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terça-feira, 26 de março de 2013

Suíços preocupados com barulho das crianças

Crianças aproveitam para extravasar, aos gritos, a alegria durante o carnaval em Basileia.
Crianças aproveitam para extravasar, aos gritos, a alegria durante o carnaval em Basileia. (Keystone)
Por Clare O'dea, swissinfo.ch
 
O som das crianças brincando pode ser reconfortante para alguns, mas na Suíça, onde um em cada seis habitantes se sente incomodado com barulho, o ruído das crianças é uma causa comum de queixa. A questão agora pode acabar sendo decidida nas urnas.
No ano passado, a Alemanha mudou a lei para proteger o barulho das crianças e colocar um fim a uma onda de queixas legais contra parques infantis e creches. Militantes suíços estão pedindo uma reforma semelhante na Suíça.

Em novembro do ano passado, uma associação infanto-juvenil de Zurique lançou uma campanha para proteger na lei o barulho das crianças. "Nós que trabalhamos com crianças e jovens gostaríamos que os espaços públicos fossem considerados espaços educativos", diz Ivica Petrusic, da associação Okaj.

"O que acontece nesses espaços é essencial para o desenvolvimento integral das crianças e dos jovens. Este é o lugar onde eles aprendem como funciona a sociedade, como se comportar, como aprender limites", acrescentou.

Para Petrusic e seus colegas, o importante é tomar uma posição em um cenário de crescente intolerância. "Cada conflito que surge em um espaço público é sempre visto de forma bem negativa e na maioria das vezes são as crianças e os jovens que sofrem com isso. Eles são expulsos e até já impuseram um toque de recolher, os menores de 16 anos não podem ficar do lado de fora depois das 22 horas. Nós achamos que a situação está ficando preocupante".

Toque de recolher à noite para menores de 16 ou 14 anos já foram impostos em várias cidades suíças, entre elas Kehrsatz, Interlaken e Biel, no cantão de Berna, ou Zurzach, no cantão da Argóvia.

Atividade silenciosa

Enquanto isso, dois deputados estaduais de Zurique, Philipp Kutter e Johannes Zollinger, questionaram recentemente o governo do cantão sobre a segurança nos locais de lazer para as crianças.

"As crianças e os adolescentes estão sendo forçados a sair dos espaços públicos e estão sendo expulso de seus pontos de encontro e de recreação", alegam em conjunto Kutter e Zollinger.

Os deputados se referem, em parte, a uma decisão da justiça de Wädenswil, no cantão de Zurique, que deu razão a uma queixa por barulho dos moradores vizinhos a um campo de futebol de uma escola.

Em resposta escrita, o governo de Zurique confirmou no mês passado (fevereiro) a decisão da justiça, lembrando que a lei “de proteção de ruído” também se aplica aos pontos de reunião e de lazer dos jovens.

Petrusic vê uma contradição na questão. "Por um lado, queremos uma vida saudável para as crianças para combater a obesidade. Queremos jovens mais ativos, mas quando se trata de ser ativo os adultos é que decidem os limites."

Primavera

Nesta época do ano, as pessoas de todas as idades começam a passar mais tempo ao ar livre, aumentando o número de reclamações de barulho. Entre as queixas, é comum ver reclamações contra o ruído causado pelas crianças, revela Markus Chastonay, da Cercle Bruit, a associação de peritos cantonais de proteção de ruído.

"No passado, tivemos muitos problemas de ruído da indústria, mas agora há muitos mais problemas nas áreas residenciais. Na Suíça, as planícies são como uma grande cidade. Vivemos cada vez mais perto uns dos outros e as pessoas estão menos tolerantes", disse Chastonay.

Para Stefan Ritz, responsável da infância e juventude de Dübendorf, na periferia de Zurique, ficou "praticamente impossível" construir novos playgrounds, declarou ao jornal do mesmo cantão Tages Anzeiger.

