segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Professor Vanazzi


Li que o prefeito de São Leopoldo conseguiu concluir seu curso de história. Há um tmepo atrás, Valdeci Oliveira, ex-prefeito de Santa Maria concluiu o curso de direito. Muito legal isso. Mesmo depois da idade padrão, continuaram perseguindo um objetivo. Aproveito a notícia para emitir minha singela opinião sobre o quanto a burocratização e o apego às funções políticias têm auxiliado a degradar o nível da política brasileira.


Pessoas vão-se criando à sombra de cargos políticos (eletivos ou não), construindo um padrão de consumo médio/alto e desvinculando-se da vida concreta. Não estudam, não se aperfeiçoam, não vivem nada além de seus cargos e das "missões" que se consideram portadores. Vai daí que se tornam cada vez mais dependentes da máquina pública e dos partidos que ocupam os governos. Transferem aos partidos e governos a responsabilidadde de cuidar da sua vida. Engalfinham-se por cargos e entram em pânico quando estão na iminênica de os perderem.


São pessoas que não conseguiram organizar suas vidas e tornam-se clientes dos cargos públicos nos quais tem que organizar a vida de muitas pessoas.


Não avalio o caráter ou competência de ninguém. O que preocupa é que ao se colocarem na condição de reféns de cargos em comissão, acabam omando o meio por fim e a si próprios como referência. Essa praga é muito presente na política brasileira (não sei o resto mundo como está). Os estragos que ela tem feito às instituições e à ética pública são enormes.


Vanazzi e Valdeci são pessoas íntegras e capazes. São bons gestores públicos (ambos foram reeleitos, se isso é parâmetro). Se, no futuro, não ocuparem funções públicas, espero que sejam, respectivamente, um bom professor e um bom advogado. Se cada governante governasse pensando que, amanhã, será uma pessoa comum, acredito que os governos seriam melhores.

O ENEM



Marcos Rolim escreveu um artigo com opiniões que me parecem adequadas sobre mudar em educação. Sobre um item, me permito comentar alguma coisa. O ENEM não resolve o problema da educação, que vem de longe e está na base do sistema de ensino. Porém, traz para a discussão algo importante, que é o ensino de conceitos e habilidades para produzir respostas. Compreender uma pergunta é fundamental para encontrar sua reposta. Porém, em algum momento da educação brasileira, nos perdemos. Nossos alunos nem possuem um estoque de informações, nem habilidades para buscar as informações que não possuem, em regra. Resta, recorrer aos "experts em macetes". Estuda-se não para conhecer mais, mas para passar em alguma prova e, por fim, no vestibular. Daí a revolta de alguns desses experts contra o ENEM. Para eles, o ENEM é um conjunto de pegadinhas ou charadas. O certo seria que nossos estudantes desenvovlessem técnicas de memorização e participassem dos shows em que se tornaram certas aulas preparatórias ao vestibular. Desenvolver a habilidade de raciocinar e buscar a resposta na própria pergunta, para alguns, não é necessário. Um advogado dificilmente precisará saber algo sobre cálculos diferenciais em matemática. Porém, caso seja necessário ter alguma informação sobre isso, ele deve estar habilitado a saber como encontrar, sem precisar fazer um curso de matemática, ou sem recorrer à sua prodigiosa memória. O mesmo vale para outras áreas de conhecimento. Não preciso saber onde fica cada uma das ruas da cidade, mas preciso saber olhar um mapa.

Não sei se o ENEM resolve, mas ajuda. Ao ver a indignação da categoria que passou a ser denominada de "professor de cursinho", representada por profissionais que acham bonito serem chamados de "tios", ou serem conhecidos por perfomances cênicas, desconfio que, ainda que modestamente, o governo brasileiro pode estar indo no caminho certo.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Sábado: registre o seu "não" à destruição da orla do Guaíba

A Casa de Cinema está junto na luta contra a destruição da orla. Sábado, gravarão depoimentos. Será uma boa chance para dizermos não. Veja quando e onde aqui.

