

Jogando fumaça


Prosseguindo na sua sanha de jogar fumaça sobre acontecimentos importantes, o boletim do PRBS resolveu implicar com o convite para a instalação da CPI.
A Página 10 é contumaz em não comentar o que precisa ser comentado. Por isso, acaba apelando para picuinhas para preencher o espaço. Ora, TODOS os convites da Assembleia tem o mesmo formato. Ao final , indicam o traje passeio e pedem RSVP. Considerando que uma CPI é atribuição do Legislativo, portanto, dentro de suas funções constitucionais, faz muito mais sentido convidar para a instalação de uma CPI do que para as tradicionais sessões especiais de puxa-saquismo à RBS.
Quanto aos termos usados papra designar a CPI que será instalado, ou muito me engano, ou segue os termos do documento oficial que pede a instalação da CPI.
Era só o que faltava. Além de pautar politicamente a Assembleia, o PRBS ainda quer meter o bedelho no cerimonial da casa.

Morte e assassinato


Alguém deve alertar os articulistas do PRBS que morte e assassinato são coisas diferentes. A morte do presidente é uma coisa, seu assassinato seria outra. A morte do Maurício Sirotsky é uma coisa, o assassinato do Jaime Sirotsky seria outra, e assim por diante.
A morte de um sem-terra é muito diferente de um assassinato pelas costas.
O boletim do PRBS continua execrável.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Quero um pedágio pra mim


A passagem dos pedágios para a responsabilidade do Governo Federal é uma confissão da falência de um modelo criado nos tempos do Britto. Com essa medida indecorosa, Yeda quer lavar as mãos de um problema e jogá-lo no colo do Lula.

Os concecionários dizem que ganham pouco. Alegam que o estado tem uma dívida com eles. Yeda acha que a dívida tem que ser paga, mas com o dinheiro do Governo Federal, já que não deixaram (a sociedade gaúcha, diga-se de passagem) o Governo aprovar o projeto que aumentava os pedágios.

Quero um pedágio pra mim. Se ele der lucro, eu aproveito, se não der, peço dinheiro do governo para garantir a minha parte. Além disso, posso dizer que ele não dá dinheiro, mesmo que ele dê e, assim, aproveitar mais um pouco. Essa é a utopia capitalista: o lucro é privado e o prejuízo é público.