"As pessoas movem céu e terra para bloqueá-los. Geralmente, elas são bem antipáticas", disse Ritz. Para superar este problema, Dübendorf comprou um ônibus que funciona como playground móvel no verão.

Pela lei de proteção do meio ambiente, os playgrounds são amenidades, o que significa que o barulho vindo deles tem que ser limitado o tanto quanto possível. Mas não há limites que possam ser medidos e cumpridos à risca, por isso as queixas são julgadas caso a caso.

A lei suíça

Diferentes regulamentações são aplicáveis aos diferentes tipos de ruído.

O ruído de igrejas, playgrounds e áreas de lazer são abrangidos pela lei de proteção ambiental e a proteção contra o ruído se aplica. Mas limites máximos não são necessariamente aplicado aqui. Há limites apenas para o tráfego aéreo, ferroviário e rodoviário, a indústria e os campos de tiro.

A regra para todos os outros lugares é que eles não devem causar perturbação considerável para a população. As decisões são tomadas caso a caso.

O artigo 684 do Código Civil protege vizinhos de ruído nocivo e incômodo. Mais uma vez, deve ser decidido em uma base caso a caso se o ruído é prejudicial ou incômodo.

Algumas localidades introduziram regulamentos estabelecendo os chamados "momentos de silêncio". Durante essas horas (geralmente à noite ou na hora do almoço), a proteção contra ruído é maior.


(Fonte Larm.ch)

Música do futuro

De acordo com Caroline Marki von Zeerleder, da associação familial Familylab, o problema se resume em diferentes necessidades e relações entre as gerações. "É um fato que as crianças brinquem em voz alta e é um fato que muitos idosos preferem paz e sossego. Ambos estão com a razão, mas eles não andam juntos. Nós só podemos encontrar uma solução através do diálogo baseado no respeito mútuo."

Mas este diálogo, ainda segundo Marki von Zeerleder, não estaria ocorrendo com bastante frequência. Em caso de conflito, a especialista observou uma falta de vontade por parte das pessoas mais idosas em se adaptar às crianças. "Elas agem assim porque são mais velhas, elas têm a autoridade e as crianças têm que obedecer. Em seguida, elas encontram resistência da nova geração porque as coisas não funcionam mais assim hoje em dia."

Algumas disputas já fizeram as manchetes dos jornais, como a escolinha Montessori de Zug (centro), obrigada a fechar este verão por causa das queixas dos vizinhos com os níveis de ruído, mas a questão principal com o barulho das crianças não é ouvida.

Há um ditado em alemão que os suíços parecem discordar: "Kinderlärm ist Zukunftsmusik”, o barulho das crianças é a música do futuro.
Clare O'dea, swissinfo.ch
Adaptação: Fernando Hirschy

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Estacionamento quase em extinção nas cidades suíças


Aparelhos para medir a hora de estacionamento cada vez mais raros na Suíça. (RDB)

Por Ariane Gigon, swissinfo.ch
 
A questão de estacionamento para carros polemiza em todas as cidades suíças. A tendência geral é de restringir cada vez mais o espaço para veículos.
Na Suíça germanófona, o conceito de "local pobre em carros" mostra a direção que o debate está tomando.
Um "sim" nas urnas teria isolado a Basileia (norte) das outras cidades suíças e manchado levemente a sua imagem ecológica, conquistada dentre outros através da sua extensa rede de ciclovias. De fato, o plebiscito questionava o eleitor se a metrópole às margens do rio Reno deveria aceitar a liberdade total para a construção de garagens subterrâneas em áreas privadas fora do centro histórico. Mas há dez dias, os eleitores recusaram claramente essa mudança, por mais de dois terços dos votos.
A iniciativa popular (projeto legislativo apresentado pelo cidadão e levado a voto) contradizia os esforços conduzidos em várias partes da Suíça para reduzir o tráfego motorizado nos centros das cidades, o de reduzir o número de estacionamentos. "O estacionamento é um dos principais fatores para controlar os problemas de mobilidade, que ocorre por todos os lados", ressalta Gianluigi Giacomel, colaborador científico do Observatório Universitário da Mobilidade (OUM) da Universidade de Genebra.
"Muitos estudos provaram que a partir do momento em que você tem um estacionamento no fim do trajeto, aumenta a tendência de pegar o carro", acrescenta. Resultado: no início dos anos 1990, as cidades suíças começaram a restringir o número de vagas à disposição - ou transformar as chamadas "zonas brancas", estacionamentos gratuitos e ilimitados, em zonas pagas e zonas "azuis", estacionamento com tempo limitado.