O nojo da política

Os acontecimentos no Senado Federal são apenas mais um capítulo da longa trajetória do patrimonialismo político brasileiro. Nem os atores principais mudaram muito. O chamado carlismo de ACM já vai declinando, conforme já comentei. O sarneyzismo, na minha opinião singela, vai entoando seu canto do cisne, com a deposição de Jackson Lago e com os discursos de apoio cada vez mais constrangidos de Lula. O fato é que nada é novo em se tratando de José Sarney. Há décadas ele age assim, há décadas é denunciado e há décadas nada acontece. O que mais incomoda aos apoiadores de Lula, como eu, é que essa prática tão comum às elites políticas brasileiras acabe tendo guarida em Lula. O presidente lembra que Sarney tem história. Exatamente, é essa história que nos indica que Sarney tem culpa no cartório.
O pragmatismo sindical de Lula da calafrios aos estômagos mais sensíveis e até nos mais fortes. Tudo isso para obter o apoio do PMDB, que pode não vir.
A expressão “nojo da política” ganha, a cada semana, novos motivos para se justificar. Marcos Rolim escreveu algo interessante sobre esse "esporte nacional". Aí, aparecem todos os tipos de solução. Aumentar os mecanismos de fiscalização, mudar o sistema eleitoral, prender os políticos e outras mágicas mais ou menos fundamentadas. Novamente, minha opinião singela indica que a desigualdade social brasileira contamina todas as instituições. Eu,que sou um heterodoxo, não consigo fugir a uma receita ortodoxa da esquerda histórica: reduza-se a desigualdade social no Brasil e haverá redução de um conjunto de práticas criminosas que se constroem sobre a concentração de poder e riqueza.
A política de compromisso do governo Lula ainda é o melhor caminho que se encontrou para enfrentar a desigualdade nos últimos séculos. Com um pé preso ao passado e um pé tentando correr para o futuro, o Brasil caminha claudicante em uma estrada esburacada e, às vezes, tropica.

A função social do pânico

O pânico criado em torno da Gripe “A” parece exagerado, na minha singela opinião. Já ouvi especialistas dizerem que as mortes em função da “nova gripe” estão nos mesmos níveis das mortes em decorrência da “velha gripe”. O secretário estadual da saúde informou que,ano passado, houve 250 mortes em decorrência da gripe comum. Pois é, só agora a gente ficou sabendo, mas a coisa foi séria. Portanto, parece que a grande diferença entre a “nova” e a “velha” gripe é a publicidade.

Daí vem o título desse post. Parece que o clima de emergência em função da “Gripe A” cumpre uma função de mobilização e coesão social, para não falar do gosto pela morbidez que move nossa mídia e nossa sociedade. Há pouco tempo atrás tivemos a febre amarela que, embora mereça cuidado, não merecia o clima de comoção que foi criado. Máscaras generalizadas, ampliação de férias escolares, hospitais de campanha... parece tudo um pouco exagerado, mas cumprindo a função de socialização do pânico. Outra nota tragicômica: as medidas que estão sendo tomadas para prevenção da “nova gripe” são as mesmas da “velha gripe”. Ventilação de ambientes, higienização dos ônibus e trens com álcool, além da velha recomendação: “lavar as mãos e não tossir na cara dos outros”. Mas... isso não era para ser feito sempre? Era. É preciso morrer gente para que os ônibus e trens em que andamos sejam limpos decentemente.
Enfim, talvez estejam nos escondendo algo muito sério e a “nova gripe” seja muito mais séria do que dizem os especialistas. Talvez não.
Peço aos meus dezessete leitores que guardem esse post para as gerações futuras, que sobreviverem à epidemia

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Governança perde mais dinheiro


A governança perdeu dinheiro mais uma vez. Novamente foi a assistência social que saiu perdendo com a inépcia e o descompromisso do Governo Municipal. A quantia perdida? Mais de 1,3 milhão forma devolvidos ao Governo Federal.
Clique aqui e veja, na página 09



terça-feira, 21 de julho de 2009

Perto da Lua, longe da Terra



Acredito que o ser humano pisou na Lua. As consequências dessa façanha vão desde o teflon até confirmação de hipóteses sobre a formação da Terra e do sistema solar, passando pela tomografia computadorizada. Tudo isso é bárbaro! Porém, dando vazão à pieguice, fico pensando se tamanho investimento de dinheiro e inteligência não poderia ser utilizado para superar a distância entre ricos e pobres dentro do planeta Terra. Talvez fôssemos mais ignorantes sobre a nosso passado e mais esperançoso quanto a nosso futuro. Esteja onde estiver (provavelmente em lugar nenhum), Carl Sagan não acharia essas palavras tão tolas.

O difícil teorema do PT II

A versão majoritária no PT é que a escolha de candidatos às vésperas da eleição foi a responsável pelas derrotas. Não é bem isso. O prazo de escolha dos candidatos pode ter tido alguma influência, mas nem de longe foi determinante. É que o PT adora pensar que as eleições dependem apenas dele próprio. Se o PT fizer direitinho, tudo vai sair direitinho. As derrotas do PT estão ligadas ao isolamento político à direita e à esquerda do partido. O acirramento das disputas internas apenas potencializam o isolamento social e partidário do PT.
Por fim, acho que, apesar de tudo, o PT pode ganhar a eleição. Porém, não é a hipótese mais provável.

O difícil teorema do PT I


Tarso, ungido pela unanimidade do encontro do PT, montou um teorema muito sólido: trazendo PDT e PTB a vitória fica mais próxima. Só falta avisar os aliados. A coisa não é nada simples. O PDT está encantado pela possibilidade de compor a chapa estadual e assumir a prefeitura da capital no caso da candidatura Fogaça. Caso o candidato seja Rigotto, a prefeitura fica mais distante. Terá que aguardar até 2012. Mesmo assim, a participação na chapa estadual é uma possibilidade. O PT pode oferecer o que?
No caso do PTB, a coisa é mais complicada. O PTB é base do governo (de todos os governos, aliás). Tarso foi enfático: ou o PTB sai do governo Yeda, ou não tem coligação. Isso alegrou a base petista, mas parece não ter sensibilizado o PTB. Não sei se a Taline Oppitz ainda é CC do Demhab, mas ela já informou que o ultimato não caiu bem aos olhos dos petebistas. O que parece ser algo básico para as pessoas comuns (se você está no governo, não pode participar da chapa de oposição), não é tão simples para o PTB e outros. Para eles, é normal mudar de time no meio do jogo, desde que se permaneça jogando.
Para muito petistas (talvez a imensa maioria), antecipar a escolha do candidato foi um modo de permitir a negociação de alianças. Eu e mais umas sete pessoas achamos que isso pouco vai influenciar o quadro eleitoral. Aliás, o lançamento antecipado pode colocar Tarso prematuramente no alvo das críticas ao seu trabalho. Tudo o que ele vier a fazer, mais do que agora, será utilizado para caracterizar como prática eleitoreira e coisas do gênero. É o preço da antecipação.
Tarso, eleições 2010, PT

Caso de Polícia


Entre as muitas coisas mal explicadas do governo Yeda uma delas é o papel do Chefe de Gabinete. Ricardo Lied (vulgo Cado), era um ilustre desconhecido. Apareceu pela primeira vez em uma conversa com o vereador cassado de Lageado, quando informava não haver nada contra o candidato do PT Luis Fernando Schmidt. Agora, aparece novamente em mais um caso de Polícia. Foi visitar, no meio da noite, o presidente do Detran para, segundo ele, pedir auxílio na prisão do filho do presidente. A história tem mais de uma versão, o que já nos leva a questionar sua veracidade. Mas não é só isso. A questão é saber por que o chefe de gabinete da governadora fica se metendo em questões policiais? Nossa polícia é muito competente, quando quer. Dispensa a mediação de um assessor para uma questão que, vamos e venhamos, é mais do que comum: prisão de traficantes na Cidade Baixa. Tudo leva a crer que o Palácio Piratini montou uma estrutura sofisticada de controle policial sobre seus adversários e aliados.
Diante de tal situação a governadora tem duas alternativas: ou exonera o chefe de gabinete, ou exonera o presidente do Detran, que até já pediu pra sair. Há uma terceira alternativa: sai a governadora e acaba com essa coisa toda.
O atento "Cloaca News" encontrou maiores referências sobre o ínclito Ricardo Lied.
A governadora não havia mandado apagar perfis comprometedores da rede? Eita povo desobediente!