Cada vez menos 

A tendência de ter cada vez menos vagas de estacionamento aumenta. Na Suíça germanófona - pelo menos em cidades como Winterthur, Zurique e Schaffhausen - as regras foram modificadas nesse sentido. Genebra deve em pouco tempo também finalizar seu novo plano diretor nessa área.
A Basileia é ainda uma das últimas grandes cidades na Suíça germanófona a ter inúmeras zonas brancas (12%). Mas a situação vai mudar: uma nova regulamentação sobre a gestão dos estacionamentos públicos permitirá eliminar pouco a pouco essas vagas sem restrição, até 2016.

Ponta interditada para o tráfego 

Mais espetacular é a decisão de fechar para o tráfego de veículos a ponte "Mittlere Brücke" (a mais velha sobre o rio Reno entre o lago de Constança e o mar do Norte, onde o cais está localizado). A única exceção serão as horas de entregas de mercadorias. "Trata-se de uma mudança simbólica que modificará o centro da cidade. As bicicletas poderão atravessar alguns eixos, enquanto que os veículos estarão impedidos", ressalta Alain Groff, diretor da Secretaria para Mobilidade do cantão da Basileia.
No setor de estacionamentos, Zurique, a cidade mais restritiva do país, está avançando para a próxima etapa. Ela só depende de um recurso legal entregue contra os novos regulamentos sobre os estacionamentos em áreas privadas seja refutado. Quanto aos locais públicos do centro da cidade, eles são objeto de um "compromisso histórico" entre os comerciantes e a municipalidade, com uma certa compensação pelas vagas perdidas nas infraestruturas subterrâneas. Genebra poderá se inspirar nessas decisões.

Menos vagas 

Zurique parece ser a primeira cidade a ancorar em um texto da lei um conceito que provoca muita discussão na Suíça germanófona: o do "espaço pobre em veículos" ("autoarmes Wohnen", em alemão). Mesmo se essa disposição está inscrita no decreto atualmente suspenso por um recurso legal, ela já pode ser aplicada. É o que explica Erich Willi, chefe de projeto no Departamento Municipal de Trabalhos Públicos, órgão encarregado da estratégia de estacionamentos em Zurique.
Winterthur adotou um regulamento similar e Berna o autorizou excepcionalmente para um projeto imobiliário. Nas grandes cidades de língua alemã do país, quase metade dos lares não dispõem de veículos.
Os pedidos de isenção tributária continuam a chegar. Para que sejam aceitos, eles devem ser acompanhados por um conceito de mobilidade. Erich Willi dá o exemplo de um novo conjunto habitacional, ainda em construção, onde "bilhetes mensais dos transportes públicos estarão incluídos nos aluguéis. Essa cooperativa alugará também vagas de estacionamento a preços elevados, mais caros do que o habitual."

Engajar-se em não ter um carro 

Ainda mais extremos: no centro de Zurique, outra cooperativa habitacional solicitará aos seus locatários a se engajar, no contrato de aluguel, a não ter veículos. O restaurante previsto no local fará o mesmo com seus empregados.
Alain Groff defende uma política decididamente proativa. "Não acredito muito no poder de convencimento das campanhas de sensibilização. As pessoas são racionais: eles preferem utilizar os meios de transportes mais vantajosos e práticos. Os suíços não são forçosamente mais ecológicos do que os outros, mas dispõem de uma oferta de transportes públicos de boa qualidade. Por todos os lados, as pessoas reagem às restrições, por exemplo, de vagas em estacionamento."
O tráfego suplementar induzido pelo aumento do número de estacionamentos é um fenômeno que não atinge somente os veículos. "Quanto mais vagas existem para as bicicletas, mais primordial é a necessidade de encontrar soluções para canalizar o seu número, que não para de aumentar". Assim as autoridades da Basileia introduziram uma duração máxima de dez dias para as bicicletas paradas no estacionamento da principal estação de trem da cidade. 

Ariane Gigon, swissinfo.ch  Adaptação: Alexander Thoele

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Presidente do BC da Suíça renuncia ao cargo

Philipp Hildebrand e sua esposa são acusados de realizar operações de câmbio suspeitas
Danielle Chaves, da Agência Estado
ZURIQUE - O presidente do Banco Nacional da Suíça, Philipp Hildebrand, renunciou ao cargo em meio aos questionamentos sobre operações com câmbio estrangeiro que ele e a esposa fizeram no ano passado. "Com efeito imediato, Philipp Hildebrand está renunciando ao cargo de presidente do conselho diretor do Banco Nacional da Suíça", informou o SNB, que é o banco central do país.
Hildebrand, que enfrentará hoje mais perguntas de uma comissão política sobre suas operações com câmbio, fará um pronunciamento sobre a decisão. A autoridade esteve sob ataque durante semanas depois que informações confidenciais do banco vazaram para o governo e a imprensa suíça mostrou que ele e sua esposa fizeram operações no momento em que o SNB combatia a valorização do franco.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Mercenários: uma tradição suíça

Batalha de Arques em 1589: participação de mercenários suíços.
Batalha de Arques em 1589: participação de mercenários suíços. (Echtzeitverlag)

Durante quinhentos anos mercenários suíços foram à guerra por governantes estrangeiros em troca de remuneração.

Graças a esse "produto" de exportação a Suíça foi poupada em sua história, como explica o historiador Jost Auf der Maur, autor do livro "Mercenários pela Europa".

O primeiro material de guerra para exportação do país dos Alpes era de carne e sangue: eram seus próprios filhos, que saiam para outras terras servir imperadores estrangeiros em suas batalhas através da Europa.

Para utilizar uma expressão moderna, os serviços de mercenário eram uma situação "win-win", ou seja, onde todos ganhavam, como explica o historiador suíço Jost Auf der Maur em seu mais recente livro. Potentados estrangeiros asseguravam seu poder graças a essa mão-de-obra especializada. Esta retornava à Suíça com bastante dinheiro e ainda assegurava outra benesse: a região que compreendia a Suíça no passado foi poupada das batalhas para que não necessitasse ela própria de soldados. Um conflito interno teria minado esse "produto" de exportação.

swissinfo.ch: O senhor mesmo é originário de uma família do cantão de Schwyz que, graças à intermediação de mercenário para potentados estrangeiros, ganhou muito dinheiro e poder. Existe um orgulho pelos antepassados?

Jost Auf der Maur: Não, pois eles faziam um negócio sujo.

swissinfo.ch: Foi a própria história da família que levou o senhor a escrever esse livro? 

J.A.d.M.: Eu quero destacar em um capítulo que o mercenarismo teve muito mais importância do que é ensinado nas escolas. Durante meio milênio mercenários suíços colaboraram em conflitos conduzidos por governantes estrangeiros. Isso ocorre em completa oposição à tradição humanitária da Suíça, hoje tão comumente invocada, mas que existe na verdade há relativamente pouco tempo.

swissinfo.ch: O senhor descreve que muitos homens se ofereciam como mercenários mais pela paixão por aventuras. Não teria sido a penúria econômica o argumento mais importante? 

J.A.d.M.: Na época existiam várias razões para abandonar a pátria, dentre elas também a fome. Mas na realidade havia outras necessidades como a sede pelo butim e por aventuras. Um mercenário podia ganhar dinheiro vivo, o que na época era algo muito raro. O interesse era tanto por esse trabalho, que por vezes chegou até mesmo a faltar mão-de-obra na agricultura.

swissinfo.ch: Os mercenários retornavam, se conseguissem, muitas vezes como inválidos, traumatizados ou alcóolatras. Isso não provocava também problemas sociais para as famílias? 

J.A.d.M.: Um motivo de escrever o livro é iluminar alguns aspectos pouco esclarecidos como as consequências políticas, sociais, culturais e científicas, pois o contexto militar do mercenarismo é bastante conhecido. Mas seguramente o estado de saúde daqueles que retornavam era seguramente um problema.

swissinfo.ch: A intermediação de mercenários estava na mão de poucas famílias, que na verdade eram empresas militares e de guerra. Elas chegavam a ter lucros de até 18%. Como era esse negócio realmente? 

J.A.d.M.: Essas famílias de intermediadores eram formadas geralmente por antigos suboficiais, muitas vezes também gastrônomos. Elas necessitavam de uma licença, que era dada pelos cantões. Os intermediários faziam os contratos com os mercenários, lhes pagavam um dinheiro de mão e informavam sobre as futuras funções e obrigações.

Faltava mão-de-obra nas tropas de mercenários suíços e para arregimentar pessoal muitas vezes eram utilizados métodos pouco lícitos. Jovens homens, por exemplo, eram conquistados através de vinho barato oferecido por gastrônomos. Muitas vezes colocava-se dinheiro nos seus bolsos e depois diziam que eles teriam assinado antes um contrato.

swissinfo.ch: Haviam empresas militares dirigidas pelas esposas, enquanto seus maridos chefiavam regimentos de suíços nas casas reais europeias. Esses eram casos excepcionais? 

Jost Auf der Maur
Jost Auf der Maur (Echtzeitverlag)
J.A.d.M.: Também nesse caso as pesquisas ainda estão no seu estágio inicial. Uma das novidades que conto no meu livro é o papel das mulheres em determinadas empresas militares familiares. Elas tinham obrigações complexas de administração ao chefiar esses escritórios de intermediação. Dentre suas tarefas incluíam-se também a organização do trabalho de engajamento, abrigar aqueles que assinaram os contratos e planejar a viagem até o local de trabalho. A flutuação era relativamente elevada. Os efetivos das tropas nas casas reais eram controlados mensalmente e precisavam ser sempre completados. A tarefa das mulheres era também de vigiar a construção das residências que os chefes de tropas faziam construir na sua pátria.

swissinfo.ch: Seria possível definir a forma de negócios na antiga Confederação Helvética através da seguinte fórmula: "Filhos vendidos e felicidade comprada para o país"? Talvez o juramento do Rütli não seja o verdadeiro fundamento da Suíça, mas sim o sangue dos seus próprios filhos?

J.A.d.M.: Dizer isso talvez seja pouco diferenciado. Mas a felicidade da Suíça é um dos mais interessantes aspectos da história do mercenarismo. De forma nenhuma é verdade que a Confederação Helvética conseguiu conquistar sua independência somente através dessas lutas por liberdade. O país agradece a sua relativa tranquilidade apenas ao exportar o seu melhor produto: os mercenários. Por isso podemos dizer que a felicidade suíça é um predecessor da atual neutralidade.

swissinfo.ch: Um dos lucros do mercenarismo é avaliado pelo senhor no ponto em que os mercenários, ao retornarem às suas terras, traziam novas ideias e conhecimentos para uma Suíça que era relativamente atrasada. O futuro Estado moderno beneficiou-se disso? 

J.A.d.M.: Oficiais como Henri Dufour seriam impossíveis de se pensar sem sua formação educacional na França. Dufour conseguiu resolver de forma ideal a guerra civil de 1847, que praticamente não deixou vestígios.

Também é simbolicamente uma forte imagem que o general tenha, juntamente com o pacifista Henry Dunant, fundado a Cruz Vermelha Internacional. 

Renat Kuenzi, swissinfo.ch
Adaptação: Alexander Thoele